
Correspondendo ao natural desejo que todos temos de tentar adivinhar aquilo que nos espera, as sondagens, não obstante os sucessivos fiascos entre aquilo que anunciam e o que depois acontece, são sempre objecto da habitual atenção que acabamos por lhes dispensar.
Por cá, para além de usarem métodos que sistematicamente empolam os resultados do PS e PSD, e subestimam os dos outros partidos, são cada vez mais usadas como forma de manipulação do eleitorado, extrapolando os números reais de forma a dar a entender que a coisa já está resolvida a favor dos partidos do costume, que gozariam dum apoio que de facto não têm, e que ao eleitor mais não resta do que submeter-se à realidade que elas anunciam, devendo cada um acomodar-se àquilo que lhe parecer o mal menor.
Vejamos por exemplo a última sondagem da Católica que dizem que diz que 39% iriam votar no PSD e 33% no PS, ou seja que os partidos do centrão têm entre si 72% (até parece que os portugueses apoiariam incondicionalmente os partidos que nos meteram neste buraco). Vai-se a ver os números reais e não é bem assim, nem nada parecido, aquelas percentagens são apenas um supônhamos de quem apresenta os números, e não aquilo que o pessoal disse.
O que os inquiridos da sondagem realmente dizem é que 16% vão votar no PSD e 13% no PS, o que está longe como o caraças dos 39 e 33% que nos apresentam nos títulos dos jornais ou nos quadros coloridos das notícias da TV.
Por outro lado, os números reais da sondagem dizem também que o conjunto dos 5 partidos recebe intenções de voto que somadas atingem apenas 38%, ou seja 62% dos inquiridos, a 2 meses das eleições, ainda não decidiram em quem vão votar, ou se vão sequer lá pôr o papelinho.
Com a crise que nos está a pôr de pantanas e cerca de 2/3 do eleitorado ainda sem uma intenção de voto definida, mesmo que também seja dos que acham que isto não vai lá com eleições, diga lá se estas não podiam, ou podem, ser as eleições mais interessantes dos últimos 35 anos ?
