domingo, 30 de janeiro de 2011

EGIPTO: VAI O POVO CONSEGUIR GANHAR OS MILITARES?


Na timeline dos acontecimentos no Egipto de 30/1 do Guardian:

30/1 às 13.05
Modern US tanks are deployed in Cairo for the first time, confirming rumours that elite troops are being moved to the capital.

30/1 às 14.19
At least 20,000 protesters are in Tahrir square, left, many cheering as fighter jets fly past repeatedly. The crowd chants: 'We will not leave until he leaves.'

30/1 às 18:41
Army tank joins protesters in procession through Alexandria, al-Jazeera reports. The commander of the tank insisted that the army had "no intention of stopping this march".

sábado, 29 de janeiro de 2011

Prendas e Idoneidade

A PROPÓSITO do recebimento de presentes, durante o exercício de determinadas funções, Jorge Sampaio, ex-presidente da República, declarou em tribunal, referindo-se ao acusado José Penedos, arguido no processo Face Oculta, o seguinte: “Há presentes e presentes. Recebi centenas e ninguém pode dizer que influenciaram qualquer das minhas decisões, (…) a maior parte dos presentes são mera cortesia (…) quem é influenciado e afectado por eles, é porque não tem capacidade moral”.
Precisamente porque quem é agraciado com prendas, pode não ter capacidade moral, sendo susceptível de poder vir a ser influenciado, ou ser disso acusado, os presentes (desde as canetas e caixas de robalos, até aos automóveis topo de gama), seja para aferir a capacidade moral, amaciar cumplicidades, premiar ou abrir portas a favores, deveriam ser banidos das relações com pessoas detentoras de poder, e o ex-presidente Sampaio, com tão lamentáveis considerações, deveria abster-se de contribuir para branquear tão pernicioso fenómeno, quando há interesses institucionais pelo meio. Com a idade e a experiência que tem, já devia saber que deixar-se corromper, não é um passo, nem curto, nem longo; depende de se querer mudar de tipo de calçado, e do número que se calça. Não basta dizer que as prendas são atenções dirigidas à função e não à pessoa em si mesma; na verdade, não são um gesto irrelevante, antes cria mais incómodos do que enobrece as relações. Se quisermos que sejam iniciativas de descomprometida gentileza, devemos escolher outras e inócuas circunstâncias e ocasiões, que não possam ser associadas com o exercício de funções.

Qual foi a parte que a Câmara PS de Loures não percebeu? Que o comboio é um meio de transporte pesado ou ...


Depois da castanha legume, a imaginação conceptual/classificativa da Câmara PS de Loures não pára de nos surpreender. Agora é o seu vice-presidente, João Pedro Domingos, que nos vem dizer que "Somos o quinto maior concelho do país e continuamos a ser o único da Área Metropolitana de Lisboa que não é servido por um meio de transporte pesado".

Será que os comboios passaram agora à categoria de ultra leves? Ou o senhor Domingos ainda não se apercebeu que Santa Iria da Azóia, São João da Talha, Bobadela, Sacavém e Moscavide, também fazem parte do concelho de Loures? Que deste lado oriental do concelho com comboio suburbano à porta, ou não muito longe, vive quase dois terços da população do concelho de Loures?

Isto vem a propósito do Programa Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML), cuja proposta de alteração está em discussão pública até segunda-feira, e que é tão mauzinho que até as Câmaras PS se abstêm ou votam contra a proposta do Governo PS, o tal que nas eleições de 2009, acolitado pela Câmara PS de Loures, nos brindou com a promessa, entretanto metida na gaveta, da extensão do Metro a Loures e Sacavém.

E a pergunta que aqui deixo a todos os leitores é: como é possível que alguém que se sai com aquele desconchavo esteja em posição de dar parecer e/ou tomar decisões sobre questões tão importantes da vida deste concelho, de fazer opções que vão afectar, por muitos anos, todos os que aqui vivemos?


Sobre o Metro e mobilidade no concelho de Loures pode ver também:

Metro e interface rodoviário em Moscavide
Melhorar a mobilidade na parte oriental do concelho de Loures.

Já que o Metro não vem à Portela...
Qual a melhor maneira de ligar a Portela ao Metro?


I LIKE TO MOVE IT, MOVE IT

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Então as eleições não podem também ser luta de massas? Estão condenadas a ser sempre o quê? Luta de pizzas?


O pessoal que por aqui nas redes sociais se começou por lamentar do “povo que temos”, acha agora que as eleições é coisa que já lá vai, que isso agora não interessa nada, o importante mesmo é a “luta de massas”.

Como se as eleições não pudessem também ser momentos altos de mobilização e luta social e politica, como se a nossa própria história não tivesse exemplos de importantes lutas de massas à volta de “eleições” (onde nem sequer se punha a questão de eleger o candidato da oposição).

Não percebem, nem parecem interessados em tentar perceber, porque é que na actual situação, de aguda crise e descontentamento social, a mobilização popular à volta da candidatura de esquerda pouco ultrapassou a linha dos fiéis votantes no PCP, mas disponibilizam-se desde já, do FB aos blogs, para se pôr "à frente das lutas de massas".

Se o fizerem, que neste caso tenham um pouco mais de clarividência do que a mostrada nas eleições presidenciais, por exemplo, fixando objectivos claros, significativos, e realistas, em vez de se ficarem pelas tomadas de posição e protestos pouco mais que simbólicos, então acho que o povo até é capaz de agradecer.

Só espero que me poupem de um dia destes começar a ouvir que tal e coiso e blá blá estas são “as massas que temos”.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Parece que o Povo não se empolgou com o apelo ao patriotismo, nem se rendeu ao charme do membro da CP do CC do PCP.


No post ISTO DAS ELEIÇÕES É COMO FAZER AMOR o Dédé dá conta do desencanto de apoiantes da candidatura de Francisco Lopes com os resultados das eleições do passado domingo, e do seu, deles, relativo consenso de que a “culpa” é do povo que terá votado contra os seus interesses.

De facto é frustrante ver que a única candidatura que nesta conjuntura de crise assumiu por inteiro as “dores do povo” e conduziu a mais séria, empenhada e combativa campanha eleitoral consegue apenas pouco mais de 300 mil votos, 3,1 % dos 9.622.547 inscritos ou 7,1% dos votos válidos.

Seria uma completa injustiça e falta de seriedade não reconhecer o muito bom desempenho de Francisco Lopes e o trabalho de todos os que contribuíram para a sua campanha; como de uma grande leviandade e autismo assacar o relativo desaire para as costas do “povo que temos”.

Como por aqui se referiu neste blog, a actual conjuntura de crise económica e social e o quadro dos outros concorrentes, propiciavam as condições para a apresentação duma candidatura com um apelo mais abrangente que, mesmo sem comprometer o essencial das linhas do manifesto e actuação da candidatura do PCP, tivesse sido mais efectiva na concretização dos seus objectivos, nomeadamente reforçar a voz dos trabalhadores em luta e alargar a expressão do descontentamento a outros sectores dos que estão a pagar a crise.

Apresentar neste tipo de batalha um importante mas relativamente desconhecido dirigente do PCP, não era certamente “a única alternativa”. Agora não há como voltar atrás, e é por isso completamente inconsequente cristalizar à volta de posições do tipo “eu é que tinha razão”, até porque nada garante que a emenda fosse melhor que o soneto; mas agora é o tempo certo para fazer a avaliação objectiva do que foi esta importante intervenção na vida política do país, nomeadamente das opções de fundo que ditaram a natureza da candidatura e condicionaram os seus resultados.

A justeza das orientações, neste como noutros casos, afere-se na pratica, não em função da autoridade de quem as decide e/ou defende, mas sim dos resultados alcançados. E a questão que nos devemos sempre colocar, em vez de procurar desculpas, é se teria sido possível ter feito melhor, não para atribuir medalhas ou dar raspanetes, mas para aprender com os acertos e as falhas, para fazer melhor no futuro. Na situação de debilidade das forças de esquerda, da difícil conjuntura e das lutas que se impõem, esta parece-me a atitude que, por todas as razões, cabe a cada um de nós.


Nota
A fotografia é dum comício da CDE nas “eleições” de 1969. Na CDE participavam o PCP e outros sectores de esquerda, mas não incluía o Dr. Mário Soares e outros caciques da ASP (que esteve na origem do PS) que concorreram como CEUD.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O QUE É QUE PORTAS QUER COMPRAR DESTA VEZ, UM PORTA AVIÕES?


Impaciente por voltar ao Governo, Paulo Portas não espera sequer pelos resultados definitivos das eleições. Embalado com a vitória do Presidente de 23% de Todos os Portugueses, aí está de novo super activo, agora a propor um acordo pré eleitoral com o PSD.

Se não nos pomos a pau desta vez ainda acabamos todos a pão e água.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sua Inexistência, a ministra André

AINDA a procissão vai no adro, estamos a pouco mais de 48 horas depois das eleições para a Presidência, e continuam a chegar mais novidades, quentes e boas, acabadinhas de sair do assador do governo. Em sede de Concertação Social, os representantes das associações patronais rejeitam ser elas a financiar o fundo dos despedimentos, e entendem que é aos próprios trabalhadores que compete tal função, através da redução dos seus salários. Ora toma, é como se tivessem dito que os patrões não têm nada a ver com despedimentos, tal como o Cavaco disse que não tinha nada a ver com as grandes dificuldades, de que se queixava aquela senhora que o interpelou na campanha eleitoral. O despedimento passa a ser um estado natural do sistema, não uma anomalia. Entretanto, Sua Inexistência, a ministra do trabalho Helena André, continua a garantir que a facilitação dos despendimentos tem como objectivo assegurar e "promover a criação de emprego", tal qual como nós estamos a ver daqui, sem necessitar de luneta. Há uns anos atrás começámos a fazer PPRs e PPEs, e agora, graças ao admirável mundo novo do neoliberalismo socrato-cavaquista, vamos acabar a fazer PPDs (Planos de Poupança-Despedimento) pagos do nosso bolso. Quem não for sensível a isto, é burro de certeza!

Nota – Na primeira foto a ministra recebe descontraidamente as associações patronais, e na segunda, com ar solene, as associações sindicais. Se necessário e para tirar dúvidas, clicar na imagem para aumentar.

ISTO DAS ELEIÇÕES É COMO FAZER AMOR
Somos todos muito bons, uns verdadeiros especialistas; se a coisa corre mal a culpa só pode ser dos outros.


Desabafos online dalguns friends que no Facebook animaram o grupo A candidatura que defende Portugal e os Portugueses:

  • Relativamente ao que deu errado: Creio que nada deu errado pois isso depende do que se esperava do Bolo. Creio que da nossa parte podemos dizer que cumprimos a missão e cumprimo-la bem.
  • Mas este povo é asno ou toma o veneno como fosse remédio?
  • Não desanimem pois o nosso resultado é positivo e não se mede em votos.
  • Estou revoltada com a ignorância deste povinho aburguesado!
  • O trabalho, o esforço realizado por Francisco Lopes, por todo o Partido e apoio de muitos milhares de amigos não foi em vão, saímos mais reforçados!
  • Lembrei-me do meu avô materno... Ele costumava dizer que cada porco tem o chiqueiro que merece... É pena que quem vive ao lado e sem ter culpa nenhuma ter de levar com o cheiro desse chiqueiro! Quero que saibam que não contribui para a MERDA que ai vem.

Adenda em 26/1/2011 (2 excertos de declarações de Jerónimo de Sousa)
  • O resultado de Francisco Lopes nas eleições presidenciais foi «notável» face à campanha de «resignação» e do «está tudo decidido» com que os portugueses foram «martelados» ao longo de meses.
  • Em relação à nossa votação, procuramos até compreender o povo, não estamos zangados com ele. É este o povo que temos, é com este povo que lutamos, é por este povo que continuaremos a lutar.

Sobre as Presidenciais

HABITUALMENTE não reflicto muito na véspera de eleições. Basta-me observar o dia-a-dia, ter as minhas convicções e andar razoavelmente informado para formar a minha opinião. No entanto, não abdico de reflectir sobre os resultados eleitorais, porque normalmente vão condicionar o meu-nosso futuro, logo, costumo investir algum tempo a digeri-los, e naturalmente, a articular conclusões.
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COMO já referi no meu blog O ESCREVINHADOR, neste acto eleitoral, a abstenção, se tivesse nome de gente, teria ganho as eleições e dado ordem de despejo a Cavaco Silva, do Palácio de Belém. E isso tem um significado: seja pelo variado elenco de candidatos, ou pela vulgaridade dos seus objectivos, os políticos à esquerda de Cavaco Silva falharam redondamente. Não souberam interpretar as inquietações do eleitorado, que subjaz ao descontentamento que se vive, e não souberam (ou não quiseram) almejar entendimento, concentrando-se numa candidatura consensual, que pudesse enfrentar, de igual para igual, o candidato da direita. Resultado: o eleitorado, descontente com a pulverização à esquerda, acabou dar o seu voto aos candidatos “freelancer” (Fernando Nobre e Manuel Coelho), ou então renunciaram a votar. E as conclusões estão à vista: há 5 anos, Manuel Alegre com uma candidatura autónoma anti-PS facturou mais de um milhão de votos. Agora, apoiado por esse mesmo PS e pelo BE perdeu 300.000 votos. Francisco Lopes averbou menos votos que Jerónimo de Sousa nas eleições transactas, e Fernando Nobre que fez questão de se apresentar sem apoios partidários, averbou 600.000 votos. O ex-comunista e actual PND José Manuel Coelho, voluntarioso e a remexer nas feridas abertas, chegou quase aos 190.000 votos.
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POR ISSO, no fundamental concordo com o Brissos, naquele post que ele assinou no blog ESSÊNCIA DA PÓLVORA. E insisto nesta ideia: o PCP, e também o BE, têm especiais responsabilidades em não conseguir encontrar um "challenger". Francisco Lopes passou a mensagem do PCP de forma rigorosa, foi oportuno e pedagógico, porém o PCP continua a perder moderadamente votos, mas é preciso muito mais do que isso. Para as próximas eleições presidenciais (e não só nessas), o PCP precisa de encontrar, ou colaborar empenhadamente na busca de uma figura de consenso, sobretudo independente, mas que se identifique com políticas e causas de esquerda, que seja capaz de reconquistar o eleitorado do PCP, que aglutine o descontentamento que grassa numa significativa franja do PS e estimule o eleitorado do Bloco de Esquerda, que desta vez, tão prematuramente se colou à apressada e apatetada candidatura de Manuel Alegre, uma iniciativa fabulosa e tresloucada, empenhada em tentar reeditar e multiplicar a votação de há cinco anos atrás, quando as condições, eram bem diferentes das actuais. De facto, os tempos são outros, e já era altura de o PCP abandonar aquele princípio (e pelo caminho alguns outros) de que só apoia aquilo que pode controlar a 100%. Talvez por isso, para mim, as eleições presidenciais não tenham passado de um acontecimento menor, em comparação com o que vamos ter que enfrentar no futuro, agora que Sócrates viu renovada a cumplicidade e a protecção institucional da Presidência da República.
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NÃO QUERO falar de números nem de efabulações aritméticas; quero apenas lembrar que quem tem intenções de votar à esquerda, perdeu o pé, e os partidos que têm responsabilidades nisso, e cuja implantação não é negligenciável, pouco ou nada fazem para que a democracia mude de rumo. Por isso, e não só, é forçoso que haja alguém que convença o PCP, de que ele não é apenas um partido contestatário e vigilante da consciência e moral socialista, mas também um partido de poder, não hegemónico, é certo, mas detentor de ideias justas e de quadros altamente competentes e dinâmicos, com grandes probabilidades de participarem na inversão deste declínio, para que a sociedade portuguesa está a ser arrastada. Se o PCP chegou até aos dias de hoje, com as correspondentes despesas que os abanões da história sempre cobram, à mistura com algumas clamorosas e dispensáveis purgas, penso que é chegada a altura de enfrentar a realidade, mandar render a guarda e enfrentar os combates que se adivinham, abrindo novos caminhos e sugerindo outros destinos. Em democracia, os partidos políticos têm, e sempre terão, grandes responsabilidades, porque são a súmula de uma colectividade de convicções, e a História, ao analisar os grandes momentos, não os isenta de responsabilidades, antes pelo contrário.
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FALTA acrescentar um último ponto a este meu devaneio. Embora haja que respeitar a democracia e os resultados eleitorais, não há que ter medo de sermos críticos das escolhas que o povo português fez, e verbalizar porque discordamos dessas escolhas. As decisões da maioria (tanto as boas como as más, segundo o entendimento de cada um) não podem transformar-se numa espécie de ditadura dissimulada da maioria. Cavaco Silva é o Presidente da República Portuguesa, mas não é o “meu” Presidente, e por uma razão simples: Cavaco Silva já deu provas de não ser presidente de todos os portugueses, seja por preconceito, por atitudes, ou por outras razões não negligenciáveis. Se for necessário dizer que o povo escolheu mal, direi que o povo escolheu mal, e até direi porquê. Nem sempre as maiorias, lá porque são maiorias, têm razão, ou sejamos obrigados a dar-lhe razão. Do que não se pode duvidar, é que mesmo podendo estar erradas, essas escolhas são legítimas, logo temos que conviver com elas, e está aí o cerne da democracia. O grande desafio está em encontrar o caminho para o mudar o estado de coisas, e se ele não existir, abri-lo à força de ideias, com arrojo e determinação.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Decisão “à Cavaco”

AINDA não passaram 24 horas sobre o apuramento dos resultados eleitorais para a Presidência da República, e já o governo de Sócrates tomou uma decisão de fundo, com vista à resolução do problema da economia portuguesa, e por arrastamento, também do desemprego, bem à maneira de Cavaco Silva, como quando ele era primeiro-ministro, entre 1985 e 1995. Assim, para que as empresas se tornem mais “competitivas”, os despedimentos vão tornar-se mais “económicos”. Diz o jornal PÚBLICO que “o Governo vai reduzir o valor das indemnizações por despedimento, propondo o pagamento de 20 dias por cada ano de serviço e ainda a aplicação de um tecto de 12 meses. Esta é a proposta que está a ser apresentada neste momento aos parceiros sociais. Actualmente, os trabalhadores despedidos têm direito a uma compensação de 30 dias por cada ano de antiguidade e sem qualquer limite de valor. Por exemplo, um funcionário com 20 anos de casa tem direito a uma indemnização correspondente a 20 meses de salário. Com a proposta do Governo, passa então a existir um limite de 12 meses no pagamento de compensações. Este era, aliás, o tecto proposto pelos parceiros patronais.”
Portanto, estas são as primeiras medidas que prenunciam os novos tempos que os portugueses vão ter pela frente. Mas não se iludam, porque vêm aí mais novidades.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O PRESIDENTE DE 23,15% DE TODOS OS PORTUGUESES.


Embora o pessoal jovem é que tenha a fama de não perceber puto de Matemática, parece-me que os mais cotas também deixam muito a desejar.

Com 99,75% dos resultados apurados, votaram em Cavaco Silva 2.228.154 eleitores dos 9.629.630 inscritos. Segundo a minha folha de cálculo 23,15%.

Se isto é um bom resultado, vou ali e já volto


Adenda em 29/1/2011

Ao fim de quase uma semana em estado de negação, ontem a direita, pela voz de Vasco Pulido Valente, começou a admitir que afinal a coisa não correu lá muito bem a Cavaco:

"Temos de voltar ao essencial. O dr. Cavaco perdeu. E fez mais do que perder uma eleição. Comprometeu gravemente o regime, que daqui em diante já não pode funcionar com qualquer espécie de “regularidade”. Com 54 por cento de abstenção, um Presidente, este ou outro, não tem a força e o prestígio para dissolver a Assembleia ou sequer para exercer uma influência pesada sobre o Governo. Está sempre numa posição de claríssima fraqueza, porque nada lhe garante que os poucos votos de 23 de Janeiro (menos de um quarto dos portugueses) lhe cheguem para sancionar ou impor uma decisão [...] obrigado a negociar a todo o momento cada passo e cada palavra.

E assim o homem, que devia assegurar a estabilidade da República, acabou em cinco anos por a comprometer. [...] Andou por aí, como um fantasma, sem uma palavra pertinente, um gesto de afirmação, uma vontade clara. E ficou, como era de esperar, sozinho. O que não importaria muito, se Portugal não precisasse, como precisa, de um Presidente."

Ler a crónica completa no Publico de 28/1

O NÚMERO QUE NÃO COUBE NO CARTÃO DE CIDADÃO.


Os crânios que conceberam o Cartão do Cidadão devem ter achado que isso do Numero de Eleitor é coisa que não interessa a ninguém, e vai daí, aquilo que é uma das iniciativas mais positivas do Simplex lá ficou coxa na perna da cidadania.

Os problemas que isto está hoje a causar a muitos milhares de pessoas, e que terá mesmo impedido algumas de exercer o seu direito ao voto, não é novidade. Já nas anteriores eleições o problema ficou bem evidente, embora com menor expressão do que hoje por à data haver menos Cartões de Cidadão do que agora.

O que é que se fez entretanto para tentar minorar o problema? Salvo raras excepções, NADA.

A Comissão Nacional de Eleições que devia ter alertado para o problema e tomado medidas, pelo menos ao nível da divulgação, nada fez, e aquelas inovações tecnológicas que nos permitem consultar o número de eleitor através da Internet e de SMS estão obviamente dimensionadas para trabalhar na perfeição nos períodos em que não são necessárias, mas quando chega a hora da verdade acontece o mesmo que à embaixada de Portugal em Tunes, tiram férias.

Enfim restam as excepções, entre as quais aqui a Junta da Freguesia da Portela (PSD) que em todos os actos eleitorais mantém na Assembleia de Recenseamento um serviço que, sem deslocações, filas, ou esperas, fornece aos eleitores cá do bairro o numerozinho que não coube no Cartão de Cidadão, e que é indispensável para o exercício do indeclinável direito ao voto.


Sugestão
Aprendido numa mesa de voto nas anteriores eleições: criar no telemóvel um contacto Eleitor com o dito numero. Depois é só não esquecer que o pôs lá.

De Vento em Popa

PENSO que não estarei muito enganado se disser que as receitas (ou poupanças) que vão ser obtidas com as reduções de salários, impostas pelos PECs e pelo OE2011, já têm, pelo menos, duas aplicações: umas vão ser usadas para indemnizar os antigos clientes do Banco Privado Português, que tinham investido naqueles produtos que eram vendidos como depósitos a prazo, mas que afinal eram aplicações de risco, e que depois deram para o torto; outras vão ser utilizadas na aquisição de 2.655 novas viaturas para o Estado, no valor de 35 milhões de euros. Como se pode ver, e apesar da crise, ninguém consegue travar o magnânimo "Estado Social" do engenheiro incompleto, o qual segue, não só de vento em popa, como também movido a altas e renovadas cilindradas, como se nada fosse com ele.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

AGORA É TEMPO DE REFLECTIR, E DEPOIS VOTAR.



Os votos em Francisco Lopes contribuem sempre, mas sempre, para que Cavaco Silva possa não ganhar logo na 1ª volta e ser forçado a disputar uma segunda volta.

Os votos em Francisco Lopes são os que, politicamente, melhor, mais clara e mais fortemente falam e testemunham pelo descontentamento, irritação, revolta e indignação causados por uma política em que, nos aspectos essenciais, Cavaco e Sócrates e o PS e o PSD são cúmplices e não adversários e que, ao mesmo tempo, alargam veredas de esperança e mais combativamente batalham por novos rumos de real mudança.

A abstenção ou o voto em branco (cuja legitimidade democrática não se contesta) por parte de eleitores de esquerda contribuem sempre para melhorar a percentagem de Cavaco Silva e diminuir as percentagens dos que se lhe opõem nesta eleição presidencial. Insatisfações ou diferenças de opinião com os candidatos adversários de Cavaco Silva não devem servir para fazer de conta que tudo é igual ao litro ou para que, podendo falar, haja homens e mulheres que fiquem calados a ver a banda cavaquista passar.

Numa circunstância eleitoral, a maior grandeza da democracia e a maior afirmação da dignidade dos cidadãos eleitores não está num espírito de «maria vai com as outras» ditado por sondagens ou enganadoras e falsas concepções de «voto útil» mas sim num voto firme e inabalavelmente determinado pela consciência, convicções e vontade efectivamente soberana de cada um de nós.


Vítor Dias, em "o tempo das cerejas"
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