sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ao contrário do que dizia há pouco o "noticiário" da TVI, não há muita gente a viver à custa do Estado no Bairro da Boavista...


Onde há de facto muita gente a viver à custa do Estado, aqui por Lisboa, é no Parque das Nações e nos muitos condomínios e apartamentos de luxo que enxameiam a cidade.

No Bairro da Boavista, com aquelas prestações sociais de miséria que ainda restam dos sucessivos PECs, sobrevive-se, e quase sempre muito mal.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A Misturar-se com o POVO

DEPOIS de ter sido aconselhado pelos seus assessores eleitorais, José Sócrates desceu à Terra e foi visto a deambular na Baixa de Lisboa, numa tentativa para estabelecer contacto com os problemas do POVO e do PAÍS REAL. Aquilo que ele trás no "trolley" parece que é o "estudo" que ele anda a fazer para a pequena-grande redução da contribuição patronal para a Segurança Social (Taxa Social Única).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Programas de Governo

O EXERCÍCIO do poder, mesmo que consentido pelo voto popular, não é um poder arbitrário e caprichoso, e as maiorias, mesmo que absolutas, não significam poder absoluto. Em última instância, o exercício do poder tem que se subordinar aos compromissos estabelecidos com o eleitorado, através de uma espécie de contrato que, habitualmente, se consubstancia num programa de governação, o mais detalhado e rigoroso possível, coisa que entre nós tem valor relativo, pois, habitualmente, ninguém cumpre o que promete. Salvo raras excepções, até agora, os programas não têm passado de meros exercícios de retórica, pois a prática política raramente respeita ou coincide com as intenções formuladas, e os políticos deviam ser penalizados por isso. Ora neste momento, com excepção do PCP e do BE, os partidos PS, PSD e CDS-PP, têm todos os três - embora o neguem - o mesmo programa de governo, isto é, o acordo aceite e subscrito com a “troika” FMI-UE-BCE. E não vale a pena tentarem arredondar as promessas, contornar as evidências, arvorarem-se em patriotas de gema, tentando convencer-nos que a situação não é exactamente essa, porque a realidade está bem à vista, isto é, já não somos senhores do nosso destino, e temos as mesmas prerrogativas que um qualquer protectorado de meia tigela. Este não é o melhor caminho, e por este andar dificilmente o encontraremos. Os exemplos dos outros para alguma coisa deveriam servir. Basta deitar uma olhadela para o que se está a passar com a Grécia e com a Irlanda.

domingo, 8 de maio de 2011

TRÊS TRISTES TROIKAS

Miguel de Vasconcelos, regente do Reino por vontade estranha,
auxiliado a bazar dos seus aposentos do Terreiro do Paço

Chamada e aplaudida pela troika PS-PSD-CDS, assentou arrais no Terreiro do Paço a troika FMI-UE-BCE, consentida pela troika medo-desânimo-submissão deste desgraçado povo que já gramou 60 anos de Filipes, engoliu a humilhação do Ultimato, e sofreu 48 anos de fascismo.

Mas mais tarde ou mais cedo, e espero que desta seja mais cedo do que tarde, a resposta está sempre garantida: 1º de Dezembro, 5 de Outubro, 25 de Abril, __________. Cá estaremos para preencher a data, por enquanto, ainda em branco.

NO BAIRRO DA TORRE, CAMARATE, LUTA-SE CONTRA DEMOLIÇÕES DA CÂMARA DE LOURES.


"Contra as Demolições, pela defesa do Direito à Habitação

A Câmara Municipal de Loures ordenou a desocupação de habitações no Bairro da Torre, na Freguesia de Camarate, com vista à demolição destas. Estas habitações não são legalizadas e são fruto da ausência de uma política de habitação que não tem respondido ao longo dos anos às carências da população com rendimentos mais baixos, ou que estão desempregados ou têm situações laborais extremamente precárias: o que auferem de rendimento não é suficiente para alugar uma casa e para suportar as despesas básicas de sobrevivência: alimentação, luz, água, gaz e transporte. Enquanto este problema continuar a existir, não se poderá acabar com as habitações ilegais, precárias, com a sobrelotação e a vivência sem condições de dignidade.

Nos anos 90 (1993) houve, no âmbito do programa PER, um recenseamento de habitantes destes bairros com vista ao seu realojamento. No entanto, tal recenseamento não identificou todas as pessoas do bairro, teve muito poucas atualizações e o tempo entre o recenseamento e o realojamento demorou tantos anos que novas famílias se constituíram (crianças que cresceram e casaram) e novas famílias se instalaram.

Assim, atualmente, temos cerca de 63 famílias, com crianças, idosos, mulheres e homens, alguns com problemas graves de saúde que, por estarem fora do recenseamento e apesar de viverem há vários anos no bairro, estão a ser intimados pela câmara para abandonar as suas habitações sem terem nenhuma alternativa. Estas pessoas correm o risco de serem atiradas para a rua, de forma desumana, constituindo este acto um atentado à dignidade, aos direitos humanos e à Constituição da República Portuguesa.

Porque sabemos que há alternativas, se houver vontade política, que respeitem a dignidade e a segurança destas populações e que defenda os seus direitos constitucionais, nomeadamente o Direito à Habitação, vamos concentrar-nos em frente da Câmara Municipal de Loures, na Praça da Liberdade, no dia 6 de Maio, sexta-feira, pelas 15h, exigindo ao Presidente da Câmara e a todo o executivo um tratamento digno, a interrupção das demolições e a procura de alternativas juntamente com os moradores.

Apelamos à solidariedade de todos e todas nesta ação onde está em causa o Direito à Habitação, não só destas populações, mas também de todos e todas que vivemos neste país.

Os moradores do Bairro da Torre"


Ver mais informação AQUI, e AQUI.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Governo Provisório

ESTE foi o “governo provisório” que esteve a redigir o programa do próximo governo constitucional, que sairá das eleições de 5 de Junho, isto se os portugueses baixarem os braços, e derem o facto como consumado.

OS PARABÉNS SÃO PARA O KARL, AS PRENDAS PARA OS LEITORES.


No dia 5 de Maio de 1818, faz hoje 193 anos, no nº 664 da Brückergasse em Trier, Alemanha, nascia o menino Karl Heinrich Marx que, depois de crescido, entre tantas outras coisas importantes, nos disse que "Os filósofos até hoje limitaram-se a interpretar o mundo. Eu quero mudar o mundo” .

E se mudou o mundo! É impossível olhar para a História do século XX sem ver a profunda e radical influência das ideias de Marx e da acção daqueles que trilharam na pratica os caminhos que o seu pensamento abriu. E, sem arriscar muito, acho que o mesmo dirão os nossos bisnetos, trinetos ou tetranetos, quando no século XXII olharem para trás, para o nosso século XXI, apesar deste seu nada auspicioso começo.

Ler Marx, estudar Marx, é cada vez mais uma tarefa inadiável para quem está mais que farto desta descida em queda livre às profundezas do inferno do capitalismo neo liberal, e acredita que um outro mundo, sem exploradores nem explorados, à medida da dignidade e aspirações humanas, é possível, necessário, e urgente.

E é aqui que entra a prenda para os leitores (em formato EPUB para o iPad, e em formato PRC para o Kindle), meia dúzia de eBooks (livros electrónicos) de obras chave de Karl Marx:


Nota 1: Clicar para fazer download. Os eBooks estão disponíveis no Marxists Internet Archive, e na sua secção em Português, Arquivo Marxista na Internet, faltando por enquanto alguns LINKS que devem ficar disponíveis até ao fim da semana.


Nota 2: Pode ler estes eBooks no seu computador com um software, grátis, de leitura de eBooks. Clique num dos Links a seguir para fazer o download dos utilitários KINDLE ou STANZA.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Será que os eBooks, livros electrónicos, vão substituir os livros de papel?


Talvez não duma forma tão drástica como o CD substituiu as cassetes (o que é isso de cassetes? perguntam os leitores mais jovens) mas que daqui a alguns anos, se calhar não muitos, o eBook vai ser a forma mais corrente de ler livros, não duvide. Como hoje usamos o telemóvel, o multibanco, ou uma série de outras traquitanas, que às vezes só complicam.

Claro que continuo a gostar de ler livros em papel, mas também gosto da ideia de meter alguns milhares de livros num dispositivo com pouco mais de 200 gramas que se transporta facilmente no bolso, escolher o tamanho da letra, consultar o dicionário na própria página que estou a ler, ter links como na Internet, escrever uma anotação sem ter de encolher a letra, sublinhar o texto, e depois em qualquer altura apagar as notas e sublinhados sem que fique qualquer vestígio, fazer marcas sem dobrar as páginas, ou consultar o índice, ou as notas, com um simples toque, e voltar à página que estou a ler, com outro.

Se acha isto interessante, e como em tempo de crise é sempre bom pensar duas vezes antes de gastar, sugiro que comece por experimentar um programa, grátis, que lhe permita ler eBooks no seu computador, como o KINDLE ou o STANZA, e só depois, se achar que vale mesmo a pena, dar o passo seguinte, dizer adeus a 139.99 euros, mais coisa menos coisa, e experimentar the real thing.

E livros para ler como é? Aí tenho boas e más noticias. As más são que a generalidade dos eBooks custam, escandalosamente, quase o mesmo que os livros em papel, e que em Português a oferta por enquanto é muitíssimo reduzida. As boas noticias são que em Inglês tem muito por onde escolher, que consegue encontrar eBooks que são autenticas pechinchas (por exemplo as obras completas de Charles Dickens, 60 volumes, por menos de 5 euros), além de muitos outros completamente à borla.

Amanhã num post a assinalar uma efeméride (assim à primeira está a lembrar-se de alguém nascido a 5 de Maio?), deixo-lhe aqui os links para fazer o download de alguns eBooks grátis onde, garanto, poderá aprender alguma coisa de útil para os tempos que correm.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou



Diz o multifacetado Canas - deputado do PS, Defensor do Trabalho Precário, e porta voz do Governo - que as cartas do PSD, já lá vão 5, são ridículas. Afinal, como nos disse o Poeta, não serão todas as cartas de amor ridículas?

Mas não fiquem preocupados, pois como no outro Namoro, de Viriato da Cruz, mesmo que comece por dizer NÃO, depois dumas quantas peripécias para apimentar a coisa, a outra parte acaba sempre por dar o SIM.

Foto com Legenda a Condizer

Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), parece querer dizer-nos:
- Vocês estão mal e sem dinheiro, estão chateados com o FMI, com a UE, com o BCE, dizem que também sou responsável por isso, mas que culpa tenho eu de estar vivo e bem instalado?

NOTA - A foto é do DIÁRIO DE NOTÍCIAS mas a legenda é minha.

E não se arranja por aí um gajo de barbas, já morto há alguns anos, para Sócrates atirar ao mar, e dar-lhe uma ajuda a subir nas sondagens?


Acham que este serve?

domingo, 1 de maio de 2011

E O VOTO DO POVO, PÁ?
BE quer discutir pacote da Troika com o actual Governo.


Que há por aí muita gente que defende que primeiro tomam-se as decisões, depois fazem-se as eleições, já tinha dado por isso, e para falar verdade, vindo de quem vem, nem sequer me admira muito.

Mas que venha agora o BE, a um mês das eleições, dizer que quer discutir a proposta de resgate com este Governo de saída, num "encontro, a ocorrer entre o conhecimento da proposta política que sustenta o acordo de resgate e os momentos previstos para estabelecer compromissos que vinculem Portugal na ordem externa, e na União Europeia”, já me deixa a pensar em qual o real alcance desta iniciativa.

Não lhes parece que faz mais sentido exigir que o Governo esclareça, o mais rápido possível, qual o conteúdo do plano que está a ajudar a Troika a parir, para que o Povo, pá, possa dizer de sua justiça no próximo 5 de Junho?

JOÃO PAULO II A CAMINHO DA SANTIDADE, DIZ A RTP
(provavelmente na companhia do amigo Pinochet, digo eu)


Tirado do comentário de Fernando Torres, que dá um bom post para esta imagem:

"Aproveitando a beatificação do Papa João Paulo II, não seria despropositado lembrar que o pontífice não teve qualquer preconceito em assomar às janelas do tristemente célebre Palácio de La Moneda, em Santiago, ao lado do monstro Augusto Pinochet, aquando da sua visita “apostólica” ao Chile em 1987, como o documenta a imagem.

Como o recordou o escritor Gabriel García Márquez, depois de ter levado a cabo o derrube do governo de Salvador Allende, em Setembro de 1973, com o apoio da CIA, a contabilidade das atrocidades cometidas por Pinochet, só nos primeiros 4 meses de ditadura, saldaram-se no assassínio de perto de 20.000 pessoas, no sequestro de 30.000 prisioneiros políticos, submetidos às mais variadas sevícias e selváticas torturas, na expulsão das escolas de 25.000 estudantes e no despedimento compulsivo de 200.000 trabalhadores.

A este cenário falta acrescentar um pormenor tenebroso, do domínio do absurdo, aliás, uma autêntica aberração: ainda antes da morte do monstro, em 2006, começaram a aparecer em muitos lares dos bairros pobres de Santiago do Chile, pequenos altares domésticos com a fotografia do "santo" Augusto Pinochet, o carrasco dos pobres, permanentemente alumiada e incensada, onde se reza com devoção pela sua "canonização", e se pede a sua intervenção divina, bem como fotos iguais à deste post, a cumprirem a sua função de ícone, em que o monstro exibe o seu conselheiro espiritual, durante a visita atrás referida. Quando pela primeira vez vi a reportagem em que isto foi divulgado, não acreditei e pensei que estava a ver um filme de ficção."

DOIS 1º DE MAIO EM MOSCAVIDE


Em 1970 o Partido Comunista Português, o Partido, decidiu chamar os trabalhadores a assinalar o 1º de Maio com jornadas de luta em várias, muitas, localidades do País. Moscavide foi uma delas, e no dia 1 de Maio, muito antes da hora da saída das fábricas (nesses tempos sombrios obviamente não era feriado) estava já ocupada por uma força da policia de choque e de pides empenhados em evitar qualquer protesto.

Objectivo frustrado, pois por volta das 7 da tarde, à palavra de ordem Viva a Classe Operária, Viva o 1º de Maio, um grupo que de repente se transformou em pequena multidão, consegue arrancar da rua João Pinto Ribeiro (frente à então chamada paragem dos autocarros) e avançar pela Avenida de Moscavide antes que a policia tivesse tempo de os impedir. Aquilo que estavam ali para evitar, estava mesmo a acontecer, pelo que só lhes restava passar rapidamente ao plano B: apanhar os "cabecilhas" e descarregar porrada da grossa sobre tudo o que mexesse.

E, com o povo a recusar sair das ruas, porrada distribuíram até a noite ir já adiantada: manifestantes, passantes, homens e mulheres, novos e velhos, até um vizinho cego que regressava pacificamente a casa do seu emprego de telefonista. Escaparam os mais ligeiros, e os que lá não estavam.

O José Gouveia, que tinha sido candidato pela CDE nas "eleições" do Outono anterior (1969), e já levava duas prisões pela pide, foi ali preso pela terceira vez. Sobre ele, que desfilava na 1ª fila, caiu quase tudo o que era pide e policia, concentração de esforços que acabou por ajudar a evitar a prisão de outros "alvos".

Com pequenas escaramuças e muitas correrias, empurrão aqui finta acolá (uma rasteira a um policia que estava quase a apanhar o Manuel Candeias do Sindicato dos Metalúrgicos, atirou ao chão o policia, mais aos outros que vinham atrás dele), a esta distância pode parecer estranho, mas da decerto bem recheada lista de gente a prender, não conseguiram, nesse dia, apanhar mais ninguém.

Outro 1º de Maio, pacifico e festivo, teve lugar quatro anos mais tarde, na manhã do dia 1 de Maio de 1974, no campo de futebol do Olivais e Moscavide. Para a história fica que foi nesse comício (num espaço, que à época era maior, quase cheio, e oradores gente da terra), que foi proposta e aprovada por aclamação a indicação do José Gouveia para a Câmara de Loures e de alguns outros democratas para a Junta de freguesia de Moscavide.

À tarde foi tudo para a grande, a enorme Festa que ficou conhecida como o Primeiro 1º de Maio em Liberdade, embora em rigor, para o pessoal de Moscavide fosse a segunda comemoração desse dia 1 de Maio que todos os que o viveram jamais esquecerão.