terça-feira, 3 de julho de 2012

Bancos têm de deixar de manipular os mercados, diz Barroso
E os leões passarem a ser vegetarianos, digo eu


Já por aqui se tinha falado do Barclays ter sido apanhado a manipular as taxas da Euribor, e agora, quatro anos depois da implosão do Lehman Brothers, que ainda hoje estamos a pagar, vem o Presidente da Comissão Europeia dizer que alguns bancos têm deixar de manipular os mercados

É caso para perguntar o que é que o lacaio do capital financeiro e da Merkel tem andado a fazer desde 2008. E quanto à conversa da treta de "regulação e de supervisão adequada do sector financeiro", acho que tem mais hipóteses de sucesso se for para o Jardim Zoológico convencer os leões a tornarem-se vegetarianos.

domingo, 1 de julho de 2012

Ponto Final, Parágrafo!


A PROPÓSITO da audição de Miguel Relvas pela Comissão Parlamentar de Ética, Cidadania e Comunicação, convocada na sequência do prodigioso e inconclusivo inquérito da ERC, às pressões efectuadas sobre uma jornalista do jornal PÚBLICO, o ministro considera que o caso já devia ter tido um ponto final.

Mais palavras para quê? É um artista português, um grande ponto, que costuma usar pontos finais para dar por encerrados assuntos que não lhe agradam.

sábado, 30 de junho de 2012

BARCLAYS: APANHADO COM A BOCA NA BOTIJA A MANIPULAR AS TAXAS EURIBOR.


Aposto que a maioria do pessoal que tem empréstimos indexados à taxa Euribor (Euro Interbank Offered Rate), pensa que se trata duma taxa fixada por uma qualquer instituição oficial tipo Banco Central Europeu ou Comissão Europeia.

Contudo não é isso que se passa, as Taxas Euribor são calculadas como a média das cotações dadas para operações interbancárias pelos bancos dum painel. O painel é actualmente constituído por 43 grandes bancos, a maioria da Eurozona, incluindo a portuguesa Caixa Geral de Depósitos.

Claro que as cotações fornecidas diariamente, por cada um dos bancos do painel, refletem os interesses da Banca, e não propriamente os do funcionamento da chamada economia real.

E como é habitual no sector financeiro, que se puder ganhar 100 não se fica por um lucro de 10, a tentação para manipular o sistema é grande, e só muito raramente esses cambalachos são punidos.

Mas mesmo com regras que quase tudo permitem, e autoridades reguladoras criadas para defender os interesses daqueles que seriam supostas vigiar, mesmo assim há sempre quem ultrapasse os elásticos limites, e muito de vez em quando é apanhado com a boca na botija, como agora aconteceu ao Barclays multado em 290 milhões de libras (350 milhões de euros) por "graves e generalizadas violações das regras da City relativas à Libor e Euribor".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

CÁ NO BAIRRO CONTRA OS GOLPES MARCHAR MARCHAR
A propósito do imbróglio na fronteira Lisboa Loures.


Os moradores da Urbanização situada entre a Av. Dr. Alfredo Bensaúde e a Estrada da Circunvalação, aos Olivais em Lisboa (Ruas Alfredo Franco, Carlos George, Alberto Macbride e Estrada da Circunvalação), reunidos em Assembleia no dia 22 de Junho de 2012 decidiram:

1 – Repudiar a Proposta de alteração ao Projecto de Lei 120/XII/1ª, proposta esta aprovada pelo PS e PSD, com os votos contra do PCP, PEV, Bloco de Esquerda e de 1 Deputado do PS, e com a abstenção do CDS, dada a sua inconstitucionalidade;

2 – Exigir à Assembleia da República o cumprimento do artigo 249 da Constituição da República, por se tratar de alteração das áreas dos Concelhos de Lisboa e Loures e por consequência os limites das suas confrontações;

3 – Exigir à Assembleia da República que qualquer alteração dos limites dos referidos Conselhos passe pela consulta dos seus moradores como o determina a Constituição;

4 – Informar os Senhores Deputados que qualquer outra tentativa semelhante de desrespeito de direitos Constitucionais, terá o nosso firme repúdio e indignação, porque como cidadãos queremos exercer a nossa cidadania sendo parte de qualquer alteração;

5 - Exigir que o Sr. Presidente da República não promulgue esta proposta de alteração ao Projecto de Lei nº 120/XII/1ª dada a sua inconstitucionalidade;

6 - Informar desde já que somos contra a mudança de residência para fora do Concelho de Lisboa e Freguesia dos Olivais.


Sobre este assunto pode ver também:

IMBRÓGLIO NA FRONTEIRA LISBOA LOURES Então os deputados do PSD e PS nem se dão ao trabalho de ver no que votam?

MORADORES TRAÍDOS NA FRONTEIRA LISBOA LOURES

terça-feira, 26 de junho de 2012

Passos diz que Projecto do PCP nunca foi sufragado nas urnas
O QUE NÃO FOI SUFRAGADO NAS URNAS FOI O PROGRAMA DO GOVERNO PSD/CDS.


O analfabeto funcional que nos desgoverna ignora, entre muitas outras coisas, que sufragar é sinónimo de votar, e vai daí diz, na discussão da Moção de Censura do PCP, que "o Projeto do PCP nunca foi sufragado nas urnas", quando provavelmente o que queria dizer é que aquele Projeto não ganhou as eleições.

Como também não ganhou as eleições o Programa de Governo que o analfabeto funcional está agora a aplicar. A maioria de Governo PSD/CDS foi alcançada com base num Projeto bem diferente daquele com que Passos, Gaspar & Cia. nos estão agora a massacrar.

Ao menos o Projeto do PCP tem a legitimidade dos que nele votaram, embora longe de alcançar a maioria. Ao contrário, o Programa que o Governo PSD/CDS está a aplicar não tem qualquer legitimidade pois não  só não ganhou eleições, como nem sequer foi a votos,  não foi votado por ninguém.

As medidas mais importantes do Governo PSD/CDS, como o corte dos subsídios de férias e de natal, a alteração do Código de Trabalho, a extinção de milhares de freguesias, a asfixia do Serviço Nacional de Saúde, não faziam parte do nem do programa nem do discurso eleitoral com que Passos Coelho se apresentou às eleições de 2011.  É só comparar o que prometeram em 2011 e o que têm feito desde que estão no Governo.

sábado, 23 de junho de 2012

O Aprendiz de Feiticeiro


O MINISTRO das finanças que nos arranjaram, um tal de Victor Gaspar, desencantado nos laboratórios experimentais do Banco de Portugal, e que faz equipa com um tal de Passos Coelho, veio há dois ou três dias reconhecer que o comportamento das receitas e das despesas, no quadro da execução orçamental, não se enquadra nas expectativas traçadas pelo governo, logo o governo falhou, e se nada for feito, continuará a falhar até ao infinito. Não é preciso ser grande economista para saber algumas verdades universais, isto é, que quando as receitas baixam (com o desemprego a provocar a baixa do IRS e das contribuições sociais, com as falências e quebra de actividade das empresas a baixar o IRC, e com a quebra de consumo das familias e empresas a baixar o IVA e outros impostos), e as despesas aumentam (com a subida de encargos com subsídios de desemprego, pensões, rendas das PPP e taxas de juro de empréstimos), o caldo está entornado. E como o governo diz que vai manter a palavra de não pedir “nem mais tempo, nem mais dinheiro” para cumprir o défice, e não pretende mudar de política, é quase garantido que virá aí a multiplicação da austeridade e mais sacrifícios, convertidos em mais cortes, onde já pouco ou nada há onde cortar, e mais carga fiscal, onde já pouco ou nada há para colectar.

O Vitinho das finanças, mesmo com o seu entaramelado discurso "zombie", já não surpreende, mas continua a insistir. Comporta-se como o aprendiz de feiticeiro do poema de Goethe, que tendo-se apropriado do chapéu do mestre, libertou os poderes, e na sua patética ignorância, ficou a ver multiplicar-se o que não sabe controlar. Depois, quando já não tem mão sobre o que libertou, quando vê que a sua teoria corre o risco de falhar, improvisa, arranja desculpas, tenta aprofundar o erro, levando o bruxedo aos limites, na esperança de mudar a realidade, para sustentar e manter de pé a teoria. Alucinado, espera que a sua incontrolável austeridade, a replicar-se até ao infinito - como as vassouras aguadeiras do poema -, se devore a si própria, acabando numa espécie de Big-Bang, de onde nascerá uma galáxia de mel e de fartura, mas só para alguns. O problema é que esta gente não são mágicos, nem tão-pouco aprendizes de feiticeiros. São saqueadores e malfeitores encartados, discípulos da escola de Milton Friedman, e que gostam de falar de mansinho, de passar despercebidos, enquanto continuamos a acreditar, firmemente, mesmo com eles à perna, que vamos conseguir chegar à Final do Euro 2012.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Os Lobos Andam Aí


NA GRÉCIA, depois das eleições de domingo, mantém-se o impasse. A Syriza (esquerda radical), a segunda força política mais votada, continuada separada da primeira, a Nova Democracia (centro-direita), por uns escassos 3 pontos percentuais, ao passo que aquela, por ser a mais votada, continua a ser contemplada com um fascinante bónus de 50 deputados extra, que se vão sentar no Parlamento, sem nunca terem passado pelo escrutínio das urnas de voto, isto é, uns autênticos verbos-de-encher, imagem de marca de uma democracia de contrafacção.

A Grécia, fustigada pelo cansaço e exaurida pela austeridade foi a eleições, debaixo de grande pressão e sob chantagem, orquestrada do exterior por Merkel & Companhia. Até o FINANCIAL TIMES DEUTSCHLAND veio dizer que o Banco Central Europeu considerava que uma reestruturação da dívida grega teria “consequências catastróficas”, pois o seu presidente, Jean-Claude Trichet, terá afirmado que o banco não aceitaria mais obrigações gregas se o prazo de reembolso dos empréstimos fosse alargado, além de que a Grécia não receberia a quinta parcela do plano de resgate (12 mil milhões de euros de um total de 110 mil milhões). Depois disso, foi a vez do jornal alemão BILD reforçar a dose, dando-se ao luxo de publicar na primeira página, especialmente dirigido aos gregos, um ameaçador e asqueroso texto bilingue (em alemão e em grego, para que o aviso fosse bem compreendido), ao estilo de "tenham medo, tenham mesmo muito medo" do que pode acontecer, caso não votem a favor dos acordos e da austeridade, pois de um dia para o outro deixaremos de carregar de euros as vossas caixas ATM (Multibanco).

A abstenção voltou a campear e o resultado está à vista! Apesar de haver optimistas que dizem que a partir de agora nada será como dantes, para mim, que não consigo ver mais longe do que aquilo que a vista e o entendimento alcançam, o céu continua carregado, o horizonte negro, as questões de fundo do país e do povo, com soluções, mas sem quem as possa implementar. Apenas se ouve os que bradam “nem mais tempo, nem mais dinheiro; apenas mais austeridade ou o salto no vazio”. Portanto, não vejo que venha aí um novo fôlego e que o garrote aplicado à Grécia se alivie, ou mesmo que o euro tenha sido salvo. As matilhas de lobos esfomeados nunca abandonam uma caçada. Ficam à espreita e atentas, e habitualmente, não deixam escapar as presas feridas e exaustas.

domingo, 17 de junho de 2012

Mais uma Colherada na Soberania Alheia


DURANTE um congresso regional do seu partido, em Darmstadt (oeste da Alemanha), a chanceler alemã, Angela Merkel não se coibiu de meter mais uma colherada na soberania alheia, e contrariando o princípio de não ingerência no quadro político de outros países, considerou muito importante que os gregos façam eleger nas eleições deste domingo, uma maioria política capaz de respeitar os compromissos assumidos com a União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, em matéria de austeridade, base e fundamento de uma “Nova Ordem” económica e social, cuja pretensão é instaurar a penúria dos povos, em geral, e dos trabalhadores, em particular, em benefício das oligarquias económico-financeiras.

Só faltou dar um saltinho até Atenas, fazer um comício na Praça Sintagma, invocar a fúria das Valquírias e dos deuses do Olimpo, e apelar a que a escolha do povo grego fosse ao encontro da “democracia boa”, a dos interesses alemães e dos tubarões dos "mercados", senão...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Freguesia do Parque das Nações, a Assembleia Municipal de Loures, o CDS, Marx, e o preço do metro quadrado.


Como foi anunciado aqui no blog realizou-se ontem uma Reunião Extraordinária da Assembleia Municipal de Loures, com o ponto único Alteração dos limites, território e população do concelho de Loures – Análise da situação e proposta(s) de atuação.

Posições convergentes no repudio à forma golpista, desonesta e trapalhona como o PSD e PS (nas palavras dos que não querem assumir o que os seus partidos fazem, o Parlamento) conduziram o processo de aprovação da lei que cria a Freguesia do Parque das Nações incluindo parte do território de Moscavide e Sacavém.

Posições divergentes quanto à questão de fundo, ou seja à criação da freguesia do Parque das Nações da Matinha ao Trancão. CDS e BE a favor (coerentes com a apresentação de projetos dos seus partidos nesse sentido na AR), PS e PSD contra na  Assembleia Municipal, mas a favor na AR, e CDU com uma só cara, contra na Assembleia Municipal e contra na AR. 

A argumentação andava à volta dos grandes princípios, até que o representante do CDS, visivelmente agastado com alguns remoques às posições do seu partido (abster-se, na AR, numa situação que agora denunciava como grave), decidiu cair na real, chamar o boi pelos nomes, e numa curta intervenção de clara inspiração marxista, salientou a base económica da questão, ou seja a diferença entre o preço do metro quadrado na parte do Parque das Nações que pertence a Loures, mais baixo, e o preço do metro quadrado na parte de Lisboa, obviamente mais elevado.

Preço do metro quadrado que também nos ilumina sobre a razão que deve ter levado a estender o limite poente entre o Parque das Nações e os Olivais da linha de comboio para a Av. Infante Santo, ou seja, o preço do metro quadrado de todo aquele território à espera de especuladores imobiliários, que terá um valor bem mais apetecível se em vez de Cabo Ruivo se chamar Parque das Nações.

Preço do metro quadrado que tem sido o verdadeiro líder da politica de Urbanismo nas  últimas décadas deste nosso alegado regime democrático.

MORADORES TRAÍDOS NA FRONTEIRA LISBOA LOURES


MORADORES TRAÍDOS

1º Inesperadamente, o PS e o PSD apresentaram na Assembleia da República, no dia 01\06\2012, o Projeto de Lei nº 120/ XII/ 1º (Reorganização Administrativa de Lisboa) que tem estado em discussão pública.

O GOLPE

2º Juntamente com o referido Projeto apresentaram uma Proposta de Alteração do mesmo que não esteve em discussão pública e não era sequer do conhecimento do PCP; Bloco de Esquerda e dos Verdes.

3º A Proposta de alteração apresentada altera os limites dos Concelhos de Lisboa e de Loures, onde se confrontam nas Freguesias dos Olivais; Moscavide; Portela e Sacavém; isto é: na faixa entre a Estrada de Circunvalação e a Av. Dr. Alfredo Bensaúde, que passa para o Concelho de Loures e no Parque das Nações, junto ao Rio Trancão, que passa para Lisboa.

4º Esta proposta foi apresentada e votada na especialidade com os votos favoráveis do PS e PSD, a abstenção do CDS-PP e teve os votos contra do PCP; Bloco de Esquerda e do PEV. E na votação final global com os votos favoráveis do PS e PSD, a abstenção do CDS-PP e teve os votos contra do PCP; Bloco de Esquerda; do PEV e de 1 deputado do PS. (a)

5º Este golpe implica graves prejuízos para os moradores e proprietários, nomeadamente:
  • No acesso à Câmara de Loures em vez da de Lisboa (Campo Grande);
  • Nos custos do I.M.I: a Câmara de Loures tem aplicado a taxa máxima;
  • No custo da água que é mais cara em Loures: o 1º escalão custa 0,1820 € em Lisboa e em Loures 0,5274 €. O 2º escalão custa em Lisboa 0,5993 € e em Loures 1,1193 €;
  • No valor comercial das casas.

CONCLUSÃO

Do exposto se conclui que existem sérios prejuízos para os moradores e proprietários. Mas o mais grave de tudo isto foi os mesmos não terem sido consultados sequer. O Carmona também não consultou os moradores quando, há cerca de 80 anos, retirou Moscavide da Freguesia dos Olivais e do Concelho de Lisboa. Fez escola. Tem ilustres seguidores.

Os moradores:

Adelino Tomás (Rua Carlos George, Lote 34)
Almiro Martins (Rua Carlos George, Lote 36)
António Lopes (Rua Carlos George, Lote34)
Carlos Inácio (Rua Alfredo Franco, Lote 6)
Pedro Guerra (Rua Carlos George, Lote 26)
Ramiro Morgado (Est. da Circunvalação, Lote 13)
Rui Silva (Rua Alfredo Franco, Lote 10) 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Já Sabíamos!


«O constitucionalista Jorge Miranda defende que a criação da freguesia do Parque das Nações, em Lisboa, com território de Loures, prevista na reforma administrativa de freguesias, viola a Constituição (artigo 249º) por não ter existido consulta ao município de Loures nem às freguesias de Moscavide e de Sacavém. (...)»

in PÚBLICO on-line de 13 de Junho 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

FREGUESIA DO PARQUE DAS NAÇÕES
O que dizem os autarcas de Loures.


Depois do comunicado da Câmara de Loures, PS, em que a única objeção do Teixeira à criação da freguesia do Parque das Nações parece ser a perca das massas do IMI, vem a CDU dizer que a ideia de que a gestão do Parque das Nações poderia ser prejudicada por ficar dividida entre três freguesias e dois concelhos é infundada. Pena não explicar o infundado da ideia.

Estava eu convencido de que a principal razão da criação, com o apoio da CDU, da freguesia da Portela, em 1985 (até aí dividida entre as freguesias de Moscavide e Sacavém), foi dotar aquele bairro duma gestão autárquica única, mais próxima dos cidadãos, mas se calhar também estava infundado.

Mas a parte que verdadeiramente me arrebata na moção da CDU é o: Não abdicaremos daquilo que demorou décadas a conquistar para o concelho de Loures. Conquistas que, pelo que se depreende to texto, serão os "espaços habitacionais e novas populações, um novo e qualificado espaço urbano dotado de equipamentos e infraestruturas culturais e desportivas, amplas e desafogadas zonas de recreio e lazer, a possibilidade de contacto direto com o rio".

Será que com a criação da freguesia do Parque das Nações no concelho de Lisboa, o Costa do jumento e do ferrari se prepara para arrasar aqueles espaços habitacionais? Será que planeia expulsar as novas populações? Será que vai impedir os habitantes de Moscavide e Sacavém de usufruírem do novo e qualificado espaço urbano? Barrar o seu acesso aos equipamentos e infraestruturas culturais e desportivas? Vedar-lhes as amplas e desafogadas zonas de recreio e lazer? Proibir-lhes o contacto direto com o rio?

Fala ainda a CDU, sem especificar, de promessas só parcialmente cumpridas. Como por exemplo, julgo eu, o tão ansiado Parque do Tejo, inviabilizado antes de nascer pela decisão, a que Câmara PS de Loures não se opôs, de ali se construir um colégio privado.  Será que a divisão do Parque das Nações por três freguesias e dois concelhos, iria permitir ressuscitar o projeto do Parque do Tejo, ou a concretização de outras promessas não cumpridas?

E  quais serão os fantástico planos que as autarquias de Moscavide, Sacavém, e do concelho de Loures, todas de maioria PS, tinham na manga para aqueles territórios, que iriam beneficiar os habitantes daquelas freguesias, e do concelho de Loures, e que ficaram comprometidos com a criação da nova freguesia do Parque das Nações?

Enfim, talvez a Reunião Extraordinária da Assembleia Municipal de Loures convocada para 5ª feira 14/6 à 21h nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, com um período inicial de intervenção do público, não só dê respostas a estas questões e perplexidades, como esclareça o que as forças políticas do concelho se propõem fazer. Ou será que, como até agora, se vão ficar pelos apelos patéticos ao inquilino de Belém para não promulgar a Lei?

Nota Final
Também daqui denuncio a forma ilegal e inconstitucional, que viola de forma clara o estabelecido no art.º 249 da Constituição da República Portuguesa e a recém-aprovada Lei 22/2012, como foi tomada a decisão da criação da Freguesia do Parque das Nações, e considero que, como se diz noutro post deste blog, o que o que está errado não é a criação da Freguesia mas a génese e o desenvolvimento do projecto do Parque das Nações desde 1993 até ao presente.

domingo, 10 de junho de 2012

E Vão Quatro!


DEPOIS da Irlanda, Grécia e Portugal, a partir de ontem a Espanha passou a ser o quarto passageiro do porão de quarentena deste navio fantasma em que se está a transformar a União Europeia.

Entretanto, e depois de atentamente examinadas as recentes análises laboratoriais, para o doente português a "troika" passou mais uma receita: a bem da produtividade e da competitividade da economia, o Governo deve mandar às malvas os compromissos assumidos na (des)concertação social e acabar com a contratação colectiva, o que significa, nem mais nem ontem, que amputar o poder reivindicativo e negocial dos sindicatos, enquanto organizações da classe trabalhadora, para que o grande capital possa entrar, definitivamente, em roda livre. Passo a passo, lá chegaremos ao dia em que dirão que o Código do Trabalho é para deixar de cumprir, pois tornou-se uma excrescência, perfeitamente dispensável. A ditadura de Oliveira Salazar não faria melhor!

Finalmente, para assinalar este 10 de Junho, Sua Intransigência o Presidente Cavaco Silva almoçou com gente importante, andou a calcorrear a Mouraria, e parece que irá condecorar mais umas quantas eminências e protuberâncias da sociedade portuguesa. Só faltará enaltecer a excelência e portugalidade do "bolo-rei" e do "pastel-de-nata", e porque não, atribuir-lhes alguma comenda ou insígnia, ao mesmo tempo que vai esgotando a nossa "paciência" com as lérias do costume, para nos vir dizer o quanto preocupado e amargurado está com isto tudo.