sexta-feira, 11 de agosto de 2017

ELEITORES DE LOURES NÃO SÃO RATOS DE LABORATÓRIO


O DN de ontem, 2/8, põe bem a questão ao chamar a atenção para tentativas de algumas candidaturas de transformar as eleições para a Câmara de Loures num "laboratório nacional" em que, acrescento eu, os eleitores de Loures seriam os ratos de laboratório de experiências que nada têm a ver com este concelho.

Primeiro foi o candidato do PSD/PNR que decidiu aproveitar as eleições à Câmara de Loures para lançar um balão de ensaio a avaliar o potencial dum novo projecto politico de extrema direita, racista e xenófobo. http://bit.ly/2hpO4K2

Agora é a candidatura do BE Loures que parece mais interessada em usar estas eleições para ensaiar uma aproximação a forças politicas que se afastaram daquele partido, do que centrar-se nas ideias e propostas a apresentar aos eleitores de Loures.

Talvez estas, e outras candidaturas que eventualmente enveredem pelo mesmo caminho, ainda acabem por ter uma grande surpresa, a de que os eleitores de Loures se recusam a ser parte de experiências de "laboratório" que nada lhes dizem e, a 1 de Outubro, votem em quem está genuinamente empenhado em contribuir para o desenvolvimento e progresso do concelho de Loures.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

DE MAO A MADURO


Em "Da Contradição" Mao Tse Tung fala-nos de contradições antagónicas (ex: entre exploradores e explorados) e contradições não antagónicas (ex: no seio do povo) e explica que em "qualquer processo há uma série de contradições, uma delas é a contradição principal, que desempenha o papel decisivo, enquanto as outras ocupam uma posição secundária e subordinada".

Ora na Venezuela no processo de mudança social, económica e politica iniciado por Chavez, a contradição principal e antagónica é entre a oposição oligárquica, pró imperialista e reaccionária, e o bloco popular, patriota e progressista.

As naturais diferenças no seio do bloco popular (ou entre as forças de esquerda que fora da país seguem com natural interesse o que se passa na Venezuela), são contradições secundárias e que por isso se devem subordinar à contradição principal, aquela que opõe a direita liderada pelo fascista Capriles ao bloco popular liderado por Maduro.

Numa altura em que na Venezuela se agudiza o conflito entre a oposição de direita e o bloco popular, numa escalada que ameaça desembocar num golpe fascista, cada pessoa, cada força politica, escolhe o seu lado da barricada.

Não nos venham é dizer que, nesta conjuntura, estar contra Maduro (ou ficar sentado em cima do muro) é uma posição que tem o que quer que seja de esquerda.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O CANDIDATO PSD/PNR NÃO É PROPRIAMENTE CANDIDATO À CÂMARA DE LOURES


Como o próprio ontem disse à SIC Noticias "Lancei um tema (racismo e xenofobia) que os portugueses há muito queriam discutir", só se confirma o que já sabíamos, que é o país o verdadeiro móbil desta alegada candidatura à câmara de Loures.

O candidato racista e xenófobo não só não é de Loures nem vive em Loures (o que em principio não e óbice) mas sobretudo mostra que não sabe, nem quer saber o que é a realidade do município. Por exemplo, alguém que põe na rua um cartaz a dizer que vai criar 10 MIL novos empregos em Loures não só não tem sequer uma vaga ideia, como nem se informou, de qual é a população do concelho.

DEZ MIL novos empregos em Loures é o equivalente a MEIO MILHÃO de novos empregos em Portugal o que, nem no tempo das vacas gordas, nunca ninguém se atreveu a prometer (o máximo que me lembro foram 150 mil novos empregos, o que esteve longe de ser cumprido).

O verdadeiro objectivo desta alegada candidatura de extrema direita é testar o potencial para o lançamento duma força politica abertamente racista e xenófoba (dentro ou fora do PSD de Passos que para já se dispôs a funcionar como barriga de aluguer) que, em termos de apoio e votos, pudesse dar um novo fôlego ao desastroso e miserável projecto neo liberal pafista que Passos & comandita afundaram.

E nem sequer escolheram Loures para o lançamento deste balão de ensaio, direccionado em primeiro lugar contra os ciganos, por haver uma grande população cigana neste concelho. Em Loures os ciganos são apenas os mesmos 0,5 % da população que nos concelhos vizinhos de Lisboa e Amadora.

Nem escolheram Loures por no concelho haver particulares problemas de tensões sociais, insegurança ou crime. Pelo contrário em Loures o crime tem baixado nos últimos anos, e as politicas de diversidade cultural e social têm elevada adesão e apoio da população e das instituições da sociedade civil e religiosa, e apresentam resultados muito positivos.

O que levou à escolha de Loures para esta campanha racista e xenófoba de intenção nacional é não só a visibilidade que resulta da dimensão e importância económica, social e cultural deste concelho, mas sobretudo por estar à frente da Câmara de Loures o destacado dirigente do PCP Bernardino Soares.

Além do habitual ataque anti comunista, esperam os provocadores que tal ajude à dramatização politica desta manobra de extrema direita e concite a atenção e empenho dos Mass Mérdia (como aliás já está a acontecer) sempre ávidos em promover tudo o que há de mais negativo na sociedade portuguesa.

Alheia a Loures, alheia aos mais elementares princípios éticos, cívicos e democráticos, claramente racista e xenófoba, que o próprio CDS já rejeitou retirando-se da coligação, veremos agora quem em Loures (e no país) assume a ignomínia de integrar, apoiar ou tirar partido desta repugnante provocação de extrema direita mascarada de candidatura à Câmara de Loures.

(Na foto um grupo acompanha a pintura dum painel de arte urbana no bairro da Quinta da Fonte, freguesias de Camarate Apelação e Unhos, Loures).

segunda-feira, 24 de julho de 2017

REVITALIZAÇÃO URBANA E DITADURA DO PÓPÓ


Se um autarca se atreve a tornar as ruas da sua vila ou cidade um pouco mais agradáveis e amigas dos cidadãos é certo e sabido que, como agora acontece a Fernando Medina em Lisboa e a Bernardino Soares em Loures, logo tem à perna o pessoal que está contra tudo o que, no centro das cidades, se traduza em menos alguns lugares de estacionamento ou redução do volume do tráfego.

É um facto que nas últimas décadas, e independentemente das nossas preferências, muitos nos vimos compelidos a organizar a nossa vida profissional e pessoal baseada no uso do automóvel, o que torna tudo o que se prende com a nossa dependência do transporte individual matéria altamente sensível.

Mas também não podemos esquecer o efeito desastroso do transporte individual no tecido urbano, e por isso inverter a espiral de degradação da qualidade de vida nas nossas vilas e cidades, como é o caso agora em Loures, só pode ser bem vindo.

Por muitos estudos que se tenham produzido e pareceres se tenham obtido (e tudo isso foi feito), só a pratica, o ver como as coisas funcionam na vida real (em vez do papel), permitirá avaliar o que foi feito e identificar eventuais falhas. E também sabemos que em Loures temos um Executivo na Câmara que já provou que ouve os munícipes, e que decerto estará aberto e empenhado em corrigir o que for preciso.

Agora que o centro de Loures mesmo com as obras ainda a decorrer já parece outro, não há como negar.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

RIDICULARIZAR OS GAJOS


Quando os politicos, como é o caso do candidato do PSD, recorrem ao racismo para ganhar a notoriedade que nunca alcançariam com suas ideias, propostas e trabalho, fazem-no por saber que não há publicidade negativa, que toda a publicidade é "boa" quando se trata de tornar o produto ou o politico conhecido.

No caso do racismo (como noutras questões) a narrativa da extrema direita, que apresenta "soluções" pretensamente simples para questões complexas, dirige-se pouco à razão (aí perde sempre), mas assenta sobretudo na falta de informação e na exploração de sentimentos (como a desconfiança, a insegurança, a baixa auto estima) daqueles a quem se dirigem as arengas racistas e fascistas. Por isso sendo fundamental desmontar ponto por ponto as insinuações, meias verdades e mentiras que são a base da narrativa racista e fascista, tal não basta.

No FB, onde o aprofundamento das questões e a complexidade não passam, para além da insistência nos factos, apresentados de forma clara e concisa, podemos sempre debochar dos gajos (tem resultado a fazer recuar a chamada AltRight trumpista). Como diz o provérbio O RIDÍCULO MATA.


No FB de 20/7/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

ELEIÇÕES E O REGRESSO À POLÍTICA DE CLASSES


Depois de mais de três décadas a dizerem-nos que já não havia esquerda nem direita e que agora somos todos classe média, eis senão quando, em eleições em 3 países tão importantes e diferentes como os USA a França e a a Grã Bretanha, os eleitores vêm desmentir nas urnas tão sábias e categóricas conclusões.

E não se trata apenas do retorno da separação de águas entre a esquerda e a direita que remonta a 1789, mas também do recuo eleitoral da esquerda dos ideais liberais, das politicas identitárias e das causas fracturantes (que nalguns casos até têm contribuído para avanços civilizacionais que sempre tiveram o apoio de toda a esquerda, mas que não são o centro da luta politica), e o regresso em força da politica de classes herdeira de 1848.

Apenas um exemplo (que hoje é fds e os estimados amigos têm coisas mais interessantes para fazer).

Dum Inquérito a 14 mil eleitores realizado por Lord Ashcroft Polls no dia das eleições do UK http://bit.ly/2sOizuI publico aqui um quadro com as principais motivações de quem votou Conservador e Labour.

E o resultado só pode surpreender quem tenha andado muito distraído. As duas questões comuns aos dois grupos de eleitores, o BREXIT e a ECONOMIA, não só estão uns furos mais abaixo na ordem de prioridades dos eleitores do Labour, como certamente têm na base preocupações bem distintas, no caso dos Conservadores a da manutenção dos lucros, rendas ou ordenados confortáveis, da parte do Labour, o desemprego, a precariedade e os baixos salários.

E no que toca às outras questões, que motivaram o voto nos Conservadores e no Labour, e à sua importância relativa, parecem retiradas dum manual que explique as diferenças entre direita e esquerda, nomeadamente da esquerda dos trabalhadores e do povo miúdo.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

TERRORISMO: CUI BONO?


Se numa investigação judicial o "cui bono" é um método que a partir de quem beneficia dum crime tenta chegar ao seu autor, nem sempre quem tira proveito dum crime é de facto quem o pratica.

Afastando aqui em principio um eventual envolvimento directo dos governos nestes hediondos crimes sobre as suas populações, não podemos no entanto esquecer que isso já aconteceu no passado (por exemplo terrorismo do Gládio e dos Gal), e que não há garantia que tal não se possa repetir no presente ou no futuro.

Mas que este terrorismo é também o efeito boomerang do terrorismo que o chamado Ocidente tem apoiado, financiado, treinado e armado para desestabilizar países e derrubar regimes, é facto comprovado (os terroristas do ultimo atentado em Londres foram "combatentes da liberdade" na Líbia e na Síria).

Por outro lado só nos pode causar fundadas dúvidas em que medida sectores dentro de serviços de segurança fortemente infiltrados pela extrema direita (em França 47% dos policias votaram na candidata da estrema direita Le Pen), inspiram, apoiam ou facilitam este terrorismo indiscriminado. O abate sistemático dos autores ou envolvidos só pode agravar as suspeitas sobre o papel daquelas policias.

Agora do que não restam dúvidas é do aproveitamento sistemático que estes governos fazem dos atentados, não só em termos eleitoralistas, mas sobretudo para concretizar os seus objectivos de limitar as liberdades individuais e reprimir a intervenção social, sindical e politica dos movimentos e organizações que se opõem às actuais politicas neo liberais, autoritárias, e anti trabalhadores.

Do Patriot Act nos USA (com vigilância generalizada aos cidadãos, movimentos e organizações, e uso da tortura), até ao prolongado estado de emergência em França, e agora esta tentativa dos Tories de agravar as restrições às liberdades individuais e colectivas, o que podemos afirmar é que, independentemente do seu grau de responsabilidade nestes crimes, os governos das chamadas democracias ocidentais são de facto os principais beneficiários do actual terrorismo.


Link para o artigo do Guardian: http://bit.ly/2qU1jTx

quarta-feira, 8 de março de 2017

O 8 DE MARÇO DE 1917 EM SÃO PETERSBURGO


A 8 de Março de 1917 (23 de Fevereiro no calendário antigo) as mulheres da industria têxtil de São Petersburgo desencadeiam uma greve que coincide com a manifestação de 8 de Março do Dia da Mulher (na foto), manifestação que é um ponto de viragem da contestação popular ao Czar da Russia.

Ao contrário do que era habitual a policia recusou disparar sobre as manifestantes, no dia seguinte o numero de grevistas na área sobe de cerca de 70 mil para mais de 150 mil, as manifestações sucedem-se, 5 dias depois o Czar da Russia é derrubado (Revolução de Fevereiro), e 8 meses mais tarde os bolcheviques iniciam a Grande Revolução de Outubro de que este ano comemoramos o 100º aniversário.

sábado, 28 de janeiro de 2017

FOI VOCÊ QUE SE INDIGNOU COM O PALEIO DO PADEIRO HIPSTER?


Acho que fez o prezado leitor muitíssimo bem, indignar-se, denunciar o alarve, ameaçar com boicote. É preciso é que não fique só por aí.

O que o padeiro careca diz é o que a maioria dos patrões pensa, faz, ou gostaria de fazer. É essa a lógica do capitalismo, de hoje e de sempre, e se há excepções, que as há, são isso mesmo, excepções.

O episódio do padeiro hipster é também uma boa metáfora do capitalismo neo-liberal-pós-moderno, a versão tuga da fusão do consumismo da moda com a exploração desenfreada dos trabalhadores, que nos USA/Ásia produz iPhones e em Portugal faz papo-secos.

É este o modelo económico e social que nos andam a vender há uma data de anos, o do "empreendedorismo" que conjuga "inovação" com "flexibilidade do trabalho", e que, com um ar mais ou menos modernaço, vai-se a ver, não passa duma remake pindérica do capitalismo que sempre conhecemos.

Para lá da indignação, denuncia e boicote, o que faz falta, além de avisar a malta, é pôr o pessoal a bulir contra todos os "padeiros" do trabalho sem direitos, dos salários baixos e da precariedade.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

JOSÉ GOUVEIA NA RESISTÊNCIA ANTI FASCISTA E NA ALVORADA DO PODER LOCAL DEMOCRÁTICO


No âmbito das comemorações do Poder Local Democrático, a Câmara Municipal de Loures publicou uma nova edição, a 2ª, da biografia e colectânea de testemunhos sobre José Gouveia, resistente e lutador anti fascista, e no pós 25 de Abril Presidente da Comissão Administrativa da Câmara de Loures.

Aproveitando essa feliz oportunidade decidiram os autores daquela colectânea introduzir no capítulo “Breve Biografia” alguns elementos que, sem a pretensão de fazer História, ajudem as gerações mais recentes a compreender o contexto em que se desenrolou a vida e a luta de José Augusto Gouveia.

O livro está a ser distribuído pela Câmara de Loures a quem podem ser solicitados exemplares, e o 1º capitulo revisto, a Breve Biografia, pode ser descarregado clicando AQUI.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

SER FÃ DE TRUMP OU CLINTON, DE PUTIN OU MERKEL, NÃO SÓ É RIDÍCULO COMO É PERIGOSO


A Crise sem fim à vista em que estamos mergulhados leva inevitavelmente ao agudizar das contradições entre diversas facções do grande Capital, dum país e/ou entre países, contradições que podem desembocar em conflitos mais ou menos agudos, ou até em guerras como as de 14-18 ou 39-45.

Ainda com contornos mal definidos estamos agora a assistir ao estalar de novos conflitos entre as classes dirigentes do chamado mundo ocidental, nos USA entre as facções que apoiam Trump e Clinton, a nível internacional entre o Reino Unido e a Alemanha, entre os USA e a UE, entre os USA e a China.

Não cabe à esquerda instituir-se em claque de apoio de nenhuma daquelas facções (ou pior ainda dividir-se em várias claques, cada uma à volta do seu santinho padroeiro), tomando as dores e servindo de joguete de quem nos pilha e explora e que desse modo poderia ainda mais facilmente fazer de nós gato sapato.

Como também não podemos ignorar o que se está a passar com o argumento de que isso é lá entre eles, que são disputas que não nos dizem respeito, até porque nos dizem respeito, e muito (no fim somos sempre nós a sofrer as consequências e a pagar as contas), e sem complexos nem demasiadas expectativas, não vejo ainda problema, antes pelo contrário, em avaliar positivamente ou apoiar as decisões ou iniciativas que eventualmente nos possam vir a ser favoráveis.

Neste como noutros casos os trabalhadores e a esquerda não se devem atrelar a interesses que lhe são alheios, mas sim definir a sua própria agenda, acompanhar o evoluir dos acontecimentos, e concretizar as formas de intervenção que façam avançar os interesses dos trabalhadores e do povo, no nosso e nos outros países.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

FAZ TEMPO QUE NÃO VIA TANTA GENTE A FAZER TANTA CITAÇÃO


Se o prezado leitor era jovem e andava pelos meios do Contra em finais dos anos 60 e princípios dos 70, aposto que tinha pelo menos um amigo especialista a catar citações revolucionárias que provavam de forma categórica e definitiva que ele é que tinha razão e que o Partido (era assim que então chamávamos ao PCP) tinha enveredado pelo revisionismo, a colaboração de classes e outros caminhos igualmente deletérios.

Talvez o actual ressurgir desta velha pratica do verbalismo pseudo revolucionário seja prenuncio de alguma coisa, de algo interessante que esteja a caminho, o certo é que cada vez vejo mais citações revolucionárias por aqui no FB, as mais das vezes usadas com o mesmo objectivo, denegrir o PCP e todos os que se situam nessa área da esquerda.

Recorrendo à velha receita de curar a ferida do cão com o pêlo do próprio cão, aqui deixo, a esses amigos especialistas em citações, uma saborosa citação sobre o vício das citações, com o desafio de nos dizerem onde e quem assim tão acertadamente falou:

"Quem procura respostas a tudo em Marx, acaba por descarrilar. Repare, Marx não predisse isto ou aquilo na Crítica do Programa de Gotha. Você precisa usar a sua própria cabeça em vez de coleccionar citações. Há novos factos e novas relações de forças. Faça a fineza de usar o seu cérebro."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

SÓ ESTÁ DESILUDIDO QUEM SE QUIS ILUDIR


Só o estado de absoluta necessidade (não ser pazokizado por apoiar implícita ou explicitamente um governo pafista do PSD/CDS) levou o PS, pela primeira vez na sua já longa história de partido central do arco do governanço, a assinar os Acordos à esquerda imprescindíveis e incontornáveis para poder ser governo.

Se é certo que para os trabalhadores e o povo miúdo os Acordos foram importantes para travar o desvario neoliberal austeritário de Passos & Cia, para reverter algumas (poucas) das acintosas medidas anti trabalhadores e reformados do governo PSD/CDS, para atenuar um certo sentimento de pessimismo e impotência que então se vivia e trazer-nos uma breve esperança, um ano passado pouco mais há para mostrar.

Com a desculpa (entendível) das imposições de Bruxelas o governo PS prosseguiu a politica de contenção do défice com as conhecidas e desastrosas consequências: unidades de Saúde à beira da ruptura, escolas com falta de pessoal e problemas de instalações, transportes públicos em estado calamitoso, investimento publico mais baixo desde 1951 no tempo do fascismo de Salazar.

Mas, como não era difícil de prever, mesmo em áreas onde o governo podia e devia ter alterado o rumo criminoso do governo PSD/CDS, manteve-se quase tudo na mesma. O governo PS continuou a despejar milhares de milhões nos buracos da Banca, manteve intocáveis as PPPs e outras formas de parasitação do Estado pelos interesses privados (com a honrosa excepção dos contratos com os colégios particulares), não mexeu com um dedo na fascistóide legislação laboral, recusa discutir a renegociação da Divida, e fecha o ano com uma inusitada provocação a pretexto da actualização do Salário Mínimo.

Na Feira de Gado da Concertação Social (Santos Silva dixit), na actualização do Salário Mínimo, o PS foi ainda mais longe do que o governo PSD/CDS ao quase duplicar (de 0.75% para 1,25%) o roubo na TSU, parte integrante da remuneração dos trabalhadores, entregue como prémio ao gado patronal, com a anuência do boi manso chamado UGT.

Com esta provocação o PS não só mostra mais uma vez o que sempre foi, um fiel e dedicado serventuário do patronato e do Capital, como, animado pelos recentes resultados das sondagens, ensaia um claro ultimato à esquerda: ou aceita tudo o que o PS quiser, ou então que rompa os Acordos e abra o caminho a uma maioria (que sonham absoluta) do PS.

Um ano passado sobre a tomada de posse do governo PS a correlação de forças é agora substancialmente mais favorável aos trabalhadores e à esquerda a quem, independentemente das posições de força do PS, compete definir os seus objectivos para esta nova fase da vida politica do país, como aliás o fez com a maior justeza em Outubro de 2015.

Ensina a arte da guerra que não se deixa ao inimigo a escolha do campo da batalha, aos trabalhadores e à esquerda compete definir os terrenos onde nos vamos bater, o que, dada a correlação de forças parlamentar, não será apenas nem sobretudo na AR, mas será seguramente nos locais de trabalho por aumentos salariais e contra a repressão patronal, nos movimentos sociais contra a destruição dos serviços públicos, nas ruas por uma efectiva mudança de politica que não faça de 2017 mais um ano perdido da vida, ou sobrevivência, dos trabalhadores e do povo.

É isto, basicamente, e entretanto tenham todos a fineza de fazer por um Feliz Ano Novo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

EM LOURES O PODER LOCAL DEMOCRÁTICO TEM 42 ANOS


A efeméride que agora se assinala é os 40 ANOS DE PODER LOCAL ELEITO - (1976/2016), facto da maior relevância politica da vida do nosso país. Recorde-se que antes os executivos camarários eram nomeados pelo governo, além de que durante os 48 anos de fascismo não existirem eleições livres.

Não se percebe por isso que, em Loures, em vez do nome das comemorações incluir e realçar as ELEIÇÕES de 1976, se omita esse importante acontecimento atrás duma designação não só enganadora como desprestigiante para os democratas que assumiram os destinos da Câmara de Loures logo após o 25 de Abril.

Democratas que quer pelo seu passado anti fascista quer pela sua pratica à frente dos destinos de Loures são tão ou mais democratas do que os autarcas que lhes sucederam nos últimos 40 anos.

Autarcas que logo após o 25 de Abril em muitos municípios, e nomeadamente na Câmara de Loures, naquilo que é a essência da Democracia, nortearam a sua acção pelo serviço às populações, à resolução dos seus muitos problemas concretos, em permanente diálogo com os munícipes e muitas das vezes com a sua directa participação.

Enfim, um episódio infeliz e desnecessário, este da designação dada às comemorações dos 40 anos das ELEIÇÕES de 1976, por parte dum Executivo que até penso ser o mais coerente continuador do que de melhor José Gouveia e os seus companheiros do período que vai de Maio de 1974 a Dezembro de 1976, de forma democrática, inovadora, e criativa realizaram na Câmara de Loures.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ESPERO QUE, TAL COMO LENINE, JERÓNIMO TAMBÉM NÃO ACERTE.


Embora tenha sido com alguma tristeza que ouvi Jerónimo dizer, no discurso de encerramento do XX Congresso, que o objectivo que nos anima "possivelmente só será materializado para além das nossas vidas", enfim, é a lei da vida e já muitos dos que nos antecederam e acompanharam na luta contra o fascismo também infelizmente não viveram para ver o 25 de Abril, embora estivessem certos de que esse dia iria chegar.

Mas foi tristeza momentânea pois logo me vieram à memória as célebres palavras de Lenine, muito parecidas com estas de Jerónimo, dirigindo-se a um grupo de estudantes na Suiça, em Janeiro de 1917, pouco antes do seu regresso à Russia em Abril:

"Nós da geração mais velha talvez não vivamos para ver as batalhas decisivas da revolução que aí vem. Mas creio que posso expressar a esperança confiante de que a juventude que trabalha tão esplendidamente no movimento socialista da Suíça e do mundo inteiro terá a sorte não só de lutar, mas também de vencer, a próxima revolução proletária que aí vem".

Que esteja próxima ou mais afastada, que seja ainda connosco ou com os que nos seguirão, o importante é que se faça por isso e que esta comum certeza na materialização da revolução proletária integre e seja a bússola de todos os combates presentes e futuros.