segunda-feira, 24 de junho de 2013

O PS TROCADO EM MIÚDOS.


Não, a intenção deste post não é propriamente homenagear James Gandolfini recentemente falecido, actor que muito aprecio, mas apenas registar um comentário que deixei no blog do Vitor Dias sobre esta entrevista do porta voz do PS  Autárquicas: Combate do PS ao PCP tão ou mais importante que luta à direita, diz João Ribeiro:

"Aqui que ninguem nos ouve, este PS nasceu e cresceu contra os comunistas, até agora com evidente sucesso para a burguesia que o pariu e alimentou, e é hoje basicamente uma máquina eleitoral e de parasitaçao do Estado.

Olhem por exemplo para as actuais eleições autárquicas em Loures, e digam lá se este PS não está mais próximo das novas mafias, estilo Tony Soprano, do que daquilo que se entende por um partido politico?  Como dar a volta a isto? Difícil, muito difícil."

A GREVE É GERAL.


domingo, 23 de junho de 2013

Conselho de Ministros "Informal"



"Queremos oferecer esperança aos portugueses, mas sempre fiéis à verdade", disse o ministro Poiares Maduro, depois de nos ter dado música e falado sem ter dito nada, na conclusão do tal conselho de ministros "informal" que ocorreu no mosteiro de Alcobaça, onde foram recebidos pelos populares com vaias e protestos. Com acompanhamento à guitarra, dá vontade de lhe responder, trauteando uma versão adaptada de canção de Maria De Lurdes Rezende:

Quem passa por Alcobaça
Simulando que vai governar,
Por mais que finja que faça,
É manobra que não passa,
Pois não dá para acreditar.

ADENDA: O meu amigo A.S. fez questão de me enviar mais umas estrofes para acrescentar à cantiga:

Não se esquece facilmente
Como começou a desgraça
Temos um inútil Presidente
Que recorda constantemente
E é lembrança que não passa

sexta-feira, 21 de junho de 2013

BRASIL: MANIFS, PARTIDOS E BANDEIRAS
Ou como a doença senil do apartidarismo pode ser aproveitada e manipulada pela reacção.

Pormenor da manif. (ou passeata como lá lhe chamam) no Rio de Janeiro a 20/6/2013

Há cerca de dois anos, logo a seguir à manif do 15O, falei aqui SOBRE O MEME DO APARTIDARISMO, e a forma de tentar lidar com o dito, sobre as raízes e riscos do apartidarismo, que embora diariamente instigado pelas forças interessadas na divisão do movimento popular, já não se apresenta hoje entre nós com a virulência de há dois anos atrás.

Também agora do Brasil chegam noticias de sintomas da conhecida doença do apartidarismo (velho de quase um século, com raízes nos fascismos dos anos 20) entre os recém chegados, e sempre benvindos, à intervenção cívica e política activa, como se pode ler neste relato da manifestação de ontem, 20/6, no Rio de Janeiro, que fala da tentativa de alguns destes novos activistas de monopolizar o movimento e impedir a livre e democrática expressão do descontentamento geral a forças sociais e politicas organizadas.

Mas enquanto por cá os estragos do apartidarismo se limitaram a  dificultar o alargamento e consolidação do movimento anti austeridade, o que é mau, do Brasil chegam-nos noticias bem mais preocupantes, que falam do aproveitamento e manipulação das manifestações populares e de tentativas golpistas (embora não necessariamente militares), pelos sectores mais conservadores e reaccionários da sociedade brasileira, como podem ler neste texto, Está tudo tão estranho, e não é à toa, duma activista do MPL - Movimento Passe Livre - que convocou a manifestação inicial de 10 de Junho em São Paulo.

Como a autora nos avisa, o texto, muito objectivo e circunstanciado, não é de leitura fácil, acrescendo ainda no nosso caso o desconhecimento dos meandros da politica brasileira como por exemplo que a PM (Policia Militar), que com a sua violenta actuação ateou um fogo que rapidamente alastrou a todo o país, depende directamente de Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, politico da direita neoliberal fundador do PSDB, partido na oposição ao governo de Dilma, ou ainda da natureza conservadora e golpista da grande imprensa e TV brasileiras, e do seu papel muito activo nos acontecimentos que se estão a desenrolar no Brasil.

E o PT? A milhas das posições autoritárias de Erdogan que trata os manifestantes de terroristas, ou mesmo de Passos Coelho que, sem condições objectivas para reprimir as manifestações, declara cinicamente que se trata dum direito democrático mas sem qualquer efeito sobre as politicas do governo, ao menos Dilma diz "estar atenta às vozes da população e comprometida com as transformações sociais", tendo marcado para hoje dia 21/6 uma reunião com vários ministros para avaliar a situação, depois das manifestações de ontem dia 20/6 que reuniram mais de 1 milhão de pessoas em mais de 80 cidades do Brasil.

Adenda
Rejeitar as manobras golpistas

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Reforma do Estado
GOVERNO INSTALA VIA VERDE EM BELÉM PARA ACELERAR PROMULGAÇÃO DE LEIS ANTI-TRABALHADORES.


Como primeira medida da repetidamente anunciada Reforma do Estado, que nos prometem irá  melhorar a eficiência e celeridade da administração publica, o governo instalou uma Via Verde em Belém que teve já como resultado que a promulgação da legislação que adia o pagamento dos subsídios para Novembro, ter demorado apenas um dia após a chegada do diploma ao Palácio de Belém.

Agora há que dispensar o portageiro, o que nem sequer vai ficar caro. Como se trata dum reformado, não há que pagar indemnização.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

A propósito da contestação no Brasil
JÁ NÃO HÁ TRABALHADORES, O POVO FINOU-SE, AGORA SOMOS TODOS CLASSE MÉDIA.


Como políticos, sociólogos, economistas e comentadores da neoliberal persuasion não se cansam de nos explicar, os assalariados agora são colaboradores, os biscateiros empreendedores, e quem não é sem abrigo pertence inevitavelmente a esta novíssima classe média.

Para mostrar aos seus leitores o crescimento e dimensão desta classe média que agora se manifesta em várias cidades do Brasil, o Wall Street Journal publica o quadro acima que inclui na classe média todos os que têm um rendimento entre 100 e 350 euros mensais (cambio 1 euro = 2.9 reais).

Acima dos 350 euros mês já é tudo classe alta, com direito a cobertura no Leblon, e iate ancorado  em Búzios.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Piratas

Notícia avançada pelo DIÁRIO DE NOTÍCIAS on-line de 10 de Junho de 2013, diz que o Governo estuda formas legais que lhe permita usar fundos da Europa para despedimento de funcionários públicos. Esta medida deve ter a ver com o empenho do Presidente da República em que esta seja uma hora decisiva, para que Portugal e os portugueses não vacilem na determinação de vencer e de alcançar um futuro melhor, apesar das dificuldades que o país enfrenta, nomeadamente no desemprego.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um Governo do Piorio


PARA espatifarem o país, o que fazem Passos Coelho e o seu bando de pistoleiros? É simples! Vão continuando a provocar falências em cascata e a gerar aluviões de desemprego, ao mesmo tempo que vão tentando convencer os escaldados e desconfiados patrões, a investirem em negócios e produtos que ninguém irá comprar, por escassez do dinheiro que os tratantes andam a surripiar, e quanto aos desempregados, insistem em dizer-lhes que não podem ser calões, têm que se amanhar, ou então ir trabalhar para os empregos que não existem.

Entretanto, e para manter os portugueses entorpecidos, o Coelho continua a debitar as imbecilidades do costume, como aquela de nos considerar muito trabalhadores, muito cumpridores e honrados, só faltando acrescentar pobrezinhos e tementes a Deus, indo ao encontro da trilogia "Deus, Pátria e Família" dos tempos do "outro senhor". Embora ele saiba que tudo isto é resultado da sua persistente e continuada obra, pilotada pela troika e por Berlim, ainda lhe sobra discurso para um exercício de retorcido sadismo, vindo para a plateia derramar umas quantas lágrimas de crocodilo. Diz ele que compreende as grandes dificuldades que o processo de “ajustamento” trouxe a muitos portugueses, que sabe o que é não ter condições para manter uma empresa de portas abertas, o que é ficar desempregado e não ter uma perspectiva para recompor a vida a curto ou médio prazo, enfim, que isto é uma tragédia para qualquer país, mas que com confiança e esperança tudo se há-de arranjar. Ouvi-lo dizer isto e percebendo nós o que ele faz, com a condescendência do inquilino de Belém, isto é, governação destrutiva e não criativa, é óbvio que tanta hipocrisia e descaramento apenas nos pode provocar arrepios, e fazer passar pela cabeça os pensamentos menos próprios, sobretudo quando tarda em aparecer a conjugação de factores que o obriguem a ir embora.

Recordam-se daquela história da lâmpada do Aladino, que depois de afagada libertava um "génio" que se dispunha a cumprir três desejos a quem o tinha livrado daquela clausura? Pois bem, se eu fosse o tal Aladino, sabem qual era um dos pedidos que eu faria? Imaginem!

sábado, 25 de maio de 2013

Os Palhaços


É LAMENTÁVEL que o escritor e ex-jornalista Miguel Sousa Tavares, não tenha medido o alcance das suas palavras, quando em entrevista ao JORNAL DE NEGÓCIOS chamou "palhaço" a Aníbal Cavaco Silva, porque com isso ofendeu todos os membros de uma digna e respeitável profissão, que não é uma profissão qualquer, antes a considero umas das mais refinadas e subtis artes que conheço. No inquérito que a Procuradoria-Geral da República abriu àquelas declarações, espero que seja tomada em consideração, esta lamentável associação que referi.

domingo, 19 de maio de 2013

A Mania das GRANDEZAS

«Se fosse eu, era enforcado no Terreiro do Paço»

Comentário de Pedro Santana Lopes na entrevista que deu no programa “Conversas com Vida”, do ETV, quando comparou as consequências das polémicas ocorridas com o seu governo, e as dos governos de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhe, a querida recorre ao Código do Trabalho, despede esses filhos calaceiros, e manda vir novos colaboradores familiares juniores daqueles bangladeshes em que a querida e os amigos estão a transformar este País.


Uns dias depois de aqui publicar este post sobre a família actual, RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA.  Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade, uma deputada do CDS publicou no i online uma crónica que recorre ao mesmo tipo de metáfora familiar: Os meus filhos são socialistas.

Embora o objectivo da crónica seja atacar o partido socialista e aquilo que na tóla da geração neo formatada passa por socialismo, o certo é que o escrito acaba por evidenciar a insanável contradição entre a ideologia neo liberal da deputada do CDS, e a pratica normal duma familia dos nossos dias. Contradição que em principio apresenta duas soluções:

Ou como se diz no título deste post a senhora leva o seu neoliberalismo à letra põe os filhos no olho da rua e importa novos colaboradores familiares dum daqueles países com vantagem competitiva na produção de  tshirts e telemóveis baratos, graças, entre outras coisas, ao trabalho de crianças forçadas a necessidades bem menores do que as dos seus actuais colaboradores familiares juniores;

Ou então a senhora deputada valoriza a familia, tema tão querido ao seu CDS, e incorpora na sua actividade politica as praticas e valores da nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, ou seja, basicamente converte-se ao comunismo;

Ou nao: o que mais não falta por aí é pessoal portador dum transtorno esquizosocial grave,  que com um ou dois comprimidos diários consegue levar uma vida quase normal.

domingo, 12 de maio de 2013

NEM A GENTE SAI DO EURO, NEM O EURO SAI DA GENTE?


No passado fim de semana li o livro do Professor João Ferreira do Amaral, que recomendo vivamente a quem queira ficar com uma ideia do que é realmente o Euro e daquilo que está a fazer à economia e à sociedade portuguesa, e este sábado li um conjunto de artigos no Le Monde Diplomatique de Maio sobre Que fazer com este do Euro?

Resumindo, Ferreira do Amaral, Carlos Carvalhas e Octávio Teixeira, que antes da entrada de Portugal no Euro foram publicamente escarnecidos por terem alertado para as funestas consequências dessa decisão, preferiam voltar ao tempo do Escudo, já Vieira da Silva preferia voltar aos seus tempos de ministro de Sócrates, e Francisco Louçã preferia ter nascido grego e líder do Syriza.

Mas sempre fiquei um pouco mais esclarecido. Talvez por influencia de Lord Young ou do Old Karl, pensava eu de que, com Euro ou sem Euro, esta cena da Austeridade tinha tudo a ver com as crises capitalistas e a maneira de sair delas: a intensificação da exploração de trabalho barato.

Mas se calhar não. Para Amaral, Carvalhas e Teixeira a coisa resolve-se com a saída do Euro. Para Louçã o melhor é nem falar nisso para não espantar o pessoal, renegoceia-se a Dívida, como diz o Syriza, e depois logo se vê. Para Silva o problema é lá com a Europa, e a nós só resta esperar que o Passos caia e que vá para lá o Seguro continuar o que Passos está a fazer.

Entretanto, e enquanto nem o euro morre nem a gente janta, só queria dizer mais duas coisinhas:

1. Ainda há alguém por aí que não tenha percebido que Portugal e a Grécia já não são membros de corpo inteiro, que já começaram, de facto, a sair do Euro?

2. E também não deram conta que já faz tempo que o Euro começou a sair, diria mesmo a evaporar-se, dos bolsos cá do pessoal?

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Submarinista


Paulo Portas tornou-se um exímio submarinista, competência que lhe vem do tempo em que foi ministro nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e não é obra do acaso o seu interesse por este tipo de arma. Está no Governo a trabalhar em águas profundas, e de vez em quando emerge até à superfície para respirar, auto-justificar-se e sacudir a água do capote. Desta feita veio fazer uma conferência de imprensa para dizer ao povo que não aceita que o Governo leve por diante a chamada "TSU dos reformados e pensionistas", porque isso seria ultrapassar uma fronteira que para ele é intransponível. Ficarmos pobrezinhos ainda vá lá, agora maltrapilhos é que não. Subir a idade de reforma para 66 anos ainda vá lá, mas agora ir mais longe que isso, já não contem com ele, mesmo sabendo que a governação passou da pura encenação à fase picaresca, onde apareceu a desempenhar o papel do polícia bonzinho, depois de Passos Coelho, quarenta e oito horas antes, ter feito o papel de políca mauzão.

Paulo Portas é um político inteligente e astuto que não dá ponto sem nó, e esforça-se por não cometer erros de palmatória. Paulo Portas enquanto tiver margem de manobra, vai mantendo o submarino a navegar, umas vezes submerso, outras vezes à superfície, oscilando com um pé dentro e outro fora, mantendo a espectactiva de que vai romper, mas não rompe, gerindo em proveito próprio o cavacal conceito de "estabilidade governativa", com as "inevitáveis" doses passistas de bandoleirismo social. Vai-se queixando aqui e ali dos seus efeitos nefastos, porém, continua a manter o submarino a navegar em círculos à volta do Coelho, a parecer que está, mas não está, que é, mas não é, que parece, mas não parece. Entretanto, pelo caminho e pelo seguro, vai enviando sinais amistosos à fragata do Seguro. Quer passar a ideia que mesmo sendo farinha do mesmo saco, é o seu grande sentido "patriótico" que vai continuando a exigir o ingrato "sacrifício" de partilhar o martírio desta insana governação. Ave de rapina como é, Paulo Portas só espera com esta política dúbia e dúplice, o momento oportuno para desferir o seu ataque. E a guerra submarina é isso mesmo, a persistente vigilância, perseguição e cerco do alvo, para o abater no momento em que o seu flanco fica mais exposto aos torpedos.

A pedido do senhor Aníbal, que não tem sombra de dúvidas e não se engana, mas apenas quer saber de que lado sopra o vento, o Almirantado (vulgo Conselho de Estado) irá reunir dentro de dias. Para pôr água na fervura, chamar o Paulinho à razão e evitar que haja um pé-de-vento, não vá ele dar-se ao luxo de querer meter o porta-aviões ao fundo.