domingo, 18 de dezembro de 2011

Se Tiver Que Ser, Paciência...

COMO o PS (partido Seguro) não tem ideias próprias sobre o assunto, nem sabe que caminho há-de tomar, desculpa-se com o facto de o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ainda não ter apresentado razões válidas que justifiquem a inscrição do limite do défice na Constituição da República, ou se numa lei de "valor reforçado", que eu não sei muito bem o que seja. Isto é, estão contra, não concordam, mas se tiver que ser, paciência. E no meio de tantas dúvidas e incertezas, ainda vamos acabar por ouvir algum vice-presidente da bancada parlamentar dizer que se está marimbando para o défice, para a licenciatura do Sócrates ou para as favas do bolo-rei…

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Algumas Decisões do Estado deste Sítio


A Guarda Nacional Republicana passa a denominar-se Guarda Nacional das Autoestradas ex-Scut;

As portagens devidas e não pagas pelos utentes das autoestradas, passam a ser pagas com a penhora do veículo do infractor;

Com a redução e eliminação de muitas carreiras de transportes públicos, sobretudo aos fins-de-semana, os portugueses que não têm transporte individual, passam à condição de suspeitos sob prisão domiciliária;

A “grande troika”, a verdadeira governante deste protectorado, advertiu a “pequena troika” de que as novas taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde (SNS) são insuficientes, e terão que ser agravadas ainda mais;

Devido a um problema de pilhas fracas na calculadora da “pequena troika”, o excedente das contas públicas não é de 2.000 milhões de euros, mas sim de 3.000 milhões. No entanto, continua a não ser excedente, nem folga, nem almofada, nem travesseiro. É apenas um pé-de-meia para o que der e vier, caso os banqueiros se sintam em dificuldades;

Passos Coelho, o chefe da "pequena troika", garantiu infáticamente que a melhor solução é o limite do défice ser inscrito na Constituição. Diz que isso apenas exige disciplina e não acarreta perda de soberania. Como é fácil de perceber, mais uma vez estamos a ser ludibriados, pois não se pode perder aquilo que já não possuímos...

A “pequena troika” passa a reunir o conselho de ministros aos domingos (fica a dúvida se presidida por Passos Coelho ou Ricardo Salgado), a fim de evitar ser perturbada com concentrações, manifestações e acções de protesto, aproveitando o facto de os portugueses estarem sob sequestro dominical, devido à escassez de transportes públicos;

Por decisão do ministro “vespa” Soares, os candidatos ao Rendimento Social de Inserção (RSI), isto é, pessoas que estão em situação de carência económica grave, abrangendo, maioritáriamente, jovens, idosos e deficientes, vão ser sujeitos a novas regras. Terão que preencher cinco formulários e apresentar uma mão-cheia de documentos da Segurança Social, além de caderneta predial e autorização para acesso a informação bancária. Só então estarão aptos a assinar com o Estado um contrato de inserção, que impõe o cumprimento de um determinado conjunto de obrigações;

O senhor Gaspar, ministro das Finanças da “pequena troika”, garantiu que a transferência dos fundos de pensões dos bancos para a Segurança Social não ameaça as pensões dos reformados do sector bancário. Ora, como é que ele pode garantir uma coisa dessas, se os dois mil milhões de euros do fundo de pensões vão servir para pagar dívidas do Estado às empresas, e melhorar a liquidez dos bancos?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

PORTELA
Ruas pedonais em regime de espaço partilhado.


Num comentário a um post do Portela dos Pequeninos, em que se fala da proibição de estacionamento em certas zonas da Portela, diz um leitor :

"Nos arruamentos sem saída, não incomoda nada que se estacione nos passeios, pois as pessoas mesmo sem viaturas, caminham normalmente pelo meio da estrada sem criar problemas também a ninguém. As pessoas entendem-se bem. As irregularidades dos passeios ate aconselham a utilizar o meio destes arruamentos sem saída."

Esta forma de partilha da rua entre peões e carros, que é de facto pratica generalizada nas ruas residenciais da Portela, tem sido noutros países objecto de estudo por parte de especialistas que concluíram das suas vantagens em diversos casos, como o de ruas residenciais, e aconselham que seja orientada por alguns princípios, como:

  • Todos os utilizadores, peões, ciclistas, carros, têm os mesmo direitos
  • Circulação e prioridade à direita
  • Redução da diferença de velocidade entre os diversos utilizadores
  • Criar, e provocar, o contacto visual entre os diferentes tipos de utilizadores
  • Pôr as pessoas, independentemente do modo como circulam, no centro das atenções
  • Os carros não são um problema, mas uma parte da solução
  • A mobilidade é um meio, não um fim

Em termos práticos, na Portela haveria que adequar o traçado da rua a este tipo de utilização partilhada, removendo os passeios (estacionamento dos dois lados junto aos muros), diferenciando o piso do das ruas circundantes, e assinalando o tipo de utilização partilhada à entrada da rua.

Para os nossos autarcas estas praticas não devem ser novidade pois são inclusive referidas no "Manual de Metodologia e Boas Práticas para a Elaboração de um Plano de Mobilidade Sustentável”, resultado dum estudo levado a cabo por técnicos dos Municípios do Barreiro, Loures e Moita (Ver pagina 204 sobre zonas de prioridade ao peão).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ALTERAÇÃO AO RSI
De acordo com as novas orientações neo liberais fascisantes


Com vista a reduzir o numero de beneficiários do RSI - Rendimento Social de Inserção, está o Governo a preparar novas regras para a atribuição desta prestação social, recorrendo a formas de controlo mais autoritárias e disciplinadoras, duma exigência desproporcionada em relação à população fragilizada que recorre ao RSI.

Para receber o RSI os candidatos terão de assinar "um contrato de inserção em que os beneficiários se comprometem, perante o Estado, a cumprir um conjunto de obrigações". Isto depois de preencher 5 questionários, entregar uma série de comprovativos, e dar autorização para acesso à conta bancária. O pedido será então apreciado por um Técnico que, se entender que estão respeitados todos os conformes, o passará a um Gestor (?) que então contratualizará com o interessado o acordo de inserção.

Além destas figuras tutelares da desgraça alheia, no processo de humilhação de quem precisa de recorrer àquele apoio entram ainda os NLI - Núcleos de Inserção Social, onde estão representados o Centro de Emprego e as estruturas regionais de Saúde, Educação e Segurança Social.

Tudo isto para a concessão duma prestação social de, em média, 89 euros beneficiário/mês, enquanto, por exemplo, os limites para os contratos por ajuste directo, sem concurso público, são de 750 mil euros para os directores gerais, 900 mil euros para os presidentes de Câmara, 5,6 milhões para os ministros, e 11,2 milhões para o primeiro-ministro.

A desculpa para todo aquele controlo pidesco são as incontornáveis bêtes-noires da demagogia populista rasca, os suspeitos do costume que beneficiam ilegitimamente de subsídios: o arrumador de carros passador de droga, o cigano vendedor de tshirts, a mãe solteira que passa os dias no café, enquanto o cidadão contribuinte e o trabalhador Amorim têm de se levantar cedo e trabalhar no duro para sustentar a preguiça e os vícios de tão deletérias personagens.

Clama o Governo, com grande alarido, a necessidade de moralizar a utilização do sagrado dinheiro dos contribuintes, dinheiro que deixa logo de ser sagrado quando se trata da imoralidade de pagar os roubos do BPN, engordar lusopontes e motaengis à custa de ruinosas parcerias publico privadas e concessões directas, ou mesmo de pagar o leasing do Audi de 86 mil euros do Ministro dos Contratos do RSI.

Segundo este estudo só 23% dos cerca de 360 mil beneficiários do RSI serão empregáveis, embora não se perceba bem onde iriam arranjar emprego, numa situação em que caminhamos a passos largos para o MILHÃO de desempregados.

Quanto à maioria dos beneficiários, os outros 77%, são pessoas que por erros seus ou má fortuna (deficientes, doentes crónicos ou com problemas psiquiátricos, desempregados de longa duração, alcoólicos e outras dependências, crianças e velhos) estão irremediavelmente eliminadas da implacável corrida da competitividade neo liberal onde muitos poucos vencem e quase todos perdem.

E esses, os que foram expulsos da corrida para que não tinham pernas, são, como é típico nos regimes fascistas, transformados em bodes expiatórios da desgraça colectiva, avaliados ao detalhe e, neste caso, divididos em dois grupos:
  • Os que, enquanto se portarem bem, de acordo com os critérios do Big Brother de serviço, recebem umas migalhas que dificilmente lhes darão para sobreviver, quanto mais para viver com um mínimo de dignidade, embora só depois de assinar o tal Contrato, exigência incontornável daquelas mentes distorcidas para quem tudo na vida tem de funcionar de acordo com as superiores regras do business;
  • E os outros, os que não preenchem os tais critérios oficiais, são despromovidos a parias do sistema (mesmo sem estrela ao peito) e abandonados à sopa de caridade e a dormir nos vãos de escada, desde que não seja das escadas dos ministros que tomam estas decisões.

Tudo para exemplo e temor das massas que se querem ordeiras e obedientes aos diktats da chefe do Reich (que já diz o que deve estar na Constituição dos países satélites) e dos seus submissos migueis de vasconcelos locais.

Tudo para honra, glória, e sobretudo proveito, deste capitalismo voraz e senil, que se arrasta de crise em crise, e que já só é capaz de prometer mais austeridade, recessão e pobreza.

CONTRA O ATAQUE AOS TRANSPORTES PUBLICOS E AOS PASSES SOCIAIS.


- Concentração contra o fim dos passes 4_18 e Sub_23;

- Contra a supressão de 23 carreiras, 4 serviços nocturnos, 14 encurtamentos de carreiras e 6 diminuições de horários, afectando mais de 50% das carreiras actuais da CARRIS, a saber: 10, 12, 21, 22, 25, 28, 30, 31, 36, 54, 44, 49, 70, 74, 76, 79, 201, 202, 203, 205, 206, 207, 208, 210, 701, 706, 708, 709, 711, 714, 716, 717, 718, 724, 726, 729, 732, 745, 753, 760, 764, 765, 777, 790, 793, 797, 799, e o eléctrico 18, alegando-se que tal se deve à “falta de procura” quando na realidade se procura retirar aquelas carreiras que maiores dificuldades têm em ser lucrativas, para uma posterior privatização;

- Contra o encerramento do METRO às 21h30m nas linhas amarela e azul, e encerramento total às 23h;

- Contra as supressões na CP;

- Contra a supressão das ligações fluviais no Tejo;

- Contra CONTRA O PLANO ESTRATÉGICO DE TRANSPORTES que apenas quer privatizar aquilo que é um serviço público essencial!

Vamos fazer recuar este Plano criminoso!

CONTRA A TROIKA NACIONAL E ESTRANGEIRA, PELO REFORÇO DA GREVE GERAL DE 24 de Novembro!

Façam crescer esta acção que é a defesa dos nossos direitos!

A Plataforma de Utentes dos Transportes Públicos

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Circo Euro-Solei


AS CIMEIRAS fazem parte de um programa para amortecer os efeitos daquilo que já se vem anunciando há muito tempo: o Euro vai-se desfazer com o mesmo aparato com que eclodiu, e vai levar para a cova o estrebuchante projecto da União Europeia. Os seus resíduos vão ser toneladas de pareceres dos euro-optimistas, euro-cépticos e euro-catastrofistas, e um continuado vai-vem de sinecuras burocráticas, leiloadas entre os países aderentes e sobreviventes, para nos virem pedir (sem direito a voto nem contestação) mais contributos, sacrifícios e austeridade, para nos garantir a entrada no televesionado Circo Euro-Solei, onde os artistas nos vão entretendo com mais uns quantos espectáculos de cimeiras, emolduradas com beijinhos e abraços, regadas com almoços e jantares, trocas de papeis e de promessas, a prometerem o paraíso na terra, e a deixarem tudo pior, ou exactamente na mesma.

A Cimeira para acabar com todas as Cimeiras, ou o Euro já acabou, mas ninguém quer dar a notícia.

NASA's Kepler mission has confirmed its first planet in the "habitable zone,"
the region where liquid water could exist on a planet’s surface.


Para desenjoar das homilias laudatórias dos comentadores troikistas da nossa praça, sugerem-se aqui algumas leituras que, por mais sintonizadas com a realidade, acabam por nos deixar ainda mais perplexos sobre a sanidade mental de quem nos desgoverna.

A não ser que todo este folclore cimeirista sirva apenas para esconder que, como já vi por aí escrito algures, a decisão de deixar cair o Euro está há muito tomada, mas como ninguém quer assumir o papel de coveiro, há que ir gerindo a coisa até que os mercados façam o seu trabalho e acabem de vez com esta aberração duma moeda única sem uma política económica e financeira comum, nem um banco central digno do nome.


The Summit To End All Summits, Paul Krugman


As bolsas de valores européias estão em alta hoje, e eu não faço ideia do porquê. Como diz Felix Salmon, isto parece uma Cimeira desastrosa. Mais austeridade, mais apresentação da Crise do Euro, erradamente, como tendo tudo a ver com os deficits fiscais; nenhum mecanismo para o financiamento do BCE.
Não se sabe como mas o sul da Europa é suposto deflacionar o seu caminho para a prosperidade, enquanto todo mundo quer ter um superavit comercial, presumivelmente contra esse planeta potencialmente habitável descoberto a 600 anos-luz de distância.
(...)

Europe’s disastrous summit, Felix Salmon
(...)
Lembra-se de Wolfgang Münchau dizer que a zona Euro tinha agora que acertar, nesta Cimeira, ou iria entrar em colapso? Bem, a zona Euro, muito enfaticamente, não acertou.
Pegue em qualquer das listas dos mínimos necessários - de Münchau, de Larry Summers, ou Mohamed El-Erian - e a única coisa que se destaca, especialmente à luz das notícias mais recentes, é que há um número enorme de itens com zero chances de realmente acontecer.
(...)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O PECADO DA DÍVIDA
Depois dos velhinhos pecados Venial e Mortal, a Merkozy criou agora este pecado Orçamental.


Já não bastavam os pecados veniais e mortais da nossa longínqua catequese, vamos passar agora a ter, nas bíblias laicas que são as Constituições, o pecado orçamental da Dívida, que tem em relação a todos os outros o malefício adicional de não ser para expiar depois de mortos, mas enquanto ainda andamos por este vale de lágrimas.

Este novo pecado, que outros cometeram, mas que nos obrigam a nós a pagar, é assim uma espécie de sublimação pós-moderna de alguns daqueles velhinhos pecados nossos conhecidos, como a inveja (que impele a gastar o que não se tem), a gula (que nos leva a espatifar os 60 cêntimos de apoio à família em cerveja e doces), o desejar a mulher do próximo (sempre mais cara que a mulher do próprio), a cobiça (do que vemos nas montras do centro comercial, quando as nossas posses só dão para a loja dos trezentos), ou o falso testemunho (das implausíveis promessas de algum dia pagar o que se deve).

Tal como o pecado Original também o pecado da Dívida toca a todos os que nasceram condenados a esta miséria cinzenta que é a vida de quem trabalha, e de que só ficam isentos os que vivem acima das nossas possibilidades, oportuna e providencialmente absolvidos por uma Bula que também temos de ser nós a pagar.

Agora digam-me lá se não vinha mesmo a calhar uma nova barca de Caronte, que levasse esta cambada exploradora e troikista de volta às profundezas do Inferno, donde jamais deviam ter saído.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Grandes Buracos e Outros Assim, Assim!


HÁ UNS meses atrás, transcrevi uma definição de buracos negros, como sendo os fenómenos que ocorrem quando uma estrela esgota o seu combustível e o seu núcleo sofre um violento processo de contracção e concentração, até ficar reduzido a uma fracção de seu tamanho original. Quando isso acontece, naquela região do espaço cósmico, gera-se um campo gravitacional tão forte que começa a sugar toda a matéria que se encontra à sua volta, de tal modo que nem mesmo a luz proveniente do fenómeno se consegue libertar. Dizem as notícias científicas mais recentes que a NGC 3842 - uma galáxia elíptica localizada na direcção da constelação do Leão, descoberta em 26 de Abril de 1785 por William Herschel, e que dista de nós a bagatela de 270 milhões de anos-luz da Terra - possui um dos maiores buracos negros até agora conhecidos, com uma massa equivalente a 9,7 milhões de massas solares, com um horizonte de eventos, cerca de sete vezes maior do que todo o nosso sistema solar. Já é obra estar tão longe e ser tão descomunal, mas o pior é ter um inquilino tão negro e voraz, que tudo dissipa à sua volta.

Faz-me lembrar os buracos das contas públicas portuguesas, também negros e devoradores, em tudo semelhantes a estes fenómenos das galáxias. Engolem vertiginosamente toda a massa de receitas, impostos e taxas, regulares e extraordinárias, que os governos imaginativamente têm criado ao longo dos tempos, para espoliarem os cidadãos, em benefício dos “pobrezinhos” do costume, e nem sequer deixam passar aquela luz que um dia irá iluminar o fundo do túnel, sinal de que os tempos mudaram.

ADENDA de 2011-DEZ-7 
O buraco negro da dívida pública da constelação Jardim, situada na Madeira, depois de mais uns ajustamentos de última hora, subiu para 6 mil milhões de euros. Isto passa-se na ilha onde está instalado o Centro Internacional de Negócios da Madeira, mais exactamente um "off-shore", que alberga perto de um milhar de empresas virtuais, sem instalações e sem trabalhadores, que geram receitas e lucros astronómicos isentos de impostos, e são geridas por dois naturais de uma remota freguesia da ilha, que nem sequer são remunerados pelo "serviço" que prestam. 

Quando o secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, diz que o Governo da República vai entabular negociações com a Comissão Europeia para o aprofundamento dos benefícios fiscais ao Centro Internacional de Negócios da Madeira que representa mais de 20% de todas as receitas da região, e é responsável por cerca de três mil postos de trabalho qualificado, deve pensar que não lemos o livro "Suite 605" de João Pedro Martins, ou então deve estar a referir-se a qualquer outra entidade, e não própriamente ao "off-shore" atrás referido, também conhecido por Zona Franca da Madeira.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Para os anais do Serviço Público
AS RESPOSTAS DA ENTREVISTA AO PESCADOR DE CAXINAS QUE A RTP1 NÃO PASSOU.


João Adelino Faria - Ainda tem vontade de voltar ao mar? Quer continuar com esta vida?

Pescador - Não é que eu não continue a gostar do mar, mas acho que agora chegou a altura de aceitar o lugar de pivot do telejornal da televisão publica.

JAF - Mas não ficou com mais medo de voltar ao mar?

Pescador - Um pouco, mas nada que se compare quando soube que, enquanto andava por lá com a vida por um fio, foi aprovado o Orçamento de Estado de 2012.

JAF - E como conseguiu superar aquele momento? A rezar?

Pescador - Claro, não foi também assim, a rezar muito, que o senhor conseguiu esse lugar na RTP1.

JAF - Fez alguma promessa lá no mar?

Pescador - Olhe, por acaso até fiz, não dar entrevistas à TV, mas olhe é assim, como com os políticos troikistas, passado o momento da verdade um tipo esquece-se de tudo o que prometeu.

JAF - Mas volta para o mar num barco igual (ao que naufragou) ou agora tem de ser um mais seguro?

Pescador - Igual ao que naufragou não, agora vou voltar à pesca mas num barco à maneira, no iate Eclipse do Ramon Abramovitch.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SOARES E O SÍNDROMA DA FALSA MEMÓRIA
(Ou afinal não era só a Jeanne D'Arc que tinha visões. Ou talvez ...)


O síndroma da falsa memória é uma condição em que a pessoa acredita piamente numa experiência traumática objectivamente falsa mas que se lhe apresenta como verdadeira, o que deve ser o que se está a passar com o Dr. Soares quando nas suas memórias relata que "Pela janela (do avião), vi que o aeroporto estava em grande reboliço com pessoas, jovens e mais velhos a protestar, enquanto a polícia carregava contra os manifestantes. Percebi que se tratava de um protesto espontâneo contra a minha deportação".

Da próxima vez que o prezado leitor apanhar um avião na Portela faça a fineza de espreitar pela janela e depois diga-nos o que conseguiu ver para dentro do edifico do aeroporto.

Claro que há sempre outra possibilidade: tal como Jeanne D'Arc, que tinha visões de Deus, quem sabe se também o Dr. Soares já na altura teria os seus transes psicadélicos, e conseguiria ver heróicas cenas de manifestantes e polícias, onde só haveria hospedeiras de terra em balcões de check-in e pacatos passageiros a empurrar carrinhos de bagagem.

Ou talvez o Dr. Soares seja apenas mais um mentiroso compulsivo com a mania das grandezas, o que aliás até está mais de acordo com aquilo que conhecemos da sua longa carreira política.

Pensamento ao Acordar


NÃO ACREDITO nos valores e mensagens providenciais dos sonhos (serão apenas preocupações latentes que ficam a multiplicar-se no subconsciente), mas esta noite sonhei com jornais, uns para embrulhar sabão, outros para forrar caixotes do lixo (como antigamente se fazia, antes da invasão dos sacos de plástico), mas o facto é que sonhei com jornais. E a seguir, ao acordar, depois dos jornais vieram as notícias, e a seguir às notícias vieram os jornalistas, e depois dos jornalistas vieram os factos, uns tratados com pinças, outros encomendados, outros às três pancadas. E fiquei agoniado!

Digam o que disserem, de jornalistas estagiários e pagos a recibo verde para jornalar, até aos comentaristas avençados para debitar e engraçar, há um facto que é por demais evidente: isto vai de mal a pior, e gente capaz de sinalizar o que se passa, com rigor e isenção, cada vez mais, vai sendo deixada para trás... Não vejo ninguém a partir a loiça, apenas gente acomodada e bem comportada, a impingir-nos crónicas sobre um país fictício, empanturrando a opinião pública com falsas questões, as quais apenas desviam a nossa atenção dos pãezinhos que os diabos andam a amassar…

ADENDA – Nem de propósito! O post do Rui Pinheiro sobre a SEARA NOVA, veio lançar uma lufada de optimismo, sobre a mensagem de intranquilidade deste meu escrito.