sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sopra Outro Vento

SOPRA um vento novo para os lados do norte de África. Tunísia e Egipto despertaram e já respiram, ao passo que outros ensaiam seguir os mesmos passos, de Damasco a Agadir. Os povos erguem-se, enfrentam os regimes autoritários, e decidem tomar o futuro nas suas mãos. A terra treme, os vilões recuam e cedem, o mundo está mesmo a mudar, e nada será como dantes. O problema está agora em saber o que virá a seguir, e se a generosidade e vitalidade populares não irão esmorecer, ou serem abafadas com as receitas dos aventureiros do costume.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MOÇÃO DE CENSURA DO BE
Quando a realidade ultrapassa a mais delirante ficção.


Um post meio delirante com o sugestivo título "BE reune Mesa Nacional para decidir se vota a favor da sua própria Moção de Censura", é levado a sério por alguns leitores a quem provavelmente daqueles lados já nada os espanta.

Já genuinamente espantado tem de se confessar este escriba depois de ouvir há bocado num telejornal o líder parlamentar do BE, com a maior cara de pau, dizer que afinal a moção de censura, provavelmente de acordo com alguma nova Constituição da República aprovada pelos mesários, é "contra o Governo e o PSD".

Vai-se a ver a posição revelada pelo bloquista Pureza foi mesmo decidida na tal reunião de que nos fala o post. Se o BE vai votar a favor ou contra? Simples. Já ouviu falar no principio de Heisenberg, no gato de Schrondinger?

IR BUSCAR LÃ E SAIR TOSQUIADO
Discursos de Mubarak e Suleiman foram faísca para explosão que os pôs KO.

Pela reabertura dos Museus de Loures ao Domingo

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE
(Começo a considerar a hipótese de haver por aí uma qualquer justiça cósmica)


O meu amigo e vizinho Penim Redondo publicou no seu blog um post onde relata as suas desventuras, ontem, num serviço do SNS. Por uma qualquer coincidência também ontem fui a uma consulta externa do SNS, mais concretamente ao Serviço de Ortopedia do Hospital Curry Cabral, onde tinha consulta marcada para as 9:50.

E é aqui que, comparando o que aconteceu aos dois, eu, defensor confesso do SNS, começo a considerar a hipótese de haver por aí uma qualquer justiça cósmica que leva o SNS a retribuir simpaticamente todo o meu empenho no seu reforço e continuidade.

Enquanto ao Penim o SNS impôs uma seca de mais de duas horas, sem que lhe fosse ao menos possível descortinar o critério por que os utentes eram atendidos, quando ontem cheguei ao hospital por volta das 9:30 fui logo surpreendido por uma amiga que ao consultar as listas de consultas do dia, expostas em local bem visível, tinha lá visto o meu nome e a hora da consulta.

Depois de produzir os merecidos elogios ao médico comum, para ela primeira consulta, estávamos a começar a comparar os respectivos achaques quando tivemos que interromper a conversa às 9:55 pela chamada do meu nome para a consulta, exactamente, é isso mesmo, 5 minutos depois da hora marcada.

(Postado no dia em que o FMI vem defender publicamente a liberalização da Saúde em Portugal)

Jerónimo de Sousa em amena cavaqueira com Kim Il Sung
A foto que faltava para provar o apoio do PCP a ditadores.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cara Ana Benavente, mas então nunca ninguém lhe disse que a social-democracia sempre foi o sidekick do capitalismo?


No Publico de ontem Ana Benavente faz um retrato arrasador do Governo e direcção do PS, destacando, com toda a razão, a sua submissão ao neo liberalismo triunfante no que, digo eu, não passam de mais uns tristes seguidores da dupla Thachter/Blair, e demais discípulos do "socialismo moderno".

No fundo a social democracia dos nossos dias limita-se a prosseguir, de forma revista, aumentada, e actualizada, a sua vocação original e nunca renegada: a fiel defesa e, quando a deixam, cogestão do sistema capitalista.

Agora claro com consequências mais gravosas para os trabalhadores, pois longe vão os tempos em que o capitalismo, confrontado com a pressão do "perigo vermelho", se via na necessidade de aceitar formas mitigadas de concertação social, e pôr de pé e gerir o, agora em processo de desmantelamento, Estado Social.

Mas nunca é tarde para perceber o sarilho em que estamos (quase) todos metidos, e só faço votos para que Ana Benavente, e outros socialistas que ainda lá andem pelo PS se decidam a agir em conformidade com aquilo que muitos deles sentem, e alguns, poucos, já vão dizendo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Trabalhem, Discutam, Analisem em Profundidade, Mas Despachem-se...

NO PASSADO Sábado, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, durante a reunião de Quadros da Organização Regional do Porto, declarou que uma moção de censura ao actual governo é um instrumento de combate político que não está excluído, mesmo que apresentado por outras forças políticas, mas que deve ser usado de forma ponderada, que continua em aberto, muito embora o Comité Central ainda não tenha discutido, nem decidido nada sobre a matéria.
Deixo aqui uma sugestão: trabalhem, discutam, analisem em profundidade, acusem quem tem que ser acusado, peçam a substituição do primeiro-ministro (porque não vale a pena pedir a remodelação do governo), não se precipitem, mas sobretudo despachem-se, porque isto já há muito que passou das marcas, e o abismo está ali mesmo à frente. E não se esqueçam que quem vota à esquerda do PS (partido Sócrates) tem um peso eleitoral de quase 20%, isto sem contar com os descontentes desse mesmo PS, que andam calados há seis anos, e já não sabem para que lado se devem virar.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cuidado Com o Que Ele Diz

"Vejo por aí muitas pessoas que acham que a única resposta que se há-de dar aos problemas é com uma única palavra: privatizar. Temos um problema aqui? Privatizar. Temos um problema ali? Privatizar. Lamento muito, mas não há balas mágicas que possam resolver os problemas do país e muito menos essa".
Estas palavras são da autoria do primeiro-ministro José Sócrates, em defesa do Serviço Nacional de Saúde, e foram proferidas durante a cerimónia de inauguração do novo Hospital Pediátrico de Coimbra. Fica aqui um aviso: Tenham muito cuidado com o que ele diz, sobretudo quando fala em privatizações, porque habitualmente, o que ele quer dizer é exactamente o contrário.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

LIÇÃO DE JORNALISMO NO CAIRO
Onde os alegados jornalistas só perceberam o que se está a passar quando começaram também a levar umas arrochadas.


Quando há dois dias bandos de provocadores irromperam na praça Tahrir armados de paus e apedrejando uma multidão pacifica, onde se viam muitas mulheres e crianças, para os alegados jornalistas que nas nossas TVs comentavam as imagens onde se percebia perfeitamente tratar-se de provocadores, o que se estava a passar era "confrontos entre apoiantes pró e contra Mubarak".

Agora que Mubarak, que quer limpar as ruas de testemunhas incómodas antes de proceder ao massacre geral, deu ordens para os mesmos "apoiantes" intimidarem e agredirem jornalistas e estrangeiros, até os alegados jornalistas do Público perceberam finalmente que se trata de "gangs pró-Mubarak".

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os pobres pensam com a barriga e a sua política é o estômago?


Paulo Granjo no Antropocoiso, a propósito das revoltas nos países árabes, lembra-nos que não, embora esse seja um preconceito comum não só às visões neo-clássicas e neo-liberais, mas também ao marxismo mal digerido de manual de divulgação.

Uma ideia a reter, mesmo para outras latitudes e contextos sociais e políticos.

Cooperação Institucional

CADA VEZ que vejo o José Sócrates a olhar de frente (ou de lado, tanto faz) para o Cavaco Silva, parece que estou a ler-lhes o pensamento:
Sócrates ameaça: - O juizinho é uma coisa muito bonita. Convém não fazer ondas. Olha que tenho na manga os trunfos do BPN e da Coelha...
E Cavaco riposta: O tento na língua também é muito proveitoso. É preciso ter cuidado com aquilo que sei do Freeport , e além disso, tenho para ali uma cópia pirata das escutas do Face Oculta, para o que der e vier...
Se forem estes os pensamentos que têm quando se encontram, pode dizer-se, sem medo de errar, que são estas as verdadeiras bases do entendimento a que chamam “cooperação institucional”...