terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Queridos Banqueiros

 
"O dinheiro destinado pela troika à recapitalização dos bancos não deve ser usado para outros fins", decretou o senhor Olli Rehn, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (leia-se, anjo da guarda dos banqueiros), porém, esqueceu-se de acrescentar que o dinheiro destinado ao reequilíbrio orçamental, à protecção da economia e da população trabalhadora não deve ser usado para cobrir falcatruas bancárias.
 
Enquanto isso, neste torrão lusitano, com os trabalhadores sob confisco e apertada vigilância da troika, alguns administradores do BES continuam a contas com a justiça, em processos em que há suspeitas de terem sido realizadas operações irregulares com títulos da EDP, bem como o eventual pagamento de luvas a troco de informação privilegiada sobre as privatizações da EDP e da REN, operações que renderam 3,3 mil milhões de euros. O dinheiro desta segunda irregularidade terá circulado através de empresas controladas pela Akoya, sociedade suíça investigada no âmbito do processo “Monte Branco”, cujo desfecho se aguarda, com natural expectactiva.
 
Entretanto, Ricardo Salgado, o virtuoso presidente do BES, e também conselheiro-sombra do governo para a área financeira, devido a um “lamentável esquecimento”, e não a uma intencional tentativa de fuga ao fisco, como por aí se diz, correu a fazer mais uma rectificação às suas declarações de rendimentos, para efeito de IRS, o que resultou em mais 4,3 milhões de euros que teve que entregar aos cofres do Estado.

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