quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Na campanha da CDU
A BENDITA FOTO DA ARRUADA DE CAMARATE


"Uma das maiores arruadas no Concelho, que mobilizou e influenciou as pessoas para votar na CDU e dar a volta tão ansiada!!!"
Manuel Glória, Presidente da freguesia de Loures, num post com esta foto

Ao contrario de Manuel Glória, que sabe disto muito mais do que eu, não é certamente por acaso que ganhou a freguesia de Loures depois de vários anos da CDU na oposição, nunca vi grande eficácia eleitoral nas arruadas, que sempre encarei mais como actos de festejo das campanhas e de celebração da liberdade e da democracia de que as eleições são expressão.

No entanto e à cautela, que precauções e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, não só estive na arruada de Moscavide, como até fui à de Camarate e, embora sem qualquer intenção de tirar retratos, a certa altura, e como tinha ali à mão na mochila uma máquina nova, decidi fazer meia dúzia de bonecos, mais para testar a maquina do que para lhes dar qualquer uso.

Acontece que uma dessas fotos acabou por ser capa de álbum no post da arruada de Camarate, depois disso alguém a promoveu por uns dias a foto do perfil do CDU Loures, de vez em quando vejo-a por aí a enfeitar posts do FB, e a verdade é que não só começo a afeiçoar-me à bendita foto como, se insistem muito, talvez um dia destes ainda acabem por me ver rendido, naquela parte de que podem dar boas fotos, aos méritos das arruadas eleitorais.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

HOJE, 14/10/2013, ÀS 21:30 NO AUDITÓRIO DA IGREJA DA PORTELA, TOMADA DE POSSE DOS ÓRGÃOS AUTÁRQUICOS DA UNIÃO DE FREGUESIAS DE MOSCAVIDE E DA PORTELA.


Hoje, 14/10, às 21:30 no auditório da Igreja da Portela tomam posse os órgão autárquicos da União das Freguesias de Moscavide e da Portela, cuja Assembleia de Freguesia integrará 6 representantes do PSD, 5 do PS, e 2 da CDU.

As eleições foram ganhas pelo PSD que partindo em aparente posição de desvantagem, cerca de menos 200 votos do que o PS no somatório das duas freguesias em 2009, teve agora para a nova união mais 1000 votos do que o PS, que ficou em 2º lugar. A CDU ficou em 3º lugar, embora no que se refere a Moscavide passe de 3ª a 2ª força politica, à frente do PSD.

Mesmo sem ter acompanhado de perto estas eleições, não é difícil perceber que o sucesso de Manuela Dias, entre 2009 e 2013 Presidente da Freguesia da Portela, e a partir de hoje da União das Freguesias de Moscavide e da Portela, tem uma forte componente local e pessoal.

Ignorando completamente que foi o PSD o principal responsável pela união forçada das freguesias de Moscavide e Portela, medida rejeitada pela grande maioria dos moradores das duas freguesias (e que surpreendentemente não foi tema da campanha), e a politica anti trabalhadores e anti popular do PSD ao longo dos últimos 2 anos, e que noutros locais lhes foi fortemente penalizadora, em Moscavide e Portela o PSD acaba por alcançar uma, em principio, inesperada vitória.

Para isso muito deve ter contribuído a forte penalização do PS resultante da associação de Daniel Lima, e respectiva família Lima, àquilo que muitos consideram ser o nepotismo, compadrio, e despesismo, que caracterizaram os últimos 12 anos de gestão PS na Câmara de Loures e nas suas freguesias no concelho.

Capitalizando a seu favor a boa imagem da Portela, resultante em larga medida das boas condições urbanísticas da freguesia e dos agradáveis arranjos dos seus espaços verdes (que vêm do tempo da presidência de Adão Barata, CDU, e completados na anterior gestão de Carlos Teixeira, PS), Manuela Dias desenvolveu ainda ao longo da campanha uma incansável actividade de contactos pessoais nas duas freguesias, e muito em particular em Moscavide, que muito deve ter contribuído para aquela saborosa vitória.

Neste inicio de mandato, saudando a nova equipa dirigente da Junta de Freguesia, e os representantes na Assembleia de Freguesia, e em particular Patrícia Gonçalves, da CDU, estreante nestas andanças e que teve o meu voto nestas eleições, gostaria de deixar aqui dois pedidos aos eleitos: primeiro que as várias forças politicas façam um esforço para se entenderem, não há uma maioria absoluta; e segundo que não aceitem a união de Moscavide e Portela como facto consumado para todo o sempre, quer mantendo em funcionamento todos os serviços virados para o publico das duas anteriores freguesias, quer continuando a luta para pôr termo a esta aberração administrativa de juntar à força aquilo que a grande maioria quer que continue autónomo.

domingo, 13 de outubro de 2013

HANNAH ARENDT, A BANALIDADE DO MAL E OS BUROCRATAS DA DESTRUIÇÃO


Os filmes nunca fazem justiça aos livros, e o "Hannah Arendt" de Margarethe von Trotta não é excepção, apesar de ser um grande filme, ver por exemplo a opção de apresentar imagens reais do julgamento, sobretudo de Eichmann, ou a grande sensibilidade como é tratada a relação com Heidegger, não o relato duma relação complexa e só por si merecedora dum filme, mas apenas as recordações de Hannah pertinentes para o drama com que se debate ao tentar pensar, sem preconceitos, dogmas ou lugares comuns, um dos acontecimentos mais trágicos do nosso passado recente, o extermínio deliberado e sistemático de judeus (e outras minorias menos faladas) pelo nazismo.

Não sendo propriamente uma grande pensadora (todo o destaque que a direita lhe dá se deve à natural e franciscana pobreza de intelectuais próprios), Hannah Arendt tem o mérito de, a propósito de um caso limite, ter posto na ordem do dia aquilo a que designou por a banalidade do mal, e ter chamado a atenção para o perigo que as modernas burocracias representam quando colocadas ao serviço de projectos anti sociais e anti humanos (crimes contra a humanidade chamou-lhe ela, e muito bem).

Banalidade do mal que, embora em formas bem menos virulentas, ao tempo do julgamento de Eichmann ainda por cá enfrentávamos nos olhos. Por exemplo nos ultimo anos do fascismo as longas sessões de tortura do sono eram em boa parte asseguradas por jovens funcionários, sem quaisquer motivações politicas ou ideológicas (a que nos anos antes do 25 de Abril a Pide se viu forçada a recorrer por óbvia falta de "vocações"), e que faziam o seu turno de tortura, do preso politico que lhes tinha calhado na escala de serviço, com o mesmo interesse e entusiasmo com que poderiam estar a conferir declarações de IRS numa repartição de finanças, ou numa agência bancária a lançar movimentos nas contas correntes de clientes.

Banalidade do mal, que continua na ordem do dia, e que agora nos é imposta pelas tropas de choque do grande capital que, nos nossos dias, são as burocracias do FMI, Banco Europeu, Comissão Europeia, e seus lacaios nacionais, e que nos vai destruindo a vida, a esperança, o presente e o futuro.

A grande limitação da obra de Hannah Arendt, e de muitos dos que agora se insurgem contra a destruição das nossas vidas, é não conseguirem descortinar para além dos mecanismos do mal e da falta dos mais elementares princípios de ética, moral e humanidade dos seus executantes.

É, ao mesmo tempo que muito justamente se indignam, não conseguirem apontar para o responsável último dos nossos dramas pessoais e da nossa tragédia colectiva de país submetido aos ditames das politicas austeritárias: o capitalismo globalizado, financeirizado, descontrolado e auto-fágico que há-de dar cabo de todos nós, se antes não dermos nós cabo dele (ou pelo menos se não o metermos rapidamente na linha).

domingo, 6 de outubro de 2013

Na campanha da CDU
SEM O "CDU LOURES" NÃO TINHA SIDO A MESMA COISA.


Fez 6ª feira uma semana (parece que foi há séculos) que, já próximo da meia noite, se publicavam na página do Facebook CDU LOURES as ultimas fotos do Comício de Encerramento da campanha para as autárquicas do concelho de Loures que, já tudo o indicava iria, como aconteceu, resultar numa merecida vitória.

Durante meses a fio, ali se foi anunciando e dando conta das inúmeras iniciativas da campanha, e muito especialmente daquilo que terá sido traço distintivo e contributo essencial para o seu sucesso, os permanentes contactos com as populações, por todo o concelho, ao longo de meses, em que candidatos e apoiantes se empenharam, ouvindo, falando, apresentando as suas propostas.

Sem contributos profissionais, e sem recorrer a promoções pagas (como o fizeram as campanhas adversárias), o CDU LOURES foi integralmente assegurado por um conjunto alargado de candidatos e apoiantes que, pelo meio das suas tarefas da campanha, iam tirando fotos, escrevendo umas linhas, desenhando cartazes, filmando pequenos vídeos e publicando os posts no Facebook.

Quase totalmente baseado em materiais originais, o CDU LOURES foi provavelmente a página eleitoral de maior difusão nestas autárquicas, e um bom exemplo da utilização das redes sociais para divulgar e potenciar a forma de intervenção politica que é uma campanha eleitoral.

Claro que esta campanha no nosso concelho, mesmo sem o CDU LOURES, podia ter tido, seguramente, o mesmo sucesso. Poder, podia, mas não era a mesma coisa.

Também no Facebook: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3583989336453

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Na campanha da CDU
Os direitos defendem-se exercendo-os.
MAIS UMA TENTATIVA DE IMPEDIR A DISTRIBUIÇÃO DE PROPAGANDA ELEITORAL NUM CENTRO COMERCIAL, DESTA VEZ NO LECLERC DA BOBADELA.



Entre duas distribuições do Programa da CDU para o concelho de Loures, um pequeno grupo de apoiantes da CDU entra no Leclerc da Bobadela, dia 25/9, para beber um café e comer qualquer coisa, que o dia começou cedo e vai ser longo. Três sentam-se à mesa do café e o quarto, que não quer comer nada, vai para a porta norte distribuir folhetos, mas ainda não tinham passado cinco minutos está de volta, foi "proibido" pelo segurança de fazer distribuição à porta do Centro.

Com um camarada que estava a acabar a bica, decidem voltar à porta do Leclerc para explicar ao segurança que não pode limitar um direito constitucional, mas a coisa não corre bem. O segurança ainda jovem e claramente sem condições e/ou treino para lidar com o publico, não está para conversas, proíbe, ameaça, "encosta-se" a um de nós e, quando o outro começa a a fotografar a cena, perde completamente as estribeiras, ameaça que vai saber onde moramos e que vai lá dar-nos um enxerto de porrada, enfim uma cena lamentável.

Chega o chefe da segurança e, embora com a mesma posição e atitude prepotente, tem ao menos o bom senso de mandar o segurança jovem fazer outra coisa, confiante que vai ali na hora resolver o "problema". Insiste que aquilo é um espaço privado que não podemos estar ali a distribuir "publicidade", não ouve o que lhe dizemos, e perante a nossa atitude de recusa em aceitar uma ordem ilegal, ainda por cima por quem não tem qualquer autoridade, dá meia volta e vai chamar a PSP.

Voltamos para interior do Leclerc e decidimos (o que não estava nos planos) começar ali mesmo uma distribuição de documentos da CDU. Quando a PSP chegasse reafirmaríamos a nossa posição, e se entretanto, enquanto a PSP não chegava, os seguranças tentassem interromper-nos pela força, coisa pouco provável, a responsabilidade seria deles.

A PSP não chega, a distribuição continua, o chefe da segurança ali por perto assiste, até que se começa a fazer tarde, temos compromissos noutro sitio, e decidimos ir embora. Um de nós prontifica-se a deixar ao chefe da segurança os dados pessoais e o numero do telemóvel para ele fazer a participação à PSP, mas logo que nos ouve dizer que nos vamos embora o homem nem quer ouvir mais nada, que vamos mesmo, e depressa.

Acho que o jovem segurança vai esquecer as ameaças do tipo "sei onde moras", e que a esta hora já deve ter percebido, ele e o chefe, que ao tentarem impedir uma pessoa de distribuir propaganda eleitoral à porta do Leclerc, acabaram por ter de gramar quatro a fazer distribuição lá dentro.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Traficâncias Orçamentais

«Cerca de 4.000 milhões de euros do fundo de reserva das pensões serão usados, em caso de emergência financeira, para financiar directamente o Tesouro e, em simultâneo, aliviar a pressão sobre as taxas de juro da dívida, actualmente acima dos 7% nas obrigações a dez anos. 

É mais uma forma de tentar contrariar as forças que empurram o país para um segundo resgate, em 2014. O fundo até pode obter rendimento mais elevado com os juros que irá cobrar aos contribuintes. As pensões é que ficarão quase totalmente expostas à volatilidade das obrigações portuguesas.»

Notícia do DIÁRIO DE NOTÍCIAS de 26 Setembro 2013, com o título "Reserva das pensões usada para afastar segundo resgate". O título do post é de minha autoria.

Meu comentário: Não nos admiremos que daqui a dias apareça novamente alguma abantesma a advertir que a sustentabilidade das reformas e das pensões está pelas ruas da amargura.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O 11 DE SETEMBRO FOI HÁ 40 ANOS


Foi no reduto sul de Caxias que, faz hoje 40 anos, soube estar a decorrer um golpe militar no Chile. Os pides andavam exultantes e em competição cerrada para me revelar os pormenores mais desmoralizadores das noticias que iam chegando do golpe fascista.

Embora há quase dois meses sem contacto com o exterior, em regime de isolamento, sabia, ou julgava saber, da tradição democrática do exército chileno, do grande apoio popular às medidas de carácter socializante do Governo de Salvador Allende, e achei absurdamente deslocada toda aquela pidesca euforia.

Nada de todo o ódio fascista que ali despejavam sobre Salvador Allende e o Povo do Chile me afectou muito e, naquele optimismo próprio dos 20s, até pensei, talvez se lixem, talvez o golpe acabe por desencadear um processo de resistência democrática e popular que isole e derrote as forças mais reaccionárias, e abra caminho ao avanço para uma sociedade mais justa, sem exploradores nem explorados.

Infelizmente, nunca estive tão errado em toda a minha vida.


Nota final:Também a 11/9, de 2001, os ataques às torres gémeas, e outros alvos, vitimaram cerca de 3000 pessoas. Às suas famílias e às famílias dos muitos milhares assassinados pela ditadura de Pinochet, o meu sentido respeito e solidariedade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Na Campanha da CDU
O CIGANO DO BARRO, LOURES, QUE ACHA QUE ISTO AGORA TEM DE MUDAR


Só me apercebi que era cigano quando depois de me dizer que sempre tinha votado PS, acrescentou que esse, em todo o lado, tinha sido sempre o voto do seu Povo.

Mas desta vez não vai votar PS. É que isto não pode continuar assim, e se eu acho que se pode continuar a votar naqueles que puseram o país nesta desgraça. Cortam nas reformas, despedem trabalhadores, e não resolvem nada. Quem é que me vai comprar a roupa nos mercados? Acha que são os ricos? Claro que não são, o meu negócio é com os pobres, com quem trabalha, com os reformados que têm uma pensão pequena, e todos eles agora têm cada vez têm menos.

Ao meu irmão mais velho, começaram por reduzir na Inserção, que já era uma miséria de duzentos e tal euros, depois cortaram-lhe tudo, a ele que sempre foi às reuniões, entregou os papéis todos, nunca faltou quando o chamaram. Cortam-lhe a Inserção toda. E agora recebe uma carta da escola para os miúdos não faltarem às aulas. E comem o quê?

Isto está mal, e desta vez lá em casa vamos todos votar aqui, e abana o folheto da CDU com a fotografia do Bernardino e do Manuel Glória. E a finalizar a conversa, com um sorriso matreito explica: lá em casa há liberdade para cada um votar onde quiser, mas votam todos onde eu digo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Equívocos


A VIDA e a actividade de alguns políticos portugueses está recheada de equívocos, e nós, sem darmos por isso, temos andado a viver um autêntico “faz-de-conta”, numa floresta de enganos. Não há documentos nem vestígios que provem que Paulo Portas alguma vez tenha contratado a aquisição de submarinos enquanto ministro da Defesa, ou que se tenha demitido “irrevogávelmente”, que Miguel Relvas tenha frequentado a Universidade Lusófona, que Maria Luís Albuquerque tenha negociado contratos “swaps”, que Rui Machete tenha pisado as instalações do BPN, que Dias Loureiro alguma vez lá tenha passado à porta, a não ser por engano, ou que Cavaco Silva haja adquirido acções daquele banco a preços de amigo, ou que tenha sido sequer Presidente da República, pois nos arquivos nada consta que tivesse recebido vencimentos nessa qualidade.

sábado, 17 de agosto de 2013

Na campanha da CDU
DESVENTURAS DUM COMUNISTA SEM CARTÃO


Em Moscavide um homem idoso, alto, de ar frágil e voz um pouco arrastada aborda a candidata da CDU. Não quer reclamar com a falta de limpeza das ruas, ou dos caixotes do lixo que transbordam para o chão. A questão dele é de outra natureza, quer que a Patrícia lhe arranje o cartão do Partido.

Sempre foi comunista e agora os camaradas do Centro de Trabalho não lhe querem dar o cartão. Outro camarada, que o conhece e ao problema do cartão aproxima-se e lembra-lhe aquilo que ele sabe mas que na sua apreciação dos factos lhe parece pouco relevante, que na renovação dos cartões o dele não foi emitido porque tinha muitas quotas em atraso, e que é preciso agora ele começar a pagar quotas de novo (provavelmente dum valor pouco mais que simbólico).

As explicações do camarada não o convencem, desiste da conversa e volta-se para mim, testemunha ocasional da alegada injustiça, e diz que tem 80 anos (parece ter mais) e que é comunista desde moço novo lá no Couço, que fique eu sabendo é a única terra do País em que o único partido que tem uma Sede é o Partido (mesmo a falar percebe-se a maiúscula).

Não é que ele precise do cartão para ser comunista, explica-me, mas aquele pedacito de plástico, ali no bolso ao pé do coração, é um daqueles prazeres a que se acha com pleno direito. Pelo que entendo uma forma de reconhecimento público que, nesta fase já adiantada da sua vida, seria um testemunho palpável a ligá-lo ao seu passado militante.

Para o tirar daquela fixação no cartão falo-lhe de dois amigos do Couço, se ele conhece, atão não havia de conhecer, os olhos alumiam-se, a rua de Moscavide evapora-se, e ele está no Couço com os camaradas, as lutas nos campos, as reuniões num celeiro que a Pide não conseguia localizar, a campanha de Humberto Delgado, as greves, o cerco à aldeia, as centenas de prisões, o posto da GNR, Caxias, as visitas da mulher com o filho ao colo que ele não podia sequer tocar por causa daquele vidro grosso que os separava e um pide ao lado a intimidar.

Tempos em quem não havia cartão, digo-lhe eu, e então ele volta à terra, encara-me, é verdade, nesse tempo não havia cartões, éramos comunistas mesmo sem cartão, e de forma meio envergonhada como que pedindo desculpa da sua birra em estar para ali a exigir um cartão à camarada que precisa é que a gente todos a ajude e vote na CDU para ela ser a Presidente de Moscavide, dá um abraço à Patrícia e em jeito de despedida: não interessa, com cartão ou sem cartão, hei-se ser sempre comunista toda a vida.

"Rentrée" do PSD



ERA PARA SER cabidela de coelho, mas por causa das dúvidas, das más-línguas e não fosse o diabo tecê-las, acabaram por optar pelo arroz de pato, para os dois mil convivas da tradicional Festa do Pontal do PSD.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

UM AMOR ÍMPAR
(Em jeito de homenagem a Lydia Davies, mestre do conto curto).


A Joana e o João foram feitos um para o outro, casaram-se, tiveram duas criancinhas e viveram muito felizes até chegar o tempo de serem mais infelizes do que felizes, infelicidade que para o João acabou quando foi viver com a Paula, e a Joana passou a ser, não a actual, mas a ex ou a 1ª esposa do João.

A Paula e o João, não tiveram filhos, não foram tão felizes como a Paula e o João esperavam ser, até ao dia em que a Paula resolveu ir ser mais feliz para outro lado, deixando o João de rastos por a Paula lhe fazer a ele o que ele tinha feito à Joana.

Depois, nem ela sabe explicar bem porquê, os filhos e tal, a Joana aceitou o João de volta, o que fez da Joana não só a 1ª como também a 3ª mulher do João, embora menos tempo do que tinha sido a 1ª porque entretanto, desta vez em conjunto, sem disputas nem guerras, o João e a Joana decidiram separar os trapinhos.

Acontece que então foi o João a ficar infeliz para caraças, mas para dizer a verdade não por muito tempo, há sempre uma Maria disposta a preencher estes vazios de solidão masculina e, enquanto durou, lá foram os dois, a Maria e o João, felizes, ou infelizes, nem eles próprios sabem dizer bem o quê.

Agora o João ficou outra vez sozinho e a Joana, mesmo sem a desculpa dos filhos, que entretanto cresceram e já saíram de casa, está seriamente a considerar dar uma nova oportunidade ao João, o que, a concretizar-se, fará da Joana a 1ª, 3ª e 5ª mulher da vida do João: um amor verdadeiramente ímpar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

sábado, 6 de julho de 2013

SONDAGENS DO EXPRESSO. GOSTOU DE TOMAR NO RABO? SIM OU NÃO?


Semana sim, semana sim, lá está o Expresso a inventar mais uma sondagem para pôr os portugueses a dizer aquilo que o Expresso anda a impingir aos portugueses.

O truque, como os prezados leitores já repararam, consiste em fazer as perguntas certas, e só essas. Por exemplo, mesmo que 90% dos portugueses não queiram tomar no rabo, se se fizer só a segunda pergunta e, dos 10% que até nem se importam de tomar no rabo 70% responderem sim (ou seja 7% do total), o Expresso poderá então fazer um título a dizer: Maioria dos portugueses, 70%, gosta de tomar no rabo.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Não Há Crise, é Só Fumaça!

EM PLENA crise política o presidente Cavaco levou 2 dias para receber o pedido urgente de audiência do António Seguro, nada mais, nada menos, que o líder do principal partido da oposição. Depois, para quinta-feira está agendado receber o Coelho para a normal reunião semanal com o primeiro-ministro, para a cavacal prestação de contas. Entretanto, como a crise não é grave, sexta-Feira vai passar o dia no fórum dos economistas, a "transar o corpo numa nice", adiando receber os partidos para a próxima semana, talvez lá para segunda-feira, para escutar as queixas, reclamações e sugestões, pois sábado e domingo é para as aulas de crochet. Como a crise não é grave, e o que anda por aí é só fumaça, o Conselho de Estado pode ficar descansado que não é convocado, podendo fazer as malas e ir para férias.

Parece que estamos a assistir a uma peça de teatro do absurdo, mas se calhar não é nada disso. Tudo o que se começou a desenrolar depois da demissão do "excel" Gaspar, da nomeação da "miss swaps" Albuquerque para as finanças e da falsa demissão do "guarda fronteiriço" Portas, não passa de uma encenação, jogo combinado, destinado a deixar espaço para que os opinantes formatem a opinião pública, consolidando a ideia de que as eleições antecipadas são uma coisa a evitar a todo o custo, uma peste, uma desgraça. E quando Cavaco puxar dos galões e decidir, vai presentear-nos com uma solução sem eleições, que passa por um governo de iniciativa presidencial, directamente do produtor ao consumidor, sem passar pela chatice das urnas de voto, e que será apoiado parlamentarmente pelo patriótico acordo celebrado entre o PSD e o CDS-PP, com a respectiva benção cavacal. E tudo isto porque o Coelho não serve, é um paspalho que tem que ir embora, mas o seu legado tem que ficar intacto e disponível para ser aprofundado, continuando a "tratar da saúde" aos portugueses. Como diria Francisco Sá Carneiro, uma maioria, um governo e um presidente, é para isso que servem. Nem mais!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Com a nova ministra das Finanças até os swaps dão lucro, ou os cães põem ovos, uma coisa assim...


A minha avó costumava dizer quando uma pessoa tinha sorte que até os cães lhes punham ovos, o que é o que me ocorre quando agora o Governo nos vem dizer que os swaps da Refer terão dado um lucro de 31 milhões de euros.

Isto depois de durante meses o Ministério da Verdade, agora entregue ao ministro Maduro, nos ter garantido que os benditos swaps da Refer, Metros de Lisboa e Porto e de mais umas quantas empresas publicas acumulavam prejuízos da ordem dos 3 MIL MILHÕES DE EUROS, o que terá inclusive levado à demissão de dois secretários de Estado que tinham tido funções dirigentes nessas empresas, mas não, vá-se lá saber porquê, à demissão da Secretaria de Estado Maria Luís Albuquerque, ex-Refer, que ao contrário se vê agora promovida a Ministra das Finanças.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O PS TROCADO EM MIÚDOS.


Não, a intenção deste post não é propriamente homenagear James Gandolfini recentemente falecido, actor que muito aprecio, mas apenas registar um comentário que deixei no blog do Vitor Dias sobre esta entrevista do porta voz do PS  Autárquicas: Combate do PS ao PCP tão ou mais importante que luta à direita, diz João Ribeiro:

"Aqui que ninguem nos ouve, este PS nasceu e cresceu contra os comunistas, até agora com evidente sucesso para a burguesia que o pariu e alimentou, e é hoje basicamente uma máquina eleitoral e de parasitaçao do Estado.

Olhem por exemplo para as actuais eleições autárquicas em Loures, e digam lá se este PS não está mais próximo das novas mafias, estilo Tony Soprano, do que daquilo que se entende por um partido politico?  Como dar a volta a isto? Difícil, muito difícil."

A GREVE É GERAL.


domingo, 23 de junho de 2013

Conselho de Ministros "Informal"



"Queremos oferecer esperança aos portugueses, mas sempre fiéis à verdade", disse o ministro Poiares Maduro, depois de nos ter dado música e falado sem ter dito nada, na conclusão do tal conselho de ministros "informal" que ocorreu no mosteiro de Alcobaça, onde foram recebidos pelos populares com vaias e protestos. Com acompanhamento à guitarra, dá vontade de lhe responder, trauteando uma versão adaptada de canção de Maria De Lurdes Rezende:

Quem passa por Alcobaça
Simulando que vai governar,
Por mais que finja que faça,
É manobra que não passa,
Pois não dá para acreditar.

ADENDA: O meu amigo A.S. fez questão de me enviar mais umas estrofes para acrescentar à cantiga:

Não se esquece facilmente
Como começou a desgraça
Temos um inútil Presidente
Que recorda constantemente
E é lembrança que não passa

sexta-feira, 21 de junho de 2013

BRASIL: MANIFS, PARTIDOS E BANDEIRAS
Ou como a doença senil do apartidarismo pode ser aproveitada e manipulada pela reacção.

Pormenor da manif. (ou passeata como lá lhe chamam) no Rio de Janeiro a 20/6/2013

Há cerca de dois anos, logo a seguir à manif do 15O, falei aqui SOBRE O MEME DO APARTIDARISMO, e a forma de tentar lidar com o dito, sobre as raízes e riscos do apartidarismo, que embora diariamente instigado pelas forças interessadas na divisão do movimento popular, já não se apresenta hoje entre nós com a virulência de há dois anos atrás.

Também agora do Brasil chegam noticias de sintomas da conhecida doença do apartidarismo (velho de quase um século, com raízes nos fascismos dos anos 20) entre os recém chegados, e sempre benvindos, à intervenção cívica e política activa, como se pode ler neste relato da manifestação de ontem, 20/6, no Rio de Janeiro, que fala da tentativa de alguns destes novos activistas de monopolizar o movimento e impedir a livre e democrática expressão do descontentamento geral a forças sociais e politicas organizadas.

Mas enquanto por cá os estragos do apartidarismo se limitaram a  dificultar o alargamento e consolidação do movimento anti austeridade, o que é mau, do Brasil chegam-nos noticias bem mais preocupantes, que falam do aproveitamento e manipulação das manifestações populares e de tentativas golpistas (embora não necessariamente militares), pelos sectores mais conservadores e reaccionários da sociedade brasileira, como podem ler neste texto, Está tudo tão estranho, e não é à toa, duma activista do MPL - Movimento Passe Livre - que convocou a manifestação inicial de 10 de Junho em São Paulo.

Como a autora nos avisa, o texto, muito objectivo e circunstanciado, não é de leitura fácil, acrescendo ainda no nosso caso o desconhecimento dos meandros da politica brasileira como por exemplo que a PM (Policia Militar), que com a sua violenta actuação ateou um fogo que rapidamente alastrou a todo o país, depende directamente de Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, politico da direita neoliberal fundador do PSDB, partido na oposição ao governo de Dilma, ou ainda da natureza conservadora e golpista da grande imprensa e TV brasileiras, e do seu papel muito activo nos acontecimentos que se estão a desenrolar no Brasil.

E o PT? A milhas das posições autoritárias de Erdogan que trata os manifestantes de terroristas, ou mesmo de Passos Coelho que, sem condições objectivas para reprimir as manifestações, declara cinicamente que se trata dum direito democrático mas sem qualquer efeito sobre as politicas do governo, ao menos Dilma diz "estar atenta às vozes da população e comprometida com as transformações sociais", tendo marcado para hoje dia 21/6 uma reunião com vários ministros para avaliar a situação, depois das manifestações de ontem dia 20/6 que reuniram mais de 1 milhão de pessoas em mais de 80 cidades do Brasil.

Adenda
Rejeitar as manobras golpistas

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Reforma do Estado
GOVERNO INSTALA VIA VERDE EM BELÉM PARA ACELERAR PROMULGAÇÃO DE LEIS ANTI-TRABALHADORES.


Como primeira medida da repetidamente anunciada Reforma do Estado, que nos prometem irá  melhorar a eficiência e celeridade da administração publica, o governo instalou uma Via Verde em Belém que teve já como resultado que a promulgação da legislação que adia o pagamento dos subsídios para Novembro, ter demorado apenas um dia após a chegada do diploma ao Palácio de Belém.

Agora há que dispensar o portageiro, o que nem sequer vai ficar caro. Como se trata dum reformado, não há que pagar indemnização.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

A propósito da contestação no Brasil
JÁ NÃO HÁ TRABALHADORES, O POVO FINOU-SE, AGORA SOMOS TODOS CLASSE MÉDIA.


Como políticos, sociólogos, economistas e comentadores da neoliberal persuasion não se cansam de nos explicar, os assalariados agora são colaboradores, os biscateiros empreendedores, e quem não é sem abrigo pertence inevitavelmente a esta novíssima classe média.

Para mostrar aos seus leitores o crescimento e dimensão desta classe média que agora se manifesta em várias cidades do Brasil, o Wall Street Journal publica o quadro acima que inclui na classe média todos os que têm um rendimento entre 100 e 350 euros mensais (cambio 1 euro = 2.9 reais).

Acima dos 350 euros mês já é tudo classe alta, com direito a cobertura no Leblon, e iate ancorado  em Búzios.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Piratas

Notícia avançada pelo DIÁRIO DE NOTÍCIAS on-line de 10 de Junho de 2013, diz que o Governo estuda formas legais que lhe permita usar fundos da Europa para despedimento de funcionários públicos. Esta medida deve ter a ver com o empenho do Presidente da República em que esta seja uma hora decisiva, para que Portugal e os portugueses não vacilem na determinação de vencer e de alcançar um futuro melhor, apesar das dificuldades que o país enfrenta, nomeadamente no desemprego.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um Governo do Piorio


PARA espatifarem o país, o que fazem Passos Coelho e o seu bando de pistoleiros? É simples! Vão continuando a provocar falências em cascata e a gerar aluviões de desemprego, ao mesmo tempo que vão tentando convencer os escaldados e desconfiados patrões, a investirem em negócios e produtos que ninguém irá comprar, por escassez do dinheiro que os tratantes andam a surripiar, e quanto aos desempregados, insistem em dizer-lhes que não podem ser calões, têm que se amanhar, ou então ir trabalhar para os empregos que não existem.

Entretanto, e para manter os portugueses entorpecidos, o Coelho continua a debitar as imbecilidades do costume, como aquela de nos considerar muito trabalhadores, muito cumpridores e honrados, só faltando acrescentar pobrezinhos e tementes a Deus, indo ao encontro da trilogia "Deus, Pátria e Família" dos tempos do "outro senhor". Embora ele saiba que tudo isto é resultado da sua persistente e continuada obra, pilotada pela troika e por Berlim, ainda lhe sobra discurso para um exercício de retorcido sadismo, vindo para a plateia derramar umas quantas lágrimas de crocodilo. Diz ele que compreende as grandes dificuldades que o processo de “ajustamento” trouxe a muitos portugueses, que sabe o que é não ter condições para manter uma empresa de portas abertas, o que é ficar desempregado e não ter uma perspectiva para recompor a vida a curto ou médio prazo, enfim, que isto é uma tragédia para qualquer país, mas que com confiança e esperança tudo se há-de arranjar. Ouvi-lo dizer isto e percebendo nós o que ele faz, com a condescendência do inquilino de Belém, isto é, governação destrutiva e não criativa, é óbvio que tanta hipocrisia e descaramento apenas nos pode provocar arrepios, e fazer passar pela cabeça os pensamentos menos próprios, sobretudo quando tarda em aparecer a conjugação de factores que o obriguem a ir embora.

Recordam-se daquela história da lâmpada do Aladino, que depois de afagada libertava um "génio" que se dispunha a cumprir três desejos a quem o tinha livrado daquela clausura? Pois bem, se eu fosse o tal Aladino, sabem qual era um dos pedidos que eu faria? Imaginem!

sábado, 25 de maio de 2013

Os Palhaços


É LAMENTÁVEL que o escritor e ex-jornalista Miguel Sousa Tavares, não tenha medido o alcance das suas palavras, quando em entrevista ao JORNAL DE NEGÓCIOS chamou "palhaço" a Aníbal Cavaco Silva, porque com isso ofendeu todos os membros de uma digna e respeitável profissão, que não é uma profissão qualquer, antes a considero umas das mais refinadas e subtis artes que conheço. No inquérito que a Procuradoria-Geral da República abriu àquelas declarações, espero que seja tomada em consideração, esta lamentável associação que referi.

domingo, 19 de maio de 2013

A Mania das GRANDEZAS

«Se fosse eu, era enforcado no Terreiro do Paço»

Comentário de Pedro Santana Lopes na entrevista que deu no programa “Conversas com Vida”, do ETV, quando comparou as consequências das polémicas ocorridas com o seu governo, e as dos governos de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhe, a querida recorre ao Código do Trabalho, despede esses filhos calaceiros, e manda vir novos colaboradores familiares juniores daqueles bangladeshes em que a querida e os amigos estão a transformar este País.


Uns dias depois de aqui publicar este post sobre a família actual, RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA.  Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade, uma deputada do CDS publicou no i online uma crónica que recorre ao mesmo tipo de metáfora familiar: Os meus filhos são socialistas.

Embora o objectivo da crónica seja atacar o partido socialista e aquilo que na tóla da geração neo formatada passa por socialismo, o certo é que o escrito acaba por evidenciar a insanável contradição entre a ideologia neo liberal da deputada do CDS, e a pratica normal duma familia dos nossos dias. Contradição que em principio apresenta duas soluções:

Ou como se diz no título deste post a senhora leva o seu neoliberalismo à letra põe os filhos no olho da rua e importa novos colaboradores familiares dum daqueles países com vantagem competitiva na produção de  tshirts e telemóveis baratos, graças, entre outras coisas, ao trabalho de crianças forçadas a necessidades bem menores do que as dos seus actuais colaboradores familiares juniores;

Ou então a senhora deputada valoriza a familia, tema tão querido ao seu CDS, e incorpora na sua actividade politica as praticas e valores da nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, ou seja, basicamente converte-se ao comunismo;

Ou nao: o que mais não falta por aí é pessoal portador dum transtorno esquizosocial grave,  que com um ou dois comprimidos diários consegue levar uma vida quase normal.

domingo, 12 de maio de 2013

NEM A GENTE SAI DO EURO, NEM O EURO SAI DA GENTE?


No passado fim de semana li o livro do Professor João Ferreira do Amaral, que recomendo vivamente a quem queira ficar com uma ideia do que é realmente o Euro e daquilo que está a fazer à economia e à sociedade portuguesa, e este sábado li um conjunto de artigos no Le Monde Diplomatique de Maio sobre Que fazer com este do Euro?

Resumindo, Ferreira do Amaral, Carlos Carvalhas e Octávio Teixeira, que antes da entrada de Portugal no Euro foram publicamente escarnecidos por terem alertado para as funestas consequências dessa decisão, preferiam voltar ao tempo do Escudo, já Vieira da Silva preferia voltar aos seus tempos de ministro de Sócrates, e Francisco Louçã preferia ter nascido grego e líder do Syriza.

Mas sempre fiquei um pouco mais esclarecido. Talvez por influencia de Lord Young ou do Old Karl, pensava eu de que, com Euro ou sem Euro, esta cena da Austeridade tinha tudo a ver com as crises capitalistas e a maneira de sair delas: a intensificação da exploração de trabalho barato.

Mas se calhar não. Para Amaral, Carvalhas e Teixeira a coisa resolve-se com a saída do Euro. Para Louçã o melhor é nem falar nisso para não espantar o pessoal, renegoceia-se a Dívida, como diz o Syriza, e depois logo se vê. Para Silva o problema é lá com a Europa, e a nós só resta esperar que o Passos caia e que vá para lá o Seguro continuar o que Passos está a fazer.

Entretanto, e enquanto nem o euro morre nem a gente janta, só queria dizer mais duas coisinhas:

1. Ainda há alguém por aí que não tenha percebido que Portugal e a Grécia já não são membros de corpo inteiro, que já começaram, de facto, a sair do Euro?

2. E também não deram conta que já faz tempo que o Euro começou a sair, diria mesmo a evaporar-se, dos bolsos cá do pessoal?

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Submarinista


Paulo Portas tornou-se um exímio submarinista, competência que lhe vem do tempo em que foi ministro nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e não é obra do acaso o seu interesse por este tipo de arma. Está no Governo a trabalhar em águas profundas, e de vez em quando emerge até à superfície para respirar, auto-justificar-se e sacudir a água do capote. Desta feita veio fazer uma conferência de imprensa para dizer ao povo que não aceita que o Governo leve por diante a chamada "TSU dos reformados e pensionistas", porque isso seria ultrapassar uma fronteira que para ele é intransponível. Ficarmos pobrezinhos ainda vá lá, agora maltrapilhos é que não. Subir a idade de reforma para 66 anos ainda vá lá, mas agora ir mais longe que isso, já não contem com ele, mesmo sabendo que a governação passou da pura encenação à fase picaresca, onde apareceu a desempenhar o papel do polícia bonzinho, depois de Passos Coelho, quarenta e oito horas antes, ter feito o papel de políca mauzão.

Paulo Portas é um político inteligente e astuto que não dá ponto sem nó, e esforça-se por não cometer erros de palmatória. Paulo Portas enquanto tiver margem de manobra, vai mantendo o submarino a navegar, umas vezes submerso, outras vezes à superfície, oscilando com um pé dentro e outro fora, mantendo a espectactiva de que vai romper, mas não rompe, gerindo em proveito próprio o cavacal conceito de "estabilidade governativa", com as "inevitáveis" doses passistas de bandoleirismo social. Vai-se queixando aqui e ali dos seus efeitos nefastos, porém, continua a manter o submarino a navegar em círculos à volta do Coelho, a parecer que está, mas não está, que é, mas não é, que parece, mas não parece. Entretanto, pelo caminho e pelo seguro, vai enviando sinais amistosos à fragata do Seguro. Quer passar a ideia que mesmo sendo farinha do mesmo saco, é o seu grande sentido "patriótico" que vai continuando a exigir o ingrato "sacrifício" de partilhar o martírio desta insana governação. Ave de rapina como é, Paulo Portas só espera com esta política dúbia e dúplice, o momento oportuno para desferir o seu ataque. E a guerra submarina é isso mesmo, a persistente vigilância, perseguição e cerco do alvo, para o abater no momento em que o seu flanco fica mais exposto aos torpedos.

A pedido do senhor Aníbal, que não tem sombra de dúvidas e não se engana, mas apenas quer saber de que lado sopra o vento, o Almirantado (vulgo Conselho de Estado) irá reunir dentro de dias. Para pôr água na fervura, chamar o Paulinho à razão e evitar que haja um pé-de-vento, não vá ele dar-se ao luxo de querer meter o porta-aviões ao fundo.

domingo, 5 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA
Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade.


Mas afinal de que falamos quando falamos, hoje, de produção no seio da família? Basicamente da trilogia: cama, mesa e roupa lavada, bens e serviços fundamentais para a própria produção e reprodução da  sociedade moderna.

Claro que o mercado também oferece esses serviços, o estimado leitor poderá eventualmente  organizar a sua vida a comer em restaurantes e a viver num hotel, ou ter uma equipa de empregados domésticos, mas para a maioria da população são os membros da família que asseguram a realização dessas tarefas diárias.

Ainda não há muito tempo, digamos há meio século atrás, a norma da organização do cama, mesa e roupa lavada no seio da família tinha um carácter claramente de tipo feudal.

Tal como o senhor feudal na Idade Média disponibilizava o uso da terra, do forno e do lagar aos camponeses sem terra, que depois tinham o dever de repartir com o senhor feudal parte substancial  do fruto do seu trabalho; também o marido, por exemplo um operário da cintura industrial de Lisboa, providenciava os meios de produção, e a mulher dedicada à lide da casa (ou mesmo as que tinham emprego) assegurava a produção dos bens e serviços domésticos (trabalho duro num tempo em que não havia máquinas de lavar, aspiradores, ferros eléctricos  ou sequer frigoríficos), bens e serviços que entravam depois na repartição geral a cargo do Chefe da Família.

Num e noutro caso trata-se de relações que não têm a ver com o mercado, com a compra e venda de força de trabalho, mas sim de relações de natureza jurídica, politica e ideológica, e a que não era estranho o recurso à violência. Se bem se recordam, até há pouco tempo não existia Violência Doméstica: os maridos davam porrada nas mulheres e isso era uma questão do foro privado, entre marido e mulher não metas a colher.

Mas a maior participação da mulher no trabalho fora de casa, o acesso à educação, e em geral a democratização da sociedade (não esquecendo os electrodomésticos), contribuiriam para uma alteração substancial do modo como se organiza o cama, mesa e roupa lavada na maioria das famílias actuais.

Hoje nas famílias, os conjugues, companheiros, ou o que sejam, em geral ambos trabalhadores assalariados, contribuem em conjunto para as despesas da família e a execução das tarefas domésticas, e tomam em comum as decisões sobre a gestão do agregado familiar. A figura de Chefe de Família já não consta da Lei e a Violência Doméstica é moralmente condenável e crime público.

De referir ainda que ao contrário do que acontece na esfera económica, a distribuição dos recursos no seio da família não é feita de acordo com aquilo com que cada um contribui, nem resulta duma qualquer famigerada avaliação de desempenho.

Em vez da anterior família de tipo feudal temos hoje uma organização da família mais  igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, baseada no principio "de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um de acordo com as suas necessidades", ou seja uma família de tipo comunista.

Mas será que este novo tipo de família, este novo quadro de produção do cama, mesa e roupa lavada é mais eficiente? Proporcionará menos conflitos domésticos? Enfim, são estas famílias mais felizes?

Aqui permitam-me um aparte, para dizer que sempre considerei um bocado lorpa a ideia de que cada nova forma de emancipação social, económica, ou da família, nos conduz inevitavelmente ao reino da felicidade colectiva e/ou do nirvana individual.

A questão que neste caso (como noutros de avanço civilizacional) me parece relevante, não é se esta nova família está isenta de tensões, problemas e dificuldades, mas a de saber: Quantas famílias, e particularmente quantas mulheres, estão hoje dispostas a abdicar desta nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, desta família de tipo comunista, em favor da antiga autoritária, desigual, injusta e violenta família de tipo feudal?  Pois é, parece que não há muitos interessados.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

40 socialistas propõem que sócios que não são sócios, passem a sentar-se nas cadeiras dos sócios.

Independentes voluntários a sentarem-se na Comissão Politica do PS.

Em carta aberta dirigida ao Secretário Geral um grupo militantes do PS que quer aproximar os cidadãos dos partidos e reforçar a ligação entre o PS e a sociedade, propõe entre outras coisas  a possibilidade de 25 cidadãos independentes ou simpatizantes poderem entrar para a comissão nacional e 7 incluírem a comissão política.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

AUTARCAS BEDUÍNOS EM LOURES.


Como aqueles beduínos que quando consomem tudo o que há para consumir num oásis, levantam a tenda e vão à procura doutro lugar que os sustente, também alguns autarcas que atingiram o limite de validade andam já por aí de tenda às costas à procura dum novo lugar onde acampar.

Para a Câmara de Loures está já anunciado um gajo das Caldas, e o quase ex-Moscavide lança as vistas para a Junta de Freguesia de Sacavém

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Já pensou como vai ser quando morrer? Não me refiro a se prefere ser enterrado ou cremado.
A questão é: O que pensa fazer do seu corpus virtual?


Pois é, o estimado leitor ainda não tinha pensado nisso. É como eu, que estou convencido que sou eterno, pelo menos até morrer.

Mas um recente upgrade da Google pôs-me frente a frente com a minha, espero que remota, finitude, com o meu inevitável after life. E olhe que não é tarefa fácil pensar no que queremos para quando já não estivermos cá. Eu estou há uma data de tempo a pensar nisso, para aí há uns cinco minutos, e ainda não consegui chegar a conclusão nenhuma.

Isto apesar de nalguns aspectos a coisa estar muito simplificada, por exemplo, com a austeridade do Pedro e do Gaspar, podemos deixar de nos preocupar com o testamento. Sim o que é que acha que vai sobrar de toda esta fúria troikista? É que ainda vamos só em 2 anos de austeridade. Já imaginou como vai ser ao fim de 5, 10, ou 15 anos? Bom, é melhor nem pensar.

Mas voltando áquilo que tem muito força, e o que tem muita força, pelo menos neste caso, não pode deixar de ser, provavelmente para a parte material, física, corpórea, o meu futuro também está aqui.

Já no que respeita ao meu extenso corpus escrito, de imagens, vídeos, comentários, gostos e partilhas, a pegada digital que assinala a minha idiossincrática passagem por esta existência virtual, a Google dá-me  para já, a opção de deixar esse meu corpus virtual por aí, bem vivo, ou pelo menos electronicamente a pulsar.

Entretanto algures em Silicon Valley ou Mumbai, um jovem de aspecto macilento e olheiras profundas estará já a desenvolver um algoritmo que nos permitirá morrer ou ir de férias descansados, enquanto o algoritmo baseado na pegada digital de cada um, assegura a execução da nossa habitual actividade social de emissão de posts, comentários,  gostos e partilhas, exactamente como se fossemos nós próprios, ou até um pouco melhor se escolhermos a opção improve quality.

Chegados a este ponto o estimado leitor entrevindo um futuro de algoritmos zombies recriando uns com os outros, ad infinitum, as prosaicas interacções virtuais com que entretemos os nossos tempos livres, milhares ou milhões de anos depois de estarmos todos bem mortos, perguntará: Qual o interesse, a utilidade, o sentido de tão bizarra actividade?

E, digo eu, qual o interesse, a utilidade, o sentido dessa coisa não menos bizarra a que chamamos poeticamente vida? Pergunta que, para o seu caso pessoal, terá de ser obviamente o leitor, ou o seu algoritmo, a tentar encontrar a resposta.

Portanto se não quer ficar eternamente à margem deste maravilhoso mundo novo, comece já a preparar-se para um futuro ainda difícil de entrever, mas tão certo como os cortes do Gaspar.

Para preservar a sua pegada digital, entre na sua conta Google vá ao Gestor de Contas Inactivas  e está lá tudo explicado, inclusivé com o bom gosto de nunca se referirem explicitamente ao seu infausto passamento. Vá lá começar a planear o seu, espero que ainda distante, futuro e tenha uma Feliz Eternidade Virtual.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Perguntas à Constituição


IMAGINEMOS que tínhamos um Presidente da República que em 1967 preencheu ficha da PIDE, afirmando-se integrado no regime, que agora diz estar atento mas não ser pressionável, que afirma não ler jornais, que garante nunca se enganar, nunca ter dúvidas, que confunde Thomas More com Thomas Mann e diz não apreciar o Nobel da Literatura José Saramago, porque os seus livros têm muitas vírgulas, que protegeu membros do Conselho de Estado, envolvidos em fraudes bancárias, que atravessa meses de turbulência política, sem nunca dizer água vai, nem água vem, e que mesmo assim se intitula o provedor do povo, que usa o mesmo baralho de cartas viciadas do governo, vendo neste condições e capacidades governativas que mais ninguém consegue ver, será que essa pessoa, dizia eu, poderá representar a República Portuguesa, ser o garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas?

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Também não fiquei feliz com a morte de Thatcher
FICARIA FELIZ É SE ELA NUNCA TIVESSE NASCIDO.


Há por aí muita alma sensível indignada com a pretensa falta de respeito demonstrada por na altura em que, como se diz noutro post, "a gaja esticou o pernil", se assista não só a criticas e ataques, como, oh sacrilégio supremo, a celebrações pela sua morte.

Ora a ideia que as pessoas quando morrem são julgadas é um ponto central da doutrina cristã. Portanto se agora os cidadãos deste mundo, e em particular as vitimas das suas acções e politicas, a julgam, haverá no máximo um conflito de jurisdição entre os que acham que o julgamento compete a Deus, e os que pensam que também, ou só, compete aos homens.

E não se choquem que esse julgamento assuma as mais variadas formas, desde artigos de análise da sua vida e carreira politica, comentários nas redes sociais, ou mesmo a celebrações de rua como as que se multiplicaram por varias cidades do Reino Unido. Cada um toca o instrumento que sabe, e tem mais à mão.

Quando a história oficial está entregue a discípulos e admiradores das cáfilas de bandidos que nos desgovernaram (vidé o branqueamento politico de Salazar em que por cá diversos lacaios tanto se empenham) é ainda mais importante, como forma de preservar a memória colectiva dos povos, que estas ocasiões sejam devidamente assinaladas.

Já para não falar que discutir o thatcherismo é também analisar uma parte importante das raízes das nossas dificuldades presentes.

Depois do muito que já foi dito e escrito sobre a vida e carreira da iron lady, limito-me aqui a chamar a atenção para uma dimensão menos falada mas importante e actual, a das responsabilidades do Labour e da TUC, da social democracia, no sucesso do thatcherismo.

E porque o espaço é curto, e a paciência dos leitores finita, aqui ficam apenas alguns tópicos para uma reflexão que nos pode, inclusivé, ajudar a equacionar questões como a da tão necessária unidade de esquerda: 

1. As politicas anti trabalhadores dos Governos do Labour dos anos 70 como factor decisivo na ascensão ao poder de Thatcher em 1979. Para quem não saiba, ou não se lembre, a eleição de Thatcher contou com o voto de muitos trabalhadores desiluidos com o Labour.

2. A traição da TUC, e do Labour, à Greve que opôs os mineiros a Thatcher em 1984/85, e que precipitou a derrota daquela greve heróica que se prolongou por quase um ano. Derrota que espalhou o desespero e miséria em vastas regiões do país, levou ao despedimento de 230 000 mineiros, e foi o principio do fim da importancia e influência do  histórico movimento sindical do Reino Unido (com as inevitáveis repercurssões negativas por toda a Europa).

3. O efeito corrosivo para a esquerda da adopção pelo Labour, mesmo ainda na oposição, de temas centrais do ideário neoliberal como o reducionismo economicista, a mercadorização de todos os aspectos da vida social, a competitividade, a submissão aos mercados, a diabolização do que é publico, a exaltação dos privados e dos empresários criadores de emprego, os pseudo privilégios dos trabalhadores, a avaliação com quotas, a marginalização dos mais fracos,  etc. etc. .

4. Mais tarde já no governo, a adopção e continuação por Blair/Gordon do essencial das politicas neo liberais do thatcherismo que destruiram a capacidade produtiva do país, promoveram as actividades financeiras parasitárias e  fazem do Reino Unido, juntamente com Portugal, o país de maior desigualdade social da Europa. Não esquecendo o papel fundamental de Blair na invasão e destruição do Iraque (para onde Portugal também enviou a GNR).

terça-feira, 9 de abril de 2013

ULTIMATUM DA COMISSÃO EUROPEIA.

Porto, 31 de Janeiro de 1891

Francesco Saraceno no post "The Commission on Portugal: Is This for Real?", começa por fazer uma breve caracterização da situação de Portugal e debruça-se  sobre o inconcebível comunicado da CE de 7/4 (ver abaixo), resumindo assim a tomada de posição da Comissão Europeia presidida por Durão Barroso:

1. Está feliz por o Governo Português ter decidido ignorar uma decisão do seu Tribunal Constitucional: "saúda ..."; 

2. Ameaça cortar o financiamento se o Governo Português não seguir as  prescrições da Comissão
: "é uma condição prévia para um decisão ... ";

3. Está em estado de negação sobre a confiança na economia portuguesa: "a crescente confiança dos investidores ... ";

4. Recomenda que a discussão democrática não tenha lugar: "é essencial que as principais instituições políticas estejam unidas em seu apoio ... ".

Isto vai muito para além das minhas mais  tresloucadas conjecturas. Verifiquei, e ninguém mudou o Dia das Mentiras para 07 de abril. Isto é real, e não precisa de comentários adicionais...




(não há ainda versão disponível em português)

The European Commission welcomes that, following the decision of the Portuguese Constitutional Court on the 2013 state budget, the Portuguese Government has confirmed its commitment to the adjustment programme, including its fiscal targets and timeline. Any departure from the programme's objectives, or their re-negotiation, would in fact neutralise the efforts already made and achieved by the Portuguese citizens, namely the growing investor confidence in Portugal, and prolong the difficulties from the adjustment.

The Commission therefore trusts that the Portuguese Government will swiftly identify the measures necessary to adapt the 2013 budget in a way that respects the revised fiscal target as requested by the Portuguese Government and supported by the Troika in the 7th review of the programme.

Continued and determined implementation of the programme offers the best way to restore sustainable economic growth and to improve employment opportunities in Portugal. At the same time, it is a precondition for a decision on the lengthening of the maturities of the financial assistance to Portugal, which would facilitate Portugal's return to the financial markets and the attainment of the programme's objectives. The Commission supports that such a decision be taken soon.

The Commission will continue to work constructively with the Portuguese authorities within the parameters agreed to alleviate the social consequences of the crisis.

The Commission reiterates that a strong consensus around the programme will contribute to its successful implementation. In this respect, it is essential that Portugal's key political institutions are united in their support.

sábado, 30 de março de 2013

DON'T GIVE UP, ALCIDES
For every job, so many men
So many men no-one needs



Alcides Santos(*), desempregado e activista do Movimento Sem Emprego, escreveu uma carta ao Provedor de Justiça, onde invoca o DIREITO DE RESISTÊNCIA consignado no artigo 21º da Constituição, e anuncia a sua decisão de deixar de pagar impostos.
(Ver no Expresso de 29/3/2013 ou AQUI).

Though I saw it all around
Never thought that I could be affected
Thought that we'd be the last to go
It is so strange the way things turn

Got to walk out of here
I can't take anymore
Going to stand on that bridge
Keep my eyes down below
Whatever may come
And whatever may go
That river's flowing
That river's flowing

Moved on to another town
Tried hard to settle down
For every job, so many men
So many men no-one needs

Don't give up
'Cause you have friends
Don't give up
You're not the only one
Don't give up
No reason to be ashamed
Don't give up
You still have us
Don't give up now
We're proud of who you are
Don't give up
You know it's never been easy
Don't give up
'Cause I believe there's a place
There's a place where we belong


(*) Para os amigos destes lados, recordo que o Alcides cresceu por aqui, em Moscavide, filho da Lurdes e do Ernesto que trabalhava na Dialap.

sexta-feira, 22 de março de 2013

EMIGRANTES DE SUCESSO
Odisseia do jovem Farrajota no país dos Assessores.


Como qualquer meio de comunicação social que se preza não pode o Essência, de vez em quando, deixar de falar do sucesso conquistado a pulso pelos nossos emigrantes em terras da estranja.

Há cerca dum ano aqui demos conta dum largo grupo de jovens que emigrou para o país dos Assessores, e hoje, graças à amabilidade dum leitor, estamos em condições de vos informar que um deles, o jovem Farrajota, continua a sua fulgurante carreira de sucesso:

"Mais de um ano depois deste post, envio um refresh do caso boy-Farrajota: Assessor foi apenas trampolim para aprendiz de diretor geral... 
Não é que casos destes não estejam por todo o lado, mas se calhar só algumas pessoas é que ainda os acham anormais (para ser gentil na terminologia)... 

Continuando, tendo-se reformado o vetusto diretor geral (há mais de 30 anos no cargo...) lá do burgo(direção geral de planeamento e gestão financeira do MEC), e tendo ele andado a instruir o 'aprendiz-com-cartão-laranja-alentejano-dos-quatro-costados', só depois da reforma do outro descobriram (o ministro e 2 secretários de estado que ao burgo se deslocaram pessoalmente para analisar o problema!) aquilo em que todos já tinham reparado: o aprendiz de DG não poderia ser nomeado DG porque, entre outras coisitas... (sem falar em competência e experiência...) só tinha licenciatura há 10 anos e precisava de tê-la há pelo menos 12... 

Ora bem! Conhecem a história da pescada?... ... que antes de o ser já o era?... Pois é, o aprendiz de DG, Luís Farrajota sua graça, é como a pescada, com a diferença de que esta o pode ser (pescada), e ele não pode ser DG pois não preenche os requisitos legais. 

Mas certamente com medo que alguém se aproprie do lugarzinho a que há tanto tempo anda a deitar a escada com tanto sacrifício pessoal... (MESMO SEM PASSAR POR QUALQUER CONCURSO DE SELEÇÃO, tão apregoado pela GERAP...), não foi de modas: AUTONOMEOU-SE DIRETOR GERAL DA DGPGF NO LINKEDIN!!!! (http://pt.linkedin.com/pub/lu%C3%ADs-farrajota/34/135/963) e, para compor o ramalhete, ainda acrescentou a titularidade de um mestrado (entre 'a meia dúzia' de 'Master's degree' que já possui...) em Gestão e Políticas Públicas em 2012, quando SÓ O INICIOU ESTE ANO LETIVO, HÁ POUCOS MESES!!! 

Esclareça-se, também, que se trata de um dos mestrados da APEX (acordo da AP com algumas universidades), PAGO PELA Direção Geral de Planeamento e Gestão Financeira do MEC!!!Para compensar tanta desonestidade, foi honesto ao referir as suas Especializações em Liquidações, Extinções e, principalmente, INSOLVÊNCIAS (basta ir ver empresas e organizações por onde andou... TransRJD p. ex...)É só burlões neste País! Realmente em ambiente de degradação moral, a vergonha já há muito que emigrou..."

segunda-feira, 18 de março de 2013

SAIBA COMO VÃO SER AS "RESCISÕES AMIGÁVEIS" NA FUNÇÃO PUBLICA.


O Publico de hoje informa que o Governo está a preparar um programa de rescisões amigáveis para a Função Pública, e aqui na  Essência já temos os pormenores de como vão ser essas rescisões.

Então é assim: ao final do dia o funcionário é chamado ao gabinete do chefe que lhe comunica que vai para o olho da rua e o convida, de forma amigável, a ir beber um copo ao bar, ou tasca, mais próximo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Um Leigo no Vaticano

E DE REPENTE, entraram-me pela casa dentro, disseram-me para emalar algumas camisas, peúgas, roupa interior e artigos de higiene, e levaram-me de escantilhão para o Conclave, antes que o Camerlengo fechasse as portas e desse a volta à chave. Reclamei, dizendo que não era crente, que nunca fiz mal a ninguém, mas eles ripostaram que bastava ter sido baptizado e ainda não ter sido excomungado, para satisfazer as condições mínimas. Como estou desempregado há dois anos e as perspectivas de arranjar trabalho são muito negativas, meti a viola no saco e deixei-me ir. Portanto, meus amigos, é escusado telefonarem, já que são proibidos os telemóveis, nem enviar mails, pois são proibidos computadores, e até nem posso ver televisão, nem ouvir rádio, nem ler jornais, nem comunicar com os leigos que dão apoio aos cardeais eleitores, para além daquele simplório traga-me uma "pizza", um "capuccino", uma aspirina, ou arranje-me um rolo de papel higiénico. Apenas se pode buscar inspiração falando com Zeus, e mesmo assim apenas pelo interposto Espírito Santo, que não se deve confundir com o outro, aquele Salgado do BES. Isto das religiões é uma coisa muito complicada! Sem ter feito mal a ninguém, com a renda da casa, as facturas da água, gás e electricidade em dia, e sem ser relapso fiscal, querem lá ver que ainda saio desta embrulhada eleito Papa!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PORTAS ANUNCIA PRIMEIROS CORTES DA REFUNDAÇÃO DO ESTADO.


Enquanto não se abalança ao bendito corte das Gorduras do Estado, Portas anuncia que vai já cortar nos submarinos: vende um aos chineses e o outro à Isabel dos Santos.

Tendo em conta o excelente negócio feito aquando da compra, prevê-se que o lucro a obter na venda dos referidos submersíveis dê, já em 2013, para devolver os subsídios de férias e de natal aos funcionários públicos e aos pensionistas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cagalhómetro

 
NOTA PRÉVIA – Recebi por e-mail e não me contive de o publicar, com ligeiríssimas modificações.

BREVEMENTE, este dispositivo (uma "inovação" do senhor Franquelim) será obrigatório na casa de todos os portugueses, para que o Ministério das Finanças possa calcular os novos impostos que aí vêm.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Os Sem-Vergonha

Fernando Ulrich: «Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?»

Eu: Oh insolente e sem-vergonha, porque não te calas?

sábado, 26 de janeiro de 2013

Junta de Freguesia PSD da Portela a explorar trabalho forçado de desempregados.


Mas diz aos que lá trabalham, obrigados (para não ficarem sem subsidio de desemprego) e à borla, que isso "tem como principal objectivo a aquisição de competências socio profissionais, designadamente, nas áreas de jardinagem e limpeza urbana, por parte dos intervenientes, o que lhes permitirá uma integração mais fácil na vida activa"

(O subsidio de desemprego não é uma prestação social paga com o dinheiro dos contribuintes, é dinheiro proveniente de descontos dos salários dos trabalhadores, é um direito, sem contrapartidas). 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Queridos Banqueiros

 
"O dinheiro destinado pela troika à recapitalização dos bancos não deve ser usado para outros fins", decretou o senhor Olli Rehn, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (leia-se, anjo da guarda dos banqueiros), porém, esqueceu-se de acrescentar que o dinheiro destinado ao reequilíbrio orçamental, à protecção da economia e da população trabalhadora não deve ser usado para cobrir falcatruas bancárias.
 
Enquanto isso, neste torrão lusitano, com os trabalhadores sob confisco e apertada vigilância da troika, alguns administradores do BES continuam a contas com a justiça, em processos em que há suspeitas de terem sido realizadas operações irregulares com títulos da EDP, bem como o eventual pagamento de luvas a troco de informação privilegiada sobre as privatizações da EDP e da REN, operações que renderam 3,3 mil milhões de euros. O dinheiro desta segunda irregularidade terá circulado através de empresas controladas pela Akoya, sociedade suíça investigada no âmbito do processo “Monte Branco”, cujo desfecho se aguarda, com natural expectactiva.
 
Entretanto, Ricardo Salgado, o virtuoso presidente do BES, e também conselheiro-sombra do governo para a área financeira, devido a um “lamentável esquecimento”, e não a uma intencional tentativa de fuga ao fisco, como por aí se diz, correu a fazer mais uma rectificação às suas declarações de rendimentos, para efeito de IRS, o que resultou em mais 4,3 milhões de euros que teve que entregar aos cofres do Estado.