quinta-feira, 17 de maio de 2012
Passos quer que Portugal se transforme numa Singapura... embora não exatamente igual.
O Pedro leu um livro sobre Singapura e achou o máximo. Era mesmo aquilo que ele sempre sonhou para Portugal. Claro que não é para ser exatamente igual.
AS DIFERENÇAS SERÃO: à esquerda no lugar do 1º Ministro Lee Hsien Loong, teremos o Pedro, a seguir, e para chefiar as polícias, promove-se o Bagina da Silva, ao centro, em vez de S.R Nathan, um presidente um bocado mais alto, e a seguir, no lugar do gajo do turbante, mas igualmente de turbante, ficará o Relvas.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Os Resultados Estão à Vista
A VISITA de François Hollande à Alemanha da senhora Merkel já está a dar resultados: o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, depois de goradas as negociações para a formação de um novo governo de coligação na Grécia, avisou que o programa da troika não pode ser renegociado. Ou se mantêm as medidas de austeridade, ou deixa de haver apoio financeiro ao pais. Com novas eleições à vista, e ao melhor estilo teutónico, não há como começar já a bolsar ameaças e a fazer a chantagem do costume, para condicionar e amedrontar o eleitorado grego. Eis um exemplo da nova versão, sustentada no primeiro encontro entre Merkel e Hollande, de uma União Europeia mais justa, coesa e solidária.
Publicada por
Fernando Torres
à(s)
10:36
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terça-feira, 15 de maio de 2012
A ESQUERDA ATÓNITA QUER SER LIVRE.
"Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita", assim começa o Manifesto duma esquerda que não se sente livre, que assiste atónita e atarantada a uma realidade que nem sequer se esforça por compreender.
Num arroubo de introspeção lá vão dizendo que "a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência", sem coragem nem alternativas, enquanto ignoram com sobranceria a esquerda que não se limita a assistir, que vai à luta, que não desiste.
E para os que estão, como eles, por aí à espera, o melhor que têm a propor, como solução para a Crise, é um ameno retorno às virtudes republicanas de 1910 e aos egrégios ideais da grande revolução burguesa de 1789: Liberdade, Igualdade, e Fraternidade.
Apetece lembrar: Não é a Crise, pá, é o Capitalismo
segunda-feira, 14 de maio de 2012
O CREPÚSCULO DO EURO
"Alguns de nós temos falado nisto, e aqui está o que pensamos sobre como parece que o jogo vai acabar:
1. A Grécia sai do euro, muito possivelmente no próximo mês(1).
2. Levantamentos massivos dos bancos espanhóis e italianos, com depositantes a tentar transferir o dinheiro para a Alemanha.
3a. Talvez, apenas talvez, controles de facto, com os bancos proibidos de transferir depósitos para fora do país, e limites para levantamentos de dinheiro.
3b. Alternativamente, ou talvez em conjunto, enormes saques em crédito do BCE para evitar o colapso dos bancos.
4a. A Alemanha tem uma opção. Aceitar os créditos públicos sobre a Itália e Espanha, além de uma revisão drástica de estratégia - basicamente, dar garantias sobre as dívida para manter os custos dos empréstimos baixos, e um objetivo de inflação mais elevada da zona euro para tornar possível o ajuste dos preços relativos , ou:
4b. Fim do euro. E estamos a falar de meses, não anos, para o jogo acabar."
Paul Krugman no The New York Times
(1) Como lembra hoje Rui Tavares no Publico, de acordo com os tratados da União, não há saídas do Euro, a menos que o país saia da União, e a saída da União é voluntária, só o próprio país é que pode tomar essa decisão.
Claro que se a Alemanha quiser a Grécia, ou Portugal, fora do Euro, ou da União, não vai ser um qualquer tratado que a vai impedir.
domingo, 13 de maio de 2012
Passos mantém confiança em Relvas
Agora falta saber o mais importante, se Relvas mantém a confiança em Passos.
Pedro Passos Coelho, questionado sobre se mantinha a confiança política no ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, respondeu: “Eu julgo que essa questão não tem nenhuma razão de ser. Nem percebo porque é que essa pergunta é feita, para vos ser sincero”.
Claro, como é óbvio, deviam era ter perguntado ao Relvas, se ele mantinha a confiança em Passos.
sábado, 12 de maio de 2012
O Desemprego é Uma Espécie de Desporto Radical
DEPOIS de ter mandado emigrar os jovens e os professores, desta vez, aproveitando a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho voltou à carga e decidiu teorizar sobre o desemprego. Entre umas quantas imbecilidades, afirmou que estar desempregado, não é um sinal negativo, podendo ser uma oportunidade para mudar de vida. Se estar desempregado não é um sinal negativo, podendo até ser uma mensagem do além, apontando outros caminhos, escusado será dizer que ele próprio poderia dar o exemplo, dedicando-se a outra actividade, e eu até teria muito gosto em participar com um suave empurrão. Disse ainda que os portugueses, relativamente à forma como enfrentam o desemprego, devem adoptar uma cultura de risco, o que nos leva a concluir que o desemprego, contrariando o que é habitual, deverá ser encarado, não como uma tragédia ou desgraça pessoal, mas sim como uma espécie de desporto radical. E para que o sermão ficasse completo, acabou a zurzir nos jovens pouco afoitos e exigentes que, prudentemente e à cautela, preferem ser trabalhadores por conta de outrem, em vez de se lançarem nos braços do mundo empresarial. Para a próxima, sei lá, talvez se lembre de sugerir uma ida a pé até Fátima, em busca de novas e maravilhosas oportunidades de emprego. Em resumo, a iniciativa até podia ter um título, como por exemplo: o desemprego como forma de realização pessoal e contributo para a elevação da auto-estima dos trabalhadores.
Pedro Passos Coelho, ao falar assim daquilo que afecta mais de um milhão de portugueses, que ostenta a marca das iníquas políticas do seu governo, e cada dia que passa se vai agravando mais, além de demonstrar a mais profunda das insensibilidades e desprezo para com o problema, gerador de incontáveis dramas pessoais e familiares, ainda ofende, com um misto de gozo e descaro, todos os que se encontram nessa dramática situação. Os árabes costumam responder às ofensas, lançando sapatos contra o insolente; neste caso, o nosso primeiro- ministro, no mínimo, merecia um pano encharcado nas ventas.
ADENDA - Questionado pelos jornalistas a propósito da sua destemperada dissertação sobre o desemprego, Passos Coelho afirmou que mantém tudo o que disse, e até acrescentou que o desemprego é gerador de crises artificiais, destinadas a criar uma tensão enorme no país. Está bem à vista que este cavalheiro segue as pisadas de José Sócrates, isto é, está ausente do país real, estraga tudo em que toca e apenas diz baboseiras.
É claro que está na altura de levar com mais um pano encharcado...
quinta-feira, 10 de maio de 2012
QUANTO VÃO DURAR OS 15 MINUTOS DE FAMA DO SYRIZA?
Para já, e como se aponta no Aspirina B, tivemos Os três dias de Tsipras, que, se tudo lhe continuar a correr de feição, poderão prolongar-se por mais umas semanas e levar o Syriza para uma posição central dum novo Governo da Grécia.
Como desafia o Pais do Burro em Descubram a irresponsabilidade, encontrem o extremismo, não se vislumbra por aqui nada que gente bem pensante e de reconhecidas virtudes morais não possa subscrever:
"1) A necessidade de cancelar imediatamente a elaboração das medidas do memorando e especialmente das leis vergonhosas que cortam os salários e pensões ainda mais.
2) O cancelamento das leis que acabam com direitos laborais fundamentais e especialmente da lei que define que, imediatamente, em 15 de Maio, acabam as disposições dos contratos coletivos e os próprios contratos coletivos.
3) A promoção de mudanças imediatas no sistema político para o aprofundamento da democracia e da justiça social, começando pela alteração da lei eleitoral, o estabelecimento da proporcionalidade plena e o cancelamento da lei da responsabilidade dos ministros.
4) O controlo público sobre o sistema financeiro, que hoje, apesar do facto de ter recebido aproximadamente 200 mil milhões de euros em dinheiro e garantias, está ainda nas mãos dos gestores que o levaram à falência. Pedimos a publicação do Relatório Black Rock. Queremos transformar os bancos numa ferramenta para o desenvolvimento da economia e o reforço das pequenas e médias empresas.
5) Por último, mas não menos importante, um quinto ponto de diálogo: a criação de um Comité de Auditoria Pública, que irá investigar a dívida opressora; uma moratória do pagamento da dívida e a defesa de uma solução europeia justa e sustentável."
O problema é que a situação a que a Grécia chegou, a que chegámos, não vai lá com medidas tão simpáticas e indolores. Pela minha parte também me agradaria que as forças que estão a conduzir a maior ofensiva anti trabalhadores de que há memória, assistissem sentadas à concretização daquele rol de boas intenções, mas infelizmente a realidade não deve estar para aí virada, e um Governo na Grécia norteado por aquelas ilusões, não iria seguramente muito longe.
Uma saída da Crise favorável aos trabalhadores, por muito que isso nos custe, vai exigir sangue, suor e lágrimas: vai exigir não só medidas muito mais eficazes e difíceis, e que não podem ficar pela anulação dos efeitos da Crise como as dos 5 pontos do Syriza; mas sobretudo de forças empenhadas numa mudança efetiva, o que não se vislumbra numa coligação de forças de centro esquerda social democrata.
Embora do ponto de vista tático a recusa de princípio do KKE, ao convite do SYRIZA para integrar uma coligação de esquerda, tenha sido um tiro no pé que o deixa muito mal posicionado para a campanha eleitoral que já se iniciou, parece-me, como lemos em O Castendo, não haver duvida de que o KKE tem uma melhor compreensão da situação quando diz:
"Estamos a mover-nos para uma fase transicional onde haverá uma tentativa de criar um novo cenário político com novas formações, novas figuras com uma orientação de centro-direita ou baseada numa nova social-democracia que terá o SYRIZA como núcleo, destinada a impedir a ascensão do radicalismo do povo que levaria as coisas rumo a um verdadeiro derrube [da reação] em favor do povo (...) destinada precisamente a impedir a criação de uma maioria que lute pela mudança."
terça-feira, 8 de maio de 2012
Não Vivemos Tempos Solidários
«Não vivemos tempos solidários.
Na Grécia, desde o início da crise, os suicídios aumentaram 50% e três em quatro cada chamadas para a linha de apoio ao suicídio têm que ver com o desespero da falta de dinheiro e de trabalho. Os sem-abrigo são já 25 000 e não param de aumentar. A que novos limites de infradignidade humana terão de descer os Gregos para expungir a sua putativa culpa? Ironia das ironias ou tragédia das tragédias: um ano após as medidas da troika na Grécia, o desemprego aumentou, o consumo retraiu-se, o crescimento diminuiu e assim diminuíram as receitas fiscais. A austeridade levará a mais austeridade porque o défice orçamental se agravou com as luminárias da troika. Mas parece que ninguém nas altas instâncias aprendeu nada com a lição grega. Já tinha acontecido o mesmo na Argentina. O primeiro-ministro português afirmou pomposamente que com a Grécia nem tomar café. O comissário europeu alemão Gunther Oettinger defendeu que os países endividados deveriam pôr a bandeira a meia haste. A Grécia tornou-se na lepra da Europa do século XXI. «Nós não somos a Grécia!» é o mote exultante da actualidade, que deveria ser substituído por: «Somos todos Gregos.»
Não vivemos tempos solidários.
Um estudo publicado pela Comissão Europeia sobre o impacto das medidas de austeridade nos diferentes estratos de rendimento, entre 2008 e 2011 [no tempo do Governo de Sócrates], em seis países europeus, demonstrou que, em Portugal, os 20% mais pobres sofreram uma redução de 6,1% no seu rendimento, enquanto os mais ricos perderam 3,9%. Não vivemos tempos solidários. O Conselho Português para os Refugiados declarou não dispor de verbas para alimentar os 130 refugiados que tem a seu cargo. Deixará o Estado português morrer de fome esses seres humanos se mais ninguém os acolher e nenhuma IPSS os apoiar?
Não vivemos tempos solidários.
O Governo alemão chegou a um acordo para reduzir o salário mínimo a trabalhadores não europeus. O Governo de Passos Coelho pretende que os candidatos ao Rendimento Social de Inserção tenham residência legal em Portugal há pelo menos um ano, mas só se forem provenientes de um Estado membro da União Europeia! Para os outros, o prazo é alargado para três anos. Até onde irá a barbárie?
Não vivemos tempos solidários.
Alguns media têm relatado casos reais de agonia: com a redução do transporte de doentes em um terço e com a penalização monetária dos doentes que não entram nas urgências, há indivíduos cancerosos e com doenças crónicas que deixaram de poder receber tratamentos. A austeridade pode ceifar ou encurtar vidas? Pode obrigar a que os deficientes tenham de pagar um novo comprovativo da sua deficiência, previamente comprovada por uma junta médica, só para aumentar as receitas fiscais? Não vivemos tempos solidários quando tantos imigrantes morrem asfixiados e esmagados em contentores ao cometer o pecado de aspirar a uma vida condigna. Não vivemos tempos solidários quando a Alemanha tem empréstimos a uma taxa de juro de 0,25%, para mais tarde emprestar à Grécia a 5%.
Não vivemos tempos solidários quando o Rendimento Social de Integração, o subsídio dos mais pobres dos pobres, é a transferência estatal mais escrutinada quanto às burlas (veiculando-se assim o estigma do pobre preguiçoso e malandro). Não vivemos tempos solidários quando a banca paga um quinto do IRC das pequenas empresas.
Não vivemos tempos democráticos.
Nas democracias, a introdução de medidas ditatoriais é mais perigosa porque mais insidiosa. Não se podendo proibir que partidos keynesianos sejam eleitos, proíbe-se que apliquem a sua política. Chegou-se a ponto de se discutir (com o nosso primeiro-ministro como forte entusiasta) a introdução de um limite orçamental nas constituições europeias! Na prática: tornar o keynesianismo ilegal.
E a história dos défices orçamentais é tão distorcida nos media, que se oblitera o facto de que não foram os gastos do Estado, mas a crise bancária e financeira que começou em 2008 que fez descontrolar os défices. Em 2008, o défice público médio na zona euro era apenas de 0,6% do PIB em 2007. Dois anos depois, a crise fez que passasse para 7%, enquanto a dívida pública passou de 66% para 84% do PIB.»
Editorial do PORTELA MAGAZINE de Abril de 2012, da autoria de Manuel Monteiro
Na Grécia, desde o início da crise, os suicídios aumentaram 50% e três em quatro cada chamadas para a linha de apoio ao suicídio têm que ver com o desespero da falta de dinheiro e de trabalho. Os sem-abrigo são já 25 000 e não param de aumentar. A que novos limites de infradignidade humana terão de descer os Gregos para expungir a sua putativa culpa? Ironia das ironias ou tragédia das tragédias: um ano após as medidas da troika na Grécia, o desemprego aumentou, o consumo retraiu-se, o crescimento diminuiu e assim diminuíram as receitas fiscais. A austeridade levará a mais austeridade porque o défice orçamental se agravou com as luminárias da troika. Mas parece que ninguém nas altas instâncias aprendeu nada com a lição grega. Já tinha acontecido o mesmo na Argentina. O primeiro-ministro português afirmou pomposamente que com a Grécia nem tomar café. O comissário europeu alemão Gunther Oettinger defendeu que os países endividados deveriam pôr a bandeira a meia haste. A Grécia tornou-se na lepra da Europa do século XXI. «Nós não somos a Grécia!» é o mote exultante da actualidade, que deveria ser substituído por: «Somos todos Gregos.»
Não vivemos tempos solidários.
Um estudo publicado pela Comissão Europeia sobre o impacto das medidas de austeridade nos diferentes estratos de rendimento, entre 2008 e 2011 [no tempo do Governo de Sócrates], em seis países europeus, demonstrou que, em Portugal, os 20% mais pobres sofreram uma redução de 6,1% no seu rendimento, enquanto os mais ricos perderam 3,9%. Não vivemos tempos solidários. O Conselho Português para os Refugiados declarou não dispor de verbas para alimentar os 130 refugiados que tem a seu cargo. Deixará o Estado português morrer de fome esses seres humanos se mais ninguém os acolher e nenhuma IPSS os apoiar?
Não vivemos tempos solidários.
O Governo alemão chegou a um acordo para reduzir o salário mínimo a trabalhadores não europeus. O Governo de Passos Coelho pretende que os candidatos ao Rendimento Social de Inserção tenham residência legal em Portugal há pelo menos um ano, mas só se forem provenientes de um Estado membro da União Europeia! Para os outros, o prazo é alargado para três anos. Até onde irá a barbárie?
Não vivemos tempos solidários.
Alguns media têm relatado casos reais de agonia: com a redução do transporte de doentes em um terço e com a penalização monetária dos doentes que não entram nas urgências, há indivíduos cancerosos e com doenças crónicas que deixaram de poder receber tratamentos. A austeridade pode ceifar ou encurtar vidas? Pode obrigar a que os deficientes tenham de pagar um novo comprovativo da sua deficiência, previamente comprovada por uma junta médica, só para aumentar as receitas fiscais? Não vivemos tempos solidários quando tantos imigrantes morrem asfixiados e esmagados em contentores ao cometer o pecado de aspirar a uma vida condigna. Não vivemos tempos solidários quando a Alemanha tem empréstimos a uma taxa de juro de 0,25%, para mais tarde emprestar à Grécia a 5%.
Não vivemos tempos solidários quando o Rendimento Social de Integração, o subsídio dos mais pobres dos pobres, é a transferência estatal mais escrutinada quanto às burlas (veiculando-se assim o estigma do pobre preguiçoso e malandro). Não vivemos tempos solidários quando a banca paga um quinto do IRC das pequenas empresas.
Não vivemos tempos democráticos.
Nas democracias, a introdução de medidas ditatoriais é mais perigosa porque mais insidiosa. Não se podendo proibir que partidos keynesianos sejam eleitos, proíbe-se que apliquem a sua política. Chegou-se a ponto de se discutir (com o nosso primeiro-ministro como forte entusiasta) a introdução de um limite orçamental nas constituições europeias! Na prática: tornar o keynesianismo ilegal.
E a história dos défices orçamentais é tão distorcida nos media, que se oblitera o facto de que não foram os gastos do Estado, mas a crise bancária e financeira que começou em 2008 que fez descontrolar os défices. Em 2008, o défice público médio na zona euro era apenas de 0,6% do PIB em 2007. Dois anos depois, a crise fez que passasse para 7%, enquanto a dívida pública passou de 66% para 84% do PIB.»
Editorial do PORTELA MAGAZINE de Abril de 2012, da autoria de Manuel Monteiro
segunda-feira, 7 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Razões para Despedimento
A MINISTRA Assunção Cristas diz que a campanha levada a cabo pela cadeia Pingo Doce prova que a grande distribuição tem capacidade financeira para pagar a nova taxa alimentar, só que não diz que essa taxa se irá repercutir, fatalmente, sobre os preços finais ao consumidor. Na verdade, só nos faltava mais esta preciosidade: as cadeias de distribuição passaram a ser também laboratórios para testar a aplicabilidade de taxas e impostos.
É por estas e outras que entre um despedimento colectivo por falência do programa de governo, e um despedimento com justa causa por incumprimento de compromissos eleitorais e sistemática provocação de conflitos, que aqui deixo uma pergunta: qual era a modalidade que escolhia para mandar o Governo dar uma volta?
Sem ser ao abrigo do Código do Trabalho, e porque há quem queira que a desregulamentação e o vale-tudo passe a ser o padrão das relações ditas civilizadas, aceitam-se outras sujestões.
A QUEM APELA SARKOZY, QUANDO APELA À FRANÇA QUE SOFRE?
Sim, os eleitores do FN são pessoas que sofrem, e sim, o seu sofrimento deve ser ouvido. Dito isto, é preciso que seja entendido pelo que é. Pois não é desemprego, insegurança, pobreza ou miséria económica e social o que estes eleitores sofrem.
(…)
De que sofrem então estes pobres Le Pens, se não é de miséria? Acontece que, durante anos, a questão tem-lhes sido posta em sondagens “à boca das urnas”, e os resultados, incluindo 2012, não mudam. Ricos ou pobres, desempregados ou patrões, homens e mulheres, estes eleitores-que-sofrem enfatizam uma preocupação única, um mesmo sofrimento: "imigração".
Esses eleitores sofrem porque veem nas ruas, ou nos ecrãs da televisão, mulheres muçulmanas que usam véu. Sofrem porque veem na sua rua, ou nos seus plasmas, multidões de muçulmanos orando na calçada, e sofrem ainda mais à ideia de que, para os retirar da rua, uma mesquita possa vir a ser construída. Sofrem por ver os minaretes ou, mais frequentemente, sofrem com a ideia de que os poderão ver um dia.
Sofrem só de imaginar que talvez, "sem o seu conhecimento, e de sua própria vontade", tenham comido um dia carne halal. Sofrem quando se cruzam com um negro ao volante dum bom carro e sofrem ao ouvir as canções rap que saem desse carro. Sofrem por ouvir música rai, sofrem por ver um apresentador, um político ou um escritor negro, árabe, muçulmano, entrar nos recintos sagrados da sua TV.
Sofrem ao ouvir, embora com menos frequência do que antes, que a França foi esclavagista e colonialista. Sofrem, em resumo, por ver que a França não é o sonho branco e imaculado, catolico-laico, patriarcal e heterossexual.
Sofrem finalmente, estes pobres eleitores, porque mesmo depois de quarenta anos de fronteiras fechadas e das leis Pasqua-Debré-Chevènement-Sarkozy-Hortefeux-Gueant, existem ainda alguns direitos para estrangeiros, no trabalho, na habitação, na saúde; e sofrem só de imaginar que os estrangeiros um dia poderão votar. Sofrem em suma, com a ideia de perder os seus privilégios de franceses e brancos.
Sofrem de uma doença bem conhecida, mas cujo nome, curiosamente, não foi mencionado uma única vez pelos representantes do PS ou da UMP durante a noite da eleição de 22 de Abril: sofrem de racismo."
Extractos dum artigo de Pierre Tevanian no MEDIAPART.
terça-feira, 1 de maio de 2012
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