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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

AUMENTOS DO IRS
Com o PSD e CDS o sacrifício maior é sempre para os que menos têm.


Se o seu rendimento colectável de 2011 foi dez mil euros, pagou de IRS 1550 euros. Já se o seu rendimento colectável foi dez vezes superior, cem mil euros, pagou 36050 euros.

Com a nova tabelas em discussão na AR, acrescida da sobretaxa de 4%, um rendimento colectável de dez mil euros passa a pagar 2270 euros, e um de cem mil euros irá pagar 43720 euros.

Ou seja, para quem tem um rendimento colectável de cem mil euros/ano o aumento do IRS será de 22%. Já para quem tem um rendimento colectável dez vezes menor, dez mil euros/ano, o aumento do IRS será de 46%.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sondagens da Católica
ENTRE MAIO E SETEMBRO PSD E PS PERDEM MUITO MAIS DO QUE PARECE, O CDS EM VEZ DE SUBIR, DESCE, E SÓ A CDU É QUE SOBE.

Quadro 1

Não sei se isso também acontece ao estimado leitor mas, por vezes, quando olho para os números duma sondagem não consigo deixar de me interrogar: como é possível? Depois de tudo o que ouvimos na rua, depois das Manifs de 15 de Setembro como é possível que o PSD tenha ainda o apoio de 24% dos portugueses? E a resposta afinal é simples: não tem, agora nem sequer chega aos 10%.

As sondagens tentam prever qual será o resultado duma eleição e, umas vezes melhor outras pior, lá se vão aproximando. O problema maior são as outras ilações que, erradamente,  vemos serem tiradas das sondagens, o que em parte decorre da forma como as sondagens são apresentadas.

De acordo com a Ficha Tecnica da sondagem da Católica efectuada de 15 a 17 de Setembro deste ano, dos 1132 inquiridos apenas 9,6% disseram que votariam no PSD e, um pouco mais, 12,4% no PS. Longe, muito longe dos 24% e 31%, como os resultados são apresentados. No quadro seguinte temos as percentagens reais de cada um dos partidos:

Quadro 2

Assim apenas 12,4 % deram o seu "voto" aos partidos da coligação do Governo, e 24,8 % aos partidos que apoiam o programa da troika: PS, PSD e CDS. O que desmente o tão apregoado consenso nacional e  a mui enaltecida extrema paciência do povo português.

Mas para além da forma como os dados são apresentados nos sugerir uma imagem bem diferente da realidade, pode também distorcer certos tipos de análise dos resultados. Por exemplo na apresentação da sondagem da Católica de Setembro diz-se que o PSD, entre Maio e Setembro, desceu 12%, que o PS desceu 2%, e que os outros partidos subiram, uns mais outros menos. Será mesmo assim?

Se, tal como fizemos para os dados da sondagem de Setembro, olharmos para os dados da sondagem da Católica de Maio, vemos que nessa altura foram as seguinte as percentagens obtidas por cada um dos partidos:

Quadro 3

Agora, com base nos dados dos Quadros 2 e 3, ou seja nas respostas dadas para cada um dos partidos em Maio e Setembro de 2012, é fácil calcular a evolução verificada nesse  período:

Quadro 4

Surpreendido? Também eu que não fazia ideia que os valores fossem tão expressivos. Em 5 meses, entre Maio e Setembro, em vez dos 12% anunciados (ver Quadro 1) o PSD perdeu 45% do apoio; o PS, que muita gente pensa que se aguentou bem, que teria descido apenas 2%,  afinal o PS desceu 23%;  o CDS é  apresentado como tendo subido 1%, quando ao contrário o CDS desceu quase 5%; quanto ao BE também não subiu  2%, o BE não subiu nem desceu, apenas aguentou, bem, o resultado da sondagem de Maio. Tudo visto,  apenas a CDU subiu, uns significativos 18%.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

EQUIDADE À BURLÃO PASSOS
Ou como o Governo PSD/CDS reparte os sacrifícios entre os rendimentos do trabalho e do capital.


A propósito das declarações do Presidente do Tribunal de Contas, que veio lembrar que no Acórdão que declara a inconstitucionalidade do corte dos subsídios de Férias e de Natal, a expressão detentores de rendimentos se refere tanto a rendimentos do trabalho como do capital, logo apareceu Passos Coelho num ecrã de TV a dizer que a equidade nos sacrifícios pedidos aos detentores de rendimentos do capital já estava assegurada visto o IRC, imposto sobre o rendimento dos capitais, ter subido de 20 para 25%, ou seja um aumento de 25%.

Vejamos então como é que se esse aumento se compara com os sacrifícios impostos a um casal de reformados (que por acaso até tenham ambos trabalhado toda sua vida no privado), um com uma reforma de 1000 euros, e outro com uma de 800 euros. Se não tiver quaisquer deduções, o casal teria de pagar por ano 1840 euros de IRS. Se somarmos a isto o confisco do 13º e 14º mês, o casal vê o seu contributo agravado em mais 3600 euros, ou seja mais cerca de 200%; passam a descontar o triplo.

Portanto para Passos equidade dos sacrifícios é os rendimentos do capital serem agravados  25%, e os dum casal de reformados 200%.

terça-feira, 27 de março de 2012

ARITMÉTICA DA EXTINÇÃO DE FREGUESIAS NA ZONA ORIENTAL DO CONCELHO DE LOURES.


Das 13 freguesias urbanas do concelho de Loures (considerado de nível 1), 10 situam-se na zona oriental do concelho, e nenhuma destas 10 atinge os 20000 habitantes apontado como limite mínimo (pag. 6) na proposta de lei de Extinção de Freguesias do Governo PSD/CDS. Apenas 2 freguesias do concelho, Loures e Santo António dos Cavaleiros, da zona ocidental, têm mais de 20000 habitantes.

Como, para além desse limite, a proposta de lei impõe ainda uma redução de 55% do numero de freguesias urbanas (pag.8), teria que se reduzir para 6 o atual numero de 13 freguesias urbanas do concelho de Loures, e sendo natural que duas dessas 6 freguesias fossem, sós ou com a integração de freguesias vizinhas, Loures e Santo António dos Cavaleiros, para se cumprir os critérios da lei teriam de se reduzir as atuais 10 freguesias da zona oriental a apenas 4.

Ou seja, não se trataria apenas de freguesias maiores juntarem a si uma freguesia vizinha de menores dimensões, mas de ter de se fundir numa única freguesia duas de maior dimensão, ou mesmo de se juntar 3 freguesias numa única, o que por mais voltas que se desse acabaria sempre por resultar em qualquer coisa semelhante ao seguinte absurdo:
  • Santa Iria Azóia (18240) + São João Talha (17252) = 35492
  • Sacavém (18469) + Bobadela (8839) = 27308
  • Camarate (19789) + Apelação (5647) + Unhos (9507) = 34943
  • Moscavide (14266) + Portela (11809) + Prior Velho (7136) = 33411

Uma outra hipótese seria retalhar algumas freguesias e distribuir o seu território pelas freguesias vizinhas, como por exemplo acabar com a freguesia da Portela e integrar uma parte em Moscavide e outra em Sacavém, voltando à situação anterior à da sua criação em 1985.

Com os critérios alucinados (Mota Amaral dixit) definidos na proposta de lei é possível conceber uma grande variedade de soluções abstrusas e disparatadas como a ensaiada acima, o que não é possível é encontrar uma única solução com um mínimo de bom senso, capaz de salvaguardar o carácter de proximidade dos serviços prestados às populações pelas juntas de freguesia ou de manter a proximidade eleitores/eleitos, sempre tão defendida na teoria, mas sempre tão ignorada na prática.

E como bom senso é coisa que não assiste aos fundamentalistas do neo liberalismo tuga, apenas obcecados em ir ainda mais além do que aquilo que a troika nos quer impor, a solução para derrotar esta aberração legislativa do Governo PSD/CDS terá de contar com o protesto generalizado das populações, incluindo a participação na Manifestação em defesa das Freguesias convocada pela ANAFRE para o próximo sábado 31 de Março pelas 14:30 do Marquês de Pombal ao Rossio.



Ver também:
Lei de Extinção de Freguesias PSD DA PORTELA QUER ANEXAR TERRITÓRIO DE MOSCAVIDE E DOS OLIVAIS.