segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DE ADAM SMITH AO NEO LIBERALISMO - II


Para os liberais do sec XIX (e também narrativa ainda em voga em livros escolares, crónicas do Publico, e comentários do FB) o mercado é o prosaico ponto de encontro onde os indivíduos, prosseguindo objectivos próprios e diferenciados, procedem a trocas mutuamente vantajosas.

Mercado onde, sob os auspícios da celebrada e benfazeja mão invisível de São Adam Smith, se concretiza diariamente o milagre do equilíbrio entre os que vendem e os que compram, do equilíbrio entre a Oferta e a Procura.

Já na visão neo liberal, a inversão é completa: os objectivos individuais e colectivos passam a simples meios, obrigatoriamente subordinados ao fim ultimo da glória e proveito dos Mercados e da realização do lucro do Capital.

Aí, no fabuloso reino do neo liberalismo, somos todos mobilizados à força e, sob a bandeira do empreendedorismo, compelidos a marchar ao som da musica da produtividade, submetidos a avaliações de desempenho, obrigados a travar as gloriosas batalhas da competitividade, em mercados minados pelas assimetrias, onde cada um tem de se proteger das ameaças, explorar as fraquezas dos adversários, esmagar os inimigos, correr atrás das oportunidades, e sacar o que puder como se não houvesse amanhã.

(Ao ler o paragrafo anterior, o estimado leitor pode ficar com a ideia de que hoje estou um bocado para o apocalíptico, mas acredite que não estou a inventar nem a exagerar nada, limitei-me a pôr em português corrente o que os próprios dizem em neo liberalês).


Da saga "Umas coisinhas que você precisa de saber sobre o Neo Liberalismo e ainda não tinha tido coragem de me perguntar" pode também ler:
O NEO LIBERALISMO NÃO É UMA IDEOLOGIA I

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