domingo, 31 de julho de 2011

PORTUGAL RECONHECE REBELDES LÍBIOS
Entretanto os ditos libertadores começaram já a libertar-se uns dos outros.


O apoio de Portugal aos rebeldes líbios foi divulgado através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros enviado à agência Lusa. A decisão "reflecte o reconhecimento do papel que o CNT desempenha na liderança do processo de transição na Líbia e obedece à melhor ponderação dos interesses de Portugal, cuja política externa deve ter em linha de conta o relacionamento futuro com a Líbia", diz o comunicado.

Entretanto os ditos libertadores começaram já a libertar-se uns dos outros, com o assassinato do chefe militar dos rebeldes, general Abdul Fatah Younis, por um grupo dos próprios rebeldes.

Segundo o Guardian
, após 24 horas de confusão em torno da morte, o ministro do Petróleo do CNT, Ali Tarhouni, confirmou que Younis foi morto por membros da Ibn Obaida Jarrah Brigade, uma milícia islamita com o nome de um dos companheiros do profeta Maomé, que integra a rebelião líbia.

Tarhouni disse a repórteres em Benghazi que um líder da milícia já foi preso e confessou que os seus subordinados levaram a cabo o assassinato. "Não foi ele foram os seu homens", disse Tarhouni, acrescentando que os assassinos continuam ainda a monte.

sábado, 30 de julho de 2011

Criada para Todo o Serviço

HÁ UMA verdade que penso que ninguém contesta: os serviços de informações – vulgarmente conhecidos por polícias secretas - embora regulamentados, com atribuições precisas e bem determinadas, exactamente por possuírem vastos recursos e actuarem fora dos habituais parâmetros de transparência, contornando os mecanismos de controle democrático, acabam por deter um enorme poder. Um poder imenso, subordinado ao dever de sigilo e ao segredo de Estado. Um poder enorme, cujo limite é a nossa imaginação. Falta acrescentar que um relatório saído daquelas mãos (e que é susceptível de descarrilar para o domínio público), pode destruir um perfil de integridade, uma obra, uma carreira, uma vida, e tudo o que vem por acréscimo.

Quando essas competências, e o poder que daí resulta, começam a confundir interesses estratégicos do Estado, com interesses pessoais ou de grupo, assumindo contornos de tráfico de influências, chantagem e outras ilicitudes, rompendo o anel de segurança da idoneidade daqueles serviços, começa a ficar em causa a sua lealdade para com os desígnios da República e do regime democrático. Não são toleráveis as nefastas promiscuidades, o jogo em vários tabuleiros, agora não apenas entre o poder político e o poder económico, mas entre os serviços de informação da República, animados sabe-se lá de que venais interesses, e todos os outros poderes, facções políticas e outros sujeitos, mais ou menos poderosos, mais ou menos ambiciosos. Os serviços de informações da república não devem ser, nem comportar-se, como uma qualquer agência de detectives, que anda no encalço de infidelidades e passa atestados de mau comportamento. São uma instituição demasiado sensível para se tornar uma criada para todo o serviço dos mais mesquinhos interesses e ambições. Daí a tornarem-se o embrião de uma nova polícia política, dista apenas um passo.

"SEM QUOTAS SERÍAMOS TODOS EXCELENTES", DIZ NUNO CRATO
Então a Avaliação não é para ser OBJECTIVA?


O ministro Nuno Crato convocou os representantes dos professores, não propriamente para assistirem à implosão do Ministério da Educação, mas para debitar umas banalidades sobre a sua versão recauchutada da avaliação de professores.

As propostas concretas ficam para mais tarde, mas ficámos já a saber que as quotas se mantêm. Consciente da subjectividade do modelo de avaliação que se prepara para impor aos professores, o cruzado do anti-eduquês explica para quem ainda tenha dúvidas que "não existindo quotas seríamos todos excelentes".

quinta-feira, 28 de julho de 2011

AUMENTOS DOS TRANSPORTES
Sugestão para novos passes combinados.

Habitante da margem sul a caminho da estação de Metro do Cais do Sodré.

Diz o Publico de 27/7 que o ministro Macedo deu orientações à GNR para restringir o uso das viaturas a 20/25 km dia, devendo o resto do serviço ser feito a pé.

Likewise, porque não em vez dos actuais passes combinados, Carris/Metro e Carris/Metro/Transtejo, uma nova modalidade de passes Carrris/A Butes e Carris/Metro/A Nado?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Presidencial Abrangência

Cavaco Silva diz que o Portugal uno e indivisível (ou melhor, deveria ter dito, que o triunvirato constituído pelo PSD-CDS/PP e PS), tem que cumprir os compromissos que assumiu com a troika do FMI-CE-BCE, mas esqueceu-se de lembrar que os governantes não têm cumprido as promessas e os compromissos que sistemáticamente costumam assumir com os portugueses, na altura de eleições, e não só.
Cavaco Silva diz que está muito preocupado e condoído com os portugueses que não irão contribuir para o imposto extraordinário, pois isso significa que não têm recursos para tal, nem para tudo o resto, só lhes restando irem até à Santa Casa ou à sopa dos pobres, como ele gosta de aconselhar, mas esqueceu-se, ou deixou voluntariamente de fora, todos os outros portugueses, que tendo bastos e fartos recursos, mais uma vez foram poupados e deixados de fora, dessa e de outras contribuições, tanto normais como extraordinárias.
Por essas e por outras, começa a questionar-se (mais vale tarde do que nunca) se Sua Abrangência será efectivamente o presidente de todos os portugueses, ou apenas de alguns.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

QUANTO MAIORES AS PILAS, MENOR O CRESCIMENTO DO PIB
(Isto serão boas ou más noticias?)


Propositadamente irónico ou simplesmente ridículo, um bom exemplo daquilo que hoje em muitas Universidades passa por Ciência Económica:

Segundo um paper de Tuta Westling, um estudante de doutoramento do Departamento de Estudos Políticos e Económicos da Universidade de Helsinquia, o tamanho do órgão reprodutor masculino poderá explicar por si só cerca de 15 a 20% do crescimento do PIB.

Os resultados indicam que cada centímetro a mais no tamanho do pénis reduz o crescimento económico de 7%, num modelo que leva em conta o crescimento populacional. O nível de confiança deste teste é de 99,9%, que é muito alto para um estudo econométrico, segundo Pierre-Olivier Lachance, um economista na HEC de Montreal.

Lachance confessa-se surpreendido com a escolha do tema, mas não questiona a qualidade da análise: "Ao contrário do que se possa pensar este estudo econométrico é muito sério. É baseado na abordagem de Solow para analise de factores, que é um modelo muito usado em econometria ".

domingo, 24 de julho de 2011

Exemplar Modelo de Austeridade

Despacho n.º 1/XII - Relativo à atribuição ao ex-Presidente da Assembleia da República Mota Amaral de um gabinete próprio, com a afectação de uma secretária e de um motorista do quadro de pessoal da Assembleia da República.

«Ao abrigo do disposto no artigo 13.º da Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República (LOFAR), publicada em anexo à Lei n.º 28/2003, de 30 de Julho, e do n.º 8, alínea a), do artigo 1.º da Resolução da Assembleia da República n.º 57/2004, de 6 de Agosto, alterada pela Resolução da Assembleia da República n.º 12/2007, de 20 de Março, determino o seguinte:
a) Atribuir ao Sr. Deputado João Bosco Mota Amaral, que foi Presidente da Assembleia da República na IX Legislatura, gabinete próprio no andar nobre do Palácio de São Bento;
b) Afectar a tal gabinete as salas n.º 5001, para o ex-Presidente da Assembleia da República, e n.º 5003, para a sua secretária;
c) Destacar para o desempenho desta função a funcionária do quadro da Assembleia da República, com a categoria de assessora parlamentar, Dr.a Anabela Fernandes Simão;
d) Atribuir a viatura BMW, modelo 320, com a matrícula 86-GU-77, para uso pessoal do ex-Presidente da Assembleia da República;
e) Encarregar da mesma viatura o funcionário do quadro de pessoal da Assembleia da República, com a qualificação de motorista, Sr. João Jorge Lopes Gueidão;

Palácio de São Bento, 21de Junho de 2011
A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção Esteves.

Publicado
DAR II Série-E - Número 1
24 de Junho de 2011
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Meu comentário: Embora este direito esteja previsto na Lei, é caso para perguntar qual é o trabalho que actualmente este senhor desenvolve, no âmbito da Assembleia da República, que justifique tal mordomia?
Num momento em que os políticos da área do governo, atulham a boca com as expressões “contenção de despesas” e “sacrifícios”, devendo partilhar com os portugueses, as medidas de austeridade que eles próprios impõem, não se compreende que haja quem continue a dizer, com o habitual à-vontade: ouve o que eu digo, mas não olhes para o que eu faço!
Curiosamente, no dia em que esta informação me chegou às mãos, fui esbarrar com um artigo publicado no semanário EXPRESSO, com o título “Lições das Eleições”, da autoria do mesmíssimo João Bosco Mota Amaral, em que ele faz algumas sugestões para “embaratecer” a democracia e desonerar o erário público, como seja a eliminação pura e simples dos tempos de antena para aliviar os custos das campanhas eleitorais, bem como alterar a actual legislação eleitoral, impondo cortes radicais nos gastos com as campanhas partidárias, porque são de duvidoso efeito, senão mesmo de fraca utilidade para o esclarecimento do eleitorado.

É preciso descaramento!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Governo com Fórmula Reforçada…

PORQUE os amigos são para as ocasiões, temos, portanto, um governo com fórmula reforçada, contribuindo para que os portugueses continuem despreocupados. Renegociar a dívida e incentivar a economia nacional não é coisa que se proponha, nem coisa que se discuta. Na Assembleia da República a proposta do PCP nesse sentido, levou com a “indignação” e os votos contra da “troika” PSD+CDS/PP+PS, e não se fala mais nisso (mas voltará, estou certo disso!). Concordar com a renegociação - dizem eles - seria o mesmo que equipararmo-nos à Grécia, desafiar os agiotas do BCE e as divindades do FMI, não honrar compromissos e comportarmo-nos como um parceiro rebelde e mal agradecido. Pois é, o remédio está aqui mesmo à mão, enquanto houver empresas para privatizar, património e pratas para vender, e os portugueses continuarem a ter calças para baixar, desemprego em abundância, banco contra a fome, cintos para apertar, salários, bolsos, carteiras e porta-moedas para serem esvaziados.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um Sonho Melhorado

O SONHO de Francisco Sá Carneiro foi superado. Do primitivo desejo de o país ser governado pela trindade monocolor de um Presidente da República, um Governo e uma Maioria Parlamentar, agora podemos juntar mais um elemento, isto é, uma Presidente da Maioria Parlamentar, na pessoa da Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.
Tudo isto a propósito de a Presidente ter antecipado a discussão e a votação na generalidade das alterações ao Código do Trabalho, antes da consulta pública, que deve ser o primeiro passo do processo, argumentando com o carácter de urgência. O PCP e o BE contestam; não ouvi falar que o PS se tenha oposto. A novidade aí está! Primeiro vota-se, depois discute-se…

segunda-feira, 18 de julho de 2011

GILBERTO LINDIM RAMOS
Amigo, vizinho, mestre e companheiro de lutas antigas.

Aqui, 3º a contar da direita, numa reunião da ID com a candidatura de Francisco Lopes.

Em menos duma semana três telefonemas de amigos sobre o Gilberto. O primeiro na 2ª feira de convite para um jantar de Homenagem no dia do seu 80º aniversário, 14 de Julho, depois na 4ª feira um telefonema a desmarcar o jantar pelo facto do aniversariante e homenageado ter sido hospitalizado de urgência. Na 5ª feira um amigo adiantou-me alguns pormenores sobre o estado do Gilberto que me deixaram um pouco menos preocupado, para ainda há pouco um novo telefonema me dar conta do triste desenlace. Fazendo minhas as palavras do Vítor Dias em O Tempo das Cerejas, a minha sentida homenagem:


Morreu ontem, aos 80 anos de idade acabados de perfazer, GILBERTO LINDIM RAMOS, economista e membro da Associação Intervenvenção Democática, com uma vida profunda e coerentemenete dedicada à resistência antifascista, à construção do Portugal de Abril e a ideais de transformação e progresso sociais.

Dele recordo não apenas e vivência directa de cerca de 40 anos de amizade e companheirismo em tantas e tão ásperas lutas mas sobretudo a sua escrupulosa seriedade intelectual, a sua serenidade determinada e combativa e o seu espírito ponderado que, em não poucas circunstâncias, pesou positivamente em muitas orientações, situações e decisões do movimento democrático.

E assim, por força das leis da vida, vão partindo tantos democratas consequentes que, caldeados e formados nas lutas já dos anos 50, serviram de referência ética, política e humana a muitos daqueles que, como eu, chegariam à intervenção cívica e política nos anos 60.

Gilberto Lindim Ramos seria certamente o último a querer saber disso para alguma coisa, mas quando vejo partir amigos e companheiros como ele a quem a liberdade e a democracia tanto devem, o que é que querem, lembro-me sempre destes homens e mulheres a quem o preconceito (ou o amiguismo) de sucessivos Presidentes da República nunca permitiu que, no 25 de Abril ou no 10 de Junho, o Estado lhes prestasse qualquer simbólico acto de reconhecimento, homenagem ou gratidão. Aqui deixo uma abraço de forte solidariedade à sua mulher e filhas e aos seus companheiros da ID. Adeus, Gilberto.

(O funeral realiza-se hoje, segunda-feira, às 11 hs, da capela mortuária da Igreja da Nossa Senhora da Saúde, Praça 5 de Outubro, em Sacavém, para o cemitério de Camarate)"

domingo, 17 de julho de 2011

EURO: Uma Moeda Fracassada?

«Apesar das suas fraquezas, uma das vantagens do dólar americano, entre outras coisas, é a existência de um estado chamado EUA. A Europa não existe enquanto entidade política, não existindo um poder político legítimo que una os estados-membros. Na minha opinião, a Zona Euro não é viável. Ao contrário dos EUA, onde o governo federal e o sistema da Reserva Federal intervêm para diminuir as desigualdades entre estados, a Zona Euro reforça a desigualdade. Não é possível existir uma moeda sem um estado.»

Opinião expressa pelo economista Samir Amin, no documentário Dividocracia (Debtocracy) de Aris Hatzistefanou e Katerina Kitidi, 2011