quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mais Um Cambalacho para o Povo Resolver

O SERVIÇO de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), tutelado pelo Ministério da Saúde, pagou a três consultoras (CapGemini, Accenture e SGG Deloitte), contratadas sem concurso público, até ao final de 2009, mais de 21 milhões de euros, pelo seu envolvimento na constituição de três unidades de serviços partilhados, sem qualquer estudo prévio de viabilidade económico-financeira. Como milagres é coisa cada vez mais escassa, veio a verificar-se a falência do modelo, o que gerou um prejuízo quatro vezes superior ao registado nesse ano por aquele organismo.
Depois disto, quase que garanto que alguém, sem puxar muito pela cabeça, terá sugerido uma solução, simples e escorreita, para compensar as perdas sofridas e voltar tudo ao seu lugar: como o povo é próspero, sereno e compreensivo, de uma penada, aumentavam-se as taxas moderadoras e reduziam-se as isenções das mesmas. Ora, como já foi prometido, a solução vai entrar em vigor no dia 1 de Janeiro de 2011, pondo o povo a solucionar mais aquele respeitável cambalacho.

Que coisa má terá passado pela cabeça de Cavaco?


Depois de Francisco Lopes, com a questão do BPN, o ter deixado embatucado (mesmo sem bolo rei), e quando parecia que a táctica de remeter os interlocutores para o site da Presidência estava a resultar, não é que no ultimo debate, com Alegre, e sem que ninguém lhe pusesse a questão, Cavaco atira-se à actual Administração do BPN dizendo que "Há ali um problema de administração, o que não aconteceu nos bancos estrangeiros".

A exemplo da táctica, seguida por PSD e CDS, de tentar branquear as responsabilidades do pessoal da sua área politica na megafraude que já custou ao Estado mais de 5 mil milhões de euros, centrando todas as criticas nas falhas da supervisão do Banco de Portugal, vem agora Cavaco acusar a actual Administração de BPN de não ter conseguido "recuperar" o banco.

Para ter uma ideia da enormidade do dislate, recordemos que em 2009 o BES, muito maior que o BPN, teve um lucro de 522 milhões de euros. Como é que então seria possível a qualquer administração, em dois anos, conseguir para o BPN lucros da ordem dos 5 mil milhões de euros?

Mas a bronca não acaba aqui, então não é que da actual administração do BPN, dois fazem parte da actual Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva, e um deles Faria de Oliveira, actual presidente da CGD e BPN, foi igualmente ministro dum Governo de Cavaco?

Será que depois deste tiro no pé, Cavaco vai continuar a passar pelo aguaceiro sem se molhar? Será agora que finalmente se vai esclarecer o negócio das acções (não cotadas na Bolsa) da SLN, empresa holding do BPN, em que Cavaco fez um autêntico "negócio da china" comprando acções a 1 euro e vendendo-as pouco depois por 2,4 euros? Será que esta campanha eleitoral vai finalmente animar?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Estado de Indigência

COMO 2 (duas) prendas de Natal deste exuberante “estado social”, atrasadas é certo, mas indubitavelmente, como prendas de Natal, aí temos o Dec.Lei 1319/2010, que estabelece quem passa a estar isento de pagamento de taxa moderadora nos serviços de saúde. Como diz o blog DELITO DE OPINIÃO, que fez o favor de fazer uma síntese desta maldade, apenas terão direito a isenção os pensionistas, os desempregados e os seus familiares, incluindo filhos menores dependentes, cujos rendimentos (incluindo rendimentos de capitais e prediais) não ultrapassem o salário mínimo nacional, na sua exorbitante quantia de 485 euros mensais.
Já a segunda prenda, o Dec.Lei 1320/2010, estabelece os novos valores para essas mesmas taxas moderadoras. Por exemplo, o valor para uma urgência polivalente, que passa a custar a módica quantia de 9,60 euros, é quase 2% do rendimento mensal de quem tem 490 euros de rendimento mensal, e já não está ao abrigo das isenções de quem aufere o ordenado mínimo nacional. Está claro que este “estado social”, glorificado por José Sócrates no seu discurso natalício de há cinco dias atrás, não tem nada a ver com a realidade que nos rodeia, que tem mais a ver com o verdadeiro “estado de indigência” que esse mesmo Sócrates continua a instalar entre nós. Moral da história: com amigos destes, não precisamos de inimigos, e acabamos o ano em beleza!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Cantiga de Natal

José Sócrates veio cantarolar uma mensagem de Natal aos portugueses.
Quando Sócrates apela à "confiança" dos portugueses, eu fico desconfiado. Habituados como estamos a que Sócrates seja um optimista compulsivo, e passe todo o tempo a dizer que estamos bem, graças à coragem e determinação do seu governo, e que não precisamos da ajuda de ninguém (excepto da China, da Líbia e de Angola), e se ele agora, com a corda já esticada nos limites, nos avisa que as dificuldades se vão manter em 2011, é quase certo que, sem dizer tudo, está a preparar-nos para qualquer coisa que vem por aí, sei lá, talvez o FMI, e ele já está a pedir compreensão para a inevitabilidade de mais uns furos do cinto que vamos ter que apertar.
Naquela cantiga, os nossos inimigos continuam a ser, mais ou menos os mesmos: a persistente crise internacional, a crise do Euro e a especulação dos mercados, que é preciso acalmar a qualquer preço. Quanto à crise genuinamente nacional, fruto do modelo que adoptou, pouco ou nada adiantou. Para ele, o mal continua a ser de importação. À falta de melhor, voltou a brandir, como uma grande conquista, os resultados da avaliação da educação, do programa PISA da OCDE, muito embora continue por explicar como é que, de um momento para o outro, se operou o milagre daquele salto qualitativo. Por outro lado, aflorou as prometidas 50 medidas para estimular a competitividade e o emprego, cujos pormenores e intenções ainda permanecem na obscuridade dos gabinetes. Embora se apresentem como dois objectivos louváveis, parece que encobrem sonsos e pérfidos meios para lá chegar. Em resumo: continua a ser necessário descodificar tudo aquilo que ele diz, como por exemplo, quando afirma que o objectivo da acção governativa é o financiamento da economia, a protecção do emprego, do país e do “estado social”, deve entender-se que, na realidade, o que ele pretende salvaguardar é o financiamento e a protecção dos grandes interesses, que pouco ou nada têm a ver com os interesses do país, e para isso é inevitável que os pagantes continuem a ser os do costume. Com pequenas variações na letra e na música, continua a cantar bem, mas não me alegra.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

BOM NATAL E FELIZ ANO NOVO
São os votos dos escribas e staff técnico da Essência.

O ESTADO AO SERVIÇO DE QUEM?
2,2 mil milhões para combate à crise em 2009: banca 61%, empresas 36%, apoio ao emprego 1%.


A informação é do Tribunal de Contas, e vem no Público de ontem.

1,34 Mil Milhões de Euros Para Os Pobres Banqueiros

«Segundo o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado desse ano [2009], ontem divulgado, 61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros [das ajudas para enfrentar a crise] foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego. (...) Neste parecer, o TC reitera recomendações já apresentadas em pareceres anteriores, relacionadas com a falta de rigor dos números da Direcção-Geral de Orçamento. (...) O extenso relatório revela ainda várias situações que são sintomáticas de uma gestão menos criteriosa dos dinheiros públicos. (...) Em 2009, doze anos após a sua aprovação, o POCP continuou a não ser aplicado pela generalidade dos serviços integrados do Estado e por uma parte dos serviços e fundos autónomos (...)»

Jornal PÚBLICO - Economia, de 23 Dezembro 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cavaco ficou mesmo enxofrado quando Francisco Lopes lhe falou no BPN.


«Num debate destes é necessário revelar a verdade do que se esconde muitas vezes por trás das palavras do candidato Cavaco Silva. Foi indispensável confrontá-lo com isso e é de tal maneira claro sobre isso, porque se sente também comprometido com todo esse processo. E não é uma coisa qualquer, porque já estão comprometidos nesse buraco do BPN cinco mil milhões de euros do erário público».

«Isso quer dizer que de uma parte que está a ser cortado nos salários, no congelamento das pensões, no corte dos subsídios, está a ser também desviado para esse buraco sem produzir nada. Como é que é aceitável que haja uma convergência entre o Governo e o Presidente da República em nome de interesses que nada têm a ver com os interesses nacionais?»

A ÉTICA REPUBLICANA JÁ TEVE MELHORES DIAS.


Num comentário a um post sobre a utilização do tema da pobreza nas actuais eleições para a Presidência da República, um friend no FB insurgia-se contra as mordomias de que gozam os ocupantes daquele cargo de topo do Estado.

O que me trouxe à memória ter ouvido, já faz tempo numa viagem do eléctrico 28 para a Estrela, que Teófilo Braga foi também utente regular daquela carreira, de 1910 a 1911, nas suas deslocações diárias para São Bento onde desempenhava as funções de Chefe de Estado.

Mesmo em tempos menos recuados, num daqueles domingos em que não há nada para fazer e se acaba a tarde nos pastéis de Belém, cruzei-me uma vez com o general Eanes, então PR, a sair do Palácio de Belém ao volante do seu despretensioso carro pessoal, sem segurança nem escolta.

Mas voltando a Teófilo Braga, quando andava a tentar confirmar aquela estória na Net, o que não consegui, encontrei outra que me pareceu ainda mais interessante: os inquilinos do Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República a partir de 1911, pagavam renda ao Estado para residirem no palácio, para não serem acusados de gozarem de privilégios.

Que diferença com o comportamento ético de grande parte dos actuais políticos. Por isso, e não é difícil perceber porquê, este foi mais um tema, a Ética Republicana, que ficou de fora das desenxabidas comemorações do Centenário da República, ou do debate nestas presidenciais.

Gente Fina é Outra Coisa

ESPERO bem que a prometida dose de metadona que Sócrates quer injectar no BPN, no valor de 500 milhões, sofra um acidente de percurso, na sua passagem pela Assembleia da República, onde devem ser apreendidas as seringas e as “doses” de Natal com que o governo quer obsequiar a quadrilha dos “amigos” e dos “queridos adversários”.
Depois de José Sócrates ter cometido um erro crasso (dizem que o erro foi deliberado), ao nacionalizar uma instituição bancária gerida por salteadores, que era um gritante e escandaloso caso de polícia, e todos os responsáveis e cúmplices pela extorsão andarem à solta, não tendo sido chamados a contribuir com um único cêntimo, para as falhadas tentativas de reabilitação da instituição, acabando aquelas por recair, na sua totalidade, sobre os ombros dos contribuintes, prepara-se agora, de forma quase clandestina, mais um suculento manjar para a goela do monstro. Na verdade, estes 500 milhões não passam de mais uma “doação”, destinada a salvar os interesses de alguns poucos, super-protegidos por figuras das altas instâncias (Presidente da República incluído, o homem que se gaba de já ter salvo Portugal umas poucas de vezes), dizem que a nata dos investidores, tudo gente fina, com quem o governo gosta de trocar favores e manter boas relações, contribuindo para o descrédito da classe política.
Por cá faz falta um juiz da estirpe de um Baltazar Garzón, disposto a usar grandes medidas para grandes casos. A solução do caso BPN (e também do BPP) devia começar com a emissão de alguns mandatos de captura, a começar pelo maior cúmplice da vigarice, um “foragido” de nome Victor Constâncio, que se foi acoitar nos gabinetes dourados do Banco Central Europeu (BCE).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cavaco e as tradições da época festiva
Assim lhe deem mais uns Natais em Belém, que pobres não lhe vão faltar.


O Presidente da República ou o candidato Cavaco Silva, vá-se lá saber, respondeu ontem ao primeiro-ministro, José Sócrates, que no sábado criticara os que aproveitam a pobreza "de forma descarada para retirar dividendos políticos"

"Também estou aqui para manter a tradição de todos os natais, visitar uma instituição que se dedica ao combate à exclusão social e à pobreza" referiu ontem num jantar de Natal/casamento de pessoas sem-abrigo, lembrando também que a sua preocupação com a pobreza não é nova, antes o acompanha desde o início do mandato.

De seguida, debaixo de aplausos e ao som de aleluias de uma senhora presente, passou em retrospectiva os últimos cinco anos: "Em 2006, fui jantar com os surdos-mudos da Casa Pia; em 2007, visitei a comunidade terapêutica da Quinta da Tomada; em 2008, recebi no Palácio de Belém os técnicos das casas de abrigo de vítimas de violência doméstica; em 2009, visitei o centro comunitário da Paróquia de Carcavelos."


Eleições Presidenciais

POR ENQUANTO, não estou propriamente entusiasmado ou arrebatado com as próximas eleições presidenciais, fundamentalmente, por três razões.
Primeira: a Presidência da República não tem uma importância expressiva nas orientações e destinos da governação. O presidente quase não é mais do que figura representativa da República, quase desprovido de poderes, onde até a sua função de comandante-chefe das Forças Armadas, prima por uma notória invisibilidade.
Segunda: quatro dos candidatos que estão a disputar estas eleições, não aquecem nem arrefecem, limitando-se a coabitar com o lastimável estado de necessidade a que os sucessivos governos nos conduziram. Como é fácil de entender, a excepção é o quinto candidato, Francisco Lopes, que não poupa nas ideias nem nas palavras. Cavaco já o conhecemos de ginjeira, pois é preciso não esquecer que foi ele (como chefe dos governos do “cavaquismo”) quem lançou as bases que nos levaram à situação de delapidação do património público, retrocesso social e penúria em que hoje nos encontramos. Com aquele ar de quem não parte um prato, vai dizendo que tem exercido o mandato presidencial, preocupado em cumprir uma “magistratura de influência”, ancorada na tal “cooperação estratégica” com o governo de Sócrates, o que quer dizer que tem apoiado ou feito vista grossa a todas as “atrocidades” que o engenheiro incompleto tem vindo a praticar sobre o debilitado “estado social” português. E tudo isto vai sendo dito, com um ar hipocritamente compadecido, enquanto anda a visitar os pobres e os sem-abrigo, ao mesmo tempo que incita e tece louvores aos emplastros da velha “caridadezinha”. Alegre e Moura são duas cartas de um baralho viciado, ao passo que Nobre, quer-nos fazer crer que além das boas intenções, basta estar fora da tutela dos partidos e não ter experiência política, para ser o candidato ideal, de que todos estamos a precisar. Quanto a Francisco Lopes continua a usar o seu tempo de antena dizendo muitas verdades, algumas delas incómodas, e a marcar o território da esquerda, onde os outros falham, por ausências e contradições.
Terceira: esta última não é propriamente uma razão, mas sim uma constatação. As dissertações dos chamados “politólogos”, uma nova estirpe de comentadores que invadiu o nosso espaço comunicacional (a grande maioria são todos da área conservadora, ou perto disso), andam a explorar o filão de que Cavaco Silva, não sendo uma “excelência”, ainda seria a coisa “menos má” que por aí anda, e que seria desejável concretizar-se, finalmente, após tantos anos de espera, aquela ideia por que lutou Sá Carneiro, isto é, sermos governados por uma tríade de direita nunca experimentada. Seria uma espécie de “santíssima trindade”, conglomerada num governo PSD (e talvez com CDS-PP), numa maioria parlamentar PSD e CDS-PP e, claro está, tudo sustentado pela figura tutelar do presidente Cavaco, em resumo, uma “Aliança Democrática” recauchutada, para a qual os castigados portugueses, tão tradicionalmente apáticos e desprevenidos, povo de memória breve e brandos costumes, se deixaria arrastar sem um queixume.
Em política nada é irremediável, mas para já, e por enquanto, não estou a ver remédio (até os milagres estão pela hora da morte!) para contrariar esta tendência (ou vaga de fundo, como lhe queiram chamar), de que certamente nos iríamos arrepender, mais depressa do que pensamos. Só espero que o povo seja sábio e sereno, e que na hora de votar, se lembre dos nomes de quem nos últimos 20 anos (pelo menos), tudo andou a fazer para o tramar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Presidente de todos os Portugueses? Era o que faltava.


Claro que não é apenas Cavaco Silva que usa a peregrina expressão "presidente de todos os portugueses". A moda é antiga e apesar de muita boa gente chamar a atenção para o disparate o pessoal não desiste. Ao menos que não seja próprio Presidente da República a insistir no desconchavo, como mais uma vez o ouvimos no debate com Fernando Nobre.

Na monarquia é que havia um rei de todos os portugueses. Na República somos todos cidadãos, do ponto de vista político livres e iguais, sem amos, senhores, rei ou presidente. O cidadão Cavaco Silva faça então a fineza de ir ler a Constituição que jurou, e que diz cumprir, artigo 120º, e verá que o que lá está escrito é que o Presidente da República representa a República Portuguesa.

Está a perceber a diferença, ou é preciso fazer um desenho?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Teatro de Marionetas

JÁ ANDAVA desconfiado, mas ontem tive a confirmação: o FMI anda a visitar-nos assídua e discretamente, e cada vez que isso acontece, irrompe por aí, mais um pacote complementar de medidas de austeridade. Entretanto, o porta-voz do governo, para as questões de concertação social - e para que não haja dúvidas sobre quem manda no país e anda a puxar os cordelinhos - passou a ser o senhor Saraiva da CIP. Quanto ao que cá se cozinha, em matéria de austeridade, quem decide se as medidas são boas ou não, é a União Europeia. Quanto à UGT, de facto, desde que alinhou na Greve Geral, que não andava a sentir-se nada bem. Ontem, o senhor Proença, entre compungido e envergonhado, arrepiou caminho e pousou para a fotografia ao lado do senhor Saraiva e com o engenheiro incompleto a fazer de mestre-de-cerimónias. Com isto, até parece que Portugal se transformou, definitivamente, num teatro de marionetas! Ora o programa de governo nunca disse que as coisas se iriam passar assim, nem os portugueses votaram para um tal estado de coisas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O homem certo para aquilo que aí vem:
Fernando Nobre para Presidente do país dos pobrezinhos.


O seu blog de referência vasculhou durante dias as entranhas da Internet, para lhe trazer, a si prezado leitor, em absoluto exclusivo nacional, a galinha de que falava no debate Fernando Nobre: "Já viu uma criança correr atrás de uma galinha para tirar o pedacito de pão que levava na boca?"

Como pode ver na imagem não foi a criança mas Fernando Nobre, himself, que conseguiu apanhar a galinha que, apesar de pinto, tinha sacado o delicioso pãozinho de sementes que as multinacionais da caridade distribuem às crianças pobrezinhas dos países que não cumprem o défice, depois do FMI, a Merkel, ou o Sócrates, tanto faz, terem aplicado os tais "orçamentos possíveis".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Por Amor de Zeus

«Um banco suíço decidiu congelar a conta de Julian Assange, o rosto da WikiLeaks, por este não residir no país.
Ou, por outras palavras: está o mundo para acabar.
Um banco suíço (suíço!) não aceita dinheiro de residentes no estrangeiro. Por amor de Zeus, a banca helvética é extraordinariamente cuidadosa com os seus clientes. Se ao menos Assange tivesse - como Isaltino - um sobrinho na Suíça, a coisa ainda poderia ser conversada. (...)»

Excerto do artigo de Rui Tavares, publicado em 11 de Dezembro de 2010, no blog com o seu nome. À falta de inspiração, para título do post socorri-me do próprio texto do excerto.

domingo, 12 de dezembro de 2010

De que Sá Carneiro tanto se fala ?

É frequente ouvirem-se políticos, empresários vários e até comentadores reclamarem-se de uma "herança" de pensamento e acção sá-carneirista.

Percebe-se bem que, velhacos, procuram transformar Sá Carneiro num mito, para no momento seguinte se arvorarem em "amigos especiais", "confidentes", "herdeiros políticos", enfim, autênticos "bispos" cuja legitimidade, nada deve à de outros "bispos" de outras outras tantas "confissões".

E algumas questões se me impõem hoje sobre que Sá Carneiro é esse de que tanto falam. Gostaria de simplificar, sem simplismos:

A Visão, na sua edição nº 926, publica alguns extractos de discursos e declarações de Francisco Sá Carneiro, dos quais seleccionei os que seguem.

Na sua evolução para um sistema mais justo é necessário o continuado reforço do poder dos trabalhadores na economia

Há que impor uma disciplina de actuação do poder económico e dos investimentos, para que ele seja feito com proveito para todos nós e não apenas para os detentores desse poder

Quem tenha o mínimo de conhecimentos de história da humanidade ou esteja atento ao panorama social em que vive, não pode evidentemente ignorar a luta de classes

É necessária uma política de austeridade. Mas impõe-se que essa política de austeridade não recaia, especialmente, sobre as classes trabalhadoras (…). É preciso que ela se integre numa política de relançamento da nossa economia. Sem isto não há austeridade que valha a pena

Numa sociedade em regressão económica acentuada e em que o desemprego muito alto se combina com uma alta inflação, é natural e justo que os trabalhadores procurem assegurar a estabilidade dos seus empregos através de um estatuto de protecção legal que impeça totalmente os despedimentos, por exemplo, ou que dificulte de tal modo que lhes dê segurança”

O nosso Povo tem sempre correspondido, nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que sempre o traíram (…)

Frases e expressões que me remetem para as questões primordiais:

Ou Sá Carneiro era um político tão cínico e hipócrita como muitos outros que por aí têm andado e não advogava o que dizia e, nesse caso, não tem direito a "mitificação". Quando muito pode aspirar à galeria dos intrujões nacionais, de resto, já bastante repleta;

Ou Sá Carneiro era um político mais sério que a maioria dos políticos que temos conhecido, dizia o que pensava e, então, os trafulhas que se arrogam "herdeiros" de Sá Carneiro, têm de definitivamente "fechar a matraca", assobiar para o lado e disfarçar;

É que se as frases que reproduzo acima, correspondem a genuíno pensamento de Sá Carneiro, de que andam para aí a falar e o que andam por aí a fazer os tais "bispos" sá-carneiristas ? Nada do que dizem ou fazem bate certo com a visão que o seu (deles) mentor defendia para Portugal.

Afinal, de que Sá Carneiro tanto se fala ?

sábado, 11 de dezembro de 2010

CRISE NA JUNTA DE FREGUESIA DA PORTELA?


Um pequeno post no Portela dos Pequeninos, "O Natal na Portela mesmo em tempo de crise", em que se questiona a oportunidade das iluminações de Natal na actual conjuntura, desencadeou uma onda de comentários, praticamente todos Anónimos e longe do espírito natalício da época, com criticas à actuação do novo Executivo PSD, falando-se ainda duma alegada demissão do Tesoureiro por discordâncias com a Presidente.

Talvez a próxima Assembleia de Freguesia da Portela, dia 15 de Dezembro às 21h, em que o primeiro ponto da Ordem de trabalhos é a "Apreciação do pedido de suspensão de mandato de membro da Assembleia de Freguesia" e o terceiro tratará da "actividade e situação financeira da Junta", seja uma oportunidade para ficarmos esclarecidos do que se passa realmente na Junta.

Lembramos que as Assembleias de Freguesia são abertas aos moradores, que podem ainda intervir fazendo perguntas e dando opiniões num ponto próprio da ordem de trabalhos.

Além de ter pernas para correr...

O jornal PÚBLICO de hoje diz o seguinte: "A criação de um fundo para se financiarem os despedimentos em empresas, proposta ontem pelo primeiro-ministro num encontro com os "patrões" da indústria, é "uma ideia com pernas para andar" e que vai ser trabalhada em conjunto com o Governo, admitiu ontem o presidente da Confederação Industrial Portuguesa (CIP), António Saraiva."
Como é facilmente compreensível, José Sócrates, além de ter pernas para fazer uns patéticos “jogging”, também é uma grande fonte de inspiração para as associações patronais. O seu objectivo não é combater o desemprego, mas sim incentivá-lo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

NÃO É UMA CRÍTICA, É APENAS UMA GRANDE CURIOSIDADE.


Que funções terá um Licenciado em Antropologia afecto à Divisão de Resíduos Sólidos dos Serviços Municipalizados de Loures?

Que funções terá um Licenciado em Turismo afecto à Divisão de Recursos Humanos.

Quem estiver interessado já não vai a tempo porque a recepção de candidaturas era até dia 16 de Novembro de 2010, para os Procedimentos Concursais Comuns com vista ao recrutamento de pessoal em regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas Por Tempo Indeterminado para os SMAS de Loures.

COM GUEBUZA VENCEREMOS A POBREZA
Ele já venceu, agora só faltam para aí uns 20 milhões de moçambicanos.


"O Presidente da República de Moçambique terá recebido uma comissão entre 35 e 50 milhões de dólares no negócio da compra da Hidroeléctrica Cahora Bassa a Portugal, revelou o portal WikiLeaks, citando telegramas da embaixada dos EUA em Maputo.

Nos documentos, Armando Guebuza é referido como estando envolvido em "todos os acordos de mega projectos de milhões de dólares, com estipulações nos contratos que determinam que se trabalhe com o sector privado moçambicano". Um exemplo dado é "o envolvimento de Guebuza na compra da barragem de Cahora Bassa ao Governo Português por 950 milhões de dólares". O documento diz que, destes, 700 milhões de dólares foram pagos por um consórcio privado de bancos, organizado por um procurador de Guebuza, tendo o Presidente da República recebido "uma comissão estimada entre 35 milhões de dólares e 50 milhões de dólares" (entre 26,48 milhões de euros e 37,84 milhões de euros ao cambio actual)."

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Força da Razão

«(…) O Orçamento de 2011 ficará na história como aquele que transformou o Fisco num mecanismo de transferência dos recursos dos pobres directamente para os mais ricos. Mário Soares já tinha colocado o socialismo na gaveta. Sócrates deitou-o ao lixo.»

Parágrafo final do artigo de Paulo Morais, intitulado "Pior é Impossível", publicado no JORNAL DE NOTÍCIAS on-line de 8 Dezembro 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Santos Tutelares e Pecadores Crónicos

O Dédé, autor do post SOB A ALTÍSSIMA INSPIRAÇÃO…, deu-me matéria e asas para fazer um devaneio sobre santos protectores e pecadores inveterados. Os homens, inseguros das suas capacidades e temerosos dos seus pecadilhos, têm o costume de pôr os santos a intercederem nas suas profissões, como recurso de emergência, quando as coisas começam a complicar-se ou dão para o torto. Há sempre um santo para interceder lá no olimpo, quando os humanos pisam o risco das suas competências ou se excedem no tráfico de influências. Santo Ivo é patrono dos advogados. Astaroth, não um santo mas um demónio (a igreja nunca conseguiu ocultar o episódio de Jesus a expulsar os vendilhões do templo), é o patrono dos banqueiros, agiotas e homens de negócios. São Nicolau é padroeiro dos juízes. São Thomas Moore ascendeu a padroeiro dos políticos, por obra e graça de João Paulo II. Já os engenheiros, têm um patrono que é São Ferdinando, mas apenas para engenheiros completos e devidamente encartados, que não sejam fracotes em inglês técnico e outras competências, e diga-se que com muita razão. A igreja tem solução para (quase) tudo, gosta de se insinuar nas actividades humanas, mas há coisas que excedem as capacidades do evangelho e da causa dos santos. Embora isto pareça cheirar a heresia, com laivos de religião politeísta, herdeira dos “manes” romanos, os santos do panteão católico (que me perdoem os crentes, a quem muito respeito), embora sendo modelos de virtude e fonte de inspiração para quase todas as profissões e mesteres, não deviam ser envolvidos com as práticas menos católicas do ser humano. E a questão ganha de foro de processo canónico, quando se invoca Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, isto é, do chamado QUARTO PODER (os “media” ou comunicação social em português), como referiu o autarca de Setúbal, autor da catilinária que o Dédé descobriu, e a roda dos santos começa a funcionar. Descobre-se então que largas fatias desse QUARTO PODER, acharam por bem serem pajens e cortesãos do SEGUNDO PODER (o executivo, protegidos pelo impoluto e respeitável Thomas Moore), em acesa concorrência com uma grande fatia do TERCEIRO PODER (o judicial, amparados por São Nicolau), o qual fornece cabeças pensantes, rapazes ambiciosos e esforçados, para o SEGUNDO e para o PRIMEIRO PODER (o legislativo, protegido por Santo Ivo). Como já se percebeu, o QUINTO PODER (o económico, o tal que é apadrinhado pelo diabólico Astaroth), mantém-se calmo e refastelado, sabedor de que os últimos são sempre os primeiros, bastando estalar os dedos para virem-lhe comer à mão os outros QUATRO PODERES, à revelia dos respectivos e escandalizados santos protectores. E se continuarmos a conjecturar e puxarmos pela cabeça vamos conseguir arranjar nomes e desenhar uma roda ou teia de humanos relacionamentos com todos os santos, que até nem é complexa, mas continua a ter algumas e repreensíveis falhas. Então e os reformados? Sim, os reformados, não os da PT, da REFER ou da CGD, mas dos outros sectores económicos, que depois de quarenta anos de serviço, de nos terem levado a carne, o músculo e muitas horas de sono, ainda nos congelam o sustento! Gostava de saber porque não há um patrono dos reformados, isto se até São Francisco de Assis foi nomeado patrono dos animais e das preocupações ambientais. Para a semana que vem, vou enviar uma missiva para o Vaticano, com uma reclamação indignada, por tanta desconsideração e ausência de protecção.

CENAS DA LUTA DE CLASSES
Greve dos controladores e estado de alarme.


A greve dos controladores espanhóis aí está a confirmar aquilo de que por aqui já falámos no post CENAS DA LUTA DE CLASSES ou seja, a relevância política das contradições e lutas a nível da empresa, e o crescente papel do Estado "democrático" no controlo e repressão dos trabalhadores, realidades menos evidentes em períodos de relativa estabilidade, mas que se revelam com toda a crueza em épocas de crise como a que agora vivemos.

Pela primeira vez nos 35 anos do pós franquismo um Governo espanhol, no caso do PS, recorre ao estado de excepção, por lá chamado de alarme, não no âmbito, por exemplo, da luta contra a ETA ou o terrorismo islamista, mas sim contra aquele que é afinal o inimigo principal do sistema, os trabalhadores que não aceitam docilmente as imposições do capital.

Embora a comunicação social, como de costume, tenha sido parca em informar sobre as razões e desenrolar do conflito, enquanto passou horas intermináveis de microfone estendido a ouvir os queixumes de passageiros sobre os transtornos que a greve lhes estava a causar, é já claro que foi o Governo que escolheu o timing, despoletou a provocação (legislação a piorar substancialmente as condições de trabalho dos controladores), e face à sua previsível reacção (greve sem aviso prévio) pôs de imediato em pratica as medidas repressivas previamente planeadas, declarando o estado de alarme e entregando o controlo do espaço aéreo aos militares.

A escolha dum período de grande movimento nos aeroportos para atacar um sector profissional bem pago, e por isso pouco susceptível de merecer a simpatia duma opinião publica condicionada, foi para Zapatero (que faltou à cimeira Ibero-Americana para no terreno dirigir as operações e colher os respectivos louros mediáticos) o contexto ideal para uma intervenção musculada que, com a prestimosa colaboração duma comunicação social submissa, o projecta como um líder corajoso e decido, capaz de defender os direitos do cidadão comum contra um grupo de privilegiados que recorre a formas de protesto à margem da lei. Mesmo lá longe na Argentina, Sócrates apercebe-se rapidamente do que está em causa, e aproveita a primeira câmara de TV que lhe passa à frente para atacar os controladores espanhóis, deixando dessa forma bem claro que está disposto a fazer o mesmo, assim a oportunidade surja.

Duma penada o Governo espanhol não só resolvia de forma expedita um conflito que se arrastava há meses, como lançava um poderoso aviso urbi et orbi da sua determinação em recorrer a todos os meios disponíveis para fazer frente à crescente contestação social decorrente das medidas de austeridade, não hesitando sequer em desenterrar uma medida tão extrema como o estado de excepção, usado por exemplo nos anos 20 pela funesta República de Weimar na sua feroz repressão à classe operária alemã, e a que inevitavelmente Hitler iria também recorrer em Fevereiro de 1933, menos de um mês após tomar posse, para não mais ser levantado. De certo modo, e do ponto de vista jurídico, o regime nazi foi um estado de excepção (ou alarme) que durou 12 anos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

É TÃO BOM VER COMO ELES REPARTEM OS SACRIFÍCIOS


Na semana passada, a Câmara Municipal de Loures anunciou às associações e colectividades do Concelho de Loures que na senda do momento de austeridade, em 2011 o apoio regular a estas entidades iria sofrer um corte de 100%! Isto é, passará a ser 0 (zero). Isto, depois de uma semanas antes ter anunciado a essas mesmas associações que a cedência de transporte municipal para as suas actividades também iria sofrer reduções até 60%.
O esforço financeiro do município no apoio a mais de 200 colectividades e associações de Loures, que envolvem centenas de dirigentes voluntários e milhares de utentes em actividades regulares no âmbito do desporto, lazer, cultura e recreação, cifrou-se em 400 mil euros no ano passado.
Estes anúncios foram embrulhados no lustroso papel da crise internacional, nacional e local. Que os tempos não davam ao município qualquer margem de manobra. Custava muito, mas tinha de ser. Que o bom político, é aquele que nos momentos difíceis não ilude a realidade e dá as más, mas necessárias e inevitáveis, notícias de peito aberto.
Hoje, passando os olhos sobre as últimas deliberações municipais percebi que este município, que vive tempos de “brutal” austeridade, vendo-se na contingência de cortar este tipo de apoios, decidiu alugar, no passado dia 2, 34 novas viaturas, sendo que 8 são de alta cilindrada, pelo valor final com IVA de 822 800€ (oitocentos e vinte e dois mil euros)
Estas viaturas ficarão afectas ao Presidente da Câmara, Vereadores e assessores.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sob a altíssima inspiração de São Francisco de Sales
Câmara de Setúbal volta-se para a questão do "considerado quarto poder".


A Câmara Municipal de Setúbal, provavelmente depois de ter resolvido os prosaicos problemas dos munícipes daquele progressivo concelho da península do mesmo nome, decidiu voltar a sua atenção para a magna questão "do considerado quarto poder" que "manipula os indivíduos, forma opiniões, controla comportamentos e atitudes",

e vai daí, sem sequer nos dar uma abébia do a propósito de tão ingente preocupação, mas sob a altíssima inspiração de São Francisco de Sales, patrono dos surdos e dos jornalistas (estranha acumulação, não lhe parece?), considerando que quando o poder judiciário fracassa, o executivo não cumpre e o legislativo confunde, "o quarto poder toma o domínio", o que, digo eu, só pode trazer acrescidas desgraças, aos setubalenses em particular, e em geral a todos os devotos de São Francisco de Sales,

portantos, e derivado do que, aos dezassete dias do ano da graça do Senhor de dois mil e dez, decidiu a acima referida Câmara aprovar por UNANIMIDADE a Moção que pode ler na íntegra se fizer a fineza de carregar neste link.

domingo, 5 de dezembro de 2010

AINDA MAIS CHINESICES
Só que o KKE não é de levar desaforo para casa.


Num encontro entre Liu Jieyi, do Comité Central do Partido Comunista da China, com G. Papandreu, primeiro-ministro grego e presidente do PASOK e da Internacional Socialista, declarou Liu: "O relacionamento entre o PASOK e o Partido Comunista da China é excepcional e temos toda a intenção de trabalhar juntos mais estreitamente a fim de promover nossas relações inter-partidárias e através do diálogo inter-partidos reforçar a excepcional cooperação estratégia entre nossos dois países, especialmente agora quando enfrentamos muitos desafios".

Ao contrário do que aconteceu por cá, em que os camaradas assobiaram para o lado a propósito das declarações de Fu Ying vice-ministra dos Negócios Estrangeiros da China, antes da visita a Portugal do Presidente Hu Jintao a Portugal, a 6 e 7 de Novembro, "Acreditamos que as medidas tomadas pelo governo português conduzirão à recuperação dos sectores económico e financeiro de Portugal", o Partido Comunista da Grécia que, pelo menos neste caso, não foi de levar desaforo para casa, comenta no jornal "Rizospastis” órgão do KKE, que a Internacional Socialista, a que pertence o PASOK (e o PS português), "apoia as guerras dos EUA e da NATO e é um pilar político de apoio do sistema capitalista explorador na Europa e em todo o mundo" e entre outras considerações conclui "Depois de tudo isto, alguém poderia perguntar-se se o PC da China está a ficar pronto para abandonar a sua última "folha de parreira" – o seu título."

sábado, 4 de dezembro de 2010

Greves Selvagens

«A "greve selvagem" iniciada ontem ao final do dia deixou o espaço aéreo de Espanha vazio e condicionou vários voos em toda a Europa. Ainda ontem à noite, o Ministério da Defesa espanhol tomou conta do espaço aéreo do país.
Os controladores aéreos reivindicam direitos de trabalho, como o pagamento das horas extraordinárias. A decisão dos 2300 controladores aconteceu depois de o Governo anunciar a privatização da AENA, a gestora aeroportuária espanhola.»

Notícia do jornal PÚBLICO on-line, de 4 de Dezembro 2010

Meu comentário: O assunto não é novo, já tem largos anos, desde que os acontecimentos se verificaram pela primeira vez, mas era bom que se reflectisse sobre o fenómeno das “greves selvagens”, o porquê e como acontecem, já que a questão de quem as controla não se põe, porque dizem que são selvagens, isto é, desprovidas de controlo e sem respeitarem as leis. Nesta questão, os sindicatos, federações e centrais sindicais, deviam dedicar uma atenção especial a este assunto, e informar a opinião pública das suas conclusões, porque se calhar, também lhes cabe alguma responsabilidade no facto de elas ocorrerem.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A mim também me dava jeito antecipar os vencimentos de 2011, sem os cortes claro.


Com quem é que acham que devo falar? Com os deputados do PS, ou esses estão em dedicação exclusiva aos gajos da massa? E será que o inefável Assis, ex-autarca da megapólis de Amarante e defenestrado mártir de Felgueiras, também ameaça demitir-se se me falharem com o guito? E que Sócrates considera imoral a antecipação de dividendos da PT? Ou que ainda haverá algum trabalhador neste país com um IQ superior a 70 que vá votar novamente no PS? Enfim tudo questões com as mais profundas implicações politico filosóficas, que bem precisavam da sabedoria e eloquência dum Catão, o Velho, ou dum Raposo, o da mamma, mas que neste blog suburbano terá que ser o Dédé a desengomar-se.

Pelo menos quanto ao deputado Galamba do 24 de Novembro, não precisa de se preocupar a fazer mais declarações de voto, está tudo tratado, já tenho aqui uma "solução técnica" que ele fará a fineza de enfiar no sitio onde lhe der mais jeito, e que dá pelo menos 100% de garantia de respeitar a "estabilidade fiscal", o "comércio jurídico" e a "confiança dos investidores", e todas aquelas tretas que vão buscar quando o pessoal do PCP e do BE começa a aperta-los lá na AR.

Enfim, pelo menos estou descansado que estas cenas das antecipações, ilegais não devem ser, se não são para a PT porque caraças é que iam ser para mim? Então pensam que a cambada que nos tem desgovernado nos últimos 35 anos não teve mais que tempo para fazer todas as leis, decretos, portarias e despachos que foram precisos para que os gajos que mandam nisto se baldem aos impostos, enquanto quem realmente paga nesta terra são os trabalhadores por conta de outrem?

Ah, e já agora, antes que me esqueça, podem também antecipar-me os abonos de família de 2011 dos três putos que foram à vida, os abonos, não os putos, com o Orçamento PS/PSD?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ameaçador

O PARTIDO Comunista Português vai levar hoje à Assembleia da República a sua proposta de aditamento ao regime especial de tributação dos dividendos relativos a 2010, operação que ficaria fora do raio de acção das regras do fisco, subvertendo o que o orçamento de 2011 (o da miséria e hiper-austeridade) impõe, caso fosse antecipada, pelas empresas, a distribuição desses dividendos. Dizem que o PS (partido Sócrates) está "visceral e moralmente" dividido, entre os que querem aprovar e os que querem rejeitar aquela irrefutável iniciativa. Francisco Assis, o pressionante líder parlamentar de serviço daquela bancada, ameaça que se demite se o partido votar ao lado dos comunistas.

ADENDA - A iniciativa legislativa foi rejeitada com os votos contra do PS, PSD e CDS/PP, e votos a favor do PCP, BE e PEV. Perto de uma dezena de deputados do PS e dois do PSD informaram que iriam apresentar declarações de voto.
Para situações de excepção requeriam-se acções excepcionais. PS, PSD e CDS/PP assim não o entenderam (o PS esbracejou com os mais gongóricos argumentos), e os senhores accionistas a quem vão ser antecipadamente pagos os dividendos dos exercícios de 2010, os últimos a quem as crises costumam bater à porta (quando batem), podem continuar a dormir descansados. Com crise ou sem ela, os partidos atrás referidos, com especial destaque para o PS, continuam às ordens dos que tudo fazem para se esquivarem ao pagamento de impostos, deixando essa função aos párias do costume. A História não os absolverá.

ADENDA 1 - Resultado final: PS, PSD e CDS "chumbaram" a lei do PCP, mas dois deputados independentes (Miguel Vale de Almeida e João Galamba) abstiveram-se e o candidato presidencial Defensor Moura votou ao lado de comunistas, bloquistas e verdes. Embora seguindo a disciplina imposta, doze deputados do PS apresentaram declarações de voto, entre eles António José Seguro, Inês de Medeiros, vice-presidente da bancada, e Eduardo Cabrita. (Excerto do jornal PÚBLICO de 3 Dezembro 2010)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Basta Inverter o Sentido

ONTEM, o primeiro-ministro José Sócrates afirmou o seguinte: "Não, Portugal não precisa de auxílio europeu e do FMI. Não, não é verdade que Portugal esteja a ser pressionado por Bruxelas para solicitar ajuda externa.".
Conhecendo-o como o conhecemos, bem como as suas "qualidades" de mentiroso compulsivo, aquelas afirmações queriam dizer mais exactamente o seguinte: Sim, Portugal precisa de auxílio europeu e do FMI. Sim, é verdade que Portugal tem vindo a ser pressionado por Bruxelas para solicitar ajuda externa, porque o governo não quer encontrar outras soluções alternativas (acrescento eu).
Regra geral, isto é válido para todas as outras declarações capitais que este cavalheiro faz. Basta inverter-lhes o sentido e teremos à nossa frente aquilo que ele não tem coragem de dizer ou de fazer.