terça-feira, 10 de janeiro de 2017

FAZ TEMPO QUE NÃO VIA TANTA GENTE A FAZER TANTA CITAÇÃO


Se o prezado leitor era jovem e andava pelos meios do Contra em finais dos anos 60 e princípios dos 70, aposto que tinha pelo menos um amigo especialista a catar citações revolucionárias que provavam de forma categórica e definitiva que ele é que tinha razão e que o Partido (era assim que então chamávamos ao PCP) tinha enveredado pelo revisionismo, a colaboração de classes e outros caminhos igualmente deletérios.

Talvez o actual ressurgir desta velha pratica do verbalismo pseudo revolucionário seja prenuncio de alguma coisa, de algo interessante que esteja a caminho, o certo é que cada vez vejo mais citações revolucionárias por aqui no FB, as mais das vezes usadas com o mesmo objectivo, denegrir o PCP e todos os que se situam nessa área da esquerda.

Recorrendo à velha receita de curar a ferida do cão com o pêlo do próprio cão, aqui deixo, a esses amigos especialistas em citações, uma saborosa citação sobre o vício das citações, com o desafio de nos dizerem onde e quem assim tão acertadamente falou:

"Quem procura respostas a tudo em Marx, acaba por descarrilar. Repare, Marx não predisse isto ou aquilo na Crítica do Programa de Gotha. Você precisa usar a sua própria cabeça em vez de coleccionar citações. Há novos factos e novas relações de forças. Faça a fineza de usar o seu cérebro."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

SÓ ESTÁ DESILUDIDO QUEM SE QUIS ILUDIR


Só o estado de absoluta necessidade (não ser pazokizado por apoiar implícita ou explicitamente um governo pafista do PSD/CDS) levou o PS, pela primeira vez na sua já longa história de partido central do arco do governanço, a assinar os Acordos à esquerda imprescindíveis e incontornáveis para poder ser governo.

Se é certo que para os trabalhadores e o povo miúdo os Acordos foram importantes para travar o desvario neoliberal austeritário de Passos & Cia, para reverter algumas (poucas) das acintosas medidas anti trabalhadores e reformados do governo PSD/CDS, para atenuar um certo sentimento de pessimismo e impotência que então se vivia e trazer-nos uma breve esperança, um ano passado pouco mais há para mostrar.

Com a desculpa (entendível) das imposições de Bruxelas o governo PS prosseguiu a politica de contenção do défice com as conhecidas e desastrosas consequências: unidades de Saúde à beira da ruptura, escolas com falta de pessoal e problemas de instalações, transportes públicos em estado calamitoso, investimento publico mais baixo desde 1951 no tempo do fascismo de Salazar.

Mas, como não era difícil de prever, mesmo em áreas onde o governo podia e devia ter alterado o rumo criminoso do governo PSD/CDS, manteve-se quase tudo na mesma. O governo PS continuou a despejar milhares de milhões nos buracos da Banca, manteve intocáveis as PPPs e outras formas de parasitação do Estado pelos interesses privados (com a honrosa excepção dos contratos com os colégios particulares), não mexeu com um dedo na fascistóide legislação laboral, recusa discutir a renegociação da Divida, e fecha o ano com uma inusitada provocação a pretexto da actualização do Salário Mínimo.

Na Feira de Gado da Concertação Social (Santos Silva dixit), na actualização do Salário Mínimo, o PS foi ainda mais longe do que o governo PSD/CDS ao quase duplicar (de 0.75% para 1,25%) o roubo na TSU, parte integrante da remuneração dos trabalhadores, entregue como prémio ao gado patronal, com a anuência do boi manso chamado UGT.

Com esta provocação o PS não só mostra mais uma vez o que sempre foi, um fiel e dedicado serventuário do patronato e do Capital, como, animado pelos recentes resultados das sondagens, ensaia um claro ultimato à esquerda: ou aceita tudo o que o PS quiser, ou então que rompa os Acordos e abra o caminho a uma maioria (que sonham absoluta) do PS.

Um ano passado sobre a tomada de posse do governo PS a correlação de forças é agora substancialmente mais favorável aos trabalhadores e à esquerda a quem, independentemente das posições de força do PS, compete definir os seus objectivos para esta nova fase da vida politica do país, como aliás o fez com a maior justeza em Outubro de 2015.

Ensina a arte da guerra que não se deixa ao inimigo a escolha do campo da batalha, aos trabalhadores e à esquerda compete definir os terrenos onde nos vamos bater, o que, dada a correlação de forças parlamentar, não será apenas nem sobretudo na AR, mas será seguramente nos locais de trabalho por aumentos salariais e contra a repressão patronal, nos movimentos sociais contra a destruição dos serviços públicos, nas ruas por uma efectiva mudança de politica que não faça de 2017 mais um ano perdido da vida, ou sobrevivência, dos trabalhadores e do povo.

É isto, basicamente, e entretanto tenham todos a fineza de fazer por um Feliz Ano Novo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

EM LOURES O PODER LOCAL DEMOCRÁTICO TEM 42 ANOS


A efeméride que agora se assinala é os 40 ANOS DE PODER LOCAL ELEITO - (1976/2016), facto da maior relevância politica da vida do nosso país. Recorde-se que antes os executivos camarários eram nomeados pelo governo, além de que durante os 48 anos de fascismo não existirem eleições livres.

Não se percebe por isso que, em Loures, em vez do nome das comemorações incluir e realçar as ELEIÇÕES de 1976, se omita esse importante acontecimento atrás duma designação não só enganadora como desprestigiante para os democratas que assumiram os destinos da Câmara de Loures logo após o 25 de Abril.

Democratas que quer pelo seu passado anti fascista quer pela sua pratica à frente dos destinos de Loures são tão ou mais democratas do que os autarcas que lhes sucederam nos últimos 40 anos.

Autarcas que logo após o 25 de Abril em muitos municípios, e nomeadamente na Câmara de Loures, naquilo que é a essência da Democracia, nortearam a sua acção pelo serviço às populações, à resolução dos seus muitos problemas concretos, em permanente diálogo com os munícipes e muitas das vezes com a sua directa participação.

Enfim, um episódio infeliz e desnecessário, este da designação dada às comemorações dos 40 anos das ELEIÇÕES de 1976, por parte dum Executivo que até penso ser o mais coerente continuador do que de melhor José Gouveia e os seus companheiros do período que vai de Maio de 1974 a Dezembro de 1976, de forma democrática, inovadora, e criativa realizaram na Câmara de Loures.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ESPERO QUE, TAL COMO LENINE, JERÓNIMO TAMBÉM NÃO ACERTE.


Embora tenha sido com alguma tristeza que ouvi Jerónimo dizer, no discurso de encerramento do XX Congresso, que o objectivo que nos anima "possivelmente só será materializado para além das nossas vidas", enfim, é a lei da vida e já muitos dos que nos antecederam e acompanharam na luta contra o fascismo também infelizmente não viveram para ver o 25 de Abril, embora estivessem certos de que esse dia iria chegar.

Mas foi tristeza momentânea pois logo me vieram à memória as célebres palavras de Lenine, muito parecidas com estas de Jerónimo, dirigindo-se a um grupo de estudantes na Suiça, em Janeiro de 1917, pouco antes do seu regresso à Russia em Abril:

"Nós da geração mais velha talvez não vivamos para ver as batalhas decisivas da revolução que aí vem. Mas creio que posso expressar a esperança confiante de que a juventude que trabalha tão esplendidamente no movimento socialista da Suíça e do mundo inteiro terá a sorte não só de lutar, mas também de vencer, a próxima revolução proletária que aí vem".

Que esteja próxima ou mais afastada, que seja ainda connosco ou com os que nos seguirão, o importante é que se faça por isso e que esta comum certeza na materialização da revolução proletária integre e seja a bússola de todos os combates presentes e futuros.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A ESCOLHA IMPOSSÍVEL


Daqui a umas horas já saberemos se os eleitores americanos escolheram o vigarista, racista, misógino e meio fascista, Donald Trump ou a corrupta, serial killer e "mulher de mão" de Wall Street, Hillary Clinton.

Candidatos em que também muitos americanos não se revêm, como ficou patente na mobilização à volta de Bernie Sanders, candidato independente que concorreu nas primárias do partido Democrático com o compromisso de apoiar o democrata que vencesse as primárias.

Acontece que Sanders, quando o aparelho do partido Democrático começou a sabotar a sua campanha e a favorecer ilegitimamente Hillary Clinton, em vez de denunciar o acordo e continuar como candidato independente, traiu a esperança e confiança dos seus apoiantes e amochou.

Ao estilo da nova vaga de improváveis "heróis da esquerda", como Tsipras, Iglésias e Corbyn, Sanders limitou-se primeiro a comer e calar, e depois a arrastar pelos palcos da campanha de Clinton a sua patética mensagem de apoio a Killary, a tudo o que antes dizia combater.

Mas, como sabemos, as diferenças entre os personagens que ocupam a Casa Branca ficam-se mais pela retórica e o "window dressing" do que por alguma coisa de substancial. Naquilo que conta, as políticas internas no que respeita aos trabalhadores, ou as politicas externas para os povos súbditos do Império, a coisa mais parecida com um qualquer presidente dos USA é outro presidente dos USA.

Dizia-se no tempo do fascismo que "isto não vai lá com eleições", verdade que a vida não se cansa de comprovar. Também nos USA as grandes mudanças (por exemplo contra a descriminação racial ou o fim da guerra do Vietnam) nunca foram resultado de eleições, mas sim de grandes mobilizações e luta populares.

Logo à noite, com a vitória de Hillary Clinton ou Donald Trump, quer nos USA, quer no mundo, a História não vai parar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

MAIS UMA DERROTA PARA AS TESES DA ESQUERDA EUROPEÍSTA


Por muito que a esquerda europeísta tente desacreditar as lutas travadas pelos trabalhadores e o povo no quadro nacional, é precisamente a este nível, dos países, que a UE começa a perder importantes batalhas que levarão à sua inevitável desagregação.

Há um ano, 2015, foi na Grécia onde apesar da pesada (auto) derrota do Syriza e do povo grego, a UE perdeu, aos olhos da Europa e do Mundo, a pouca legitimidade que ainda lhe restava depois de anos de austeridade e estagnação, de crescente desemprego e pobreza.

Neste ano de 2016, e em poucos meses, a UE perde o Reino Unido, algo de impensável há uns anos atrás, e rombo de que não se irá nunca recompor, e agora é a vez da Valónia, região da pequena Bélgica, travar o aberrante e desastroso tratado de comércio da UE com o Canadá.

Os nossos prezados amigos europeístas de esquerda (dos varoufakis aos rui tavares) que façam agora a fineza de nos dizer quais foram os empolgantes resultados que a sua super estratégia, a nível europeu, de luta pela reforma da UE já rendeu até à presente data.

Sobre o CETA, ver aqui: Tout comprendre au CETA, le « petit-cousin » du traité transatlantique

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

COSTA E A TEORIA DOS BANQUEIROS MARAVILHA


Durante anos, andaram-nos a impingir a teoria dos financeiros e banqueiros maravilha que, com a sua sapiência, grande talento, e um especial toque de Midas, transformavam TOSTÕES em MILHÕES, e a quem se tinha de pagar principescamente para poder desfrutar dos seus superiores talentos e serviços.

Depois os bancos começarem a estoirar uns atrás dos outros, fomos todos obrigados a entrar com MILHARES DE MILHÕES para tapar os buracos criados por vigaristas e jogadores de roleta, e ficou bem claro que o que é preciso à frente da Banca é meia dúzia de burocratas certinhos nas contas, que não embarquem em aventuras ruinosas, nem metam uns milhões nos bolsos próprios e/ou dos amigos.

É neste contexto que agora nos aparece o 1º ministro Costa a desenterrar a teoria dos banqueiros maravilha para "justificar" uma remuneração de quase MEIO MILHÃO de euros ao presidente da da CGD.

Além de que a função da CGD, como banco público, não é ( ou não devia ser), igual às dos bancos privados, o de competir no mercado pelo lucro máximo, mas sim o de apoiar as empresas e famílias nas suas necessidades de crédito, aforro, e agilização de pagamentos.

Mais uma razão para em vez dum "banqueiro maravilha", dum mercenário pago a peso de ouro, o que a CGD precisa é dum profissional competente e que, tal como muitos outros que felizmente servem os Estado nas escolas, nos hospitais, nos ministérios e autarquias , tenha igualmente um elevado sentido de SERVIÇO PUBLICO.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

PARA OS NEO LIBERAIS O MERCADO RESOLVE SEMPRE TUDO

Claro que com o novo imposto o objectivo do governo é sacar mais umas massas aos consumidores, mas é de assinalar que mesmo este governo PS, supostamente à esquerda, alinhe pela cartilha neo liberal e considere que o problema (sério) de Saúde que é a excessiva quantidade de açúcar e gordura na comida processada, se resolve recorrendo à bendita lei da oferta e da procura (pagas mais, consomes menos).

Acresce que este imposto, além de regressivo (afecta mais quem tem menos rendimentos), vai incidir precisamente sobre aquelas camadas da população sem acesso aos produtos de maior valor nutricional como carne, peixe e vegetais, e que basicamente matam a fome com comida com elevada percentagem de açucares e gorduras de pouca qualidade.

Se o governo quer realmente contribuir para a melhoria da alimentação dos portugueses, pode (para além do uso de politicas de melhoria de rendimentos) investir na educação nutricional, exigir mais e melhor informação nos produtos alimentares, e fixar limites máximos da percentagem de produtos como açucares e gordura na comida processada.

Mas mesmo considerando este governo (que é quem tem os votos na AR e toma as decisões que entende) que a questão da melhoria da Saúde dos cidadãos se resolve via impostos e mercado, então em simultâneo com a introdução do imposto sobre produtos nocivos como os açúcares e as gorduras, que corte o IVA de produtos mais saudáveis como os vegetais e a fruta.

sábado, 6 de agosto de 2016

O IMI É UM IMPOSTO LEGITIMO, MAS ESTE IMI NÃO É "JUSTIÇA FISCAL"


Bem pode o PS, para tentar esconder o tiro no pé da sua canhestra tentativa de utilizar a lei do PSD e CDS (de 2003) para sacar mais uns cobres ao pessoal contribuinte, com a desculpa de que "aproximar a tributação ao valor de mercado da casa" é "Justiça Fiscal", que este IMI, e a presente alteração, de fiscal ou social só têm mesmo INJUSTIÇA.

O IMI é um legitimo imposto sobre a propriedade, mas que da maneira como está colide frontalmente com o Direito à Habitação, aliás um dos direitos consagrados na própria Constituição da Republica.

Para respeitar o Direito à Habitação o IMI tem de conter um regime diferenciado para a primeira habitação, que deixe de fora da cobrança da taxa a totalidade ou parte do valor da primeira habitação.

Assim todas as primeiras habitações, por exemplo até ao valor de 100 mil euros, deviam estar isentas de IMI, e acima disso deduzir-se 100 mil euros no calculo do valor do IMI (também só para as primeiras habitações).

Além disso o calculo do IMI devia assentar apenas em critérios objectivos, dimensão e tipo de habitação, e mandar para o caixote do lixo a lógica neo liberal de a tudo atribuir um valor monetário e taxar, incluindo valores sociais, afectivos, e naturais, como é o caso da famigerada "taxa sobre o Sol" da autoria do PSD e CDS.

Que os acordos à esquerda não incluem a reversão da legislação do IMI todos sabemos, e que cadelas apressadas parem filhos cegos também, mas uma coisa é manter melhorando o que está (como foi o caso da redução da taxa máxima do IMI de 0,5% para 0,45%, iniciativa do PCP apoiada por toda a esquerda e com os votos contra do PSD) outra é vir agitar a demagogia da "Justiça Fiscal" para sobrecarregar ainda mais os já exaustos contribuintes (sobretudo trabalhadores e povo miúdo).

Ainda não é tarde para corrigir a pontaria, e faço votos para que ao menos o bom senso acabe por imperar.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

CALMA, QUE AINDA NÃO É ESTE BREXIT QUE VAI MUDAR NADA QUE INTERESSE


Em primeiro lugar é difícil sair dum lugar onde não se está e, como sabemos, o UK não só não faz parte do projeto central da UE, o EURO, como além disso sempre teve um estatuto de exceção (ainda há pouco reforçado com mais algumas "concessões" da UE) e sempre deixou bem claro que o UK nunca seria parte do aprofundamento da união prosseguido por Berlim e Bruxelas.

Depois muita água há de correr sob as pontes do Tamisa antes que se saiba se o resultado do Referendo (que agora nos dizem ser apenas indicativo, cabendo a decisão de facto ao Parlamento) é ou não para concretizar e, em caso afirmativo, que tipo de Saída irá ter lugar.

Não me parece que o nem o Capital Europeu nem o seu congénere americano tenham ficado muito preocupados com o resultado do Brexit, e serão eles que em ultima estância não só irão decidir se vai ou não haver Leave como, no caso de a saída se concretizar, qual o tipo de ligação que o UK manterá no futuro com a EU: com mais ou menos circulação de pessoas (provavelmente com restrições apenas a não "europeus"), mas garantindo seguramente as sacrossantas liberdades de circulação de mercadorias, serviços e capitais.

Já para as nomenklaturas de Berlim e Bruxelas, e para os indefectíveis apoiantes "europeístas" de todos os quadrantes, o Leave está a provocar uma compreensível comoção que, tudo visto, não passará disso mesmo, uma pequena agitação e alvoroço, de quem tudo faz para ignorar as verdadeiras e profundas contradições que minam um projecto europeu pensado e implacavelmente executado pelo Capital Europeu sob a asa do american brother, e que só uma alternativa claramente anti capitalista poderá derrotar.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

BIBLIOTECA ARY DOS SANTOS EM SACAVÉM


Por fora nem digo nada (é ver a foto), por dentro é a agora habitual estética IKEA, superfícies planas, cores claras e alegres, materiais sintéticos e outras modernices incontornáveis, mas gostos são gostos e sendo que hoje aquele é o gosto dominante só tenho a dizer que tanto faz a cor do gato o que interessa é que o gato cace ratos, e no caso vertente a nova Biblioteca Ary dos Santos tem todas as condições para cumprir a importante função cultural a que se destina.

Em primeiro lugar a localização bem central na área oriental do concelho de Loures que irá servir, transportes públicos quase à porta, estacionamento fácil a dois passos. No interior espaços bons e bem distribuídos, pessoal bastante, abundância de meios informáticos, variedade da oferta de livros e outros suportes que, embora ainda em quantidades modestas, se espera continuem a aumentar com o tempo.

O horário de abertura, até às 18 horas, é um pouco limitado, e sugeriria que, lá para o Outono e a titulo experimental, a biblioteca passe a estar aberta um dia por semana até às 22 ou 23 horas de modo a facilitar a sua frequência e o levantamento ou entrega de livros, a quem trabalha.

Mas o que mais me agrada na Biblioteca Ary dos Santos é o nome, não apenas por se tratar dum amigo, mas sobretudo por ser o nome dum dos nossos grande Poetas, dum resistente anti fascista, dum companheiro de luta que, em tempos bem difíceis, a esta parte oriental do concelho, a operários, estudantes, democratas, anti fascistas, em várias e inesquecíveis ocasiões, trouxe a sua poesia de denuncia, protesto, revolta e esperança. Uma bela e merecida homenagem que teria deixado o Poeta e o Homem, sensibilizado, reconhecido e orgulhoso.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

NA "CICLOVIA DO TEIXEIRA", HOJE IA SENDO O DIA


Alguns amigos talvez se lembrem de já por aqui ter referido nunca ter visto UMA única bicicleta na famosa "ciclovia do Teixeira" (ex-presidente da Câmara de Loures e responsável por tão útil Melhoramento), um quilómetro de piso betuminoso implantado no meio dum passeio de calçada à portuguesa, ali na avenida da Índia em Sacavém.

Pois hoje quando vi um ciclista (daqueles equipados a preceito, calções e camisola de lycra e o recomendável capacete na cabeça), que vinha do lado do Parque das Nações pensei: Hoje é que vai ser o dia. O dia em que pela primeira vez, ao fim de quase oito anos, vou ver um veiculo de duas rodas naquela bendita ciclovia (veículos de quatro rodas vejo de vez em quando por lá estacionados em cima da ciclovia, se quiserem até vos posso mostrar fotos).

Só que para meu grande desapontamento o tal ciclista vestido a preceito fez aquilo que faria normalmente qualquer ciclista, continuou calmamente a subir a avenida da Índia no alcatrão da faixa de rodagem (por sinal com um bom piso e normalmente com pouco movimento), em vez de ir para a ciclovia no meio do passeio e arriscar-se a atropelar um miúdo ou uma velhinha mais distraídos.

Dito isto não perdi a esperança (assim Deus me dê vida e saúde) de um dia ainda ver um ciclista a pedalar na "ciclovia do Teixeira" (entretanto muito popular entre peões da 3ª idade sacavenense), ciclovia que vendo bem só ali está desde 2008, e nestas coisas temos de dar tempo ao tempo, aguardar calmamente (de preferência sentadinhos) que, como nos diz o discurso oficial, se criem os tais novos hábitos de mobilidade saudável e amiga do ambiente.

sábado, 28 de maio de 2016

ESTE AFÃ DE AGORA QUEREREM DAR O MÉRITO A COSTA
Faz-me lembrar um episódio passado num dos nossos hospitais.


Um tipo dá entrada no Hospital de Santa Maria mais para lá do que para cá e durante semanas médicos e enfermeiros numa dedicação extrema não largam a cabeceira do homem, fazendo tudo o que está ao seu alcance para o salvar.

Quando enfim o senhor começa a melhorar e ganha consciência o médico explica-lhe o que se passou com ele os tratamentos que lhe fizeram, os cuidados que lhe prestaram e comenta: Por pouco não se safava.

Aí o doente olha para o médico e responde: pois é senhor doutor FOI DEUS QUE ME SALVOU.

terça-feira, 10 de maio de 2016

3º CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA, TRABALHO DE MASSAS, FRENTE UNITÁRIA, E O PCP



De 22 Junho a 12 de Julho de 1921 realizou-se em Moscovo o 3º Congresso da Internacional Comunista (Comintern). As intervenções, resoluções, e outros materiais daquele Congresso, foram recentemente reunidos, numa cuidada edição, neste livro com o sugestivo titulo "TO THE MASSES".

Como durante os trabalhos do Congresso Lenin explicava a Clara Zetkin "A primeira onda da revolução mundial já passou e a segunda onda ainda não surgiu (há que estar) bem preparado para tirar partido, conscientemente, com toda a força, da próxima vaga revolucionária. Esse é o nosso trabalho (até ao) Chegou a hora. Agora vamos! É por isso que dizemos PARA AS MASSAS. Conquistar as massas, como condição prévia para conquistar o poder."

Naquela conjuntura o 3º Congresso da Internacional Comunista procede a uma viragem estratégica do movimento comunista internacional que se traduz na chamada Frente Unitária e na adopção como tema central das discussões do Congresso, orientação e palavra de ordem o "PARA AS MASSAS".

Trabalho de massas e trabalho unitário que são parte integrante do ADN do Partido Comunista Português, criado em Março de 1921, poucos meses antes daquele decisivo Congresso da Internacional Comunista.

No extenso volume de 1300 paginas as referencias a Portugal são muito escassas. Ao mencionar-se as organizações sindicais pertencentes à Red International of Labour Union Portugal é referido com cerca de 50 mil membros, e a lista de organizações convidadas para o Congresso inclui um "grupo comunista" de Portugal. Mais adiante no Glossário lê-se:

"Communist Party–Portugal [Communist group] – originated out of anarcho-syndicalist movement; decided to join Comintern October 1920; CP founded March 1921 with 1,000 members."

Portugal não consta da lista de países com delegados ao 3º Congresso, mas constata-se que a adesão dos comunistas portugueses à Internacional Comunista (Comintern) é anterior à constituição formal do PCP em 6 de Março de 1921, o que é consistente com outras fontes que mencionam a ajuda do Comintern na criação do PCP:

(O Site MARXISTS ORG dedica uma secção à Internacional Comunista (Comintern) onde pode aceder a muita e importante documentação da actividade do Comintern e nomeadamente dos seus 7 Congressos.)

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O GOVERNO PS, A DESCRIMINAÇÃO SEXUAL NO COLÉGIO MILITAR, E O TERRORISMO LABORAL NO NOVO BANCO


Andou o ministro da Defesa muito bem quando face às graves declarações do subdirector do Colégio Militar à TSF, exigiu ao Chefe do Estado Maior de Exercito que investigasse o que se passava naquele estabelecimento de ensino do Estado e tomasse as medidas adequadas à situação.

Ao tornar publico que "O Ministério da Defesa Nacional considera absolutamente inaceitável qualquer situação de discriminação, seja por questões de orientação sexual ou quaisquer outras, conforme determinam a Constituição e a Lei", o ministro Azeredo Lopes deixava bem claro que os direitos dos alunos daquela instituição, tal como os de qualquer cidadão, para o governo PS, estão acima dos preconceitos e/ou praticas de "caserna" incompatíveis com o Estado de Direito em que queremos viver.

Já no caso da mais duma centena de trabalhadores do Novo Banco a quem, por não terem aceite a "rescisão amigável" do vinculo laboral, está a ser impedido o acesso ao seu local de trabalho pela administração, um acto completamente ilegal, desumano, e de verdadeiro terrorismo laboral, não vimos o ministro Mário Centeno, que tutela o Novo Banco, tugir nem mugir.

Apesar do jogo de cintura de Costa, e do empenho dalguns socialistas em tentar inverter o rumo que levará o PS à inevitável pasokização, no essencial este PS continua a ser o que sempre foi, de esquerda e progressista em questões de sociedade como a homossexualidade ou o aborto, de direita e reaccionário quando se trata de direitos dos trabalhadores ou dos interesses da Banca.