quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

REJEITAR A BARBÁRIE


É natural que este horrível massacre no Charlie Hebdo nos toque mais de perto, ali em Paris, contra a liberdade de expressão, mas não esquecer os que por todo o mundo da Líbia ao Paquistão, da Ucrânia à Síria, morrem diariamente às mãos das mais diversas intolerâncias e intervenções estrangeiras.

Além dos culpados directos, há que saber quem poderá estar por trás deste hediondo crime, sem ceder aos que tudo fazem para nos arrastar para uma "guerra de civilizações", do Ocidente cristão e ateu contra o mundo do Islão.

Compreendendo as dificuldades e contradições que a convivência num mundo mais aberto e plural nos coloca a todos, é bom não tomar a nuvem por Juno, e saber que o inimigo são os fundamentalismos, os fascismos, a exploração e pilhagem, o projecto imperial dos que se julgam donos do mundo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL PARA OS TRABALHADORES DA RECOLHA DE LIXO DE LOURES


Que este ano, ao que sei pela primeira vez, vão poder passar, como muitos de nós, os dias da quadra natalícia com a família ou amigos.

À Câmara CDU de Loures a minha total concordância e aplauso por, mesmo enfrentando eventuais incompreensões, ter tomado mais uma medida (*) reveladora do seu, e acrescento do nosso como munícipes, respeito pelos trabalhadores do SIMAR.

Sinceramente, preferia não estar a escrever estas linhas. Em pleno sec. XXI, nesta Europa de tradição democrática e social, o que seria normal era cada empresa, cada instituição, revelar, já nem digo o apreço pelo trabalho dos que estão ao seu serviço, mas ao menos o respeito por uma coisa tão básica como é o Natal em família.

Mas as coisas são aquilo que estão a fazer delas e o que devia ser normal torna-se excepção louvável. Mas outros Natais virão e, tal como o 25 de Abril chegou antes do que pensava, talvez, se fizermos por isso, ainda estaremos um dia destes por aqui a falar destes tempos desgraçados como coisa do passado.

Enfim um Feliz Natal para todos, e uma saudação muito especial para os que por motivos imperiosos, ou que mesmo sem necessidade relevante, terão de passar o Natal arredados dos que lhes são queridos.


(*) Os Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos (SIMAR), informam que o serviço de recolha de resíduos não será realizado nos seguintes períodos: – Diurno: dias 24 e 25 de dezembro e 1 de janeiro; – Noturno: noites de 24 para 25 e de 25 para 26 de dezembro, e de 31 de dezembro para 1 de janeiro de 2015. O respetivo serviço será retomado nos dias 26 de dezembro e 2 de janeiro de 2015.

Ver aqui Comunicado da Câmara de Loures.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O BES, O PCP, E PORQUE É QUE A DESINFORMAÇÃO FUNCIONA.


A peça publicada no "Publico" de 11/12 http://bit.ly/1Am5rcY não é jornalismo, nem sequer mau jornalismo, mas apenas um exemplo do que é a desinformação.

Com um timing perfeito, e com o pretexto de tentar mostrar que o PCP afinal não é tão honesto como parece, aquela peça é a forma de cumprir o objectivo de tentar minimizar junto da opinião publica os efeitos da onda de escândalos em que o grande capital e um número apreciável de políticos do auto intitulado "arco da governação" estão atolados.

Quem ler com um mínimo de atenção a peça do Publico verá que a acusação de donativo do BES ao PCP não tem pés nem cabeça. Mas porquê então darem-se ao trabalho? Simples, porque a desinformação funciona, e funciona quando, como é o caso, diz coisas que as pessoas, algumas pessoas, gostariam de ouvir.

E o que qualquer pessoa com um mínimo de seriedade e amor próprio, que tenha andado a votar PS, PSD, CDS, ou Cavaco, gostará que lhe digam é que no fundo os partidos são todos iguais, que como lhe impingiram "não há alternativa", e que portanto não tem de se sentir assim tão artolas, tão corresponsável pelo desgraçado estado a que este País chegou.

Por isso neste como noutros casos idênticos, não há apenas que refutar a mentira e a difamação, mas também explicar porque é que isto aparece, a quem interessa, e denunciar aqueles que sob a capa de jornalismo se prestam a tão rasteiros fretes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

PODÍAMOS
O Programa Económico do Podemos


Ainda numa fase de discussão no Podemos trata-se basicamente dum Programa social democrata, de defesa do Estado Social, do tempo em que havia social democracia (também dita socialista), do tempo em que a social democracia europeia ainda não tinha caído de quatro aos pés dos objectivos, programa e praticas neo liberais.

Mas como o Proyecto Económico para la Gente reconhece (pag.9) "es materialmente imposible que se puedan llevar a cabo políticas que satisfagan el interés nacional, el de la inmensa mayoría de la población, en el marco del euro tal y como está diseñado".

Assim o Programa (pags. 44 e 45) aponta entre outras para a necessidade de:
  • "Modificación de los estatutos del Banco Central Europeo para que entre sus fines se encuentre el pleno empleo" 
  • "Modificación de las normas que impiden que el Banco Central Europeo financie a los gobiernos"
  • "Democratización del BCE" "Flexibilización del Pacto de Estabilidad" 
  • Garantizar derechos sociales y laborales como condición de aceptación y permanencia en la Unión Europea"

Portanto, ou o Podemos acredita no Pai Natal (o que ainda acontece a muita gente com menos de 6 anos de idade), ou está a transportar para a política aquilo que em Matemática se chama o "reductio ad absurdum", ou seja está no fundo a dizer que para poder concretizar o seu Programa terá de inevitavelmente saltar fora deste comboio destrambelhado do Euro que está a arrasar as frágeis economias do sul da Europa. Ou então o Podemos está a dar uma grande tanga ao pessoal.

sábado, 6 de dezembro de 2014

DIREITO À MEMÓRIA: A RESISTÊNCIA ANTI FASCISTA NO CONCELHO DE LOURES


Em Julho passado por altura da inauguração da Exposição promovida pela Câmara de Loures, "Loures na Rota da Liberdade 1958-1976", um grupo de resistentes anti fascistas do concelho de Loures dirigiu um Apelo à Câmara de Loures para ajudar a preservar a memória das lutas operárias, associativas, da Oposição Democrática, e dum modo geral das muitas e variadas formas de resistência ao fascismo no concelho de Loures.

O Apelo mereceu o melhor acolhimento da Câmara e está já em curso a discussão dum Projecto com aquele objectivo. Também a a Presidente da Assembleia Municipal, Fernanda Santos, se mostrou solidária com a iniciativa e nos comunicou que irá acompanhar o assunto com a melhor atenção.

Para qualquer sugestão ou recolha de materiais sobre a luta antifascista no concelho de Loures, podem desde já contactar qualquer dos subscritores do Apelo que aqui publicamos. Oportunamente daremos mais informação sobre este projecto do Direito à Memória, a Resistência Anti Fascista no Concelho de Loures.

domingo, 30 de novembro de 2014

PODEMOS


A meio do discurso de Pablo Iglésias em Lisboa, na passada 6ª feira (21/11), voltei-me para um amigo do tempo de outras lutas e comentei: Isto é paleio do tipo do que nós tínhamos na CDE (1969/74), não é? Ele sorriu, e respondeu: Pois é, é isso...

Muitos de vocês não são desse tempo, ou não andaram por lá, mas posso dar-vos outro termo de comparação: Ouçam o secretário geral do Podemos, e depois digam-me se não há por ali, num tom diferente, muito do tipo do discurso dum Chavez, ou dum Lula do tempo do PT ainda à conquista do poder.

Pablo Iglésias, que vem das Juventudes Comunistas de Espanha, onde militou dos 14 aos 21 anos, não é um Chavez nem um Lula, mas é seguramente o que de mais próximo conseguiremos encontrar num politico europeu sintonizado com os problemas e a realidade social e politica desta segunda década do século XXI.

E embora com um carácter claramente populista nem vale a pena, para já, tentar definir politicamente o Podemos, numa altura em que eles próprios não sabem ainda onde esta estimulante aventura os irá conduzir.

Com hipótese de vir a ser o primeiro caso deste lado do Atlântico, dum movimento popular de esquerda nascido à margem da esquerda tradicional, semelhante a diversos casos bem conhecidos, e bem sucedidos, da América Latina.

O que Pablo Iglésias e o Podemos para já estão a conseguir é romper a barreira, o cordão sanitário ideológico e politico, com que o capitalismo e o seu aparelho de Estado (em sentido lato) tem conseguido, com grande sucesso, isolar a esquerda não social democrata. E o resultado está à vista.

sábado, 22 de novembro de 2014

ISTO HÁ GENTE MUITO ARROGANTE


Quem é que estes trabalhadores da recolha do lixo pensam que são para, com este gesto de devolverem o dinheiro que encontraram, se atreverem a dar lições de moral aos Salgados, Varas, Loureiros, à malta dos vistos gold, aos muitos e variados bandos de Ali Babás de colarinho branco?

Numa altura em que as elites da pátria, banqueiros, empresários, governantes, altos quadros da administração pública, se entregam freneticamente à troca de favores, corrupção e roubo, não é mesmo um desaforo vir este pessoal, que ganha para aí uns 500 e poucos euros mês, mostrar que ainda há gente séria neste país?

Eu sei que entregar ao dono o dinheiro perdido não é ilegal, e portanto não será possível pôr-lhes um processo em cima, mas têm de concordar que gestos destes não podem passar impunes, por isso daqui apelo ao senhor prior lá da paróquia a fineza de lhes fazer ver que a soberba é um dos 7 pecados capitais, os convidar a confessar, arrependerem-se e a rezar 30 Pais Nossos.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

A WORLD WITHOUT THE WEST


"Constatámos então (2007) que as potências emergentes começavam a construir um "mundo sem o Ocidente" que contornava a ordem internacional existente. Cada vez era mais claro que as potências emergentes aprofundavam os laços entre si na vida económica, política e até mesmo na segurança e, ao fazê-lo, afrouxavam os laços que os ligam ao sistema liberal internacional centrado no Ocidente.

Esta constatação deixou muita gente desconfortável, principalmente por causa dum endémico e super valorizado entendimento do alcance, profundidade e atratividade da ordem liberal existente.

Agora, sete anos passados, o mundo sem o Ocidente está bem visível. O mais importante na política internacional de hoje não é se Pequim vai ser seduzido, incentivados, ou mesmo compelido a adoptar o sistema internacional existente.

Também não se trata de os Estados Unidos e a China estarem numa espiral descendente em direcção à III Guerra Mundial.

O que está a acontecer é um esforço concertado por parte das potências emergentes para construir arquitecturas multilaterais paralelas, contornando a ordem liberal existente, e que provavelmente irá remodelar a política internacional e a economia mundial de forma fundamental."

Extracto do artigo A WORLD WITHOUT THE WEST .

sábado, 15 de novembro de 2014

A CRISE, O PCP, E O ESTAFADO FADUNCHO DO "NÃO HÁ ALTERNATIVA".


Muita gente séria e bem intencionada olha para as posições e propostas do PCP sobre a saída da Crise como se de meros exercícios de Oposição se tratassem, de soluções, supostamente, com pouca ou nenhuma aderência à realidade.

Outros pensarão que uma vez no poder o PCP acabaria a fazer o que os outros têm feito, a cantar à desgarrada o faduncho do "NÃO HÀ ALTERNATIVA" à destruição do Estado Social, à venda ao desbarato do nosso património, à desvalorização salarial, ao empobrecimento e submissão desta e das gerações futuras à escravatura da Dívida em modo Austeridade.

Quando o PCP em 2013 assumiu as responsabilidades da gestão da Câmara de Loures, que o PS deixou à beira do colapso, de forma semelhante à que deixou o país em 2011, muitos, como Rui Ramos que chamou a Bernardino Soares o" Vitor Gaspar de Loures", vaticinaram logo que não restaria ao PCP outra alternativa que seguir na Câmara de Loures a receita troikista, que PPD e CDS têm aplicado ao País.

O que aconteceu de facto foi que Bernardino Soares foi para a câmara cumprir as promessas eleitorais da CDU, renegociou a divida com os fornecedores, parou a privatização dos SMAS, respeitou os direitos dos trabalhadores da autarquia, combateu o desperdício e repôs sectores paralisados, como o Departamento de Obras, ao serviço dos munícipes de Loures.

Claro que nisto não fala a comunicação social, que prefere alinhar no coro do "NÃO HÁ ALTERNATIVA", em vez de promover o debate sério e fundamentado do presente e futuro do País.

Ou quando a dita CS abre uma excepção, como fez o pasquim electrónico de direita OBSERVADOR que chama a Bernardino Soares "O comunista neoliberal", é para inventar umas quantas atoardas e tentar dar uma imagem absolutamente distorcida do que tem sido, ao longo deste primeiro ano de mandato, a gestão do PCP na câmara de Loures.

Só que a isto chama-se ir buscar lã e sair tosquiado, pois o que acabou por acontecer foi o artigo do OBSERVADOR trazer para a discussão pública um exemplo cristalino de que não só o PCP tem soluções realistas como, quando os eleitores lhe dão a sua confiança, as põe escrupulosamente em pratica, como muito bem explica Bernardino Soares em "UM AUTARCA COMUNISTA E UM GOVERNO NEOLIBERAL" que bem merece uma leitura sem preconceitos de todos os eleitores deste tão massacrado País.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

E VOCÊ, PREFERE O VEREADOR RICARDO LEÃO A FAZER DE OLIVIA PATROA, OU A FAZER DE OLIVIA COSTUREIRA?



Não faço puto de ideia do que se estará a passar lá no PS Loures, mas aquele vereador Leão, dos Leões de Sacavém, passou-se de vez.

Então não é que o homem meteu-se-lhe na tola que é a Ivone Silva, e agora anda por aí a fazer a rábula da Olivia Patroa e da Olivia Costureira.

De manhã, feito Olivia Patroa, vai, como vereador eleito da Câmara Municipal de Loures, à reunião da Câmara.

À tarde, feito Olivia Costureira, "vai ter reuniões com os funcionários visados (por uma suposta perseguição da câmara) antes de fazer queixa formal" contra a Câmara de Loures, onde faz o papel de Olivia Patroa.

Mais tarde, numa futura reunião da Câmara de Loures, o vereador Leão, como Olivia Patroa, irá apreciar e decidir sobre as queixas que cozinhou contra a Câmara de Loures, na sua qualidade de Olivia Costureira.

Confuso? Olhe, faça como eu, aprecie o vídeo da Ivone Silva, e esqueça as rábulas deste Leão sem tino na cachola.

domingo, 19 de outubro de 2014

Alerta: apenas temos 2 dias de água


Passou completamente despercebido na comunicação social portuguesa, a circunstância civilizacional de, no passado dia 19 de Agosto, se ter virado, suicidáriamente, uma preocupante página na história da humanidade: o Homem passou a estar em défice ecológico com o Planeta.
 
É uma questão magna, cuja omissão e ocultação, não me parece nada inocente. Contudo, em Portugal, anda-se entretido com os resultados do futebol, os cínicos pedidos de desculpas de ministros incompetentes e os absurdos debates Costa/Seguro.
Ao mesmo tempo, perante a quase generalizada indiferença dos cidadãos, o governo português força a injustificada privatização da EGF, empresa responsável por parte importante da recolha e tratamento dos resíduos sólidos urbanos no nosso país. A questão é que nem toda a gente sabe ou está atenta, ao facto de a EGF ser uma sub-holding da muito mais apetecível Águas de Portugal. E é exactamente a Águas de Portugal que é o objectivo a atingir, ou seja, o que se quer mesmo é privatizar a água em Portugal, numa miserável agenda ideológica que pretende privatizar tudo, mas especialmente a água, por muitos considerada o “petróleo do séc. XXI”.

Como bem se compreende o epiteto de petróleo do séc. XXI não é uma denominação aleatória, antes se funda no facto de a água significar muito lucro e poder, muito poder. É isso que faz com que a água – composto químico único essencial à sobrevivência das espécies e, principalmente, da humana – seja hoje o principal foco de interesse daqueles que veem nela o principal instrumento de dominação futura.

Uma nota mais, reveladora, sobre quem são os principais interessados e agitadores da marcha forçada para a privatização da água em todo o mundo: o Banco Mundial, o FMI e a União Europeia, que uma vez mais, demonstra inequivocamente ao serviço de quem se põe, sistematicamente.

Em Portugal – embora muita gente inconscientemente pense que não – estamos na eminência de uma dramática escassez de água. Não é coisa de televisão que apenas acontece aos outros. Recorde-se que os 3 principais rios que cruzam o território nacional, Douro, Guadiana e Tejo, e que são cruciais para o abastecimento de água ao país, correm de Espanha e deixam-nos particularmente dependentes. Só temos água armazenada para 2 dias, repito, 2 dias.

Ainda alguém se lembra que aqui há uns anos, Espanha reduziu substancialmente os caudais e os rios em Portugal pareciam ribeiros à beira da extinção ? Percebe-se melhor assim, porque é tão perigosa a privatização da água ? Por causa do poder de abrir e fechar a torneira para quem se quiser, quando se quiser.

Paralelamente, à absoluta oposição à privatização da água, impõe-se uma campanha nacional de informação às populações sobre a necessidade de preservar rigorosamente este bem escasso e essencial, bem como tomar medidas operativas para acabar com o desperdício. Só em Loures, no final do reinado da gestão PS, as perdas na rede estimavam-se em 40%. É uma cifra escandalosa e temerária.
 
Um governo a sério, aproveitaria o próximo ciclo de fundos europeus para fazer o que é preciso e urgente no domínio da água, enquanto recurso indispensável e tão ameaçado como está. Privatizar, como suposto instrumento de gestão, não passa de um grave crime lesa-pátria.
 
publicado em Notícias de Loures, nº 6, Agosto 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

UMA PESSOA DE NOME ABREU QUE MANDA NA LOURES PARQUE QUE MANDA NAS RUAS DE MOSCAVIDE


Uma pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, esteve ontem numa reunião muito concorrida, aqui na minha freguesia, para nos dizer que agora vai passar a ouvir o que as pessoas de Moscavide pensam da Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide.

Derivado do que devemos ficar todos muito agradecidos por este gesto magnânimo da pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, pois como teve a bondade de explicar às ignaras gentes de Moscavide ali reunidas, há já 14 anos que a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, não ouvia as pessoas de Moscavide que não mandam nas ruas de Moscavide.

Ficámos ainda a saber que a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, agora também fala com a Câmara Municipal de Loures que julgava eu que mandasse nas ruas de Moscavide, mas isso sou só eu que ainda sou do tempo em que não havia a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, nem todas aquelas PPP e empresas municipais que tanto têm feito pelo progresso do País, do concelho de Loures, e obviamente das simpáticas pessoas de Moscavide.

Derivado do que nesses tempos recuados, segundo a pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, a dita Moscavide era um completo e total Caos automobilístico, coisa de que nem eu nem as suburbanas pessoas de Moscavide se tinham sequer apercebido, provavelmente derivado de não estarmos ao corrente dos mais modernos conceitos de ordenamento automobilístico, rotatividade de estacionamento e outras coisas que, para além das praxes, a nossa juventude vai aprender para as universidades.

Claro que até vos podia contar aqui tudo o que lá se passou na reunião, embora bem espremido aquilo não deu nada, mas derivado dos meus múltiplos afazeres, nem eu posso estar para aqui a desbobinar (espero que o patrão pense que estou a acabar aquele mapa de stock que devia ter ficado pronto anteontem), nem vocês têm tempo ou pachorra para ouvir falar mais de cenas de caça à multa, fiscais da Loures Parque com tiques fascistas, carros bloqueadados e rebocados, ou do motorista de táxi que apanhou uma multa de 30 euros por ter ajudado a levar uma mala duma cliente octogenária ao 2º andar duma das ruas de Moscavide em que quem manda é a Loures Parque.

Mas ainda assim quero só dizer-vos que o momento mais divertido da reunião, e que pôs o pessoal todo a rir à gargalhada, foi quando a pessoa de nome Abreu que manda na Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide, revelou que a Loures Parque que manda nas ruas de Moscavide não está cá nem para fazer caça à multa nem para extorquir dinheiro às pessoas de Moscavide que não mandam, mas que deviam mandar, nas ruas de Moscavide.

domingo, 5 de outubro de 2014

OS 60 ANOS DA REPÚBLICA EM MOSCAVIDE


Em 1970, um ano de intensas lutas operárias nesta parte oriental da cintura industrial de Lisboa, os democratas ligados ao MDP/CDE de diversas localidades do concelho de Loures, decidiram comemorar publicamente a implantação da República.

Embora não fosse habitual pedir autorização às entidades oficiais para este tipo de iniciativas, em 1970, para desmascarar a demagogia da chamada "Primavera Marcelista", foi decidido apresentar requerimentos para a realização das várias sessões comemorativas, entre elas a que teria lugar no Centro Social e Paroquial de Moscavide.

Como se refere na carta junta, o requerimento relativo à sessão de Moscavide foi subscrito por António Mascarenhas, Arnaldo Kruger, e José Anjos Julião, os dois primeiros operários da DIALAP, e o terceiro do Matadouro de Lisboa.

A sessão acabou por ser proibida e, para além da comunicação aos subscritores do requerimento, a PSP de Moscavide intimou para irem à esquadra a Direcção do Centro Social e Paroquial de Moscavide onde, no meio de algumas provocações, comunicaram ao padre José Policarpo(*) e a João Pimenta, que a sessão tinha sido proibida.

(*)
O padre José Policarpo, mais tarde Bispo e Cardeal de Lisboa, estava na altura a substituir o padre Francisco Cosme (ausente durante algum tempo em Madrid) e por inerência de função era o presidente do Centro Social e Paroquial de Moscavide, que dirigia juntamente com mais dois directores, João Pimenta e José Quaresma.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

NÓS AMÁVAMOS A AMÉRICA
As ilusões perdidas dum russo da geração de 90.


Nós amávamos a América. É verdade, eu lembro-me. Quando éramos adolescentes, crescendo nos anos 90, a maioria dos meus amigos da mesma idade nem sequer questionava a sua atitude para com a civilização ocidental. Era o máximo, como poderia ser de outra forma?

Ao contrário dos nossos avós, e até mesmo dos pais, nós não pensávamos na implosão da URSS - a "maior catástrofe geopolítica do século XX" - como um desastre. Para nós, era o início de uma longa jornada. Finalmente, íamos sair da concha soviética para o grande mundo - fixe e sem limites.

O primeiro golpe sério na nossa orientação pró-ocidental foi o Kosovo. Foi um choque; os nossos óculos cor de rosa foram quebrados em pedaços. O bombardeamento de Belgrado foi, para minha geração, como os ataques do 9/11 para os americanos. A nossa visão do mundo girou 180 graus.

Depois foi o Iraque, o Afeganistão, a separação final do Kosovo, a "Primavera Árabe", a Líbia, a Síria - tudo isso foi surpreendente, mas ainda não um tremor de terra.

Mas com o Euro Maidan (Kiev, Ucrânia) e a subsequente e feroz guerra civil tudo ficou claro: "o processo democrático" - desprovido de regras e lançado em território inimigo - não é um brinquedo geopolítico, mas uma verdadeira arma de destruição maciça. É o único tipo de arma que pode ser usado contra um Estado com armas nucleares.

É muito simples: quando alguém apertar o botão e enviar um míssil nuclear através do oceano, vai certamente receber um idêntico de volta. Mas quando semeia o caos em território inimigo, não é o culpado. Agressão? Que agressão ?! Este é um processo democrático natural! O eterno desejo das pessoas pela liberdade!

Vemos o sangue e os crimes de guerra, os corpos de mulheres e crianças, um país inteiro (Ucrânia) a precipitar-se de volta para a década de 40 - e o mundo ocidental, que nós tanto amávamos, assegura-nos que nada disso está acontecendo.

A cultura que nos trouxe Jim Morrison, Mark Knopfler, e os Beatles, não vê o que se está a passar. Os descendentes e os próprios participantes de Woodstock, os velhos hippies que tanto cantavam "All you need is love", também não vêem. Mesmo os atenciosos alemães da geração do pós-guerra que tentou penitenciar-se pelos pecados de seus pais, não vêem nada.

Há vinte anos atrás, não fomos derrotados. Nós rendemo-nos. Não perdemos militarmente, mas culturalmente. Nós só queríamos ser como vocês. O rock-n-roll fez mais do que todas as ogivas nucleares. Hollywood era mais forte que as ameaças e ultimatos. O rugido das Harley-Davidsons durante a Guerra Fria soava mais alto do que o estrépito dos caças e dos bombardeiros.

Vocês América eram um país fixe. Bom, vocês tinham Hiroshima, o Vietnam, o KKK e um armário cheio de outros esqueletos, como qualquer império. Mas, durante um tempo, toda essa porcaria não alcançou a massa crítica que transforma o vinho em vinagre.

Agora estão a desperdiçar o vosso principal activo - a superioridade moral. Activo que uma vez perdido não pode ser restaurado.

Vocês estão a começar a morrer lentamente, América. E se pensam que isso me faz feliz, estão enganados. Uma grande mudança de épocas é sempre acompanhada por grandes derramamentos de sangue, e eu não gosto de sangue. Nós, as pessoas que já passaram pelo pôr do sol do nosso império, podíamos até explicar o que vocês estão a fazer de errado. Mas não vamos explicar. Adivinhem vocês mesmos.

Dmitry Sokolov-Mitrich, jornalista russo.

(Extractos dum texto em Inglês, que pode ler integralmente aqui: http://bit.ly/1Ba2JXe )

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DO QUE ELES FALAM QUANDO FALAM EM POUPAR
A propósito da discussão pública do Orçamento da C.M.Loures para 2015


Com dois dias de diferença leio no Publico duas noticias que dão conta de como o Estado "poupa" em despesas com crianças.

A primeira noticia é de 20/9/2014 http://bit.ly/1mJu95l e diz que a Segurança Social “poupou” 18,6 milhões de euros nos apoios às crianças com necessidades especiais, e a outra, de 22/9/2014 http://bit.ly/1pbE1jR , diz que a Câmara de Loures conseguiu "poupar" 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares.

Só que o "poupar" no caso dos 18,6 milhões de euros na Segurança Social quer dizer um corte de 13,4 milhões de euros de apoios a crianças com necessidades educativas especiais, de 26,3 para 12,9 milhões de euros, mais de 50%, e outro corte de 5,2 milhões aos subsídios por educação especial e bonificação do abono de família para crianças e jovens com deficiência, o que somado dá o tal "poupar" de 18,6 milhões de euros.

Já na Câmara de Loures o "poupar" de 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares, não implicou quaisquer cortes nem na quantidade nem na qualidade das refeições fornecidas às crianças, o que houve de facto foi mais um caso do combate à ineficácia, despesismo, e favorecimento de clientelas, que caracterizaram a anterior gestão PS Loures na câmara.

Claro que quem leia as duas noticias constatará facilmente a natureza oposta entre o "poupar" da Segurança Social e o da Câmara de Loures, mas o problema é que para a grande maioria o que conta é o titulo, e a ideia que poderá ficar é que tal como Rui Ramos vaticinou há cerca de um ano no Expresso, de que perante a Crise e o estado em que o PS deixou a câmara de Loures, não restaria a Bernardino Soares e à CDU fazer na Câmara de Loures, o que Passos Coelho e e PSD/CDS estão a fazer no país. Prognóstico que até à data está a sair completamente furado.

Num contexto de sérias dificuldades financeiras, decorrentes da situação em que o PS Loures deixou a câmara, e dos agravados cortes e restrições do governo PSD/CDS às autarquias, resolveu o novo Executivo CDU levar à discussão publica o Orçamento da Câmara para 2015.

Saudando a iniciativa aqui deixo os meus votos para que eleitos e munícipes saibam distinguir entre as diversos modos de conjugar o verbo "poupar", e que a discussão não se centre no que não será possível avançar agora, mas no muito que, apesar das dificuldades, é necessário e possível fazer para vivermos melhor no concelho de Loures.