segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Será que o NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS só se aplica acima de 147 500 euros ?


Se tivesse um euro por cada vez que li ou ouvi ao pessoal de direita que escreve e comenta em tudo o que é sitio a máxima NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS , provavelmente já teria ganho mais do que os 147 500 euros de que Cavaco beneficiou com o negócio das acções da SLN (holding do BPN) em que o seu amigo Oliveira e Costa lhe vendeu a 1 euro acções que para os não accionistas, como Cavaco, custavam 2,2 euros.

Mas ouvindo agora os Marcelos e Fernandes, os Mendes e Ricardos, constatamos que, de repente, devem estar todos numa de dieta radical, já ninguém fala em almoços. Ou será que a sua, deles, regra de ouro do NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS só se aplica acima de 147 500 euros ?

O Estado de Excepção

A ÚLTIMA edição da revista ÚNICA do semanário EXPRESSO (7-JAN-2011), girou toda ela à volta do número onze (11), celebrando assim, com curiosa originalidade, a entrada no décimo primeiro ano do século XXI ou III Milénio, como quiserem. Vai daí, achei uma boa ideia, e resolvi apropriar-me do tema, embora com uma finalidade diferente. Comecei a vasculhar entre a tralha socratina e, sem grande esforço, consegui desencantar um abundante número de razões (e não apenas onze), para provar que Portugal anda a viver, nestes últimos seis anos (pelo menos), num permanente Estado de Excepção. Passemos aos factos.

1 - Muito embora o ministro Teixeira dos Santos diga que a coisa é definitiva, os cortes nos salários e nas pensões foram consideradas por José Sócrates, medidas temporárias e excepcionais.
2 - As novas regras e o aumento das taxas moderadoras dos serviços de saúde também se enquadram no âmbito de medidas excepcionais.
3 - São excepcionais as injecções de capital no Banco Português de Negócios (BPN), sendo também excepcionais as traficâncias de acções entre a SLN (Galilei) e o dito BPN, já depois do banco ter sido nacionalizado.
4 - O pagamento em 2010, de dividendos aos accionistas de algumas empresas, ainda antes de se conhecerem os resultados das contas desse ano, coisa que só se apura em 2011, é uma medida de excepção, atendendo à crise e ao estado de grande necessidade de muitos dos senhores accionistas.
5 – O Presidente, e também candidato à Presidência da República, Aníbal Cavaco Silva, numa sessão de campanha de eleitoral, ao ser questionado por uma mulher que se queixou não ter dinheiro para alimentar o filho, aconselhou-a a procurar a ajuda de uma instituição de solidariedade que não fosse do Estado, pois são essas entidades que estão, na actual situação de excepção, a substituírem-se ao Estado.
6 - A nomeação do vice-presidente da bancada do PS, Ricardo Rodrigues, homem detentor de grandes competências e especialista em acções directas, nomeadamente na apropriação de gravadores a jornalistas, como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Caso Camarate, foi uma escolha de carácter excepcional.
7 - A personalidade que vai liderar o grupo de trabalho cuja missão é criar a comissão que vai controlar - notem bem - a despesa pública, é, nem mais, nem menos, que António Pinto Barbosa, que durante 10 anos, e até ao fecho do último relatório e contas do falido Banco Privado Português, não detectou quaisquer irregularidades na actividade da instituição. Como é óbvio, tal escolha apenas pode revestir-se de natureza excepcional.
8 - A taxa extraordinária sobre o sector bancário, que deveria ser o contributo da banca para o programa de austeridade, ainda não foi regulamentada, ao contrário dos cortes salariais, e arrisca-se a ser declarada inconstitucional, porque a sua fixação é reserva legal do Parlamento e não do governo, como este excepcionalmente pretende.
9 - Segundo apurou um estudo elaborado pelo jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS, o Estado tem 13.740 organismos públicos, destes apenas 1.724 apresentam contas, sendo que daqueles só 418 são excepcionalmente fiscalizados.
10 - O ministro Rui Pereira já tratou de todos os pormenores relacionados com a cedência aos E.U.A., das bases de dados com a identificação e dados biométricos dos cidadãos portugueses, como contributo excepcional do governo português, para o combate ao terrorismo.
11 - Está provado que o primeiro-ministro José Sócrates tem sido apanhado a mentir vezes sem conta, porém, são infundadas as acusações de que será um mentiroso compulsivo. Na verdade, diz-se para aí, que tem tudo a ver com situações de excepção, em que é necessário salvaguardar os mais variados interesses nacionais.

Concluindo: Não foi difícil encontrar onze casos, entre muitos outros que gostava de ter citado. Por exemplo, não abordei o caso do excepcional aumento do custo dos transportes, que talvez por hábito, se repete quase todos os anos, mesmo quando não há renovação da frota, os ordenados estão congelados e o preço dos combustíveis desce, nem o facto excepcional do senhor António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, passar a ser o porta-voz do governo, no fim das reuniões do Conselho de Concertação Social, ou a sistemática colocação de afilhados em lugares excepcionais, tanto da administração como da galáxia do sector empresarial do estado, sendo também excepcional a frequência com que o ministro das finanças troca ideias e se aconselha com o quinteto de banqueiros da nossa praça, etc., etc., etc. A verdade é que a lista tinha tendência a tornar-se infindável, e era preciso fazer uma selecção. Mas com estas que compilei, penso ficar demonstrado que em Portugal existe um permanente e excepcional Estado de Excepção, que poucos estão interessados em controlar e contrariar. E os resultados estão à vista: espartilham-se os fracos e deixam-se os fortes com os movimentos livres, a bem da Nação.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cavaco recomenda a mulher sem dinheiro que procure instituição "que não seja do Estado"
MELHOR PROCURAR QUE CAVACO NÃO SEJA PRESIDENTE.


O candidato presidencial Cavaco Silva foi hoje abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho, a quem recomendou que procurasse "uma instituição de solidariedade que não seja do Estado".

Durante a conversa com Cavaco Silva, no centro de Almada, esta mulher mostrou-lhe sacos com coisas que disse ter recolhido do lixo e acabou por contar que tem recorrido à Assistência Médica Internacional (AMI) para comer.

"É o que eu estava a dizer. São essas instituições que, perante situações de pobreza e de privação, pessoas sem alimentação, estão neste momento a ajudar o nosso país. Instituições da Igreja, outras que são misericórdias, grupos de voluntariado", respondeu-lhe Cavaco Silva.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O homem que pôs no vídeo de apresentação da candidatura a Lisboa o filho de 3 anos a dizer que votava no papá, diz que a actual campanha está pobre.


Um comentador ao nível da TVI, hoje no Jornal da Noite, a comentar.

CALIMERO CAVACO
Em exibição numa eleição próximo de si.


Agora que, pelo que lemos na imprensa, parece estarem esclarecidos os contornos da compra/venda de acções da SLN por Cavaco Silva, os seus apoiantes deslocam-se com armas e bagagens do campo da negação para o da desculpabilização e vitimização.

Uma das desculpas que começa já a circular é que outros accionistas também compraram acções a 1 euro. A SLN na altura fixou o preço das acções para não accionistas a 2,20 euros, grupo onde se incluiria Cavaco, para accionistas a 1,80 euros, e para Oliveira e Costa a 1 euro. Tratou-se portanto dum favor pessoal de Oliveira e Costa a Cavaco, que poderá ter sido, eventualmente, extensivo a outras pessoas. O que é claro é que não foi uma situação normal, mas de excepção, de favor.

Outra desculpa é que é habitual as empresas venderem as suas acções próprias a preços especiais a certas pessoas, ou instituições. O que é verdade, e se faz, entre outras razões, para trazer para o projecto empresarial quem, por exemplo, reforce a sua credibilidade e/ou facilite futuros negócios. Seria isto que Oliveira e Costa esperava de Cavaco? Provavelmente sim. Desconhecia Cavaco que alguma coisa poderiam esperar dele? Provavelmente não.

A estratégia da vitimização, o paleio da campanha suja, já está em curso, e vai ser muito provavelmente o tema central das duas semanas de campanha de Cavaco Silva. Ajuda a mobilizar as "tropas" e a afastar da discussão as questões politicas.

Mas o facto da vitimização habitualmente resultar, não garante necessariamente que funcione desta vez. Também a estratégia do silêncio, de desvalorizar a questão, de se apresentar acima de qualquer suspeita (ainda têm de nascer duas vezes...) resultou lindamente nas anteriores ocasiões em a questão da compra/venda das acções da SLN/BPN foi levantada, e desta vez foi o que se viu, em três tempos deu com os burrinhos na água.

Afinal não foi na Feira do Relógio, foi a um vigarista à séria...


Afinal não andávamos longe quando perguntávamos se teria sido na Feira do Relógio que Cavaco comprou as acções da SLN.

Segundo o Expresso de hoje foi Oliveira e Costa, himself, que vendeu a Cavaco Silva as acções da SLN a 1 euro, numa altura em que os outros as compravam entre 1,8 (accionistas) e 2,2 euros (não accionistas, caso de Cavaco).

Se, a confirmar-se, isto não é favorecimento, com graves implicações politicas, então façam a fineza de me explicar o que é.

E será que ainda não é desta que Cavaco vem dizer de sua justiça, pessoalmente, sem mandatários, intermediários, ou sites da Presidência pelo meio?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Agora falta saber onde Cavaco comprou as acções a 1 euro.
TERÁ SIDO NA FEIRA DO RELÓGIO?


Que interessa se o adversário meteu 1 ou 5 golos? O que interessa é que a minha equipa meteu 3 golos, e se meteu 3 golos, como está abundantemente provado, só pode ter ganho o jogo.

Que interessa ao SOL se Cavaco comprou as acções a 1 euro e passado menos de dois anos as vendeu a 2,4 euros? E se com isso Cavaco beneficiou de 147 500 euros? E que interesse tem que agora estejam os contribuintes a arder com o resultado das negociatas em que a Administração do BPN/SLN era fértil?

O que é preciso é chamar à primeira página uma peça de desinformação da Felícia a dizer que afinal Cavaco até vendeu barato e portanto, tal e coisa pardais ao ninho, o homem está a ser vítima duma campanha suja.

Pelo menos agora sabe-se, o que não é mérito do SOL, que as acções foram compradas a 2,4 euros pela SLN, empresa holding do BPN, por decisão de Oliveira e Costa. Agora falta saber onde Cavaco comprou as acções a 1 euro. Terá sido na Feira do Relógio?

Lixo

OUVI dizer que já está em andamento uma campanha - a exemplo do que foi feito o ano passado - cujo objectivo é mobilizar e organizar informalmente a sociedade civil, para despoluir e descontaminar o país, de lixo abandonado, um pouco por todo o lado. Já que falamos em limpar Portugal, era bom que não se esquecessem de passar por São Bento, pelos ministérios, institutos públicos, parcerias público-privadas, fundações e outros organismos que tais. Falo não só do lixo convencional, como plásticos, vidros, colchões, móveis, tralhas, entulhos e outras sucatices, que florescem nas lixeiras a céu aberto, à beira das estradas e um pouco por todos os cantos, mas também do outro lixo, mais imaterial, produzido pelas cabeças de quem anda por aí a (des)orientar os destinos do país e a vida dos portugueses. E penso que esta altura é a melhor. É aproveitar agora, porque até às eleições presidenciais ainda há mais lixo para respigar e despejar no contentor. Pela minha parte, agradeço reconhecido, tal iniciativa, e espero que os objectivos sejam atingidos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PARA ACABAR DE VEZ COM O DESEMPREGO.


Chama-nos o Fernando a atenção neste post que da alteração do método de recolha de informação para as estatísticas do emprego, que passará a ser feita por telefone, resultará uma inevitável diminuição do número de desempregados periodicamente apresentados pelo INE.

Concordando com todos os que consideram ser o desemprego uma questão prioritária, para a qual devem ser canalizados os melhores recursos e energias do país, vem este escriba apresentar a sua modesta contribuição para a resolução do problema, propondo que, a partir de agora, só passem a ser consideradas as respostas ao Inquérito de Desemprego do INE feitas através do ultimo modelo do telemóvel IPHONE.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Cavaco, Madoff, o sr. Picower e a viúva dele.








O sr Picower, nos tempos em que ainda não tinha viúva, foi amigo próximo e sócio de Bernie Madoff, o que lhe proporcionou beneficiar de milhares de milhões de dollars dos esquemas do agora hóspede numero 61727-054 da penitenciária de Butner.

Se o sr. Picower estaria envolvido nas falcatruas do amigo ou se foi apenas um inocente e sortudo beneficiário das vigarices de Madoff, é coisa que o dito sr. Picower já não nos poderá esclarecer.

Contudo, diz-nos a imprensa dos States que, com culpa ou sem ela, a viúva do sr Picower acredita que o desejo do defunto, lá no lugar onde agora se encontra, seria certamente reparar o mal feito, e por isso acordou devolver os SETE MIL MILHÕES DE DOLLARS de que o marido terá beneficiado.

Por cá, mesmo encontrando-se vivinho da silva, é pouco provável que o candidato da direita às eleições presidenciais nos esclareça dos contornos do negócio que, em menos de dois anos, lhe rendeu 147 500 euros, ao comprar a 1 euro e vender a 2,4 euros acções (não cotadas na bolsa) da SLN, holding do BPN.

Até ao próximo dia 23 ainda vamos ouvir falar muito desta estória, mas o que este escriba vos pode desde já assegurar é que, ao contrário do exemplo da viúva Picower, nunca por cá iremos assistir à devolução dos benditos 147 500 euros de que o sr. Silva, com culpa ou sem ela, beneficiou.

Da Crise Real à Crise Virtual

O INSTITUTO Nacional de Estatística (INE), com o argumento de que pretende "acompanhar os padrões europeus" e adoptar as sugestões do Eurostat, vai passar a utilizar o contacto telefónico para recolher dados sobre a situação do desemprego. A adopção deste método, impossibilita que se façam comparações dos novos indicadores, com os obtidos entre 1998 e 2010. Ao alterar o modelo de recolha de dados, num momento particularmente agudo da crise económica e social, quando o desemprego atinge máximos históricos, esta iniciativa pode ser entendida como uma operação destinada a “cegar” e dissimular a real situação do desemprego, comparativamente com períodos anteriores.
Eugénio Rosa, economista da CGTP, afirma que há o risco de as entrevistas efectuadas por telefone irem enviesar a amostragem, devido ao facto de haver muitos desempregados que não têm telefone fixo, e que o Governo tudo tem feito para desacreditar os números do desemprego divulgados pelo INE, seja ignorando esses dados, seja utilizando os dados divulgados pelo IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional), que são facilmente manipuláveis, já que não são conhecidas publicamente as regras para a sua construção.
Para o governo vale tudo e não olha a meios, nem que para isso tenha que socorrer-se de truques e magia, para que o desemprego se torne uma coisa irrelevante. Com Sócrates e seus compinchas, seja a bem ou a mal, esta crise há-de passar de real a virtual.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

(IN)segurança Social

Transcrição do post do blog PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS, de 31 de Dezembro de 2010, com o título:

«Segurança Social distribui presentes de ano novo

O ano de 2010 não podia acabar melhor para a Segurança Social. Depois de 900 mil portugueses terem prestado prova de rendimentos - e embora ninguém saiba ao certo o que declararam e quantos apoios vão ser cortados para além dos PECs 1, 2, 3 e os que mais hão-de vir - chegou o momento de recompensar as chefias. Todos sabemos que funcionários motivados trabalham com mais afinco. Por isso, e apesar de as promoções não representarem aumento de ordenado - antes pelo contrário, há chefes que vão passar a auferir menos 20 mil euros por ano!, conforme assegura o Secretário de Estado da tutela - mas sim uma actualização da "designação dos cargos à luz da nova lei", o governo promoveu todas as chefias de institutos públicos ligados à Segurança Social.
Porém, e embora se trate de uma questão meramente semântica, só os cargos mais elevados na hierarquia tiveram as suas designações actualizadas.

Mas não se pense que a Segurança Social esqueceu o povinho! Não senhor! Num gesto de grande abnegação e generosidade política, aqueles que asseguram o nossa sobrevivência em momentos de dificuldade - como quando temos o desplante de ficar doentes e, desde que o nosso rendimento não ultrapasse a abismal soma de 485 euros, poderemos ficar isentos de taxa moderadora se recorrermos ao Serviço Nacional de Saúde, essa instância de luxo que corresponde a hábitos burgueses caídos em desuso - deram-nos a benesse de usufruirmos de mais três semanas para fazer provas dos nossos rendimentos. Assim, os meninos e meninas mal-comportados que se esqueceram (!) ou se baldaram às agradáveis filas de espera na Segurança Social poderão ainda assegurar os seus subsídios, apesar de serem uns malandros que não querem trabalhar, isto, claro, caso provem que não ganham para o bife de alcatra do Pingo Doce e que o BMW estacionado à porta é só um chaço que herdaram do tio-avô velhinho e que já não arranca nem com ligação directa e óleo reciclado da Actifry. Mas atenção! Têm de pedir senha à Segurança Social até ao fim do ano/ dia de hoje. Por isso, tudo a correr para o net-café mais próximo! E oremos para que a ligação não caia!

Myriam Zaluar»

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Moeda ao ar na campanha de Alegre
Se der caras é Louçã, se der coroas é Sócrates.


Afinal não tem nada que enganar. Andava por aí o pessoal angustiado sem perceber o verdadeiro alcance dum eventual voto em Alegre, mas felizmente parece que as coisas se esclareceram.

Pelas declarações de Duarte Cordeiro, director da campanha de Manuel Alegre, ficámos hoje a saber como é que se resolvem por aquelas bandas as questões que parecem insolúveis.

Portanto caro leitor, se está a pensar votar em Alegre, no próximo dia 23 quando se deslocar à sua assembleia de voto não se esqueça de levar uma moeda. Depois, antes de introduzir o papelinho na urna é só atirar a moeda ao ar, se der caras está a votar em Louçã, se coroas em Sócrates. Simples não é?

sábado, 1 de janeiro de 2011

DILMA ROUSSEFF, A PRIMEIRA PRESIDENTA.


Em rigor, com ou sem Acordo Ortográfico, dir-se-ia Presidente. Mas a Dilma Rousseff, até por ser a primeira mulher a desempenhar a função em língua portuguesa, acho que todos reconhecemos o direito de escolher o género da palavra que designa o cargo em que hoje foi empossada.

Seja pois Presidenta, agora e no futuro, a palavra certa para referir todas as mulheres que irão certamente desempenhar a mais alta magistratura nos países onde se fala português.

LET'S CHANGE THE WORLD, NOT OURSELVES


Aquela ideia de na entrada do ano fazermos uma relação das coisas que temos de mudar na nossa vida para sermos melhores pessoas, ou mais concretamente para estarmos mais de acordo com aquilo que a moda do dia nos tenta impor, é, além dum bocado estúpida, contra revolucionária, como nos diz Laurie Penny neste artigo do New Statesman.

Usar o início do ano como pretexto para deixar de beber, perder uns quilos, ou começar a treinar para a meia maratona de Lisboa, já para não falar de nos levantarmos cedo aos domingos, são daquelas promessas de Ano Novo que muitos fazem e felizmente quase ninguém cumpre.

Daqui a umas semanas quando mais uma vez constatar que falhou miseravelmente em todos aqueles virtuosos objectivos a que se tinha proposto, não fique desapontado/a consigo mesmo. Claro que você não é perfeito/a, nem nunca vai ser, mas não é de certeza por ter uns quilos a mais, ou não fazer o seu jogging matinal, que vou passar a gostar menos de si.

Em vez de gastar as poucas energias que lhe restam a deixar de fazer aquilo que ainda lhe vai dando algum prazer na vida, olhe à sua volta, veja o que há de realmente errado por esse mundo fora, e diga lá se não será mais produtivo dar o seu modesto contributo para tentar corrigir alguma coisa do muito que está mal, por exemplo, correr com Sócrates, lutar contra os cortes do acordo PS/PSD, ou impedir a reeleição de Cavaco?