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sexta-feira, 19 de junho de 2015

MORRER INCÓGNITO NA VALORSUL?


Faz hoje uma semana que partilhei no Facebbok uma noticia da FIEQUIMETAL  que dava conta da morte dum trabalhador na Valorsul.

Sabem, da Valorsul aqui a meia dúzia de quilómetros donde muito de nós moramos? Da Valorsul que trata o lixo que fazemos diariamente em Loures e noutros concelhos da área de Lisboa? Da Valorsul de que, através das Câmaras da região e do Estado, até somos accionistas?

Pensei na altura que a noticia do sindicato iria gerar já não digo uma onda, mas ao menos alguma simpatia e solidariedade; pensei que a Valorsul ou a Câmara de Loures iriam emitir um comunicado a lamentar a morte e a solidarizar-se com a família enlutada; pensei que seria anunciado um Inquérito rigoroso e independente para que, na eventualidade da morte do trabalhador ter sido provocada por alguma falha evitável, tentar que tal não volte a repetir-se no futuro.

Como se diz no comunicado da Fiequimetal "morrer a trabalhar é intolerável e não pode ser encarado como natural".

Talvez a comunicação social até tenha dado noticia do infausto acidente, talvez os meus amigos do FB tenham ficado chocados e manifestado a sua solidariedade, talvez a Valorsul, ou a Câmara, tenham tomado posições publicas, talvez tudo isso e muito mais tenha acontecido, e seja apenas eu que não dei por nada.

Aliás para ser franco, perante este pesado silêncio, o que eu gostava mesmo é que tivesse havido por aqui um qualquer mal entendido e que afinal nenhum trabalhador precário tivesse morrido na semana passada ao serviço da Valorsul, ao serviço de muitos de nós.

terça-feira, 16 de junho de 2015

CIGANOS NÃO CABEM NO "LOURES LIVRE DE RUMORES"


Pelo que leio no suplemento dedicado ao Projecto "Loures Livres de Rumores" trata-se duma iniciativa louvável e oportuna, um Projecto para identificar e combater os principais estereótipos e preconceitos que se mantêm em torno de imigrantes e minorias étnicas.

Enquanto em Portugal, e duma maneira geral, os imigrantes encontram junto das populações de acolhimento uma boa receptividade, já no que se refere aos ciganos, apesar de há cerca de cinco séculos viverem entre nós, continuam a ser a minoria mais descriminada e sujeita ao tipo de estereótipos e preconceitos que aquele Projecto visa combater.

No entanto, embora quer no suplemento quer na Página do FB deste Projecto, veja referências concretas a diversas comunidades imigrantes que vivem no concelho, não descortino qualquer referência a ciganos (palavra que nem sequer aparece quer no suplemento quer nos posts do Facebook), o que, sendo pena, provavelmente se deve apenas ao facto de o "Loures Livre de Rumores" ser um projecto financiado pela UE dirigido a imigrantes.

Estando agora a Câmara de Loures, na sequência do Projecto "Loures sem Rumores", a preparar um "Plano Municipal para a Integração de Imigrantes", seria bom que o seu âmbito fosse alargado às Minorias, com particular atenção para a tão mal resolvida "questão cigana", comunidade que apesar de pequena (estima-se em 50 mil o numero de ciganos a nível nacional) tem uma expressão com algum significado no concelho de Loures.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

LOURES EM CONGRESSO: MANIFESTO CONTRA (QUASE TODAS) AS CICLOVIAS


Uma grande vantagem, e encanto, de andar de bicicleta é a liberdade de, dentro de óbvias limitações, escolhermos o percurso que mais nos agrada ou convém, quer no "uso quotidiano", para irmos para o trabalho, a escola, às compras, ou encontrarmo-nos com amigos, quer no "uso recreativo" quando a bicicleta é a nossa companheira de agradáveis passeios. Por isso é com grande relutância que encaro a recente moda de construção de ciclovias, a que aderem cada vez mais autarcas ansiosos de apresentarem, entre a sua prolífica "Obra Feita", mais uns quantos Kms de ciclovia.

Claro que há casos em que a ciclovia é o único meio seguro, ou até possível, de permitir o uso da bicicleta, e aí são as ciclovias muito bem vindas. Já quando as ciclovias se destinam a impor caminhos aos ciclistas, a encarneirá-los num percurso decidido por um qualquer burocrata da mobilidade, ou vendedor de ciclovias, os resultados são quase sempre rísiveis, como acontece com a "ciclovia do Teixeira", no meio dum passeio imagine-se, ali na Avenida da Índia em Sacavém, onde até hoje não vi ainda circular uma única bicicleta. Isto já para não falar do dinheiro esbanjado nestes pequenos "elefantes brancos".

Leio agora no jornal de Moscavide e Portela, com alguma surpresa (nunca tinha ouvido falar nisso), haver no concelho de Loures "aprovada uma rede com 217 km de percursos cicláveis", provavelmente uma boa parte em ciclovia, pois diz também o jornal, em titulo, que a tal rede inclui a "criação de uma ciclovia entre Sacavém, Portela e Moscavide". O que até podia ser uma boa ideia se em Sacavém, na Portela e em Moscavide, houvesse, o que não é o caso, ciclistas de "uso quotidiano" que com a construção dessa ciclovia vissem facilitada a circulação entre estas localidades.

O que há no entanto nesta zona do concelho são ciclistas de "uso recreativo", ciclistas de fim de semana, utilizadores habituais da parte ribeirinha da Expo que é provavelmente a zona mais frequentada por ciclistas de recreio de toda a região de Lisboa, e onde, tomem bem nota, não existe NENHUMA ciclovia. O que mostra bem que criar condições para o uso da bicicleta não passa sempre, passa até muito pouco, pela construção de ciclovias.

O mesmo se aplica ao "uso quotidiano" da bicicleta, onde um dos requisitos básicos é a flexibilidade dos percursos, que permitam usar o caminho mais curto para ir de A a B. Por exemplo aqui na Portela para o "uso quotidiano" da bicicleta (que não existe mas que seria positivo promover) optar pelas ciclovias seria ou construir uma ou duas ciclovias, o que era insuficiente, ou fazer uma ciclovia em cada rua, o que seria absurdo.

Mas há uma alternativa melhor. Dizem os especialistas, e a experiência comprova, que para um limite de velocidade de 30 km/h é seguro ter bicicletas a circular misturadas com o tráfego normal, possibilidade que as novas disposições de protecção ao ciclista do Código da Estrada veio reforçar. Ora aqui na Portela (e creio que noutras localidades do concelho de Loures) o limite de velocidade é já hoje de 40 km/h, pelo que bastaria reduzir 10km/h ao limite de velocidade para resolver, sem ciclovias e com poucos custos, o problema do "uso quotidiano" da bicicleta.

Voltando à anunciada ciclovia a ligar Sacavém, Portela e Moscavide, que não se percebe para que serviria, dado não existirem por aqui ciclistas de "uso quotidiano", melhor seria dar prioridade aos ciclistas que de facto existem, os de "uso recreativo", que aos fins de semana vão dar umas pedaladas para o Parque das Nações, e que gostariam de ver melhorada a segurança dos percursos que ligam os lugares de residência à zona ribeirinha. Percursos onde existem diversos "pontos negros" que, a não serem resolvidos, mais dia menos dia ainda podem vir a provocar acidentes graves.

Faço por isso votos que, para além da rede de percursos cicláveis do concelho, se estudem e concretizem medidas que facilitem o uso mais alargado e flexível da bicicleta como meio de mobilidade e de recreio, que levem em conta as condições concretas de cada localidade e respeitem as palavras de Bernardino Soares quando afirma pretender a Câmara de Loures "uma abordagem a novas práticas de mobilidade, mais suaves e alternativas" o que, no que se refere à bicicleta, deverá dar especial ênfase às questões da segurança dos ciclistas, aproveitar e rentabilizar infra estruturas existentes, e não insistir na construção de ciclovias que custam dinheiro e que ninguém usa.

Adenda:
O que a noticia do jornal fala é de 217 km de "percursos cicláveis" que se bem entendo é uma designação genérica que incluirá:
a) as pistas cicláveis propriamente ditas (do tipo e com aquele material da "pista do Teixeira" ver foto);
b) outros tipos de percurso, como por exemplo uma estrada ou rua já existente onde se pintam umas bicicletas no chão e se põem uns sinais verticais,
c) ou simples trilhos de terra batida, como aquele à beira do Trancão que começa em Sacavém e vai pela Várzea adentro.

Obviamente a relutância aqui revelada às ciclovias que só servem para "mostrar obra" (tipo "ciclovia do Teixeira" que se vê na foto) não é extensiva, antes pelo contrário, aos outros tipos de percursos cicláveis, que são geralmente boas soluções para a utilização de bicicletas, quer para "uso quotidiano" quer para "uso recreativo".

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL PARA OS TRABALHADORES DA RECOLHA DE LIXO DE LOURES


Que este ano, ao que sei pela primeira vez, vão poder passar, como muitos de nós, os dias da quadra natalícia com a família ou amigos.

À Câmara CDU de Loures a minha total concordância e aplauso por, mesmo enfrentando eventuais incompreensões, ter tomado mais uma medida (*) reveladora do seu, e acrescento do nosso como munícipes, respeito pelos trabalhadores do SIMAR.

Sinceramente, preferia não estar a escrever estas linhas. Em pleno sec. XXI, nesta Europa de tradição democrática e social, o que seria normal era cada empresa, cada instituição, revelar, já nem digo o apreço pelo trabalho dos que estão ao seu serviço, mas ao menos o respeito por uma coisa tão básica como é o Natal em família.

Mas as coisas são aquilo que estão a fazer delas e o que devia ser normal torna-se excepção louvável. Mas outros Natais virão e, tal como o 25 de Abril chegou antes do que pensava, talvez, se fizermos por isso, ainda estaremos um dia destes por aqui a falar destes tempos desgraçados como coisa do passado.

Enfim um Feliz Natal para todos, e uma saudação muito especial para os que por motivos imperiosos, ou que mesmo sem necessidade relevante, terão de passar o Natal arredados dos que lhes são queridos.


(*) Os Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos (SIMAR), informam que o serviço de recolha de resíduos não será realizado nos seguintes períodos: – Diurno: dias 24 e 25 de dezembro e 1 de janeiro; – Noturno: noites de 24 para 25 e de 25 para 26 de dezembro, e de 31 de dezembro para 1 de janeiro de 2015. O respetivo serviço será retomado nos dias 26 de dezembro e 2 de janeiro de 2015.

Ver aqui Comunicado da Câmara de Loures.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

UMA PESSOA DE NOME ABREU QUE MANDA NA LOURES PARQUE QUE MANDA NAS RUAS DE MOSCAVIDE


Uma pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, esteve ontem numa reunião muito concorrida, aqui na minha freguesia, para nos dizer que agora vai passar a ouvir o que as pessoas de Moscavide pensam da Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide.

Derivado do que devemos ficar todos muito agradecidos por este gesto magnânimo da pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, pois como teve a bondade de explicar às ignaras gentes de Moscavide ali reunidas, há já 14 anos que a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, não ouvia as pessoas de Moscavide que não mandam nas ruas de Moscavide.

Ficámos ainda a saber que a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, agora também fala com a Câmara Municipal de Loures que julgava eu que mandasse nas ruas de Moscavide, mas isso sou só eu que ainda sou do tempo em que não havia a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, nem todas aquelas PPP e empresas municipais que tanto têm feito pelo progresso do País, do concelho de Loures, e obviamente das simpáticas pessoas de Moscavide.

Derivado do que nesses tempos recuados, segundo a pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, a dita Moscavide era um completo e total Caos automobilístico, coisa de que nem eu nem as suburbanas pessoas de Moscavide se tinham sequer apercebido, provavelmente derivado de não estarmos ao corrente dos mais modernos conceitos de ordenamento automobilístico, rotatividade de estacionamento e outras coisas que, para além das praxes, a nossa juventude vai aprender para as universidades.

Claro que até vos podia contar aqui tudo o que lá se passou na reunião, embora bem espremido aquilo não deu nada, mas derivado dos meus múltiplos afazeres, nem eu posso estar para aqui a desbobinar (espero que o patrão pense que estou a acabar aquele mapa de stock que devia ter ficado pronto anteontem), nem vocês têm tempo ou pachorra para ouvir falar mais de cenas de caça à multa, fiscais da Loures Parque com tiques fascistas, carros bloqueadados e rebocados, ou do motorista de táxi que apanhou uma multa de 30 euros por ter ajudado a levar uma mala duma cliente octogenária ao 2º andar duma das ruas de Moscavide em que quem manda é a Loures Parque.

Mas ainda assim quero só dizer-vos que o momento mais divertido da reunião, e que pôs o pessoal todo a rir à gargalhada, foi quando a pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, revelou que a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide não está cá nem para fazer caça à multa nem para extorquir dinheiro às pessoas de Moscavide que não mandam, mas que deviam mandar, nas ruas de Moscavide.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DO QUE ELES FALAM QUANDO FALAM EM POUPAR
A propósito da discussão pública do Orçamento da C.M.Loures para 2015


Com dois dias de diferença leio no Publico duas noticias que dão conta de como o Estado "poupa" em despesas com crianças.

A primeira noticia é de 20/9/2014 http://bit.ly/1mJu95l e diz que a Segurança Social “poupou” 18,6 milhões de euros nos apoios às crianças com necessidades especiais, e a outra, de 22/9/2014 http://bit.ly/1pbE1jR , diz que a Câmara de Loures conseguiu "poupar" 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares.

Só que o "poupar" no caso dos 18,6 milhões de euros na Segurança Social quer dizer um corte de 13,4 milhões de euros de apoios a crianças com necessidades educativas especiais, de 26,3 para 12,9 milhões de euros, mais de 50%, e outro corte de 5,2 milhões aos subsídios por educação especial e bonificação do abono de família para crianças e jovens com deficiência, o que somado dá o tal "poupar" de 18,6 milhões de euros.

Já na Câmara de Loures o "poupar" de 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares, não implicou quaisquer cortes nem na quantidade nem na qualidade das refeições fornecidas às crianças, o que houve de facto foi mais um caso do combate à ineficácia, despesismo, e favorecimento de clientelas, que caracterizaram a anterior gestão PS Loures na câmara.

Claro que quem leia as duas noticias constatará facilmente a natureza oposta entre o "poupar" da Segurança Social e o da Câmara de Loures, mas o problema é que para a grande maioria o que conta é o titulo, e a ideia que poderá ficar é que tal como Rui Ramos vaticinou há cerca de um ano no Expresso, de que perante a Crise e o estado em que o PS deixou a câmara de Loures, não restaria a Bernardino Soares e à CDU fazer na Câmara de Loures, o que Passos Coelho e e PSD/CDS estão a fazer no país. Prognóstico que até à data está a sair completamente furado.

Num contexto de sérias dificuldades financeiras, decorrentes da situação em que o PS Loures deixou a câmara, e dos agravados cortes e restrições do governo PSD/CDS às autarquias, resolveu o novo Executivo CDU levar à discussão publica o Orçamento da Câmara para 2015.

Saudando a iniciativa aqui deixo os meus votos para que eleitos e munícipes saibam distinguir entre as diversos modos de conjugar o verbo "poupar", e que a discussão não se centre no que não será possível avançar agora, mas no muito que, apesar das dificuldades, é necessário e possível fazer para vivermos melhor no concelho de Loures.

sábado, 1 de março de 2014

CÂMARA DE LOURES: PARECE QUE NESTE CASO FOI O LADRÃO QUE DEU EM FRADE.



Diz um ditado popular que quando um frade e um ladrão se juntam, ou o ladrão dá em frade ou o frade dá em ladrão, sendo esta ultima hipótese a mais provável.

Terá sido talvez este o raciocínio que, no passado Outubro, fizeram muitos daqueles que condenaram o acordo da CDU com o PSD para a gestão da Câmara de Loures.

Preocupações que se adensaram com a nomeação de Fernando Costa, PSD, para a Administração da Valorsul, conhecido que já era o plano do governo PSD/CDS para a privatização daquela empresa.

Contudo, passados alguns meses, o que vemos é Fernando Costa ir ao Congresso do PSD manifestar-se contra a privatização da Valorsul o que, com o devido respeito para Fernando Costa (o ladrão nesta estoria é o PSD), me leva a concluir que neste caso, ao contrário do que será habitual, não foi o frade que deu em ladrão, mas o ladrão que deu em frade.

FB 1/3/2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

FAMÍLIAS MULTI DESAFIADAS


No tempo da outra senhora havia um tipo em Abrantes que dedicava os seus tempos livres a inventar anedotas sobre Salazar.

Parece que agora o homem de Abrantes mudou de ramo e se ocupa a tempo inteiro a fornecer a industria da caridade e assistência social, com aqueles slogans catitas que dão um ar mais modernaço às social caritativas ruminações.

Em menos duma semana, e depois do "ROI SOCIAL" e das "TÉCNICAS DE INFORMAÇÃO VIRAL APLICADAS À PROBLEMÁTICA DA IMIGRAÇÃO" tropeço hoje na noticia dum Encontro dedicado ao tema das "FAMÍLIAS MULTIDESAFIADAS".

FB 21/2

ADENDA

Não esquecendo claro o CURSO DE MARKETING PESSOAL E TEATRALIZAÇÃO EMPRESARIAL

domingo, 26 de janeiro de 2014

TRIÂNGULO DAS BERMUDAS NA PORTELA E MOSCAVIDE?


O prezado leitor já deve ter ouvido falar no Triângulo das Bermudas, uma zona dos mares das Caraíbas onde, de vez em quando, sem deixar rasto nem vestígios, barcos grandes e pequenos desaparecem misteriosamente.

Pois parece que aqui ao pé da porta, na Portela e Moscavide, durante o mandato de Carlos Teixeira, algo de semelhante aconteceu: um terreno municipal, de forma triangular, entre os Bombeiros, o Seminário, e a rotunda do Pingo Doce, terá também desaparecido misteriosamente do património da Câmara de Loures.

Sabemos que em 2007 o terreno ainda pertencia à câmara, pelo menos é isso que podemos ler no Loures Municipal nº 29 de Junho de 2007, que anuncia a assinatura dum protocolo entre a câmara e a Sogiporto para ali construir, em terreno MUNICIPAL, 68 fogos para alojar famílias da Quinta da Vitória.

Ora naquele triângulo nada foi construído para os moradores da Quinta da Vitória, que acabaram realojados noutras paragens, e o que lá está agora são umas palmeiras e um pavilhão de venda da 2ª fase do loteamento dos Jardins do Cristo Rei, o que me leva a deixar aqui as seguintes perguntas:

a) Aquele terreno municipal foi vendido? Quando? E por quanto?

b) Foi permutado? Por outro? Que está onde?

c) Foi oferecido? A quem? E a propósito de quê?

d) Ou terá sido engolido pelo fatídico triângulo das Bermudas, perdão, triângulo da Portela e Moscavide?

FB 26/1

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Na Campanha da CDU
O CIGANO DO BARRO, LOURES, QUE ACHA QUE ISTO AGORA TEM DE MUDAR


Só me apercebi que era cigano quando depois de me dizer que sempre tinha votado PS, acrescentou que esse, em todo o lado, tinha sido sempre o voto do seu Povo.

Mas desta vez não vai votar PS. É que isto não pode continuar assim, e se eu acho que se pode continuar a votar naqueles que puseram o país nesta desgraça. Cortam nas reformas, despedem trabalhadores, e não resolvem nada. Quem é que me vai comprar a roupa nos mercados? Acha que são os ricos? Claro que não são, o meu negócio é com os pobres, com quem trabalha, com os reformados que têm uma pensão pequena, e todos eles agora têm cada vez têm menos.

Ao meu irmão mais velho, começaram por reduzir na Inserção, que já era uma miséria de duzentos e tal euros, depois cortaram-lhe tudo, a ele que sempre foi às reuniões, entregou os papéis todos, nunca faltou quando o chamaram. Cortam-lhe a Inserção toda. E agora recebe uma carta da escola para os miúdos não faltarem às aulas. E comem o quê?

Isto está mal, e desta vez lá em casa vamos todos votar aqui, e abana o folheto da CDU com a fotografia do Bernardino e do Manuel Glória. E a finalizar a conversa, com um sorriso matreito explica: lá em casa há liberdade para cada um votar onde quiser, mas votam todos onde eu digo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Adão Barata, as pessoas primeiro


A Junta de Freguesia de Camarate promoverá na próxima quarta-feira, dia 25 de Abril de 2012, às 11 horas, na Urbanização do Parque das Oliveiras, em Camarate, uma homenagem, toponímica, ao Eng. Adão Barata.

Não posso deixar de me regojizar com a iniciativa e aplaudir a Junta de Freguesia e, em particular o Presidente Arlindo Cardoso.

É uma circunstância a que me associo entusiasticamente, porque não esqueço a promessa que eu próprio fiz publicamente de "procurar fazer justiça" à sua memória e legado político.

Recordo não poucas vezes - quando olho para o panorama político local e nacional - que tive o grato privilégio de trabalhar com Adão Barata na Câmara Municipal de Loures, para além do que partilhámos pessoalmente nos anos em que nos viamos diariamente, várias vezes ao dia e a qualquer hora.

Efectivamente, permito-me considerar que o Comendador Adão Barata foi um político "fora de tempo" e, provavelmente, "fora de contexto". De facto, alguém com os seus valores, os seus princípios e a sua conduta, em todas as circunstâncias, constitui negação dos canones políticos e partidários vigentes.

Profundamente humano e intrinsecamente humanista, o slogan "as pessoas primeiro" deve aplicar-se-lhe como a sua identidade política primeira, em nada se aparentando ou confundindo com aqueles que o usaram ou usam como expressão eleitoralista e demagógica.

De resto, acredito que Adão Barata perdeu as eleições quando era Presidente do Município, porque não aceitou fazer, naquele momento eleitoral, o que precisava ter sido feito para obter sucesso. Ser genuíno, fiel a si próprio e dar a primazia aos interesses das pessoas, obstaram a que fizesse uso de alguns truques eleitorais, que embora legítimos e frequentemente utilizados, não se coadunavam com a sua forma de estar e ver o mundo.

Competente e de honestidade a toda a prova, "pecava" na sua inabalável crença nos homens, que inúmeras vezes lhe retribuiram com injustiças, desfaçatez e até desrespeito.

Selava compromissos com um aperto de mão ou com as conceituadas palmadas nas costas com que brindava homens ou mulheres com quem se cruzava ou trabalhava. Tudo fazia por honrar os compromisso que assumia, dos mais singelos aos mais complexos.

Se houve alguém que o Concelho de Loures mereceu ter como Presidente da Câmara, foi o Eng. Adão Barata.

A sua constante preocupação com o bem-estar dos municípes, impunham-lhe um incansável regime de trabalho, uma dedicação invejável, uma disponibilidade permanente, a reflexão constante, a empenhada audição de opiniões sobre o que fazer e como fazer.

O seu exemplo de homem e político, está a uma distância astronómica do que vulgarmente por aí podemos ver. Adão Barata nunca teria aceite - na sua natural humildade - que lhe tivesse sido atríbuido um topónimo, mesmo que tivesse realizado um acto heróico invulgar, muito menos numa qualquer tola manifestação de injustificada vaidade pessoal e oportunismo.

Dedicado como poucos ao seu partido, de que foi membro do Comité Central, alheio a obscuros manobrismos partidários e, ideológicamente convicto, opôs-se internamente a purgas, afastamentos injustos e despropositadas punições disciplinares que apoucavam o debate de ideias, desrespeitavam os estatutos e ridicularizavam os princípios partidários. De novo e como sempre, o principio de "as pessoas primeiro", determinou o seu afastamento pouco ético do orgão de direcção partidária, pelo intolerante grupo detentor do poder.

A louvável iniciativa da Junta de Freguesia de Camarate, homenageia o homem, o lutador, o devotado e digno servidor da causa pública. Homenageia o humanista e por seu intermédio as pessoas que hoje, como nunca antes após o 25 de Abril - cujo aniversário se celebra - sofrem e estão à mercê de potencias estrangeiras, subservientes governantes e desenfreados interesses financeiros que promovem o retrocesso civilizacional, a sobre-exploração, a pobreza e a deseducação, que negam o inalienável direito ao trabalho com direitos, o desenvolvimento, a cultura e a saúde, que aviltam a independência e a dignidade nacional.

A justa homenagem ao Eng. Adão Barata é por isso também um grito de inconformismo e revolta. De oposição ao rumo do país e do Município. É um combativo reafirmar "AS PESSOAS PRIMEIRO", 38 anos após Abril das esperanças mil.

Falta agora, na minha opinião, o nascimento do "Centro de Impulso ao Desenvolvimento Adão Barata" que promova a análise e estudo das oportunidades do Concelho de Loures no contexto metropolitano, nacional e, mesmo, internacional, em ordem à promoção de um desenvolvimento sustentável nos domínios económico, ambiental e cultural, tendo como fim ultimo o bem-estar dos cidadãos e proporcionar um futuro digno, livre, democrático, formado e informado às novas gerações. 


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Câmara de Loures rejeita extinção de freguesias
PORTELA ENTRE AS FREGUESIAS ATINGIDAS PELO PROJECTO PSD/CDS.


A Câmara de Loures aprovou ontem com os votos do PS, CDU e PSD uma moção contra a extinção forçada de nove freguesias do concelho que iria destruir "uma rede de serviços públicos de proximidade que, em muitos caos, são o mais importante ou mesmo o único ponto de apoio a populações carenciadas".

Uma das freguesias em risco de extinção é a da Portela que, com os atuais 11 809 habitantes, está longe do limite mínimo de 20 000 habitantes por freguesia exigido por uma reorganização imposta "de forma administrativa e autoritária" pelo Governo PSD/CDS.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


A CML vai propor a atribuição do nome "Carlos Teixeira", actual Presidente da Câmara, à principal via de acesso ao novo Hospital "Beatriz Ângelo".

Esta proposta, tem por base uma sugestão da Junta de Freguesia de Loures, presidida pelo indicado e anunciado candidato à CML em 2013, João Nunes, é feita apesar de o Regulamento Municipal de Toponímia referir que não serão atribuídos nomes de pessoas vivas, salvo em casos extraordinários e por motivos excepcionais, e desde que aceite pelo próprio.

Não estou a falar de Marco de Canavezes, é mesmo em Loures, aqui mesmo ao lado de Lisboa.

A proposta foi aprovada em 4/1, só com os votos do PS, como pode ler no post do Eduardo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

DEMOLIÇÃO DE BARRACAS A BOM RITMO
Mais de metade coercivamente, o que não tira o sono a quem dirige a Câmara de Loures


O título, Demolição de barracas a bom ritmo, duma notícia num site da Câmara de Loures, dá logo a ideia dos objectivos da Câmara: não se trata de realojar pessoas que vivem em péssimas condições, em habitação precárias degradadas, mas de limpar o espaço para outros fins, nalguns casos de pura especulação imobiliária.

De acordo com os dados divulgados na notícia mais de metade das demolições foram feitas coercivamente, o que é apresentado como se fosse a coisa mais natural da vida, uma Câmara recorrer ao uso da força para desalojar os próprios munícipes que devia ser a primeira a defender.

Como já aqui referi antes, pelo menos na Quinta da Torre, Camarate, a população tem resistido, mas apesar disso, pelo que diz a Câmara de Loures, no primeiro semestre deste ano já foram demolidas 35 barracas.

A Acampada Lisboa, denuncia situações dramáticas que os desalojamentos estão a provocar, alerta para a previsível destruição de mais barracas na próxima 3ª feira e apela à solidariedade de todos para com as populações atingidas.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

VERÃO NO JARDIM DA PORTELA
E a Piscina da Câmara de Loures ali tão perto...


O quadro, deste início de Verão cá pelo bairro, até pode ser aprazível, mas aquela não é seguramente água com um mínimo de condições sanitárias para quem quer que seja tomar banho, muito menos crianças.

Provavelmente alguns daqueles miúdos estão entre os 4 500 do Ensino Básico a quem a Câmara PS de Loures cortou este ano as aulas de Natação Curricular, e agora é isto o melhor a que conseguem ter acesso.

Se o leitor conhece a Portela sabe que ali a cem metros de distância existe uma piscina municipal, aberta todo o dia, durante todo o ano. O que talvez não saiba é que para a frequentar em regime livre (fora regime de aulas) tem de começar por pagar 27.50 euros de inscrição e depois mais 11 euros por 45 minutos de utilização (se optar pela modalidade de 5 utilizações de 45 minutos por mês fica-lhe por 36 euros).

Para que servem as piscinas municipais do concelho de Loures?

Em primeiro lugar, para providenciar uns jobs aos boys da GesLoures, mais uma das muitas empresas municipais criadas para aquilo que sabemos.

Em segundo lugar, para quem tem dinheiro para pagar as elevadas taxas de utilização, cerca do dobro das praticadas pela Piscinas Municipais de Lisboa (apesar do aumento de preços à volta de 50% com que, nesta época de crise, António Costa do PS, Helena Roseta da cidadania e o Zé que fazia falta ao BE, brindaram este ano os lisboetas).

quinta-feira, 9 de junho de 2011

HISTÓRIAS DUM TEMPO FELIZ
(que os miúdos aqui do concelho de Loures deixaram de poder contar)


Texto colectivo dos alunos duma turma do 4º ano duma escola de Lisboa que frequentam as aulas de natação das actividades de enriquecimento curricular na Piscina do Oriente.

No concelho de Loures um programa semelhante que existia há largos anos e envolvia cerca de 4500 crianças do ensino básico foi extinto pela Câmara PS de Loures.

"Estamos pelo 3º ano consecutivo a frequentar o programa de natação curricular da C.M.Lisboa, na piscina do Oriente.
Este ano as aulas começaram em Novembro e os nossos professores são o Rodolfo e a Ana e os monitores são a Sofia e o Pedro.

A natação está a ser muito divertida (Marcelo) porque temos feito muitos jogos (Miguel).
Este ano já aprendi a boiar e a deslizar para a frente (Susana) e eu já consigo respirar por baixo de água (Mariana).
Para mim, a natação está a ser muito boa porque perdi os medos que tinha de nadar (Inês).
Eu também concordo, o problema é que quando mergulho as toucas saltam (Miguel).
Agora, eu já consigo mergulhar e abrir os olhos debaixo de água (Rodrigo). Mas eu não (Gonçalo).

A professora continua a ir connosco para dentro de água (Carlos) e ajuda-nos a ultrapassar as nossas dificuldades (Érica) e a vencer os "medos" (Daiana).
O que eu mais gosto de fazer é mergulhar como os golfinhos (Daniel) e eu gosto de saltar de cabeça por dentro do arco (Rodrigo). Eu prefiro brincar dentro de água (Diogo).
Eu gosto do meu professor e embora eu tenha algumas dificuldades, acho que estou a ir no bom caminho (Mafalda).

Este ano eu ainda não fui para dentro de água porque fui operada ao braço e tenho gesso, mas ajudo as minhas colegas a secar o cabelo, que também é importante (Bruna).
O David também tem faltado porque foi operado aos olhos. Eu sei que ele também está cheio de pena, mas o importante é que ele está a ver melhor (Sandra).

Eu agora já consigo mergulhar mais fundo (Miguel) e dar cambalhotas dentro de água (Guilherme).
A natação está a ser muito divertida, porque vou com os meus colegas (Daniel).
Aprendemos coisas novas e estamos quase a passar as etapas definidas pelos professores. Mas o que é bom acaba depressa e as aulas estão quase a terminar (Maria)."

Nota: Painel afixado na Piscina do Oriente, Lisboa. A definição da foto foi reduzida de modo a não permitir a identificação das crianças.

domingo, 15 de maio de 2011

No Bairro da Torre, Camarate: A luta valeu a pena.


"Mantendo-se firmes face a ameaças, chantagens e ilegalidades, os cidadãos do Bairro da Torre conseguiram evitar a calamidade que lhes era apresentada como 'fait accompli': serem desalojados de suas barracas com 20 dias de aviso e sem direito a habitação, por vontade da Câmara Municipal de Loures.

Mais uma vez se comprovou que a força da união e da solidariedade rasga todas as inevitabilidades e que o facto das leis estarem escritas não implica a sua aplicação, especialmente quando falamos das classes mais desfavorecidas das sociedades. Em reunião na Câmara Municipal de Loures ocorrida durante esta semana, os habitantes da Torre conseguiram obter aquilo a que têm direito: a integração no programa de financiamento para acesso à habitação Prohabita."

Ver notícia completa nos Precários Inflexíveis.

Não ver nenhuma referência ao caso no site da Junta de Freguesia de Camarate.

domingo, 8 de maio de 2011

NO BAIRRO DA TORRE, CAMARATE, LUTA-SE CONTRA DEMOLIÇÕES DA CÂMARA DE LOURES.


"Contra as Demolições, pela defesa do Direito à Habitação

A Câmara Municipal de Loures ordenou a desocupação de habitações no Bairro da Torre, na Freguesia de Camarate, com vista à demolição destas. Estas habitações não são legalizadas e são fruto da ausência de uma política de habitação que não tem respondido ao longo dos anos às carências da população com rendimentos mais baixos, ou que estão desempregados ou têm situações laborais extremamente precárias: o que auferem de rendimento não é suficiente para alugar uma casa e para suportar as despesas básicas de sobrevivência: alimentação, luz, água, gaz e transporte. Enquanto este problema continuar a existir, não se poderá acabar com as habitações ilegais, precárias, com a sobrelotação e a vivência sem condições de dignidade.

Nos anos 90 (1993) houve, no âmbito do programa PER, um recenseamento de habitantes destes bairros com vista ao seu realojamento. No entanto, tal recenseamento não identificou todas as pessoas do bairro, teve muito poucas atualizações e o tempo entre o recenseamento e o realojamento demorou tantos anos que novas famílias se constituíram (crianças que cresceram e casaram) e novas famílias se instalaram.

Assim, atualmente, temos cerca de 63 famílias, com crianças, idosos, mulheres e homens, alguns com problemas graves de saúde que, por estarem fora do recenseamento e apesar de viverem há vários anos no bairro, estão a ser intimados pela câmara para abandonar as suas habitações sem terem nenhuma alternativa. Estas pessoas correm o risco de serem atiradas para a rua, de forma desumana, constituindo este acto um atentado à dignidade, aos direitos humanos e à Constituição da República Portuguesa.

Porque sabemos que há alternativas, se houver vontade política, que respeitem a dignidade e a segurança destas populações e que defenda os seus direitos constitucionais, nomeadamente o Direito à Habitação, vamos concentrar-nos em frente da Câmara Municipal de Loures, na Praça da Liberdade, no dia 6 de Maio, sexta-feira, pelas 15h, exigindo ao Presidente da Câmara e a todo o executivo um tratamento digno, a interrupção das demolições e a procura de alternativas juntamente com os moradores.

Apelamos à solidariedade de todos e todas nesta ação onde está em causa o Direito à Habitação, não só destas populações, mas também de todos e todas que vivemos neste país.

Os moradores do Bairro da Torre"


Ver mais informação AQUI, e AQUI.

domingo, 1 de maio de 2011

DOIS 1º DE MAIO EM MOSCAVIDE


Em 1970 o Partido Comunista Português, o Partido, decidiu chamar os trabalhadores a assinalar o 1º de Maio com jornadas de luta em várias, muitas, localidades do País. Moscavide foi uma delas, e no dia 1 de Maio, muito antes da hora da saída das fábricas (nesses tempos sombrios obviamente não era feriado) estava já ocupada por uma força da policia de choque e de pides empenhados em evitar qualquer protesto.

Objectivo frustrado, pois por volta das 7 da tarde, à palavra de ordem Viva a Classe Operária, Viva o 1º de Maio, um grupo que de repente se transformou em pequena multidão, consegue arrancar da rua João Pinto Ribeiro (frente à então chamada paragem dos autocarros) e avançar pela Avenida de Moscavide antes que a policia tivesse tempo de os impedir. Aquilo que estavam ali para evitar, estava mesmo a acontecer, pelo que só lhes restava passar rapidamente ao plano B: apanhar os "cabecilhas" e descarregar porrada da grossa sobre tudo o que mexesse.

E, com o povo a recusar sair das ruas, porrada distribuíram até a noite ir já adiantada: manifestantes, passantes, homens e mulheres, novos e velhos, até um vizinho cego que regressava pacificamente a casa do seu emprego de telefonista. Escaparam os mais ligeiros, e os que lá não estavam.

O José Gouveia, que tinha sido candidato pela CDE nas "eleições" do Outono anterior (1969), e já levava duas prisões pela pide, foi ali preso pela terceira vez. Sobre ele, que desfilava na 1ª fila, caiu quase tudo o que era pide e policia, concentração de esforços que acabou por ajudar a evitar a prisão de outros "alvos".

Com pequenas escaramuças e muitas correrias, empurrão aqui finta acolá (uma rasteira a um policia que estava quase a apanhar o Manuel Candeias do Sindicato dos Metalúrgicos, atirou ao chão o policia, mais aos outros que vinham atrás dele), a esta distância pode parecer estranho, mas da decerto bem recheada lista de gente a prender, não conseguiram, nesse dia, apanhar mais ninguém.

Outro 1º de Maio, pacifico e festivo, teve lugar quatro anos mais tarde, na manhã do dia 1 de Maio de 1974, no campo de futebol do Olivais e Moscavide. Para a história fica que foi nesse comício (num espaço, que à época era maior, quase cheio, e oradores gente da terra), que foi proposta e aprovada por aclamação a indicação do José Gouveia para a Câmara de Loures e de alguns outros democratas para a Junta de freguesia de Moscavide.

À tarde foi tudo para a grande, a enorme Festa que ficou conhecida como o Primeiro 1º de Maio em Liberdade, embora em rigor, para o pessoal de Moscavide fosse a segunda comemoração desse dia 1 de Maio que todos os que o viveram jamais esquecerão.