
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
RECEITA DAS 47 "PERSONALIDADES"
Primeiro tomam-se as decisões, depois fazem-se as eleições.

Com um antigo ministro das colónias dum Governo de Salazar a encabeçar a lista, uma espécie de brigada do reumático apresentou hoje uma solução original para resolver a Crise. Primeiro eles, os que andam há mais de 30 anos a lixar isto, decidem. Depois votamos nós, não se sabe bem para quê, talvez para escolher entre o srs. José Dupont e Pedro Dupond, ou os dois pelo preço dum.
Querem as 47 personalidades "um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos" (que porra de cinismo porque não dizem logo PS e PSD), para a "execução dum plano de acção imediato" (antes das eleições, obviamente), que "evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral" garanta um "clima de tranquilidade (que) não está neste momento assegurado" (nunca se sabe o que pode acontecer se o pessoal se aperceber do caldinho que lhe estão a preparar), "deve permitir ao Governo (...) assumir inadiáveis compromissos externos" (outro PEC revisto e aumentado, que satisfaça todas as exigências da UE, FMI e banqueiros), numa "perspectiva de médio e longo/prazo" (até que a morte nos separe).
Com todas as letras e maior descaramento, aqui temos mais uma proposta de suspensão prolongada da pouca Democracia que ainda por aqui resta. Pela minha parte podem as 47 personalidades enrolar o documento num canudinho e fazer a fineza de o enfiar no orifício que lhes der mais jeito.
CONGRESSO DO PS
Estão dispensados, podem aproveitar o fim de semana, o chefe já disse que a única coisa que quer é saber se estão todos com ele.
"Eu só preciso de saber uma coisa neste Congressos, e só preciso duma resposta vossa. Está o Partido Socialista comigo? Estão comigo todos os socialistas? Está comigo todo o Partido Socialista?" Sócrates na intervenção inicial do Congresso do PS (ver ao minuto 53 do vídeo).
E será que está mesmo com ele todo o Partido Socialista? Bom, acho que, por enquanto, pelo menos os boys estão.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
ELEIÇÕES: ESTÁ TUDO EM ABERTO
O que dizem que as sondagens dizem, e o que realmente dizem as sondagens.

Correspondendo ao natural desejo que todos temos de tentar adivinhar aquilo que nos espera, as sondagens, não obstante os sucessivos fiascos entre aquilo que anunciam e o que depois acontece, são sempre objecto da habitual atenção que acabamos por lhes dispensar.
Por cá, para além de usarem métodos que sistematicamente empolam os resultados do PS e PSD, e subestimam os dos outros partidos, são cada vez mais usadas como forma de manipulação do eleitorado, extrapolando os números reais de forma a dar a entender que a coisa já está resolvida a favor dos partidos do costume, que gozariam dum apoio que de facto não têm, e que ao eleitor mais não resta do que submeter-se à realidade que elas anunciam, devendo cada um acomodar-se àquilo que lhe parecer o mal menor.
Vejamos por exemplo a última sondagem da Católica que dizem que diz que 39% iriam votar no PSD e 33% no PS, ou seja que os partidos do centrão têm entre si 72% (até parece que os portugueses apoiariam incondicionalmente os partidos que nos meteram neste buraco). Vai-se a ver os números reais e não é bem assim, nem nada parecido, aquelas percentagens são apenas um supônhamos de quem apresenta os números, e não aquilo que o pessoal disse.
O que os inquiridos da sondagem realmente dizem é que 16% vão votar no PSD e 13% no PS, o que está longe como o caraças dos 39 e 33% que nos apresentam nos títulos dos jornais ou nos quadros coloridos das notícias da TV.
Por outro lado, os números reais da sondagem dizem também que o conjunto dos 5 partidos recebe intenções de voto que somadas atingem apenas 38%, ou seja 62% dos inquiridos, a 2 meses das eleições, ainda não decidiram em quem vão votar, ou se vão sequer lá pôr o papelinho.
Com a crise que nos está a pôr de pantanas e cerca de 2/3 do eleitorado ainda sem uma intenção de voto definida, mesmo que também seja dos que acham que isto não vai lá com eleições, diga lá se estas não podiam, ou podem, ser as eleições mais interessantes dos últimos 35 anos ?
O Que Parece É!
«A Bolsa de Lisboa estava entre as que mais valorizavam hoje [ontem] de manhã na Europa, puxada pelas acções do sector bancário, cujas cotações disparavam após o anúncio ontem de que Portugal pediu ajuda financeira à União Europeia. (...) As acções do BES valorizavam 5,75 por cento, as do BCP 4,41 por cento, as do BPI 4,32 por cento e as do BANIF 3,09 por cento (...)» Excerto da notícia do jornal PÚBLICO (suplemento Economia) de 7 de Abril de 2011
Meu comentário: Os senhores presidentes dos 5 MAGNÍFICOS BANCOS e os seus senhores accionistas, estão de parabens.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Passageiro Frequente
NO CURTO período de 37 anos, esta é a terceira vez que o país recorre ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Considerando os habituais padrões de classificação dos clientes, Portugal devia passar a ser considerado "passageiro" frequente, com acesso a condições especiais de tratamento e direito a descontos.
CARTEL DOS BANCOS
Será que Autoridade da Concorrência vai usar o mesmo rigor que mostrou com o "peixe miúdo" do Cartel do Sal?
Quatro empresas de refinação e distribuição de sal, entaladas pelos preços que lhes eram impostos pelas grandes empresas suas clientes uniram-se para garantir preços que lhes pareceram mais razoáveis.
Aí a Autoridade da Concorrência acordou da profunda letargia em que vegeta desde a sua criação, como o estimado leitor pode constatar diariamente numa bomba de gasolina perto de si, e para justificar a sua apagada existência aplica as devidas multas e leva o chamado Cartel do Sal a tribunal, dado o que, e para recuperar da intensa trabalheira, volta a entrar no seu estado normal de hibernação.
A desculpa que a Autoridade da Concorrência dá para a sua inoperância, de não ter elementos que lhe permitam actuar mais vezes, é de certo modo verdadeira, é difícil ter aquilo que não se procura, e no que toca à alegada Autoridade o esforço vai todo no sentido de nada procurar e de ainda menos tentar saber.
Agora que veio a público que os bancos se reuniram no Banco de Portugal para anunciar em conjunto que vão deixar de comprar Dívida do Estado, será que a Autoridade da Concorrência vai usar com os tubarões do CARTEL DOS BANCOS o mesmo rigor que mostrou contra o peixe miúdo do Cartel do Sal? Ná, não me parece, a minha curiosidade fica-se para ver qual será a desculpa que a Autoridade vai parir para, mais uma, vez nada fazer.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA
Não sou escriba assíduo, mas como a minha conta ainda está aberta vou fazer uso dela, reproduzindo aqui um comentário que deixei num blog, dos muito que por estes dias têm comentado a reunião de sexta-feira entre o PCP e o BE.
"Há uma graçola, anti-semita na sua génese, que eu recauchuto para a situação em que a esquerda vai vivendo. Num debate sobre a falta de entendimento entre as várias matrizes de esquerda, um camarada afirma: – Onde há duas pessoas de esquerda há três opiniões, duas das quais inconciliáveis. A afirmação é emendada por outro que diz: – Eu acredito que onde há três pessoas de esquerda existem pelo menos cinco opiniões, três inconciliáveis, uma contraditória e outra intolerável!
Por mais anedótico que possa parecer, muitas vezes encaixamo-nos nesta caricatura.
As nossas diferenças de opinião são incomensuravelmente em menor número e qualidade que as nossas concordâncias.
Qualquer entendimento não implica um acordo entre iguais.
As diferenças entre aqueles que celebram um entendimento, seja lá qual for a forma que o mesmo assuma, pode ser uma vantagem em vez de um óbice.
As estratégias próprias de afirmação dessas diferenças são legítimas e não inviabilizam o estabelecimento de compromissos entre o quer que seja semelhante.
O corolário disto é que, ainda que nem todas, MUITAS DAS DIFERENÇAS SÃO MANIFESTAÇÕES CARICATURAIS, ESTUPIDAMENTE CULTIVADAS POR AMBAS AS PARTES, POUCO OU NADA REFERENCIADAS À REALIDADE, MAS QUE SE CONSTITUEM COMO REAIS ENTRAVES AO ENTENDIMENTO.
Pessoalmente fiquei profundamente satisfeito com as notícias do diálogo e não o vou torpedear de modo nenhum, nem pelo menosprezo, nem pelo empolamento da expectativa. Concordando com o Jerónimo de Sousa, também eu entendo que estamos no início de um processo, sem fim definido. E agora digo eu, perante o qual poderemos escolher acalentar ou sabotar.
ELES é que MANDAM!
«Portugal não tem alternativa senão solicitar já um empréstimo intercalar de curto prazo, que permita financiar a economia até à tomada de posse do próximo governo. Se não for pedido um empréstimo intercalar, a solvência da República correrá risco.»Declaração de Ricardo Salgado, presidente do BES, numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI, conduzida por Judite de Sousa.
Afinal quem é que empresta dinheiro, e quem é que vende castanhas assadas?

Depois dos banqueiros virem dizer que não emprestam mais dinheiro ao Estado português, as notícias que agora surgem de que os banqueiros querem que o Governo peça já um empréstimo externo de 10 mil milhões de euros, assim pondo o Governo a fazer o trabalho dos bancos e os banqueiros a definir as politicas do país, fazem-me lembrar uma estória dum tempo em que os papéis sociais não tão eram facilmente subvertidos, cabendo aos bancos emprestar dinheiro e aos vendedores ambulantes vender castanhas assadas.
Então é assim: um fulano encontra um amigo a vender castanhas à porta dum banco, e depois de alguma conversa mole, apercebendo-se que a vida lhe está a correr bem, tenta cravá-lo com 50 euros emprestados. Aí o amigo responde-lhe que em principio isso nem era problema, a vida estava-lhe a correr bem, e até tinha na carteira muito mais do que isso; o problema é que para estar ali à porta do banco a vender castanhas, o que era de facto um excelente lugar para o negócio, teve de entrar num acordo com o banco em que, dum lado ele se comprometia a não emprestar dinheiro, e do outro o banco estava proibido de vender castanhas assadas.
terça-feira, 5 de abril de 2011
PARA QUÊ UM ENTENDIMENTO PCP - BE?
Se for para substituir esta austeridade por outra mais fofa, ou patriótica, não contem comigo.
Como muitos dos passageiros a bombordo que partilham o sentimento da importância dum entendimento das esquerdas, tenho acompanhado com interesse e simpatia a actual discussão na blogosfera e comunicação social sobre as vantagens eleitorais duma aproximação PCP - BE. Mas a receptividade a este tipo de iniciativas não nos deve coibir, antes deve obrigar-nos, a tentar perceber para que querem que sirva, ou para que poderá servir, essa aproximação.
Falhada a campanha Alegre, alguns conhecidos quadros sociais democratas do BE decidiram apanhar a boleia das tendências que dentro do seu partido defendem um entendimento com o PCP, e a aspiração sempre presente entre a malta canhota à unidade da esquerda, para lançar na comunicação social e blogosfera, uma onda de fundo que visa convencer o eleitorado daquelas áreas das delícias de "usar a sua força em funções executivas".
Não acreditando os apoiantes da ideia na viabilidade, ou vantagem, duma coligação eleitoral, a ideia mais falada é a apresentação duma plataforma eleitoral mínima a subscrever pelo PCP, BE, e outras organizações e cidadãos, onde se apontassem as condições para o apoio à constituição pós eleições dum Governo de centro-esquerda liderado pelo PS.
Embora se apresente com o objectivo de credibilizar as propostas eleitorais dos partidos mais à esquerda, a consequência mais provável da iniciativa seria dar credibilidade a este desgastado PS nas eleições que se aproximam, apresentado-o como uma alternativa, um cavaleiro branco capaz de resgatar os trabalhadores e outras forças progressistas das garras do bloco neo liberal e conservador PSD - CDS. Isto sem qualquer compromisso do PS de aceitar toda ou parte dessa plataforma, ficando portanto com as mãos livres para depois das eleições adoptar as políticas e escolher os parceiros que lhe permitissem continuar a impor as desgraçadas medidas que forçam os trabalhadores a pagar uma Crise para que nada contribuíram.
Se é isto, dar um novo fôlego ao PS, que Louçã também defende, ou se é algo completamente diferente, é bom que o diga de modo que todos possamos entender. Já quanto ao PCP, apesar dos devaneios patrióticos, acho que nem a mente mais imaginativa estará a conceber que alguma vez iria aceitar umas hipotéticas funções executivas em troca da promoção da paz social, dispondo-se a ser usado como travão do actual processo de radicalização em curso (da classe operária tradicional à geração à rasca) que começa a colocar sérios problemas à continuação das políticas de austeridade, venham elas no futuro próximo do PS, do PSD, ou dos dois, (ou três para dar oportunidade ao Paulo de desta vez comprar um porta aviões).
Se na reunião da próxima 6ª feira, PCP e BE, em vez de se ocuparem a falar das fantasias eleitoralistas do mediático Oliveira, procurarem formas de entendimento e cooperação para que as eleições que aí vêm sejam mais uma oportunidade de chamar à luta todos os que, com maior ou menor consciência disso, têm como interesse vital a construção dum projecto de transformação que ponha a economia ao serviço das pessoas (e não da competitividade e do lucro) e exija que a democracia não seja, como agora, apenas um conjunto de práticas formais, sem conteúdo nem alcance prático na condução dos destinos colectivos; então o povo de esquerda, mais tarde ou mais cedo (mais cedo do que tarde, digo eu), agradecerá.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Recortes e Rascunhos (3)
O PCP decidiu hoje ir a votos em coligação com o PEV e expressou a expectativa de que as eleições permitam a «formação de um governo patriótico e de esquerda», aberto ao BE mas não ao PS de Sócrates.
«Um governo cuja viabilidade e apoio político e institucional está nas mãos do povo português com a sua posição, a sua luta e o seu voto», declarou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, no final da reunião do Comité Central.
O órgão máximo do PCP entre congressos considerou hoje que a formação de um «governo patriótico e de esquerda» é um «imperativo inadiável» e recusou a ideia de um «governo de salvação nacional» constituído pelo PS, PSD e CDS-PP, «aqueles que têm enterrado e querem continuar a enterrar o país».
Questionado sobre se na perspetiva do PCP um governo «patriótico e de esquerda» inclui o BE, o secretário-geral comunista afirmou que «os patriotas e as pessoas sérias não estão só no PCP».
«Há muitos homens e mulheres, portugueses preocupados com o futuro do país, que procuram dar uma contribuição para travar este rumo. Em relação ao BE, é preciso que clarifique os seus objetivos, mas não temos nenhum preconceito em considerar que existam portugueses também preocupados com a situação, dispostos a fazer um esforço para esse governo patriótico e de esquerda», afirmou. Quanto ao PS, Jerónimo de Sousa frisou que o secretário-geral do PS, José Sócrates, já se afirmou disposto «a trilhar o mesmo caminho» das medidas de austeridade e dos PEC.
(…)
Para Jerónimo de Sousa, um «governo patriótico e de esquerda» seria a verdadeira «alternativa política» para o país, que «não pode ficar condenado» ao «governo do arco-da-velha política», disse, referindo-se às propostas para um Governo PS, PSD e CDS-PP. Uma política alternativa deverá apostar «na renegociação da dívida, na diversificação das fontes de financiamento e das relações económicas».
Jerónimo de Sousa insistiu que a chamada «ajuda do FMI» não é uma ajuda, é um «perigo» para a soberania, direitos sociais, sector público, para o emprego e para os salários.
Excertos da notícia do Semanário SOL on-line de 4 de Abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
ESTAMOS SAFOS!
Cavaco negoceia dívida à taxa Euribor mais 0,5% de spread.

Depois de Teixeira dos Santos ter declarado que "O Governo não é a entidade em melhores condições para pedir ajuda externa", Cavaco tirou-se das suas tamanquinhas e para não ficar de novo a ver navios, numa jogada de mestre ao nível do negócio das acções do BPN, acordou com o Banco do Vaticano um empréstimo no montante de 375 mil milhões de euros (suficiente para fazer face a todos os compromissos do país nos próximos 4 anos) à taxa Euribor a 12 meses (média em Março 1,924%) mais 0,5% de spread, o que é uma diferença do caraças das taxas de 9,7% que o Teixeira já nos está a fazer pagar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



