quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tudo Boas Práticas


CONTRARIANDO as "batalhas" que o próprio ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas tem travado (para fingir que está preocupado, claro está!), contra o excesso de nomeações partidárias que infestam o aparelho de Estado, a subsecretária de Estado adjunta dos Negócios Estrangeiros, uma tal Vânia Carvalho Dias da Silva de Antas de Barros, teve um sobressalto cívico e fez questão de reforçar aquelas ministeriais tentativas de moralização, nomeando para o seu gabinete de subsecretária adjunta, mais um adjunto, de nome João Paulo da Silva Carvalho, licenciado em Direito, que desde 2000 tem exercido funções como "funcionário" do CDS-PP, e que ainda tem a particularidade de ser arguido no processo Portucale.

Continuando a alimentar as imparáveis ninhadas de adjuntos de adjuntos de adjuntos, apesar dos ministeriais juízos sobre boas práticas, este é mais um episódio para acrescentar à bandalheira em cascata, em que se têm transformado as sub-ministeriais nomeações.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CORTES DA CARRIS NA PORTELA
"Agora o 783 parece que está a transportar gado em vez de pessoas."

Mais um caso em que o filho, o 783, saiu pior que o pai, o 83.

Comentário do leitor Vasco, utente da carreira 783 (que substituiu a 83), no post TRANSPORTES PÚBLICOS NA PORTELA Sem Metro e com cortes nos autocarros da Carris:

"Passou pouco mais de uma semana e o que se esperava aconteceu mesmo! Com a desculpa do metro, a população da Portela e Prior Velho, e até da Encarnação, ficou pior do que estava no que diz respeito à mobilidade. 

E a revolta é grande! Basta ouvir as pessoas de manhã nas paragens! O metro não chega à Portela e ao Prior Velho! E há destinos que o metro não serve com a mesma vantagem do que o 83 e o 45 serviam! Agora o 783 parece que está a transportar gado em vez de transportar pessoas! 

E estamos no Verão! Se nos seguirmos pelos horários afixados pela Carris o horário de Verão é o mesmo que o horário de Inverno! Nem um reforço em hora de ponta ao fim da tarde! Nada! Quem trabalha não merece isto! Perder horas nos Transportes Públicos! Só nos faltava mais esta! 

Ficar à espera que a Junta de Freguesia da Portela faça alguma coisa?! Isso é o mesmo que ficar à espera de Godot!..."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O País Vai Nu!

O GOVERNO veio dizer que é injusto aplicar a EQUIDADE (justiça) austeritária de igual forma aos trabalhadores dos sectores público e privado, porque os primeiros têm mais benefícios e são mais priveligiados que os segundos, o que é uma rotunda falácia. Como disse Eduardo Pitta, e muito bem, não se pode meter no mesmo saco do funcionalismo público, os trabalhadores administrativos que atendem os cidadãos aos balcões das repartições - e que no presente caso são os mais penalizados - e os Corpos Especiais desse funcionalismo público, entre os quais se incluem os membros do governo, autarcas, diplomatas, magistrados, médicos, catedráticos e professores. Embora sendo todos funcionários públicos, não são comparáveis em termos remuneratórios, logo em capacidade económica. Servem, no entanto, e muito bem, para o Estado fazer discriminação e dividir artificialmente o mundo do trabalho, além de que sempre pode fazer a colheita do esbulho, dentro dos seus próprios domínios.

O Governo, antes de mais nada, devia considerar que INIQUIDADE (injustiça) é fazer recair sobre os trabalhadores, sejam eles do sector público ou do privado, o modelo de austeridade em curso (como se não houvesse outras soluções), destinado a corrigir com receitas neoliberais, a negligência, incompetência danosa e gestão ruinosa, praticada por essa grande entidade patronal que é o Estado, má administradora e péssima redistribuidora da coisa pública, em contraste com as inúmeras prebendas, isenções, vantagens e tratamentos de excepção, com que são beneficiados os grandes poderes económicos e financeiros, mais as clientelas partidárias que se vão alternando na colheita de benefícios, consoante se consuma, nos órgãos de poder, a alternância política.

Se juntamos a este desconcerto o negócio ruinoso (apenas para o Estado, logo para o país) das Parcerias Público-Privadas (PPP), com contratos leoninos e rendas pornográficas, o défice madeirense que continua a ser um enigma (ou segredo bem guardado), as empresas municipais, institutos e fundações, de que não se conhece ao certo o número, nem a necessidade, nem o seu peso no orçamento do Estado, sabendo-se apenas que são albergue de um largo espectro de donatários, há razões de sobra para concluir que tal estado de coisas, não é ferida que se suture com uma panóplia de aumentos de impostos, espoliações salariais, privatizações a torto e a direito, “ajustamentos” e “reformas estruturais”. Quando é o próprio Estado - que devia ser um exemplo como patrão, cumprindo (e fazendo cumprir) com rigor as suas funções de regulador - que despede trabalhadores, para depois os voltar a contratar, como se fossem outras pessoas, já liberto da sua antiguidade acumulada e com o salário reduzido a metade, dando a ganhar ao recrutador de recursos humanos, a outra metade de salário sonegado, quanto à idoneidade deste Estado, que mais podemos acrescentar?

É caso para dizer que, mau grado as aparências, as trovas de alguns bobos de serviço, e as alucinadas promoções de uns quantos vendedores de sabonetes, faqueiros e atoalhados, o certo é que o país vai nu, cada vez mais nu e esquelético, e assim continuará por largo tempo. Enquanto nós deixarmos, claro está!

sábado, 28 de julho de 2012

O Espaço é Apertado Mas Cabem Lá Todos


NA SEQUÊNCIA da afirmação de António José Seguro de que «a troika e o Governo estão de um lado, ao passo que o PS está do outro», meia dúzia de dias depois, mais exactamente no passado dia 25 de Julho de 2012, a maioria PSD/CDS-PP e o PS, encarregaram-se de chumbar um projecto de resolução do PCP que recomendava ao Governo a renegociação, com urgência, da dívida pública, projecto esse que para além do PCP, apenas contou com os votos favoráveis do BE e do PEV.

O espaço é apertado, mas com a pragmática ajuda da “coerência” do PS (partido Seguro), a tanga da dívida lá se vai dançando, e acabam por lá caber todos.

AFINAL NÃO É SÓ EM LISBOA QUE É DIFÍCIL ENCONTRAR UM URINOL.


Liam Corcoran é um puto de 11 anos, residente em Manchester, que, à procura dum sítio  para fazer uma mijinha, acabou numa casa de banho do voo LS791 para Roma. Só deu por isso, que afinal estava a bordo dum avião, quando  "whoosh, we were going up in the sky”.

domingo, 22 de julho de 2012

O Que Ele Pensa, o Que Diz e o Que Faz

ALGUÉM acredita nisto? António José Seguro deve pensar que os portugueses são patetas ou andam nas nuvens! Ora se a prática política tem sido exactamente o inverso, isto é, o PS de há um ano a esta parte continua a alinhar com a troika e com o Governo, desculpando-se com compromissos assumidos e brandindo uma carismática “abstenção violenta”, que dividendos quer obter com tal afirmação? Será que anseia estabelecer uma união de facto e ser cooptado para o Governo?

De uma coisa podemos ter a certeza: aquilo que ele pensa, aquilo que diz e aquilo que faz, continuam a não ser coincidentes.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

TRANSPORTES PÚBLICOS NA PORTELA
Sem Metro e com cortes nos autocarros da Carris.


Dois dias depois de vermos o Metro a passar-nos ao lado somos confrontados com um anúncio da Carris a informar que daqui a dois dias vai fazer cortes nas carreiras que servem a Portela.

A carreira 22, da Portela ao Marques de Pombal, é encurtada para a Praça de Londres. A carreira 83 passa a efectuar viagens alternadas para a Portela e o Prior Velho, ou seja para Portela o serviço do 83 é reduzido a metade. A 28 apenas muda de numero para 728.

O comunicado da Carris a anunciar estes cortes começa com um "como se encontrava previsto", e de facto a questão da tentativa de cortes nas carreiras da Carris não é nova. Já em Novembro passado tínhamos aqui falado num plano que na altura incluía um largo rol de cortes nas carreiras da Carris, incluindo duas da Portela.

Enquanto outras Juntas de Freguesia mobilizavam os moradores a fazer-se ouvir sobre os cortes de carreiras, a Junta de Freguesia da Portela ficava-se pelas diligências, para nos anunciar a 17 de Fevereiro deste ano que "congratula-se com a decisão do poder central de manter as referidas carreiras". Bem pode limpar a congratulação à parede.

A Carris justifica as alterações com a entrada em funcionamento do prolongamento da linha Vermelha do metro ao Aeroporto,  e se é certo que a abertura duma estação de Metro em Moscavide é uma oportunidade para melhorar a mobilidade na Portela, aproveitando a proximidade deste importante e eficiente meio de transporte, não é seguramente através destes cortes cegos no que existe, sem qualquer contrapartida duma ligação rápida e pratica da Portela à estação de Metro de Moscavide, que esse objetivo é alcançado.

A procura das soluções que sirvam a quem por aqui mora e trabalha deve envolver necessariamente os interessados, cabendo um papel importante aos autarcas, que não se devem ficar apenas pelas diligências e têm de, em primeiro lugar, ouvir as populações que representam. E se não ouvirem teremos de ser os eleitores a insistir para que nos escutem.

terça-feira, 17 de julho de 2012

FINALMENTE METRO CHEGA AO AEROPORTO
Que contributo para a melhoria da mobilidade na zona oriental do concelho de Loures?


Até por neste blog se ter falado por diversas vezes nesta obra tão útil para quem mora e trabalha por estes lados, não podia deixar de, neste primeiro dia, ir até lá ver as três novas estações da linha Vermelha.

Entrei na estação de Moscavide e por hoje apenas vou dizer-vos que ao chegar à estação do Aeroporto já lá tinha à espera, à esquerda, sentado numa democrática cadeira, o Dr. Álvaro Cunhal, e à direita, num aristocrático cadeirão, o Dr. Mário Soares.

Com uma sincera saudação a todos os que contribuíram para fazer chegar o Metro ao Aeroporto da Portela, como morador desta zona não posso no entanto deixar de lamentar que, por umas escassas centenas de metros, não tenha hoje o Metro chegado também à freguesia da Portela.

No dia em que a linha Vermelha do Metro toca a fronteira da parte oriental do concelho de Loures em Moscavide é boa altura para perguntarmos, mais uma vez, o que está a ser feito em termos de aproveitar este importante e prático meio de transporte para melhorar a mobilidade das populações que vivem nas freguesias orientais do concelho de Loures.

Como é que se vai articular esta nova infraestrutura com a rede de transportes rodoviários existente? Fizeram-se estudos? Há planos? Discutiram-se esses estudos e/ou planos com as populações? Concretamente o que têm andado a fazer quanto a isto os autarcas destas freguesias e concelho? Que os moradores tenham dado por isso, infelizmente, parece-me que nada.


 Mais posts sobre o Metro na zona oriental do concelho de Loures:

Metro e interface rodoviário em Moscavide Melhorar a mobilidade na parte oriental do concelho de Loures.

Já que o Metro não vem à Portela... Qual a melhor maneira de ligar a Portela ao Metro?

PORTELA: LIGAÇÃO À ESTAÇÃO DE METRO DE MOSCAVIDE.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

EQUIDADE À BURLÃO PASSOS
Ou como o Governo PSD/CDS reparte os sacrifícios entre os rendimentos do trabalho e do capital.


A propósito das declarações do Presidente do Tribunal de Contas, que veio lembrar que no Acórdão que declara a inconstitucionalidade do corte dos subsídios de Férias e de Natal, a expressão detentores de rendimentos se refere tanto a rendimentos do trabalho como do capital, logo apareceu Passos Coelho num ecrã de TV a dizer que a equidade nos sacrifícios pedidos aos detentores de rendimentos do capital já estava assegurada visto o IRC, imposto sobre o rendimento dos capitais, ter subido de 20 para 25%, ou seja um aumento de 25%.

Vejamos então como é que se esse aumento se compara com os sacrifícios impostos a um casal de reformados (que por acaso até tenham ambos trabalhado toda sua vida no privado), um com uma reforma de 1000 euros, e outro com uma de 800 euros. Se não tiver quaisquer deduções, o casal teria de pagar por ano 1840 euros de IRS. Se somarmos a isto o confisco do 13º e 14º mês, o casal vê o seu contributo agravado em mais 3600 euros, ou seja mais cerca de 200%; passam a descontar o triplo.

Portanto para Passos equidade dos sacrifícios é os rendimentos do capital serem agravados  25%, e os dum casal de reformados 200%.

domingo, 15 de julho de 2012

Círculo (Quase) Perfeito


O MÉDICO H, por não se rever em nenhuma das reivindicações dos seus colegas que trabalham no Serviço Nacional de Saúde, não apoiou a greve dos médicos. E isto porque entende que os serviços de saúde deviam ser todos privados, reger-se pelas leis do mercado, da oferta e da procura, e quanto a médicos e enfermeiros, deviam ser contratados à hora. Disse ele – Não me identifico com eles nem com nenhum dos seus objectivos. A saúde – embora preciosa - é uma mercadoria, um bem transaccionável como qualquer outro. A minha ideia de medicina não tem nada a ver com este folclore!

O MÉDICO H, é um empresário da saúde, e agora já se sabe porquê: é também um campeão nacional das prescrições medicamentosas. Prescreve no seu consultório particular o MEDICAMENTO X, produzido pelo LABORATÓRIO Y, do qual ele é accionista, beneficiando dos respectivos e chorudos dividendos, onde o seu FILHO F é director dos serviços de propaganda médica, aconselhando a classe médica a prescrever o tal MEDICAMENTO X, o qual também é fornecido aos hospitais (ainda) públicos e privados, pelos canais habituais, e onde o mesmo MÉDICO H também dá umas rapidíssimas consultas, mas apenas para poder continuar a prescrever o mesmíssimo MEDICAMENTO X, que também é vendido pela FARMÁCIA Z, em que ele também é parte interessada, muito embora pela entreposta pessoa da sua proprietária, a sua honorável ESPOSA M.

O médico H (que distraidamente fez o juramento de Hipócrates), mais o medicamento X produzido pelo laboratório Y, o seu filho F, a farmácia Z e a sua esposa M, são um círculo (quase) perfeito. Como é fácil de ver, o que ele NÃO quer é um Serviço Nacional de Saúde, mas SIM um Negócio Particular de Saúde. Só estou a falar do círculo, mas se falarmos da espiral que lhe anda associada, o problema ainda é mais complexo. Na dúvida, perguntem ao executivo bancário, agora ministro da saúde, Paulo Macedo, que ele sabe como é.

GOVERNO PESSIMUS QUASE EM COMA.


Se tem andado por aí nos festivais e não está a perceber pevas do que se passa com o Governo, eu explico:

Imagine uma banda, não propriamente de rock, mais tipos criada para fazer as primeiras partes dos concertos do Tony Carreira, ou da Merkel, sei lá.

O vocalista é o Passos, o Gaspar é o compositor, adapta a musica e as letras da troika, o Relvas é o manager que só dá broncas, e os outros elementos da banda limitam-se a fazer uns ruídos indistintos, e às vezes uma macacadas para animar a claque.

É isto, não é?