sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Governação Sob Procuração

«Os ADVISERS é que sabem, eles é que vão encontrar a solução»

Resposta do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, durante a entrevista concedida à RTP1, sobre o modelo que o serviço público de televisão assumirá, no quadro da concessão da RTP a privados. Provavelmente, são também os tais ADVISERS (conselheiros, assessores, António Borges & Companhia) que decidem quanto aos restantes aspectos da governação, nomeadamente, os impostos, os cortes de salários e pensões, bem como outras medidas de austeridade.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

E se em vez de mais experiências com a Economia, e as nossas vidas, continuassem antes por aí entretidos a fazer experiências com as vossas pilinhas?


Vítor Gaspar reconheceu que, com base num estudo feito sobre a  TSU um ano antes, em colaboração com o Banco de Portugal, o Governo chegou a uma conclusão oposta e que ele próprio tinha classificado uma medida deste tipo como uma “experiência com os portugueses.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Oh NÃO, Mais Uma Anedota de Fim-de-Semana, NÃO!


«Digo olhos nos olhos: O nosso país não é corrupto, os nossos políticos não são corruptos, os nossos dirigentes não são corruptos»

Estas afirmações foram pronunciadas no sábado à noite, dia 1 de Setembro de 2012, pela directora do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) e também procuradora-geral adjunta, Dra. Cândida Almeida, numa "aula" da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.

Ainda andei a ver se o sentido do discurso que a senhora estava a debitar, não estaria a ser atraiçoado por alguma armadilha do novo Acordo Ortográfico, mas parece que não. Aquilo que ela disse, era exactamente o que ela queria dizer, isto é, que Portugal é todo ele um país de inocentes meninos de coro, que não há nenhum caso Freeport, nem caso Submarinos, nem caso Portucale, nem caso Face Oculta, nem caso Operação Furacão, nem a puta que os pariu a todos. Lembro que esta senhora tem sido insistentemente apontada como provável sucessora do actual procurador geral da República, o impagável doutor Fernando Pinto Monteiro, o tal que mandou esquartejar as escutas do processo Face Oculta, que implicavam o imaculado emigrante José Sócrates, o que a concretizar-se, serve para confirmar que embora mudem as moscas, a merda permanece a mesma, ou como diz o ditado - e bem - quem mais jura é quem mais mente.

sábado, 1 de setembro de 2012

As Falinhas Mansas do Borges e a Gritaria do País


COM a desculpa das inadiáveis reformas e dos planos de ajustamento, o governo está a tomar de assalto a coisa pública, e o António Borges, numa oração de sapiência da universidade doméstica do PSD, reclamou que a contestação e resistência a esses assaltos anda a gerar níveis de "polémica" e "gritaria" que nem sempre coincidem com a "vontade coletiva", que anseia por decisões tranquilas, serenas, verdadeiras e repletas de determinação. Ficou a faltar explicitar a que vontade colectiva se refere, que é quase certo, nada tem a ver com o país que maioritáriamente está sob sequestro das medidas de austeridade, mas sim com os muitíssimos e fortissimos interesses estabelecidos (como ele próprio o diz, e esta competência adquiriu-a na sua passagem pela Goldman Sach) que sobrenadam a governação, à espera que a ultra-liberal "destruição criativa" do tecido económico e social, lhes conceda a oportunidade de abocanharem os pedaços mais suculentos do desmantelamento das empresas públicas e do sector empresarial do Estado.

Para a sua aula (até o próprio Borges faz concorrência desleal aos professores, isto quando sabemos que este ano, em comparação com o ano passado, são menos 5.147 o número de professores contratados) foi buscar o salazarismo, como termo de comparação, esquecendo-se que o condicionamento industrial do ditador (cuja herança o catedrático Borges diz querer anular) não tinha os mesmos objectivos e eram poucas as semelhanças com o que actualmente sucede, mas já o mesmo não se pode dizer quanto ao proteccionismo (que não é a mesma coisa que ajuda directa) dos grandes interesses, das poucas famílias empresariais. Não se reequilibra a economia adoptando medidas que geram ondas sucessivas de insolvências, a não ser que se pretenda substituir as clientelas, chamando-lhe novo modelo económico, onde a concorrência se faz à custa das facilidades de despedimento, geradoras de uma grande reserva de mão-de-obra barata, da precariedade laboral e da erosão salarial. Na verdade, o que o "proeminente" conselheiro Borges quer combater, não são os tais interesses estabelecidos, sobrevivos do tempo da ditadura, mas sim mudar os seus protagonistas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Patilhas & Ventoínha


PARA SABER do paradeiro dos dossiers com a documentação relativa aos concursos que antecederam a celebração dos contratos, contrapartidas e financiamentos dos submarinos, e à falta de melhor solução, sugiro que o inoperante DCIAP peça a colaboração da mundialmente conhecida e competentíssima equipa de investigação Patilhas & Ventoínha.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MASSACRE DE MARIKANA
Nos caminhos para a democracia avançada.


A COSATU, central sindical a que pertence o sindicato dos mineiros NUM, faz parte com o SACP, Partido Comunista da África do Sul, e o ANC, da Aliança Tripartida. Membros do SACP e da COSATU integram as listas do ANC e têm lugares de responsabilidade no Governo da África do Sul.

Trata-se duma aliança antiga, e que teve um papel fulcral no processo de liquidação do apartheid e na transição para a democracia. No entanto à medida que o ANC revolucionário e socialista se vai voltando para o grande capital - em 2004 declarou-se partido social democrata e durante a presidência de Mbeki assumiu posições cada vez mais pro-capitalistas - agravam-se as contradições entre os parceiros da aliança.

O ANC tem um programa politico tipo democracia avançada, descrito como um processo para atingir a NDS, National Democratic Society, "a society in which people are intellectually, socially, economically and politically empowered", mas esse programa tem cada vez menos correspondência nas politicas de inspiração neo liberal levadas a cabo pelo Governo da África do Sul.

É neste contexto que me parece termos de tentar perceber a luta dos mineiros de Marikana contra os patrões duma grande mina de platina detida por capital estrangeiro, as divisões entre o NUM e o AMCU, o massacre de mineiros em greve pela policia em 16 de Agosto, e as posições da COSATU e do SACP sobre aqueles trágicos acontecimentos.

COSATU e SACP que, apesar das criticas e distanciamento face a muitas das medidas do Governo, parecem continuar empenhados em não beliscar uma aliança que consideram fundamental para os trabalhadores da África do Sul. O futuro dirá mas, pelo menos visto daqui, as perspectivas para a democracia avançada não se apresentam nada animadoras.

domingo, 19 de agosto de 2012

Revisão da Matéria


ENTROU em vigor em 1 de Agosto de 2012 a Lei Nº. 23/2012 de 25 de Junho, conhecida como a terceira alteração ao Código do Trabalho, a tal que visa (na óptica do Governo e dos grandes grupos económicos) combater o desemprego, aumentar a competitividade, a produtividade e o crescimento económico. Em síntese, vai resultar no seguinte:

- Redução do tempo de descanso compensatório para metade das horas prestadas em trabalho suplementar;
- Redução para metade do valor de retribuição horária pago por trabalho suplementar;
- Redução drástica da compensação por despedimento;
- Facilitação dos despedimentos (incluindo a inadaptação – por não cumprimentos dos objectivos previamente acordados);
- Reduçaõ das compensações por caducidade dos contratos a termo, certo ou incerto;
- Eliminação de quatro feriados;
- Eliminação de majoração por período de férias;
- e mais umas quantas “preciosidades”…

A par do desemprego, do regresso da praça de jorna, do trabalho à peça e da precariedade, enfim, da desvalorização e da perda de dignidade do trabalho, o que levou mais de meio século a conquistar, com sangue, suor e lágrimas, está em processo de regressão. Se nos calarmos e baixarmos a cabeça e os braços, se ninguém reagir, passo a passo, prefigura-se um novo tipo de servidão.

sábado, 18 de agosto de 2012

Moscovo aqui tão perto
PUSSY RIOT CONDENADAS A 2 ANOS POR VANDALISMO E OFENSA À FÉ.


Na ultima campanha eleitoral para a presidência da Rússia, Kirill Gundyaev, patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, apoiou publicamente a candidatura de Putin, descrevendo o então 1º ministro e agora presidente da Rússia como "um milagre de Deus".

Em sinal de protesto, e no âmbito da campanha eleitoral, alguns membros do grupo punk Pussy Riot, entraram na catedral ortodoxa de Moscovo onde teriam cantado a "oração" "Virgem Maria, Livra-nos de Putin". Em rigor apenas encenaram os gestos de cantar e recolheram imagens para um teledisco da canção, tendo sido de imediato interrompidas por seguranças.

Ontem depois dum julgamento fantoche, a alegada juíza Marina Syrova condenou  Nadezhda Tolokonnikova, de 23 anos, Maria Alekhina, 24, e Yekaterina Samutsevich, 29, a dois anos de prisão por "vandalismo" e  "ofenderem os sentimentos das pessoas de fé".

Talvez não tenham dado por isso, mas também ainda há pouco tempo em Portugal, no tribunal de Santo Tirso, um homem foi condenado a uma multa de 3 000 euros por ter ter "lesado a fé dos queixosos".

Também por cá, e temendo que o pessoal perca a "extrema paciência", o Governo já está a preparar uma lei antivandalismo e informa  que "está a consultar a legislação de outros países", provavelmente da Rússia.  Tentam assim os FDP do PSD e CDS (*), entre outras coisas,  que da próxima vez que os putos da JCP pintarem um mural a protestar contra as medidas do Governo, já não sejam absolvidos como tem acontecido até agora.

(*) Para o caso de poder vir a ser futuramente acusado de vandalismo verbal, esclareço já que este FDP quer dizer Fans de Putin.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Ilustre e Imperturbável Clientela


EM SETEMBRO de 2011, perguntado a Victor Gaspar porque razão havia fortunas que estavam dispensadas de participar do mesmo esforço que estava a ser imposto, fria e inapelávelmente, às pensões e rendimentos de trabalho, Sua Pausada Lentidão, entre outros ambíguos argumentos, respondeu que tal iria perturbar o funcionamento da máquina fiscal, que estava habituada à papinha feita e garantida dos habituais contribuintes, além de que desassossegar os tais dinheiritos, era um convite a que aqueles capitais emigrassem.

Soube-se agora que o Estado conseguiu uma receita extraordinária de 258,4 milhões de euros, colectando 3,4 mil milhões de património mobiliário escondido fora de Portugal, nomeadamente em paraísos fiscais, aplicando-lhe uma taxa simbólica de 7,5%, e mantendo-se os seus autores num confortável anonimato, livres de responsabilização criminal e só faltando pedir desculpa pelo incómodo, muito embora a exportação e ocultação de fortunas e seus derivados, continue a constituir um crime de natureza fiscal.

A possibilidade de taxar este património foi o resultado da troca de informações do Governo com um maior número de jurisdições e países, disponíveis para combater a evasão fiscal, porém, ainda muito longe da totalidade, o que significa que continua a haver muito património que persiste em gozar, descansadamente refastelado, as delícias dos paraísos fiscais, que se mantêm fechados e irredutíveis a qualquer tipo de colaboração.

Embora o tratamento dado a estes incumpridores e fugitivos da máquina fiscal, seja bastante diferente da do vulgar contribuinte, acontece que o Governo continua a rejeitar que esta iniciativa seja entendida como uma amnistia ou perdão fiscal. No entanto, já em 2010, quando o actual secretário de Estado Paulo Núncio trabalhava no escritório de advogados Garrigues & Associados, fez questão de divulgar por escrito junto dos seus efectivos e potenciais clientes, o regime excepcional de regularização tributária dos capitais saídos ilicitamente do país, classificando-o de programa de amnistia fiscal e escudo protector desses capitais, na medida em que já não requeria a sua obrigatória repatriação para Portugal.

Enfim, como se pode ver, tudo gente ilustre e imperturbável, a receber tratamento VIP, indiferente a que Portugal perca a classificação de país, para ganhar a de sítio mal frequentado, além de que não me admirava nada que no próximo dia 10 de Junho, aqueles anónimos e respeitáveis refractários fiscais, viessem a ser agraciados com alguma Ordem ou Comenda, por valorosos, esforçados e patrióticos actos em prol da pátria.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Está Esquecida, dona Zita!


«A antiga dirigente do PCP Zita Seabra sugeriu que os comunistas usavam os aparelhos de ar condicionado para espiar "tudo o que eram ministérios, sítios nevrálgicos e órgãos de poder", instalados nos anos 1980 pela FNAC - Fábrica Nacional de Ar Condicionado. A empresa era propriedade de Alexandre Alves, conhecido por "barão vermelho" por ser comunista e benfiquista, e que voltou a ser notícia esta semana por o Governo ter rompido o contrato com o empresário para a construção de fábricas de painéis solares em Abrantes.»

Excerto da notícia publicada pelo DIÁRIO DE NOTÍCIAS online de 10 de Agosto de 2012

Meu comentário: É evidente que esta não posso deixar passar em branco. Está esquecida, dona Zita! Não era apenas através dos aparelhos de ar condicionado; era também através dos autoclismos, das sanitas e bidés dos lavabos, dos fogões e torradeiras eléctricas dos refeitórios, das canalizações da água, dos botões dos elevadores, dos interruptores da luz dos gabinetes, dos pneus sobresselentes dos carros dos ministros, dos pára-raios e também do raio que a parta...

Ainda bem que dona Zita, 30 anos depois, finalmente se tenha decidido a falar. Na actualidade, se o projecto de Alexandre Alves fosse para a frente, era quase certo que a espionagem iria passar a consumar-se através dos painéis solares, pois claro.

Está visto que a dona Zita anda a ler muita ficção científica...