segunda-feira, 6 de abril de 2015
LOURES EM CONGRESSO: A CIDADE DO ORIENTE.
Falta aqui uma cidade, e é tempo de a começar a construir. Não as ruas, os prédios, as infra estruturas e equipamentos, que esses, na sua maioria, já cá estão. O que faz sobretudo falta é promover ligações, complementaridades e especializações, melhorar a mobilidade interna, contribuir para um todo articulado e coerente, a nova Cidade do Oriente aqui à beira do Tejo e de Lisboa.
Na parte oriental do concelho de Loures que vai de Moscavide a Santa Iria de Azoia, passando pela Portela, Prior Velho, Sacavém, Camarate, Apelação, Unhos, Bobadela e São João da Talha, frente ao Tejo e à sua importante Reserva Natural, vivem mais de 130 mil pessoas numa apertada malha de 36 Km2, um continuo urbano só perturbado pelas muitas vias que a cruzam, criando alguns obstáculos à ligação entre localidades, mas com a vantagem de oferecer o mais denso e importante conjunto de eixos rodoviários do país (A1, Eixo Norte Sul, CRIL, IC2 e acessos à ponte Vasco da Gama), a que se juntam as linhas ferroviárias do Norte e suburbana, a linha vermelha do Metro e o Aeroporto da Portela.
Mas tão importante como a riqueza do território, as suas infraestruturas, o número de habitantes ou a proximidade à capital, é a sua marcada identidade. Terras de gente de trabalho, de tradição operária mas também com uma significativa presença de pequenos comerciantes e artífices, de funcionários públicos e empregados de serviços (agora maioritários). Terras de acolhimento de várias e sucessivas levas de migrações, do Alentejo e das Beiras nos anos 50 a 70, depois de África, e mais recentemente do Brasil e países do leste. Terras de quem para aqui veio em muitos casos fugido à fome, à opressão e violência, de gente que resistiu ao fascismo, se empenhou no 25 de Abril, e que não desiste de lutar por uma vida digna e por um futuro melhor.
Vem isto a propósito de Loures em Congresso onde, entre outras coisas, se irão discutir e definir estratégias para o futuro do concelho. Pois o que aqui se propõe é que para a parte oriental do concelho de Loures a estratégia de desenvolvimento e de futuro seja construir a cidade do Oriente. Estratégia em que o objectivo nada tem a ver com a obtenção dum qualquer estatuto administrativo, mas sim o de contribuir para melhorar a qualidade de vida nesta parte do concelho de Loures.
Estratégia a concretizar com medidas como qualificar o espaço publico, suprir insuficiências em equipamentos e serviços e de mobilidade, promover laços de proximidade, realçar os traços identitários, valorizar a diversidade, solidariedade e cooperação entre gentes e gerações. Medidas que olhem para a actual realidade não apenas como localidades próximas, mas como um todo cada vez mais integrado.
Medidas de desenvolvimento que não caiam na lamentável concessão, à empresas, de benefícios, incentivos, e outras "facilidades", que muitas vezes resultam apenas (quando resultam) num efeito temporário, com os "beduínos" que delas aproveitam passado algum tempo a levantar a tenda e ir parasitar para outro lado, deixando atrás um rasto de desemprego e desolação. Medidas de desenvolvimento que, ao contrário, se devem centrar na qualificação do território e das pessoas, tornando por essa via mais atractiva a decisão de aqui localizar empresas, serviços e projectos, de criar mais empregos mais perto dos locais onde vivemos.
Construir a nova cidade do Oriente, multipolar, não hierárquica, autónoma, atractiva e aberta ao exterior, não é um acto administrativo que se decreta num dia e entra em vigor no dia seguinte, nem algo que esteja apenas dependente do poder politico, da Câmara de Loures. É um objectivo que necessita de discussão alargada, dum amplo consenso, e do empenhamento de quem aqui vive e que aqui gostaria de viver ainda melhor. Que o Congresso em Loures, a decorrer até Junho, seja o local para esse debate, são os meus votos.
segunda-feira, 23 de março de 2015
"O TEMPO NÃO ESTÁ DO NOSSO LADO"
Para o Syriza há uma alternativa à "retirada estratégica", defende Stathis Kouvelakis, membro do Comité Central do Syriza
Desde a apresentação do acordo de 20 de Fevereiro, entre o governo grego e o Eurogrupo, a ideia de que seria uma quase uma vitória começou a ceder, e o principal argumento de seus partidários tem sido que "comprou algum tempo." Algumas concessões tiveram de ser feitas, dizem os seus defensores, mas elas tiveram lugar no quadro dum "compromisso propulsor", para usar a terminologia do vice-primeiro ministro, e figura proeminente dos pragmáticos do Syriza, Yiannis Dragasakis.
O argumento aqui é que não haveria austeridade adicional durante a vigência do acordo de quatro meses, o problema de liquidez que levou o sistema bancário à beira do colapso seria resolvido temporariamente, e que o governo teria alguma margem de manobra nos preparativos para uma nova ronda de negociações em Junho, sem ter que abandonar os seus objectivos estratégicos. Não seria portanto uma derrota, mas um recuo táctico favorável ao lado grego.
Mas, mesmo sem entrar numa análise detalhada dos compromissos assumidos pelo governo grego com a assinatura do acordo, é claro que não demorou muito para que a realidade refutasse os pontos principais daquele argumento.
DENTRO DA "JAULA DE FERRO"
Em primeiro lugar, tornou-se claro que o governo tem as mãos atadas. Embora tenha resistido com sucesso às medidas de austeridade pressionadas pelos europeus, o governo ficou também incapaz de implementar o programa com que foi eleito. Com efeito, o núcleo dessas medidas tem um custo financeiro e exige a aprovação prévia da Troika (acabemos de uma vez por todas os eufemismos sobre as "instituições" e "Grupo de Bruxelas").
Trata-se, em particular, de permitir o pagamento faseado de dívidas fiscais de contribuintes de baixo rendimento, da restauração do limiar de isenção de impostos sobre o rendimento anual até € 12.000, e da abolição da absurdamente injusta ENFIA (o nosso IMI). Além disso, o aumento do salário mínimo de volta para € 751 terá lugar num horizonte de dois anos, sem prazos claros para a sua concretização.
Finalmente, as propostas para o restabelecimento dos acordos colectivos de trabalho e da legislação laboral foram recebidos com grande oposição por parte da Troika, e, na nova lista reformas do ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis o governo compromete-se a continuar as privatizações em curso e pendentes.
Como consequência, durante o primeiro mês do governo de esquerda prevaleceu um período de inércia legislativa sem precedentes, um reflexo vivo da "jaula de ferro" que a União Europeia impôs aos gregos indisciplinados. Inacção que se traduziu no cancelamento de facto dos primeiros anúncios do novo governo, que tinham criado um clima positivo na sociedade grega, e a nível internacional, entre as forças políticas e sociais aliadas.
Isso significa que as medidas redistributivas que poderiam dar um alívio genuíno à classe trabalhadora e a outras camadas populares, e permitiriam ao Syriza estabilizar as suas alianças sociais, são adiada indefinidamente.
Algo que muitas vezes não é mencionado deve deve ser aqui referido: o primeiro período do governo Syriza, entre outras coisas, realça as contradições do Programa de Thessaloniki, com base no qual foi eleito e que era para implementar sem negociação. Mas, como se viu, a UE considera "unilateral", e portanto condenável, qualquer ruptura com a política do Memorando.
A confirmação mais flagrante disso é a carta de Declan Costello, enviado em nome da Comissão Europeia, que considera que a aprovação da "Lei da Crise Humanitária" sem a prévia "consulta política adequada" significaria "proceder unilateralmente e de forma ad hoc", e é inconsistente com os compromissos assumidos com o Eurogrupo, como indicado no comunicado 20 de Fevereiro".
Ler o resto do artigo, em inglês, aqui: http://bit.ly/1ECQnZo
sábado, 7 de março de 2015
Agora, o rumo – parte II
Enquanto escrevia
esta segunda parte de “Agora, o rumo”, chega-me a notícia que o executivo
municipal lançou “Loures em Congresso” que pretende – segundo a autarquia – “ser
um espaço de discussão, participado e sustentado, que permita, no futuro, a
definição do plano estratégico para a gestão da Autarquia nos próximos 10 anos”.
Trata-se,
evidentemente, de uma iniciativa que saudo e que vem corresponder aquilo que
vinha propondo, pelo que fico satisfeito e, evito, para já, outras
considerações e sugestões que me preparava para fazer. Salto, assim, para a
visão que tenho, daquelas que devem ser as opções que se oferecem ao Município
de Loures, neste momento e contextos, local, regional, nacional e
internacional.
Comecemos
pela ideia central e primordial que defendemos para a próxima década: TRANSIÇÃO
PARA A SUSTENTATIBILIDADE
E de
que sustentabilidade(s) se trata ?
· Da
sustentabilidade económica do Município, da preservação e incremento da sua
capacidade de investimento;
·
Da
sustentabilidade do tecido económico, pela sua evolução, consolidação,
alargamento e inovação;
·
Da
sustentabilidade ambiental e energética;
·
Da
sustentabilidade do território, pelo equilíbrio nos usos e ocupação, a
requalificação e valorização;
·
Da sustentabilidade
demográfica;
·
Da
sustentabilidade social, cultural e educativa;
A “ideia”, o
“conceito”, a “causa maior” que se tem, será, pois, a de um Município apostado
na qualificação global e no conhecimento científico, onde a educação e a cultura
são pressupostos essenciais e, naqueles domínios, se constituam as âncoras do
desenvolvimento local e do bem- estar das populações. Vislumbra-se, a
oportunidade de:
· Atrair actividades e
empresas de valor acrescentado, qualificando o tecido económico;
· Promover emprego,
emprego qualificado e emprego altamente qualificado;
· Promover, impulsionar
e desenvolver o conhecimento científico, técnico e tecnológico, com base nas
empresas e instituições instaladas e procurando acolher outras, bem com o
interesse das Universidades e instituições de base científica;
· Assegurar recursos
suficientes para o exercício das atribuições e competências da Câmara Municipal
de Loures;
· Conferir à população
e às jovens gerações uma base educativa, científica e cultural sustentada;
· Defender e
proporcionar um quadro territorial e ambiental sustentável;
· Resistir e inverter
as visões depreciativas do Planeamento Regional para Loures;
·
Adoptar uma política
de contactos internacionais directos para partilhar, intercambiar e ancorar o
rumo estratégico adoptado.
Publicado no Notícias de Loures, nº 11, Março de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
Agora, o rumo – parte I
Julgo ser pacífico
que nos nossos dias os Municípios portugueses, precisam escolher um rumo
estratégico para as suas políticas, tendo em vista estarem em condições de
corresponder às necessidades dos seus munícipes.
Impulsionar economicamente
a sua esfera territorial, com a tão necessária geração de emprego, investir na
cultura, na educação, no ambiente ou em quaisquer outros domínios, requer
meios, que escasseiam, e hoje, mais do que nunca, estando como estamos, numa
camisa de forças austeritária, sob o alto patrocínio de um incontável governo
subserviente.
Se uns conseguem
definir o seu caminho com “naturalidade”, porque ou têm praias, ou têm floresta,
ou têm quaisquer outros factores estruturais distintivos que “naturalmente” podem
potenciar, muitos há que precisam reflectir, interpretar o contexto, definir
com clareza objectivos de médio e longo prazo e estabelecer um rumo para lá
chegar.
Queiram ou não, estão
em concorrência com os demais, pelo desenvolvimento económico, pelo emprego,
pelo investimento (não necessariamente externo, mas também), por fundos
europeus, pela capacidade de proporcionarem acrescidas condições de vida e
bem-estar às suas populações. Os Municípios ineptos, incompetentes ou
retardados a iniciar a marcha, ficam inevitavelmente a perder.
O Município de Loures,
apesar da sua localização geográfica, junto à capital do país, teve de dedicar
décadas a recuperar do atraso estrutural em que o fascismo o deixou. Teve de se
adaptar rapidamente nas décadas de 80 e 90 a um crescimento impulsivo e
irreflectido da Área Metropolitana de Lisboa de que foram pedra de toque a
Ponte Vasco da Gama, a EXPO-98 e todo o conjunto de vias que tiveram um
substancial impacto no território e ainda o PER, que condicionaram fortemente
as direcções do investimento municipal.
Espantosamente, o
novo século, acabou por determinar, uma nova fase, mas de paralisia e anomia,
ausência de ideias e ambições colectivas (que as pessoais e particulares não
faltaram), de projecto ou de rumo. O período 2001-2013, por todas as suas
circunstâncias, que deveria ter sido o período de lançamento das bases de um
desígnio municipal, para a sustentabilidade e progresso da nossa comunidade,
foi um tempo de desorientação e desgoverno.
É por isso que, agora,
não se pode continuar a atrasar o indispensável.
É certo que é
incontornável recuperar a credibilidade da Câmara Municipal, é verdade que é
preciso pagar as dívidas que o anterior executivo deixou, é evidente que é
urgente pôr a máquina municipal a funcionar para os munícipes e não para si
própria, é claro que se está obrigado a ponderar muito cautelosamente todos os
investimentos, obras e iniciativas, mas parece-nos que estabelecer rumo e
objectivos será a melhor forma de assegurar que as iniciativas, obras e
investimentos, mas também a reconfiguração da estrutura municipal e a
credibilidade municipal, se conjuguem já num sentido certo e seguro. Isso há-de
facilitar a missão e aligeirar a tarefa. Correr em todas as direcções, sob o
pesado manto da incerteza, afigura-se-nos pior, mais trabalhosa e menos rendosa
opção…
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
O MEU PRIMEIRO CANDIDATO
Em rigor o meu primeiro candidato foi o Dr. Arlindo Vicente, que realizou uma sessão de esclarecimento no Cinema de Moscavide, organizada pelo José Gouveia, pelo Pio, e provavelmente outros que eu não conhecia, e que depois desistiu a favor do General.
A minha tarefa era comprar todos os dias o jornal Republica, vespertino, que mal caia no carrinho dos jornais do Moita (na Av. de Moscavide, em frente da pastelaria Rita), desaparecia em poucos minutos. Tarefa de que me desempenhei brilhantemente, durante anos tivemos lá em casa, guardada religiosamente, a colecção completa do República da campanha eleitoral de 1958.
Depois no dia da votação foi a tristeza geral entre os miúdos da minha rua, todos sabíamos que o General Humberto Delgado tinha ganho, mas que o Salazar tinha feito batota e dado a vitória ao Tomaz.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
A EUROPA NUMA ENCRUZILHADA
O desafio lançado pelo Syriza não diz apenas respeito à Grécia, põe em causa todo o fundamentalismo austeritário de Berlim e Bruxelas, e oferece uma alternativa à deriva anti democrática, neo liberal, anti Estado Social, e suicidária da UE.
A capitulação ou derrota do governo de Tsipras terá consequências imprevisíveis para a Grécia e muito negativas para toda a UE, particularmente para a Espanha onde também se desenha uma alternativa de governo anti Austeridade, e até para Portugal onde muita coisa pode acontecer daqui até Outubro.
O que, até agora, não tem faltado ao ministro das Finanças Varoufakis, nos seus contactos com quem manda na UE, é a flexibilidade na procura de soluções que respeitem o caminho democraticamente escolhido pelos gregos.
A inflexibilidade da UE, a sua cegueira para o que está em causa, para além das consequências que terá para a Grécia, não poupará igualmente outros países que já estão, ou que irão a curto prazo, sofrer as consequências da Austeridade.
Se não houver agora uma viragem a contestação à Austeridade não parará, e o mais provável é que o próximo desafio à UE não venha da esquerda mas, pelo que se perfila, duma extrema direita em clara ascensão, e que pode agora ser travada: FN francesa, UKIP inglês, Aurora Dourada grega, fascistas hungaros, e toda a escória que espera o seu momento de nos saltar em cima.
Hoje 5/2 em Atenas na praça Syntagma, penso que pela primeira vez desde há muito tempo numa capital da Europa, decorreu há pouco uma manifestação de apoio ao governo em funções.
Será bom que por toda a Europa, todos os democratas, todos os antifascistas, todos os que defendem a Paz, não fiquem apenas sentados a assistir, e procurem formas de manifestar o seu apoio ao Povo grego e de rejeição às politicas desta UE que nos arrasta para o abismo.
Foto de Joshua Tartakovsky, jornalista freelance a viver em Atenas.
sábado, 31 de janeiro de 2015
YANIS VAROUFAKIS DEFENDE ESTABILIZAÇÃO DO CAPITALISMO EUROPEU
O novo ministro das Finanças da Grécia explica, em poucas palavras, a sua visão da natureza da presente Crise Europeia, e porque defende que a tarefa actual da esquerda é a de estabilizar o capitalismo europeu:
"Na verdade, partilho a opinião de que esta União Europeia é um um Cartel fundamentalmente anti-democrático, irracional que colocou os povos da Europa num caminho de misantropia, ódios, conflitos e recessão permanente.
Se o meu prognóstico está correto, e a Crise Europeia não é apenas mais uma crise cíclica, a ser em breve superada com a taxa de lucro a recuperar, na sequência da inevitável desvalorização salarial, a questão que se nos coloca é :
Será que devemos saudar esta degradação do capitalismo europeu, como uma oportunidade para o substituir por um sistema melhor?
Ou essa desintegração deve-nos preocupar tanto, que a melhor solução seja embarcar numa campanha para estabilizar o capitalismo europeu?
A Crise da Europa, como a vejo, não contém o potencial duma alternativa progressista, mas sim a ameaça de forças radicalmente reaccionárias que têm a capacidade de provocar um banho de sangue, e extinguir a esperança de todos os movimentos progressistas para as gerações vindouras."
Retirado daqui: http://bit.ly/1AayfZS
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
ACORDO SYRIZA GREGOS INDEPENDENTES FAZ SENTIDO
O Syriza não é de extrema esquerda, é basicamente um partido social democrata (socialista), com um programa anti Austeridade, e que defende a permanência da Grécia no Euro e na UE. Os Gregos Independentes são uma cisão da ND (de deputados expulsos da ND por votarem contra o resgate da Troika), nacionalistas de direita e anti austeridade.
Se a tarefa principal do novo governo for, como os gregos votaram, a rejeição da Austeridade e a Renegociação da Dívida, a coligação Syriza Gregos Independentes faz sentido.
Mais sentido do que faria com o KKE, que compreende que a rejeição da Austeridade e a Renegociação da Dívida passam pela saída do Euro e da UE, com To Potami, partido neo liberal, ou com o Pasok que levou a troika para a Grécia.
Mas a prometida rotura com a Troika e a Austeridade não depende apenas do governo de coligação Syriza Gregos Independentes. Sem a luta dos trabalhadores e do Povo grego, Tsipras não passará dum novo Hollande, o das entradas de leão e saídas de sendeiro.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
ELEIÇÕES NA GRÉCIA, HÁ SEMPRE ALTERNATIVAS
A possibilidade do Syriza ganhar as eleições do próximo domingo, mesmo com a insistência com que vem reafirmando a sua posição de não pôr em causa a presença da Grécia no Euro e na UE, está a mobilizar os donos da "Europa" para assustar os gregos, e deixar bem claro que não estão dispostos a aceitar quaisquer alterações às regras do jogo.
Depois da chantagem da Merkel (ou os gregos aceitam que fique tudo na mesma ou vão para o olho da rua) diz agora Draghi, para não deixar ilusões a ninguém, que o eventual programa de compra pelo BCE de títulos da Divida dos países (como faz a FR americana e outros bancos centrais) não se aplicará à Grécia, que assim continuará exclusivamente à mercê do fundamentalismo destruidor das Troikas.
É claro que Merkel e o BCE nunca irão aceitar as propostas de reforma do Euro e da UE do Syriza que, no caso de vencer as eleições, se verá inevitavelmente confrontado com a escolha entre prosseguir a via troikista de destruição do país, ou mandar o Euro e a UE às urtigas.
Entretanto, do outro lado do continente, a Russia já tinha anunciado há semanas o cancelamento do gasoduto conhecido como "South Stream", e em sua substituição a construção dum gasoduto para a Turquia, que irá até à fronteira da Grécia.
Agora é o ministro da Agricultura da Russia que em Berlim afirma que no caso de a Grécia ter de deixar a UE, as contra sanções da Russia à UE, que estão a levar à ruína os agricultores gregos, serão levantadas.
É caso para os gregos pensarem duas vezes, se preferem continuar num Euro e numa UE,que só lhes trazem miséria, destruição social, recessão e desemprego (25% a nível geral e 50% entre os jovens), ou se não será já mais que tempo de procurarem outras alternativas.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
NÓS AMAMOS O EURO, PENA O EURO SER A RUÍNA DO PAÍS.
E não somos só nós que estamos encantados com este símbolo de cosmopolitismo e modernidade que é o Euro. Até na Grécia onde as consequências da moeda comum são ainda mais gravosas, quase 8 de cada 10 gregos não querem sair do Euro.
O problema é que tal como todas as moedas o Euro tem uma face, e o seu reverso.
E se a face do Euro, aquela que todos adoramos e nos traz uma série de vantagens, desde o que agora poupamos em cálculo mental para sabermos quanto custa um pacote de meio quilo de caramelos em Badajoz, até aos baixos juros que nos permitiram, finalmente, comprar um T3 em Massamá.
Já o reverso do Euro, aquela parte do mesmo numero único para matulões ou para baixinhos, e outras cenas ainda mais complicadas que só o Professor Ferreira do Amaral é capaz de nos explicar como deve ser, esse reverso acaba por ser tão gravoso que compromete qualquer possibilidade de alguma vez sairmos desta pindérica rota de declínio.
Bem podem por isso os políticos mais sérios, e os economistas mais competentes, incluindo o Professor Ferreira do Amaral, explicar que não só é necessário como urgente tirar o País do Euro, que a maioria vai continuar a preferir acreditar nas tretas dos que nos querem manter neste suplício sem fim à vista.
Mesmo que a situação do País se continue a agravar ao ritmo dos últimos anos, irão alguma vez os portugueses, ou os gregos, decidir sair do Euro? Acho que é coisa que nunca vai acontecer.
O mais provável é, quando os países que beneficiam do Euro considerarem a nossa presença incómoda, ou de todo já não precisarem da moeda comum, um dia acordarmos com a notícia de que fomos corridos do Euro, ou que, pura e simplesmente, o Euro deixou de existir. Mark my words.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
SE ESTIVESSE EM FRANÇA, CLARO QUE TINHA IDO À MANIF
Estaria decerto com os mais de 4 milhões de franceses que no passado domingo vieram para a rua mostrar a sua repulsa pelos massacres dos dias anteriores, e reafirmar a sua convicção democrática e republicana, pela liberdade de expressão e contra o terrorismo.
O que não tem nada a ver com a palhaçada organizada por Hollande, que à sua volta juntou um pequeno bando de criminosos de guerra, instigadores e apoiantes do terrorismo, lacaios da Austeridade, gente que quer aproveitar aqueles trágicos acontecimentos para reforçar o controlo policial sobre as populações, marginalizar estrangeiros e fechar fronteiras.
Manif que também não tem nada a ver com o pindérico ajuntamento organizado por Marine Le Pen, numa paróquia em que a FN tem a maioria, onde cerca de mil apaniguados se iam pegando à porrada, uns por quererem o mata e os outros por preferirem o esfola.
Percebo as limitações duma mobilização como a que no domingo passado tocou toda a França, mais fundada no sentimento do que na razão, e que sem objectivos claros e definidos nem organizações para lutar pela sua concretização, acaba por deixar os governos à vontade para levar a cabo algumas medidas já anunciadas, como a revisão do tratado de Schengen, e outras que mais adiante nos cairão em cima.
Como também tenho consciência de que aquela enorme e espontânea mobilização popular foi, nas circunstância concretas, uma eficaz barreira quer à agudização do racismo e da islamofobia, como ao avanço da FN que nestes acontecimentos, ao contrário do que seria de esperar, não ganhou de certeza um único voto.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
REJEITAR A BARBÁRIE
Além dos culpados directos, há que saber quem poderá estar por trás deste hediondo crime, sem ceder aos que tudo fazem para nos arrastar para uma "guerra de civilizações", do Ocidente cristão e ateu contra o mundo do Islão.
Compreendendo as dificuldades e contradições que a convivência num mundo mais aberto e plural nos coloca a todos, é bom não tomar a nuvem por Juno, e saber que o inimigo são os fundamentalismos, os fascismos, a exploração e pilhagem, o projecto imperial dos que se julgam donos do mundo.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
FELIZ NATAL PARA OS TRABALHADORES DA RECOLHA DE LIXO DE LOURES
Que este ano, ao que sei pela primeira vez, vão poder passar, como muitos de nós, os dias da quadra natalícia com a família ou amigos.
À Câmara CDU de Loures a minha total concordância e aplauso por, mesmo enfrentando eventuais incompreensões, ter tomado mais uma medida (*) reveladora do seu, e acrescento do nosso como munícipes, respeito pelos trabalhadores do SIMAR.
Sinceramente, preferia não estar a escrever estas linhas. Em pleno sec. XXI, nesta Europa de tradição democrática e social, o que seria normal era cada empresa, cada instituição, revelar, já nem digo o apreço pelo trabalho dos que estão ao seu serviço, mas ao menos o respeito por uma coisa tão básica como é o Natal em família.
Mas as coisas são aquilo que estão a fazer delas e o que devia ser normal torna-se excepção louvável. Mas outros Natais virão e, tal como o 25 de Abril chegou antes do que pensava, talvez, se fizermos por isso, ainda estaremos um dia destes por aqui a falar destes tempos desgraçados como coisa do passado.
Enfim um Feliz Natal para todos, e uma saudação muito especial para os que por motivos imperiosos, ou que mesmo sem necessidade relevante, terão de passar o Natal arredados dos que lhes são queridos.
(*) Os Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos (SIMAR), informam que o serviço de recolha de resíduos não será realizado nos seguintes períodos: – Diurno: dias 24 e 25 de dezembro e 1 de janeiro; – Noturno: noites de 24 para 25 e de 25 para 26 de dezembro, e de 31 de dezembro para 1 de janeiro de 2015. O respetivo serviço será retomado nos dias 26 de dezembro e 2 de janeiro de 2015.
Ver aqui Comunicado da Câmara de Loures.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
O BES, O PCP, E PORQUE É QUE A DESINFORMAÇÃO FUNCIONA.
A peça publicada no "Publico" de 11/12 http://bit.ly/1Am5rcY não é jornalismo, nem sequer mau jornalismo, mas apenas um exemplo do que é a desinformação.
Com um timing perfeito, e com o pretexto de tentar mostrar que o PCP afinal não é tão honesto como parece, aquela peça é a forma de cumprir o objectivo de tentar minimizar junto da opinião publica os efeitos da onda de escândalos em que o grande capital e um número apreciável de políticos do auto intitulado "arco da governação" estão atolados.
Quem ler com um mínimo de atenção a peça do Publico verá que a acusação de donativo do BES ao PCP não tem pés nem cabeça. Mas porquê então darem-se ao trabalho? Simples, porque a desinformação funciona, e funciona quando, como é o caso, diz coisas que as pessoas, algumas pessoas, gostariam de ouvir.
E o que qualquer pessoa com um mínimo de seriedade e amor próprio, que tenha andado a votar PS, PSD, CDS, ou Cavaco, gostará que lhe digam é que no fundo os partidos são todos iguais, que como lhe impingiram "não há alternativa", e que portanto não tem de se sentir assim tão artolas, tão corresponsável pelo desgraçado estado a que este País chegou.
Por isso neste como noutros casos idênticos, não há apenas que refutar a mentira e a difamação, mas também explicar porque é que isto aparece, a quem interessa, e denunciar aqueles que sob a capa de jornalismo se prestam a tão rasteiros fretes.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
PODÍAMOS
O Programa Económico do Podemos
Ainda numa fase de discussão no Podemos trata-se basicamente dum Programa social democrata, de defesa do Estado Social, do tempo em que havia social democracia (também dita socialista), do tempo em que a social democracia europeia ainda não tinha caído de quatro aos pés dos objectivos, programa e praticas neo liberais.
Mas como o Proyecto Económico para la Gente reconhece (pag.9) "es materialmente imposible que se puedan llevar a cabo políticas que satisfagan el interés nacional, el de la inmensa mayoría de la población, en el marco del euro tal y como está diseñado".
Assim o Programa (pags. 44 e 45) aponta entre outras para a necessidade de:
- "Modificación de los estatutos del Banco Central Europeo para que entre sus fines se encuentre el pleno empleo"
- "Modificación de las normas que impiden que el Banco Central Europeo financie a los gobiernos"
- "Democratización del BCE" "Flexibilización del Pacto de Estabilidad"
- Garantizar derechos sociales y laborales como condición de aceptación y permanencia en la Unión Europea"
Portanto, ou o Podemos acredita no Pai Natal (o que ainda acontece a muita gente com menos de 6 anos de idade), ou está a transportar para a política aquilo que em Matemática se chama o "reductio ad absurdum", ou seja está no fundo a dizer que para poder concretizar o seu Programa terá de inevitavelmente saltar fora deste comboio destrambelhado do Euro que está a arrasar as frágeis economias do sul da Europa. Ou então o Podemos está a dar uma grande tanga ao pessoal.
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