terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Grandes Buracos e Outros Assim, Assim!


HÁ UNS meses atrás, transcrevi uma definição de buracos negros, como sendo os fenómenos que ocorrem quando uma estrela esgota o seu combustível e o seu núcleo sofre um violento processo de contracção e concentração, até ficar reduzido a uma fracção de seu tamanho original. Quando isso acontece, naquela região do espaço cósmico, gera-se um campo gravitacional tão forte que começa a sugar toda a matéria que se encontra à sua volta, de tal modo que nem mesmo a luz proveniente do fenómeno se consegue libertar. Dizem as notícias científicas mais recentes que a NGC 3842 - uma galáxia elíptica localizada na direcção da constelação do Leão, descoberta em 26 de Abril de 1785 por William Herschel, e que dista de nós a bagatela de 270 milhões de anos-luz da Terra - possui um dos maiores buracos negros até agora conhecidos, com uma massa equivalente a 9,7 milhões de massas solares, com um horizonte de eventos, cerca de sete vezes maior do que todo o nosso sistema solar. Já é obra estar tão longe e ser tão descomunal, mas o pior é ter um inquilino tão negro e voraz, que tudo dissipa à sua volta.

Faz-me lembrar os buracos das contas públicas portuguesas, também negros e devoradores, em tudo semelhantes a estes fenómenos das galáxias. Engolem vertiginosamente toda a massa de receitas, impostos e taxas, regulares e extraordinárias, que os governos imaginativamente têm criado ao longo dos tempos, para espoliarem os cidadãos, em benefício dos “pobrezinhos” do costume, e nem sequer deixam passar aquela luz que um dia irá iluminar o fundo do túnel, sinal de que os tempos mudaram.

ADENDA de 2011-DEZ-7 
O buraco negro da dívida pública da constelação Jardim, situada na Madeira, depois de mais uns ajustamentos de última hora, subiu para 6 mil milhões de euros. Isto passa-se na ilha onde está instalado o Centro Internacional de Negócios da Madeira, mais exactamente um "off-shore", que alberga perto de um milhar de empresas virtuais, sem instalações e sem trabalhadores, que geram receitas e lucros astronómicos isentos de impostos, e são geridas por dois naturais de uma remota freguesia da ilha, que nem sequer são remunerados pelo "serviço" que prestam. 

Quando o secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, diz que o Governo da República vai entabular negociações com a Comissão Europeia para o aprofundamento dos benefícios fiscais ao Centro Internacional de Negócios da Madeira que representa mais de 20% de todas as receitas da região, e é responsável por cerca de três mil postos de trabalho qualificado, deve pensar que não lemos o livro "Suite 605" de João Pedro Martins, ou então deve estar a referir-se a qualquer outra entidade, e não própriamente ao "off-shore" atrás referido, também conhecido por Zona Franca da Madeira.

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