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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mais Um Cambalacho para o Povo Resolver

O SERVIÇO de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), tutelado pelo Ministério da Saúde, pagou a três consultoras (CapGemini, Accenture e SGG Deloitte), contratadas sem concurso público, até ao final de 2009, mais de 21 milhões de euros, pelo seu envolvimento na constituição de três unidades de serviços partilhados, sem qualquer estudo prévio de viabilidade económico-financeira. Como milagres é coisa cada vez mais escassa, veio a verificar-se a falência do modelo, o que gerou um prejuízo quatro vezes superior ao registado nesse ano por aquele organismo.
Depois disto, quase que garanto que alguém, sem puxar muito pela cabeça, terá sugerido uma solução, simples e escorreita, para compensar as perdas sofridas e voltar tudo ao seu lugar: como o povo é próspero, sereno e compreensivo, de uma penada, aumentavam-se as taxas moderadoras e reduziam-se as isenções das mesmas. Ora, como já foi prometido, a solução vai entrar em vigor no dia 1 de Janeiro de 2011, pondo o povo a solucionar mais aquele respeitável cambalacho.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Estado de Indigência

COMO 2 (duas) prendas de Natal deste exuberante “estado social”, atrasadas é certo, mas indubitavelmente, como prendas de Natal, aí temos o Dec.Lei 1319/2010, que estabelece quem passa a estar isento de pagamento de taxa moderadora nos serviços de saúde. Como diz o blog DELITO DE OPINIÃO, que fez o favor de fazer uma síntese desta maldade, apenas terão direito a isenção os pensionistas, os desempregados e os seus familiares, incluindo filhos menores dependentes, cujos rendimentos (incluindo rendimentos de capitais e prediais) não ultrapassem o salário mínimo nacional, na sua exorbitante quantia de 485 euros mensais.
Já a segunda prenda, o Dec.Lei 1320/2010, estabelece os novos valores para essas mesmas taxas moderadoras. Por exemplo, o valor para uma urgência polivalente, que passa a custar a módica quantia de 9,60 euros, é quase 2% do rendimento mensal de quem tem 490 euros de rendimento mensal, e já não está ao abrigo das isenções de quem aufere o ordenado mínimo nacional. Está claro que este “estado social”, glorificado por José Sócrates no seu discurso natalício de há cinco dias atrás, não tem nada a ver com a realidade que nos rodeia, que tem mais a ver com o verdadeiro “estado de indigência” que esse mesmo Sócrates continua a instalar entre nós. Moral da história: com amigos destes, não precisamos de inimigos, e acabamos o ano em beleza!