sábado, 20 de fevereiro de 2016
ATIRADOS AO RIO
Com uma Comunicação Social que basicamente é um ramo da Industria de Entretenimento, e em que uma das suas mais profícuas actividades é o espectáculo da desgraça, já (quase) nada nos pode admirar.
Uma mãe em estado de hipotermia, uma criança morta e outra desaparecida, era de facto uma tragédia em que os abutres dos Mass Mérdia não podiam deixar de chafurdar.
Com base em alguns factos e poucos indícios, vão-se construindo as mais desencontradas e destrambelhadas narrativas, que ora põem as culpas na mãe ora as atiram para cima do pai, este último prestando-se inclusive a dar a sua contribuição voluntária para o circo mediático montado à volta do caso.
Hoje, mais uma vez sem quaisquer provas, a versão, que leio no jornal e que ouço na TV, é que as duas crianças foram "atiradas ao rio", o que faz nascer em mim o incontornável desejo de ver todos os que nos Mass Mérdia têm alimentado este repugnante folhetim, serem eles próprios, sem apelo nem agravo, profilacticamente ATIRADOS AO RIO.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
E NÓS RALADÍSSIMOS COM O DÉFICE ESTRUTURAL
É que nem se fala noutra coisa aqui pelo bairro.
Um tipo entra no café do Sr Amadeu e a primeira coisa que lhe perguntam é como vai o seu défice estrutural, à porta da EB1/JI as mães e as avós dividem-se sobre qual a melhor maneira de limpar o pó ao défice estrutural, e até o dono do restaurante chinês me veio perguntar o que achava de passar a incluir na ementa um prato de porco com amêndoas à défice estrutural.
No entanto, e para falar verdade, tenho de admitir que sem estas cenas dos défices estruturais, dos saldos primários e do efeito induzido da TSU, o panorama cultural deste bairro seria uma autentica pasmaceira.
Enfim, o estimado leitor deve ter uma ideia do que estou a falar, tipos pessoal que só anda em transportes públicos, e com quem não se consegue ter uma conversa com a devida elevação técnico intelectual.
Gentinha que, se não tiver os estímulos certos, só fala de tretas como a miséria que ganham a trabalhar que nem uns mouros, do tempo que esperam por uma consulta com o médico de família que não têm, do preço do bilhete da Barraqueiro para ir ao Centro de desEmprego a Loures ou da reforma de miséria que acaba sempre antes do dia 15.
E aí eu pergunto: como estaria o nível intelectual deste bairro, sem o contributo inestimável destas questões técnico eruditas com que os Mass Mérdia nos vão brindando diariamente?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
MARCELO: OS QUILÓMETROS DE AVANÇO E OS QUILÓMETROS DE ATRASO
Lembra Jerónimo de Sousa que na campanha eleitoral Marcelo "partiu com quilómetros de avanço", referência óbvia à sua notoriedade publica, nomeadamente como comentador dominical das TVs, mas também por ter sido levado ao colo pelos donos da Comunicação Social, que nesta campanha foram os seus mais dedicados e decisivos apoiantes.
Mas Marcelo também partiu para esta campanha à Presidência da República com quilómetros de atraso: os 38% da direita nas legislativas de Outubro seriam noutras condições um obstáculo inultrapassável, mesmo com todos os quilómetros de avanço.
Aliás, mesmo os quilómetros de avanço deveriam ter sido usados contra Marcelo (só no que ele disse ao longo dos últimos 4 anos nas homilias dominicais havia corda para "enforcar" um batalhão), não só colando-o irremediavelmente à direita que "ganhou" com 38%, mas também apresentando-o como o candidato a novo líder da Direita derrotada e decapitada em Outubro.
Considera o Comité Central do PCP que o resultado obtido por Marcelo, 52%, "comprova a real possibilidade (...) para ser derrotado se todos se tivessem verdadeiramente envolvido neste objectivo", e penso estar aqui o busílis da questão.
A incapacidade de apresentação dum candidato da esquerda, a bizarria da multiplicação de candidaturas para "fixar o eleitorado", a falta de comparência do PS, permitiram inclusive a Marcelo fazer da sua campanha um agradável passeio a caminho de Belém.
Derrotada e decapitada em Outubro, a Direita tem agora em Belém o líder que irá tentar fazer esquecer a devastação Pafista e reconstituir a direita numa versão menos agressiva, numa direita que aceite que a sua única hipótese de, a médio prazo, voltar ao governo é em aliança com o PS.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
HÁ 97 ANOS ROSA LUXERMBURG E KARL LIEBKNECHT ERAM ASSASSINADOS À ORDEM DOS SOCIAL DEMOCRATAS ALEMÃES
1) A 4 de Janeiro de 1919, em mais um episódio da luta revolucionária dos trabalhadores alemães do período 1918-19, os trabalhadores de Berlim desencadeiam uma Greve Geral, que rapidamente se transforma numa insurreição;
2. A 6 de Janeiro o Governo social democrata, SPD, desencadeia uma severa repressão, chamando os Freikorps (tropas mercenárias) para aniquilar a revolta dos trabalhadores;
3. Os Freikorps, recuperam rapidamente o controlo das ruas bloqueadas por barricadas, e dos edifícios ocupados; 4. Muitos trabalhadores rendem-se, o que não impede os soldados mercenários de matar centenas deles;
5. Em pouco tempo, Berlim está completamente ocupada pelo militares;
6. Rosa Luxemburg publica a 14 de janeiro de 1919 o seu ultimo artigo, intitulado amargamente " A Ordem reina em Berlim "; https://www.marxists.org/archive/luxemburg/1919/01/14.htm
7. A 15 de Janeiro de manhã Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, dirigentes comunistas da Liga Spartakus, são presos;
8. A caminho da prisão são ambos assassinados (separadamente) pelos soldados que os tinham prendido;
9. O corpo de Rosa Luxemburg é atirado a um canal. No funeral um caixão vazio acompanha o caixão com o corpo de Karl Liebknech;
10. Um corpo identificado como de Rosa Luxemburg foi finalmente resgatado dum canal a 31 de maio.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
DE ADAM SMITH AO NEO LIBERALISMO - II
Para os liberais do sec XIX (e também narrativa ainda em voga em livros escolares, crónicas do Publico, e comentários do FB) o mercado é o prosaico ponto de encontro onde os indivíduos, prosseguindo objectivos próprios e diferenciados, procedem a trocas mutuamente vantajosas.
Mercado onde, sob os auspícios da celebrada e benfazeja mão invisível de São Adam Smith, se concretiza diariamente o milagre do equilíbrio entre os que vendem e os que compram, do equilíbrio entre a Oferta e a Procura.
Já na visão neo liberal, a inversão é completa: os objectivos individuais e colectivos passam a simples meios, obrigatoriamente subordinados ao fim ultimo da glória e proveito dos Mercados e da realização do lucro do Capital.
Aí, no fabuloso reino do neo liberalismo, somos todos mobilizados à força e, sob a bandeira do empreendedorismo, compelidos a marchar ao som da musica da produtividade, submetidos a avaliações de desempenho, obrigados a travar as gloriosas batalhas da competitividade, em mercados minados pelas assimetrias, onde cada um tem de se proteger das ameaças, explorar as fraquezas dos adversários, esmagar os inimigos, correr atrás das oportunidades, e sacar o que puder como se não houvesse amanhã.
(Ao ler o paragrafo anterior, o estimado leitor pode ficar com a ideia de que hoje estou um bocado para o apocalíptico, mas acredite que não estou a inventar nem a exagerar nada, limitei-me a pôr em português corrente o que os próprios dizem em neo liberalês).
Da saga "Umas coisinhas que você precisa de saber sobre o Neo Liberalismo e ainda não tinha tido coragem de me perguntar" pode também ler:
O NEO LIBERALISMO NÃO É UMA IDEOLOGIA I
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
O NEO LIBERALISMO NÃO É UMA IDEOLOGIA - I
O neo liberalismo, ou liberalismo de mercado, é uma retórica, um projecto político, e um conjunto de práticas que visam impor a lógica de funcionamento do mercado como modelo, principio organizador e escala de valores, não apenas à economia, como a todos os domínios e aspectos da vida em sociedade e do próprio indivíduo.
O neo liberalismo é uma forma de liberalismo radical, um projecto totalitário, desestabilizador do tecido económico, anti social e anti humanista, sem esperança nem futuro, que é urgente desmascarar, rejeitar, e derrotar.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
O QUE CONVÉM PERCEBER, PARA ENTENDER O QUE SE PASSOU NO BANIF
A dificuldade em entender o Sistema Financeiro (tal como em perceber a Teoria da Relatividade ou a Fisica Quântica) não tem tanto a ver com a sua reconhecida complexidade, mas sobretudo por alguns dos seus fundamentos estarem em absoluta e irreconciliável oposição com o nosso estimável senso comum.
Por exemplo, muitos de nós ainda pensamos que o dinheiro que um banco empresta aos clientes é proveniente das notas e moedas que outros clientes lá depositaram, o que não é realmente o caso. O que acontece é que o dinheiro que o banco empresta é criado pelo próprio banco. Surpreso?
De facto não é fácil aceitar com naturalidade que o sr. Saraiva, gerente da dependência bancaria do bairro, tenha o poder miraculoso de criar dinheiro (coisa que tanto nos custa a ganhar) a partir de coisa nenhuma.
Quando, por hipótese, peço um empréstimo de 10 mil euros ao banco, o que o sr. Saraiva faz, depois do pedido de crédito aprovado, é creditar a minha conta à ordem por 10 mil euros, e registar que eu fico a dever ao banco igual importância de 10 mil euros (mais os jurozinhos da ordem, claro).
Donde é que vieram os 10 mil euros que o sr. Saraiva depositou na minha conta à ordem? De lado nenhum. Isto faz algum sentido? De acordo com o nosso senso comum, não parece.
Mas é isto precisamente que acontece, e é isto a base do negócio de todos os bancos, da Picheleira a Wall Street, na sua importante e imprescindível função de financiamento da economia e das famílias.
A facilidade, com que os bancos criam dinheiro a partir do nada, explica em parte o comportamento dos banqueiros que se metem a fazer empréstimos de muitos milhões (é só preencher uns impressos) com poucas, ou nenhuma hipótese de alguma vez virem a ser pagos (nalguns casos tratando-se mesmo de puros e simples desvios de dinheiro).
Negócios ruinosos, e criminosas falcatruas, são registadas nos livros dos bancos como operações normalíssimas que, rendendo alguns juros, transmitem para o exterior e para os benditos reguladores, a ilusão dum negócio próspero e lucrativo, que paga dividendos atractivos aos accionistas e vencimentos e bónus milionários aos administradores.
O que não dá mesmo para entender, não por ser complicado mas por ser inaceitável, é que uma função chave para o regular funcionamento da economia e para o desenvolvimento do país, como a desempenhada pelo sistema financeiro, possa ser deixada nas mãos de privados que a usam e abusam para prosseguir os seus interesses egoístas, e que mesmo se houvesse fiscalização arranjariam sempre maneira de furar as regras e deixarem-nos estes presentes de Natal de milhares de milhões, como é agora o caso do Banif.
Depois para haver dinheiro para tapar os buracos de milhares de milhões criados pela irresponsabilidade e falcatruas de negócios privados (com vantagens e prerrogativas que mais ninguém sequer sonha ter) os governos têm-se endividado, e nós temos sido massacrados com aumentos de impostos, sobretaxas, congelamentos e cortes nos salários e nas pensões, degradação dos serviços públicos, numa espiral de empobrecimento, desemprego, emigração, sem fim à vista.
Por isso quando ouvimos agora a justa indignação de tanta gente contra as falcatruas e encobrimentos ocorridos no Banif, convém também lembrar o crime de lesa pátria que constituiu a privatização da Banca, que até agora já custou (para além do mais) cerca de VINTE MIL MILHÕES aos contribuintes.
Por tudo isto é urgente colocar na ordem do dia a discussão de que o dinheiro é um bem publico (como a água ou a energia), que este poder de criar dinheiro e decidir onde ele é aplicado (muitas vezes apenas na prossecução de objectivos especulativos e de pilhagem) não pode continuar na mão de privados que o usam e abusam de forma socialmente irresponsável e criminosa, e daí a necessidade e urgência do controlo público do sistema financeiro e da nacionalização dos bancos, e da sua colocação ao serviço da economia, dos trabalhadores, e do Povo.
ADENDA
Um outro aspecto do dia a dia da nossa relação com os bancos de que a maioria das pessoas não se apercebe, nem das eventuais consequências, é que quando depositamos dinheiro num banco, o dinheiro passa a pertencer ao banco, sendo simultaneamente criada uma divida do banco ao cliente (depositante) pelo mesmo valor. A partir do acto de depósito o banco passa a dispor desse dinheiro, que então lhe pertence, para os fins que entender.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
ATIÇARAM A CANZOADA E AGORA NÃO VAI SER FÁCIL TORNAREM A PÔR-LHES O AÇAIMO.
A direita neo liberal e conservadora para além de perder as eleições, perdeu a compostura, a vergonha, o juízo, e a ténue camada de verniz que usa para se tentar fazer passar por democrática e civilizada.
Durante quase dois meses Cavaco e Passos, acolitados pelos seus mais próximos, e seguidos pela turba ululante dos que vêm os seus tachos em risco, têm tentado, com pouco sucesso, incendiar o país.
Mesmo depois do inquilino de Belém ter metido o rabo entre as pernas e se ter resignado a empossar o governo do PS, e o homem da Tecnoforma se ter conformado a ocupar a sua cadeira no parlamento, a canzoada continua por aí desaustinada a ladrar às canelas da esquerda, e não vai ser fácil os donos voltarem a pôr-lhes o açaimo.
Ainda ontem os pasquins ignoraram a profissão de membros do novo governo e anunciaram-nos em títulos garrafais como CEGA e CIGANO, e um abjecto espécimen da direita trauliteira, deputado do PSD e ex-secretário de Estado da Administração Local, de seu nome António Leitão Amaro, sentado na fila da frente da bancada do PSD, em sessão plenária da AR, chama a uma deputada do Bloco de Esquerda: PUTA.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
OS PARTIDOS SÃO O QUE SÃO, MAIS AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS
E a circunstância do PS, resultante da composição da AR saída das eleições de 4 de Outubro, colocava-lhe duas alternativas: ou estabelecer um entendimento explicito ou implícito com a coligação PSD/CDS, o que apressaria a sua pasokização, ou fazer um acordo à esquerda que talvez lhe permita continuar a ter um papel importante, mas não central, no quadro politico partidário português.
Já a circunstância do PCP e do BE era escolher entre a continuação das politicas de desastre nacional do PSD e CDS, ou procurar um entendimento com o PS que permita ao menos travar as politicas de destruição económica e social que arrasaram o país nos ultimo anos.
Foram estas circunstâncias, e não uma inexistente aproximação entre o PS e os partidos à sua esquerda e às suas politicas (e vice versa), que levaram aos três Acordos assinados ontem, 10/11, do PS com o BE, PCP e PEV e à viabilização dum governo PS, o que não sendo uma rotura com a austeridade e a troika, prometem ao menos algum alívio aos sectores mais sacrificados pela sanha neo liberal e reaccionária do governo de Passos e Portas.
Alívio que se traduz num pequeno acréscimo do rendimento de trabalhadores e reformados, nalgumas melhorias nas condições de vida da população, e num travão às privatizações, à degradação dos direitos laborais, e à continuação da destruição do Estado Social.
Melhorias quer em relação à continuação da politica suicidária do PSD/CDS, quer mesmo em relação às propostas do PS pois, apesar das muitas diferenças, tanto o programa eleitoral do PSD/CDS como o do PS eram enformados pela mesma orientação de economia liberal, ou neo liberalismo, vigente.
Por razões praticas e opção política sempre estive do lado dos que defenderam e tentaram praticar a unidade da esquerda, e por isso é com algum desencanto que vejo a reduzida empatia que uma solução de governo à esquerda (que mesmo não sendo um governo de esquerda) está a suscitar entre o pessoal desta área.
Mas, entre um voluntarismo susceptível de esmorecer à primeira dificuldade, e o realismo decorrente da necessidade, prefiro que o entendimento seja fruto da necessidade, pois mantendo-se a necessidade mais hipóteses há de se manter o entendimento.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
O PCP E O BE DEVEM IR PARA O GOVERNO
Se, como disse ontem (6/11) António Costa, o PS está aberto à participação do PCP e do BE no governo, então estes partidos devem assumir em pleno as responsabilidades e dificuldades de pôr em pratica os acordos a que chegaram com o PS.
Durante a campanha eleitoral quer o PCP quer o BE afirmaram-se dispostos a assumir responsabilidades governativas, e é isso que agora esperam deles os cerca de um milhão de eleitores que neles votaram.
É certo que quer o PCP, quer em certa medida o BE, deixaram clara a necessidade dum tipo de rotura com as actuais politicas de austeridade que o PS, maioritário à esquerda, não acompanha.
Mas o facto, de que podemos não gostar mas que temos de aceitar, é que não estão criadas as condições sociais e politicas que permitam pôr na ordem do dia questões como a presença do país no euro ou a rejeição do Tratado Orçamental.
A escolha agora é entre a continuação do governo da direita neo liberal e reaccionária do PSD/CDS, ou um governo à esquerda (não confundir com um governo de esquerda) que embora sem um programa para ultrapassar os bloqueios principais com que o país se defronta, possa ao menos travar as politicas de destruição económica e social que arrasaram o país nos ultimo anos.
A saída da Crise (a saída de qualquer crise dum país), exige uma ampla mobilização social, com particular destaque para os trabalhadores e outras forças progressistas. A participação do PCP e do BE num governo do PS deve ser também entendida como um contributo à indispensável mobilização da sociedade portuguesa por um futuro melhor e mais digno.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
PORQUE DISCORDO DAS CÂMARAS ABDICAREM DE PARTE DO IMI
1. A Câmara de Loures não tem (infelizmente) uma máquina de fazer dinheiro. Se o dinheiro que há vai para um lado fica a faltar noutro. E já nem falo de equipamentos essenciais, ou outros investimentos, que aqui tanta falta fazem. Falo de coisas triviais como as pessoas que nas manhãs de Inverno saem de casa para a escuridão das ruas (candeeiros que só se ligam mais tarde por razões de poupança) ou alunos de cantinas escolares que têm de esperar que os colegas acabem de comer para os talheres serem lavados e reutilizados (porque não há dinheiro para comprar talheres para todos).
2. Se no caso da redução da taxa do IMI pela Câmara de Loures até aceito por se tratar dum compromisso eleitoral, já no caso da redução do imposto por numero de filhos o meu desacordo é completo. Embora indo de encontro a uma situação que em principio merece um tratamento favorável, o aliviar os encargos das famílias com filhos, a redução do IMI em função do numero de filhos deixa de fora muitos outros munícipes tão ou mais merecedores de tratamento vantajoso. O apoio às famílias com filhos, não deve ser remetido para o critério de cada câmara mas ser feito através de mecanismos universais como, por exemplo, o abono de família, o ensino gratuito das creches à universidade, os passes para estudantes, ou até em sede de IRS embora duma forma mais justa que a actual.
3. Às câmaras municipais cabem igualmente responsabilidades sociais que devem nortear, em primeiro lugar, a intervenção nas áreas da sua competência directa. Por exemplo em vez da redução do IMI, que deixa muito munícipes de fora e beneficia mais quem tem casas melhores e mais caras, uma forma de conciliar responsabilidade e justiça social seria uma reformulação da tarifas de água, em que os escalões tivessem em conta o numero de pessoas do agregado familiar, o que até beneficiaria também as famílias com filhos. Actualmente uma família numerosa atinge facilmente o 3º escalão e paga (em Loures) TRÊS VEZES mais pela água, embora o consumo por pessoa dessa família possa até ser inferior ao consumo por pessoa duma família pequena e que paga a água pelo 1º escalão.
4. O que está errado no IMI, desde as avaliações às taxas, não se resolve com descontos à peça, como estes que muitas câmaras municipais estão agora a aplicar. São bem conhecidas as injustiças da lei e a irracionalidades da sua aplicação e é isso que deve ser mudado, em vez destes paliativos que muito pouco adiantam e têm o efeito negativo de tratarem os munícipes de forma desigual.
5. Por ultimo ter em conta que dar às autarquias a possibilidade de abdicarem de parte das suas receitas é mais uma das muitas formas que os governos de direita têm utilizado para asfixiar financeiramente o poder local. Cada lista concorrente a uma autarquia é empurrada a oferecer mais descontos do que as outras, e depois quem quer que ganhe fica com a inevitabilidade dos cortes, com o papel de vilão a gerir a desgraça, a prestar cada vez menos serviços, e cada vez serviços de pior qualidade.
Ver noticia da Câmara de Loures, aqui.
sábado, 10 de outubro de 2015
PORQUE É QUE A DIREITA INSISTE QUE GANHOU AS ELEIÇÕES, E DEVE FORMAR GOVERNO?
Simples, porque para a direita os votos e os deputados dos partidos à esquerda do PS, no caso PCP e BE, não contam para a formação dos governos do país.
É a aplicação na sua forma extrema da velha teoria do "arco da governabilidade" que, sem qualquer suporte constitucional ou legal, PSD, CDS e Cavaco Silva querem impor contra a maioria politica saída das eleições de 4 de Outubro.
Nesta versão radical da teoria do "arco da governabilidade" os votos no PCP e no BE são votos de 2ª classe (como os do Povo nos Estados Gerais antes da Revolução Francesa).
Votos de 2ª classe que, na visão antidemocrática dos partidos da direita e de Cavaco Silva, ainda que sirvam para eleger deputados para a AR, em nada podem contar para a constituição do governo do país.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
APRECIANDO O MOMENTO DO PAÍS A ENTRAR, FINALMENTE, NA NORMALIDADE DEMOCRÁTICA.
De repente, quando poucos esperavam, um até agora interdito governo de esquerda, irrompe de chofre no campo das possibilidades.
Um governo de esquerda que, a ser, não será provavelmente mais do que um entendimento dos partidos de esquerda para impedir a continuação do descalabro pelo, agora minoritário, governo da direita PSD/CDS.
Um governo de esquerda que não será certamente o fim da Austeridade, da precariedade, do desemprego, mas que pode ser uma inflexão ao rumo suicidário para que os talibans do neo liberalismo e do Tratado Orçamental estão a arrastar o país.
Mas ainda que tudo não passe dum trunfo do PS nas negociações de apoio a um governo PSD/CDS, mesmo assim, pela primeira vez em quase quarenta anos, fica a nu o carácter anti democrático, anormal e aberrante do chamado arco da governação.
Venha ou não a acontecer um governo PS (com ou sem ministros do PCP e do BE), ontem em Portugal assistimos ao enterro do regime saído do 25 de Novembro e entrámos, finalmente, na normalidade democrática que, com todas as conhecidas limitações, ainda vigora no chamado mundo ocidental.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
SERÁ QUE O VEREADOR FERNANDO COSTA DO PSD DE LOURES
Pensa que a Câmara de Loures é a moderna reencarnação de uma das tias ricas do Vasco Santana?
Lembram-se daquele personagem, interpretado por Vasco Santana, do filme A Canção de Lisboa, que passava a vida a cravar as tias ricas da província, dizendo-lhes que era um médico famoso, quando não passava dum cábula e dum estroina?
Pois é isso que me vem à ideia quando leio um daqueles posts do vereador Fernando Costa sobre qualquer questão do concelho de Loures que seja da responsabilidade do governo, e que acaba invariávelmete com o vereador Fernando Costa a defender que a Câmara de Loures (tal como as tias ricas do filme) deve também suportar os custos daquilo que é da responsabilidade do governo estróina e incompetente de Passos Coelho.
Fala-se do Centro de Saúde de Santa Iria da Azóia, cuja construção é da responsabilidade exclusiva do governo, e logo aparece o vereador Fernando Costa a propor que a Câmara de Loures pague uma parte.
Fala-se do IMI, e lá vem o vereador Fernando Costa de novo propor que a Câmara de Loures abdique de parte dessa receita, presumo que para compensar os contribuintes dos enormes aumentos de impostos de Passos.
Parece que Fernando Costa ainda não interiorizou que nem a Câmara de Loures é uma tia rica (aliás o PS deixou-a quase à beira da miséria), como tem para cima de 200 mil sobrinhos mais necessitados do que Passos e os seus 40 ministros e secretários de estado.
O PESSOAL REFORMADO QUE POR AQUI APELA AO VOTO NO PS
Faz-me lembrar aquela estória dos perus a reivindicarem a antecipação do Natal.
Será que ninguém vos disse que na página 12 do Programa do PS está lá preto no branco o valor que, com o congelamento das pensões, o PS quer tirar aos reformados?
Então eu informo-vos, são exactamente MIL SEISCENTOS E SESSENTA MILHÕES de euros que, se for governo, o PS quer roubar aos reformados.
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