quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Para que serve um exército, quando um seu coronel não consegue sequer acertar um tiro na própria cabeça?


O coronel polaco Mikolaj Przybyl convidou repórteres e equipes de TV para seu escritório na cidade ocidental de Poznan para defender o seu trabalho como promotor de justiça militar.

No meio da conferência de imprensa pediu para ser deixado sozinho por algum tempo, e tentou suicidar-se com um tiro na cabeça, mas o tiro acertou na face.

Numa entrevista por telefone da sua cama no hospital, depois de uma intervenção cirúrgica à bochecha atravessada pelo tiro, Przybyl disse à agência PAP: "Eu queria suicidar-me, mas falhei a pontaria, o tiro saiu muito cedo", problema comum a muitos homens, mas noutro departamento, que não o balístico.

A Grande Superfície Comercial


SEM agricultura nem pescas e com o tecido industrial a definhar a uma velocidade alucinante, fruto da recessão desencadeada pela austeridade, sob coação da troika (tudo pelo défice, nada contra o défice), Portugal está a transformar-se numa monstruosa superfície comercial, onde quase só se consomem importações, à medida do poder de compra de quem lá se afoita. 

Desde a sua adesão à União Europeia, na sequência da qual foi imposta uma redução brutal daqueles sectores básicos da economia, e com uma maciça injeção de subsídios, que foram parar onde não deviam, ficámos reduzidos a actividades de subsistência, que o país, pouco ou nada produzindo, e com uma actividade económica limitada a serviços e distribuição, caminha a passos largos para a irrelevância. 

Com uma economia incipiente, constituída por uma classe empresarial de meia tijela, trafulha e gananciosa, pouco habilitada, pouco dinâmica e inovadora, os trabalhadores portugueses, classificados, de um lado como fonte de receita, do outro como inimigo principal, continuam a tentar resistir à asfixia que o Estado e o patronato lhe tentam impor por todos os meios, seja com escandalosos impostos e taxas, ou com baixos salários e desemprego a condizer. 

Tudo isto com a assinatura neoliberal dos governos que por cá têm passado, mandatários da ditadura dos mercados e monetaristas alucinados, apostados na financeirização da economia, e acreditando piamente que esta política de destruição do tecido económico e social, é o caminho mais curto para transformar o deserto em que nos estamos a tornar, numa futura terra de fartura e prosperidade. Digam lá quando e onde, onde?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

EH PÁ, FECHA LÁ A MERDA DA JANELA, QUE EU APAGO O CIGARRO.


Num dia com notícias pouco animadoras para os fumadores, lembrei-me dum episódio passado há uns anos. Antes da proibição de fumar em recintos fechado, trabalhei numa empresa com muitos fumadores da pesada, pouca ventilação, e em que no inverno havia dias em que aquilo parecia a Londres dos tempos do smog.

Entretanto foi para lá um administrador não fumador, que ao contrário do que é habitual entre os abstémios não se importava que o pessoal fumasse no gabinete dele. O único senão é que quando alguém puxava do cigarro, ele abria a janela.

A guerrilha durou uns meses, cigarro aceso, janela aberta, até que num daqueles dias de inverno em que sopra um vento gelado, numa longa reunião com a direcção no gabinete do administrador, a certa altura, um dos directores apagando o cigarro admitiu a derrota: Eh pá, fecha lá a merda da janela, que eu apago o cigarro.

Pentelhos, Meu Caro, Pentelhos!


EDUARDO Catroga, representante de Passos Coelho nas negociações com a troika FMI-UE-BCE, foi nomeado presidente do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da EDP, indo acumular um salário de 45 mil euros com uma pensão de 9.600 euros, bagatelas que certamente se irão reflectir na factura de energia que os portugueses vão pagar, mas que comparados com a dívida soberana portuguesa, não passam de pentelhos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Crise da Dívida vista da América
COMO A AUSTERIDADE ESTÁ A MATAR A EUROPA.

Graffitti em Atenas, foto Milos Bicanski/Getty images

A nossa comunicação social tem feito algum eco das claras discordância de especialistas americanos em relação à condução da política de combate à Crise da União Europeia, nomeadamente as expressas pelo Prémio Nobel da Economia Paul Krugman, quase sempre porém apresentado como um esquerdista pouco responsável.

Às críticas ao fundamentalismo monetário dos líderes europeus, junta-se agora a prestigiada NYRB num artigo de Jeff Madrick, How Austerity Is Killing Europe, que faz uma apreciação das consequências das politicas de Austeridade que estão a ser impostas a um numero crescente de países europeus, e defende soluções para a Crise radicalmente diferentes das que estão a ser por aqui aplicadas. Devido à extensão do artigo deixo aqui apenas a tradução de alguns excertos (sublinhados meus):

"A União Europeia tornou-se um círculo vicioso de endividamento crescente, levando a medidas de austeridade radical, que por sua vez enfraquecem ainda mais as condições económicas e conduzem a novos cortes nos gastos ainda mais prejudiciais, e a impostos mais altos.
(...)
Nos últimos dois anos, a grave recessão de 2009, que começou nos EUA, mas se espalhou pela Europa, tem posto em perigo as finanças de um país europeu após outro. Como resultado, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália estão sob pressão da UE para cortar nos gastos do Estado e aumentar os impostos, para reduzir os seus déficits como condição para obter um resgate. Todos o fizeram. Irlanda e Portugal cortaram drasticamente os gastos e mesmo assim tiveram que pedir dezenas de milhares de milhões de euros para ajudar a cobrir as suas obrigações financeiras, tal como o fez a Grécia.

(...)
Mas esta é a solução pré-Grande Depressão. Como poderá a UE ter interpretado tão mal a História, e tratado com tanto desprezo os ensinamentos de John Maynard Keynes, que defendeu que durante as recessões os governos devem expandir as economias através de gastos e cortes de impostos, e não o contrário? Como mostrou Keynes, fazer grandes cortes no Orçamento e aumentar impostos, reduz a procura de bens e serviços, numa altura em que o crescimento é mais necessário.
(...)
De facto, a economia de Austeridade não tem resultado em nenhum país da Europa.

Existe uma solução muito melhor. E não exigiria o fracasso do Euro. A Zona Euro, e talvez toda a UE, deve agir como um país unificado, pronto para reconhecer que deve assumir a responsabilidade pelos efeitos drásticos dos cortes bruscos nos gastos sociais. Os EUA não são um exemplo brilhante mas, ao menos, a Reserva Federal garante a Dívida do Tesouro dos EUA, tal como o Banco Central Europeu deveria garantir a Dívida dos seus membros.

O BCE deveria então forçar a Reestruturação da Dívida
dessas nações, com alguns investidores privados a suportar parte das perdas.

A Zona Euro financeiramente unificada deveria de seguida emitir títulos para obter o dinheiro para pagar as Dívidas, mas também para apoiar uma rede social para as populações dos países onde estão agora a cortar as contribuições sociais, e ainda para atender a outros compromissos financeiros. (Isto é o que os EUA fazem, por exemplo, através do envio de cheques da Segurança Social e de apoio ao aos desempregados, para todos os estados da União).

(...)
Os líderes da UE devem superar sua obsessão com a eliminação do Défice. Querem agora reduzir o Défice de cada país para menos de 0,5 por cento. Isso é um desastre, que resultaria num crescimento muito lento, por muito tempo. Em vez disso, devem usar défices temporários para reiniciar o crescimento. Raramente temos assistido a formulação de políticas tão erradas. Mais cedo ou mais tarde, os cidadãos destas nações dirão: Não mais! E o resultado será mais instabilidade política.
"

sábado, 7 de janeiro de 2012

E DA MÁFIA, TAMBÉM?
O Fernando Nobre da Causa Monárquica, do apoio a Barroso, Soares, BE e PSD diz agora que é da Maçonaria.


O videirinho mor da nossa praça está em todas. Como é que um troll daqueles consegue, não faço ideia, mas provavelmente ameaça dar um tiro na cabeça se não o deixarem entrar e o pessoal condoído, por razões humanitárias, lá lhe dá mais um lugarzinho, que o ajude a ir fazendo pela vida.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

OS VIVOS E OS MORTOS NA TOPONÍMIA DO CONCELHO DE LOURES.
(a propósito da nova avenida eng. Carlos Teixeira)

O precedente que podia ter sido invocado: a Avenida de Moscavide

O Engº Carlos Teixeira ainda não morreu (e Deus lhe dê muita saúde), ainda é Presidente da Câmara de Loures, mas o Executivo a que preside acaba de aprovar, apenas com os votos do PS, uma proposta para ser atribuído o seu nome a uma artéria de acesso ao novo Hospital Beatriz Angelo, em Loures.

A proposta conjunta dos vereadores da CDU e do PSD era que fosse atribuída a essa artéria o nome Avenida do Poder Local Democrático, proposta que os vereadores do PS não permitiram sequer que fosse discutida.

Já noutro local manifestei a minha discordância quanto a dar o nome do actual Presidente da Câmara a uma artéria, em primeiro lugar por Carlos Teixeira presidir ao órgão a que coube a deliberação.

Mas o que me traz agora a aqui falar nisto foi, na reunião em que tomaram a decisão, um vereador do PS ter argumentado em defesa da proposta, por ignorância ou má fé, ter sido também em vida de José Augusto Gouveia que foi atribuído o seu nome a uma praceta de Moscavide, o que é inteiramente falso, tal só aconteceu em 1999, 6 anos após a sua morte em 1993.

Houve no entanto em Loures um precedente de atribuição do nome dum Presidente da Câmara, vivo e em exercício, a uma artéria do concelho, que o vereador do PS podia ter invocado.

No tempo do fascismo, anos 60, o então Presidente da Câmara de Loures, Joaquim Dias de Sousa Ribeiro, também quis, e teve, o seu nome numa importante artéria do concelho de Loures, na anterior e actual Avenida de Moscavide.

Passado algum tempo o dito Ribeiro fez, alegadamente, um desfalque e fugiu com o dinheiro para parte incerta, tendo a Câmara de Loures ficado sem presidente uns tempos.

Depois de 25 de Abril o nome daquela artéria voltou de novo a Avenida de Moscavide.

Sobre este assunto ver mais informação no post do Bruno.

Sabe Tão Bem Fingir!


A PROPÓSITO do anúncio do PCP ir apresentar uma iniciativa legislativa para impedir a deslocalização de capitais para o estrangeiro, como foi o caso recente da Jerónimo Martins, detentora da cadeia de supermercados Pingo Doce, ouviu-se ontem à tarde, na sessão plenária da Assembleia da República, o vice-presidente da bancada do CDS-PP e porta-voz do partido, João Almeida, postular uma curiosa solução. Sugeriu ele que para responder a estes encandalosos e imorais (mas legais) transbordos de capitais, e consequententes fugas ao fisco, a iniciativa de penalizar tais acções compete à sociedade civil, isto é, aos consumidores, os quais podem alterar as suas preferências e hábitos de consumo, isto é, abastecendo-se na concorrência, e deixando as lojas do Pingo Doce às moscas.

O deputado João Almeida sabe bem que a sua sugestão é inofensiva, pois ela poderia funcionar e ter efeitos práticos se o cadeia Pingo Doce andasse a vender produtos perigosos para a saúde pública, mas nunca num caso como este. Temos assim o CDS-PP a arrogar-se solidário com a indignação geral, cavalgando uma demagógica e pretensa justiça popular, que no entanto, não passa de um refúgio, furtando-se assim à competente tomada de posição política, a qual exige a mudança das regras deste jogo “imoral mas legal”, em que o capital sai sempre vencedor.

Se a Jerónimo Martins já tinha o lema “sabe bem pagar tão pouco”, prática que se estende também desde os salários indecentes até aos impostos que não paga, vem agora o CDS-PP com esta lenga-lenga despropositada e pseudo-moralista, fingir que está preocupado, mas apenas e só, para que tudo continue na mesma.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

HUNGRIA JÁ NÃO É REPÚBLICA E PEDE BENÇÃO DE DEUS
Será que em 1956 a ideia já era fazer o muro cair para este lado?


"A Hungria entrou em 2012 com uma nova Constituição em que deixa de ser “república”, restaura o poder do velho nacionalismo e do confessionalismo e silencia a oposição na comunicação social. O IVA subiu para 27 por cento.

A nova Constituição define o modelo do regime de Viktor Orban e do seu partido de direita e nacionalista Fidesz, que obteve uma maioria de dois terços no Parlamento, onde ainda conta com o apoio da extrema direita fascista, que dispõe de milícias organizadas e autorizadas.

O preâmbulo da Constituição suprime a palavra “república” da designação do país, que passa a chamar-se simplesmente Hungria, e inclui a fórmula confessional “Deus abençoe os húngaros”".

Ver em ESQUERDA.NET

OS MAQUINISTAS ESSES NABABOS
(Não deixe de ler o post completo no aventar)


"Tem vindo a ser desenvolvida uma campanha na comunicação social e através de intervenções de responsáveis políticos, que retrata os maquinistas e os funcionários das empresas de transportes como gente extremamente bem paga, beneficiários de regalias inusitadas e injustas quando comparados com o resto da população. De forma indirecta sugere-se que a situação de falência técnica actual da empresa se deve a estas enormes regalias dadas aos trabalhadores em geral e ao maquinistas em particular. É óbvio que esta é uma não questão que além de mesquinha, é odiosa. (...)"

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Esqueça o Dow Jones, o PSI 20, as estatísticas do INE e da OCDE. Para saber como vai a Economia o importante é a venda de verniz para as unhas.


Se quer mesmo saber como está o clima económico, então o melhor é olhar para as tendências de consumo da população, e em particular para o grupo constituído pelas mulheres em idade gastadora.

Há dez anos o barómetro fiel para reflectir a recessão parecia ser o índice do bâton: quanto maiores as vendas de batôn, pior a situação económica. Agora a empresa de Estudos de Mercado NPD identificou um outro indicador que parece reflectir com fidelidade o presente descalabro economico.

Quando já não há dinheiro para comprar um vestido novo, ou mais um par de sapatos, a indulgência feminina que resta é um frasquinho de verniz para as unhas made in China. Como nos diz uma pesquisa de mercado da NPD, desde o inicio da Crise de 2008 as vendas de verniz para as unhas nos USA têm vindo sempre a aumentar, tendo nos primeiros dez meses de 2011 crescido 59% em relação a 2010, e a estimativa é que em 2012 a venda de verniz ainda irá aumentar mais.

A Saúde a Contas com Banqueiros e Jardins


Paulo Macedo, o respeitável banqueiro e gestor fiscal que nos anda a tratar da saúde, depois de aplicados uns "saudáveis" cortes orçamentais para 2012, veio agora admitir a falência técnica em mais de metade dos hospitais portugueses, dando a entender, nas entrelinhas do discurso, que o Serviço Nacional de Saúde, tal como conhecemos, estará por um fio, como convém. Fazendo coro com o ministro, um tal Jardim Ramos, secretário regional dos Assuntos Sociais do governo do outro Jardim, garantiu que há muito esbanjamento e desperdício na área dos cuidados de saúde na Madeira, apelando à racionalização dos recursos, embora não dizendo onde nem como.

Ainda não perceberam o que é que eles querem? É simples! Com a “emigração sustentada”, coordenada pela agência de emigração da autoria do eurodeputado Paulo Rangel, o objectivo é esvaziar o país, e para os que cá ficam, caso não se curem com as sopas das misericórdias e os cabazes das caridadezinhas, sempre há disponíveis alguns cuidados de saúde, mas atenção, devem pagar as respectivas taxas moderadoras, com a obrigação suplementar de virem com o banho tomado, trazerem de casa a arrastadeira, os toalhetes, o papel higiénico, as seringas, a gaze, o adesivo, a betadine, as embalagens de soro e a pomada para as escaras. As seringas serão reutilizadas, depois de fervidas.

Havia muito mais a acrescentar, como por exemplo a história dos transplantes hepáticos em crianças, que só voltarão a ser praticados lá para Março, mas agora ficamos por aqui…

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Primeira Entrevista de 2012


Pergunta – Bom dia! Ouviu a mensagem de Ano Novo de Sua Excelência o senhor Presidente da República, professor doutor Aníbal Cavaco Silva? 

Resposta - Ouvi sim senhor.

Pergunta - E então, que comentário lhe merecem aquelas palavras? 

Resposta - Ora, é o choradinho, a conversa pindérica e soporífera do costume; blá-blá-blá para aqui, blá-blá-blá para ali... Entretanto, continuamos à espera do tal ponta-de-lança chinês, para integrar a custo zero o plantel do Sporting, mais os tais voos charter semanais, carregados de chineses, para virem assistir aos jogos da liga…

NOTA – A mensagem integral de Ano Novo de Sua Excelência o senhor Presidente da República, pode ser lida AQUI

domingo, 1 de janeiro de 2012

Fez hoje 50 anos
REVOLTA ARMADA DE BEJA.


"Os subscritores, participantes sobrevivos da Revolta Armada de Beja - cujo quinquagésimo aniversário ocorre no próximo 1º Janeiro – pretendem, através da divulgação pública desta evocação, contribuir para resgatar a “memória apagada” dessa efeméride, remetida como está para o limbo dos acontecimentos avulsos, insignificativos; situação, aliás, em consonância com muitas outras relativas à memória da resistência antifascista; e em contraste flagrante com o desvelo comemorativo dedicado ao chamado Estado Novo, seus personagens e afins.

Na realidade, o combate e a resistência contra a ditadura e o fascismo em Portugal, constituíram um processo histórico contínuo ao longo de metade do séc. XX. Nesse processo insere-se a Revolta de Beja...porque aconteceu e ficou selada em sangue e morte. A sua importância e significado são-lhe conferidos pelo fluxo histórico no seu todo. Não foi um episódio isolado, fora do contexto da luta comum do povo português pela libertação de um regime ditatorial.

Com efeito, no caso da Revolta de Beja, é fácil estabelecer a sua ligação orgânica com o grandioso movimento de massas/levantamento popular provocado pelas eleições presidenciais em 1958; vindo a ser, exactamente, o general Humberto Delgado o impulsionador da Revolta de Beja e, como tal, figurando em 1º lugar na lista dos 87 incriminados pronunciados para julgamento no Tribunal Plenário Fascista.

Na sequência imediata da Revolta de Beja, eclodiu em Março desse mesmo ano de 1962, a revolta estudantil de maiores proporções contra o regime; o 1ºde Maio desse ano foi assinalado pelos trabalhadores e outros sectores da população com a maior força e amplitude de sempre. E o processo histórico continuou, já com a guerra colonial, por mais 12 anos, até 1974.

Tem sido prática corrente, após o derrubamento do fascismo até aos dias de hoje, minimizar a importância e o significado da Revolta de Beja. Obras antigas e recentes, de pretensa intenção histórico/cronológica, nem sequer anotam o acontecido. Mas bastaria ter consultado a imprensa da época para ver em grandes parangonas a dimensão do impacto e do sobressalto que provocou no País e além-fronteiras. O ditador tão emocionado ficou (citando) “com os acontecimentos das últimas semanas” que perdeu a voz e alguém teve de ler-lhe o discurso na sessão da Assembleia Nacional de 3 Janeiro; e cancelada teve de ser a costumada manifestação de desagravo.

Mas não serão certamente, a contrafacção histórica ou a posição negacionista, até hoje dominante, que conseguirão alterar o significado patriótico/cívico/ético da Acção Revolucionária de Beja; que conseguirão apagar no registo da história o facto de “ter acontecido”; que abalarão as convicções e o orgulho, mantido sempre enquanto houve/houver alento pelos revoltosos de Beja, por terem dado corpo e presença e não terem recuado na hora de confirmação.

A 50 anos de distância temporal, neste ensejo evocativo os abaixo-assinados sentem-se felizes por poderem afirmar que a Revolta Armada de Beja insere-se, com honra, no processo histórico de luta e resistência do Povo Português contra a ditadura e o fascismo.

Simultaneamente, manifestam óbvia solidariedade, respeito e admiração, para com todas as outras “memórias apagadas”, por idênticos e obscuros propósitos de desvalorização do historial da resistência antifascista portuguesa.

Resta portanto, aos resistentes sobreviventes da Revolta de Beja saírem em defesa da causa pela qual empenharam as suas vidas, que continua a ser a Causa da Liberdade pela Justiça Social, a qual, neste século XXI, corresponde a ser a Causa contra o retrocesso civilizacional, contra o neoliberalismo que retira todos os recursos da economia real para entregá-los ao capital financeiro, avassalando o mundo e ameaçando o destino das gerações vindouras.

Assim foi aqui feito,

Evocando o Cinquentenário da Revolta Armada de Beja.

Em Lisboa, na última semana do ano 2011

ass)

Airolde Casal Simões
Alexandre Hipólito dos Santos
Alfredo da Conceição Guaparrão Santos
António da Graça Miranda
António Pombo Miguel
António Ricardo Barbado
António Vieira Franco
Artur dos Santos Tavares
Edmundo Pedro
Eugénio Filipe de Oliveira
Fernando Rôxo da Gama
Francisco Brissos de Carvalho
Francisco Leonel Rodrigues Francisco Lobo
João Varela Gomes
José Galo
José Hipólito dos Santos
Manuel da Costa
Manuel Joaquim Peralta Bação
Raul Zagalo
Venceslau Luís Lopes de Almeida
Victor Manuel Quintão Caldeira
Victor Zacarias da Piedade de Sousa