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domingo, 5 de outubro de 2014
OS 60 ANOS DA REPÚBLICA EM MOSCAVIDE
Em 1970, um ano de intensas lutas operárias nesta parte oriental da cintura industrial de Lisboa, os democratas ligados ao MDP/CDE de diversas localidades do concelho de Loures, decidiram comemorar publicamente a implantação da República.
Embora não fosse habitual pedir autorização às entidades oficiais para este tipo de iniciativas, em 1970, para desmascarar a demagogia da chamada "Primavera Marcelista", foi decidido apresentar requerimentos para a realização das várias sessões comemorativas, entre elas a que teria lugar no Centro Social e Paroquial de Moscavide.
Como se refere na carta junta, o requerimento relativo à sessão de Moscavide foi subscrito por António Mascarenhas, Arnaldo Kruger, e José Anjos Julião, os dois primeiros operários da DIALAP, e o terceiro do Matadouro de Lisboa.
A sessão acabou por ser proibida e, para além da comunicação aos subscritores do requerimento, a PSP de Moscavide intimou para irem à esquadra a Direcção do Centro Social e Paroquial de Moscavide onde, no meio de algumas provocações, comunicaram ao padre José Policarpo(*) e a João Pimenta, que a sessão tinha sido proibida.
(*)
O padre José Policarpo, mais tarde Bispo e Cardeal de Lisboa, estava na altura a substituir o padre Francisco Cosme (ausente durante algum tempo em Madrid) e por inerência de função era o presidente do Centro Social e Paroquial de Moscavide, que dirigia juntamente com mais dois directores, João Pimenta e José Quaresma.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
NÓS AMÁVAMOS A AMÉRICA
As ilusões perdidas dum russo da geração de 90.
Nós amávamos a América. É verdade, eu lembro-me. Quando éramos adolescentes, crescendo nos anos 90, a maioria dos meus amigos da mesma idade nem sequer questionava a sua atitude para com a civilização ocidental. Era o máximo, como poderia ser de outra forma?
Ao contrário dos nossos avós, e até mesmo dos pais, nós não pensávamos na implosão da URSS - a "maior catástrofe geopolítica do século XX" - como um desastre. Para nós, era o início de uma longa jornada. Finalmente, íamos sair da concha soviética para o grande mundo - fixe e sem limites.
O primeiro golpe sério na nossa orientação pró-ocidental foi o Kosovo. Foi um choque; os nossos óculos cor de rosa foram quebrados em pedaços. O bombardeamento de Belgrado foi, para minha geração, como os ataques do 9/11 para os americanos. A nossa visão do mundo girou 180 graus.
Depois foi o Iraque, o Afeganistão, a separação final do Kosovo, a "Primavera Árabe", a Líbia, a Síria - tudo isso foi surpreendente, mas ainda não um tremor de terra.
Mas com o Euro Maidan (Kiev, Ucrânia) e a subsequente e feroz guerra civil tudo ficou claro: "o processo democrático" - desprovido de regras e lançado em território inimigo - não é um brinquedo geopolítico, mas uma verdadeira arma de destruição maciça. É o único tipo de arma que pode ser usado contra um Estado com armas nucleares.
É muito simples: quando alguém apertar o botão e enviar um míssil nuclear através do oceano, vai certamente receber um idêntico de volta. Mas quando semeia o caos em território inimigo, não é o culpado. Agressão? Que agressão ?! Este é um processo democrático natural! O eterno desejo das pessoas pela liberdade!
Vemos o sangue e os crimes de guerra, os corpos de mulheres e crianças, um país inteiro (Ucrânia) a precipitar-se de volta para a década de 40 - e o mundo ocidental, que nós tanto amávamos, assegura-nos que nada disso está acontecendo.
A cultura que nos trouxe Jim Morrison, Mark Knopfler, e os Beatles, não vê o que se está a passar. Os descendentes e os próprios participantes de Woodstock, os velhos hippies que tanto cantavam "All you need is love", também não vêem. Mesmo os atenciosos alemães da geração do pós-guerra que tentou penitenciar-se pelos pecados de seus pais, não vêem nada.
Há vinte anos atrás, não fomos derrotados. Nós rendemo-nos. Não perdemos militarmente, mas culturalmente. Nós só queríamos ser como vocês. O rock-n-roll fez mais do que todas as ogivas nucleares. Hollywood era mais forte que as ameaças e ultimatos. O rugido das Harley-Davidsons durante a Guerra Fria soava mais alto do que o estrépito dos caças e dos bombardeiros.
Vocês América eram um país fixe. Bom, vocês tinham Hiroshima, o Vietnam, o KKK e um armário cheio de outros esqueletos, como qualquer império. Mas, durante um tempo, toda essa porcaria não alcançou a massa crítica que transforma o vinho em vinagre.
Agora estão a desperdiçar o vosso principal activo - a superioridade moral. Activo que uma vez perdido não pode ser restaurado.
Vocês estão a começar a morrer lentamente, América. E se pensam que isso me faz feliz, estão enganados. Uma grande mudança de épocas é sempre acompanhada por grandes derramamentos de sangue, e eu não gosto de sangue. Nós, as pessoas que já passaram pelo pôr do sol do nosso império, podíamos até explicar o que vocês estão a fazer de errado. Mas não vamos explicar. Adivinhem vocês mesmos.
Dmitry Sokolov-Mitrich, jornalista russo.
(Extractos dum texto em Inglês, que pode ler integralmente aqui: http://bit.ly/1Ba2JXe )
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
DO QUE ELES FALAM QUANDO FALAM EM POUPAR
A propósito da discussão pública do Orçamento da C.M.Loures para 2015
Com dois dias de diferença leio no Publico duas noticias que dão conta de como o Estado "poupa" em despesas com crianças.
A primeira noticia é de 20/9/2014 http://bit.ly/1mJu95l e diz que a Segurança Social “poupou” 18,6 milhões de euros nos apoios às crianças com necessidades especiais, e a outra, de 22/9/2014 http://bit.ly/1pbE1jR , diz que a Câmara de Loures conseguiu "poupar" 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares.
Só que o "poupar" no caso dos 18,6 milhões de euros na Segurança Social quer dizer um corte de 13,4 milhões de euros de apoios a crianças com necessidades educativas especiais, de 26,3 para 12,9 milhões de euros, mais de 50%, e outro corte de 5,2 milhões aos subsídios por educação especial e bonificação do abono de família para crianças e jovens com deficiência, o que somado dá o tal "poupar" de 18,6 milhões de euros.
Já na Câmara de Loures o "poupar" de 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares, não implicou quaisquer cortes nem na quantidade nem na qualidade das refeições fornecidas às crianças, o que houve de facto foi mais um caso do combate à ineficácia, despesismo, e favorecimento de clientelas, que caracterizaram a anterior gestão PS Loures na câmara.
Claro que quem leia as duas noticias constatará facilmente a natureza oposta entre o "poupar" da Segurança Social e o da Câmara de Loures, mas o problema é que para a grande maioria o que conta é o titulo, e a ideia que poderá ficar é que tal como Rui Ramos vaticinou há cerca de um ano no Expresso, de que perante a Crise e o estado em que o PS deixou a câmara de Loures, não restaria a Bernardino Soares e à CDU fazer na Câmara de Loures, o que Passos Coelho e e PSD/CDS estão a fazer no país. Prognóstico que até à data está a sair completamente furado.
Num contexto de sérias dificuldades financeiras, decorrentes da situação em que o PS Loures deixou a câmara, e dos agravados cortes e restrições do governo PSD/CDS às autarquias, resolveu o novo Executivo CDU levar à discussão publica o Orçamento da Câmara para 2015.
Saudando a iniciativa aqui deixo os meus votos para que eleitos e munícipes saibam distinguir entre as diversos modos de conjugar o verbo "poupar", e que a discussão não se centre no que não será possível avançar agora, mas no muito que, apesar das dificuldades, é necessário e possível fazer para vivermos melhor no concelho de Loures.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
A RÚSSIA FARTOU-SE?
Nem a implosão do regime socialista, nem o desmembramento da URSS e extinção do Pacto de Varsóvia, nem a abertura do país à pilhagem ocidental, foram suficientes para proporcionar à Rússia o lugar a que as suas elites atlanticistas aspiravam no concerto das potências capitalistas.
Tratada com sobranceria e desprezo, a Rússia parece estar agora a fartar-se de tanta humilhação. O apertar do cerco da Nato, as provocações na Ucrânia, e as sanções de natureza política, económica e financeira, parece serem a gota que vai fazer transbordar a taça.
No reinicio dos trabalhos da Duma (Assembleia Legislativa) da Federação Russa os líderes de TODOS os partidos concordaram em que abrigar qualquer esperança de relações sãs com o Ocidente é uma perda de tempo. O consenso agora é de que a Rússia deve:
1) Voltar-se para o resto do planeta;
2) Aceitar o desafio de lidar com uma situação hostil e agressiva do "Ocidente";
3) Usar esta oportunidade para libertar a Rússia do sistema político, económico e financeiro ocidental.
Talvez não seja ainda o ponto de não retorno, mas se Obama, com o apoio dos lacaios da UE, continuar na rota de confronto: Good bye New World Order.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
CESSAR O QUÊ?
Sobre o Cessar Fogo no leste da Ucrânia.
Ao fim de 10 dias e apesar de algum optimismo inicial, torna-se claro que as hostilidades no leste da Ucrânia nunca cessaram, e que se houve de facto uma abrandar das hostilidades tal deve-se à necessidade de as forças de ambos os lados se reagruparem e reposicionarem no terreno, depois da ofensiva da resistência nos finais de Agosto, que penalizou fortemente os nazi fascistas de Kiev.
Mas desde o principio houve sérias dúvidas sobre a viabilidade do cessar fogo. Em primeiro lugar devido ao que separa as duas partes, depois por a Junta de Kiev ter sempre violado anteriores acordos, e por ultimo devido a não se perceber quem fica obrigado por um acordo de cessar fogo assinado por:
Heidi Talyavini, embaixadora da OSCE L.D. Kuchma, presidente da Ucrania de 1994 a 2005 M.Y. Zurabov, embaixador da Russia A.V. Zakharchenko I.V. Plotnitskiy
Ou seja uma embaixadora da OSCE, que participa como observadora, um antigo presidente da Ucrânia que não revela quem está a representar, um embaixador da Rússia que sempre afirmou não ser parte do conflito (e portanto estará ali como observador ou facilitador) e os dois líderes das republicas de Lugansk e Donetsk, que assinam a titulo individual, sem indicação dos seus cargos na RPL e RPD, e que agora vêm a publico esclarecer que participaram nas negociações como observadores. Nem numa novela de Kafka se encontra enredo tão absurdo.
Nota final
O Acordo de Cessar Fogo, de que pode ver uma cópia e tradução em Inglês aqui: http://bit.ly/YLErXT é também uma pequena obra prima da arte da obfuscação.
domingo, 17 de agosto de 2014
A COREIA DO NORTE REVELADA.
Jang Jin-Sung poeta laureado da Coreia do Norte desertou e, desde então, tem-se dedicado a iluminar o mundo sobre a verdadeira natureza do regime dos Kim.
Esta semana está no Expresso a contar-nos que o mais jovem Kim usa sapatos com cunha para parecer mais alto, e a fazer outras revelações igualmente susceptíveis de alterar o equilíbrio geo estratégico do planeta.
Ao contrário do que por vezes acontece Jan Jin-Sung é uma testemunha credível (dizem eles), homem culto e informado, que nos confessa que até ao dia em que se encontrou (presumo que no WC) com Kim Jonj-il "julgava, por exemplo, que Kim não ia à casa de banho".
Nem quero imaginar o choque do Sung ao realizar (como se diz agora em neo liberalês) que o Kim mijava e cagava como qualquer um de nós.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
BRASIL: MANIFS, PARTIDOS E BANDEIRAS
Ou como a doença senil do apartidarismo pode ser aproveitada e manipulada pela reacção.
Pormenor da manif. (ou passeata como lá lhe chamam) no Rio de Janeiro a 20/6/2013
Há cerca de dois anos, logo a seguir à manif do 15O, falei aqui SOBRE O MEME DO APARTIDARISMO, e a forma de tentar lidar com o dito, sobre as raízes e riscos do apartidarismo, que embora diariamente instigado pelas forças interessadas na divisão do movimento popular, já não se apresenta hoje entre nós com a virulência de há dois anos atrás.
Também agora do Brasil chegam noticias de sintomas da conhecida doença do apartidarismo (velho de quase um século, com raízes nos fascismos dos anos 20) entre os recém chegados, e sempre benvindos, à intervenção cívica e política activa, como se pode ler neste relato da manifestação de ontem, 20/6, no Rio de Janeiro, que fala da tentativa de alguns destes novos activistas de monopolizar o movimento e impedir a livre e democrática expressão do descontentamento geral a forças sociais e politicas organizadas.
Mas enquanto por cá os estragos do apartidarismo se limitaram a dificultar o alargamento e consolidação do movimento anti austeridade, o que é mau, do Brasil chegam-nos noticias bem mais preocupantes, que falam do aproveitamento e manipulação das manifestações populares e de tentativas golpistas (embora não necessariamente militares), pelos sectores mais conservadores e reaccionários da sociedade brasileira, como podem ler neste texto, Está tudo tão estranho, e não é à toa, duma activista do MPL - Movimento Passe Livre - que convocou a manifestação inicial de 10 de Junho em São Paulo.
Como a autora nos avisa, o texto, muito objectivo e circunstanciado, não é de leitura fácil, acrescendo ainda no nosso caso o desconhecimento dos meandros da politica brasileira como por exemplo que a PM (Policia Militar), que com a sua violenta actuação ateou um fogo que rapidamente alastrou a todo o país, depende directamente de Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, politico da direita neoliberal fundador do PSDB, partido na oposição ao governo de Dilma, ou ainda da natureza conservadora e golpista da grande imprensa e TV brasileiras, e do seu papel muito activo nos acontecimentos que se estão a desenrolar no Brasil.
E o PT? A milhas das posições autoritárias de Erdogan que trata os manifestantes de terroristas, ou mesmo de Passos Coelho que, sem condições objectivas para reprimir as manifestações, declara cinicamente que se trata dum direito democrático mas sem qualquer efeito sobre as politicas do governo, ao menos Dilma diz "estar atenta às vozes da população e comprometida com as transformações sociais", tendo marcado para hoje dia 21/6 uma reunião com vários ministros para avaliar a situação, depois das manifestações de ontem dia 20/6 que reuniram mais de 1 milhão de pessoas em mais de 80 cidades do Brasil.
Adenda
Rejeitar as manobras golpistas
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A propósito da contestação no Brasil
JÁ NÃO HÁ TRABALHADORES, O POVO FINOU-SE, AGORA SOMOS TODOS CLASSE MÉDIA.
Como políticos, sociólogos, economistas e comentadores da neoliberal persuasion não se cansam de nos explicar, os assalariados agora são colaboradores, os biscateiros empreendedores, e quem não é sem abrigo pertence inevitavelmente a esta novíssima classe média.
Para mostrar aos seus leitores o crescimento e dimensão desta classe média que agora se manifesta em várias cidades do Brasil, o Wall Street Journal publica o quadro acima que inclui na classe média todos os que têm um rendimento entre 100 e 350 euros mensais (cambio 1 euro = 2.9 reais).
Acima dos 350 euros mês já é tudo classe alta, com direito a cobertura no Leblon, e iate ancorado em Búzios.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Olhe, a querida recorre ao Código do Trabalho, despede esses filhos calaceiros, e manda vir novos colaboradores familiares juniores daqueles bangladeshes em que a querida e os amigos estão a transformar este País.
Uns dias depois de aqui publicar este post sobre a família actual, RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA. Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade, uma deputada do CDS publicou no i online uma crónica que recorre ao mesmo tipo de metáfora familiar: Os meus filhos são socialistas.
Embora o objectivo da crónica seja atacar o partido socialista e aquilo que na tóla da geração neo formatada passa por socialismo, o certo é que o escrito acaba por evidenciar a insanável contradição entre a ideologia neo liberal da deputada do CDS, e a pratica normal duma familia dos nossos dias. Contradição que em principio apresenta duas soluções:
Ou como se diz no título deste post a senhora leva o seu neoliberalismo à letra põe os filhos no olho da rua e importa novos colaboradores familiares dum daqueles países com vantagem competitiva na produção de tshirts e telemóveis baratos, graças, entre outras coisas, ao trabalho de crianças forçadas a necessidades bem menores do que as dos seus actuais colaboradores familiares juniores;
Ou então a senhora deputada valoriza a familia, tema tão querido ao seu CDS, e incorpora na sua actividade politica as praticas e valores da nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, ou seja, basicamente converte-se ao comunismo;
Ou nao: o que mais não falta por aí é pessoal portador dum transtorno esquizosocial grave, que com um ou dois comprimidos diários consegue levar uma vida quase normal.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
RANKING ESCOLAS DO CONCELHO LOURES
Isto é um ranking de escolas, ou é um ranking das condições sociais das famílias dos alunos?
Quando nos deparamos com um daqueles Rankings de Escolas que os jornais fazem a partir dos resultados dos exames divulgados pelo Ministério da Educação, a nossa primeira reacção será irmos espreitar em que lugar está a escola do nosso filho, dos nossos conhecidos, ou até a nossa escola, aquela que há uns anos, às vezes muitos, nós próprios frequentámos.
E foi assim que lá fui ver, primeiro em que lugar do raking estava a escola cá do bairro, e depois como é que ela comparava com as outras escolas aqui do concelho de Loures.
Um ranking de escolas, julgamos nós, deveria reflectir coisas como a qualidade do ensino, se os professores são competentes, se está bem organizada, enfim, em que medida a escola consegue motivar os seu alunos a dar cada um/a o melhor si. Mas afinal o que os badalados Rankings de Escolas, ou mais concretamente de resultados dos exames, nos mostrem não é nada disso; todos sabemos que os resultados alcançados pelos alunos dependem muito de condições exteriores à escola, nomeadamente das condições económicas e sociais das respectivas famílias.
Este ano, para além da média dos resultados dos exames, o Ministério da Educação divulgou, e o Expresso publicou, um indicador, a percentagem de alunos carenciados em cada escola, que, apesar de limitado, nos dá uma ideia sobre as tais condições sócio económicas das famílias, que tanto pesam no aproveitamento escolar, e de que tanto nos esquecemos quando olhamos para os Rankings de resultados dos exames.
E como seria de esperar, mesmo tratando-se de um indicador limitado (melhor seria um indicador baseado no nível de educação e rendimento dos pais), o Ranking das escolas do concelho de Loures reflecte muito mais as condições sócio económicas das famílias dos alunos que as frequentam, do que a qualidade do ensino, a competência e dedicação dos professores, ou a capacidade de organização de cada uma daquelas comunidades escolares.
Para os pais preocupados com o desempenho e resultado escolar dos filhos parecerá que eles terão mais hipóteses de ter boas notas numa escola melhor posicionada no Ranking, por exemplo onde a média dos exames é 13 do que noutra em que é 11, mas o que os números do Ranking mostram é que não será bem assim. Obviamente naquelas duas escolas há alunos com resultados superiores à média, que até podem ser resultados semelhantes, sendo a média duma delas inferior por ter mais alunos com resultados mais baixos o que, voltando ao que já dissemos acima, em geral acontece por razões exteriores à própria escola.
Claro que haverá certamente escolas melhores do que outras, mas a diferença entre elas estará longe daquilo que o Ranking sugere, e em última análise não será por uma escola não ser tão boa, que um bom aluno deixará de ter bons resultados. E pesará mais num bom resultado os pais sacrificarem-se a comprar uma boa escola, privada, para os filhos, ou a acompanharem e apoiarem a sua vida escolar e o seu desenvolvimento saudável e equilibrado?
Por ultimo, talvez mais do que os Rankings, aquilo que deixa alguns pais inseguros e apreensivos em relação à escola pública, o seu caracter inclusivo, interclassista, multirracial, com várias religiões e com quem não tem nenhuma, é afinal uma vantagem na preparação dos jovens para o mundo real, longe das bolhas dos colégios de elite, dos condomínios fechados e outras formas de segregação social que mais não fazem do que contribuir para a reprodução das divisões económicas e sociais que continuam a ser das maiores chagas deste país tão desigual.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Por aqui também temos do mesmo
NEGAR ALMOÇO A UMA CRIANÇA, NÃO ACONTECE APENAS NA ESCOLA DE LOULÉ.
Para que haja a consciência de que uma escola deixar uma criança sem refeição não é uma excepção, que não se restringe à escola de Loulé, e que se calhar é pratica mais generalizada do que poderíamos supor, aqui fica o relato dum caso de que tive conhecimento directo, acontecido faz já algum tempo, aqui na Escola Vasco da Gama do Parque das Nações.
À hora do almoço a mãe duma criança de cinco anos recebe um telefonema da escola Vasco da Gama do Parque das Nações a informar que por falta de pagamento não tinha sido servido o almoço ao filho. Por se encontrar fora de Lisboa a mãe telefonou à avó da criança que de imediato se deslocou à escola onde se deparou com a cena degradante do neto, cinco anos, sentado sozinho numa mesa à parte, a ver os outros colegas a almoçar e, se calhar, com o apetite que sempre se aguça quando estamos com fome e vemos os outros a comer, a perguntar para os seus botões porque é que que o estavam a tratar daquela maneira.
Como é habitual nos casos em que alguém faz asneira da grossa, a desculpa foi de que eram ordens, e só depois de feito o pagamento é que serviram a refeição à criança. Acontece, o que para o caso nem sequer acho relevante, que até nem havia qualquer atraso no pagamento, o pai tinha em seu poder o recibo do pagamento adiantado das refeições dessa semana, que por um qualquer erro administrativo não ficou registado no cartão magnético do aluno.
Numa altura em que tantas famílias vivem situações dramáticas, é ainda mais imperioso e urgente que o Ministério da Educação faça chegar às escolas ordens claras de que ninguém, por nenhum motivo, seja por falta de pagamento ou de pagamentos em atraso, pode negar a refeição a uma criança.
No post do 5Dias Porque a barbárie contra as crianças é assunto de todos faz-se o apelo para que todos participemos no protesto junto das entidades responsáveis, para que casos deste não voltem a acontecer, nunca mais.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
AUMENTOS DO IRS
Com o PSD e CDS o sacrifício maior é sempre para os que menos têm.
Se o seu rendimento colectável de 2011 foi dez mil euros, pagou de IRS 1550 euros. Já se o seu rendimento colectável foi dez vezes superior, cem mil euros, pagou 36050 euros.
Com a nova tabelas em discussão na AR, acrescida da sobretaxa de 4%, um rendimento colectável de dez mil euros passa a pagar 2270 euros, e um de cem mil euros irá pagar 43720 euros.
Ou seja, para quem tem um rendimento colectável de cem mil euros/ano o aumento do IRS será de 22%. Já para quem tem um rendimento colectável dez vezes menor, dez mil euros/ano, o aumento do IRS será de 46%.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Sondagens da Católica
ENTRE MAIO E SETEMBRO PSD E PS PERDEM MUITO MAIS DO QUE PARECE, O CDS EM VEZ DE SUBIR, DESCE, E SÓ A CDU É QUE SOBE.
Quadro 1
Não sei se isso também acontece ao estimado leitor mas, por vezes, quando olho para os números duma sondagem não consigo deixar de me interrogar: como é possível? Depois de tudo o que ouvimos na rua, depois das Manifs de 15 de Setembro como é possível que o PSD tenha ainda o apoio de 24% dos portugueses? E a resposta afinal é simples: não tem, agora nem sequer chega aos 10%.
As sondagens tentam prever qual será o resultado duma eleição e, umas vezes melhor outras pior, lá se vão aproximando. O problema maior são as outras ilações que, erradamente, vemos serem tiradas das sondagens, o que em parte decorre da forma como as sondagens são apresentadas.
De acordo com a Ficha Tecnica da sondagem da Católica efectuada de 15 a 17 de Setembro deste ano, dos 1132 inquiridos apenas 9,6% disseram que votariam no PSD e, um pouco mais, 12,4% no PS. Longe, muito longe dos 24% e 31%, como os resultados são apresentados. No quadro seguinte temos as percentagens reais de cada um dos partidos:
Quadro 2
Assim apenas 12,4 % deram o seu "voto" aos partidos da coligação do Governo, e 24,8 % aos partidos que apoiam o programa da troika: PS, PSD e CDS. O que desmente o tão apregoado consenso nacional e a mui enaltecida extrema paciência do povo português.
Mas para além da forma como os dados são apresentados nos sugerir uma imagem bem diferente da realidade, pode também distorcer certos tipos de análise dos resultados. Por exemplo na apresentação da sondagem da Católica de Setembro diz-se que o PSD, entre Maio e Setembro, desceu 12%, que o PS desceu 2%, e que os outros partidos subiram, uns mais outros menos. Será mesmo assim?
Se, tal como fizemos para os dados da sondagem de Setembro, olharmos para os dados da sondagem da Católica de Maio, vemos que nessa altura foram as seguinte as percentagens obtidas por cada um dos partidos:
Quadro 3
Agora, com base nos dados dos Quadros 2 e 3, ou seja nas respostas dadas para cada um dos partidos em Maio e Setembro de 2012, é fácil calcular a evolução verificada nesse período:
Quadro 4
Surpreendido? Também eu que não fazia ideia que os valores fossem tão expressivos. Em 5 meses, entre Maio e Setembro, em vez dos 12% anunciados (ver Quadro 1) o PSD perdeu 45% do apoio; o PS, que muita gente pensa que se aguentou bem, que teria descido apenas 2%, afinal o PS desceu 23%; o CDS é apresentado como tendo subido 1%, quando ao contrário o CDS desceu quase 5%; quanto ao BE também não subiu 2%, o BE não subiu nem desceu, apenas aguentou, bem, o resultado da sondagem de Maio. Tudo visto, apenas a CDU subiu, uns significativos 18%.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
NÃO HÁ FESTA COMO ESTA
O José Lopo na Festa do Avante.
Talvez tenha ajudado vivermos a mais de duzentos quilómetros de distância e só os ter conhecido quando lhes fomos apresentar a neta, mas o certo é que me posso gabar de ter tido, na Auzíria e no José Lopo, os melhores sogros do mundo. Vivendo num meio que me era absolutamente estranho, pequenos agricultores do interior centro, missa ao domingo, comunhão na Pascoa, e depois do 25 de Abril voto no PPD, não foi isso que nos impediu de nos darmos sempre na maior.
Aconteceu num ano, ainda a Festa do Avante era na Ajuda, o José Lopo, já viúvo, estar na altura a passar uns dias cá em casa. A filha lá lhe disse que, mesmo com ele de visita, não íamos faltar à Festa, que gostaríamos que ele fosse também, mas se ele não quisesse trataria de lhe organizar o dia de modo a que nada lhe faltasse. Respondeu que sim, que já tinha ouvido falar nessa Festa, e que teria muito gosto em ir também.
E gosto teve realmente, num dia inteiro até ao fecho dos portões, encantado de encontrar restaurantes com coisas lá da terra e de todos os cantos do País, da animação de rua, dos espectáculos, do ambiente descontraído e de camaradagem e, pasme-se, como era possível com tanta gente junta, como nunca tinha visto na sua já longa vida, não haver um desacato ou uma rixa como era habitual nas muitas feiras e romarias que costumava frequentar.
No dia seguinte, a falar com a filha o quanto tinha apreciado aquele dia fantástico, não se esqueceu no entanto de aludir que era melhor não comentar o facto com os filhos que viviam, como ele, lá na aldeia próximo de Penela. Quanto às filhas, há muito a viver, trabalhar, e criar os filhos pelas bandas da grande Lisboa, nenhuma menção. Pelos seus cálculos, parcialmente correctos, seriam provavelmente também frequentadoras habituais da Festa mais fabulosa a que tinha assistido em toda a sua vida, e que infelizmente não teve oportunidade de rever.
sábado, 27 de agosto de 2011
O TEMPO DAS CEREJAS NÃO ACABOU, APENAS MUDOU DE MORADA.
Se percebi bem, o Vítor Dias ficou trancado fora do blog, e agora nem consegue lá entrar pela janela. Para não ter de ir blogar para debaixo da ponte mudou-se para um novo endereço, O TEMPO DAS CEREJAS2, onde continua a dar-nos a habitual música de fim de semana Porque hoje é sabado.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
PORTELA: LIGAÇÃO À ESTAÇÃO DE METRO DE MOSCAVIDE.
Na caixa de comentários do post Já que o Metro não vem à Portela... Qual a melhor maneira de ligar a Portela ao Metro? o nosso vizinho GNL deixou uma sugestão realmente pratica, eficiente, e amiga do ambiente para fazer a ligação da Portela à estação de metro de Moscavide: um tapete rolante em túnel.
Diz-nos Gustavo Neves-Lima que no Metro de Seoul viu tapetes rolantes mais extensos do que aquele que seria necessário para fazer a ligação da Portela à estação de metro de Moscavide, e muitos de nós já vimos também ligações por tapete rolante realmente bastante longos. Para melhor poder avaliar do que se está a falar neste caso, medi, com a ajuda do Google Maps, a distância que vai da estação da rua João Pinto Ribeiro em Moscavide ao Jardim Almeida Garrett da Portela, que, em linha recta, se fica por um pouco menos dum quilómetro, à volta de 900 metros.
Claro que uma solução destas teria custos iniciais relativamente elevados, mas a longo prazo talvez até fosse mais económica do que a ligação por transporte rodoviário. Os custos podiam ter a contrapartida do diferencial entre o passe L aplicável a Moscavide e o L1 aplicável à Portela. O controlo dos bilhetes e passes poderia ser feito à saída/entrada do tapete rolante na própria estação de Moscavide.
Como já se referia no post Metro e interface rodoviário em Moscavide: Melhorar a mobilidade na parte oriental do concelho de Loures, numa altura em que já não falta muito para a entrada em funcionamento da extensão da linha Vermelha do Metro, o que nos parece importante é que, aproveitando as ideias já adiantadas e outras que certamente surgirão, os moradores da Portela e os seus representantes autárquicos, da Junta de Freguesia e da Câmara de Loures, procurem em conjunto com as empresas de transporte (Metro e/ou Carris) uma solução pratica, eficiente, e exequível, que contribua para melhorar a mobilidade dos que aqui moram.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
GILBERTO LINDIM RAMOS
Amigo, vizinho, mestre e companheiro de lutas antigas.

Aqui, 3º a contar da direita, numa reunião da ID com a candidatura de Francisco Lopes.
Em menos duma semana três telefonemas de amigos sobre o Gilberto. O primeiro na 2ª feira de convite para um jantar de Homenagem no dia do seu 80º aniversário, 14 de Julho, depois na 4ª feira um telefonema a desmarcar o jantar pelo facto do aniversariante e homenageado ter sido hospitalizado de urgência. Na 5ª feira um amigo adiantou-me alguns pormenores sobre o estado do Gilberto que me deixaram um pouco menos preocupado, para ainda há pouco um novo telefonema me dar conta do triste desenlace. Fazendo minhas as palavras do Vítor Dias em O Tempo das Cerejas, a minha sentida homenagem:
Morreu ontem, aos 80 anos de idade acabados de perfazer, GILBERTO LINDIM RAMOS, economista e membro da Associação Intervenvenção Democática, com uma vida profunda e coerentemenete dedicada à resistência antifascista, à construção do Portugal de Abril e a ideais de transformação e progresso sociais.
Dele recordo não apenas e vivência directa de cerca de 40 anos de amizade e companheirismo em tantas e tão ásperas lutas mas sobretudo a sua escrupulosa seriedade intelectual, a sua serenidade determinada e combativa e o seu espírito ponderado que, em não poucas circunstâncias, pesou positivamente em muitas orientações, situações e decisões do movimento democrático.
E assim, por força das leis da vida, vão partindo tantos democratas consequentes que, caldeados e formados nas lutas já dos anos 50, serviram de referência ética, política e humana a muitos daqueles que, como eu, chegariam à intervenção cívica e política nos anos 60.
Gilberto Lindim Ramos seria certamente o último a querer saber disso para alguma coisa, mas quando vejo partir amigos e companheiros como ele a quem a liberdade e a democracia tanto devem, o que é que querem, lembro-me sempre destes homens e mulheres a quem o preconceito (ou o amiguismo) de sucessivos Presidentes da República nunca permitiu que, no 25 de Abril ou no 10 de Junho, o Estado lhes prestasse qualquer simbólico acto de reconhecimento, homenagem ou gratidão. Aqui deixo uma abraço de forte solidariedade à sua mulher e filhas e aos seus companheiros da ID. Adeus, Gilberto.
(O funeral realiza-se hoje, segunda-feira, às 11 hs, da capela mortuária da Igreja da Nossa Senhora da Saúde, Praça 5 de Outubro, em Sacavém, para o cemitério de Camarate)"
quinta-feira, 14 de julho de 2011
RACISTAS? NÓS?

Agentes da PSP condenados a prisão efectiva por agressão a aluno alemão
2011-07-13
Os dois agentes da PSP acusados de espancar um estudante alemão no interior da esquadra das Mercês, no Bairro Alto, com murros e pontapés, foram ontem condenados a uma pena considerada rara em Portugal: quatro anos e três meses de prisão efectiva, num caso, e quatro anos, noutro.
Dois agentes da PSP condenados (com pena suspensa) por agressões a cidadão de etnia cigana
2011-06-12
O Movimento SOS Racismo informou, domingo, que dois agentes da PSP foram condenados a 20 meses de prisão, com pena suspensa por igual período, pela agressão a um cidadão de etnia cigana, no Porto, em 2007.
Em comunicado, o SOS Racismo refere que o caso remonta a Junho de 2007, quando "Paulo Espanhol, residente no bairro do Lagarteiro, foi brutalmente espancado por dois agentes policiais na esquadra das Antas", no Porto.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Carta de Eça de Queiroz à MOODY'S Companhia das Águas, a propósito de mais um corte de rating água.

"Eu não peço indemnizações pela perda que estou sofrendo, eu não peço contas, eu não peço explicações, eu chego a nem sequer pedir
Quero apenas esta pequena desafronta, bem simples e bem razoável, perante o direito e a justiça distribuída: – quero cortar uma coisa a V. Exa.!
Rogo-lhe, Exmo. Senhor, a especial fineza de me dizer, imediatamente, peremptoriamente, sem evasivas nem tergiversações, qual é a coisa que, no mais santo uso do meu pleno direito, eu posso cortar a V. Exa."
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