quarta-feira, 23 de setembro de 2015
O PESSOAL REFORMADO QUE POR AQUI APELA AO VOTO NO PS
Faz-me lembrar aquela estória dos perus a reivindicarem a antecipação do Natal.
Será que ninguém vos disse que na página 12 do Programa do PS está lá preto no branco o valor que, com o congelamento das pensões, o PS quer tirar aos reformados?
Então eu informo-vos, são exactamente MIL SEISCENTOS E SESSENTA MILHÕES de euros que, se for governo, o PS quer roubar aos reformados.
domingo, 20 de setembro de 2015
O QUE É QUE O "RODINHAS AMIGO DAS BICICLETAS" TEM A VER COM A ESTÓRIA DA RAPOSA, DO COELHO E DA COUVE?
Aparentemente nada, mas se continuarem por aqui comigo, já vão saber.
Começando pelo "Rodinhas amigo das Bicicletas", o Rodinhas é um serviço local de autocarros que no caso de que estou a falar faz a ligação entre Moscavide e a Portela.
Pois este Rodinhas agora passou a ser amigo das bicicletas, mas é assim uma amizade tipos monogâmica, uma amizade de apenas uma bicicleta de cada vez.
Ou seja se eu quiser ir com os dois miúdos e as três bicicletas a Moscavide, só podemos levar uma bicicleta de cada vez. O que devem compreender não dá jeito nenhum.
Para além do tempo que isso demora, como é que eu vou conseguir levar os miúdos e as bicicletas sem deixar o miúdo mais novo ou as bicicletas sozinhos?
Foi aí que me lembrei da estória do camponês que quer atravessar o rio de barco, mas só pode levar um de cada vez: a raposa, ou o coelho ou a couve, tendo em conta que, embora possa fazer várias viagens, não pode deixar o coelho e a raposa sozinhos (a raposa come o coelho) nem o coelho sozinho com a couve (o coelho come a couve). (*)
Mas embora parecidos, e se eu estou a ver bem o problema, para levar os dois miúdos e as três bicicletas da Portela até Moscavide no Rodinhas amigo das bicicletas, sem que quer o miúdo mais novo ou as bicicletas fiquem sozinhas, ainda é mais difícil que o problema da raposa, do coelho e da couve.
Enfim, talvez os amigos aqui da bloga descubram uma solução amiga, para este meu problema com o Rodinhas amigo dos bicicletas.
(*) Claro que esta estória do camponês, da raposa, do coelho e da couve é uma estória antiga. Se fosse agora o coelho comia a couve, a raposa e eventualmente o Rodinhas Amigo das Bicicletas.
sábado, 19 de setembro de 2015
O VOTO ÚTIL DA ESQUERDA, É NOS PARTIDOS À ESQUERDA DO PS
As sondagens são o que são, mas todas as indicações de que dispomos duas semanas antes das eleições, permitem concluir que:
1. A 4 de Outubro nem o PS nem a coligação PSD/CDS vão ter uma maioria absoluta que lhes permita formar governo sozinhos.
2. Mesmo que a coligação PSD/CDS tenha mais votos e deputados que o PS, a coligação PSD e CDS não vai conseguir formar governo, a não ser com o PS.
3. Fique o PS atrás ou à frente do PSD/CDS, é o PS que vai decidir com quem quer governar, se com o PSD e/ou o CDS, ou se com os partidos à sua esquerda.
4. O voto útil da esquerda a 4 de Outubro é portanto nos partidos à esquerda do PS, quanto maior a sua votação mais hipótese haverá de o PS rejeitar coligar-se com o PSD e/ou o CDS, e pela primeira vez na sua história entender-se com os partidos à sua esquerda.
5. Ou no caso mais provável de o PS optar por se aliar outra vez à direita, também importante é ter uma boa representação de deputados dos partidos à esquerda do PS na Assembleia da República.
(Os valores no quadro são os da sondagem de 18/09, no Expresso)
SHIT JOURNALISM THEORY
O produto final da digestão de qualquer organismo pode ser designado por vários termos ou expressões, por exemplo o abestalhado Tavares recorre a resultado da digestão, mas no fundo trata-se sempre de merda.
Que a comunicação social está uma merda pegada já nós sabíamos, só não estava à espera é que um dos seus mais destacados jagunços não só o viesse admitir publicamente, como lançar os fundamento duma nova Shit Journalism Theory (em camone para promover a exportação).
A teoria é simples e resume-se em poucas palavras:
Tese 1
A merda que os jornaleiros cagam e publicam é mais importante do que os acontecimentos a que a merda se refere;
Tese 2
A merda que os jornais e TVs difundem tem um alcance muito superior àquilo esteve na origem da merda.
Independentemente de novos desenvolvimento que o abobalhado Tavares entenda acrescentar à sua novel teoria, a sua crónica de ontem (18/9) no Publico é mais que suficiente para lhe assegurar o próximo prémio Pulhitzer.
(Para que não haja mal entendidos o post a não se refere a todos os que trabalham na CS. De fora ficam uns poucos heróis do quotidiano que, nas mais difíceis e adversas condições, teimam em continuar a informar o publico).
domingo, 13 de setembro de 2015
LABOUR ROMPE COM TERCEIRA VIA E NEO LIBERALISMO
A vitória de Jeremy Corbyn, eleito novo lider do Partido Trabalhista Britânico com 59,5% dos votos, contra três representantes do establishment blairista e direitista, seria há três meses atras simplesmente impensável.
Recorde-se que Corbyn nem sequer se apresentou à disputa com a pretensão de ser eleito líder, mas apenas para que na campanha se fizesse ouvir a voz da esquerda trabalhista contra os outros três candidatos de direita.
Dos 30 MPs que subscreveram a sua candidatura (número exigido para ser admitido como candidato), cerca de metade fizeram-no, não como apoio às posições de Corbyn, mas apenas para permitir o pluralismo do debate na escolha do novo líder.
A mobilização popular, e em especial da juventude, e a clareza das propostas de Corbyn, contra a Austeridade e as políticas neo liberais, contra a Nato e as intervenções militares, pelo recuperação do NHS, e renacionalizações, por politicas de criação de emprego e de redução das desigualdades sociais, deixaram a classe política do Labour em estado de choque.
As intervenções de toda a cacicada do Labour, de Kinnock a Blair, de Brown a Milliband, mobilizados em força contra Corbyn, acabaram por ter o efeito oposto, apenas contribuindo para o estrondoso sucesso de Corbyn.
Com uma bancada no Parlamento dominada pela escória que ao longo dos últimos trinta anos se tem dedicado a transformar o Labour social democrata num partido thatcherista e neo liberal, a vida de Corbyn e da nova direcção não vai ser fácil.
A sua única chance é manter e reforçar a ligação à base do partido e ao eleitorado que agora o escolheu para líder, ou seja não repetir o erro de Tsipras e da sua reduzida entourage, que chegados ao governo logo esqueceram a ligação ao partido e desmobilizaram a sua Importante base de apoio.
Para já a eleição de Corbyn é mais uma bem vinda e necessária lufada de ar fresco que contra o desânimo e conformismo de muitos, que o mais que aspiram é a uma versão melhorzinha da Austeridade, mostra que há de facto forças sociais e políticas dispostas a romper com este suicidario rumo neoliberal.
Assim se reforce e alargue o campo dos que estão interessados e dispostos em as mobilizar.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
AQUELE NU NÃO É PARA SE FAZER OUVIR, É PARA SER VISTO
Há imagens, e outras intervenções no espaço mediático, que se destinam a dar a voz a ideias, causas ou politicas, algumas delas até com assinalável êxito e resultados palpáveis.
Não é o caso do nu de Joana Amaral Dias na capa duma revista light, que em nada contribuiu para que as ideias ou propostas da coligação Agir se fizessem ouvir.
O que aquele nu consegue é dar visibilidade, reforçar a notoriedade publica de alguém mais conhecido pela presença mediática, do que pelas suas ideias politicas.
Podia ao menos o nu ter ajudado a chamar a atenção para a marginalização que a comunicação social está a impor aos partidos e coligações fora do "arco do governanço", e muito em particular aos partidos sem representação parlamentar, mas até nesse plano não passou dum acto falhado.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
AS FESTAS DE VERÃO DOS JORNAIS COMUNISTAS
As festas de verão dos jornais comunistas, como as do L'Humanité e do L'Unitá, povoavam a imaginação dos jovens que em Portugal, nos anos 60 e 70, lutavam contra a ditadura fascista.
Escutávamos com devoção os relatos de quem já lá tinha estado, deliciávamo-nos com as poucas fotos, e sonhávamos quando um dia teríamos a nossa Festa do Avante em Portugal.
No início do anos 70, aproveitando uma deslocação em trabalho a Paris por altura da Festa do L'Humanité, consegui estabelecer contacto com o Armando Madeira, que me pediu para levar o que pudesse para o pavilhão do PCP.
Lá fui para Paris com uma mala com pouca roupa e todos os exemplares que lá consegui enfiar dum livro editado pouco antes pela Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.
A Fête de L'Humanité, então a Meca das festas do jornais comunistas, nos arredores de Paris, foi um deslumbramento, um daqueles casos em que a realidade ultrapassa tudo o que tínhamos sonhado mas, aqui entre nós e sem desprimor para os camaradas franceses, nada que se compare à nossa Grande Festa do Avante.
É que não há mesmo Festa como Esta.
FB 2/9
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
A "SIMPATIA IMPLÍCITA" DO PCP
A chusma de jornaleiros, comentadeiros e opinadeiros não desarma.
Exigem que o PCP lhes diga, JÁ, qual vai ser o seu candidato às eleições presidenciais, e não conseguem digerir a resposta simples e singela que o PCP não pára de lhes repetir: que essa é uma decisão que só irá tomar DEPOIS das eleições legislativas.
Então, como o PCP não diz, eles inventam. Por exemplo, aqui há dias li num pasquim qualquer que o PCP iria apoiar a minha vizinha (a senhora baixinha da laca). Hoje no FB é a vez do ex embaixador Seixas da Costa dar o seu diplomático contributo para esta saga, introduzindo um novel conceito no vasto reportório da nacional manipulação: a "simpatia implícita".
Assim, segundo o Sr. ex-embaixador, Jerónimo de Sousa, na entrevista de ontem, teria manifestado uma "simpatia implícita" por Sampaio da Nóvoa, o que seria, calcule-se, um "beijo da morte" para a candidatura do ex-reitor.
Fazem a festa, lançam os foguetes, pegam fogo à mata, e telefonam à GNR a dizer que foi o PCP.
FB 28/8
Exigem que o PCP lhes diga, JÁ, qual vai ser o seu candidato às eleições presidenciais, e não conseguem digerir a resposta simples e singela que o PCP não pára de lhes repetir: que essa é uma decisão que só irá tomar DEPOIS das eleições legislativas.
Então, como o PCP não diz, eles inventam. Por exemplo, aqui há dias li num pasquim qualquer que o PCP iria apoiar a minha vizinha (a senhora baixinha da laca). Hoje no FB é a vez do ex embaixador Seixas da Costa dar o seu diplomático contributo para esta saga, introduzindo um novel conceito no vasto reportório da nacional manipulação: a "simpatia implícita".
Assim, segundo o Sr. ex-embaixador, Jerónimo de Sousa, na entrevista de ontem, teria manifestado uma "simpatia implícita" por Sampaio da Nóvoa, o que seria, calcule-se, um "beijo da morte" para a candidatura do ex-reitor.
Fazem a festa, lançam os foguetes, pegam fogo à mata, e telefonam à GNR a dizer que foi o PCP.
FB 28/8
terça-feira, 11 de agosto de 2015
A ARTE DE BEM PREVENIR INCÊNDIOS, SEGUNDO OS MAIS RECENTES GOVERNOS DA PÁTRIA.
Penso que foi ainda no tempo de Guterres que o governo decidiu dar télélés aos pastores para, entre o apascentar das ovelhas e as aparições no memorável anúncio da Telecel http://bit.ly/1guITTl , usarem o então novel aparelho para comunicar de que lado soprava o fogo.
Uns anos depois, aí por altura do PEC III de Sócrates, e quando já não havia cão nem gato que não tivesse telemóvel, foi a vez das 150 000 cabras, que sob o alto patrocínio dos governos de Portugal e de Espanha, se iriam dedicar à meritória tarefa de prevenir incêndios.
Agora, na era Passos & Portas, quando se fala em recorrer à espécie asinina para o desígnio pátrio de combate aos incêndios, só espero que não haja descriminação inter pares e que além do burro mirandês se mobilizem os burros de todo o país, nomeadamente os que, em São Bento e Belém, mas não só, mais não fazem que estar abancados à manjedoura e enfadadamente ir abanando a cauda para enxotar as moscas.
FB 11/8
sábado, 8 de agosto de 2015
SALSA, MANJERICÃO, E O QUE SERIA DOS GREGOS SEM OS PERITOS DA TROIKA.
Sem os peritos da Troika como é que, por exemplo, os pobres dos gregos iam conseguir determinar qual o IVA a aplicar à salsa e ao manjericão? E quem diz os gregos, diz os portugueses, ou mesmo os espanhóis e italianos.
É evidente que nem o Varoufakis nem o Tsakalotos, nem o Medina Carreira nem o César da Neves, dispõem de ciência bastante para concluir, sem margem para duvida ou contestação, qual o escalão correcto do IVA a aplicar a cada um daqueles apreciados herbáceos.
Para além da incontornável dificuldade que teriam a optar entre os 13% e os 23%, decerto seriam incapazes de atinar com as implicações fiscais das diferenças de aroma, sabor e textura entre a salsa e o manjericão, o que teria as mais funestas consequências no controlo do défice e pagamento da Divida, podendo mesmo comprometer irremediavelmente a imprescindível recapitalização da banca grega.
Afortunadamente nestas encruzilhadas da vida os povos do sul não estão sós, entregues à sua atávica e proverbial ignorância, derivado do que podem sempre contar com a elevada sapiência e abundante experiência dos peritos da CE, do BCE e do FMI, que duma forma cientifica e com bué de rigor, concluíram que, para que tudo corra dentro dos conformes do Memorando e a Grécia possa ser resgatada ao radicalismo do Syriza, o IVA a aplicar vai ser 13% à salsa, e 23% ao manjericão.
(Tudo explicadinho, aqui: V.A.T. absurdity in Greece: Why has Parsley 13% and Basil 23%?)
terça-feira, 7 de julho de 2015
DECLARAÇÃO DE VOTO OXI, NUM REFERENDO MUITO POUCO E MUITO TARDE
Hoje (5/7) na Grécia votava OXI, votava NÃO. Mas um NÃO com Declaração de Voto, de protesto contra este Referendo muito pouco e muito tarde.
Um Referendo muito tarde por o governo grego andar cinco meses enrolado com as "instituições", semeando a ilusão da eminência dum acordo favorável, que sabia melhor que ninguém que nunca iria chegar. Muito tarde por ao ficar obcecado e paralisado com as "negociações" em Berlim e Bruxelas ter negligenciado e adiado a aplicação do seu próprio programa, mesmo em aspectos que não tinham grandes impactos financeiros.
Muito tarde por o governo do Syriza ter assistido passivamente durante 5 meses à fuga do dinheiro da Grécia e só ter agido depois dos cofres estarem vazios. Muito tarde por ter continuado a sangrar-se em vida, fazendo pagamentos da Divida, em vez de dizer aos credores que fizessem um acerto de contas com os 7 000 Milhões que a Grécia tinha a receber da Troika.
Um Referendo muito pouco com apenas uma pergunta sobre a Proposta Ultimato da Troika, e que não permite aos gregos pronunciar-se sobre a Proposta apresentada pelo Syriza à Troika, quase tão má como a Proposta Ultimato (a Proposta da Troika traduz-se em cortes de 8 300 Milhões de Euros; a Proposta do governo Syriza anda à volta dos 7 000 Milhões). Não é com propostas destas, da Troika ou do governo Syriza, que se põe fim à Austeridade ou se inverte o rumo de empobrecimento e declínio da Grécia.
Muito pouco por passar ao lado da questão fundamental que se coloca à Grécia (tal como a Portugal e a todos os países condenados à Austeridade): Com esta UE, com este Euro, estamos todos condenados à continuação do declínio e da miséria com que o neo liberalismo triunfante está a destruir a Europa.
Mas hoje na Grécia votava OXI, votava NÃO, com a certeza de que, apesar de tudo, esse é o melhor voto para a continuação da luta dos trabalhadores e do Povo, na Grécia, e em muitos outros países.
O GATO DE SCHRODINGER, E AS INTERMITÊNCIAS DA VIDA DO EUROGRUPO
Recorrendo a uma complicada equação matemática o físico e Prémio Nobel Erwin Schrodinger conseguiu provar que o seu gato, previamente colocado dentro duma caixa, se podia encontrar num estado de sobreposição de vida, ou seja tanto podia estar morto, como estar vivo, dependendo isso de quem olhasse para dentro da caixa (não me peçam para explicar, que para dizer a verdade também não acredito muito nisto ;) ).
O caso é que o talvez falecido gato de Schrodinger mudou-se para Bruxelas e reencarnou numa coisa chamada EuroGrupo, que todos pensávamos ser um Órgão da UE, em que TODOS os ministros das Finanças da zona Euro tinham assento, mas que afinal tem dias.
Conforme tiveram a amabilidade de nos explicar há pouco mais duma semana, o EuroGrupo não passa de "um grupo informal", e que cabe ao Relvas holandês (presidente em funções da dita coisa) decidir quem participa ou não nas suas reuniões (pelo menos foi a desculpa que deram para não deixar Varoufakis participar na reunião do EuroGrupo dos 19-1=18, de 27/6).
Ora passada pouco mais de uma semana vejo agora ali na TV um gajo da Comissão Europeia a dizer que qualquer proposta sobre a Grécia a ser submetida ao Conselho Europeu terá de ser antes obrigatoriamente aprovada pelo EuroGrupo (com 19 ou com 19-1=18, se perguntar não ofende?).
EuroGrupo que tal como o gato de Schrodinger, que tanto pode estar vivo como morto, também tanto pode ser um dia um "grupo informal", como noutro dia qualquer um Órgão da UE com poder para tomar decisões vinculativas, e que agora, para nossa informação, está de novo vivo e de excelente saúde pronto para moer o juízo ao sucessor de Varoufakis.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
ALGUÉM QUE FALE GREGO, FAZIA-ME A FINEZA DE TELEFONAR PARA O KKE
E explicar aos camaradas dirigentes que estão a arrastar(*) o honrado Partido Comunista Grego provavelmente para a maior burrada da sua longa e heróica existência?
É que aquela rábula do pretenso boletim de voto KKE com duas perguntas (na foto) francamente, não lembrava ao diabo. Apelar ao voto NULO no Referendo do próximo domingo, que é o que o KKE está a fazer, é de facto um erro de proporções "homéricas", com consequências dramáticas para o KKE e trágicas para a luta dos trabalhadores e do povo Grego.
Dir-me-ão, e eu concordo, que tem o KKE toda a razão em defender que o que devia ser referendado era não apenas a Proposta-Ultimato da Troika, mas igualmente a Proposta-Cedência do Syriza, quase tão nefastas uma como a outra e indubitavelmente dentro da mesma linha austeritária e anti desenvolvimento.
Aliás a rocambolesca saga das propostas e contra propostas, em que Tsipras e Varoufakis são exímios, e em que continuam envolvidos mesmo depois da decisão do Referendo, só confirmam muito do que o KKE tem dito sobre o Syriza e a sua politica de capitulação. A quatro dias de distância não é sequer claro se no domingo vai ou não haver Referendo.
Defender no Parlamento as duas perguntas e votar contra a proposta do Syriza de apenas uma pergunta, sabendo à partida que a aprovação da realização do Referendo estava assegurada, tudo bem, é normal e aceitável em termos de luta politica partidária.
É uma forma de levar aos votantes a posição do KKE (de que os eleitores deviam ter o direito de votar as duas propostas) e de realçar que o NÃO à Proposta-Ultimato da Troika, não pode ser em caso algum, como o Syiriza está a tentar, considerada uma aprovação à Proposta-Cedência do governo.
Como todos sabemos a politica não é tomar decisões em função daquilo que gostaríamos que fosse (as duas perguntas), mas decidir sobre aquilo que realmente é, e neste caso o que é, como resultado da votação no Parlamento, é um Referendo com apenas uma pergunta.
A partir daí o KKE devia ter afirmado claramente a posição de voto NÃO, podendo desenvolver toda a sua campanha na base de que quem vota contra a Proposta-Ultimato da Troika está também obviamente contra a Proposta-Cedência do Syriza, até por ambas no fundo serem tão parecidas.
Desse modo, e colocando-se claramente no campo Anti Austeridade e contra o Diktat da Troika, o KKE teria melhores condições de ser ouvido pelo lado maioritário dos que vão votar NÃO (segundo uma sondagem 55% pelo NÃO, contra 33% pelo SIM), sem abandonar ou trair a confiança dos que defendem, tal como o KKE, que o voto devia incidir sobre as duas propostas.
Assim o voto no NÃO não seria automaticamente um voto de confiança ao Syriza (o que acontecerá se o KKE votar NULO), mas um voto mais abrangente e com maior capacidade de capitalizar o sentimento de revolta que este processo objectivamente está a agudizar, num contexto de unidade popular potenciador de novos avanços, muito para além dos cálculos manobristas de Tsipras e Varoufakis.
Ao contrário, defendendo o voto NULO, o KKE isola-se no campo popular, entrega o apoio maioritário do NÃO nas mãos do governo, e coloca-se objectivamente ao lado dos que querem sufocar e subjugar o povo, no que será condenado sem apelo nem agravo pela maioria dos gregos, especialmente se o voto NULO do KKE contribuir para a vitória do SIM.
Claro que o suicídio, incluindo o politico, não é crime, mas as consequências deste harakiri publico para que esta posição irresponsável e sectária está a arrastar o KKE, são absolutamente criminosas e, por todas as razões, incluindo a simpatia e solidariedade com os comunistas gregos, não pode ter a nossa conivência e deve ser combatida com toda a clareza.
(*)
Se de facto a tradução é fiel e o que lemos é mesmo a posição de voto NULO no Referendo de domingo.
(**)
Diz-se que Álvaro Cunhal, nas presidenciais de 1986, aconselhou os mais reticentes que se fosse preciso, no boletim de voto, tapassem a cara de Soares e fizessem a cruz por ele. (conforme recorda Vitor Dias).
Formas de o KKE reafirmar a sua posição, mesmo votando NÃO no Referendo, é coisa que certamente não será dificil de encontrar.
É que aquela rábula do pretenso boletim de voto KKE com duas perguntas (na foto) francamente, não lembrava ao diabo. Apelar ao voto NULO no Referendo do próximo domingo, que é o que o KKE está a fazer, é de facto um erro de proporções "homéricas", com consequências dramáticas para o KKE e trágicas para a luta dos trabalhadores e do povo Grego.
Dir-me-ão, e eu concordo, que tem o KKE toda a razão em defender que o que devia ser referendado era não apenas a Proposta-Ultimato da Troika, mas igualmente a Proposta-Cedência do Syriza, quase tão nefastas uma como a outra e indubitavelmente dentro da mesma linha austeritária e anti desenvolvimento.
Aliás a rocambolesca saga das propostas e contra propostas, em que Tsipras e Varoufakis são exímios, e em que continuam envolvidos mesmo depois da decisão do Referendo, só confirmam muito do que o KKE tem dito sobre o Syriza e a sua politica de capitulação. A quatro dias de distância não é sequer claro se no domingo vai ou não haver Referendo.
Defender no Parlamento as duas perguntas e votar contra a proposta do Syriza de apenas uma pergunta, sabendo à partida que a aprovação da realização do Referendo estava assegurada, tudo bem, é normal e aceitável em termos de luta politica partidária.
É uma forma de levar aos votantes a posição do KKE (de que os eleitores deviam ter o direito de votar as duas propostas) e de realçar que o NÃO à Proposta-Ultimato da Troika, não pode ser em caso algum, como o Syiriza está a tentar, considerada uma aprovação à Proposta-Cedência do governo.
Como todos sabemos a politica não é tomar decisões em função daquilo que gostaríamos que fosse (as duas perguntas), mas decidir sobre aquilo que realmente é, e neste caso o que é, como resultado da votação no Parlamento, é um Referendo com apenas uma pergunta.
A partir daí o KKE devia ter afirmado claramente a posição de voto NÃO, podendo desenvolver toda a sua campanha na base de que quem vota contra a Proposta-Ultimato da Troika está também obviamente contra a Proposta-Cedência do Syriza, até por ambas no fundo serem tão parecidas.
Desse modo, e colocando-se claramente no campo Anti Austeridade e contra o Diktat da Troika, o KKE teria melhores condições de ser ouvido pelo lado maioritário dos que vão votar NÃO (segundo uma sondagem 55% pelo NÃO, contra 33% pelo SIM), sem abandonar ou trair a confiança dos que defendem, tal como o KKE, que o voto devia incidir sobre as duas propostas.
Assim o voto no NÃO não seria automaticamente um voto de confiança ao Syriza (o que acontecerá se o KKE votar NULO), mas um voto mais abrangente e com maior capacidade de capitalizar o sentimento de revolta que este processo objectivamente está a agudizar, num contexto de unidade popular potenciador de novos avanços, muito para além dos cálculos manobristas de Tsipras e Varoufakis.
Ao contrário, defendendo o voto NULO, o KKE isola-se no campo popular, entrega o apoio maioritário do NÃO nas mãos do governo, e coloca-se objectivamente ao lado dos que querem sufocar e subjugar o povo, no que será condenado sem apelo nem agravo pela maioria dos gregos, especialmente se o voto NULO do KKE contribuir para a vitória do SIM.
Claro que o suicídio, incluindo o politico, não é crime, mas as consequências deste harakiri publico para que esta posição irresponsável e sectária está a arrastar o KKE, são absolutamente criminosas e, por todas as razões, incluindo a simpatia e solidariedade com os comunistas gregos, não pode ter a nossa conivência e deve ser combatida com toda a clareza.
(*)
Se de facto a tradução é fiel e o que lemos é mesmo a posição de voto NULO no Referendo de domingo.
(**)
Diz-se que Álvaro Cunhal, nas presidenciais de 1986, aconselhou os mais reticentes que se fosse preciso, no boletim de voto, tapassem a cara de Soares e fizessem a cruz por ele. (conforme recorda Vitor Dias).
Formas de o KKE reafirmar a sua posição, mesmo votando NÃO no Referendo, é coisa que certamente não será dificil de encontrar.
"LOURES EM CONGRESSO": OPINIÃO DUM MUNÍCIPE
Dum munícipe interessado no que se passa na terra onde vive e que, embora não tendo participado em nenhuma das iniciativas do "Loures em Congresso", acompanhou com interesse esta original, importante e oportuna iniciativa da Câmara de Loures.
Oportuna por, depois de 12 anos duma gestão autárquica PS marcada pela incompetência, clientelismo e cedência a interesses lesivos do município e dos munícipes, ser um contributo crucial para inverter a rota de degradação das estruturas camarárias e do generalizado declínio do concelho de Loures.
Original numa escolha que, rejeitando o tradicinal todos numa sala a ler comunicações (umas talvez interessantes, a maioria decerto enfadonhas), preferiu para cada iniciativa escolher, em vez do modelo único, o formato mais adequado à questão que se pretendia conhecer melhor, discutir, e eventualmente chegar a uma conclusão.
Importante porque para além da incontornável e prioritária dimensão politica das questões em que a Câmara intervém, há igualmente para a maioria delas, em maior ou menor grau, a necessidade dum conhecimento técnico detalhado das matérias e das opções concretas que se colocam a quem tem de tomar as decisões.
Juntar à volta de cada questão concreta, e da forma mais adequada ao assunto, para além do Executivo, os técnicos e outros funcionários da Câmara que com elas lidam, os autarcas e activistas de base que as sentem junto das populações, especialistas das matéria e pessoas com outras experiências relevantes, e mesmo nalguns casos os munícipes directamente interessados, foi de facto um achado dos organizadores do "Loures em Congresso", que deve servir de exemplo não só a outras autarquias, mas a outras organizações e instituições empenhadas em melhorar a qualidade da sua intervenção junto das populações.
Muito se fala na Crise da Democracia, e muitas ilusões se criam à volta de formas de intervenção que por vezes se limitam a juntar meia dúzia de desiludidos de partidos em moldes que se esgotam no artificial impacto mediático; e injustamente pouco se valorizam iniciativas como o "Loures em Congresso" que é também um exemplo de como se pode ir além desta democracia de faz de conta em que se afunda a chamada "Europa".
Mas apesar dos muitos méritos do "Loures em Congresso" é de ter em conta que, embora com algumas iniciativas abertas a todos, este foi basicamente um "Congresso da Câmara" e não um "Congresso dos Munícipes". E não se veja nisto nada de depreciativo, antes pelo contrário, duvido muito que fosse possível juntar numa iniciativa única os dois "Congressos", e a começar por algum lado a prioridade era inquestionavelmente este "Congresso da Câmara".
Claro que nem tudo terá sido perfeito, e os organizadores e participantes decerto irão analisar o que correu mais ou menos bem. Da minha parte apenas gostaria de referir aquilo que me pareceu uma falha de palmatória, o não ter a organização do "Loures em Congresso" a preocupação, ou talvez os meios, de ir dando noticia aos munícipes do que ia acontecendo em cada iniciativa, da caracterização das matéria nelas tratadas, das opiniões em confronto, e das eventuais conclusões.
Mas a minha critica principal vai para os munícipes do concelho que não estiveram à altura desta iniciativa da Câmara, e onde, por exemplo, no reduzido espaço publico que ainda nos resta (jornais locais, redes sociais, blogs e FB, à mesa do café) se manteve o pesado silêncio sobre as coisas da nossa terra, que nem o "Loures em Congresso" conseguiu espevitar.
Foi de facto confrangedor ver como, a este nível, os munícipes do concelho, apesar da simpatia e apoio por alguns manifestado, passaram ao lado destes 100 dias de "Loures em Congresso", não aproveitando o grande debate lançado pela Câmara para virem para o espaço publico discutir as questões concretas da sua terra ou falar da sua visão para o futuro do simpático concelho de Loures.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
MORRER INCÓGNITO NA VALORSUL?
Faz hoje uma semana que partilhei no Facebbok uma noticia da FIEQUIMETAL que dava conta da morte dum trabalhador na Valorsul.
Sabem, da Valorsul aqui a meia dúzia de quilómetros donde muito de nós moramos? Da Valorsul que trata o lixo que fazemos diariamente em Loures e noutros concelhos da área de Lisboa? Da Valorsul de que, através das Câmaras da região e do Estado, até somos accionistas?
Pensei na altura que a noticia do sindicato iria gerar já não digo uma onda, mas ao menos alguma simpatia e solidariedade; pensei que a Valorsul ou a Câmara de Loures iriam emitir um comunicado a lamentar a morte e a solidarizar-se com a família enlutada; pensei que seria anunciado um Inquérito rigoroso e independente para que, na eventualidade da morte do trabalhador ter sido provocada por alguma falha evitável, tentar que tal não volte a repetir-se no futuro.
Como se diz no comunicado da Fiequimetal "morrer a trabalhar é intolerável e não pode ser encarado como natural".
Talvez a comunicação social até tenha dado noticia do infausto acidente, talvez os meus amigos do FB tenham ficado chocados e manifestado a sua solidariedade, talvez a Valorsul, ou a Câmara, tenham tomado posições publicas, talvez tudo isso e muito mais tenha acontecido, e seja apenas eu que não dei por nada.
Aliás para ser franco, perante este pesado silêncio, o que eu gostava mesmo é que tivesse havido por aqui um qualquer mal entendido e que afinal nenhum trabalhador precário tivesse morrido na semana passada ao serviço da Valorsul, ao serviço de muitos de nós.
Subscrever:
Mensagens (Atom)













