segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhe, a querida recorre ao Código do Trabalho, despede esses filhos calaceiros, e manda vir novos colaboradores familiares juniores daqueles bangladeshes em que a querida e os amigos estão a transformar este País.


Uns dias depois de aqui publicar este post sobre a família actual, RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA.  Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade, uma deputada do CDS publicou no i online uma crónica que recorre ao mesmo tipo de metáfora familiar: Os meus filhos são socialistas.

Embora o objectivo da crónica seja atacar o partido socialista e aquilo que na tóla da geração neo formatada passa por socialismo, o certo é que o escrito acaba por evidenciar a insanável contradição entre a ideologia neo liberal da deputada do CDS, e a pratica normal duma familia dos nossos dias. Contradição que em principio apresenta duas soluções:

Ou como se diz no título deste post a senhora leva o seu neoliberalismo à letra põe os filhos no olho da rua e importa novos colaboradores familiares dum daqueles países com vantagem competitiva na produção de  tshirts e telemóveis baratos, graças, entre outras coisas, ao trabalho de crianças forçadas a necessidades bem menores do que as dos seus actuais colaboradores familiares juniores;

Ou então a senhora deputada valoriza a familia, tema tão querido ao seu CDS, e incorpora na sua actividade politica as praticas e valores da nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, ou seja, basicamente converte-se ao comunismo;

Ou nao: o que mais não falta por aí é pessoal portador dum transtorno esquizosocial grave,  que com um ou dois comprimidos diários consegue levar uma vida quase normal.

domingo, 12 de maio de 2013

NEM A GENTE SAI DO EURO, NEM O EURO SAI DA GENTE?


No passado fim de semana li o livro do Professor João Ferreira do Amaral, que recomendo vivamente a quem queira ficar com uma ideia do que é realmente o Euro e daquilo que está a fazer à economia e à sociedade portuguesa, e este sábado li um conjunto de artigos no Le Monde Diplomatique de Maio sobre Que fazer com este do Euro?

Resumindo, Ferreira do Amaral, Carlos Carvalhas e Octávio Teixeira, que antes da entrada de Portugal no Euro foram publicamente escarnecidos por terem alertado para as funestas consequências dessa decisão, preferiam voltar ao tempo do Escudo, já Vieira da Silva preferia voltar aos seus tempos de ministro de Sócrates, e Francisco Louçã preferia ter nascido grego e líder do Syriza.

Mas sempre fiquei um pouco mais esclarecido. Talvez por influencia de Lord Young ou do Old Karl, pensava eu de que, com Euro ou sem Euro, esta cena da Austeridade tinha tudo a ver com as crises capitalistas e a maneira de sair delas: a intensificação da exploração de trabalho barato.

Mas se calhar não. Para Amaral, Carvalhas e Teixeira a coisa resolve-se com a saída do Euro. Para Louçã o melhor é nem falar nisso para não espantar o pessoal, renegoceia-se a Dívida, como diz o Syriza, e depois logo se vê. Para Silva o problema é lá com a Europa, e a nós só resta esperar que o Passos caia e que vá para lá o Seguro continuar o que Passos está a fazer.

Entretanto, e enquanto nem o euro morre nem a gente janta, só queria dizer mais duas coisinhas:

1. Ainda há alguém por aí que não tenha percebido que Portugal e a Grécia já não são membros de corpo inteiro, que já começaram, de facto, a sair do Euro?

2. E também não deram conta que já faz tempo que o Euro começou a sair, diria mesmo a evaporar-se, dos bolsos cá do pessoal?

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Submarinista


Paulo Portas tornou-se um exímio submarinista, competência que lhe vem do tempo em que foi ministro nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e não é obra do acaso o seu interesse por este tipo de arma. Está no Governo a trabalhar em águas profundas, e de vez em quando emerge até à superfície para respirar, auto-justificar-se e sacudir a água do capote. Desta feita veio fazer uma conferência de imprensa para dizer ao povo que não aceita que o Governo leve por diante a chamada "TSU dos reformados e pensionistas", porque isso seria ultrapassar uma fronteira que para ele é intransponível. Ficarmos pobrezinhos ainda vá lá, agora maltrapilhos é que não. Subir a idade de reforma para 66 anos ainda vá lá, mas agora ir mais longe que isso, já não contem com ele, mesmo sabendo que a governação passou da pura encenação à fase picaresca, onde apareceu a desempenhar o papel do polícia bonzinho, depois de Passos Coelho, quarenta e oito horas antes, ter feito o papel de políca mauzão.

Paulo Portas é um político inteligente e astuto que não dá ponto sem nó, e esforça-se por não cometer erros de palmatória. Paulo Portas enquanto tiver margem de manobra, vai mantendo o submarino a navegar, umas vezes submerso, outras vezes à superfície, oscilando com um pé dentro e outro fora, mantendo a espectactiva de que vai romper, mas não rompe, gerindo em proveito próprio o cavacal conceito de "estabilidade governativa", com as "inevitáveis" doses passistas de bandoleirismo social. Vai-se queixando aqui e ali dos seus efeitos nefastos, porém, continua a manter o submarino a navegar em círculos à volta do Coelho, a parecer que está, mas não está, que é, mas não é, que parece, mas não parece. Entretanto, pelo caminho e pelo seguro, vai enviando sinais amistosos à fragata do Seguro. Quer passar a ideia que mesmo sendo farinha do mesmo saco, é o seu grande sentido "patriótico" que vai continuando a exigir o ingrato "sacrifício" de partilhar o martírio desta insana governação. Ave de rapina como é, Paulo Portas só espera com esta política dúbia e dúplice, o momento oportuno para desferir o seu ataque. E a guerra submarina é isso mesmo, a persistente vigilância, perseguição e cerco do alvo, para o abater no momento em que o seu flanco fica mais exposto aos torpedos.

A pedido do senhor Aníbal, que não tem sombra de dúvidas e não se engana, mas apenas quer saber de que lado sopra o vento, o Almirantado (vulgo Conselho de Estado) irá reunir dentro de dias. Para pôr água na fervura, chamar o Paulinho à razão e evitar que haja um pé-de-vento, não vá ele dar-se ao luxo de querer meter o porta-aviões ao fundo.

domingo, 5 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA
Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade.


Mas afinal de que falamos quando falamos, hoje, de produção no seio da família? Basicamente da trilogia: cama, mesa e roupa lavada, bens e serviços fundamentais para a própria produção e reprodução da  sociedade moderna.

Claro que o mercado também oferece esses serviços, o estimado leitor poderá eventualmente  organizar a sua vida a comer em restaurantes e a viver num hotel, ou ter uma equipa de empregados domésticos, mas para a maioria da população são os membros da família que asseguram a realização dessas tarefas diárias.

Ainda não há muito tempo, digamos há meio século atrás, a norma da organização do cama, mesa e roupa lavada no seio da família tinha um carácter claramente de tipo feudal.

Tal como o senhor feudal na Idade Média disponibilizava o uso da terra, do forno e do lagar aos camponeses sem terra, que depois tinham o dever de repartir com o senhor feudal parte substancial  do fruto do seu trabalho; também o marido, por exemplo um operário da cintura industrial de Lisboa, providenciava os meios de produção, e a mulher dedicada à lide da casa (ou mesmo as que tinham emprego) assegurava a produção dos bens e serviços domésticos (trabalho duro num tempo em que não havia máquinas de lavar, aspiradores, ferros eléctricos  ou sequer frigoríficos), bens e serviços que entravam depois na repartição geral a cargo do Chefe da Família.

Num e noutro caso trata-se de relações que não têm a ver com o mercado, com a compra e venda de força de trabalho, mas sim de relações de natureza jurídica, politica e ideológica, e a que não era estranho o recurso à violência. Se bem se recordam, até há pouco tempo não existia Violência Doméstica: os maridos davam porrada nas mulheres e isso era uma questão do foro privado, entre marido e mulher não metas a colher.

Mas a maior participação da mulher no trabalho fora de casa, o acesso à educação, e em geral a democratização da sociedade (não esquecendo os electrodomésticos), contribuiriam para uma alteração substancial do modo como se organiza o cama, mesa e roupa lavada na maioria das famílias actuais.

Hoje nas famílias, os conjugues, companheiros, ou o que sejam, em geral ambos trabalhadores assalariados, contribuem em conjunto para as despesas da família e a execução das tarefas domésticas, e tomam em comum as decisões sobre a gestão do agregado familiar. A figura de Chefe de Família já não consta da Lei e a Violência Doméstica é moralmente condenável e crime público.

De referir ainda que ao contrário do que acontece na esfera económica, a distribuição dos recursos no seio da família não é feita de acordo com aquilo com que cada um contribui, nem resulta duma qualquer famigerada avaliação de desempenho.

Em vez da anterior família de tipo feudal temos hoje uma organização da família mais  igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, baseada no principio "de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um de acordo com as suas necessidades", ou seja uma família de tipo comunista.

Mas será que este novo tipo de família, este novo quadro de produção do cama, mesa e roupa lavada é mais eficiente? Proporcionará menos conflitos domésticos? Enfim, são estas famílias mais felizes?

Aqui permitam-me um aparte, para dizer que sempre considerei um bocado lorpa a ideia de que cada nova forma de emancipação social, económica, ou da família, nos conduz inevitavelmente ao reino da felicidade colectiva e/ou do nirvana individual.

A questão que neste caso (como noutros de avanço civilizacional) me parece relevante, não é se esta nova família está isenta de tensões, problemas e dificuldades, mas a de saber: Quantas famílias, e particularmente quantas mulheres, estão hoje dispostas a abdicar desta nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, desta família de tipo comunista, em favor da antiga autoritária, desigual, injusta e violenta família de tipo feudal?  Pois é, parece que não há muitos interessados.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

40 socialistas propõem que sócios que não são sócios, passem a sentar-se nas cadeiras dos sócios.

Independentes voluntários a sentarem-se na Comissão Politica do PS.

Em carta aberta dirigida ao Secretário Geral um grupo militantes do PS que quer aproximar os cidadãos dos partidos e reforçar a ligação entre o PS e a sociedade, propõe entre outras coisas  a possibilidade de 25 cidadãos independentes ou simpatizantes poderem entrar para a comissão nacional e 7 incluírem a comissão política.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

AUTARCAS BEDUÍNOS EM LOURES.


Como aqueles beduínos que quando consomem tudo o que há para consumir num oásis, levantam a tenda e vão à procura doutro lugar que os sustente, também alguns autarcas que atingiram o limite de validade andam já por aí de tenda às costas à procura dum novo lugar onde acampar.

Para a Câmara de Loures está já anunciado um gajo das Caldas, e o quase ex-Moscavide lança as vistas para a Junta de Freguesia de Sacavém

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Já pensou como vai ser quando morrer? Não me refiro a se prefere ser enterrado ou cremado.
A questão é: O que pensa fazer do seu corpus virtual?


Pois é, o estimado leitor ainda não tinha pensado nisso. É como eu, que estou convencido que sou eterno, pelo menos até morrer.

Mas um recente upgrade da Google pôs-me frente a frente com a minha, espero que remota, finitude, com o meu inevitável after life. E olhe que não é tarefa fácil pensar no que queremos para quando já não estivermos cá. Eu estou há uma data de tempo a pensar nisso, para aí há uns cinco minutos, e ainda não consegui chegar a conclusão nenhuma.

Isto apesar de nalguns aspectos a coisa estar muito simplificada, por exemplo, com a austeridade do Pedro e do Gaspar, podemos deixar de nos preocupar com o testamento. Sim o que é que acha que vai sobrar de toda esta fúria troikista? É que ainda vamos só em 2 anos de austeridade. Já imaginou como vai ser ao fim de 5, 10, ou 15 anos? Bom, é melhor nem pensar.

Mas voltando áquilo que tem muito força, e o que tem muita força, pelo menos neste caso, não pode deixar de ser, provavelmente para a parte material, física, corpórea, o meu futuro também está aqui.

Já no que respeita ao meu extenso corpus escrito, de imagens, vídeos, comentários, gostos e partilhas, a pegada digital que assinala a minha idiossincrática passagem por esta existência virtual, a Google dá-me  para já, a opção de deixar esse meu corpus virtual por aí, bem vivo, ou pelo menos electronicamente a pulsar.

Entretanto algures em Silicon Valley ou Mumbai, um jovem de aspecto macilento e olheiras profundas estará já a desenvolver um algoritmo que nos permitirá morrer ou ir de férias descansados, enquanto o algoritmo baseado na pegada digital de cada um, assegura a execução da nossa habitual actividade social de emissão de posts, comentários,  gostos e partilhas, exactamente como se fossemos nós próprios, ou até um pouco melhor se escolhermos a opção improve quality.

Chegados a este ponto o estimado leitor entrevindo um futuro de algoritmos zombies recriando uns com os outros, ad infinitum, as prosaicas interacções virtuais com que entretemos os nossos tempos livres, milhares ou milhões de anos depois de estarmos todos bem mortos, perguntará: Qual o interesse, a utilidade, o sentido de tão bizarra actividade?

E, digo eu, qual o interesse, a utilidade, o sentido dessa coisa não menos bizarra a que chamamos poeticamente vida? Pergunta que, para o seu caso pessoal, terá de ser obviamente o leitor, ou o seu algoritmo, a tentar encontrar a resposta.

Portanto se não quer ficar eternamente à margem deste maravilhoso mundo novo, comece já a preparar-se para um futuro ainda difícil de entrever, mas tão certo como os cortes do Gaspar.

Para preservar a sua pegada digital, entre na sua conta Google vá ao Gestor de Contas Inactivas  e está lá tudo explicado, inclusivé com o bom gosto de nunca se referirem explicitamente ao seu infausto passamento. Vá lá começar a planear o seu, espero que ainda distante, futuro e tenha uma Feliz Eternidade Virtual.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Perguntas à Constituição


IMAGINEMOS que tínhamos um Presidente da República que em 1967 preencheu ficha da PIDE, afirmando-se integrado no regime, que agora diz estar atento mas não ser pressionável, que afirma não ler jornais, que garante nunca se enganar, nunca ter dúvidas, que confunde Thomas More com Thomas Mann e diz não apreciar o Nobel da Literatura José Saramago, porque os seus livros têm muitas vírgulas, que protegeu membros do Conselho de Estado, envolvidos em fraudes bancárias, que atravessa meses de turbulência política, sem nunca dizer água vai, nem água vem, e que mesmo assim se intitula o provedor do povo, que usa o mesmo baralho de cartas viciadas do governo, vendo neste condições e capacidades governativas que mais ninguém consegue ver, será que essa pessoa, dizia eu, poderá representar a República Portuguesa, ser o garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas?

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Também não fiquei feliz com a morte de Thatcher
FICARIA FELIZ É SE ELA NUNCA TIVESSE NASCIDO.


Há por aí muita alma sensível indignada com a pretensa falta de respeito demonstrada por na altura em que, como se diz noutro post, "a gaja esticou o pernil", se assista não só a criticas e ataques, como, oh sacrilégio supremo, a celebrações pela sua morte.

Ora a ideia que as pessoas quando morrem são julgadas é um ponto central da doutrina cristã. Portanto se agora os cidadãos deste mundo, e em particular as vitimas das suas acções e politicas, a julgam, haverá no máximo um conflito de jurisdição entre os que acham que o julgamento compete a Deus, e os que pensam que também, ou só, compete aos homens.

E não se choquem que esse julgamento assuma as mais variadas formas, desde artigos de análise da sua vida e carreira politica, comentários nas redes sociais, ou mesmo a celebrações de rua como as que se multiplicaram por varias cidades do Reino Unido. Cada um toca o instrumento que sabe, e tem mais à mão.

Quando a história oficial está entregue a discípulos e admiradores das cáfilas de bandidos que nos desgovernaram (vidé o branqueamento politico de Salazar em que por cá diversos lacaios tanto se empenham) é ainda mais importante, como forma de preservar a memória colectiva dos povos, que estas ocasiões sejam devidamente assinaladas.

Já para não falar que discutir o thatcherismo é também analisar uma parte importante das raízes das nossas dificuldades presentes.

Depois do muito que já foi dito e escrito sobre a vida e carreira da iron lady, limito-me aqui a chamar a atenção para uma dimensão menos falada mas importante e actual, a das responsabilidades do Labour e da TUC, da social democracia, no sucesso do thatcherismo.

E porque o espaço é curto, e a paciência dos leitores finita, aqui ficam apenas alguns tópicos para uma reflexão que nos pode, inclusivé, ajudar a equacionar questões como a da tão necessária unidade de esquerda: 

1. As politicas anti trabalhadores dos Governos do Labour dos anos 70 como factor decisivo na ascensão ao poder de Thatcher em 1979. Para quem não saiba, ou não se lembre, a eleição de Thatcher contou com o voto de muitos trabalhadores desiluidos com o Labour.

2. A traição da TUC, e do Labour, à Greve que opôs os mineiros a Thatcher em 1984/85, e que precipitou a derrota daquela greve heróica que se prolongou por quase um ano. Derrota que espalhou o desespero e miséria em vastas regiões do país, levou ao despedimento de 230 000 mineiros, e foi o principio do fim da importancia e influência do  histórico movimento sindical do Reino Unido (com as inevitáveis repercurssões negativas por toda a Europa).

3. O efeito corrosivo para a esquerda da adopção pelo Labour, mesmo ainda na oposição, de temas centrais do ideário neoliberal como o reducionismo economicista, a mercadorização de todos os aspectos da vida social, a competitividade, a submissão aos mercados, a diabolização do que é publico, a exaltação dos privados e dos empresários criadores de emprego, os pseudo privilégios dos trabalhadores, a avaliação com quotas, a marginalização dos mais fracos,  etc. etc. .

4. Mais tarde já no governo, a adopção e continuação por Blair/Gordon do essencial das politicas neo liberais do thatcherismo que destruiram a capacidade produtiva do país, promoveram as actividades financeiras parasitárias e  fazem do Reino Unido, juntamente com Portugal, o país de maior desigualdade social da Europa. Não esquecendo o papel fundamental de Blair na invasão e destruição do Iraque (para onde Portugal também enviou a GNR).

terça-feira, 9 de abril de 2013

ULTIMATUM DA COMISSÃO EUROPEIA.

Porto, 31 de Janeiro de 1891

Francesco Saraceno no post "The Commission on Portugal: Is This for Real?", começa por fazer uma breve caracterização da situação de Portugal e debruça-se  sobre o inconcebível comunicado da CE de 7/4 (ver abaixo), resumindo assim a tomada de posição da Comissão Europeia presidida por Durão Barroso:

1. Está feliz por o Governo Português ter decidido ignorar uma decisão do seu Tribunal Constitucional: "saúda ..."; 

2. Ameaça cortar o financiamento se o Governo Português não seguir as  prescrições da Comissão
: "é uma condição prévia para um decisão ... ";

3. Está em estado de negação sobre a confiança na economia portuguesa: "a crescente confiança dos investidores ... ";

4. Recomenda que a discussão democrática não tenha lugar: "é essencial que as principais instituições políticas estejam unidas em seu apoio ... ".

Isto vai muito para além das minhas mais  tresloucadas conjecturas. Verifiquei, e ninguém mudou o Dia das Mentiras para 07 de abril. Isto é real, e não precisa de comentários adicionais...




(não há ainda versão disponível em português)

The European Commission welcomes that, following the decision of the Portuguese Constitutional Court on the 2013 state budget, the Portuguese Government has confirmed its commitment to the adjustment programme, including its fiscal targets and timeline. Any departure from the programme's objectives, or their re-negotiation, would in fact neutralise the efforts already made and achieved by the Portuguese citizens, namely the growing investor confidence in Portugal, and prolong the difficulties from the adjustment.

The Commission therefore trusts that the Portuguese Government will swiftly identify the measures necessary to adapt the 2013 budget in a way that respects the revised fiscal target as requested by the Portuguese Government and supported by the Troika in the 7th review of the programme.

Continued and determined implementation of the programme offers the best way to restore sustainable economic growth and to improve employment opportunities in Portugal. At the same time, it is a precondition for a decision on the lengthening of the maturities of the financial assistance to Portugal, which would facilitate Portugal's return to the financial markets and the attainment of the programme's objectives. The Commission supports that such a decision be taken soon.

The Commission will continue to work constructively with the Portuguese authorities within the parameters agreed to alleviate the social consequences of the crisis.

The Commission reiterates that a strong consensus around the programme will contribute to its successful implementation. In this respect, it is essential that Portugal's key political institutions are united in their support.