domingo, 30 de outubro de 2011

RECOLHER OBRIGATÓRIO
Governo quer METRO a encerrar às 23.
Segue-se o quê? O Facebook, a Bloga e o Twitter?


Parece que afinal a razão do planeado encerramento do Metro às 23, e algumas estações logo às 21, bem como o encurtar os horários dos autocarros, não tem nada a ver com a redução do défice, nem está nas medidas da troika.

O objetivo é fazer com que o pessoal que não tem carro, dinheiro para andar de táxi, ou simplesmente prefere os transportes públicos, deixe de sair à noite e fique quietinho, em casa, a ver os Prós contra SuperPrós, e a ouvir atentamente aqueles comentadores que nos explicam com metáforas de economia doméstica, porque é que estamos a viver acima das nossas possibilidades e tal e coiso agora temos de pagar a Dívida que não fizemos.

Segue-se o quê? Um daqueles cromos do neo liberalismo tuga que enxameiam o Governo, talvez o Álvaro, himself, vai descobrir que andar por aqui na net e na cloud até tarde é mau para Dívida, a Banca, a salvação do Euro, e a felicidade da Merkel, derivado do que vão também impor um horário de encerramento ao Facebook, à Bloga, e ao Twitter?


(*) Imagem fanada a este Recolher Obrigatório.

sábado, 29 de outubro de 2011

"GOD BLESS THE USA!"
And God bless you, meu filho, se possível com um pouco de discernimento, que bem precisado estás.


O pessoal do Tea Party, desesperado com o sucesso mediático dos We are the 99%, tratou de cozinhar a martelo uma réplica com o original e sonante nome We are the 53%, sendo os 53% - maravilha! - a percentagem da população americana que segundo eles paga impostos.

Depois, como é tudo gente que fina, que não se mete em Acampadas ou Manifs, tratam de arranjar uns gajos com tendências maso-exibicionistas para ocupar as redes sociais com fotos duns hand made posters, nalguns casos acompanhados pela fronha do autor, onde cada um se gaba da sua contribuição para a engorda dos 1%, assim uma espécie de concurso para apurar o capacho mais capacho de todos os capachos, lá das terras do Tio Sam.

Nada que sem o dito aparato mas com igual fervor e entusiasmo, e os indispensáveis lamirés de troikistas e comentadores de serviço, não prolifere igualmente cá no sítio. É ver o papagear daquele pessoal que não tem onde cair morto mas que também acha que estava a viver acima das suas possibilidades, que agora o que é preciso é sacrificar-mo-nos, trabalhar mais, ganhar menos, e, se ainda nos sobrar uma réstia de energia, irmos em romaria, de joelhos, até à porta do Ministério das Finanças, agradecer o Milagre das Santíssimas Troikas.

Para Ajudar a Acender a LUZ ao FUNDO do TÚNEL


(Manchete do semanário EXPRESSO de 29 de Outubro de 2011)

Meu comentário: Como tenho vindo a dizer de há uns tempos para cá, as surpresas vão chegando às pinguinhas e aos bochechos, para evitar os choques térmicos e as reacções em cadeia. Pedro Passos Coelhos, inebriado com os duvidosos elogios que lhe têm sido dirigidos, pelos mais suspeitos figurões, esfrega as mãos, arregaça as mangas, corre a pedir mais dinheiro, sabendo que em contrapartida vai ter que vai continuar a despejar mais medidas de austeridade ao desbarato, continuando a sangrar os portugueses e a economia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Ceia dos Cardeais


EM 13 de Outubro de 2011 o presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, entrou pelas 18h05 na Presidência do Conselho de Ministros, onde o Executivo estava a discutir o Orçamento do Estado para 2012, e foi reunir-se com o secretário de Estado Feliciano Barreiras Duarte para tratar de assuntos da “imigração” (terá querido dizer imigração de capitais?), o que é uma extraordinária coincidência, para não lhe chamar outra coisa.

Esta visita de Ricardo Salgado, e a sua mais que certa participação naquele banquete do Orçamento (que posteriormente considerou uma iniciativa de "enorme coragem"), vem mais uma vez demonstrar que, a exemplo do que acontece na União Europeia, são os grandes glutões do capital financeiro que estão ao leme do país, umas vezes de forma discreta, e outras vezes nem por isso. E a coisa correu tão bem que nem vai necessitar de recorrer aos 12 mil milhões disponibilizados pela "troika", para amortecer o efeito do perdão da dívida grega.

As visitas aos baluartes do poder e a partilha de prolongadas ceias, onde se traçam rumos e asseguram privilégios, são uma velha tradição de família Espírito Santo, pois desde o tempo da ditadura salazarista e caetanista que aqueles sempre tiveram uma relação privilegiada, de corpo e alma, com o poder político, e este hábito, pelos vistos, mantém-se de pedra e cal.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TÉCNICAS DE RESIGNAÇÃO E CONFORMISMO
Como abraçar a Crise, viver cada vez pior, e ser feliz infeliz para o resto da vida.


"Gerir € Poupar", é o tema duma sessão que irá ter lugar no dia 28 de Outubro na Junta de Freguesia da Portela "na qual se pretende consciencializar as famílias para a necessidade de organizarem e elaborarem orçamentos familiares e apoiar na gestão dos seus rendimentos e recursos financeiros de forma equilibrada, promovendo, assim, a poupança."

Pela minha parte, com a vasta e longa experiência de gerir cada tostão e de ter de viver cada vez com menos (experiência comum à maioria do pessoal deste país), posso garantir que já não há orçamento familiar e/ou gestão equilibrada que me safem do buraco onde as troikas me enfiaram.

Por isso preferia assim tipo uma sessão de debate da Crise e do Orçamento de 2012 (agora em discussão na AR), onde talvez pudessem surgir algumas sugestões que ajudassem aquele ministro lento da fala e lerdo das ideias, que ainda há pouco estava para ali na TV a dizer que não via em que é que as medidas (desastrosas) que propõe poderão ser diferentes, ou seja, um pouco menos péssimas.

Mas ouvir os cidadãos e promover a sua participação democrática na vida da Nação, é cena que não assiste ao pessoal que nos desgoverna. A divisão partidária de tarefas é assim : o PSD do Governo arrasta-nos para o abismo, o PSD da Junta, com a prestimosa colaboração do PS da Câmara, contribui para o peditório da resignação.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Recortes e Rascunhos (8)


Lei n.º 34/87, de 16 de Julho

(...)

CAPÍTULO II -

Dos crimes de responsabilidade de titular de cargo político em especial,

(...)

Artigo 14.º - Violação de normas de execução orçamental

O titular de cargo político a quem, por dever do seu cargo, incumba dar cumprimento a normas de execução orçamental e conscientemente as viole:

a) Contraindo encargos não permitidos por lei;
b) Autorizando pagamentos sem o visto do Tribunal de Contas legalmente exigido;
c) Autorizando ou promovendo operações de tesouraria ou alterações orçamentais proibidas por lei;
d) Utilizando dotações ou fundos secretos, com violação das regras da universalidade e especificação legalmente previstas;

será punido com prisão até um ano. 

DURA LEX SED LEX. Porque Espera a Justiça?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

REFORMA DAS AUTARQUIAS
Afinal confirma-se que o Governo quer passar a nomear os autarcas, como no antigamente.


Achei que o pessoal estava a exagerar quando ouvi por aí que o Governo ia passar a nomear os autarcas, acabando com a despesa das eleições e a maçada da Democracia.

Afinal fui ver ao tal Livro Verde em que o Governo explica como é que vai fazer a reforma das autarquias e na pagina 21, em que se apresenta a Metodologia para realização da reforma, está exactamente isto:


Ora como, pelo menos no curto prazo, as viagens ao futuro, que seria a única forma do Governo ficar a saber quem vão ser os futuros autarcas, aqueles que ainda não elegemos, só mesmo nos filmes de Michael J. Fox, a única hipótese que vejo do Governo obter o consenso com os diferentes actores que deverão presidir à nova organização autárquica, é ser o Governo, itself, a escolher os futuros autarcas para, em consenso (sem makas, tudo gente da casa), definirem a bendita Matriz de Critérios Orientadores, o que quer que isso seja.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"O ESTADO NOVO NUNCA FECHOU AS PORTAS AOS MAIS CAPAZES"
Então o problema era os filhos dos operários serem todos burros?


Um daqueles cronistas que regularmente escrevem na ultima página do Publico conta que o pai "Inteligente, bom aluno, foi o primeiro da sua família a pôr os pés na faculdade, porque o Estado Novo, embora expusesse a maioria ao analfabetismo, nunca fechou as portas do ensino aos mais capazes".

Interrogo-me se o cronista acha que os filhos dos operários eram na esmagadora maioria burros, se o burro é ele por acreditar nas patranhas que está a impingir, ou se sabe bem do que fala e está é a tratar os leitores do Público como se fossemos todos burros?

É que, se outros dados não houvesse, basta recordar o à época tão falado II Grande Inquérito à Juventude Universitária, realizado pela JUC, Juventude Universitária Católica, em 1967, para perceber qual era o grau de abertura das portas do ensino superior aos mais capazes, no tempo do fascismo.

Por exemplo, apesar dos operários serem à data mais de 30% da população activa, diz o II Inquérito que apenas 2% dos estudantes universitários eram filhos de operários.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

GREVE GERAL
A sorte é que aqui pela bloga treinadores de bancada é coisa que não falta.


Sim, já viram ....O DRAMA ... O HORROR ... A TRAGÉDIA ... que seria se a organização da Greve Geral ficasse entregue aos trabalhadores e às suas organizações? A sorte é que aqui pela bloga treinadores de bancada é coisa que não falta.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O PORTELA MAGAZINE NÃO QUER TENDÊNCIAS, IDEOLOGIA, OU PARTIDARISMO
Seria um drama, um horror, uma tragédia...


Mal tinha acabado de ler este post sobre o apartidarismo democrático e estava para aqui a magicar que também ainda há por aí à solta muito apartidarismo do antigo, do tempo da outra senhora, de que aliás o post também fala, quando me cai no Gmail, reenviada por um amigo, uma circular da Associação de Moradores da Portela, a anunciar o lançamento de uma nova revista, o Portela Magazine.

Fui lá espreitar a novel publicação, e não é que logo no 2º paragrafo do Editorial de Apresentação tropeço com este naco de prosa (sublinhado dos próprios), que bem podia ter saído directamente da caneta dum daqueles legionários que o fascismo ás vezes conseguia pôr à frente das colectividades populares(*) da época:


Não faço ideia se o lápis azul lá do magazine está entregue a alguém em particular, ou se é irmãmente partilhado por todos, mas parece-me que alguma coisa está por lá a falhar.

É que após tão anti-séptica e enfática promessa, logo na página 7 ... DRAMA ... HORROR ... TRAGÉDIA ... deparo com uma fotografia do ubíquo Carlos Teixeira, PS, Presidente da Câmara de Loures (inaugurador compulsivo que não escolhe local nem época para atacar) a participar na inauguração do novo Centro de Actividades da AMP.

E daí, pensando melhor, talvez não. Talvez não tenha havido nenhuma falha do lápis azul. Talvez, como nos tempos de Salazar e Caetano, a acusação de fazer politica, pelos critérios destes senhores/as, nunca se aplique a eles próprios, aos que se identificam com a Situação.

Só os outros, os que não são da cor deles, é que terão tendências, ideologias e partidarismo.



(*) Que não era o caso das colectividade populares destas bandas que podem, quase todas, orgulhar-se dum passado digno e respeitável, sem subserviência ao regime ou posturas de abstracta e anti-séptica independência e apoliticismo, mas sim de participação activa e empenhada no movimento popular anti fascista que tão decisivamente contribuiu para a criação das condições que tornaram possível o 25 de Abril.

Não somos a Grécia; podemos acabar pior


«Com o OE 2012, o governo português está a copiar as piores políticas gregas. Repete que não somos a Grécia, mas acelera no seu encalço.

Repare-se que na Islândia, igualmente sob uma intervenção agressiva do FMI, a mobilização popular não deixou que os prejuízos privados passassem para o erário público. Não se salvaram bancos ou seguradoras, renegociou-se a dívida, apostou-se no reforço da democracia e os dirigentes do país responsáveis por políticas ruinosas estão a ser julgados. Hoje vêem-se os resultados.

O problema é que a solução islandesa aplicada a Portugal implicaria que o actual Presidente – com Sócrates, Santana, Durão e Guterres – fosse julgado pelas decisões ruinosas que tomou. E com ele a maioria dos que ainda hoje nos governam sentados à sombra do bloco central.

A solução islandesa aplicada a Portugal implicaria a nacionalização da banca. As injecções de dinheiros públicos deixariam de servir para acudir a loucuras, manter os lucros extraordinários ou limpar prejuízos tóxicos. O Estado assumiria os custos e os proveitos do que entendesse, em função do interesse público.

A solução islandesa aplicada a Portugal implicaria uma apertada vigilância democrática que dificultaria a dança de cadeiras entre cargos públicos e privados e não permitiria que um banqueiro se sentasse à mesa do Conselho de Ministros que decide o Orçamento de Estado.

Na Islândia o povo mobilizou-se para resistir. Na Grécia o povo acordou mais tarde. E nós, chegaremos a tempo?»

Artigo de opinião do arquitecto Tiago Mota Saraiva, com o mesmo título do post.

Meu comentário: De algum tempo a esta parte, também tenho referido que nem todos os caminhos vão dar a Atenas, e que não deve ser ignorada a lição de Reiquiavique, muito embora sejam escassas as notícias do que lá se passa. Mas ninguém liga! Deve ser porque não sou banqueiro, politólogo ou comentador desportivo…
Em contrapartida, o ministro Victor Gaspar, ao não admitir renegociar a dívida portuguesa, está convicto que no fim da linha deste brutal programa de austeridade - que só trás mais recessão, desemprego e empobrecimento generalizado - havemos de regressar, com pompa e circunstância, ao seio dos sacrossantos “mercados”.

18/10, ENTÃO ATÉ LOGO.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SOBRE O GENE MEME DO APARTIDARISMO
E a forma de tentar lidar com o dito.



Um meme, segundo Richard Dawkins, é assim uma espécie de gene sócio-cultural, que se replica e propaga numa sociedade de forma semelhante à dos nossos conhecidos e indispensáveis genes.

Um bom exemplo de meme é o popular e ubíquo apartidarismo, cuja origem remonta aos regimes fascistas que dominaram boa parte da Europa a partir dos finais dos anos 20 até 1945, e em Portugal e Espanha até aos anos 70.

Para quem não teve a experiência directa, ou que já se esqueceu, convém dizer que para além da feroz repressão policial sobre os partidos, e os seus militantes e simpatizantes, o fascismo sempre desenvolveu uma intensa e sistemática campanha contra a própria ideia de partidos, apresentado-os como defensores de interesses particulares, de grupo, com uma papel divisivo numa sociedade que queriam una e coesa à volta da vontade do líder, o ditador. Exemplo do efeito dessa propaganda é a expressão, que ainda hoje se ouve, a minha política é o trabalho.

Como um gene, também um meme para ter sucesso, além da óbvia capacidade de adaptação a novas situações, precisa de condições favoráveis para se reproduzir e alastrar. Condições que como vimos, pela força e pela propaganda, o fascismo lhe assegurou durante 48 anos. Condições que no pós 25 de Abril, embora de natureza diferente mas a que este meme do apartidarismo se adaptou facilmente, também não lhe têm faltado.

As sistemáticas quebras de promessas eleitorais, a submissão do poder político-partidário ao poder económico, o favorecimento próprio e dos amigos, o sectarismo militante, têm sido factores decisivos à difusão da nova mutação do velho apartidarismo, inclusive entre as novas gerações que já não tiveram um contacto directo com a sua forma original.

Não se estranhe por isso que o apartidarismo, com raízes profundas e terreno fértil na nossa sociedade, mereça hoje uma simpatia tão alargada e diversificada, e que, mais recentemente, o justo descontentamento popular esteja em boa parte a ser canalizado para diversas formas de intervenção apartidária. Só para falar de 2011, temos as candidaturas de Fernando Nobre e José Manuel Coelho, as manifestações do 12 de Março, a Acampada do Rossio, e agora o 15 de Outubro.

Embora a maioria dos que se assumem apartidários e defendem o apartidarismo sejam democratas que nem sequer vêem nessa sua posição nada de anti-democrático, convém não esquecer que o apartidarismo tem sido um factor importante na afirmação dos chamados homens providenciais, e de outras formas de intervenção política mais ou menos à margem da democracia.

Mas para além desse risco, que aqui e agora me parece apenas potencial e com poucas pernas para andar, hoje o problema maior do apartidarismo, em particular na sua forma anti-partidos, é ser um obstáculo bem real à tão necessária unidade das forças democráticas contra a maior ofensiva anti-popular e anti-trabalhadores da nossa história recente.

Tal como cada um de nós tem de viver com os genes que herdou, mesmo que não sejam os do nosso inteiro agrado, também as sociedades têm de saber conviver com os memes que lhes couberam em sorte.

Para a superação desta contradição apartidarismo vs. partidos o esforço de entendimento e cooperação tem de ser mútuo e recíproco. Os movimentos porque tal como os partidos também são responsáveis perante todos aqueles que mobilizam, e não devem deixar que preconceitos ou interesses mesquinhos, se sobreponham aos objectivos por que lutam.

Mas a responsabilidade maior em tentar afastar aquilo que hoje é apenas um escolho, mas que se pode tornar numa barreira intransponível à tão necessária unidade na acção, cabe, em primeiro lugar, aos partidos de esquerda e seus militantes.

Não só porque estão em melhores condições para valorizar a importância da convergência de esforços e vontades, mas também pela sua maior experiência e cultura políticas, pelo facto de não estarem completamente inocentes de alguns pecados veniais que lhes apontam com razão (os pecados mortais são todos do PSD, PS e CDS, não confundir alhos com bugalhos, please?), e last but not the least, porque o Povo não existe para servir os partidos, os partidos é que existem para servir o Povo.