domingo, 12 de dezembro de 2010

De que Sá Carneiro tanto se fala ?

É frequente ouvirem-se políticos, empresários vários e até comentadores reclamarem-se de uma "herança" de pensamento e acção sá-carneirista.

Percebe-se bem que, velhacos, procuram transformar Sá Carneiro num mito, para no momento seguinte se arvorarem em "amigos especiais", "confidentes", "herdeiros políticos", enfim, autênticos "bispos" cuja legitimidade, nada deve à de outros "bispos" de outras outras tantas "confissões".

E algumas questões se me impõem hoje sobre que Sá Carneiro é esse de que tanto falam. Gostaria de simplificar, sem simplismos:

A Visão, na sua edição nº 926, publica alguns extractos de discursos e declarações de Francisco Sá Carneiro, dos quais seleccionei os que seguem.

Na sua evolução para um sistema mais justo é necessário o continuado reforço do poder dos trabalhadores na economia

Há que impor uma disciplina de actuação do poder económico e dos investimentos, para que ele seja feito com proveito para todos nós e não apenas para os detentores desse poder

Quem tenha o mínimo de conhecimentos de história da humanidade ou esteja atento ao panorama social em que vive, não pode evidentemente ignorar a luta de classes

É necessária uma política de austeridade. Mas impõe-se que essa política de austeridade não recaia, especialmente, sobre as classes trabalhadoras (…). É preciso que ela se integre numa política de relançamento da nossa economia. Sem isto não há austeridade que valha a pena

Numa sociedade em regressão económica acentuada e em que o desemprego muito alto se combina com uma alta inflação, é natural e justo que os trabalhadores procurem assegurar a estabilidade dos seus empregos através de um estatuto de protecção legal que impeça totalmente os despedimentos, por exemplo, ou que dificulte de tal modo que lhes dê segurança”

O nosso Povo tem sempre correspondido, nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que sempre o traíram (…)

Frases e expressões que me remetem para as questões primordiais:

Ou Sá Carneiro era um político tão cínico e hipócrita como muitos outros que por aí têm andado e não advogava o que dizia e, nesse caso, não tem direito a "mitificação". Quando muito pode aspirar à galeria dos intrujões nacionais, de resto, já bastante repleta;

Ou Sá Carneiro era um político mais sério que a maioria dos políticos que temos conhecido, dizia o que pensava e, então, os trafulhas que se arrogam "herdeiros" de Sá Carneiro, têm de definitivamente "fechar a matraca", assobiar para o lado e disfarçar;

É que se as frases que reproduzo acima, correspondem a genuíno pensamento de Sá Carneiro, de que andam para aí a falar e o que andam por aí a fazer os tais "bispos" sá-carneiristas ? Nada do que dizem ou fazem bate certo com a visão que o seu (deles) mentor defendia para Portugal.

Afinal, de que Sá Carneiro tanto se fala ?

sábado, 11 de dezembro de 2010

CRISE NA JUNTA DE FREGUESIA DA PORTELA?


Um pequeno post no Portela dos Pequeninos, "O Natal na Portela mesmo em tempo de crise", em que se questiona a oportunidade das iluminações de Natal na actual conjuntura, desencadeou uma onda de comentários, praticamente todos Anónimos e longe do espírito natalício da época, com criticas à actuação do novo Executivo PSD, falando-se ainda duma alegada demissão do Tesoureiro por discordâncias com a Presidente.

Talvez a próxima Assembleia de Freguesia da Portela, dia 15 de Dezembro às 21h, em que o primeiro ponto da Ordem de trabalhos é a "Apreciação do pedido de suspensão de mandato de membro da Assembleia de Freguesia" e o terceiro tratará da "actividade e situação financeira da Junta", seja uma oportunidade para ficarmos esclarecidos do que se passa realmente na Junta.

Lembramos que as Assembleias de Freguesia são abertas aos moradores, que podem ainda intervir fazendo perguntas e dando opiniões num ponto próprio da ordem de trabalhos.

Além de ter pernas para correr...

O jornal PÚBLICO de hoje diz o seguinte: "A criação de um fundo para se financiarem os despedimentos em empresas, proposta ontem pelo primeiro-ministro num encontro com os "patrões" da indústria, é "uma ideia com pernas para andar" e que vai ser trabalhada em conjunto com o Governo, admitiu ontem o presidente da Confederação Industrial Portuguesa (CIP), António Saraiva."
Como é facilmente compreensível, José Sócrates, além de ter pernas para fazer uns patéticos “jogging”, também é uma grande fonte de inspiração para as associações patronais. O seu objectivo não é combater o desemprego, mas sim incentivá-lo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

NÃO É UMA CRÍTICA, É APENAS UMA GRANDE CURIOSIDADE.


Que funções terá um Licenciado em Antropologia afecto à Divisão de Resíduos Sólidos dos Serviços Municipalizados de Loures?

Que funções terá um Licenciado em Turismo afecto à Divisão de Recursos Humanos.

Quem estiver interessado já não vai a tempo porque a recepção de candidaturas era até dia 16 de Novembro de 2010, para os Procedimentos Concursais Comuns com vista ao recrutamento de pessoal em regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas Por Tempo Indeterminado para os SMAS de Loures.

COM GUEBUZA VENCEREMOS A POBREZA
Ele já venceu, agora só faltam para aí uns 20 milhões de moçambicanos.


"O Presidente da República de Moçambique terá recebido uma comissão entre 35 e 50 milhões de dólares no negócio da compra da Hidroeléctrica Cahora Bassa a Portugal, revelou o portal WikiLeaks, citando telegramas da embaixada dos EUA em Maputo.

Nos documentos, Armando Guebuza é referido como estando envolvido em "todos os acordos de mega projectos de milhões de dólares, com estipulações nos contratos que determinam que se trabalhe com o sector privado moçambicano". Um exemplo dado é "o envolvimento de Guebuza na compra da barragem de Cahora Bassa ao Governo Português por 950 milhões de dólares". O documento diz que, destes, 700 milhões de dólares foram pagos por um consórcio privado de bancos, organizado por um procurador de Guebuza, tendo o Presidente da República recebido "uma comissão estimada entre 35 milhões de dólares e 50 milhões de dólares" (entre 26,48 milhões de euros e 37,84 milhões de euros ao cambio actual)."

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Força da Razão

«(…) O Orçamento de 2011 ficará na história como aquele que transformou o Fisco num mecanismo de transferência dos recursos dos pobres directamente para os mais ricos. Mário Soares já tinha colocado o socialismo na gaveta. Sócrates deitou-o ao lixo.»

Parágrafo final do artigo de Paulo Morais, intitulado "Pior é Impossível", publicado no JORNAL DE NOTÍCIAS on-line de 8 Dezembro 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Santos Tutelares e Pecadores Crónicos

O Dédé, autor do post SOB A ALTÍSSIMA INSPIRAÇÃO…, deu-me matéria e asas para fazer um devaneio sobre santos protectores e pecadores inveterados. Os homens, inseguros das suas capacidades e temerosos dos seus pecadilhos, têm o costume de pôr os santos a intercederem nas suas profissões, como recurso de emergência, quando as coisas começam a complicar-se ou dão para o torto. Há sempre um santo para interceder lá no olimpo, quando os humanos pisam o risco das suas competências ou se excedem no tráfico de influências. Santo Ivo é patrono dos advogados. Astaroth, não um santo mas um demónio (a igreja nunca conseguiu ocultar o episódio de Jesus a expulsar os vendilhões do templo), é o patrono dos banqueiros, agiotas e homens de negócios. São Nicolau é padroeiro dos juízes. São Thomas Moore ascendeu a padroeiro dos políticos, por obra e graça de João Paulo II. Já os engenheiros, têm um patrono que é São Ferdinando, mas apenas para engenheiros completos e devidamente encartados, que não sejam fracotes em inglês técnico e outras competências, e diga-se que com muita razão. A igreja tem solução para (quase) tudo, gosta de se insinuar nas actividades humanas, mas há coisas que excedem as capacidades do evangelho e da causa dos santos. Embora isto pareça cheirar a heresia, com laivos de religião politeísta, herdeira dos “manes” romanos, os santos do panteão católico (que me perdoem os crentes, a quem muito respeito), embora sendo modelos de virtude e fonte de inspiração para quase todas as profissões e mesteres, não deviam ser envolvidos com as práticas menos católicas do ser humano. E a questão ganha de foro de processo canónico, quando se invoca Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, isto é, do chamado QUARTO PODER (os “media” ou comunicação social em português), como referiu o autarca de Setúbal, autor da catilinária que o Dédé descobriu, e a roda dos santos começa a funcionar. Descobre-se então que largas fatias desse QUARTO PODER, acharam por bem serem pajens e cortesãos do SEGUNDO PODER (o executivo, protegidos pelo impoluto e respeitável Thomas Moore), em acesa concorrência com uma grande fatia do TERCEIRO PODER (o judicial, amparados por São Nicolau), o qual fornece cabeças pensantes, rapazes ambiciosos e esforçados, para o SEGUNDO e para o PRIMEIRO PODER (o legislativo, protegido por Santo Ivo). Como já se percebeu, o QUINTO PODER (o económico, o tal que é apadrinhado pelo diabólico Astaroth), mantém-se calmo e refastelado, sabedor de que os últimos são sempre os primeiros, bastando estalar os dedos para virem-lhe comer à mão os outros QUATRO PODERES, à revelia dos respectivos e escandalizados santos protectores. E se continuarmos a conjecturar e puxarmos pela cabeça vamos conseguir arranjar nomes e desenhar uma roda ou teia de humanos relacionamentos com todos os santos, que até nem é complexa, mas continua a ter algumas e repreensíveis falhas. Então e os reformados? Sim, os reformados, não os da PT, da REFER ou da CGD, mas dos outros sectores económicos, que depois de quarenta anos de serviço, de nos terem levado a carne, o músculo e muitas horas de sono, ainda nos congelam o sustento! Gostava de saber porque não há um patrono dos reformados, isto se até São Francisco de Assis foi nomeado patrono dos animais e das preocupações ambientais. Para a semana que vem, vou enviar uma missiva para o Vaticano, com uma reclamação indignada, por tanta desconsideração e ausência de protecção.

CENAS DA LUTA DE CLASSES
Greve dos controladores e estado de alarme.


A greve dos controladores espanhóis aí está a confirmar aquilo de que por aqui já falámos no post CENAS DA LUTA DE CLASSES ou seja, a relevância política das contradições e lutas a nível da empresa, e o crescente papel do Estado "democrático" no controlo e repressão dos trabalhadores, realidades menos evidentes em períodos de relativa estabilidade, mas que se revelam com toda a crueza em épocas de crise como a que agora vivemos.

Pela primeira vez nos 35 anos do pós franquismo um Governo espanhol, no caso do PS, recorre ao estado de excepção, por lá chamado de alarme, não no âmbito, por exemplo, da luta contra a ETA ou o terrorismo islamista, mas sim contra aquele que é afinal o inimigo principal do sistema, os trabalhadores que não aceitam docilmente as imposições do capital.

Embora a comunicação social, como de costume, tenha sido parca em informar sobre as razões e desenrolar do conflito, enquanto passou horas intermináveis de microfone estendido a ouvir os queixumes de passageiros sobre os transtornos que a greve lhes estava a causar, é já claro que foi o Governo que escolheu o timing, despoletou a provocação (legislação a piorar substancialmente as condições de trabalho dos controladores), e face à sua previsível reacção (greve sem aviso prévio) pôs de imediato em pratica as medidas repressivas previamente planeadas, declarando o estado de alarme e entregando o controlo do espaço aéreo aos militares.

A escolha dum período de grande movimento nos aeroportos para atacar um sector profissional bem pago, e por isso pouco susceptível de merecer a simpatia duma opinião publica condicionada, foi para Zapatero (que faltou à cimeira Ibero-Americana para no terreno dirigir as operações e colher os respectivos louros mediáticos) o contexto ideal para uma intervenção musculada que, com a prestimosa colaboração duma comunicação social submissa, o projecta como um líder corajoso e decido, capaz de defender os direitos do cidadão comum contra um grupo de privilegiados que recorre a formas de protesto à margem da lei. Mesmo lá longe na Argentina, Sócrates apercebe-se rapidamente do que está em causa, e aproveita a primeira câmara de TV que lhe passa à frente para atacar os controladores espanhóis, deixando dessa forma bem claro que está disposto a fazer o mesmo, assim a oportunidade surja.

Duma penada o Governo espanhol não só resolvia de forma expedita um conflito que se arrastava há meses, como lançava um poderoso aviso urbi et orbi da sua determinação em recorrer a todos os meios disponíveis para fazer frente à crescente contestação social decorrente das medidas de austeridade, não hesitando sequer em desenterrar uma medida tão extrema como o estado de excepção, usado por exemplo nos anos 20 pela funesta República de Weimar na sua feroz repressão à classe operária alemã, e a que inevitavelmente Hitler iria também recorrer em Fevereiro de 1933, menos de um mês após tomar posse, para não mais ser levantado. De certo modo, e do ponto de vista jurídico, o regime nazi foi um estado de excepção (ou alarme) que durou 12 anos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

É TÃO BOM VER COMO ELES REPARTEM OS SACRIFÍCIOS


Na semana passada, a Câmara Municipal de Loures anunciou às associações e colectividades do Concelho de Loures que na senda do momento de austeridade, em 2011 o apoio regular a estas entidades iria sofrer um corte de 100%! Isto é, passará a ser 0 (zero). Isto, depois de uma semanas antes ter anunciado a essas mesmas associações que a cedência de transporte municipal para as suas actividades também iria sofrer reduções até 60%.
O esforço financeiro do município no apoio a mais de 200 colectividades e associações de Loures, que envolvem centenas de dirigentes voluntários e milhares de utentes em actividades regulares no âmbito do desporto, lazer, cultura e recreação, cifrou-se em 400 mil euros no ano passado.
Estes anúncios foram embrulhados no lustroso papel da crise internacional, nacional e local. Que os tempos não davam ao município qualquer margem de manobra. Custava muito, mas tinha de ser. Que o bom político, é aquele que nos momentos difíceis não ilude a realidade e dá as más, mas necessárias e inevitáveis, notícias de peito aberto.
Hoje, passando os olhos sobre as últimas deliberações municipais percebi que este município, que vive tempos de “brutal” austeridade, vendo-se na contingência de cortar este tipo de apoios, decidiu alugar, no passado dia 2, 34 novas viaturas, sendo que 8 são de alta cilindrada, pelo valor final com IVA de 822 800€ (oitocentos e vinte e dois mil euros)
Estas viaturas ficarão afectas ao Presidente da Câmara, Vereadores e assessores.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sob a altíssima inspiração de São Francisco de Sales
Câmara de Setúbal volta-se para a questão do "considerado quarto poder".


A Câmara Municipal de Setúbal, provavelmente depois de ter resolvido os prosaicos problemas dos munícipes daquele progressivo concelho da península do mesmo nome, decidiu voltar a sua atenção para a magna questão "do considerado quarto poder" que "manipula os indivíduos, forma opiniões, controla comportamentos e atitudes",

e vai daí, sem sequer nos dar uma abébia do a propósito de tão ingente preocupação, mas sob a altíssima inspiração de São Francisco de Sales, patrono dos surdos e dos jornalistas (estranha acumulação, não lhe parece?), considerando que quando o poder judiciário fracassa, o executivo não cumpre e o legislativo confunde, "o quarto poder toma o domínio", o que, digo eu, só pode trazer acrescidas desgraças, aos setubalenses em particular, e em geral a todos os devotos de São Francisco de Sales,

portantos, e derivado do que, aos dezassete dias do ano da graça do Senhor de dois mil e dez, decidiu a acima referida Câmara aprovar por UNANIMIDADE a Moção que pode ler na íntegra se fizer a fineza de carregar neste link.

domingo, 5 de dezembro de 2010

AINDA MAIS CHINESICES
Só que o KKE não é de levar desaforo para casa.


Num encontro entre Liu Jieyi, do Comité Central do Partido Comunista da China, com G. Papandreu, primeiro-ministro grego e presidente do PASOK e da Internacional Socialista, declarou Liu: "O relacionamento entre o PASOK e o Partido Comunista da China é excepcional e temos toda a intenção de trabalhar juntos mais estreitamente a fim de promover nossas relações inter-partidárias e através do diálogo inter-partidos reforçar a excepcional cooperação estratégia entre nossos dois países, especialmente agora quando enfrentamos muitos desafios".

Ao contrário do que aconteceu por cá, em que os camaradas assobiaram para o lado a propósito das declarações de Fu Ying vice-ministra dos Negócios Estrangeiros da China, antes da visita a Portugal do Presidente Hu Jintao a Portugal, a 6 e 7 de Novembro, "Acreditamos que as medidas tomadas pelo governo português conduzirão à recuperação dos sectores económico e financeiro de Portugal", o Partido Comunista da Grécia que, pelo menos neste caso, não foi de levar desaforo para casa, comenta no jornal "Rizospastis” órgão do KKE, que a Internacional Socialista, a que pertence o PASOK (e o PS português), "apoia as guerras dos EUA e da NATO e é um pilar político de apoio do sistema capitalista explorador na Europa e em todo o mundo" e entre outras considerações conclui "Depois de tudo isto, alguém poderia perguntar-se se o PC da China está a ficar pronto para abandonar a sua última "folha de parreira" – o seu título."

sábado, 4 de dezembro de 2010

Greves Selvagens

«A "greve selvagem" iniciada ontem ao final do dia deixou o espaço aéreo de Espanha vazio e condicionou vários voos em toda a Europa. Ainda ontem à noite, o Ministério da Defesa espanhol tomou conta do espaço aéreo do país.
Os controladores aéreos reivindicam direitos de trabalho, como o pagamento das horas extraordinárias. A decisão dos 2300 controladores aconteceu depois de o Governo anunciar a privatização da AENA, a gestora aeroportuária espanhola.»

Notícia do jornal PÚBLICO on-line, de 4 de Dezembro 2010

Meu comentário: O assunto não é novo, já tem largos anos, desde que os acontecimentos se verificaram pela primeira vez, mas era bom que se reflectisse sobre o fenómeno das “greves selvagens”, o porquê e como acontecem, já que a questão de quem as controla não se põe, porque dizem que são selvagens, isto é, desprovidas de controlo e sem respeitarem as leis. Nesta questão, os sindicatos, federações e centrais sindicais, deviam dedicar uma atenção especial a este assunto, e informar a opinião pública das suas conclusões, porque se calhar, também lhes cabe alguma responsabilidade no facto de elas ocorrerem.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A mim também me dava jeito antecipar os vencimentos de 2011, sem os cortes claro.


Com quem é que acham que devo falar? Com os deputados do PS, ou esses estão em dedicação exclusiva aos gajos da massa? E será que o inefável Assis, ex-autarca da megapólis de Amarante e defenestrado mártir de Felgueiras, também ameaça demitir-se se me falharem com o guito? E que Sócrates considera imoral a antecipação de dividendos da PT? Ou que ainda haverá algum trabalhador neste país com um IQ superior a 70 que vá votar novamente no PS? Enfim tudo questões com as mais profundas implicações politico filosóficas, que bem precisavam da sabedoria e eloquência dum Catão, o Velho, ou dum Raposo, o da mamma, mas que neste blog suburbano terá que ser o Dédé a desengomar-se.

Pelo menos quanto ao deputado Galamba do 24 de Novembro, não precisa de se preocupar a fazer mais declarações de voto, está tudo tratado, já tenho aqui uma "solução técnica" que ele fará a fineza de enfiar no sitio onde lhe der mais jeito, e que dá pelo menos 100% de garantia de respeitar a "estabilidade fiscal", o "comércio jurídico" e a "confiança dos investidores", e todas aquelas tretas que vão buscar quando o pessoal do PCP e do BE começa a aperta-los lá na AR.

Enfim, pelo menos estou descansado que estas cenas das antecipações, ilegais não devem ser, se não são para a PT porque caraças é que iam ser para mim? Então pensam que a cambada que nos tem desgovernado nos últimos 35 anos não teve mais que tempo para fazer todas as leis, decretos, portarias e despachos que foram precisos para que os gajos que mandam nisto se baldem aos impostos, enquanto quem realmente paga nesta terra são os trabalhadores por conta de outrem?

Ah, e já agora, antes que me esqueça, podem também antecipar-me os abonos de família de 2011 dos três putos que foram à vida, os abonos, não os putos, com o Orçamento PS/PSD?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ameaçador

O PARTIDO Comunista Português vai levar hoje à Assembleia da República a sua proposta de aditamento ao regime especial de tributação dos dividendos relativos a 2010, operação que ficaria fora do raio de acção das regras do fisco, subvertendo o que o orçamento de 2011 (o da miséria e hiper-austeridade) impõe, caso fosse antecipada, pelas empresas, a distribuição desses dividendos. Dizem que o PS (partido Sócrates) está "visceral e moralmente" dividido, entre os que querem aprovar e os que querem rejeitar aquela irrefutável iniciativa. Francisco Assis, o pressionante líder parlamentar de serviço daquela bancada, ameaça que se demite se o partido votar ao lado dos comunistas.

ADENDA - A iniciativa legislativa foi rejeitada com os votos contra do PS, PSD e CDS/PP, e votos a favor do PCP, BE e PEV. Perto de uma dezena de deputados do PS e dois do PSD informaram que iriam apresentar declarações de voto.
Para situações de excepção requeriam-se acções excepcionais. PS, PSD e CDS/PP assim não o entenderam (o PS esbracejou com os mais gongóricos argumentos), e os senhores accionistas a quem vão ser antecipadamente pagos os dividendos dos exercícios de 2010, os últimos a quem as crises costumam bater à porta (quando batem), podem continuar a dormir descansados. Com crise ou sem ela, os partidos atrás referidos, com especial destaque para o PS, continuam às ordens dos que tudo fazem para se esquivarem ao pagamento de impostos, deixando essa função aos párias do costume. A História não os absolverá.

ADENDA 1 - Resultado final: PS, PSD e CDS "chumbaram" a lei do PCP, mas dois deputados independentes (Miguel Vale de Almeida e João Galamba) abstiveram-se e o candidato presidencial Defensor Moura votou ao lado de comunistas, bloquistas e verdes. Embora seguindo a disciplina imposta, doze deputados do PS apresentaram declarações de voto, entre eles António José Seguro, Inês de Medeiros, vice-presidente da bancada, e Eduardo Cabrita. (Excerto do jornal PÚBLICO de 3 Dezembro 2010)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Basta Inverter o Sentido

ONTEM, o primeiro-ministro José Sócrates afirmou o seguinte: "Não, Portugal não precisa de auxílio europeu e do FMI. Não, não é verdade que Portugal esteja a ser pressionado por Bruxelas para solicitar ajuda externa.".
Conhecendo-o como o conhecemos, bem como as suas "qualidades" de mentiroso compulsivo, aquelas afirmações queriam dizer mais exactamente o seguinte: Sim, Portugal precisa de auxílio europeu e do FMI. Sim, é verdade que Portugal tem vindo a ser pressionado por Bruxelas para solicitar ajuda externa, porque o governo não quer encontrar outras soluções alternativas (acrescento eu).
Regra geral, isto é válido para todas as outras declarações capitais que este cavalheiro faz. Basta inverter-lhes o sentido e teremos à nossa frente aquilo que ele não tem coragem de dizer ou de fazer.