segunda-feira, 22 de outubro de 2012

RANKING ESCOLAS DO CONCELHO LOURES
Isto é um ranking de escolas, ou é um ranking das condições sociais das famílias dos alunos?


Quando nos deparamos com um daqueles Rankings de Escolas que os jornais fazem a partir dos resultados dos exames divulgados pelo Ministério da Educação, a nossa primeira reacção será irmos espreitar em que lugar está a escola do nosso filho, dos nossos conhecidos, ou até a nossa escola, aquela que há uns anos, às vezes muitos, nós próprios frequentámos.

E foi assim que lá fui ver, primeiro em que lugar do raking estava a escola cá do bairro, e depois  como é que ela comparava com as outras escolas aqui do concelho de Loures.

Um ranking de escolas, julgamos nós, deveria reflectir coisas como a qualidade do ensino, se os professores são competentes, se está bem organizada, enfim, em que medida a escola consegue motivar os seu alunos a dar cada um/a o melhor si.  Mas afinal o que os badalados Rankings de Escolas, ou mais concretamente de resultados dos exames, nos mostrem não é nada disso; todos sabemos que os resultados alcançados pelos alunos dependem muito de condições exteriores à escola, nomeadamente das condições económicas e sociais das respectivas famílias.

Este ano, para além da média dos resultados dos exames, o Ministério da Educação divulgou, e o Expresso publicou, um indicador, a percentagem de alunos carenciados em cada escola, que, apesar de limitado, nos dá uma ideia sobre as tais condições sócio económicas das famílias, que tanto pesam no aproveitamento escolar, e de que tanto nos esquecemos quando olhamos para os Rankings de resultados dos exames.

E como seria de esperar, mesmo tratando-se de um indicador limitado (melhor seria um indicador baseado no nível de educação e rendimento dos pais),  o Ranking das escolas do concelho de Loures reflecte muito mais as condições sócio económicas das famílias dos alunos que as frequentam, do que a qualidade do ensino, a competência e dedicação dos professores, ou a capacidade de organização de cada uma daquelas comunidades escolares.

Para os pais preocupados com o desempenho e resultado escolar dos filhos parecerá que eles terão mais hipóteses de ter boas notas numa escola melhor posicionada no Ranking, por exemplo onde a média dos exames é 13 do que noutra em que é 11,  mas o que os números do Ranking mostram é que não será bem assim. Obviamente naquelas duas escolas há alunos com resultados superiores à média, que até podem ser  resultados semelhantes, sendo a média duma delas inferior por ter mais alunos com resultados mais baixos o que,  voltando ao que já dissemos acima, em geral acontece por razões exteriores à própria escola.

Claro que haverá certamente escolas melhores do que outras, mas a diferença entre elas estará longe daquilo que o Ranking sugere, e em última análise não será  por uma escola não ser tão boa, que um bom aluno deixará de ter bons resultados. E pesará mais num bom resultado os pais sacrificarem-se a comprar uma boa escola, privada, para os filhos, ou  a acompanharem e apoiarem a sua vida escolar e o seu desenvolvimento saudável e equilibrado?

Por ultimo, talvez mais do que os Rankings, aquilo que deixa alguns pais inseguros e apreensivos em relação à escola pública, o seu caracter inclusivo, interclassista, multirracial,  com várias religiões e com quem não tem nenhuma, é afinal uma vantagem na preparação dos jovens para o mundo real, longe das bolhas dos colégios de elite, dos condomínios fechados e outras formas de segregação social que mais não fazem do que contribuir para a reprodução das divisões económicas e sociais  que continuam a ser das maiores chagas deste país tão desigual.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Por aqui também temos do mesmo
NEGAR ALMOÇO A UMA CRIANÇA, NÃO ACONTECE APENAS NA ESCOLA DE LOULÉ.


Para que haja a consciência de que uma escola deixar uma criança sem refeição não é uma excepção, que não se restringe à escola de Loulé, e que se calhar é pratica mais generalizada do que poderíamos supor, aqui fica o  relato dum caso de que tive conhecimento directo, acontecido faz já algum tempo, aqui na Escola Vasco da Gama do Parque das Nações.

À hora do almoço a mãe duma criança de cinco anos recebe um telefonema da escola Vasco da Gama do Parque das Nações a informar que por falta de pagamento não tinha sido servido o almoço ao filho. Por se encontrar fora de Lisboa a mãe telefonou à avó da criança que de imediato se deslocou à escola onde se deparou com a cena degradante do neto, cinco anos, sentado sozinho numa mesa à parte, a ver os outros colegas a almoçar e, se calhar, com o apetite que sempre se aguça quando estamos com fome e vemos os outros a comer, a perguntar para os seus botões porque é que que o estavam a tratar daquela maneira.

Como é habitual nos casos em que alguém faz asneira da grossa, a desculpa foi de que eram ordens, e só depois de feito o pagamento é que serviram a refeição à criança. Acontece, o que para o caso nem sequer acho relevante, que até nem havia qualquer atraso no pagamento, o pai tinha em seu poder o recibo do pagamento adiantado das refeições dessa semana, que por um qualquer erro administrativo não ficou registado no cartão magnético do aluno.

Numa altura em que tantas famílias vivem situações dramáticas, é ainda mais imperioso e urgente que o Ministério da Educação faça chegar às escolas ordens claras de que ninguém, por nenhum motivo, seja por falta de pagamento ou de pagamentos em atraso, pode negar a refeição a uma criança.

No post do 5Dias Porque a barbárie contra as crianças é assunto de todos faz-se o apelo para que todos participemos no protesto junto das entidades responsáveis, para que casos deste não voltem a acontecer, nunca mais.

Macacadas para Entreter


DEPOIS do secretário de Estado da Juventude e Desportos, Miguel Mestre, do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e do eurodeputado Paulo Rangel terem sugerido que os jovens deviam escolher o caminho da emigração, caso tivessem dificuldade em encontrar trabalho em Portugal, chegou a vez do ministro da Economia e (des)Emprego Álvaro Santos Pereira vir contrariar estas orientações, dizendo que o seu objectivo é travar a emigração de trabalhadores portugueses, caso não encontrem emprego no seu próprio país, muito embora não tenha dito quando nem como. Embora o propósito seja bom, a coisa cheira a mais uma macacada para entreter, isto porque os números desmentem esta intenção, continuando a subir imparáveis, além de que o Orçamento de Estado para 2013, é um passaporte garantido para tudo piorar, em todas as áreas, sem excepção.

domingo, 14 de outubro de 2012

A Bala de Prata

Jerónimo de Sousa - «É sacar, é roubar mais de 2,5 mil milhões de euros, a quem trabalha ou trabalhou. Isto é o que nos faz gerar um sentimento de revolta.»

Pedro Passos Coelho - «As expressões que aqui emprega, traduzindo-se na mais do que sugestão, na responsabilização por actos de roubar como acusa o Governo de fazer, torna o PCP cúmplice, para não dizer instigador de atitudes de maior violência em Portugal.»

Troca de palavras entre Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, no debate parlamentar de 12 de Outubro de 2012 na Assembleia da República.

Meu comentário - A resposta veio logo no dia seguinte, 13 de Outubro de 2012, com as Marchas do Desemprego da CGTP, isto quando Pedro Passos Coelho já se esgotou e não tem resposta para os discursos políticos. Sem argumentos, de cabeça perdida e perdido no seu labirinto, dispara a esmo com a única munição que lhe resta: uma bala de prata que os portugueses, entre muitas outras coisas, também vão ter que pagar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

AUMENTOS DO IRS
Com o PSD e CDS o sacrifício maior é sempre para os que menos têm.


Se o seu rendimento colectável de 2011 foi dez mil euros, pagou de IRS 1550 euros. Já se o seu rendimento colectável foi dez vezes superior, cem mil euros, pagou 36050 euros.

Com a nova tabelas em discussão na AR, acrescida da sobretaxa de 4%, um rendimento colectável de dez mil euros passa a pagar 2270 euros, e um de cem mil euros irá pagar 43720 euros.

Ou seja, para quem tem um rendimento colectável de cem mil euros/ano o aumento do IRS será de 22%. Já para quem tem um rendimento colectável dez vezes menor, dez mil euros/ano, o aumento do IRS será de 46%.


MARCHAR CONTRA O DESEMPREGO

sábado, 6 de outubro de 2012

Firmeza


ESTAMOS rodeados de cobardolas, que fogem do povo como o diabo da cruz. Um refugia-se no "Pátio da Galé", rodeado de gorilas e seguranças, despeja mais umas quantas inutilidades pela boca fora e sai apressadamente, ao passo que o outro se ausenta para o estrangeiro, dizendo que anda por lá por ser indispensável estar presente numa reunião dos chamados "amigos da coesão". Cá por mim, penso que é preciso dar-lhes com firmeza, como o fez a cantora lírica Ana Maria Pinto.

Firmeza

Poema de João José Cochofel e Música de Fernando Lopes-Graça

Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.
Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.

sábado, 22 de setembro de 2012

Conclusões do Conselho de Estado
THE SHOW MUST GO ON.

Does anybody want to taket it anymore?

  1. Graças aos bons ofícios do conselheiro matrimonial o divórcio foi adiado, as partes comprometem-se a manter a aparência dum casamento feliz, ou pelo menos a não fazer peixeirada em público; please?

  2. Enquanto não arranja para onde se mudar, o Paulo continua a viver lá em casa, em regime de bed and breakfast.

  3. Os gatunos são aconselhados a deixarem o roubo de esticão, mas o assalto à mão armada must go on.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sondagens da Católica
ENTRE MAIO E SETEMBRO PSD E PS PERDEM MUITO MAIS DO QUE PARECE, O CDS EM VEZ DE SUBIR, DESCE, E SÓ A CDU É QUE SOBE.

Quadro 1

Não sei se isso também acontece ao estimado leitor mas, por vezes, quando olho para os números duma sondagem não consigo deixar de me interrogar: como é possível? Depois de tudo o que ouvimos na rua, depois das Manifs de 15 de Setembro como é possível que o PSD tenha ainda o apoio de 24% dos portugueses? E a resposta afinal é simples: não tem, agora nem sequer chega aos 10%.

As sondagens tentam prever qual será o resultado duma eleição e, umas vezes melhor outras pior, lá se vão aproximando. O problema maior são as outras ilações que, erradamente,  vemos serem tiradas das sondagens, o que em parte decorre da forma como as sondagens são apresentadas.

De acordo com a Ficha Tecnica da sondagem da Católica efectuada de 15 a 17 de Setembro deste ano, dos 1132 inquiridos apenas 9,6% disseram que votariam no PSD e, um pouco mais, 12,4% no PS. Longe, muito longe dos 24% e 31%, como os resultados são apresentados. No quadro seguinte temos as percentagens reais de cada um dos partidos:

Quadro 2

Assim apenas 12,4 % deram o seu "voto" aos partidos da coligação do Governo, e 24,8 % aos partidos que apoiam o programa da troika: PS, PSD e CDS. O que desmente o tão apregoado consenso nacional e  a mui enaltecida extrema paciência do povo português.

Mas para além da forma como os dados são apresentados nos sugerir uma imagem bem diferente da realidade, pode também distorcer certos tipos de análise dos resultados. Por exemplo na apresentação da sondagem da Católica de Setembro diz-se que o PSD, entre Maio e Setembro, desceu 12%, que o PS desceu 2%, e que os outros partidos subiram, uns mais outros menos. Será mesmo assim?

Se, tal como fizemos para os dados da sondagem de Setembro, olharmos para os dados da sondagem da Católica de Maio, vemos que nessa altura foram as seguinte as percentagens obtidas por cada um dos partidos:

Quadro 3

Agora, com base nos dados dos Quadros 2 e 3, ou seja nas respostas dadas para cada um dos partidos em Maio e Setembro de 2012, é fácil calcular a evolução verificada nesse  período:

Quadro 4

Surpreendido? Também eu que não fazia ideia que os valores fossem tão expressivos. Em 5 meses, entre Maio e Setembro, em vez dos 12% anunciados (ver Quadro 1) o PSD perdeu 45% do apoio; o PS, que muita gente pensa que se aguentou bem, que teria descido apenas 2%,  afinal o PS desceu 23%;  o CDS é  apresentado como tendo subido 1%, quando ao contrário o CDS desceu quase 5%; quanto ao BE também não subiu  2%, o BE não subiu nem desceu, apenas aguentou, bem, o resultado da sondagem de Maio. Tudo visto,  apenas a CDU subiu, uns significativos 18%.


As Considerações do Senhor Regedor


«A manifestação não foi tanto contra o Governo e a situação actual, mas contra as políticas dos últimos anos»

Excerto da intervenção do deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim, na sessão de abertura dos trabalhos parlamentares da Assembleia da República, de 19 de Setembro de 2012, sobre os objectivos da manifestação nacional, ocorrida em 15 de Setembro de 2012.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

MENINO GASPAR CHAMADO AO GABINETE DO DIRECTOR.


Os jornais dizem que Cavaco chamou Vitor Gaspar a participar na reunião do Conselho de Estado da próxima 6ª feira, 21/9. Só não explicou se é porque já não confia nas explicações trapalhonas do Pedro, ou se é para darem todos uma rabecada no Gaspar.

Eu também já fui convocado, mas para a manifestação em frente ao Palácio de Belém, anunciada ontem à noite. Como a alegada comunicação social não tem tempo para falar destas cenas (está a full time na lavagem de roupa, e branqueamento, do PSD e CDS), aqui fica o cartaz e o endereço da página do facebook da Concentração: Reunião do Conselho de Estado.