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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Então as eleições não podem também ser luta de massas? Estão condenadas a ser sempre o quê? Luta de pizzas?


O pessoal que por aqui nas redes sociais se começou por lamentar do “povo que temos”, acha agora que as eleições é coisa que já lá vai, que isso agora não interessa nada, o importante mesmo é a “luta de massas”.

Como se as eleições não pudessem também ser momentos altos de mobilização e luta social e politica, como se a nossa própria história não tivesse exemplos de importantes lutas de massas à volta de “eleições” (onde nem sequer se punha a questão de eleger o candidato da oposição).

Não percebem, nem parecem interessados em tentar perceber, porque é que na actual situação, de aguda crise e descontentamento social, a mobilização popular à volta da candidatura de esquerda pouco ultrapassou a linha dos fiéis votantes no PCP, mas disponibilizam-se desde já, do FB aos blogs, para se pôr "à frente das lutas de massas".

Se o fizerem, que neste caso tenham um pouco mais de clarividência do que a mostrada nas eleições presidenciais, por exemplo, fixando objectivos claros, significativos, e realistas, em vez de se ficarem pelas tomadas de posição e protestos pouco mais que simbólicos, então acho que o povo até é capaz de agradecer.

Só espero que me poupem de um dia destes começar a ouvir que tal e coiso e blá blá estas são “as massas que temos”.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Parece que o Povo não se empolgou com o apelo ao patriotismo, nem se rendeu ao charme do membro da CP do CC do PCP.


No post ISTO DAS ELEIÇÕES É COMO FAZER AMOR o Dédé dá conta do desencanto de apoiantes da candidatura de Francisco Lopes com os resultados das eleições do passado domingo, e do seu, deles, relativo consenso de que a “culpa” é do povo que terá votado contra os seus interesses.

De facto é frustrante ver que a única candidatura que nesta conjuntura de crise assumiu por inteiro as “dores do povo” e conduziu a mais séria, empenhada e combativa campanha eleitoral consegue apenas pouco mais de 300 mil votos, 3,1 % dos 9.622.547 inscritos ou 7,1% dos votos válidos.

Seria uma completa injustiça e falta de seriedade não reconhecer o muito bom desempenho de Francisco Lopes e o trabalho de todos os que contribuíram para a sua campanha; como de uma grande leviandade e autismo assacar o relativo desaire para as costas do “povo que temos”.

Como por aqui se referiu neste blog, a actual conjuntura de crise económica e social e o quadro dos outros concorrentes, propiciavam as condições para a apresentação duma candidatura com um apelo mais abrangente que, mesmo sem comprometer o essencial das linhas do manifesto e actuação da candidatura do PCP, tivesse sido mais efectiva na concretização dos seus objectivos, nomeadamente reforçar a voz dos trabalhadores em luta e alargar a expressão do descontentamento a outros sectores dos que estão a pagar a crise.

Apresentar neste tipo de batalha um importante mas relativamente desconhecido dirigente do PCP, não era certamente “a única alternativa”. Agora não há como voltar atrás, e é por isso completamente inconsequente cristalizar à volta de posições do tipo “eu é que tinha razão”, até porque nada garante que a emenda fosse melhor que o soneto; mas agora é o tempo certo para fazer a avaliação objectiva do que foi esta importante intervenção na vida política do país, nomeadamente das opções de fundo que ditaram a natureza da candidatura e condicionaram os seus resultados.

A justeza das orientações, neste como noutros casos, afere-se na pratica, não em função da autoridade de quem as decide e/ou defende, mas sim dos resultados alcançados. E a questão que nos devemos sempre colocar, em vez de procurar desculpas, é se teria sido possível ter feito melhor, não para atribuir medalhas ou dar raspanetes, mas para aprender com os acertos e as falhas, para fazer melhor no futuro. Na situação de debilidade das forças de esquerda, da difícil conjuntura e das lutas que se impõem, esta parece-me a atitude que, por todas as razões, cabe a cada um de nós.


Nota
A fotografia é dum comício da CDE nas “eleições” de 1969. Na CDE participavam o PCP e outros sectores de esquerda, mas não incluía o Dr. Mário Soares e outros caciques da ASP (que esteve na origem do PS) que concorreram como CEUD.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ISTO DAS ELEIÇÕES É COMO FAZER AMOR
Somos todos muito bons, uns verdadeiros especialistas; se a coisa corre mal a culpa só pode ser dos outros.


Desabafos online dalguns friends que no Facebook animaram o grupo A candidatura que defende Portugal e os Portugueses:

  • Relativamente ao que deu errado: Creio que nada deu errado pois isso depende do que se esperava do Bolo. Creio que da nossa parte podemos dizer que cumprimos a missão e cumprimo-la bem.
  • Mas este povo é asno ou toma o veneno como fosse remédio?
  • Não desanimem pois o nosso resultado é positivo e não se mede em votos.
  • Estou revoltada com a ignorância deste povinho aburguesado!
  • O trabalho, o esforço realizado por Francisco Lopes, por todo o Partido e apoio de muitos milhares de amigos não foi em vão, saímos mais reforçados!
  • Lembrei-me do meu avô materno... Ele costumava dizer que cada porco tem o chiqueiro que merece... É pena que quem vive ao lado e sem ter culpa nenhuma ter de levar com o cheiro desse chiqueiro! Quero que saibam que não contribui para a MERDA que ai vem.

Adenda em 26/1/2011 (2 excertos de declarações de Jerónimo de Sousa)
  • O resultado de Francisco Lopes nas eleições presidenciais foi «notável» face à campanha de «resignação» e do «está tudo decidido» com que os portugueses foram «martelados» ao longo de meses.
  • Em relação à nossa votação, procuramos até compreender o povo, não estamos zangados com ele. É este o povo que temos, é com este povo que lutamos, é por este povo que continuaremos a lutar.

Sobre as Presidenciais

HABITUALMENTE não reflicto muito na véspera de eleições. Basta-me observar o dia-a-dia, ter as minhas convicções e andar razoavelmente informado para formar a minha opinião. No entanto, não abdico de reflectir sobre os resultados eleitorais, porque normalmente vão condicionar o meu-nosso futuro, logo, costumo investir algum tempo a digeri-los, e naturalmente, a articular conclusões.
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COMO já referi no meu blog O ESCREVINHADOR, neste acto eleitoral, a abstenção, se tivesse nome de gente, teria ganho as eleições e dado ordem de despejo a Cavaco Silva, do Palácio de Belém. E isso tem um significado: seja pelo variado elenco de candidatos, ou pela vulgaridade dos seus objectivos, os políticos à esquerda de Cavaco Silva falharam redondamente. Não souberam interpretar as inquietações do eleitorado, que subjaz ao descontentamento que se vive, e não souberam (ou não quiseram) almejar entendimento, concentrando-se numa candidatura consensual, que pudesse enfrentar, de igual para igual, o candidato da direita. Resultado: o eleitorado, descontente com a pulverização à esquerda, acabou dar o seu voto aos candidatos “freelancer” (Fernando Nobre e Manuel Coelho), ou então renunciaram a votar. E as conclusões estão à vista: há 5 anos, Manuel Alegre com uma candidatura autónoma anti-PS facturou mais de um milhão de votos. Agora, apoiado por esse mesmo PS e pelo BE perdeu 300.000 votos. Francisco Lopes averbou menos votos que Jerónimo de Sousa nas eleições transactas, e Fernando Nobre que fez questão de se apresentar sem apoios partidários, averbou 600.000 votos. O ex-comunista e actual PND José Manuel Coelho, voluntarioso e a remexer nas feridas abertas, chegou quase aos 190.000 votos.
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POR ISSO, no fundamental concordo com o Brissos, naquele post que ele assinou no blog ESSÊNCIA DA PÓLVORA. E insisto nesta ideia: o PCP, e também o BE, têm especiais responsabilidades em não conseguir encontrar um "challenger". Francisco Lopes passou a mensagem do PCP de forma rigorosa, foi oportuno e pedagógico, porém o PCP continua a perder moderadamente votos, mas é preciso muito mais do que isso. Para as próximas eleições presidenciais (e não só nessas), o PCP precisa de encontrar, ou colaborar empenhadamente na busca de uma figura de consenso, sobretudo independente, mas que se identifique com políticas e causas de esquerda, que seja capaz de reconquistar o eleitorado do PCP, que aglutine o descontentamento que grassa numa significativa franja do PS e estimule o eleitorado do Bloco de Esquerda, que desta vez, tão prematuramente se colou à apressada e apatetada candidatura de Manuel Alegre, uma iniciativa fabulosa e tresloucada, empenhada em tentar reeditar e multiplicar a votação de há cinco anos atrás, quando as condições, eram bem diferentes das actuais. De facto, os tempos são outros, e já era altura de o PCP abandonar aquele princípio (e pelo caminho alguns outros) de que só apoia aquilo que pode controlar a 100%. Talvez por isso, para mim, as eleições presidenciais não tenham passado de um acontecimento menor, em comparação com o que vamos ter que enfrentar no futuro, agora que Sócrates viu renovada a cumplicidade e a protecção institucional da Presidência da República.
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NÃO QUERO falar de números nem de efabulações aritméticas; quero apenas lembrar que quem tem intenções de votar à esquerda, perdeu o pé, e os partidos que têm responsabilidades nisso, e cuja implantação não é negligenciável, pouco ou nada fazem para que a democracia mude de rumo. Por isso, e não só, é forçoso que haja alguém que convença o PCP, de que ele não é apenas um partido contestatário e vigilante da consciência e moral socialista, mas também um partido de poder, não hegemónico, é certo, mas detentor de ideias justas e de quadros altamente competentes e dinâmicos, com grandes probabilidades de participarem na inversão deste declínio, para que a sociedade portuguesa está a ser arrastada. Se o PCP chegou até aos dias de hoje, com as correspondentes despesas que os abanões da história sempre cobram, à mistura com algumas clamorosas e dispensáveis purgas, penso que é chegada a altura de enfrentar a realidade, mandar render a guarda e enfrentar os combates que se adivinham, abrindo novos caminhos e sugerindo outros destinos. Em democracia, os partidos políticos têm, e sempre terão, grandes responsabilidades, porque são a súmula de uma colectividade de convicções, e a História, ao analisar os grandes momentos, não os isenta de responsabilidades, antes pelo contrário.
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FALTA acrescentar um último ponto a este meu devaneio. Embora haja que respeitar a democracia e os resultados eleitorais, não há que ter medo de sermos críticos das escolhas que o povo português fez, e verbalizar porque discordamos dessas escolhas. As decisões da maioria (tanto as boas como as más, segundo o entendimento de cada um) não podem transformar-se numa espécie de ditadura dissimulada da maioria. Cavaco Silva é o Presidente da República Portuguesa, mas não é o “meu” Presidente, e por uma razão simples: Cavaco Silva já deu provas de não ser presidente de todos os portugueses, seja por preconceito, por atitudes, ou por outras razões não negligenciáveis. Se for necessário dizer que o povo escolheu mal, direi que o povo escolheu mal, e até direi porquê. Nem sempre as maiorias, lá porque são maiorias, têm razão, ou sejamos obrigados a dar-lhe razão. Do que não se pode duvidar, é que mesmo podendo estar erradas, essas escolhas são legítimas, logo temos que conviver com elas, e está aí o cerne da democracia. O grande desafio está em encontrar o caminho para o mudar o estado de coisas, e se ele não existir, abri-lo à força de ideias, com arrojo e determinação.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O PRESIDENTE DE 23,15% DE TODOS OS PORTUGUESES.


Embora o pessoal jovem é que tenha a fama de não perceber puto de Matemática, parece-me que os mais cotas também deixam muito a desejar.

Com 99,75% dos resultados apurados, votaram em Cavaco Silva 2.228.154 eleitores dos 9.629.630 inscritos. Segundo a minha folha de cálculo 23,15%.

Se isto é um bom resultado, vou ali e já volto


Adenda em 29/1/2011

Ao fim de quase uma semana em estado de negação, ontem a direita, pela voz de Vasco Pulido Valente, começou a admitir que afinal a coisa não correu lá muito bem a Cavaco:

"Temos de voltar ao essencial. O dr. Cavaco perdeu. E fez mais do que perder uma eleição. Comprometeu gravemente o regime, que daqui em diante já não pode funcionar com qualquer espécie de “regularidade”. Com 54 por cento de abstenção, um Presidente, este ou outro, não tem a força e o prestígio para dissolver a Assembleia ou sequer para exercer uma influência pesada sobre o Governo. Está sempre numa posição de claríssima fraqueza, porque nada lhe garante que os poucos votos de 23 de Janeiro (menos de um quarto dos portugueses) lhe cheguem para sancionar ou impor uma decisão [...] obrigado a negociar a todo o momento cada passo e cada palavra.

E assim o homem, que devia assegurar a estabilidade da República, acabou em cinco anos por a comprometer. [...] Andou por aí, como um fantasma, sem uma palavra pertinente, um gesto de afirmação, uma vontade clara. E ficou, como era de esperar, sozinho. O que não importaria muito, se Portugal não precisasse, como precisa, de um Presidente."

Ler a crónica completa no Publico de 28/1

O NÚMERO QUE NÃO COUBE NO CARTÃO DE CIDADÃO.


Os crânios que conceberam o Cartão do Cidadão devem ter achado que isso do Numero de Eleitor é coisa que não interessa a ninguém, e vai daí, aquilo que é uma das iniciativas mais positivas do Simplex lá ficou coxa na perna da cidadania.

Os problemas que isto está hoje a causar a muitos milhares de pessoas, e que terá mesmo impedido algumas de exercer o seu direito ao voto, não é novidade. Já nas anteriores eleições o problema ficou bem evidente, embora com menor expressão do que hoje por à data haver menos Cartões de Cidadão do que agora.

O que é que se fez entretanto para tentar minorar o problema? Salvo raras excepções, NADA.

A Comissão Nacional de Eleições que devia ter alertado para o problema e tomado medidas, pelo menos ao nível da divulgação, nada fez, e aquelas inovações tecnológicas que nos permitem consultar o número de eleitor através da Internet e de SMS estão obviamente dimensionadas para trabalhar na perfeição nos períodos em que não são necessárias, mas quando chega a hora da verdade acontece o mesmo que à embaixada de Portugal em Tunes, tiram férias.

Enfim restam as excepções, entre as quais aqui a Junta da Freguesia da Portela (PSD) que em todos os actos eleitorais mantém na Assembleia de Recenseamento um serviço que, sem deslocações, filas, ou esperas, fornece aos eleitores cá do bairro o numerozinho que não coube no Cartão de Cidadão, e que é indispensável para o exercício do indeclinável direito ao voto.


Sugestão
Aprendido numa mesa de voto nas anteriores eleições: criar no telemóvel um contacto Eleitor com o dito numero. Depois é só não esquecer que o pôs lá.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

AGORA É TEMPO DE REFLECTIR, E DEPOIS VOTAR.



Os votos em Francisco Lopes contribuem sempre, mas sempre, para que Cavaco Silva possa não ganhar logo na 1ª volta e ser forçado a disputar uma segunda volta.

Os votos em Francisco Lopes são os que, politicamente, melhor, mais clara e mais fortemente falam e testemunham pelo descontentamento, irritação, revolta e indignação causados por uma política em que, nos aspectos essenciais, Cavaco e Sócrates e o PS e o PSD são cúmplices e não adversários e que, ao mesmo tempo, alargam veredas de esperança e mais combativamente batalham por novos rumos de real mudança.

A abstenção ou o voto em branco (cuja legitimidade democrática não se contesta) por parte de eleitores de esquerda contribuem sempre para melhorar a percentagem de Cavaco Silva e diminuir as percentagens dos que se lhe opõem nesta eleição presidencial. Insatisfações ou diferenças de opinião com os candidatos adversários de Cavaco Silva não devem servir para fazer de conta que tudo é igual ao litro ou para que, podendo falar, haja homens e mulheres que fiquem calados a ver a banda cavaquista passar.

Numa circunstância eleitoral, a maior grandeza da democracia e a maior afirmação da dignidade dos cidadãos eleitores não está num espírito de «maria vai com as outras» ditado por sondagens ou enganadoras e falsas concepções de «voto útil» mas sim num voto firme e inabalavelmente determinado pela consciência, convicções e vontade efectivamente soberana de cada um de nós.


Vítor Dias, em "o tempo das cerejas"
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NÃO SE CALE NO DOMINGO
No domingo tem duas possibilidades: calar-se ou usar o voto para expressar a sua indignação.


"Eu não voto em ninguém", atirou ao candidato, revoltada pelos cortes que a impossibilitam de recorrer às credenciais necessárias para que os bombeiros a levem ao seu médico.

A reportagem é do Público e merece os poucos minutos que a sua atenção lhe possa dispensar. Num episódio simples mas significativo, que nas suas infinitas variações todos já testemunhámos no nosso dia a dia, uma senhora afectada por mais uma medida injusta e iníqua, que lhe nega os meios para prosseguir um tratamento, revolta-se contra este mundo feito cão em que lhe coube viver com o bem conhecido EU NÃO VOTO EM NINGUÉM.

Foi a senhora idosa de Sines, mas podia ser o jovem do bairro social suburbano, a operária têxtil com o marido desempregado há mais dum ano, a jovem licenciada a trabalhar a recibos verdes, o quadro da grande empresa obrigado a "dançar ao som da música de quem manda" para tentar manter o emprego, o pequeno comerciante com dívidas ao fisco, aos fornecedores, ao banco.

Todos eles, e tantos mais, que já não acreditam na possibilidade doutra forma de viver a vida, na acção colectiva, no simples acto de votar como forma de ao menos exprimir a sua indignação. E cada um deles é um caso, uma pessoa concreta que precisa não só de compreensão mas da sincera empatia que o seu grito de revolta procura em quem o ouve, como aliás tão bem o entendeu e soube exprimir naquela situação o candidato Francisco Lopes.

Um exemplo para quem diariamente nos partidos, nos sindicatos, nas autarquias, nas colectividades de recreio, nas organizações de solidariedade social dá o melhor de si mesmo, na luta por um mundo novo a sério.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

TEMPERATURA DA CAMPANHA


O Publico apresenta diariamente uma rubrica chamada Temperatura da Campanha, onde no desenho dum termómetro atribui um valor de temperatura (nota) a cada uma das campanhas.

Com seria de esperar no periódico do Belmiro, a candidatura de Francisco Lopes está sempre para o lado do frio, partilhando normalmente Cavaco e Alegre os lugares mais quentes e cimeiros.

O que mais me intriga é em que buraco é que a autora da rubrica, São José de Almeida, enfia o termómetro para, por exemplo e de acordo com o próprio Publico, num dia em que Alegre teve um "comício com pouca gente no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo" atinge a temperatura de 40 graus, ao passo que Francisco Lopes, "perante milhares de pessoas" que encheram o Campo Pequeno, se ficou pelos 20 graus.

Se tem mesmo de ser patriótico... sempre é preferível ser "patriótico e de esquerda".


Agora que o tema chegou ao 5Dias, recordo que já aqui na Essência tinha falado nisto faz tempo, em OBVIAMENTE NÃO SOU PATRIOTA, o que, como podem constatar se forem lá ver ao link, embora sendo um facto incontornável acerca do qual nada posso fazer, em nada me impede de votar Francisco Lopes no dia 23.

No post Patriótico e de Esquerda Manuel Gusmão faz uma defesa meritória da utilização da expressão na campanha de Francisco Lopes mas derrapa nitidamente quando invoca Marx e o Manifesto: “Venhamos então a essas frases do Manifesto Comunista que, de tão luminosas, acabam por encandear”.

ENCANDEAR? Será que agora tenho que passar a usar óculos escuros para ler Marx e Lenin? Ou desistir de vez e começar a ruminar uma das versões autorizadas das suas doutrinas? Sei lá a, muito em destaque na última Festa do Avante, "A História do Partido Comunista da URSS (bolchevique)" com introdução de Filipe Leandro Martins do Comité Central do PCP?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Os lugares políticos são efémeros, mas a vivenda da Quinta da Coelha está para durar.


Com tanta vivenda por esse Algarve, terá sido também coincidência ter escolhido a casa de férias ao lado de Oliveira e Costa e outros amigos do BPN, os tais com quem nos disse já não ter nada a ver há muito tempo?

"Os lugares políticos são efémeros, mas a nossa honra e o nosso carácter são permanentes", diz Cavaco mostrando indignação quando falam da compra acções do BPN a 1 euro, quando o preço era 2,2 euros.

Então e agora cabe ao povo “repudiar veemente a campanha de insinuações e calúnias que foi montada”»? Não consegue sua excelência arranjar um tempinho para explicar uma coisa tão simples? A sua honra não justifica esse pequeno sacrifício? Acha mesmo que estas coisas se resolvem nas eleições, à la Berlusconi?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

OS "FILHOS" DE CAVACO


Daniel Oliveira, no Arrastão

Segundo uma investigação da "Visão", no período de pousio político, Cavaco Silva conseguiu um terreno, onde agora tem uma propriedade, através de uma permuta com um construtor civil. Não se sabe com quem e com quê foi feita a permuta. E o próprio Cavaco não se lembra. Ao contrário do que informou o Presidente da República, a matriz da propriedade que é referida no Tribunal Constitucional não está nos registos notariais. Sabe-se que o negócio foi feito por um ex-adjunto seu e que no pequeno aldeamento, financiado pelo BPN, em que quase tudo tem estranhos contornos, Cavaco tem como vizinhos Oliveira Costa e Fernando Fantasia. São dois homens fortes da SLN. Um vendeu e comprou ações a Cavaco Silva, dando-lhe um bom pé de meia. Outro fez excelentes negócios em Alcochete, socorrendo-se de informação privilegiada, depois do empenho dos cavaquistas em ver ali o novo aeroporto.

Será mais uma coincidência a rede dos negócios ser sempre a mesma?

Cavaco Silva pode continuar a dizer que os seus filhos sairam há muito tempo de casa e que não pode responder pelo seu comportamento tantos anos depois de lhes ter perdido o rasto. Mas, de cada vez que se cava um buraco, lá aparecem as mesmas minhocas. É coincidência que tantos filhos do cavaquismo tenham ido parar ao BPN? É coincidência que Cavaco tenha mantido, com todos eles e com o banco que eles construiram e que nos está a destruir, relações tão próximas? Que eles apareçam nos seus negócios privados, nas suas comissões de honra e nas listas dos financiadores das suas campanhas

A verdade é que os filhos que Cavaco renega quando se fala do BPN nunca sairam da sua casa. Construiram um banco que se mostrou ruinoso para o País com base nas redes clientelares do cavaquismo. E, na gestão da sua vida financeira e patrimonial, Cavaco Silva continuou a mover-se sempre nessa mesma rede.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ASSIM NÃO DÁ
Para derrotar Cavaco a esquerda precisava dum challenger.


Impedir a reeleição dum Presidente da República em exercício, com os altos níveis de aprovação habituais no desempenho deste cargo em Portugal, não é pêra doce.

Mas é possível derrotar Cavaco. As suas vulnerabilidades ficaram bem à vista logo durante a pré-campanha, em situações que põem a nu aquilo que o manifesto eleitoral e as intervenções de circunstância tentam esconder:
  • O caso BPN não só revelador da promiscuidade da política e negócios do cavaquismo, como dos motivos e consequências duma indecente nacionalização de prejuízos, que favorece accionistas e especuladores à custa de mais sacrifícios de quem trabalha;
  • O desprezo a que vota o Estado Social como se viu ao aconselhar uma senhora em Almada a procurar o apoio duma instituição que não seja do Estado;
  • A orientação neo-liberal de submissão aos mercados financeiros e de desrespeito pela soberania nacional, bem patentes no não podemos insultar os mercados.
Posições que precisavam de respostas inequívocas a clarificar o que está em causa nesta eleição, e não desta cacofonia a três que dilui e enfraquece qualquer mensagem, por maior que seja a sua correcção.

Para derrotar Cavaco era preciso um challenger, com o apoio empenhado da esquerda e disposto a conduzir uma campanha mobilizadora dos que estão contra as politicas anti-trabalhadores, de destruição da estrutura produtiva, de definhamento do Estado Social, de submissão aos grupos económicos e ao capital financeiro, contra estas desgraçadas políticas de Sócrates e Cavaco.

A existência de três candidaturas à esquerda, que à primeira vista pode parecer uma forma eficaz de mobilizar os respectivos eleitorados e forçar uma 2ª volta, não funciona, a luta política é mais do que simples aritmética eleitoral. Pode eventualmente não comprometer o essencial no caso em que todos são apenas candidatos, mas numa reeleição, com a natural tendência para o voto em quem já ocupa o lugar, especialmente no caso dum cargo em que a percepção geral é de que no fundo pouco aquece ou arrefece, as hipóteses de sucesso são escassas.

Contudo, como os candidatos não se esquecem de dizer, nisto de eleições não há vencedores antecipados. Como também não é indiferente Cavaco ganhar com aquela vantagem absurda que há tempos lhe davam as sondagens, ou ficar apenas um pouco acima dos 50%. Ou mesmo ter de ir à 2ª volta, onde o baralhar e dar de novo não lhe seria favorável. Por isso, mesmo pendurado nas canadianas, lá estarei no dia 23 a votar contra Cavaco.


NOTA: Fernando Nobre, que se está a revelar muito pior do que era possível imaginar, não entra claramente nas contas da esquerda.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Muito me conta, então o candidato Cavaco deu-se mal com os benditos mercados?


Lamenta-se o candidato Cavaco à compreensiva Judite, que os 147 500 euros que sacou do negóciozinho que o amigo Oliveira e Costa lhe proporcionou com as acções da SLN/BPN, não chegam sequer para cobrir os prejuízos das outras aplicações das suas poupanças de mísero professor.

Como por aqui ainda não decidimos emitir e começar a vender acções da Essência, a única coisa que podemos oferecer ao professor Cavaco é uma palavra de simpatia, dizer-lhe que não está só, que, au contraire, está muitíssimo acompanhado por aquela vasta classe do empreendedor à portuguesa, que vive e medra à sombra de negócios manhosos e/ou do Estado, e que quando se atreve no mundo real dos seus idolatrados mercados, normalmente a coisa dá merda.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Será que o NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS só se aplica acima de 147 500 euros ?


Se tivesse um euro por cada vez que li ou ouvi ao pessoal de direita que escreve e comenta em tudo o que é sitio a máxima NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS , provavelmente já teria ganho mais do que os 147 500 euros de que Cavaco beneficiou com o negócio das acções da SLN (holding do BPN) em que o seu amigo Oliveira e Costa lhe vendeu a 1 euro acções que para os não accionistas, como Cavaco, custavam 2,2 euros.

Mas ouvindo agora os Marcelos e Fernandes, os Mendes e Ricardos, constatamos que, de repente, devem estar todos numa de dieta radical, já ninguém fala em almoços. Ou será que a sua, deles, regra de ouro do NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS só se aplica acima de 147 500 euros ?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cavaco recomenda a mulher sem dinheiro que procure instituição "que não seja do Estado"
MELHOR PROCURAR QUE CAVACO NÃO SEJA PRESIDENTE.


O candidato presidencial Cavaco Silva foi hoje abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho, a quem recomendou que procurasse "uma instituição de solidariedade que não seja do Estado".

Durante a conversa com Cavaco Silva, no centro de Almada, esta mulher mostrou-lhe sacos com coisas que disse ter recolhido do lixo e acabou por contar que tem recorrido à Assistência Médica Internacional (AMI) para comer.

"É o que eu estava a dizer. São essas instituições que, perante situações de pobreza e de privação, pessoas sem alimentação, estão neste momento a ajudar o nosso país. Instituições da Igreja, outras que são misericórdias, grupos de voluntariado", respondeu-lhe Cavaco Silva.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O homem que pôs no vídeo de apresentação da candidatura a Lisboa o filho de 3 anos a dizer que votava no papá, diz que a actual campanha está pobre.


Um comentador ao nível da TVI, hoje no Jornal da Noite, a comentar.

CALIMERO CAVACO
Em exibição numa eleição próximo de si.


Agora que, pelo que lemos na imprensa, parece estarem esclarecidos os contornos da compra/venda de acções da SLN por Cavaco Silva, os seus apoiantes deslocam-se com armas e bagagens do campo da negação para o da desculpabilização e vitimização.

Uma das desculpas que começa já a circular é que outros accionistas também compraram acções a 1 euro. A SLN na altura fixou o preço das acções para não accionistas a 2,20 euros, grupo onde se incluiria Cavaco, para accionistas a 1,80 euros, e para Oliveira e Costa a 1 euro. Tratou-se portanto dum favor pessoal de Oliveira e Costa a Cavaco, que poderá ter sido, eventualmente, extensivo a outras pessoas. O que é claro é que não foi uma situação normal, mas de excepção, de favor.

Outra desculpa é que é habitual as empresas venderem as suas acções próprias a preços especiais a certas pessoas, ou instituições. O que é verdade, e se faz, entre outras razões, para trazer para o projecto empresarial quem, por exemplo, reforce a sua credibilidade e/ou facilite futuros negócios. Seria isto que Oliveira e Costa esperava de Cavaco? Provavelmente sim. Desconhecia Cavaco que alguma coisa poderiam esperar dele? Provavelmente não.

A estratégia da vitimização, o paleio da campanha suja, já está em curso, e vai ser muito provavelmente o tema central das duas semanas de campanha de Cavaco Silva. Ajuda a mobilizar as "tropas" e a afastar da discussão as questões politicas.

Mas o facto da vitimização habitualmente resultar, não garante necessariamente que funcione desta vez. Também a estratégia do silêncio, de desvalorizar a questão, de se apresentar acima de qualquer suspeita (ainda têm de nascer duas vezes...) resultou lindamente nas anteriores ocasiões em a questão da compra/venda das acções da SLN/BPN foi levantada, e desta vez foi o que se viu, em três tempos deu com os burrinhos na água.

Afinal não foi na Feira do Relógio, foi a um vigarista à séria...


Afinal não andávamos longe quando perguntávamos se teria sido na Feira do Relógio que Cavaco comprou as acções da SLN.

Segundo o Expresso de hoje foi Oliveira e Costa, himself, que vendeu a Cavaco Silva as acções da SLN a 1 euro, numa altura em que os outros as compravam entre 1,8 (accionistas) e 2,2 euros (não accionistas, caso de Cavaco).

Se, a confirmar-se, isto não é favorecimento, com graves implicações politicas, então façam a fineza de me explicar o que é.

E será que ainda não é desta que Cavaco vem dizer de sua justiça, pessoalmente, sem mandatários, intermediários, ou sites da Presidência pelo meio?