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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Esquecimentos


COMENTANDO a legitimidade da Greve Geral, o ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco afirmou que "o que os portugueses decidiram nas urnas não pode ser mudado na rua", porém, esqueceu-se de acrescentar que aquilo que o governo prometeu nas eleições, não corresponde àquilo que está a concretizar enquanto governo, e a resposta dos portugueses foi clarividente.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um Bode Expiatório Chamado Povo Português


PEDRO Passos Coelho ganhou um mau hábito. Frente às câmaras de TV, ostenta um ar de mestre-escola e tenta provar, de forma falaciosa, que o endividamento dos cidadãos é o principal responsável pelo endividamento do Estado e a desordem nas Contas Públicas, atribuindo-nos o suposto pecado de andarmos a gastar acima das nossas possibilidades, e com isso sermos os sujeitos culpados da crise e do depauperamento do Estado. E vai mais longe. Como somos caloteiros e não pagamos o que devemos, o crédito mal parado começa a deixar os coitadinhos dos bancos em maus lençóis, e depois o Estado tem que ir a correr salvá-los da penúria, para garantir a estabilização financeira. E vai dizendo isto sem se rir, julgando que nos esquecemos dos lucros pornográficos que os bancos entretanto fizeram ao longo dos anos, à custa dos mariolas dos portugueses, e que entretanto publicitavam com regozijo, pompa e circunstância, culminando com orgiásticas distribuições de dividendos.

Com esta falsa ideia, quer implantar nos nossos espíritos um complexo de culpa, que conduz ao entorpecimento, à submissão e aceitação da inevitabilidade das medidas de austeridade, bem como os sacrifícios daí resultantes. A verdade é que se um cidadão se sobreendivida e não consegue cumprir os seus compromissos, seja por indisciplina ou pouco controle do seu orçamento doméstico, o problema é sempre pessoal e a sua solução fica circunscrita ao contencioso entre devedor e credor. O que significa que o Governo, a Dívida Pública e o Orçamento de Estado não têm nada a ver com isso, nem são para aí chamados. Passando por cima disto, Passos Coelho faz um ensaio para arranjar mais um bode expiatório, tão grande quanto a dívida que o próprio Estado acumulou, e que o bancos gulosos andaram a explorar.

Esquece-se de falar dos excessos em que o Estado se envolve, seja com gastos estratosféricos e incomportáveis, com uma gestão incompetente dos dinheiros públicos, com os ruinosos modelos que implementa para administrar o país, com contabilidades marteladas e engenharias orçamentais, ou ainda (e sobretudo) com os favores, preferências, negociatas e traficâncias suspeitas em que se envolve, que geram colossais buracos financeiros, e leva a que os cofres se esvaziem, sem receitas e sem remédio. Daí o Estado sobreendividar-se de forma escandalosa e continuada, pedindo empréstimos para pagar empréstimos (cá dentro e lá fora), e depois, já sem crédito e cercado pelos agiotas dos mercados, virar-se para o mundo do trabalho, exaurindo-o com medidas de austeridade e saques ao desbarato, para satisfazer as exigências cada vez mais gravosas, e nunca conseguir pagar o que deve. E assim, por obra e graça deste mesmo Estado que Passos Coelho personifica, se passa de país a protectorado, onde se leiloa património ao desbarato, e se vão abrindo os caminhos que conduzem à penúria e miséria generalizadas, onde são demolidos todos os projectos de vida, e onde (quase) todos acabam devedores.

Afinal, Pedro Passos Coelho, mais os seus aliados de circunstância, o que pretendem é um grande bode expiatório, do tamanho do país, a quem imputar a responsabilidade do estado a que chegámos. E pegando nessa ideia, insiste que temos que mudar de vida, voltando a sugerir como solução o nosso empobrecimento colectivo (excepto os do costume). Está na altura do povo lhe responder, a ele e aos seus aliados de circunstância, com o gesto adequado.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vital Moreira e o Complexo de Édipo


COM manifesta falta de assunto, o patético oráculo Vital Moreira, disse o seguinte: "Para o PCP cada greve geral é sempre a maior de sempre. Está para vir uma greve geral que não seja maior do que a anterior. Admitir outra coisa seria admitir a perda de capacidade de mobilização do Partido..."

Ainda faltam dois dias, e já aqui está alguém do PS (partido Seguro) que, contrariando o que foi aconselhado pelas altas e colaborantes instâncias partidárias, não se abstém de tomar posição relativamente à greve geral. Enfim, armadilhas que o complexo de Édipo tece...

domingo, 20 de novembro de 2011

Pesos e Medidas

O TRIBUNAL Arbitral, nomeado pelo Conselho Económico e Social, decretou “serviços mínimos” nos transportes colectivos, no dia de greve geral de 24 de Novembro, considerando que os transportes públicos desempenham um papel essencial no acesso das pessoas à rede hospitalar pública e, consequentemente, a necessidade de protecção do direito à saúde constitucionalmente consagrado. Como se vê, o argumento é educativo e muito convincente.

Entretanto, gostava de conhecer a opinião que este mesmo tribunal arbitral produziria, caso lhe fosse pedido um parecer sobre a eliminação e encurtamento de carreiras dos transportes públicos, bem como a redução dos horários de serviço dos mesmos, medida que o Governo quer levar para a frente, não num simples dia de greve, mas de forma definitiva, cerceando a mobilidade dos cidadãos e limitando, para além do direito à saúde, todos os outros direitos constitucionalmente consagrados.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Greves Selvagens

«A "greve selvagem" iniciada ontem ao final do dia deixou o espaço aéreo de Espanha vazio e condicionou vários voos em toda a Europa. Ainda ontem à noite, o Ministério da Defesa espanhol tomou conta do espaço aéreo do país.
Os controladores aéreos reivindicam direitos de trabalho, como o pagamento das horas extraordinárias. A decisão dos 2300 controladores aconteceu depois de o Governo anunciar a privatização da AENA, a gestora aeroportuária espanhola.»

Notícia do jornal PÚBLICO on-line, de 4 de Dezembro 2010

Meu comentário: O assunto não é novo, já tem largos anos, desde que os acontecimentos se verificaram pela primeira vez, mas era bom que se reflectisse sobre o fenómeno das “greves selvagens”, o porquê e como acontecem, já que a questão de quem as controla não se põe, porque dizem que são selvagens, isto é, desprovidas de controlo e sem respeitarem as leis. Nesta questão, os sindicatos, federações e centrais sindicais, deviam dedicar uma atenção especial a este assunto, e informar a opinião pública das suas conclusões, porque se calhar, também lhes cabe alguma responsabilidade no facto de elas ocorrerem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Homem Invisível

A COMUNICAÇÃO social informou que José Sócrates esteve “invisível” para a generalidade dos portugueses, tendo passado o dia de Greve Geral a “trabalhar” na residência oficial de São Bento. Com o tempo que tem passado em digressão inaugurativa e exibicionista, desde Outubro de 2009, é natural que precise de fazer uma pausa na sua gabarolice e tente pôr alguma ordem na grande desorganização dos seus papéis, e das suas tarefas básicas como governante. Quanto aos restantes membros do governo, foram “mobilizados” para macaquearem uma espécie de “serviços mínimos”, adequados à sua vocação de fura-greves muito bem pagos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Magno Problema

«(…) O magno problema continua a ser que não há riqueza sem produção, não há produção sem trabalho, não há trabalho sem trabalhadores. E a magna diferença é que enquanto o capital despede, os trabalhadores querem trabalho. Vão dizê-lo com toda a clareza na próxima quarta-feira.»

Excerto do artigo de Ruben de Carvalho, publicado pelo semanário EXPRESSO de 20 de Novembro 2010.

sábado, 6 de novembro de 2010

ANESTESIA GERAL


Receando que o paciente se levante a meio da operação e saia porta fora sem pagar a conta, o pessoal que nos "trata da saúde" não se tem poupado a esforços para pôr os trabalhadores e o país num estado de inconsciência e imobilização profundas, que nos impossibilite de dar a resposta adequada ao tratamento de choque com que nos querem pôr a pagar uma Crise para a qual não metemos prego nem estopa.

Ao contrário de outras anestesias que visam reduzir a dor no paciente, a anestesia a que estamos a agora a ser submetidos está-se borrifando para o sofrimento que os PECs estão a causar; o objectivo mesmo é paralisar o paciente, impedindo-o de esboçar a mais pequena reacção.

As famílias de anestésicos incluem o grupo "não há alternativa", o "estávamos a viver acima das nossas possibilidades", e mais recentemente o tóxico "vamos lá ver onde podemos poupar", e o letal "reforço de equipamentos de segurança".

No entanto, apesar das doses cavalares que jornais e TVs, políticos e comentadores, nos estão diariamente a injectar, provavelmente devido ao efeito dos anticorpos que fomos criando ao longo dos anos, a coisa não está a resultar como o previsto, como ainda há bocado se pôde constatar ali na Avenida da Liberdade, em mais um exercício de aquecimento para a Greve Geral de 24 Novembro.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Metro de Londres em Greve pela 3ª vez, e as TVs e Jornais cá da terrinha ainda não deram por nada...


A greve de ontem, com a duração de 24 horas 24, semeou a bagunça em Londres, mas os alegados jornalistas da pátria lusitana, ou os seus patrões, devem achar que o melhor é não dar mais ideias cá ao pessoal,

e ficarmos todos a pensar que aí pela Europa fora está tudo na Santa Paz do Senhor, a ruminar mansamente os PECs da Merkel e do Trichet, excepto para aí uns extremistas gregos, e mais aqueles líricos, nostálgicos do Maio de 68, que acham que os tempos estão para um tipo se reformar aos 60 anos,

quando até já aqui na Essência explicámos que essa cena da reforma em França aos 60 anos era uma grande tanga, mas enfim para os tais alegados jornalistas a coisa mesmo importante que aconteceu ontem em Inglaterra foi um gajo chamado Horta qualquer coisa, ou qualquer coisa Horta, ter sido nomeado administrador do Barclays,

e sabe-se lá que outros caldinhos estão a esta hora a acontecer aí pela Europa, como os jornalistas da BBC que já anunciaram uma greve de 48 horas, vamos lá ver se os alegados jornalistas, que escrevem nos jornais dos donos, ao menos dão por esta...

LIBERTA-TE, A TI E AOS OUTROS


O actual debate em torno dos "mercados" e da ditadura que exercem sobre os povos recoloca a questão na base das opções políticas.

Que é isso da Liberdade, quando os povos se encontram acossados por mandantes obscuros e não escrutinados democraticamente?

Que é lá isso dos “Mercados”, umas entidades incorpóreas e impessoais, mas com caprichos e estados de espíritos humanos, sobretudo com um grande mau feitio e parco sentido de solidariedade. Uma espécie de manifestação teológica arcaica, qual Zeus em tudo humano, nos sentimentos, vícios e perversões, que atemoriza, mas é intangível?

Que é lá isso da Democracia, ou da falta dela, quando é dito a quem tem o poder e a soberania de facto, os cidadãos, que apenas têm uma escolha possível, aquela que uma minoria entende ser o caminho certo?

Que é lá isso da Liberdade, aquela que enche discursos e tratados e declarações e manifestos, mas que assusta os discursantes e os tratantes e os declarantes e os manifestantes?
A Liberdade, aquela liberdade livre, não domesticada, que mata o medo, que subjuga os “Mercados” e os seus sacerdotes, que cumpre a Democracia passará por nós dia 24 de Novembro.

Liberta-te.
Faz greve.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Alegre não toma partido sobre Greve Geral
Deve ser para acalmar os mercados...


Só pode. Não fosse o "sentido de responsabilidade" que recai sobre este candidato a Presidente da República, outro galo cantaria.

Já viram a carrada de nervos com que os mercados iam ficar, se Manuel Alegre apoiasse a Greve Geral?

No Publico de hoje podemos ainda ler, acerca da sua posição sobre a Greve Geral de 24 de Novembro, que Alegre "Não se comprometeu mas não escondeu que a sua visita "tem um significado" (whatever that means).

Claro que a ele ninguém o cala, embora, como diz o Bruno, lhe possam baixar o volume ou até, como agora se vê, desligar-lhe completamente o som.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CENAS DA LUTA DE CLASSES


Quando se fala de Luta de Classes as imagens que provavelmente nos vêm à mente são de cenas de violência, invariavelmente com as forças de repressão a malhar em trabalhadores. Mas essa, apesar de toda a selvajaria, não é a forma mais característica da repressão das classes dominantes sobre quem trabalha.

Menos espectaculares mas mais eficazes, até por atingirem a generalidade dos trabalhadores, são medidas como as contidas no Orçamento PS/PSD, legislação como o celerado Código de Trabalho PS/PSD/CDS, e acima de tudo a exploração directa, permanente, e insaciável do patronato que, na actual situação de guerra aberta do capital financeiro, assume formas como a relatada nesta notícia do Publico: Citroën contrata ex-operários a ganhar menos do que auferiam.

Enquanto, mesmo (ou sobretudo) com a Crise, os lucros da Banca não param de subir, por outro lado, como pode ver neste estudo de Eugénio Rosa, os rendimentos dos trabalhadores continuam em queda acelarada. No período 1974/1976 a parte do rendimento dos trabalhadores andou entre 61% e 68,4% do PIB, em 2008/9 aos trabalhadores já só coube cerca de 50%, ou seja, menos ainda do que no tempo do fascismo: 54,9% do PIB em 1973.

Claro que o que todos desejamos é que haja Paz e Amor, e até nem seria mau que, como nos tentam convencer os beneficiários do actual estado de coisas, os protestos, as greves, e as manifestações fossem coisas do passado, obsoletas, e completamente desnecessárias.

Mas a presente ofensiva do capitalismo neo liberal - e daqueles que coagidos ou de alma e coração estão ao seu serviço - contra todas as classes produtivas, é bem a prova que a Luta de Classes não só não desapareceu, como está cada vez mais assanhada, e que aos trabalhadores, para não termos de pagar uma Crise de que não somos responsáveis, só nos resta recorrer às nossas conhecidas formas de luta, como a Greve Geral de 24 de Novembro, e porventura a outras novas, no combate por uma sociedade mais justa, democrática e solidária.

domingo, 31 de outubro de 2010

DONDE VÊM ESTAS DESGRAÇADAS POLÍTICAS QUE NOS CABE DERROTAR


Num artigo do Guardian, Georges Monbiot faz uma boa exposição das ideias neo liberais que enformam as politicas seguidas por governos e organizações internacionais, como o FMI e a União Europeia, e das trágicas consequências provocadas pela sua aplicação.


"No seu livro The Shock Doctrine, Naomi Klein mostra como o “capitalismo de desastre” foi concebido pelos neoliberais extremistas da Universidade de Chicago. Esta gente acreditava que a esfera pública devia ser eliminada, que o capital devia ser livre para fazer o que quisesse, que os impostos deviam ser reduzidos e as despesas sociais ser substancialmente reduzidas ou mesmo eliminadas.

Acreditavam que a liberdade pessoal total num mercado completamente livre produz uma economia, e relações entre as pessoas, perfeitas. Era um sistema utópico tão fanático como o dum culto religioso. E era profundamente anti popular. Durante muito tempo os seus únicos apoiantes foram os dirigentes de grandes multinacionais e meia dúzia de marados no governo dos USA.

Numa democracia, em condições normais, os que são prejudicados pelo corte das prestações sociais terão sempre mais votos dos que os que lucrariam com isso. Por isso o Programa de Chicago não podia ser imposto nessas circunstâncias. Como o guru da Escola de Chicago, Milton Friedman, explicou “ somente uma crise – real ou sentida – produz mudanças reais”. Depois duma crise surgir “o governo tem seis a nove meses para impor alterações substanciais; se não actuar decisivamente durante esse período, não voltará a ter uma oportunidade tão boa”.

A primeira oportunidade foi proporcionada pelo golpe de Pinochet no Chile. O golpe foi tramado entre duas facções: os generais e um grupo de economistas treinados na Universidade de Chicago, e financiado pela CIA. Aquelas ideias já tinha sido rejeitadas pelo eleitores (com a eleição de Allende), mas agora o eleitorado era irrelevante. As políticas da Escola de Chicago – privatização, desregulação, cortes de impostos e despesas – foram catastróficos. A inflação subiu para 375% em 1974.

Mesmo assim, Friedman insistiu que o programa estava a avançar muito devagar. Numa visita ao Chile em 1975 convenceu Pinochet a endurecer as medidas. O resultado foi um massivo crescimento do desemprego e a quase extinção da classe média. Mas os muito ricos, e as grandes empresas, pagando poucos impostos, desreguladas e engordadas com as privatizações, tornaram-se muito mais poderosas.

Em 1982 as receitas de Friedman tinham causado um crash espectacular. O desemprego chegou aos 30%; a dívida disparou. Pinochet despediu os economistas de Chicago, re-nacionalizou as empresas mais afectadas, e a economia começou a recuperar. O chamado milagre chileno só começou depois das doutrinas de Friedman serem abandonadas. O programa catastrófico da Escola de Chicago empurrou quase metade da população para baixo da linha da pobreza e fez do Chile um dos países com maior índice de desigualdade social."

terça-feira, 19 de outubro de 2010

TIVEMOS uma Crise, não, FIZERAM uma Crise. E agora a gente que a PAGUE?


Ao contrário do Bruno, que num post anterior nos dá conta da sua auto flagelação, não sou espectador do Prós e Contras, nem da maioria dos "detergentes" com que diariamente nos tratam da lavagem à mona.

Mas ontem ao ligar a TV à noite, à procura assim dum filme ou duma série, a coisa estava no canal 1 e ainda deu para ouvir um senhor do Governo, para justificar o Orçamento da santa aliança dos banqueiros, especuladores, Moody's, Merkel, Bruxelas, PS, e PSD, dizer: TIVEMOS UMA CRISE.

Ora podemos TER uma seca, trovoada ou erupção vulcânica, mas a Crise que estourou em 2008 não é certamente um daqueles fenómenos da natureza de que nos queixamos quando nos caiem em cima da tola, mas sim responsabilidade dum Sistema Financeiro Internacional que agora exige que sejam os que menos têm a pagar as favas de toda a sua ganância, irresponsabilidade, e rapina. Sempre, é bom lembrar, com o apoio e beneplácito dos Governos de vários quadrantes, incluindo os nossos.

Quando agora se aumenta o IRS a trabalhadores que já têm mais mês que salário, se sobe o IVA de produtos de primeira necessidade, se cortam prestações sociais, se congela e reduz salários dos funcionários públicos, se continua a exigir que o Sr. Antunes da mercearia da esquina pague 25% de IRC, o que dizer dum Orçamento que a par de tudo isto continua a permitir que os Bancos, que por dia têm cerca de 5 milhões de euros de lucro, continuem a pagar à volta de 5% de IRC?

Como diz o cartaz da foto um outro mundo é possível, mas não seguramente com esta cambada de parasitas que diariamente atafulham os ecrãs das TVs e as páginas dos jornais, a repetir até à náusea a cassete do não há alternativa.

Um outro mundo é possível, e é no respeito de quem produz, repara, transporta, vende, trata, ensina, estuda, inventa, cria, ... - de todos os que contribuem com algo de útil para a sociedade - que se tem de procurar uma saída do buraco em que nos meteram. Os protestos, manifestações e a Greve Geral de 24 de Novembro agora anunciada, são para já a resposta possível e indispensável, que decerto contribuirá para que mais esta miséria com que nos ameaçam não seja uma fatalidade.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DESASTRE À VISTA DIZ O GOVERNADOR DO BANCO DE PORTUGAL


A nossa «Economia é um avião com quatro motores em que dois vão a desacelerar», diz Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, para explicar como vai o País.

Entretanto Sócrates no País das Maravilhas continua a dizer que Orçamento "protege a economia".

Acho que vou voltar para a ilha, ou melhor ainda, aderir à Greve Geral de 24 de Novembro.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ENTÃO É ASSIM


Esqueçam Sócrates. Esqueçam Passos Coelho. Esqueçam Alegre, se é que alguém, alguma vez, se lembrou de que dali poderia sair fosse o que fosse.

Falem com os vossos amigos socialistas e perguntem-lhes quem é que está a ganhar as eleições nas federações distritais do PS. Olhem para as medidas que estão no Orçamento, e digam-me se dá sequer para imaginar que alguma vez Sócrates poderá sonhar em voltar a ter nem que seja uma maioria simples.

Agora rebobinem até à primavera passada, e vejam lá se um tipo não tem que ser um dos piores líderes políticos que este país já viu, e se temos visto gajos maus, para depois de ter estado à beirinha de chegar a São Bento, em escassos seis meses se arrisca a assegurar um lugar entre os ex-líderes do PSD que nunca foram a lado nenhum.

Para os mais distraídos, ontem à noite na RTP António Costa explicava como vai ser:

a) Problema 1: Para as suas políticas (de direita) o PS nunca contou, nem vai nunca contar, com o apoio do PCP; e com o BE, apesar das esperanças mútuas, a coisa também deu com os burrinhos na água, como se viu na Câmara de Lisboa;

b) Problema 2: O PSD, mesmo que as coisas lhe corram muito bem, para chegar ao Governo vai sempre de ter de levar atrás o PP o que, com Paulo Portas, só lhe traz chatices e sarilhos;

c) Solução: Um “pacto de regime” PS/PSD em que o felizardo do totoloto (a dois) das eleições, mas quase de certeza em minoria, teria sempre a garantia do voto ou da abstenção do outro nas votações fundamentais, como a do OE.

Deixe o PSD passar este Orçamento, o mais provável, ou vote contra, o mais extravagante, Passos Coelho - que obrigou toda aquela gente a deslocar-se à São Caetano à Lapa e às redacção dos jornais e TVs, para lhe tentar meter na tola que já não está na JSD - dificilmente será perdoado.

Quanto a Sócrates, com ou sem Orçamento aprovado, a sua remoção de São Bento, deixou de ser uma questão politica, para se tornar um problema de higiene pública.

Pelos desígnios do altíssimo ou do, mais prosaico, calendário eleitoral, estamos a três meses duma eleição Presidencial que podia ser um oportunidade excelente para tentar uma larga mobilização popular à volta da reivindicação duma nova política, mas o que nos coube foi: dum lado uma candidatura, a de Manuel Alegre, amarrada aos PECs e ao cadáver politico de Sócrates, do outro um camarada, Francisco Lopes, destacado para aproveitar os “tempos de antena” a divulgar as posições do PCP.

É nestas alturas que até me parece preferível ter para aí uma dessas doenças bipolares, ao menos sempre tomava o comprimido e sentia-me um pouco melhor. Enfim, não fiquem preocupados que, como nos recordam os comentadores de serviço, somos um país com mais de 800 anos e já estivemos metidos em alhadas piores que esta.

Pela minha parte lá estarei no dia 24 de Novembro, e se souberem doutras cenas para ajudar a dar a volta a isto, vão deixando por aqui uns palpites na Essência, que o pessoal agradece.


Nota: O título do post é dedicado Bruno, que não vai à bola com aqueles títulos compridos que aprendi a fazer com o Dédé.