quarta-feira, 24 de setembro de 2014
DO QUE ELES FALAM QUANDO FALAM EM POUPAR
A propósito da discussão pública do Orçamento da C.M.Loures para 2015
Com dois dias de diferença leio no Publico duas noticias que dão conta de como o Estado "poupa" em despesas com crianças.
A primeira noticia é de 20/9/2014 http://bit.ly/1mJu95l e diz que a Segurança Social “poupou” 18,6 milhões de euros nos apoios às crianças com necessidades especiais, e a outra, de 22/9/2014 http://bit.ly/1pbE1jR , diz que a Câmara de Loures conseguiu "poupar" 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares.
Só que o "poupar" no caso dos 18,6 milhões de euros na Segurança Social quer dizer um corte de 13,4 milhões de euros de apoios a crianças com necessidades educativas especiais, de 26,3 para 12,9 milhões de euros, mais de 50%, e outro corte de 5,2 milhões aos subsídios por educação especial e bonificação do abono de família para crianças e jovens com deficiência, o que somado dá o tal "poupar" de 18,6 milhões de euros.
Já na Câmara de Loures o "poupar" de 1,7 milhões de euros por ano no contrato de fornecimento de refeições escolares, não implicou quaisquer cortes nem na quantidade nem na qualidade das refeições fornecidas às crianças, o que houve de facto foi mais um caso do combate à ineficácia, despesismo, e favorecimento de clientelas, que caracterizaram a anterior gestão PS Loures na câmara.
Claro que quem leia as duas noticias constatará facilmente a natureza oposta entre o "poupar" da Segurança Social e o da Câmara de Loures, mas o problema é que para a grande maioria o que conta é o titulo, e a ideia que poderá ficar é que tal como Rui Ramos vaticinou há cerca de um ano no Expresso, de que perante a Crise e o estado em que o PS deixou a câmara de Loures, não restaria a Bernardino Soares e à CDU fazer na Câmara de Loures, o que Passos Coelho e e PSD/CDS estão a fazer no país. Prognóstico que até à data está a sair completamente furado.
Num contexto de sérias dificuldades financeiras, decorrentes da situação em que o PS Loures deixou a câmara, e dos agravados cortes e restrições do governo PSD/CDS às autarquias, resolveu o novo Executivo CDU levar à discussão publica o Orçamento da Câmara para 2015.
Saudando a iniciativa aqui deixo os meus votos para que eleitos e munícipes saibam distinguir entre as diversos modos de conjugar o verbo "poupar", e que a discussão não se centre no que não será possível avançar agora, mas no muito que, apesar das dificuldades, é necessário e possível fazer para vivermos melhor no concelho de Loures.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
A RÚSSIA FARTOU-SE?
Nem a implosão do regime socialista, nem o desmembramento da URSS e extinção do Pacto de Varsóvia, nem a abertura do país à pilhagem ocidental, foram suficientes para proporcionar à Rússia o lugar a que as suas elites atlanticistas aspiravam no concerto das potências capitalistas.
Tratada com sobranceria e desprezo, a Rússia parece estar agora a fartar-se de tanta humilhação. O apertar do cerco da Nato, as provocações na Ucrânia, e as sanções de natureza política, económica e financeira, parece serem a gota que vai fazer transbordar a taça.
No reinicio dos trabalhos da Duma (Assembleia Legislativa) da Federação Russa os líderes de TODOS os partidos concordaram em que abrigar qualquer esperança de relações sãs com o Ocidente é uma perda de tempo. O consenso agora é de que a Rússia deve:
1) Voltar-se para o resto do planeta;
2) Aceitar o desafio de lidar com uma situação hostil e agressiva do "Ocidente";
3) Usar esta oportunidade para libertar a Rússia do sistema político, económico e financeiro ocidental.
Talvez não seja ainda o ponto de não retorno, mas se Obama, com o apoio dos lacaios da UE, continuar na rota de confronto: Good bye New World Order.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
CESSAR O QUÊ?
Sobre o Cessar Fogo no leste da Ucrânia.
Ao fim de 10 dias e apesar de algum optimismo inicial, torna-se claro que as hostilidades no leste da Ucrânia nunca cessaram, e que se houve de facto uma abrandar das hostilidades tal deve-se à necessidade de as forças de ambos os lados se reagruparem e reposicionarem no terreno, depois da ofensiva da resistência nos finais de Agosto, que penalizou fortemente os nazi fascistas de Kiev.
Mas desde o principio houve sérias dúvidas sobre a viabilidade do cessar fogo. Em primeiro lugar devido ao que separa as duas partes, depois por a Junta de Kiev ter sempre violado anteriores acordos, e por ultimo devido a não se perceber quem fica obrigado por um acordo de cessar fogo assinado por:
Heidi Talyavini, embaixadora da OSCE L.D. Kuchma, presidente da Ucrania de 1994 a 2005 M.Y. Zurabov, embaixador da Russia A.V. Zakharchenko I.V. Plotnitskiy
Ou seja uma embaixadora da OSCE, que participa como observadora, um antigo presidente da Ucrânia que não revela quem está a representar, um embaixador da Rússia que sempre afirmou não ser parte do conflito (e portanto estará ali como observador ou facilitador) e os dois líderes das republicas de Lugansk e Donetsk, que assinam a titulo individual, sem indicação dos seus cargos na RPL e RPD, e que agora vêm a publico esclarecer que participaram nas negociações como observadores. Nem numa novela de Kafka se encontra enredo tão absurdo.
Nota final
O Acordo de Cessar Fogo, de que pode ver uma cópia e tradução em Inglês aqui: http://bit.ly/YLErXT é também uma pequena obra prima da arte da obfuscação.
domingo, 17 de agosto de 2014
A COREIA DO NORTE REVELADA.
Jang Jin-Sung poeta laureado da Coreia do Norte desertou e, desde então, tem-se dedicado a iluminar o mundo sobre a verdadeira natureza do regime dos Kim.
Esta semana está no Expresso a contar-nos que o mais jovem Kim usa sapatos com cunha para parecer mais alto, e a fazer outras revelações igualmente susceptíveis de alterar o equilíbrio geo estratégico do planeta.
Ao contrário do que por vezes acontece Jan Jin-Sung é uma testemunha credível (dizem eles), homem culto e informado, que nos confessa que até ao dia em que se encontrou (presumo que no WC) com Kim Jonj-il "julgava, por exemplo, que Kim não ia à casa de banho".
Nem quero imaginar o choque do Sung ao realizar (como se diz agora em neo liberalês) que o Kim mijava e cagava como qualquer um de nós.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
BAN KI MOON DIZ QUE A CULPA É DE NETANYAU E DO HAMAS, E OFERECE-SE PARA MEDIAR O CONFLITO.
OS REFORMADOS DE MOSCAVIDE NÃO PODEM SER PREJUDICADOS
Moscavide tem sido ao longo da sua existência como agregação populacional, prova real de afirmação associativa. O associativismo na história de Moscavide é uma marca incontornável no processo de formação da vila foi um forte factor de coesão ajudando à criação da sua identidade, e assim, foi sempre elemento de resposta às necessidades de convivência da população neste espaço de apenas um quilómetro quadrado. Por isso esta pequena terra é detentora de diversas agremiações que percorrendo objectivos específicos às suas formações eram e são sempre locais de convívio mais alargado. É assim Moscavide.
A CDU reconhecendo naturalmente o valor e a importância do associativismo como forma de expressão da acção social das populações em áreas tão abrangentes como a cultura e desporto, o recreio, a educação e também a ação social, tem pugnado ao longo dos anos pela defesa destas Instituições apoiando-as de diversas maneiras, quer participando no coletivo das suas Direções, quer quando está no poder Autárquico criando incentivos para o seu desenvolvimento e para a sua autonomia.
É pois com apreensão que estamos a assistir a entraves colocados ao Movimento Associativo em que se envolveram o Executivo da Junta de Freguesia de Moscavide e Portela e a Direção da CURPIM, acusando-se mutuamente de decisões e irregularidades que só tem trazido PREJUÍZO aos REFORMADOS desta Associação. Intromissões e promiscuidades que vêm do passado e que urge retifícar.
A CURPIM É DE TODOS E PARA TODOS. PARA A CDU, ESTA NÃO É A FORMA DESEJADA DE DEFENDER OS REFORMADOS, MAS SIM O DIÁLOGO CONSTRUTIVO PARA O BOM FUNCIONAMENTO DA INSTITUIÇÃO como se espera que venha a acontecer o mais breve possível.
Condição para que se possa construir um ambiente de excelência que nos leve também àquele que é o fim último desta notável instituição que é o apoio por ela prestado a este escalão etário - a população sénior - tão maltratada por esta politica do governo, mas tão necessária e bem-vindo nesta terra naturalmente envelhecida, dando aos REFORMADOS um forte e merecido motivo de orgulho.
ESTAMOS DISPONÍVEIS PARA AJUDAR E PARTICIPAR. ESTAMOS DISPONÍVEIS PARA CRIAR AS PONTES DE DIALOGO. PODEM CONTAR COM A CDU !
"PARA A CDU, É PRECISO DEFENDER OS INTERESSES DOS REFORMADOS. É PRECISO UM DIÁLOGO CONSTRUTIVO PARA O BOM FUNCIONAMENTO DA CURPIM!"
"PODEM CONTAR COM A CDU."
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
BES VELHO, NOVO BANCO, OU MAIS UMA TANGA POPULISTA PARA ENGANAR PAPALVOS.
A estória mete simpáticos cidadãos, depositantes em risco de perderem as suadas poupanças e contribuintes carecas de dar para o peditório da Banca, vilões, a família Espírito Santo agora tomada do espírito do Demo, cavaleiros brancos, Carlos Costa, Grão Mestre da Ordem do BdP ao serviço do regente Coelho e da Imperadora Merkel, e como no habitual conto de fadas destes tempos pós modernos, acaba, não propriamente com um final feliz, mas mais do tipo "foi o que se pôde arranjar".
Narrativa interessante, um amigo jornalista chama-lhe mesmo "engenhosa" mas, para mal dos nossos pecados, com sérios problemas de adesão à realidade, por exemplo:
A cena de retirarem activos "bons" aos BES, e levarem-nos para o Novo Banco, é o quê? Uma expropriação? Sem indemnizações? Ao abrigo de que legislação? Aquela parte da Constituição que garante a propriedade privada foi suspensa? Os accionistas e obrigacionistas, especialmente os grandes, internacionais, iriam engolir a mezinha sem estrebuchar?
Depois, num outro plano, dos cerca de 35 000 milhões de euros de depósitos de clientes que o BES tinha em 30/6/2014, quanto é que restará dentro de um ou dois meses no Banco Novo? Claro que não há filas de clientes à porta das agências mas, da PT à minha vizinha reformada, a migração para outros bancos vai de vento em popa. E sem o dinheiro que está a sair como é que o banco se vai manter? Mais "injecções"? E onde é que vão buscar tantas seringas?
Perguntas a que o tempo irá dando respostas, infelizmente muito diferentes da estória cor de rosa laranja que nos estão agora a impingir. Os custos do Novo Banco para o contribuinte (o Fundo de Resolução não passa dum biombo para tentar esconder o Estado) irão seguramente ultrapassar os do BPN. Somando a isto os prejuízos da derrocada do BES velho e das empresas do GES, é mais um pedregulho ao pescoço da hipotética, e mais uma vez adiada, recuperação da economia nacional.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Há ambiente para o Ambiente ?
Há 12 anos, o Departamento de
Ambiente da Câmara Municipal de Loures ficou dotado de um conjunto de
instrumentos que podiam ter permitido ao Município dar um passo substancial de progresso
e afirmação na área ambiental no seu território, mas também ser um exemplo
nacional e internacional, muito para além das declarações de boas intenções.
Não apenas exemplo pelo exemplo,
mas verdadeiramente um exemplo de transformação sustentável, invejável,
desejável.
A seu tempo, os convocarei aqui
porque: a) eram e são pertinentes e b) os estudos e projectos que lhe estão
subjacentes, custaram muito dinheiro ao erário público, ao longo de vários
mandatos, e não devem simplesmente apodrecer sem consequência num qualquer
arquivo, caso não tenham sido já triturados, naquela mega-operação de reduzir a
farrapos toneladas de papel, missão a que se prestou a equipa derrotada nas
ultimas eleições autárquicas.
Hoje, serei mais prosaico e
apenas chamo à colacção o projecto do Sistema
de Gestão Ambiental, que na sua essência era – e pode ser – um projecto
singelo, mas que transportava – e deve transportar – no bojo, uma verdadeira
revolução na abordagem ambiental e de sustentabilidade em Loures.
Recordo, os pressupostos
essenciais:
1. Visava
que as entidades municipais se constituíssem em padrão de conduta ambiental
para empresas, instituições e cidadãos. Não faz sentido que a Câmara Municipal
ou os Serviços Municipalizados promovam a fiscalização e apliquem coimas a
terceiros ou invistam em educação ambiental, para que depois os serviços
municipais tenham procedimentos e uma actuação que negue ou contrarie os bons
princípios reclamados;
2. Tinha
por objectivo, uma progressiva redução de custos na actividade municipal, uma
“austeridade” inteligente e propiciadora de novos investimentos. Desde a
poupança de papel à redução do consumo de combustíveis fósseis, da concepção de
equipamentos municipais sustentáveis à utilização racional da água. E muito,
muito mais, que não se detalha por razões de espaço. Portanto, nada de gastar
mais, mas antes, economizar e muito;
3. A
transversalidade às instâncias municipais. Câmara, Serviços Municipalizados,
Empresas Municipais, Participações Accionistas do Município, Fornecedores;
4. Uma
aplicação progressiva, passo a passo, alterando processos e mentalidades,
assegurando o envolvimento de todos os agentes municipais, em efeito mancha de
óleo e a penetração no quotidiano das melhores práticas;
5. A
transposição para a comunidade, do exemplo, das conquistas, das vantagens, dos
benefícios, obtidos no contexto municipal;
É um conceito cuja potencialidade
justifica que a direcção política do Município equacione recuperar, por
ventura, noutros termos e com outros protagonistas e, sobretudo, accionar.
Caso haja ambiente, para o
Ambiente…
segunda-feira, 28 de julho de 2014
DIREITO À MEMÓRIA: LUTA, E REPRESSÃO FASCISTA, EM MOSCAVIDE.
A propósito da exposição "Loures na Rota para a Liberdade (1958-1976)", presente no Arquivo Municipal de Loures, recordo aqui o documento "TODOS AO RECENSEAMENTO ELEITORAL" que servia de apoio a uma campanha de recenseamento porta a porta, levada a cabo, em princípios de 1971 em Moscavide, por activistas do MDP/CDE.
Embora tratando-se duma iniciativa no quadro "legal" do regime, e se viver então em pretensa "primavera marcelista", nada escapava à vigilância e repressão do regime fascista (que agora tanta gente se empenha em branquear) como podem ver pela Informação do pide, que decorre da decisão de identificar os "subversivos" responsáveis por tal acção "anti regime".
Se repararem as averiguações incidiram apenas sobre alguns, não todos, os signatários do Apelo, porque a maioria, como pode ler na Informação do pide: "QUANTO AOS RESTANTES, EM VIRTUDE DE JÁ EXISTIREM AS SUAS IDENTIDADES (FICHAS) NA DGS (PIDE), NÃO FOI PRECISO PROCEDER-SE ÀS AVERIGUAÇÕES ACERCA DOS MESMOS".
Lembrar quem não viveu esses tempos que ter Ficha na Pide era suficiente para, entre outras coisas, uma pessoa deixar de ter acesso a emprego, ou mesmo ser expulso da função publica e de grandes empresas, ser-lhe vetado o exercício de cargos dirigentes em qualquer tipo de associação (todas sujeitas a homologação do governo), ver recusada a emissão de passaporte, enfim, ter a sua vida publica e privada devassada pelos agentes e a tentacular rede de informadores da Pide.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
RESISTENTES ANTIFASCISTAS
O Grupo do Facebook "Fascismo Nunca Mais" está a publicar curtas biografias de resistentes antifascistas, que se encontram coligidas na Página Nas suas vidas a força do povo
Pode ainda aceder a essas biografias através deste ÍNDICE por ordem alfabética do primeiro nome.
domingo, 6 de julho de 2014
De quem é o mandato ?
A questão que aqui quero trazer à indagação geral e reflexão colectiva, não é jurídica. É política e ética !
E é muito simples, a pergunta, mas já a resposta não me parece linear, embora sobre ela tenha convicções como adiante se verá.
Pelo nosso sistema eleitoral - que acho bem estruturado, democráticamente evoluído, verdadeiramente representativo, embora não perfeito, claro - os indivíduos aceitam candidatar-se aos cargos políticos, integrados em listas (excepção feita, evidentemente, ao cargo unipessoal de Presidente da República) de forças políticas ou listas de cidadãos (ditas independentes).
Ao aceitarem integrar uma tal lista, revelam dispor-se a partilhar com outros um projecto de intervenção, qualquer que ele seja. Assumem, desde logo, um compromisso com os seus pares, os seus companheiros da lista candidata.
Se se integrarem numa lista de uma força partidária, estarão cumulativamente a aceitar representar - em menor ou maior grau - para além do projecto em concreto pelo qual são candidatos, um ideário, subjacente à existência e actividade da referida força partidária através da qual se candidatam.
No dia das eleições, sujeitam-se a si próprios, o projecto que representam e a força política em que se candidatam e o seu ideário, ao juízo dos eleitores, que fazem as suas opções, votando.
Ao aceitarem integrar uma tal lista, revelam dispor-se a partilhar com outros um projecto de intervenção, qualquer que ele seja. Assumem, desde logo, um compromisso com os seus pares, os seus companheiros da lista candidata.
Se se integrarem numa lista de uma força partidária, estarão cumulativamente a aceitar representar - em menor ou maior grau - para além do projecto em concreto pelo qual são candidatos, um ideário, subjacente à existência e actividade da referida força partidária através da qual se candidatam.
No dia das eleições, sujeitam-se a si próprios, o projecto que representam e a força política em que se candidatam e o seu ideário, ao juízo dos eleitores, que fazem as suas opções, votando.
Como as condições em que se candidatam dificilmente são autonomizáveis - a menos que tenha havido uma prévia clarificação pública da situação -, uma vez eleito o indivíduo, levanta-se a questão (e tantas vezes tem sido levantada em termos práticos) sobre a quem verdadeiramente pertence o mandato.
Pertence ao indivíduo candidato eleito, ao grupo ou força política pela qual se candidata ou aos eleitores que votaram naquela lista ?
Acredito que hajam opiniões para todos os gostos e, certamente, se jogará - quando a questão se coloca - com inúmeros argumentos, consoante as conveniências e os interesses em jogo.
Pertence ao indivíduo candidato eleito, ao grupo ou força política pela qual se candidata ou aos eleitores que votaram naquela lista ?
Acredito que hajam opiniões para todos os gostos e, certamente, se jogará - quando a questão se coloca - com inúmeros argumentos, consoante as conveniências e os interesses em jogo.
Julgo que os partidos institucionalistas, do sistema, da reprodução do status quo, reclamarão para si a "propriedade" do mandato e a discricionaridade da decisão de manterem "confiança" em tal ou tal eleito, de acordo com a sua fidelidade ao ideário, lealdade aos principios programáticos e conduta perante a acção política concreta.
Os indivíduos, apesar de integrados numa lista e apesar de terem aceite todas as condições de partida e tendo-se sujeitado ao voto popular num dado projecto, tendem (em momentos de crise ou tensão interna) a reivindicar o mandato para si próprios. No limite, reclamando uma condição de "eleito independente" e promovendo a ruptura com a lista ou partido pelo qual se candidataram, permanecendo, contudo, na função.
Os indivíduos, apesar de integrados numa lista e apesar de terem aceite todas as condições de partida e tendo-se sujeitado ao voto popular num dado projecto, tendem (em momentos de crise ou tensão interna) a reivindicar o mandato para si próprios. No limite, reclamando uma condição de "eleito independente" e promovendo a ruptura com a lista ou partido pelo qual se candidataram, permanecendo, contudo, na função.
Estas são, diria, as situações mais frequentes, para não dizer as exclusivas, a que temos podido assistir na vida política nacional.
Não conheço caso nenhum em que prevaleça a vontade do eleitor ou que lhe seja dada a possibilidade de ajuízar e decidir sobre se quer manter o indivíduo em funções ou se reconhece ao "colectivo" em que o indivíduo se integra o direito de o censurar ou remover.
Permito-me considerar que numa democracia avançada, participativa, éticamente evoluída - num futuro qualquer em que seja possível pô-la em prática total ou parcialmente - que devem os cidadãos:
1. Os que foram eleitos, terem a capacidade de reconhecer que o mandato não é exclusivamente seu, terem a capacidade de eventualmente assumir as suas insuficiências para o cargo em que estejam investidos ou para implementarem o projecto que diziam representar e a humildade de abdicarem quando manifestamente as suas acções não correm a contento e se percebe o "choque" com a vontade do "seu" eleitorado;
2. Os que elegeram, terem a capacidade de vigiar as suas escolhas, terem a sensatez de assinalarem o que lhes parece que não está a correr bem e, em tempo oportuno, terem a determinação de exercer a sua influência, em ordem a fazer substituir quem não corresponde ou, a "pôr na ordem", a lista ou força partidária que suportou a eleição do indivíduo.
Bem reconheço que estarei a navegar num plano de exigência cívica quase idealista, mas não reflectir sobre a problemática e não elevar o patamar de cidadania só dá mais e mais espaço a todos os oportunismos e a condutas políticas e éticas pouco recomendáveis, dos indivíduos, das listas, dos partidos.
Defendo pois que os cidadãos (eleitores, bem entendido) devem ter, a todo o tempo, uma palavra a dizer sobre aqueles que elegeram e, que os eleitos, devem estar a todo o tempo preparados e disponíveis para renunciar aos seus cargos.
A minha visão é a de que o indivíduo não pode - em nome do interesse geral - impôr a sua presença quando, manifestamente perturba a concretização do projecto que dizia representar ou quando, os seus eleitores lhe façam sentir que está num caminho errado.
Em suma, para mim, o mandato não é do indivíduo e, por muito injustiçado que possa sentir-se, deve abdicar assim que explicitamente perceber que é persona non grata na concretização daquele projecto.
A problemática tem inúmeros talvez, apesar, contudo, se, provavelmente. Mas a verdade é que em política o que parece, costuma ser.
Portanto, de quem é o mandato ?
Do indivíduo, só muito parcelarmente, sejam quais forem os seus méritos, experiência ou curriculum.
Não faltam por aí profissionais altamente competentes que têm muito pouca capacidade de representarem interesses mais vastos que a si próprios ou da sua classe profissional.
As coisas são o que são e o mandato - numa democracia representativa - só pode ser dos eleitores. Digo eu...
A problemática tem inúmeros talvez, apesar, contudo, se, provavelmente. Mas a verdade é que em política o que parece, costuma ser.
Portanto, de quem é o mandato ?
Do indivíduo, só muito parcelarmente, sejam quais forem os seus méritos, experiência ou curriculum.
Não faltam por aí profissionais altamente competentes que têm muito pouca capacidade de representarem interesses mais vastos que a si próprios ou da sua classe profissional.
As coisas são o que são e o mandato - numa democracia representativa - só pode ser dos eleitores. Digo eu...
sábado, 28 de junho de 2014
EU VOTO NO COSTA
Para todos, à esquerda, podermos seguir em frente com as nossas vidas.
Se me deixarem votar, claro, coisa improvável pois com o Coelhone e o Constança a fazer o Regulamento das primárias, provavelmente os tais simpatizantes, para puderem votar, vão ter de apresentar um atestado de direita passado pelo PSD ou pelo CDS.
Mas se pudesse votar, votava mesmo no Costa. Não por Costa ser mais à direita ou à esquerda que Seguro, nem por, como não tenho problemas em admitir, achar o Costa um tipo com mais pinta e savoir faire. As minhas razões para preferir o Costa são outras:
Com Costa ou com Seguro, em 2015 o PS estará no governo, muito provavelmente com o PSD, a aplicar o Pacto Orçamental em modo "saída limpa" da troika: cortes, privatizações a preço da uva mijona, desregulação, despedimentos, desemprego, desigualdade, caridade, miséria.
Por isso o destino do PS, como aliás o da social democracia (socialismo) europeia, está traçado e vai ser o destino do PASOK, que em menos duma década caiu de votações acima dos 40%, para os 12% nas europeias de Maio.
A diferença entre Costa e Seguro, é que com Seguro a queda do PS será menos abrupta e a agonia mais longa, pois aquela esquerda que há décadas vive da esperança de que o PS ainda há-de ser socialista, para essa esquerda light & sebastianista, com Seguro no governo ficará sempre a ilusão de que com Costa teria sido diferente.
Com Costa, deixará de haver desculpas, encerra-se de vez o capítulo da hegemonia PS do centro esquerda, e como se diz daquelas separações que põem um ponto final a longas relações há muito falhadas, poderemos todos, à esquerda, seguir em frente com as nossas vidas.
domingo, 22 de junho de 2014
10 PONTOS A PROPÓSITO DA CRIAÇÃO DO SIMAR (*)
Serviço Inter Municipalizado de Águas e Resíduos Sólidos de Loures e Odivelas.
I
A luta dos trabalhadores contra a destruição dos SMAS e por um serviço publico de Águas e Resíduos Sólidos ao serviço das populações de Loures e Odivelas, é a luta politica mais importante dos últimos anos no concelho de Loures (**).
II
A luta dos trabalhadores dos SMAS foi determinante na conquista da Câmara de Loures por Bernardino Soares e a CDU nas autárquicas de 2013.
III
Se o PS tivesse continuado à frente da Câmara de Loures, a privatização das Águas em Odivelas, mesmo com a continuação da oposição dos trabalhadores dos SMAS, estaria agora a ser concretizada sem problemas de maior.
IV
Mas com a vitória da CDU, Susana Amador perdeu quem lhe assegurava a obediência/conivência da Câmara de Loures à concretização da privatização das Águas aprovada em Assembleia Municipal de Odivelas, com os votos favoráveis do PS e PSD, em Fevereiro de 2013.
V
Com o PCP e Bernardino Soares à frente da Câmara de Loures, tentar levar por diante a concretização da privatização (como é que Odivelas podia privatizar uma coisa que não lhe pertencia?) seria meter-se num sarilho sem fim à vista nem solução garantida, e foi isso que levou Susana Amador a recuar e a aceitar negociar com Bernardino Soares.
VI
Cedendo no acessório (paridade na gestão do SIMAR quando Loures tem mais território e população que Odivelas), Bernardino Soares, alcança o essencial, o abandono da privatização e o acordo para a constituição do SIMAR.
VII
A vitória que representa a criação dos SIMAR, embora importante e fundamental nesta fase da luta, não afasta definitivamente os perigos que pendem sobre o serviço publico de água e resíduos sólidos nos concelhos de Loures e Odivelas.
VIII
O recuo de Odivelas pode ser apenas temporário, a criação do SIMAR pode até vir a ser uma base mais favorável para a privatização das águas e lixo no futuro, caso o PS dos interesses e negócios consiga de novo vir a controlar as duas câmaras.
IX
A privatização pelo governo, da EGF/Valorsul é outra frente de ataque do Capital ao serviço publico, contra o qual há que continuar a mobilizar todas as forças politicas que se opõem à privatização do tratamento dos resíduos sólidos, bem como os principais interessados nesta luta, as populações.
X
A prazo, a defesa do SIMAR passa também por resolver os actuais problemas de funcionamento dos SMAS, prestar de forma consistente um serviço eficaz e de qualidade, e responder à aspiração generalizada dos utentes de ver reduzido o valor da "factura da água" (***).
(*) Até dava para explicar (quase) isto tudo por miúdos, mas nem eu tenho tempo nem pachorra para escrever, nem os amigos para ler, assim ficam só as conclusões, e se não estiver de acordo com alguma coisa podemos sempre trocar umas ideias sobre o assunto.
(**) O acontecimento politico mais importante foi a vitória da CDU nas autárquicas de 2013, mas isso seria assunto para outros pontos.
(***) A chamada "factura da água" inclui o pagamento da água consumida, mais os serviços de águas residuais e a recolha do lixo.
domingo, 15 de junho de 2014
A ESCOLHA DA SELECÇÃO, OU UMA OPORTUNIDADE PERDIDA DE SE AFIRMAR A HISTÓRIA COMUM DE PORTUGAL E DO BRASIL.
"...até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de Abril, (...) topámos alguns sinais de terra, os quais era muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes dão o nome de botelho, assim como a outras a que dão o nome de rabo-de-asno. (...)
E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra (...) onde todos lançámos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos. (...)
E o capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens."
Este primeiro contacto dos portugueses com a terra e gentes do Brasil, há 514 anos, que aqui nos é relatada na Carta de Pêro Vaz de Caminha, aconteceu precisamente em Porto Seguro a cerca de 600 Kms de São Salvador da Bahia, onde Portugal irá disputar os jogos da 1ª fase deste Mundial de Futebol de 2014.
Que Porto Seguro tem todas as condições para receber condignamente uma selecção de futebol está bem comprovado por ter sido a escolha da selecção da Alemanha.
Mas a gentinha rasteira que está à frente do futebol nacional, vá-se lá saber porquê, preferiu escolher Campinas a cerca de 2000 kms donde os jogos são disputados, certamente sem fazerem a mais pequena ideia do significado que, no plano do simbólico, a escolha de Porto Seguro para casa de Ronaldo e companheiros, poderia ter para o conhecimento mútuo das Histórias de Portugal e do Brasil.
domingo, 8 de junho de 2014
COMO OS RICOS RESOLVEM O PROBLEMA DOS SEM ABRIGO.
"É um escândalo que alguém tenha de dormir na rua no século 21 na Grã-Bretanha. No entanto, ao longo dos últimos três anos o numero de pessoas que dorme na rua tem crescido abruptamente em todo o UK, e por uns impressionantes 75% em Londres. Por trás desses números estão pessoas reais que lutam com a falta de habitação, cortes de benefícios e cortes nos serviços de sem-abrigo para ajudá-los a reconstruir suas vidas."
Katharine Sacks-Jones, directora da Campanha Crise.
Para os londrinos ricos, incomodados pelos sem abrigo que dormem à porta dos seus prédios, lojas ou parques, a solução é fácil, simples e barata.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O FIM DA NOVA ORDEM MUNDIAL, OU O FUTURO DA RUSSIA ESTÁ NA ÁSIA.
Com a implosão da União Soviética, os EUA aprofundam o projecto imperial, a Nova Ordem Mundial, NWO, para a qual tentam atrair, numa posição subalterna, os países do ex bloco do leste.
A NATO e a UE são instrumentos fundamentais dessa estratégia que, embora averbando alguns sucessos, nomeadamente entre os países bálticos e da Europa do leste, cedo se revela contraproducente em relação a um grande país como a Rússia, com ambições regionais próprias, e que não tarda a aperceber-se do estatuto de semi colónia que a NWO lhe reserva.
Neste quadro, o que está a acontecer na Ucrânia não poderá ser surpresa para ninguém e, como um destacado politico e estratega, Christopher Hill, reconhece pode significar o começo do fim duma estratégia imperial, que da Rússia, à América Latina e China, encontra cada vez maior resistência. Parece-me pois valer a pena ler este artigo de Christopher Hill, The End of the New World Order, de que aqui deixo um pequeno extracto:
"A anexação da Crimeia pela Rússia, e a sua continuada intimidação à Ucrânia parece significar o fim de um período de 25 anos, cuja marca saliente foi um esforço para trazer a Rússia para um maior alinhamento com os objetivos e tradições euro-atlânticas.
Agora a pergunta é: O que é que se segue? ( ... ) A nova ordem mundial (NWO) manteve-se por quase 25 anos. Excepto para o breve período de guerra com a Geórgia, em Agosto de 2008 (um conflito geralmente visto como instigado pela imprudência da liderança georgiana), a aquiescência e compromisso da Rússia com a "Nova Ordem Mundial", embora problemático, foi uma das grandes realizações da era pós-Guerra Fria.
Mesmo a relutância da Rússia em apoiar a acção concertada do Ocidente, como na Bósnia e Kosovo na década de 1990, foi baseada em argumentos que podiam ser ouvidos noutros países europeus.
A democracia russa certamente teve sua quota parte de falhas, mas isso não a tornava única entre os países pós-comunistas . ( ... )
Os americanos precisam entender o desafio que enfrentam de uma Rússia que não parece mais interessada no que o Ocidente lhe tem vindo a oferecer nos últimos 25 anos: um estatuto especial com a NATO, uma relação privilegiada com a União Europeia, e uma parceria no esforço diplomático internacional."
Christopher R. Hill, ex-subsecretário de Estado dos EUA para a Ásia Oriental, foi embaixador dos EUA no Iraque, Coreia do Sul, Macedónia, Polónia, enviado especial dos EUA para o Kosovo, e negociador dos Acordos de Paz de Dayton.
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