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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A ÉTICA REPUBLICANA JÁ TEVE MELHORES DIAS.


Num comentário a um post sobre a utilização do tema da pobreza nas actuais eleições para a Presidência da República, um friend no FB insurgia-se contra as mordomias de que gozam os ocupantes daquele cargo de topo do Estado.

O que me trouxe à memória ter ouvido, já faz tempo numa viagem do eléctrico 28 para a Estrela, que Teófilo Braga foi também utente regular daquela carreira, de 1910 a 1911, nas suas deslocações diárias para São Bento onde desempenhava as funções de Chefe de Estado.

Mesmo em tempos menos recuados, num daqueles domingos em que não há nada para fazer e se acaba a tarde nos pastéis de Belém, cruzei-me uma vez com o general Eanes, então PR, a sair do Palácio de Belém ao volante do seu despretensioso carro pessoal, sem segurança nem escolta.

Mas voltando a Teófilo Braga, quando andava a tentar confirmar aquela estória na Net, o que não consegui, encontrei outra que me pareceu ainda mais interessante: os inquilinos do Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República a partir de 1911, pagavam renda ao Estado para residirem no palácio, para não serem acusados de gozarem de privilégios.

Que diferença com o comportamento ético de grande parte dos actuais políticos. Por isso, e não é difícil perceber porquê, este foi mais um tema, a Ética Republicana, que ficou de fora das desenxabidas comemorações do Centenário da República, ou do debate nestas presidenciais.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Denegrir a República, branquear o Estado Novo, defender uma solução autoritária para a saída da actual Crise.


À margem das insossas comemorações oficiais do Centenário da República, temos assistido nas últimas semanas a uma intensa actividade editorial, jornalística e opinativa, apresentando a 1ª República como um dos períodos mais negros da história do país, o que, de forma mais ou menos explicita, "justificaria" o 28 de Maio e os 48 anos de fascismo.

Por exemplo ainda um dia destes no Destak o omnipresente Rui Ramos dizia que "Todos os regimes dos últimos 200 anos quiseram escolarizar os portugueses. O Partido Republicano distinguiu-se por ter sido o que menos fez por isso", passando por cima que foi Salazar quem reduziu a escolaridade básica de 4 para 3 anos, criou professores de 2ª, os chamados regentes escolares que apenas tinham a 4ª classe, encerrou em 1936 as escolas do Magistério Primário, etc. etc.

Como diz Fernando Rosas na Introdução da História da Primeira República Portuguesa: "O centenário do regicídio de 2008, deu lugar ao reaparecimento e à reafirmação de uma corrente a meio caminho entre a história e a politica, de forte cunho ideológico monárquico-conservador, por vezes enfaticamente promovido em alguns media, que, na realidade, constitui uma reedição quase ipsis verbis do discurso propagandista do Estado Novo sobre a Primeira República.
A Primeira República é aí apresentada, melhor dizendo, é aí demonizada, como nos tempos áureos do Secretariado de Propaganda Nacional".

O passo seguinte, a que assistimos agora, é apresentar a actual situação como um tipo de réplica dos tempos que antecederam o 28 de Maio, insinuando que a saída da presente Crise terá de passar igualmente por uma solução autoritária, e à falta das tropas de Gomes da Costa a descer de Braga para Lisboa, os sonhos molhados desta gente voltam-se para a generala Merkel ou para o desembarque, um destes dias, do FMI no aeroporto da Portela.

Enfim, se quer mesmo saber alguma coisa sobre a realidade e os ensinamentos da Primeira Republica, não deixe de ler "A Revolução Republicana de 1910 na história da luta do Povo Português".