segunda-feira, 23 de abril de 2012

Adão Barata, as pessoas primeiro


A Junta de Freguesia de Camarate promoverá na próxima quarta-feira, dia 25 de Abril de 2012, às 11 horas, na Urbanização do Parque das Oliveiras, em Camarate, uma homenagem, toponímica, ao Eng. Adão Barata.

Não posso deixar de me regojizar com a iniciativa e aplaudir a Junta de Freguesia e, em particular o Presidente Arlindo Cardoso.

É uma circunstância a que me associo entusiasticamente, porque não esqueço a promessa que eu próprio fiz publicamente de "procurar fazer justiça" à sua memória e legado político.

Recordo não poucas vezes - quando olho para o panorama político local e nacional - que tive o grato privilégio de trabalhar com Adão Barata na Câmara Municipal de Loures, para além do que partilhámos pessoalmente nos anos em que nos viamos diariamente, várias vezes ao dia e a qualquer hora.

Efectivamente, permito-me considerar que o Comendador Adão Barata foi um político "fora de tempo" e, provavelmente, "fora de contexto". De facto, alguém com os seus valores, os seus princípios e a sua conduta, em todas as circunstâncias, constitui negação dos canones políticos e partidários vigentes.

Profundamente humano e intrinsecamente humanista, o slogan "as pessoas primeiro" deve aplicar-se-lhe como a sua identidade política primeira, em nada se aparentando ou confundindo com aqueles que o usaram ou usam como expressão eleitoralista e demagógica.

De resto, acredito que Adão Barata perdeu as eleições quando era Presidente do Município, porque não aceitou fazer, naquele momento eleitoral, o que precisava ter sido feito para obter sucesso. Ser genuíno, fiel a si próprio e dar a primazia aos interesses das pessoas, obstaram a que fizesse uso de alguns truques eleitorais, que embora legítimos e frequentemente utilizados, não se coadunavam com a sua forma de estar e ver o mundo.

Competente e de honestidade a toda a prova, "pecava" na sua inabalável crença nos homens, que inúmeras vezes lhe retribuiram com injustiças, desfaçatez e até desrespeito.

Selava compromissos com um aperto de mão ou com as conceituadas palmadas nas costas com que brindava homens ou mulheres com quem se cruzava ou trabalhava. Tudo fazia por honrar os compromisso que assumia, dos mais singelos aos mais complexos.

Se houve alguém que o Concelho de Loures mereceu ter como Presidente da Câmara, foi o Eng. Adão Barata.

A sua constante preocupação com o bem-estar dos municípes, impunham-lhe um incansável regime de trabalho, uma dedicação invejável, uma disponibilidade permanente, a reflexão constante, a empenhada audição de opiniões sobre o que fazer e como fazer.

O seu exemplo de homem e político, está a uma distância astronómica do que vulgarmente por aí podemos ver. Adão Barata nunca teria aceite - na sua natural humildade - que lhe tivesse sido atríbuido um topónimo, mesmo que tivesse realizado um acto heróico invulgar, muito menos numa qualquer tola manifestação de injustificada vaidade pessoal e oportunismo.

Dedicado como poucos ao seu partido, de que foi membro do Comité Central, alheio a obscuros manobrismos partidários e, ideológicamente convicto, opôs-se internamente a purgas, afastamentos injustos e despropositadas punições disciplinares que apoucavam o debate de ideias, desrespeitavam os estatutos e ridicularizavam os princípios partidários. De novo e como sempre, o principio de "as pessoas primeiro", determinou o seu afastamento pouco ético do orgão de direcção partidária, pelo intolerante grupo detentor do poder.

A louvável iniciativa da Junta de Freguesia de Camarate, homenageia o homem, o lutador, o devotado e digno servidor da causa pública. Homenageia o humanista e por seu intermédio as pessoas que hoje, como nunca antes após o 25 de Abril - cujo aniversário se celebra - sofrem e estão à mercê de potencias estrangeiras, subservientes governantes e desenfreados interesses financeiros que promovem o retrocesso civilizacional, a sobre-exploração, a pobreza e a deseducação, que negam o inalienável direito ao trabalho com direitos, o desenvolvimento, a cultura e a saúde, que aviltam a independência e a dignidade nacional.

A justa homenagem ao Eng. Adão Barata é por isso também um grito de inconformismo e revolta. De oposição ao rumo do país e do Município. É um combativo reafirmar "AS PESSOAS PRIMEIRO", 38 anos após Abril das esperanças mil.

Falta agora, na minha opinião, o nascimento do "Centro de Impulso ao Desenvolvimento Adão Barata" que promova a análise e estudo das oportunidades do Concelho de Loures no contexto metropolitano, nacional e, mesmo, internacional, em ordem à promoção de um desenvolvimento sustentável nos domínios económico, ambiental e cultural, tendo como fim ultimo o bem-estar dos cidadãos e proporcionar um futuro digno, livre, democrático, formado e informado às novas gerações. 


sábado, 21 de abril de 2012

Frase de Escritor e Imagem de Cineasta


«A maior desgraça de uma nação pobre, é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.»
(Mia Couto, escritor moçambicano)

«O mágico fez um gesto e desapareceu a fome, fez um segundo gesto e desapareceu a injustiça, fez um terceiro gesto e desapareceram as guerras. Veio o político, fez um gesto e desapareceu o mágico.»
(Woody Allen, cineasta dos E.U.A.)

O fascismo é uma minhoca...
AINDA NÃO QUEIMAM LIVROS, MAS JÁ DESTROEM MATERIAL ESCOLAR, COMPUTADORES... E LIVROS.

Escola da Fontinha, Porto de Rui Rio, Passos Coelho & Cia., Abril de 2012


Berlim de Adolf Hitler, Maio de 1933

sexta-feira, 20 de abril de 2012

SE OS POVOS DA EUROPA NÃO SE LEVANTAREM, OS BANCOS TRARÃO O FASCISMO DE VOLTA
Míkis Theodorakis



"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.

Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças.

Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.

Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)

Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias.

Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".


Míkis Thodorakis

quinta-feira, 19 de abril de 2012

PARA TRAVAR A DEGRADAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE NO CONCELHO DE LOURES.


Centro de Saúde de Santa Iria com falta de médicos, deficientes condições e falta de médicos na Extensão do Centro de Saúde da Bobadela, encerramento da Extensão de Saúde de Camarate, redução do horário de funcionamento do CATUS de Moscavide (que serve as freguesias de Apelação, Camarate, Moscavide, Sacavém, Santa Iria de Azoia, São João da Talha, Unhos, Portela, Bobadela e Prior Velho), encerramento das Urgências do Hospital Curry Cabral (e tranferencia de mais de metade da população do concelho para as Urgências sobrelotadas de São José, apesar da inauguração do Hospital de Loures), é um rol de problemas que não acaba, e que a politica do Governo PSD/CDS continua a agravar. Pela sua saúde, não se conforme, participe.

terça-feira, 17 de abril de 2012

LOVE STORY ENTRE AMERICANOS E AUTOMÓVEIS A PERDER GLAMOUR.


Ao contrario do que por cá ainda acontece a love story entre os americanos e os seus automóveis, parece estar a perder o glamour de décadas passadas. Como podemos ler num artigo do The Atlantic:

  • O número médio anual de quilómetro percorridos pelos veículos de jovens (16 a 34 anos) nos EUA diminuiu 23 por cento entre 2001 e 2009, caindo de 10.300 milhas por pessoa em 2009, para 7.900 milhas em 2009.
  • A percentagem de jovens dos 14 a 34 sem carta de condução aumentou de 21 por cento em 2000 para 26 por cento em 2010, de acordo com a Federal Highway Administration.

Os jovens americanos estão também, nas suas deslocações, a usar mais os transportes públicos, as bicicletas, e a dar mais uso aos sapatos. Entre 2001 e 2009, os jovens entre os 16 a 34 usaram mais 24 por cento a bicicleta, foram a pé para os seus destinos mais 16 por cento, e andaram de transportes públicos mais 40 por cento.

Parte da razão para esta mudança é financeira, 80 por cento dos jovens entre os 18 e os 34 anos afirmaram, a um inquérito da Zipcar/KRC, que o custo elevado da gasolina, estacionamento, e manutenção tornam muito difícil possuir um carro.

Mas o dinheiro não explica tudo. Jovens dos 16 aos 34 em famílias com um rendimento anual de mais de 50 000 euros optam também cada vez mais por não conduzir: aumentaram o uso de transporte público em 100 por cento, andar de bicicleta em 122 por cento, e andar a pé 37 por cento.

A desafeição ao carro é parte integrante de um novo modo de vida que coloca menos ênfase na posse de grandes carros e de casas grandes. Um inquérito realizado pela National Association of Realtors realizado em 2011 mostra que 62 por cento das pessoas com idades entre 18-29 disseram preferir viver em bairros na proximidade de lojas tradicionais, restaurantes, cafés e bares, e de ter locais de trabalho, bibliotecas e escolas servidos por transporte público.

Para gerações de americanos, a posse de automóvel foi um ritual de passagem quase obrigatório, um símbolo de liberdade e independência. Para muitos jovens de hoje, um carro é um fardo que já não desejam carregar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Já Ouvi Chamar-lhe Muitos Nomes


COMO o Governo está muitíssimo preocupado com a dieta, higiene, segurança e saúde alimentar dos portugueses, o departamento de criatividade e inovação do Ministério da Agricultura, do Mar e do Ambiente, de Assunção Cristas, produziu uma nova pérola de laboratório. Trata-se de uma taxa, a que chamou Fundo de Saúde e Segurança Alimentar, que será devida por todas as empresas que explorem o comércio alimentar, seja por grosso ou a retalho, e aplicar-se-á (provávelmente) sobre o volume de transações, tornando-se essas empresas os cobradores de uma taxa que irá, fatalmente, onerar o preço dos produtos, logo também o IVA, não sendo difícil adivinhar sobre quem irá recair a factura, isto é, nem mais nem menos do que o consumidor final. Em resumo: tudo aquilo que passar pela nossa traqueia irá também passar a pagar portagem, embora com cobrança indirecta. Aperta-se o cerco aos portugueses, ao passo que as empresas, feitas as contas, ficarão apenas com uns residuais encargos administrativos. 

Entretanto o Governo, na sua inexcedível bondade informa que esta taxa (já ouvi chamar-lhe muitos nomes) se destina a “compensar os produtores, no quadro da prevenção e erradicação das doenças dos animais e das plantas, bem como das infestações por parasitas”, além de “apoiar as explorações pecuárias” e “incentivar o desenvolvimento da qualidade dos produtos agrícolas”. Estão a ver, não estão? Vai ser tal e qual como com os outros impostos que os portugueses pagam, e que estão a ser exemplarmente redistribuídos pela sociedade, sob a forma de saúde e educação tendencialmente gratuitas, transportes eficazes e acessíveis, custas judiciais equilibradas, reformas e pensões plenamente asseguradas, bem como apoio condigno e subsídio garantido a condizer, quando o desemprego nos bate à porta.

À cautela, e para que não provoque ondulação desnecessária, minorando assim o seu impacto na opinião pública, a nova taxa passará ao lado da Assembleia da República, sendo regulada através de decreto-lei e portaria, concebidos e aprovados na privacidade do conselho de ministros, e com posterior ratificação pelo guardião Cavaco Silva, o qual irá atribuir a esta medida mais uma inevitável “razão de interesse nacional”.

O quadrilha de bandoleiros que nos governa, sequiosa de receita, prepara-se assim para mais um patriótico e massivo assalto concertado, mascarando-o com um suposto zelo pela saúde e bem-estar dos portugueses, sopesando e racionalizando os nossos gastos com a alimentação, cortando nas nossas gorduras, e aliviando-nos do excesso de peso das nossas carteiras e dos sacos de compras, que como se sabe, originam problemas na coluna.

sábado, 7 de abril de 2012

Sábado de Aleluia com Corte de Energia


O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deu uma entrevista ao jornal alemão Die Welt, e uma vez mais foi assediado pela tentação de dizer lá fora, aquilo que não tem coragem para dizer cá dentro. E o que disse foi que duvida que Portugal possa regressar aos "mercados" em 2013, quando terminar esta "ajuda" da troika, que até tem sido um “sucesso”. Entretanto, e ainda lá fora, também não descarta a hipótese de uma segunda "ajuda", quando ainda há dias, cá dentro, repetia que não precisávamos de mais tempo nem de mais dinheiro. E também disse isto quando são passados dois meses e tal desde que o "vagaroso" Victor Gaspar sentenciou que 2012 ia marcar um ponto de viragem, ainda falta saber de quê. Ganhar tempo, dizer e desdizer, baralhar e dar de novo é uma "arte" que este Coelho aprendeu depressa. Cá por mim, só encontro uma explicação para esta súbita mudança de agulha: o governo não pagou a conta da electricidade e os chineses da EDP correram a cortar a luz ao fundo do túnel.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

DE ONDE VÊM AS IDEIAS CORRECTAS?


De onde vêm as ideias corretas? Caem do céu? Não. São inatas dos cérebros? Não. Só podem vir da prática social, dos três tipos de prática social: a batalha da produção, a luta de classes e a experimentação cientifica. É a existência social do homem que determina o seu pensamento.

Quando as ideias corretas, das classes avançadas, são apreendidas pelas massas tornam-se numa força material capaz de transformar a sociedade, e de transformar o mundo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEM A PALAVRA DE ORDEM CERTA, A LUTA ESTÁ CONDENADA AO FRACASSO.


Muitas vezes quando a história faz uma mudança brusca, mesmo os partidos progressistas têm dificuldade em adaptar-se à nova situação, e repetem palavras de ordem que estavam correctas, mas que entretanto perderam todo o significado.

A palavra de ordem certa tem de identificar o momento da conjuntura, apontar o objectivo da luta, e condensar a análise da situação concreta: Sem a palavra de ordem certa, a luta está condenada ao fracasso.

Brincar aos Comboios


SEM qualquer estudo prévio, logo sem pés nem cabeça, alternativamente ao TGV que foi abandonado, depois de ter engolido não sei quantos milhões de euros, em estudos e concursos, Pedro Passos Coelho veio anunciar a construção de uma linha férrea de bitola europeia, vocacionada exclusivamente para o escoamento de mercadorias, a qual faria a ligação de Sines à Europa. Ora o que acontece é que a tal linha, chegada a Badajoz, ficaria por aí, à espera que chovesse, pois a bitola europeia só está novamente disponível, mais de 1.000 quilómetros depois, em Irún ou Barcelona, e está fora de questão poder ser usada a rede de alta velocidade espanhola para mercadorias pesadas.

Para somar ao mirabolante exercício de Álvaro Santos Pereira com o franchising dos Pasteis de Nata, temos agora Passos Coelho mascarado de Peter Pan, a rasgar uma linha de comboio para a Terra do Nunca. A explicação para este estapafúrdio anúncio, pode estar no facto de Pedro Passos Coelho ter pensado que esta coisa de comboios a sério se podia resolver com a mesma facilidade com que brincava com o comboio eléctrico da Marklin, quando ainda dava os primeiros passos nas hostes laranjinhas. Por outro lado, fica também provado que a verdadeira especialidade do senhor Coelho e da sua equipa (des)governativa, continua a ser a instauração do estado de sítio económico e social, com austeridade em doses industriais, o esbulho sem limites das classes trabalhadoras e a protecção incondicional dos interesses financeiros e do grande capital, entremeada com algumas diarreias disfarçadas de ideias. Antes tivesse prisão de ventre!