segunda-feira, 28 de março de 2011

Um Político em Construção, Outro em Reconstrução

DEPOIS dos fazedores de factos políticos, era inevitável que aparecessem os fazedores de líderes políticos. Ainda as eleições vêm longe e já a comunicação social, com o apoio dos especialistas e comentadores do costume, e mais umas quantas piruetas e manobrismos de se tirar o chapéu, vai dando como certo (logo condicionando a opinião pública) que Passos Coelho, será fatalmente o futuro primeiro-ministro de Portugal, quer chova ou faça sol.

Entretanto, o demissionário José Sócrates, depois de ter regressado de Bruxelas da sua sessão de queixumes e vitimização, e ter ganho as eleições internas no PS, com uma percentagem albanesa de 93,3%, enche o peito e prepara-se para a fase de reconstrução da sua credibilidade. Está em pulgas para voltar a dispor de tempo de antena para contestar as cogitações proto-governativas do senhor Coelho, mergulhando de cabeça no seu ambiente predilecto, para vociferar, exibir-se, brandir sucessos imaginários, acusar todos, desculpar-se com os outros e mentir ao desbarato com a maior das naturalidades. Razão terá tido alguém, quando afirmou que Sócrates está com pancada, e que devia ser internado, ou pelo menos, sugiro eu, fazer alguns tratamentos, porque não.

A verdade é que durante a campanha eleitoral que se aproxima, a esquerda vai ter que recorrer a muita imaginação para contornar e furtar-se à invisibilidade que esta fixação da comunicação social portuguesa vai adoptar, concentrada e polarizada à volta desta parelha Dupont & Dupont, um deles o político em construção, dizendo que “não há nada como um PEC bem temperado e guisado”, ao passo que o outro, em trabalhos de reconstrução, responderá de cenho carregado: “… e direi mais, não há nada como um PEC bem condimentado e refogado…”.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Degradante

OS LÍDERES presentes na cimeira da União Europeia beijocaram, apaparicaram e lastimaram o primeiro-ministro demissionário José Sócrates, ao mesmo tempo que louvaram a sua coragem indómita, na defesa do PEC IV e da sustentabilidade do Euro, e ele ia fazendo queixinhas, a chorar-se e a questionar-se "como foi possível fazerem isto ao país", sabendo que quem provocou a situação foi ele próprio, porque perdeu o controlo da situação. Devia ter alguma vergonha na cara (coisa pouco provável), não só pelo que fez e o que disse, mas também por ter aceite que a “patroa” Merkel tenha ameaçado o Governo, bem como a oposição, de que devem tornar claro, publicamente (registem bem!), que medidas propõem implementar, para que os mesmos objectivos do PEC chumbado, sejam atingidos, embora de forma diferente. Como se Portugal não passasse de uma região ou de um protectorado, sem soberania, apenas um “pau mandado”... Com esta União Europeia - porque já sabemos o que a casa gasta - já não exijo muito, apenas que os seus membros e as suas instâncias, com ou sem Sócrates a fazer de “ponto”, deviam manter uma respeitável distância, em relação às decisões emanadas dos Órgãos de Soberania portugueses.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A ILUSÃO DE QUE ISTO VAI LÁ COM ELEIÇÕES...
(ou de que há alternativas no quadro do Sistema)

Felizmente acho que não estou muito sozinho, e que até há cada vez mais por aí quem já assuma que, no quadro deste Sistema, não há maneira de dar a volta a isto. O compromisso que na Europa esteve na base do Estado Social está morto e enterrado, e Ensino Público, Serviço Nacional de Saúde, Pensões, Prestações Sociais e Direitos Sindicais, há muito que teriam sido definitivamente enviados para o caixote do lixo não fora a resistência popular e das organizações dos trabalhadores (nomeadamente dos sindicatos e partidos que ainda merecem a designação de esquerda).

Os tempos são deste Capitalismo neoliberal assente na exploração da mão de obra barata e sem direitos e na especulação financeira, parasita do Estado, globalizado e sem réstia de controlo democrático que, desde meados dos anos setenta como resposta à Crise 73 (é de facto uma chatice mas ainda ninguém inventou um Capitalismo assim tipo sem Crises), nos trouxe a grande velocidade, e maior desgraça, à situação que estamos com ela.


A Crise de 2008 poderia, como aconteceu por vezes no passado, ter sido um ponto de viragem na procura de um novo modelo para a sobrevivência do big C, mas sem adversário que o pudesse contestar, ou que pelo menos fosse necessário aplacar, a solução foi mais do mesmo, toca a canibalizar o que ainda resta por aí, apertar a tarraxa ao pessoal, e nem vale a pena estar a pensar onde isto tudo nos vai levar... de qualquer modo a longo prazo estamos todos mortos.

É certo que até posso ter alguma simpatia pelas boas almas que defendem fazer PECs menos piores, ou que ainda pensam que a tarefa da social democracia (socialismo) pode ser algo de diferente do seu destino histórico de side kick do Capitalismo e, como muitos outros também vou por aí participando em cenas que no fundo são como o Melhoral (não fazem bem nem mal), mas em boa verdade o que acho mesmo é que quanto mais tarde encararmos de frente a realidade, pior.


E uma questão chave desta realidade é que a classe operária tradicional, para além dos efeitos da inevitável evolução da sociedade, foi em boa parte exportada para as chinas de baixos salários e menores direitos, e por cá, por Portugal e Europa, é uma sombra do que foi, já sem condições de, como o fez em diversas circunstâncias e lugares no século passado, liderar o necessário processo de transformação social e política.

Contudo, ao menos pelas nossas bandas, ainda é quem reúne melhores condições, assim as queira potenciar, para ser o esteio dum bloco alargado de trabalhadores assalariados (operárias têxteis do vale do Ave, trabalhadores da indústria automóvel, precários de call centers, bolseiros do sistema cientifico, operadoras de caixa e repositores de supermercados, professores, boa parte das ex-profissões liberais, etc. etc.) objectivamente interessados em pôr um ponto final a este descalabro neoliberal sem presente nem futuro.

O que nesta altura faz falta, além de animar a malta, é, ao contrário do que aconteceu nas presidenciais, olhar para as eleições que aí vêm como mais uma oportunidade de chamar à luta todos os que, com maior ou menor consciência disso, têm como interesse vital a construção dum projecto de transformação que ponha a economia ao serviço das pessoas (e não da competição e do lucro) e exija que a democracia não seja, como agora, apenas um conjunto de práticas formais, sem conteúdo nem alcance prático na condução dos destinos colectivos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

ABAIXO O PEC E MAIS QUEM O APOIAR
Eu sei que o Euro 2012 é só para o ano, mas hoje temos um motivo ainda melhor para acenar a bandeira.


Apre, Custou mas Foi-se!

ANTECIPADAMENTE sabedor do veredicto que iria recair sobre o seu famigerado PEC IV, José Sócrates, primeiro-ministro, 15 minutos depois de entrar na Assembleia da República, abandonou os trabalhos, manifestando assim o mais profundo e insolente desprezo por aquele Órgão de Soberania da República. Do primeiro ao último dia, continuou igual a si próprio, isto é, grosseiro e aviltante. Felizmente saiu, para não mais voltar (por agora). Apesar de algumas entorses, a democracia continua a a funcionar, a ter vitalidade e a ter soluções.

Si non è vero, è bene trovato...
Chavez diz que o capitalismo pode ter acabado com a vida em Marte.


terça-feira, 22 de março de 2011

ESTE SÓ APITA PARA PENALTY DEPOIS DO JOGO ACABAR.


Antes do KO a Sócrates, PSD explica aos "mercados" que não está contra os PECs... apenas os quer bem desenhados e menos limitados.


Depois duma semana a esbracejar contra a "falta de maneiras" do PS na apresentação do PEC IV, o PSD resolve dar cheque mate a Sócrates, mas antes, num comunicado em Inglês para sossegar os "mercados", "esclarece que o partido continua comprometido com as metas de redução do défice (3% em 2012 e 2% em 2013)" mas que “não pode apoiar” as novas medidas anunciadas pelo Governo para lá chegar, devido à sua “provável aplicação limitada e ineficaz”, por isso defende "um programa bem desenhado de consolidação orçamental e de reformas económicas”, certamente de acordo com o "risco" da proposta de Constituição apresentada o ano passado.

domingo, 20 de março de 2011

Poder pelo Poder

HÁ UMA doutrina que diz que o difícil não é conquistar o poder, mas sim saber conservá-lo. Depois de nos empenharmos em conservá-lo, há uma grande diferença entre ter o poder pelo poder, e usar o poder para governar. Para conservar o poder pelo poder, o comediante José Sócrates, ao tentar convencer-nos que é um iluminado, um predestinado, que me lembre, é a única pessoa que conheço que não olha a meios, para dizer o maior número possível de mentiras, por cada metro cúbico de ar que respira. Não sabe ou esqueceu-se, que se pode enganar uma pessoa todo o tempo, algumas por algum tempo, mas não se consegue enganar todas por todo o tempo.

ACORDA, VEM VER A LUA
Esta noite a apenas 356 mil quilómetros



"Hoje à noite teremos uma Lua cheia muito especial, não apenas por ser a maior dos últimos 18 anos, mas também porque neste século só haverá 20 super-luas cheias semelhantes a esta. É uma oportunidade única para passarmos a noite em branco."

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar

As asas da noite que surge
E corre no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na no espaço profundo
Querida, és linda e meiga
Sentir teu calor e sonhar

Heitor Vila-lobos / Dora Vasconcelos



sábado, 19 de março de 2011

Ideias com Esperança

No romance O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS diz-se que “nove meses é o tempo que se leva a morrer, tantos quantos os que andámos na barriga das nossas mães". Façamos de conta que não se passaram nove meses, nem os 14 anos de idade que tem o texto abaixo transcrito, e que o autor ainda está vivo e a dizer coisas.

«(…) Perguntaram-me pela democracia, e eu respondi-lhes que a democracia, tal como a estamos vivendo, é uma mentirosa falácia, que não se pode falar de democracia quando sabemos que os governos, resultando de actos eleitorais democráticos, logo se tornam em meros mandatários do único poder real real e efectivo, que é o das corporações económicas e financeiras transnacionais. Também me perguntaram pelo comunismo, e eu respondi-lhes que o socialismo não se pode construir nem contra os cidadãos nem sem os cidadãos, e que por isto não ter sido entendido é que a esquerda é hoje um campo de ruínas onde, apesar de tudo, uns quantos ainda teimam em buscar e colar fragmentos das velhas ideias com a esperança de poderem criar algo novo… “Irão consegui-lo?”, perguntaram-me, e eu respondi: “Sim, um dia, mas eu já cá não estarei para ver…”»

Excerto do registo de 2 de Agosto de 1997 de José Saramago in Cadernos de Lanzarote – Diário V

Meu comentário: Foi inaugurada a 18 de Março de 2011 a “Casa” de José Saramago, em Tias, Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha, e por muito que me esforçasse, lamentavelmente, não vi uma única referência ao acontecimento nas nossas televisões. Com isto, confirma-se que nove meses é o tempo que se leva a esquecer quem morreu.

HOJE HÁ MANIF

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sócrates Filósofo

«Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, passaria a ser honesto, apenas por desonestidade

Sócrates (filósofo grego – 469 - 399 a.C)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Já reparou que dizer Ultramar, sem nada fazer para recuperar para Portugal as ex-colónias, não tem nada de patriótico?


Referir as antigas colónias por Ultramar, como faz Cavaco, é partir do principio que eram territórios que faziam parte integrante da nação portuguesa, e se eram parte de Portugal continuam a ser ("a pátria é una e indivisível", "a pátria não se vende"), estando agora ilegitimamente ocupados por forças estrangeiras.

Portanto, os que se referem às ex-colónias como Ultramar, para serem coerentes, deviam lutar por todos os meios ao seu alcance para refazer as "antigas fronteiras", incluindo pegar numa canhota e ir para as picadas combater os "turras".

Se acham que é Ultramar e nada fazem para corrigir esse "crime de lesa-pátria", isso só revela a sua falta de patriotismo ou de coragem, ou as duas coisas.