sexta-feira, 2 de setembro de 2011

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA
O José Lopo na Festa do Avante.


Talvez tenha ajudado vivermos a mais de duzentos quilómetros de distância e só os ter conhecido quando lhes fomos apresentar a neta, mas o certo é que me posso gabar de ter tido, na Auzíria e no José Lopo, os melhores sogros do mundo. Vivendo num meio que me era absolutamente estranho, pequenos agricultores do interior centro, missa ao domingo, comunhão na Pascoa, e depois do 25 de Abril voto no PPD, não foi isso que nos impediu de nos darmos sempre na maior.

Aconteceu num ano, ainda a Festa do Avante era na Ajuda, o José Lopo, já viúvo, estar na altura a passar uns dias cá em casa. A filha lá lhe disse que, mesmo com ele de visita, não íamos faltar à Festa, que gostaríamos que ele fosse também, mas se ele não quisesse trataria de lhe organizar o dia de modo a que nada lhe faltasse. Respondeu que sim, que já tinha ouvido falar nessa Festa, e que teria muito gosto em ir também.

E gosto teve realmente, num dia inteiro até ao fecho dos portões, encantado de encontrar restaurantes com coisas lá da terra e de todos os cantos do País, da animação de rua, dos espectáculos, do ambiente descontraído e de camaradagem e, pasme-se, como era possível com tanta gente junta, como nunca tinha visto na sua já longa vida, não haver um desacato ou uma rixa como era habitual nas muitas feiras e romarias que costumava frequentar.

No dia seguinte, a falar com a filha o quanto tinha apreciado aquele dia fantástico, não se esqueceu no entanto de aludir que era melhor não comentar o facto com os filhos que viviam, como ele, lá na aldeia próximo de Penela. Quanto às filhas, há muito a viver, trabalhar, e criar os filhos pelas bandas da grande Lisboa, nenhuma menção. Pelos seus cálculos, parcialmente correctos, seriam provavelmente também frequentadoras habituais da Festa mais fabulosa a que tinha assistido em toda a sua vida, e que infelizmente não teve oportunidade de rever.

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