sábado, 25 de maio de 2013

Os Palhaços


É LAMENTÁVEL que o escritor e ex-jornalista Miguel Sousa Tavares, não tenha medido o alcance das suas palavras, quando em entrevista ao JORNAL DE NEGÓCIOS chamou "palhaço" a Aníbal Cavaco Silva, porque com isso ofendeu todos os membros de uma digna e respeitável profissão, que não é uma profissão qualquer, antes a considero umas das mais refinadas e subtis artes que conheço. No inquérito que a Procuradoria-Geral da República abriu àquelas declarações, espero que seja tomada em consideração, esta lamentável associação que referi.

domingo, 19 de maio de 2013

A Mania das GRANDEZAS

«Se fosse eu, era enforcado no Terreiro do Paço»

Comentário de Pedro Santana Lopes na entrevista que deu no programa “Conversas com Vida”, do ETV, quando comparou as consequências das polémicas ocorridas com o seu governo, e as dos governos de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhe, a querida recorre ao Código do Trabalho, despede esses filhos calaceiros, e manda vir novos colaboradores familiares juniores daqueles bangladeshes em que a querida e os amigos estão a transformar este País.


Uns dias depois de aqui publicar este post sobre a família actual, RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA.  Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade, uma deputada do CDS publicou no i online uma crónica que recorre ao mesmo tipo de metáfora familiar: Os meus filhos são socialistas.

Embora o objectivo da crónica seja atacar o partido socialista e aquilo que na tóla da geração neo formatada passa por socialismo, o certo é que o escrito acaba por evidenciar a insanável contradição entre a ideologia neo liberal da deputada do CDS, e a pratica normal duma familia dos nossos dias. Contradição que em principio apresenta duas soluções:

Ou como se diz no título deste post a senhora leva o seu neoliberalismo à letra põe os filhos no olho da rua e importa novos colaboradores familiares dum daqueles países com vantagem competitiva na produção de  tshirts e telemóveis baratos, graças, entre outras coisas, ao trabalho de crianças forçadas a necessidades bem menores do que as dos seus actuais colaboradores familiares juniores;

Ou então a senhora deputada valoriza a familia, tema tão querido ao seu CDS, e incorpora na sua actividade politica as praticas e valores da nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, ou seja, basicamente converte-se ao comunismo;

Ou nao: o que mais não falta por aí é pessoal portador dum transtorno esquizosocial grave,  que com um ou dois comprimidos diários consegue levar uma vida quase normal.

domingo, 12 de maio de 2013

NEM A GENTE SAI DO EURO, NEM O EURO SAI DA GENTE?


No passado fim de semana li o livro do Professor João Ferreira do Amaral, que recomendo vivamente a quem queira ficar com uma ideia do que é realmente o Euro e daquilo que está a fazer à economia e à sociedade portuguesa, e este sábado li um conjunto de artigos no Le Monde Diplomatique de Maio sobre Que fazer com este do Euro?

Resumindo, Ferreira do Amaral, Carlos Carvalhas e Octávio Teixeira, que antes da entrada de Portugal no Euro foram publicamente escarnecidos por terem alertado para as funestas consequências dessa decisão, preferiam voltar ao tempo do Escudo, já Vieira da Silva preferia voltar aos seus tempos de ministro de Sócrates, e Francisco Louçã preferia ter nascido grego e líder do Syriza.

Mas sempre fiquei um pouco mais esclarecido. Talvez por influencia de Lord Young ou do Old Karl, pensava eu de que, com Euro ou sem Euro, esta cena da Austeridade tinha tudo a ver com as crises capitalistas e a maneira de sair delas: a intensificação da exploração de trabalho barato.

Mas se calhar não. Para Amaral, Carvalhas e Teixeira a coisa resolve-se com a saída do Euro. Para Louçã o melhor é nem falar nisso para não espantar o pessoal, renegoceia-se a Dívida, como diz o Syriza, e depois logo se vê. Para Silva o problema é lá com a Europa, e a nós só resta esperar que o Passos caia e que vá para lá o Seguro continuar o que Passos está a fazer.

Entretanto, e enquanto nem o euro morre nem a gente janta, só queria dizer mais duas coisinhas:

1. Ainda há alguém por aí que não tenha percebido que Portugal e a Grécia já não são membros de corpo inteiro, que já começaram, de facto, a sair do Euro?

2. E também não deram conta que já faz tempo que o Euro começou a sair, diria mesmo a evaporar-se, dos bolsos cá do pessoal?

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Submarinista


Paulo Portas tornou-se um exímio submarinista, competência que lhe vem do tempo em que foi ministro nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e não é obra do acaso o seu interesse por este tipo de arma. Está no Governo a trabalhar em águas profundas, e de vez em quando emerge até à superfície para respirar, auto-justificar-se e sacudir a água do capote. Desta feita veio fazer uma conferência de imprensa para dizer ao povo que não aceita que o Governo leve por diante a chamada "TSU dos reformados e pensionistas", porque isso seria ultrapassar uma fronteira que para ele é intransponível. Ficarmos pobrezinhos ainda vá lá, agora maltrapilhos é que não. Subir a idade de reforma para 66 anos ainda vá lá, mas agora ir mais longe que isso, já não contem com ele, mesmo sabendo que a governação passou da pura encenação à fase picaresca, onde apareceu a desempenhar o papel do polícia bonzinho, depois de Passos Coelho, quarenta e oito horas antes, ter feito o papel de políca mauzão.

Paulo Portas é um político inteligente e astuto que não dá ponto sem nó, e esforça-se por não cometer erros de palmatória. Paulo Portas enquanto tiver margem de manobra, vai mantendo o submarino a navegar, umas vezes submerso, outras vezes à superfície, oscilando com um pé dentro e outro fora, mantendo a espectactiva de que vai romper, mas não rompe, gerindo em proveito próprio o cavacal conceito de "estabilidade governativa", com as "inevitáveis" doses passistas de bandoleirismo social. Vai-se queixando aqui e ali dos seus efeitos nefastos, porém, continua a manter o submarino a navegar em círculos à volta do Coelho, a parecer que está, mas não está, que é, mas não é, que parece, mas não parece. Entretanto, pelo caminho e pelo seguro, vai enviando sinais amistosos à fragata do Seguro. Quer passar a ideia que mesmo sendo farinha do mesmo saco, é o seu grande sentido "patriótico" que vai continuando a exigir o ingrato "sacrifício" de partilhar o martírio desta insana governação. Ave de rapina como é, Paulo Portas só espera com esta política dúbia e dúplice, o momento oportuno para desferir o seu ataque. E a guerra submarina é isso mesmo, a persistente vigilância, perseguição e cerco do alvo, para o abater no momento em que o seu flanco fica mais exposto aos torpedos.

A pedido do senhor Aníbal, que não tem sombra de dúvidas e não se engana, mas apenas quer saber de que lado sopra o vento, o Almirantado (vulgo Conselho de Estado) irá reunir dentro de dias. Para pôr água na fervura, chamar o Paulinho à razão e evitar que haja um pé-de-vento, não vá ele dar-se ao luxo de querer meter o porta-aviões ao fundo.

domingo, 5 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA FAMÍLIA
Ou, se o comunismo é bom nas famílias, vai ver que ainda será melhor na sociedade.


Mas afinal de que falamos quando falamos, hoje, de produção no seio da família? Basicamente da trilogia: cama, mesa e roupa lavada, bens e serviços fundamentais para a própria produção e reprodução da  sociedade moderna.

Claro que o mercado também oferece esses serviços, o estimado leitor poderá eventualmente  organizar a sua vida a comer em restaurantes e a viver num hotel, ou ter uma equipa de empregados domésticos, mas para a maioria da população são os membros da família que asseguram a realização dessas tarefas diárias.

Ainda não há muito tempo, digamos há meio século atrás, a norma da organização do cama, mesa e roupa lavada no seio da família tinha um carácter claramente de tipo feudal.

Tal como o senhor feudal na Idade Média disponibilizava o uso da terra, do forno e do lagar aos camponeses sem terra, que depois tinham o dever de repartir com o senhor feudal parte substancial  do fruto do seu trabalho; também o marido, por exemplo um operário da cintura industrial de Lisboa, providenciava os meios de produção, e a mulher dedicada à lide da casa (ou mesmo as que tinham emprego) assegurava a produção dos bens e serviços domésticos (trabalho duro num tempo em que não havia máquinas de lavar, aspiradores, ferros eléctricos  ou sequer frigoríficos), bens e serviços que entravam depois na repartição geral a cargo do Chefe da Família.

Num e noutro caso trata-se de relações que não têm a ver com o mercado, com a compra e venda de força de trabalho, mas sim de relações de natureza jurídica, politica e ideológica, e a que não era estranho o recurso à violência. Se bem se recordam, até há pouco tempo não existia Violência Doméstica: os maridos davam porrada nas mulheres e isso era uma questão do foro privado, entre marido e mulher não metas a colher.

Mas a maior participação da mulher no trabalho fora de casa, o acesso à educação, e em geral a democratização da sociedade (não esquecendo os electrodomésticos), contribuiriam para uma alteração substancial do modo como se organiza o cama, mesa e roupa lavada na maioria das famílias actuais.

Hoje nas famílias, os conjugues, companheiros, ou o que sejam, em geral ambos trabalhadores assalariados, contribuem em conjunto para as despesas da família e a execução das tarefas domésticas, e tomam em comum as decisões sobre a gestão do agregado familiar. A figura de Chefe de Família já não consta da Lei e a Violência Doméstica é moralmente condenável e crime público.

De referir ainda que ao contrário do que acontece na esfera económica, a distribuição dos recursos no seio da família não é feita de acordo com aquilo com que cada um contribui, nem resulta duma qualquer famigerada avaliação de desempenho.

Em vez da anterior família de tipo feudal temos hoje uma organização da família mais  igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, baseada no principio "de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um de acordo com as suas necessidades", ou seja uma família de tipo comunista.

Mas será que este novo tipo de família, este novo quadro de produção do cama, mesa e roupa lavada é mais eficiente? Proporcionará menos conflitos domésticos? Enfim, são estas famílias mais felizes?

Aqui permitam-me um aparte, para dizer que sempre considerei um bocado lorpa a ideia de que cada nova forma de emancipação social, económica, ou da família, nos conduz inevitavelmente ao reino da felicidade colectiva e/ou do nirvana individual.

A questão que neste caso (como noutros de avanço civilizacional) me parece relevante, não é se esta nova família está isenta de tensões, problemas e dificuldades, mas a de saber: Quantas famílias, e particularmente quantas mulheres, estão hoje dispostas a abdicar desta nova família mais igualitária, fraterna, democrática, justa e humana, desta família de tipo comunista, em favor da antiga autoritária, desigual, injusta e violenta família de tipo feudal?  Pois é, parece que não há muitos interessados.