quinta-feira, 30 de junho de 2011

ESTREIA DO GOVERNO NA AR
Para mim foi o que esperava, mas para os 23% que votaram PSD esta estreia deixou muito a desejar.


Diz-se que não há uma segunda oportunidade de causar uma boa primeira impressão e, pelo que vejo agora nas redes sociais, entre aqueles 22,75% dos eleitores que votaram há menos de um mês no PSD, as reacções à estreia de Passos Coelho na apresentação do Programa de Governo na AR, com a óbvia excepção das claques de apoio que só vêem maravilhas em tudo o que o homem faz e diz, as reacções dizia, oscilaram entre o desencanto e a indignação.

A titulo de exemplo transcrevo aqui extractos de dois posts (onde nem sequer se fala do imposto de 50% sobre o subsídio de Natal) do professor Octávio V. Gonçalves, um dos muitos friends do FaceBook que apoiaram o PSD nas últimas legislativas, o primeiro com data de 3 de Junho, e o segundo escrito hoje após a apresentação do Programa de Governo:


3 DE JUNHO DE 2011
Um voto de confiança em Pedro Passos Coelho
Considero absolutamente transparente e salutar que, aqueles que se comprometem publicamente com ideias e com causas, possam empreender as suas declarações de voto, sem prejuízo das suas desamarras partidárias e da sua independência de análise. Assim sendo, declaro o meu voto no PSD de Pedro Passos Coelho.

Há, no meu voto, uma dimensão contestatária e pragmática, porque a única possibilidade de correr com Sócrates da desgovernação do país é eleger Pedro Passos Coelho para próximo primeiro-ministro. Argumente-se como e o que se quiser, mas não existe, na actual factualidade política, outra alternativa ou possibilidade.

Mas, também há, neste meu voto, muito de convicção pessoal e de confiança na capacidade e na seriedade de Pedro Passos Coelho para honrar os seus compromissos com a transparência, com o mérito, com a abertura da governação aos melhores e, sobretudo, com a recondução da escola pública ao trabalho empenhado em prol dos alunos e com o reconhecimento do valor e do prestígio dos professores.



30 DE JUNHO DE 2003
Este primeiro-ministro não tem palavra
Lamento ter que o reconhecer, mas acabo de constatar, há uma hora atrás, que este primeiro-ministro, e ao contrário do que era a minha convicção pessoal, não é politicamente sério.

Questionado, no Parlamento, sobre a avaliação dos professores, o primeiro-ministro afirmou, peremptoriamente, que não haverá lugar à suspensão do modelo de avaliação, embrulhando em mentira e desculpas esfarrapadas aquilo que é um incumprimento eleitoral e uma insanável cambalhota relativamente a tudo o que fez e afirmou até ganhar as eleições legislativas.

Mas, o que menos abona em favor da seriedade política de Pedro Passos Coelho são os argumentos invocados para suportar a não suspensão do modelo de avaliação:

1. no final de Março de 2011, o anterior Governo ainda dispunha de meio ano para conceber um novo modelo de avaliação;

2. neste momento, o novo Governo já não dispõe de tempo útil para conceber esse novo modelo de avaliação.

Ora, acontece que quando o PSD votou, no Parlamento, a suspensão do modelo de avaliação em vigor, o Governo já estava demissionário e apenas permaneceu em funções de gestão, durante mais dois meses, e, como tal, sem condições funcionais e de legitimidade política para conceber um novo modelo de avaliação. Logo, não faz sentido o que Passos Coelho afirma em 1., apenas para esconder a forma como iludiu eleitoralmente os professores.

Relativamente ao afirmado em 2., o actual primeiro-ministro ainda se desacredita mais, pois, não foi ele próprio que garantiu à jornalista Clara de Sousa, numa entrevista na SIC, que, em Março de 2011, o PSD não se limitou a votar a suspensão do modelo de avaliação, mas tinha uma alternativa e que até fez gala de exibir o documento? Então, em que é que ficamos?

Mas, o que Pedro Passos Coelho finge, agora, não perceber, é que o imperativo de suspender imediatamente o modelo de avaliação em vigor, não é uma questão de oportunidade temporal, mas um pressuposto de seriedade pessoal, de quem não pode permitir-se legitimar e validar processos "monstruosos e kafkianos" que são uma farsa.

Nesta estreia parlamentar, Passos Coelho nem sequer teve coragem para reafirmar o fim da avaliação pelos pares que está inscrito no programa eleitoral do PSD, escudando-se, apenas, no fim, mas que não é para já, da avaliação por pares de outros grupos disciplinares.

A avaliação dos professores é tão-só, para quem enche a boca com a necessidade de gerar confiança, a primeira prova de que este primeiro-ministro traiu, de forma grosseira e oportunista, a confiança que muitos professores nele depositaram.
Estou disponível para provar o que aqui afirmo em qualquer local ou instância.

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