quinta-feira, 30 de junho de 2011

ESTREIA DO GOVERNO NA AR
Para mim foi o que esperava, mas para os 23% que votaram PSD esta estreia deixou muito a desejar.


Diz-se que não há uma segunda oportunidade de causar uma boa primeira impressão e, pelo que vejo agora nas redes sociais, entre aqueles 22,75% dos eleitores que votaram há menos de um mês no PSD, as reacções à estreia de Passos Coelho na apresentação do Programa de Governo na AR, com a óbvia excepção das claques de apoio que só vêem maravilhas em tudo o que o homem faz e diz, as reacções dizia, oscilaram entre o desencanto e a indignação.

A titulo de exemplo transcrevo aqui extractos de dois posts (onde nem sequer se fala do imposto de 50% sobre o subsídio de Natal) do professor Octávio V. Gonçalves, um dos muitos friends do FaceBook que apoiaram o PSD nas últimas legislativas, o primeiro com data de 3 de Junho, e o segundo escrito hoje após a apresentação do Programa de Governo:


3 DE JUNHO DE 2011
Um voto de confiança em Pedro Passos Coelho
Considero absolutamente transparente e salutar que, aqueles que se comprometem publicamente com ideias e com causas, possam empreender as suas declarações de voto, sem prejuízo das suas desamarras partidárias e da sua independência de análise. Assim sendo, declaro o meu voto no PSD de Pedro Passos Coelho.

Há, no meu voto, uma dimensão contestatária e pragmática, porque a única possibilidade de correr com Sócrates da desgovernação do país é eleger Pedro Passos Coelho para próximo primeiro-ministro. Argumente-se como e o que se quiser, mas não existe, na actual factualidade política, outra alternativa ou possibilidade.

Mas, também há, neste meu voto, muito de convicção pessoal e de confiança na capacidade e na seriedade de Pedro Passos Coelho para honrar os seus compromissos com a transparência, com o mérito, com a abertura da governação aos melhores e, sobretudo, com a recondução da escola pública ao trabalho empenhado em prol dos alunos e com o reconhecimento do valor e do prestígio dos professores.



30 DE JUNHO DE 2003
Este primeiro-ministro não tem palavra
Lamento ter que o reconhecer, mas acabo de constatar, há uma hora atrás, que este primeiro-ministro, e ao contrário do que era a minha convicção pessoal, não é politicamente sério.

Questionado, no Parlamento, sobre a avaliação dos professores, o primeiro-ministro afirmou, peremptoriamente, que não haverá lugar à suspensão do modelo de avaliação, embrulhando em mentira e desculpas esfarrapadas aquilo que é um incumprimento eleitoral e uma insanável cambalhota relativamente a tudo o que fez e afirmou até ganhar as eleições legislativas.

Mas, o que menos abona em favor da seriedade política de Pedro Passos Coelho são os argumentos invocados para suportar a não suspensão do modelo de avaliação:

1. no final de Março de 2011, o anterior Governo ainda dispunha de meio ano para conceber um novo modelo de avaliação;

2. neste momento, o novo Governo já não dispõe de tempo útil para conceber esse novo modelo de avaliação.

Ora, acontece que quando o PSD votou, no Parlamento, a suspensão do modelo de avaliação em vigor, o Governo já estava demissionário e apenas permaneceu em funções de gestão, durante mais dois meses, e, como tal, sem condições funcionais e de legitimidade política para conceber um novo modelo de avaliação. Logo, não faz sentido o que Passos Coelho afirma em 1., apenas para esconder a forma como iludiu eleitoralmente os professores.

Relativamente ao afirmado em 2., o actual primeiro-ministro ainda se desacredita mais, pois, não foi ele próprio que garantiu à jornalista Clara de Sousa, numa entrevista na SIC, que, em Março de 2011, o PSD não se limitou a votar a suspensão do modelo de avaliação, mas tinha uma alternativa e que até fez gala de exibir o documento? Então, em que é que ficamos?

Mas, o que Pedro Passos Coelho finge, agora, não perceber, é que o imperativo de suspender imediatamente o modelo de avaliação em vigor, não é uma questão de oportunidade temporal, mas um pressuposto de seriedade pessoal, de quem não pode permitir-se legitimar e validar processos "monstruosos e kafkianos" que são uma farsa.

Nesta estreia parlamentar, Passos Coelho nem sequer teve coragem para reafirmar o fim da avaliação pelos pares que está inscrito no programa eleitoral do PSD, escudando-se, apenas, no fim, mas que não é para já, da avaliação por pares de outros grupos disciplinares.

A avaliação dos professores é tão-só, para quem enche a boca com a necessidade de gerar confiança, a primeira prova de que este primeiro-ministro traiu, de forma grosseira e oportunista, a confiança que muitos professores nele depositaram.
Estou disponível para provar o que aqui afirmo em qualquer local ou instância.

GRÉCIA: MEGA SALDO DO PATRIMÓNIO SEM COMPRADORES.
Os abrutes à espera do estertor final da vítima.


Ao mesmo tempo que mais uma Greve Geral paralisava o país, milhares de manifestantes protestavam nas ruas, e no Parlamento se votava um novo pacote de espoliação do Povo Grego, num elegante hotel de Londres, o Claridge's, representantes do Governo Grego tentavam interessar investidores estrangeiros num mega saldo do património nacional. À venda estão:

  • 39 aeroportos
  • 850 portos
  • caminhos de ferro
  • estradas
  • obras de esgoto
  • empresas de energia
  • bancos
  • grupos de defesa
  • milhares de hectares de terra
  • casinos
  • lotaria nacional da Grécia.

George Christodoulakis, secretário especial da Grécia para a reestruturação de activos e privatizações, disse esperar realizar cerca de 50 mil milhões de euros para ajudar a pagar o resgate da dívida do país, 110 mil milhões de euros. Mas os potenciais compradores, reunidos no salão de baile do hotel mostraram pouco interesse em comprar fosse o que fosse.

Christodoulakis negou que o mega saldo tenha sido organizado à pressa, preferindo descreve-lo como um "plano de privatização gerida profissionalmente". "Podemos vender mais barato do que em condições normais, mas vamos aplicar os fundos a comprar de volta a nossa dívida". Quando um colega grego interrompeu para dizer que o mega saldo "está a destruir o nosso país", Christodoulakis respondeu "não vale a pena de chorar sobre leite derramado" e aconselhou o seu compatriota a "tentar ser optimista".


Escrito com base no artigo do Guardian "Debt-laden Greece finds no buyers in 'fire sale' of national assets" .

quarta-feira, 29 de junho de 2011

GOVERNO QUER MENOS FERIADOS E PONTES
E quecas só ao fim de semana, como nos países mais a norte. Tudo para melhorar concentração laboral.

Tens a certeza que hoje é sábado? Pergunta a rapariga.

O tempo é de crise e pobre foi feit@ para sofrer, para trabalhar no duro, para amouchar, não para andar por aí de espinha direita, a gozar pontes e feriados. Nem, digo eu, para passar o dia no trabalho, desconcentrad@, a fantasiar a queca que vai dar logo à noite.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A COMPRA DA VARIAN E A VENDA DA TAP
O interesse de quem comprar a TAP vai ser apoderar-se dos seus clientes.


Revelando um cinismo sem limites (recuso-me a admitir que possa ser tamanha a ingenuidade) o Governo anuncia agora que a venda da TAP será feita com um conjunto de condições que irão assegurar no futuro a sua continuação como companhia de bandeira.

Isto traz-me à memória uma cena ocorrida nos idos de 1977 quando a fabricante de mainframes SPERRY UNIVAC (hoje UNISYS), onde trabalhava na altura, comprou a VARIAN, pioneira dos então chamados mini computadores, máquinas tecnologicamente avançadas e que já prenunciavam a grande viragem da informática a que iríamos assistir na década de 80.

Como trabalhadores duma empresa que entre outras coisas se orgulhava de ter construído o primeiro computador comercial (o UNIVAC-I, sucessor do ENIAC), ficámos entusiasmado com as perspectivas que aquela aquisição abria para o futuro.

Uns dias após o lançamento com grandes fanfaras e promessas de futuro radioso para os mini computadores VARIAN (que passaria a desfrutar de todas as vantagens de ter sido adquirido por um líder do mercado), fui convocado para uma reunião em Paris onde, pensava eu, iria ser apresentada e discutida a integração daquele produto nas linhas da empresa, nomeadamente o aproveitamento de algumas das suas impressivas inovações tecnológicas para futuros equipamentos.

Nada mais longe da realidade. O que de facto lá se tratou foi de começar a preparar a migração dos programas e aplicações da VARIAN para o modelo UNIVAC-80, tecnologicamente mais atrasado e até aí de reduzido êxito comercial, de forma a criar condições para que os numerosos clientes dos modelos VARIAN pudessem no futuro, com um mínimo de problemas, substituir os seus equipamentos pelos da UNIVAC.

Não se iriam desenvolver novos modelos do VARIAN, e nem sequer se iria aproveitar a sua tecnologia de ponta para futuros produtos. O VARIAN tinha sido comprado para morrer. O interesse da UNIVAC era exclusivamente a sua base de clientes. Quando comprou a VARIAN, foi isso que comprou, os seus clientes.

Depois daquela experiência ao vivo e em directo, vi repetir-se vezes sem conta, nos mais diversos países e sectores de actividade, este tipo de cena canalha, a canibalização de produtos, empresas, ou ramos inteiros duma economia, com o correlativo despedimento de centenas ou milhares de trabalhadores.

No fundo boa parte da história da economia portuguesa pós adesão à Comunidade/União Europeia é uma série ininterrupta de versões, sem tecnologia de ponta, da história da VARIAN.

Mais cedo ou mais tarde, quase de certeza mais cedo do que tarde, a TAP terá também o mesmo destino do VARIAN. O interesse de quem a comprar agora, ou de seguida, vai ser apoderar-se dos clientes da TAP, actuais e potenciais passageiros. O resto, as tais condições de que fala o Governo, é conversa para boi dormir.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ORGANIZAR E CONTRA ATACAR


"The peoples have the power and never surrender. Organize – Counter attack."

"We call upon working people, youth, women to join our popular uprising."

"We will strengthen our struggle with people from all over the world against capitalist brutality in order for the brutal measures that bankrupt the people not to be applied."

A Crise é Uma Coisa dos Diabos

O GOVERNO de Passos Coelho já informou que este ano não vai de férias, porque a situação de crise do país, não é compatível com os políticos a irem a banhos, a bronzearem-se, a andarem nas mariscadas e a estoirarem as economias.
Depois disso, o governo querendo dar um arzinho de que está preocupado com as poupanças, decidiu que dentro da Europa vai passar a viajar de avião em classe económica, muito embora continue a beneficiar das passagens oferecidas pela TAP.
Vai daí, só falta o governo garantir que vai passar a trabalhar aos domingos, muito embora seja mais do que certo que Dom José Policarpo vai torcer o nariz a esta medida, pois os domingos sempre foram os dias do outro Senhor, e não convém andar a misturar missas com conselhos de ministros e outras actividades profanas.

NOTA – A imagem foi picada do blog THE SOUND OF SILENCE

sábado, 25 de junho de 2011

Gostaria que Portugal se transformasse numa Florida da Europa
Diz o cromo que o Pedro botou na Economia.


Como aquele estado americano, Portugal devia ter como uma das principais riquezas os reformados: "O Estado português ainda não descobriu o verdadeiro filão dos reformados dos países nórdicos, da Europa do Leste ou das ilhas britânicas", diz o assistente da cátedra Medina Carreira, Álvaro dos Santos Pereira.

Espero que este cromo do neo liberalismo tuga não tenha ido também passar férias à Tailândia, senão ainda vem propor de seguida a internacionalização do Parque Eduardo VII e Monsanto.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cena do beija mão à chefe do Reich
UMA FOTO QUE VALE MAIS DE MIL PALAVRAS.

A chefe do Reich, ar displicente e divertido, passa a mão pelo pêlo ao gajo que faz agora o papel de Pétain, sob o olhar respeitoso do mordomo da casa, enquanto o grego mal comportado, com um rictus de sofrimento e resignação e de olhos baixos, mostra que está ali para aceitar tudo o que a Kaiser mandar. O troll de Massamá, cabeça inclinada perante a chefe, ri-se, provavelmente nem ele sabe do quê, na esperança bacoca de cair nas boas graças da mulher que tem a chave do cofre.

Foto de inclusão obrigatória em futuros manuais de História que queiram explicar o que é a União Europeia.

O HOMEM CERTO PARA CHEFIAR AS NEGOCIAÇÕES COM A TROIKA.


O estimado leitor pode estar todo entusiasmado com aqueles cromos do neoliberalismo tuga a quem o Pedro entregou as pastas das Finanças e da Economia, mas cá para mim este era o homem certo para chefiar o processo de negociação com a Troika nos próximos anos.

Ganhava ele e ganhava o país.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A utilidade marginal dos votos do BE em Rui Tavares.


Não faço ideia se se trata dum caso intencional de aplicação do princípio da utilidade marginal às eleições, ou se Miguel Madeira chegou lá sozinho. Whatever, o que não tenho dúvida é que se trata da maior posta de bullshit a defender o direito de Rui Tavares ter levado os votos do BE para os Verdes Europeus que encontrei pela blogosfera. Ora façam a fineza de ler:

"O Bloco de Esquerda teve 382.667 votos nas eleições para o PE; se o partido tivesse tido 379.786 votos, teria sido a CDU (com 379.787) a eleger o 3º deputado.

Ou seja, menos 2.881 votos e o Bloco não teria eleito o 3º deputado (por outras palavras, bastaria que 1 em cada 125 eleitores de BE não tivesse votado assim, para que este só tivesse 2 representantes). Ora, Rui Tavares é uma figura conhecida, o ele ser candidato foi várias vezes referido na comunicação social e na campanha creio que houve alguns discursos do género "vamos ver se levamos o Rui Tavares a Bruxelas!".

Assim, é bastante provável que algumas pessoas terão votado BE por lá estar o Rui Tavares; será que a hipótese de pelo menos 1 em cada 125 votantes do BE ter sido influenciado pela sua presença é assim tão descabida?

Por outras palavras, atendendo ao perfil público de Rui Tavares e à margem estreitissima pelo qual o Bloco elegeu o 3º candidato, parece-me possível que tenha sido mesmo ele a trazer efectivamente os votos que permitiram a sua eleição."

Na Hora da Despedida

O ÚLTIMO acto político ou administrativo (tanto faz) do XVIII Governo Constitucional de José Sócrates, na situação de governo de gestão, foi dar luz verde para que a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo implementasse de imediato o plano de reestruturação dos seus recursos humanos, que visa dispensar, até ao fim do ano, 380 dos actuais 720 trabalhadores daquela unidade industrial.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

THE DEAD AMONG US



Já não bastando os 900.000 falecidos que repousam em paz nos cadernos eleitorais, ficámos hoje a saber que a Justiça pagou 165 mil euros a magistrados já falecidos, e que médicos mortos passam receitas (provavelmente mortais) a utentes que já morreram.

Depois admire-se de eu próprio não ter a certeza se não estarei já a postar isto duma quinta das tabuletas próxima de si.

VERÃO NO JARDIM DA PORTELA
E a Piscina da Câmara de Loures ali tão perto...


O quadro, deste início de Verão cá pelo bairro, até pode ser aprazível, mas aquela não é seguramente água com um mínimo de condições sanitárias para quem quer que seja tomar banho, muito menos crianças.

Provavelmente alguns daqueles miúdos estão entre os 4 500 do Ensino Básico a quem a Câmara PS de Loures cortou este ano as aulas de Natação Curricular, e agora é isto o melhor a que conseguem ter acesso.

Se o leitor conhece a Portela sabe que ali a cem metros de distância existe uma piscina municipal, aberta todo o dia, durante todo o ano. O que talvez não saiba é que para a frequentar em regime livre (fora regime de aulas) tem de começar por pagar 27.50 euros de inscrição e depois mais 11 euros por 45 minutos de utilização (se optar pela modalidade de 5 utilizações de 45 minutos por mês fica-lhe por 36 euros).

Para que servem as piscinas municipais do concelho de Loures?

Em primeiro lugar, para providenciar uns jobs aos boys da GesLoures, mais uma das muitas empresas municipais criadas para aquilo que sabemos.

Em segundo lugar, para quem tem dinheiro para pagar as elevadas taxas de utilização, cerca do dobro das praticadas pela Piscinas Municipais de Lisboa (apesar do aumento de preços à volta de 50% com que, nesta época de crise, António Costa do PS, Helena Roseta da cidadania e o Zé que fazia falta ao BE, brindaram este ano os lisboetas).

terça-feira, 21 de junho de 2011

PRAXADOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.


Agora que fica claro qual é a preferência de Passos Coelho para o cargo de Presidente da Assembleia da República, ficamos também a saber que a imposição do voto em Fernando Nobre, o gajo que tem uma azia do caraças aos partidos e políticos, não passou duma praxada do Pedro aos antigos e novos deputados do PSD, rito de humilhação e submissão ao macho alfa da agremiação laranja.

MINISTRO DA TROIKA, E DA TRETA
Vítor Gaspar reúne com Troika antes mesmo da primeira reunião do Governo.


O homem pode não ter experiência politica, mas percebeu rapidamente qual é
o seu lugar na cadeia alimentar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

À Procura de Um Plano B

O PSD de Pedro Passos Coelho averbou a sua primeira derrota com uma NOBRE PATACOADA, isto é, esqueceu-se (ou ninguém lhe disse) que é sempre necessário haver um plano B, quando o plano A é fraco, ou o êxito não é garantido, e o novo governo, mesmo antes de tomar posse, e com a troika e os mercados à perna, já experimentou duas falsas partidas. Coelho que se cuide, porque Portas, mesmo que envolvido na coligação, é ambicioso, não brinca em serviço e é um adversário temível. Será que Coelho tem que voltar à JCP para tirocinar?

OS GRILOS DA NAÇÃO
E a minha curiosidade em ver como Nuno Crato vai descalçar esta bota.


Confesso que tenho pouca pachorra e menor apreço pelos Medina Carreiras e Marinho Pintos cá da praça, e que de toda esta extensa e nutrida fauna, aquele que ainda leio e ouço com interesse é o agora nomeado Ministro da Educação Nuno Crato. Não só os seus escritos e intervenções de divulgação da Matemática, que recomendo a todos, como até os da sua cruzada contra o eduquês que, de forma acutilante e muitas vezes certeira, denuncia algumas das deficiências e dificuldades do ensino que temos.

O problema é que o fulgor da critica não é acompanhado nem pelo rigor da análise, nem pela apresentação de alternativas credíveis.

Como é típico dos grilos da nação, para o Professor Nuno Crato todos os males do ensino em Portugal radicam na aplicação de ideias erradas, segundo ele associadas a uma certa esquerda idealista e irresponsável, e a solução está em substituir as ideias erradas do eduquês pelas ideias certas do retorno à autoridade, exigência, mérito e outros chavões tão queridos aos ouvidos dos saudosos duma idade mítica que na realidade nunca existiu.

Como é que o Professor Crato vai desfazer o nó da contradição entre as suas ideias certas e a realidade dum ensino democrático e inclusivo que carrega às costas muitos dos problemas duma sociedade cada vez mais desigual, duma escola onde inevitavelmente se reflectem os problemas de carência, precariedade, desemprego e super exploração, duma dura realidade que nos deixa, no final de cada dia, sem aquele mínimo de disponibilidade intelectual e afectiva para acompanhar e apoiar o dia a dia dos miúdos. Como é que Nuno Crato vai fazer o salto do reino das ideias certas que defende para o mundo concreto de professores, pais e alunos é coisa que me deixa deveras curioso.

Para bem de todos nós só lhe posso desejar o maior sucesso a corrigir o que está mal e a melhorar o que está bem e, fazendo eu agora de grilo do novo Ministro, dizer: Não caia na patetice de muitos dos seus antecessores, de tudo querer mudar duma assentada, receita inevitável para que tudo fique ainda pior. Ah e tenha sempre presente que muito do que sabemos nos foi ensinado por professores (como o senhor) que, com bons ou maus ministros, continuam, na sua grande maioria, a fazer um trabalho que, seguramente, a Nação tem muito a agradecer.

sábado, 18 de junho de 2011

PARA APLICAR AS FATWA DA TROIKA, UM GOVERNO DE JIHAD.


Manda quem pode, obedece quem deve: os banqueiros disseram o que queriam, os lacaios já começaram a cumprir.

Um dos Dez Delírios do Euro 2004 vai Acabar Assim

«A Câmara de Leiria aprovou hoje, por maioria, a proposta para levar o estádio municipal, um dos palcos do Euro 2004, a hasta pública pelo valor de 63 milhões de euros. A deliberação, que necessita de autorização da Assembleia Municipal, foi tomada na reunião do executivo municipal, cujo acesso foi vedado aos jornalistas. No final da reunião, o presidente da câmara, Raul Castro, afirmou estar convicto de que, “em termos de gestão”, a autarquia, está “a fazer o melhor para os interesses dos munícipes de Leiria”, considerando que o estádio “não pode continuar como está”.
“Se a autarquia tivesse recursos, já teria resolvido o problema do topo norte [área inacabada do estádio]”, explicou o autarca, independente eleito pelo PS, justificando a alienação com os encargos que o estádio acarreta e com a situação financeira do município.
(...)»

Passagem da notícia do semanário SOL de 17 de Junho de 2011

Meu comentário - Este Estádio Municipal de Leiria, um dos dez (10) delírios do Euro 2004 vai acabar assim, entregue a quem quiser ficar com ele, isto se a hasta pública não ficar às moscas. Ao fim de sete (7) anos, e depois de alguns episódios intercalares, verifica-se que estamos perante um negócio manifestamente ruinoso, que directa e indirectamente, continua a onerar o bolso dos portugueses, isto porque se entendeu que o espectáculo de “ripar na rapaqueca” (*), devia ser elevado à categoria de desígnio nacional, não olhando a despesas com a edificação de numerosos locais de culto, espanhados pelo país. Recorde-se que, quem na altura contestou a iniciativa, foi liminar e violentamente apelidado de mesquinho e profeta da desgraça. Entretanto, os resultados vão aparecendo, ajudando a compor a barraca lusitana, e pelos vistos, nem o Belmiro de Azevedo lhe deita a mão. Como documento, junto um quadro da Avaliação Económica do Euro 2004, publicado em Março de 2004, e da autoria do Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Católica Portuguesa, Universidade do Minho e Universidade do Algarve.

(*) Expressão usada pelo falecido repórter desportivo Jorge Perestrelo



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O Ricardo Reis gostou da escolha de Vitor Gaspar
Quanto ao Alberto Caeiro e ao Álvaro de Campos, logo se vê.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Imagem para Um comentário breve de Carlos Vidal ao post Em defesa dos amanhãs que cantam.


Dos 26 homens e mulheres que integravam o Comité Central do Partido Bolchevique em 1917, aquando da Revolução de Outubro, em 1935 9 tinham morrido vítimas de doença ou da Guerra Civil.

Dos 17 restantes, 13 são eliminados entre 1935 e 1940, a maioria nos anos trágicos de 1937/38.

Do C.C. de 1917 escapam com vida das purgas: Alexandra Kollontai, fora do país, a primeira mulher a desempenhar as funções de Embaixadora, Elena Stassova, que nos anos 20 faz parte do CC do Partido Comunista Alemão, Matvei Muranov, próximo do amado líder e afastado da política em 1939, e claro Stalin.


Posts Em defesa dos amanhãs que cantam e Um Comentário breve no 5Dias.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O TIO BELMIRO EM ACAMPADA NA AVENIDA DA LIBERDADE
E onde está a Câncio, quando mais precisamos dela?


Ao contrário da Acampada do Movimento Democracia Verdadeira Já, que se limitava, sem perturbar o trânsito ou incomodar os peões, a ocupar o espaço em volta da estátua do Maximiliano do México, há mais de cem anos a fazer de Dom Pedro IV ali no meio do Rossio,

tomo conhecimento através daqueles blogs do costume que o tio Belmiro do CONTINENTE está para ali a armar uma bagunça do caraças, a ocupar as faixas centrais da Avenida da Liberdade, ao que parece através duma operação de "rent-à-rua" com o tal Zé que dantes fazia falta ao BE e agora faz falta ao Costa, o que não quer ser líder do PS porque prefere escritórios à beira rio,

mas com quem eu estou mesmo preocupado é com o outro gajo que também queria ir para Belém, à procura de maiores audiências para as estórias de galinhas, e como não conseguiu convencer o povo foi convencer o Pedro para lhe dar o lugar que dá direito a substituir o que lá está, quando se dá o caso de não estar cá,

mas acontece que o Pedro, que não se cansa de dizer que a coisa por aqui está preta, não conseguiu convencer o Paulo, que parece que vai para Ministro dos Negócios Estrangeiros para dinamizar a diplomacia económica, que por exigências da troika vai ter que aumentar as exportações e, até ao fim do ano, vender os submarinos, ou a RTP, sei lá,

e agora anda o Pedro a pedir aos órfãos do Sócrates para votarem no gajo que não gostava de partidos e para quem os deputados eram assim tipo chulos, o que é mesmo uma prova de insensibilidade numa altura em que o lugar do Zé do Governo ainda não arrefeceu, e ele ainda está para ali às voltas com os mandamentos da troika, quando o que lhe apetecia era estar a milhas,

o que me me traz à lembrança que quando mais precisamos da Câncio, sempre na vanguarda dos que condenam as acampadas e as pinturas de murais dos putos da JCP, quando agora a gente mais precisava da f. por causa desta cena da Acampada do tio Belmiro, é que me dizem que está, ou vai, of all places, para Paris, France.

Recortes e Rascunhos (5)

«Indícios de que 137 auditores que estão no Centro de Estudos Judiciários (CEJ) a formarem-se para serem magistrados copiaram num teste levou à anulação do exame. Face à impossibilidade de encontrar uma data para repetir o teste a direcção da instituição decidiu atribuir nota dez a todos os futuros magistrados.»

Excerto da notícia do jornal PÚBLICO de 16 de Junho 2011

Meu comentário: Este caso reflecte, de forma certeira, o efeito conjugado do SIMPLEX com Novas Oportunidades e «Porreiro, Pá!»

QUANTOS MAIS MORREREM MAIS SE POUPA
Presidente da Entidade Reguladora da Saúde propõe fecho de hospitais.


O presidente da ERS fala de uma oferta excessiva de hospitais em Portugal, com muitos estabelecimentos que podem ser fechados como contributo para a saída da crise. Afirma Jorge Simões que “as pessoas têm que perceber que Portugal está a passar por uma situação de grande dificuldade”.

Para além da poupança imediata na factura do SNS, há também, diria mesmo sobretudo, que considerar aquilo que em economês se designa por efeitos induzidos da medida.

Assim com o aumento da mortalidade infantil reduzem-se as verbas despendidas em abonos de família, e com os reformados a bater as botas uns anos antes fica assegurado de vez o equilíbrio da Segurança Social.

A médio prazo o encerramento de hospitais contribuirá ainda para a diminuição das taxas de desemprego, e redução das verbas do respectivo subsidio, já para não falar do que se vai poupar no Rendimento Mínimo, e que com menos alunos se irá também gastar muito menos em Educação.

Claro que as vantagens não se ficam por aqui, e qualquer leitor minimamente informado poderá continuar esta lista do contributo inestimável que o encerramento dos Hospitais dará para a redução do défice, o pagamento da dívida, e a felicidade geral dos que sobreviverem à medida.


Jorge Simões a explicar como poupar dinheiro e ser feliz (e doente) para o resto da vida.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Metro de Lisboa trava linhas para fora da capital.


"A expansão da rede do metropolitano lisboeta dentro dos concelhos que ficam junto à cidade, como Amadora, Loures e Odivelas, vai ser preterida no novo plano de investimentos da empresa", o que para quem tem acompanhado a prometida expansão do Metro a Sacavém e Loures, não é propriamente uma novidade.

Trata-se, na altura em que o Metro revê o seu Plano Estratégico, de reafirmarem aquilo que há muito sabíamos, que o anúncio da expansão do Metro a Sacavém e Loures não passou de mais um episódio da conhecida novela Promessas Eleitorais, no caso com a participação da administração do Metro, Governo PS, e Câmara PS de Loures.

Não se vislumbrando nos tempos mais próximos a possibilidade da extensão do Metro ao concelho de Loures, há que aproveitar da melhor forma a entrada em funcionamento da extensão da linha Vermelha, prevista para o final deste ano, onde a estação de Metro de Moscavide passará a constituir um importante interface com transportes rodoviários suburbanos, o que pode contribuir para uma significativa melhoria da mobilidade das populações das freguesias orientais do nosso concelho.

Como já dissemos por aqui, aos autarcas da Câmara de Loures e das Juntas de Freguesia desta parte oriental do concelho, exige-se agora um empenhamento efectivo na forma como se irá concretizar a articulação dos transportes rodoviários com a linha Vermelha do Metro, auscultando os munícipes e defendendo o interesse dos utentes junto de todas as entidades envolvidas no processo, nesta questão tão importante para o dia a dia dos que moram por estas bandas.


Alguns posts neste blog sobre a extensão do Metro a Sacavém e Loures
.

… e queria ser Primeiro-Ministro!

PORQUE muitos cidadãos têm a memória curta e há factos que convém relembrar, passo a transcrever alguns excertos do artigo de Pedro de Pezarat Correia, de 13 de Junho de 2011, intitulado “Paulo Portas Ministro?”, e que o jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS se recusou a publicar, querendo isto significar que a manápula da censura continua a andar por aí, muito embora o lápis tenha mudado de cor. De cor-de-rosa passou a cor-de-laranja... O título do post é de minha autoria.

«Paulo Portas não deve ser ministro na República Portuguesa.
(…)
Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa Nacional de anterior governo, mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que serviram de pretexto para a guerra de agressão anglo-americana desencadeada em 2003.
(…)
A verdade é que Paulo Portas, regressado de uma visita de Estado aos EUA, declarou à comunicação social que “vira provas insofismáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque” (cito de cor mas as palavras foram muito aproximadamente estas). Ele não afirmou que lhe tinham dito que essas provas existiam. Não. Garantiu que vira as provas. Ora, como as armas não existiam logo as provas também não, Portas mentiu deliberadamente. E mentiu com dolo, visto que a mentira visava justificar o envolvimento de Portugal naquela guerra perversa e que se traduziu num desastre estratégico. A tese de que afinal Portas foi enganado não colhe. É a segunda mentira. Portas não foi enganado, enganou. Um político que usa assim, fraudulentamente, o seu cargo de Estado, não deve voltar a ser ministro.
(…)

Um homem que, com tanta leviandade, mente e aborda assuntos fundamentais de Estado, carece de dimensão ética para ser ministro da República. Lamentavelmente já o foi uma vez. Se voltar a sê-lo, como cidadão sentir-me-ei ofendido. Como militar participante no 25 de Abril, acto fundador do regime democrático vigente, sentir-me-ei traído.»

segunda-feira, 13 de junho de 2011

GAJOS E CIGANOS...
Esta (ignorada) guerra de baixa intensidade.


1.
O Movimento SOS Racismo informou, domingo, que dois agentes da PSP foram condenados a 20 meses de prisão, com pena suspensa por igual período, pela agressão a um cidadão de etnia cigana, no Porto, em 2007.
Em comunicado, o SOS Racismo refere que o caso remonta a Junho de 2007, quando "Paulo Espanhol, residente no bairro do Lagarteiro, foi brutalmente espancado por dois agentes policiais na esquadra das Antas", no Porto.

2.
Manuel Rocha, director do Conservatório de Coimbra e membro da Brigada Vítor Jara, relata ocorrência passada com ele em Janeiro deste ano: "abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o “bom” ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto do bando colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido (ver foto); pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu)

3.
Podia por aqui tecer algumas considerações ao facto da condenação dos dois agentes da PSP se resumir a nada (pena suspensa), ou de Manuel Rocha omitir no seu relato factual o detalhe dos agressores serem ciganos, mas hoje prefiro salientar a banalidade e frequência destes episódios de violência, sintomas da nossa incapacidade colectiva de lidar com a única minoria que por aqui vive há umas centenas de anos, e reiterar o meu convencimento de que, enquanto a política de relacionamento com as minorias estiver (basicamente) entregue a polícias e tribunais, as coisas só podem piorar. Depois queixem-se (queixemo-nos: gajos, ciganos, e demais).


Alguns posts neste blog sobre o relacionamento com a comunidade cigana.

domingo, 12 de junho de 2011

Este é o momento de se correr atrás de lugares
Diz Sílvia Ramos, presidente da distrital de Beja do CDS-PP.


A dirigente popular deixou claro aos militantes do seu partido que lhes compete estar “nos devidos lugares, proporcionalmente ao nosso peso político e porque temos isso legitimado pelos votos que obtivemos”.

O que até deve ser mais compensador do que andar a roubar palha. E não dá chatices com a GNR.

A Doença e os Remédios

O Presidente da República, professor Cavaco Silva, em visita a Castelo Branco para as comemorações do 10 de Junho, incitou os portugueses a empenharem-se nos desafios que têm pela frente, recorrendo a uma frase de um médico célebre do século XVI, João Rodrigues de Castelo Branco, conhecido como Amato Lusitano, o qual teria sentenciado que “não há cura para aquele que não quer ser curado”.
Penso que quando Cavaco Silva pede empenho aos portugueses, está sobretudo a pedir aos mais vulneráveis e de fracos recursos, que aceitem a prescrição de mais austeridade, e a nova dose de sacríficios que se avizinham, como se estes remédios fossem o tratamento adequado para a tal doença de que o país padece.
Ora, penso que o Presidente escolheu mal a comparação e o destinatário do pedido de empenho. Esta doença está instalada no país, não porque os portugueses sejam portadores dela, e andem a espalhar a enfermidade, mas sim porque quem nos tem governado, em vez de aplicar a profilaxia adequada ao seu combate, tem andado a ajudar à sua propagação, não só da estirpe genuinamente portuguesa, mas também daquela que veio de fora, e que agravou ainda mais a contaminação. Portanto, assentemos ideias: o país está em muito má situação económica e financeira, à beira da bancarrota, porque quem andou a gerir a coisa pública, não soube fazer diagnósticos, é incompetente, negligenciou, trocou os medicamentos, deliberadamente ou não, e deixou que a epidemia infectasse todo o tecido económico e social. Aplicada às circunstâncias actuais, a frase inspiradora deveria ser mais exactamente esta: não há cura para a doença quando se está a aplicar o remédio errado.

Adenda - Curiosamente, o próprio Presidente da República, se fosse levado a sério nas coisas que diz, teria dado um exemplo de errada prescrição medicamentosa, quando disse na aldeia de Alcongosta, que as cerejas fazem bem a tudo, e até são boas para os calos. Qualquer boticário que se preze, se não ficasse escandalizado, pelo menos não esconderia um sorriso de desdém.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

HISTÓRIAS DUM TEMPO FELIZ
(que os miúdos aqui do concelho de Loures deixaram de poder contar)


Texto colectivo dos alunos duma turma do 4º ano duma escola de Lisboa que frequentam as aulas de natação das actividades de enriquecimento curricular na Piscina do Oriente.

No concelho de Loures um programa semelhante que existia há largos anos e envolvia cerca de 4500 crianças do ensino básico foi extinto pela Câmara PS de Loures.

"Estamos pelo 3º ano consecutivo a frequentar o programa de natação curricular da C.M.Lisboa, na piscina do Oriente.
Este ano as aulas começaram em Novembro e os nossos professores são o Rodolfo e a Ana e os monitores são a Sofia e o Pedro.

A natação está a ser muito divertida (Marcelo) porque temos feito muitos jogos (Miguel).
Este ano já aprendi a boiar e a deslizar para a frente (Susana) e eu já consigo respirar por baixo de água (Mariana).
Para mim, a natação está a ser muito boa porque perdi os medos que tinha de nadar (Inês).
Eu também concordo, o problema é que quando mergulho as toucas saltam (Miguel).
Agora, eu já consigo mergulhar e abrir os olhos debaixo de água (Rodrigo). Mas eu não (Gonçalo).

A professora continua a ir connosco para dentro de água (Carlos) e ajuda-nos a ultrapassar as nossas dificuldades (Érica) e a vencer os "medos" (Daiana).
O que eu mais gosto de fazer é mergulhar como os golfinhos (Daniel) e eu gosto de saltar de cabeça por dentro do arco (Rodrigo). Eu prefiro brincar dentro de água (Diogo).
Eu gosto do meu professor e embora eu tenha algumas dificuldades, acho que estou a ir no bom caminho (Mafalda).

Este ano eu ainda não fui para dentro de água porque fui operada ao braço e tenho gesso, mas ajudo as minhas colegas a secar o cabelo, que também é importante (Bruna).
O David também tem faltado porque foi operado aos olhos. Eu sei que ele também está cheio de pena, mas o importante é que ele está a ver melhor (Sandra).

Eu agora já consigo mergulhar mais fundo (Miguel) e dar cambalhotas dentro de água (Guilherme).
A natação está a ser muito divertida, porque vou com os meus colegas (Daniel).
Aprendemos coisas novas e estamos quase a passar as etapas definidas pelos professores. Mas o que é bom acaba depressa e as aulas estão quase a terminar (Maria)."

Nota: Painel afixado na Piscina do Oriente, Lisboa. A definição da foto foi reduzida de modo a não permitir a identificação das crianças.

Novas Oportunidades com Jocker

NÃO POSSO crer que um patriota dos quatro costados como é o caso de José Sócrates, vá aceitar o convite que lhe foi feito, de representar e defender os interesses de empresas estrangeiras - neste caso as brasileiras – não só em Portugal, como em toda a União Europeia. A economia portuguesa apenas perde com isso, e débil como está, não sei se essa intervenção de Sócrates, não corresponde a um definitivo golpe de misericórdia na nossa soberania, já de si tão maltratada. Isto a acontecer, envolvendo um primeiro-ministro acabadinho de sair derrotado de eleições legislativas, não sei se não deverá ser considerada uma retaliação, qualquer parecida com um visceral mau perder, ou mais grave ainda, a expressão de um indubitável conflito de interesses. Sócrates que se cuide. Ai dele! O Brasil é um país-irmão, os brasileiros são nossos irmãos, mas quanto ao resto, irmãos, irmãos, negócios à parte. Tudo o que for além disto, cheira-me a traição de grosso calibre.
Pessoalmente, até acho que ele devia ser convidado para fazer qualquer coisa, explorando ao máximo as suas energias e capacidades de comunicador, pois a preguiça em tempos de crise é um hábito muito feio. No entanto, tudo menos isto, que mexe com os interesses de Portugal e dos portugueses, sei lá, uma função mais simbólica, sobretudo no estrangeiro, onde tenha que discursar muitíssimo, de preferência sem teleponto, para ele ter oportunidade de praticar o seu "inglês técnico".

quarta-feira, 8 de junho de 2011

AS MÁS COMPANHIAS...
Cá para mim ainda têm é sorte, em conseguir aguentar 288 mil votos.


Não querendo passar por burro, junto-me aqui à legião de analistas, comentadores e bloguistas (não confundir com bloquistas), com a prova de mais uma ponderosa razão que levou o povo do BE a migrar para pastagens mais verdes, ou rosas, sei lá.

NATO, Para Que te Quero?

COMO se não bastasse os Açores serem, há quase 70 anos, uma espécie de porta-aviões norte-americano, plantado no meio do Atântico, e cujo inquilino paga a renda, tarde e a más horas, agora, fruto talvez de alguma clausula secreta do acordo com a troika do FMI-CE-BCE, e na sequência da nossa “despromoção” de país soberano a protectorado, há uma proposta do secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, na qual Portugal perde o comando operacional localizado em Oeiras, passando à categoria de base secundária, ou melhor, parque de estacionamento ou estação de serviço, para a sexta esquadra norte-americana, força naval cuja responsabilidade operacional se estende do Atlântico ao Mediterrâneo.
Com isto, fica claro que no entendimento da NATO, nem os novos submarinos que vieram equipar a nossa Marinha - e que nos deixaram mais pobretes que nunca - conseguem evitar que Portugal se torne mais irrelevante e perca competências, no âmbito desta aliança, que faz tanta falta com o míldio ou a febre das carraças. É caso para perguntar: NATO, para que te quero?

terça-feira, 7 de junho de 2011

OS SUSPEITOS DO COSTUME


"O voto de mais de 440 mil eleitores que expressaram a sua confiança à CDU é tão mais importante e valorizável quanto foi necessário anular resignações e medos instalados, vencer a dissimulação daqueles que nunca revelaram os seus verdadeiros programas e intenções políticas, bem como combater artificiais bipolarizações."

Ou seja apenas 4,68% dos eleitores, ou 7,94% dos votos expressos, é coisa importante e valorizável, e as razões para tal penúria são aqueles suspeitos do costume, sempre à mão para que não se fale mais nisso.

Enfim o que não me deixa ainda mais deprimido é que pelo menos não viram a cara à luta.

"O PCP intensificará a sua intervenção e acção política a todos os níveis e apresentará iniciativas na Assembleia da República: pela valorização dos salários, designadamente o aumento do salário mínimo nacional para 500 euros ainda em 2011 e das pensões de reforma em 25€; pelo combate à precariedade; pela reposição dos cortes nos apoios sociais, designadamente no abono de família e subsídio de desemprego; pelo reforço do Serviço Nacional de Saúde, do Ensino público, gratuito e de qualidade, e de uma Segurança Social Pública e Universal."

A FÓRMULA

José Sócrates saiu no meio de lágrimas e suspiros, porém, tal como nas guerras modernas, deixou o campo todo minado, para ir mutilando quem se afoite nas coutadas e bastiões que foi ocupando ao longo de seis anos. Para pressentirmos isso, basta acrescentar à “boyada” que deixou espalhada por todos os recantos e esconsos do aparelho de Estado, da administração pública, dos institutos, fundações e afins, um olhar sobre a composição do grupo parlamentar do PS, tudo gente escolhida a dedo pelo “chefe”, perante a abulia de um partido semi-narcotizado. Falta saber quem será o senhor que se segue, e qual o seu papel na fórmula que já se está a desenhar.
Passos Coelho, passadas que foram as festividades da sua entronização como futuro chefe de governo, acabaram-se os sorrisos e já entrou a matar. Com Cavaco Silva a dar-lhe gás, diz ele que vai formar governo com rapidez, e já prometeu que além de ir cumprir rigorosamente o que foi acordado com a missão do FMI-CE-BCE, irá “surpreender”, indo mais longe do que o imposto, com o objectivo de voltar a criar uma onda de confiança nos sempre queridos e omnipresentes mercados. Percebe-se pelo tom que que até nem é preciso rabiscar um programa de governo, pois o memorando da troika serve perfeitamente, acrescido das tais surpresas. Para já, a receita não parece divergir muito da que era seguida pelo PS, logo, prevê-se mais do mesmo, com a promessa de agravamento, e os respectivos custos a serem suportados pelas vítimas do costume.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

EM ELEIÇÕES NÃO GANHA O MELHOR, GANHA O QUE TEM MAIS VOTOS.


Uma das primeiras votantes da mesa onde estive foi uma jovem na casa dos oitenta, ar jovial e enérgico, que depois de votar fez questão de nos dirigir algumas palavras simpáticas despedindo-se com um: bom trabalho e que ganhe o melhor. Ao que um dos membros da mesa, com algum humor, respondeu que em eleições quem ganha não é necessariamente o melhor, mas o que tem mais votos.

Votos que, nestes tempos de crise, são cada vez mais escassos. Ontem o PSD ficou-se pelos 22,75% e o CDS pelos 6.91%. No conjunto os dois partidos que vão ter a maioria na Assembleia da Republica e formar Governo não chegaram sequer aos 30% dos votos do total dos eleitores inscritos.

Claro que esta crescente escassez de votos nos vencedores das eleições (recorde-se que Cavaco foi eleito por 23,15% dos eleitores inscritos), não retira qualquer poder aos órgão saídos destas eleições, mas convirá tê-los presentes face ao discurso de políticos e opinadores que já estão a usar os números dos votos expressos (no caso 38,63% e 11,74%) para tentar calar as vozes do descontentamento. Vozes e protestos dos que não se irão calar na sequência destes resultados eleitorais, como não se calariam, e com toda a legitimidade, mesmo que os resultados tivessem sido muitíssimo mais expressivos.

As eleições democráticas não são uma forma de dar razão a uns e retirá-la a outros. Fiquem lá com o Governo e a maioria da AR que nós ficamos com o direito de democraticamente continuar a lutar por um país mais justo, com menos desigualdade, desemprego e precaridade. De continuar a defender o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, e a Segurança Social. De continuar a exigir o respeito pelos direitos e dignidade de quem trabalha.

Ah, e não repitam a arrogância e autoritarismo de Sócrates (que como era inevitável mais cedo ou mais tarde lhe acabaria por ser fatal), para virem exigir a submissão incondicional aos desvario neo liberais do programa do PSD, nem, obviamente, às medidas desastrosas da troika com que tão alegre e irresponsavelmente se comprometeram.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Oh show us the way to the next little dollar
Oh don't ask why
For if we don't find the next little dollar
I tell you we must die!



Para nos falar das glórias e misérias deste mundo que nos coube em sorte, há (quase) sempre a propósito um poema de Brecht, de preferência, como é o caso, com musica de Kurt Weill.

Os interpretes deste fabuloso Alabama Song são David Johansen, Ellen Shipley, Ralph Schuckett e Bob Dorough, mas pode sempre imaginar Cavaco a fingir que guia a carripana que não vai a lado nenhum, e a troika Sócrates, Passos, e Portas, a fazer a farra lá atrás.

And must have dollars
Oh you know why


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não há STRESS…

… podem votar em tudo, menos nos partidos com ESSE!

Cromos do neo liberalismo tuga
O MOEDAS DE TROCOS


Ajudante do Avô Pintelhos na coordenação do Programa do PSD e nas sessões de vénias à troika, Carlos Moedas vai chefiar a Secretaria do Estado dos Trocos, encarregada do financiamento do Serviço Nacional de Saúde, do Ensino, e da Segurança Social.

Entretanto, este discípulo dos Mercados, do César da Neves, e do trol de Massamá, já garantiu que "assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, (...) essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal. Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o 'rating', não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 ".

Pois, isto do incorporem às vezes leva o seu tempo, tanto podem ser 6, 12 ou, sei lá, para aí uma porrada de meses, ou anos, é só fazer as contas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Três Estados-Rosa

ESTADO Social - Desde Novembro de 2010 até à actualidade, 636 mil famílias portuguesas deixaram de beneficiar do direito a abono de família, devido à eliminação dos dois últimos escalões e à aplicação da nova lei de acesso a apoios sociais. Esta iniciativa tem sido levada a efeito pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, chefiado pela senhora Helena André, ex-sindicalista da União Geral de Trabalhadores (UGT).

ESTADO de Coma – Datam de 2008 as primeiras denúncias de irregularidades com o preenchimento de formulários em delegações regionais do Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT), entidade que veio substituir a extinta Direcção-Geral de Viação (DGV), das quais resultaram a emissão, até à data, de mais de 3.000 cartas de condução falsas.

ESTADO de Incerteza - O presidente da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), José Luís Forte declarou que apesar de ainda haver falhas na área da prevenção, os «acidentes de trabalho mortais em Portugal diminuíram um terço na última década». É caso para perguntar: se não houve significativos investimentos na área da prevenção, e diminuíram o número de acidentes de trabalho mortais, será que isso não tem a ver com o facto de contarmos, actualmente, com mais de 700.000 desempregados, e isso ter baixado consideravelmente a exposição ao risco de acidentes, logo à ocorrência dos mesmos?

REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA
Apesar de todos negarem a pés juntos, já se trabalha na reestruturação da dívida da Grécia. Segue-se Portugal.


Do Sarkozy ao BCE e FMI, nos últimos dias parece não ter havido cão nem gato que não tenha vindo a público negar a evidência da inevitabilidade da reestruturação da Dívida dos países mais expostos da União Europeia.

Para não perderem a face junto do pessoal mais a leste destas cenas, parece que, nesta fase, lhe vão chamar "re-profiling voluntário". Chamem-lhe o que lhes der mais jeito, o que parece certo é que a reestruturação da Dívida da Grécia já está em curso. Seguem-se, não necessariamente por esta ordem, Portugal, Irlanda e Espanha.

Traduzido do site do Wall Street Tools LLC, um curto artigo que nos dá uma ideia do que se está a preparar: "Here Comes The Great Greek Debt Restructuring... Errr.. Reprofiling"

"Não era se, mas quando, a Grécia seria forçada a reestruturar as suas dívidas. O Dow Jones diz que as primeiras vítimas do chamado "re-profiling voluntário" serão os principais bancos gregos, incluindo o Banco Nacional da Grécia SA (ETE.AT), Banco Alfa AE (ALPHA.AT) e EFG Eurobank Ergasias SA (EGFEY). O esquema que está a ser apresentado obriga os bancos gregos a estender os prazos das suas dívidas. Em troca de concordar com o plano, as autoridades da UE não exigiriam que os bancos gregos aumentassem o capital ou ajustassem (reduzissem) o valor dos seus investimentos em títulos do governo grego. Deste modo o FASB acaba por aceitar que os métodos contabilísticos são irrelevantes, e podem ser alterados sempre que se tornem um inconveniente para o sistema financeiro.

E se os bancos gregos se recusam a alinhar com este esquema de Ponzi?

O BCE deixaria de financiar o sistema bancário grego, que está atualmente dependente do "suporte de vida" do BCE. Aqui é onde teria de entrar a coerção governamental. Se os bancos recusam o acordo, o BCE retira todo o financiamento, deixando os bancos gregos insolventes, dado que ninguém de perfeito juízo vai aceitar dívida grega como garantia para novos empréstimos. Uma vez os bancos gregos incapazes de fazer o "roll over" das dívidas com empréstimos do BCE, com juros próximos de zero, a grande tragédia grega acabaria num "crash"desastroso, e o mundo teria uma nova crise bancária.

Se por outro lado a reestruturação for por diante, poderá ajudar a Grécia a arrastar-se durante mais algum tempo, dado que os credores domésticos possuem atualmente, segundo o FMI, cerca de 38% da dívida do governo grego. Este esquema beneficiaria também os grandes bancos franceses e europeus que têm centenas de milhares de milhões de dólares de exposição aos PIIGS. Isto mostra também que, com o agravamento da crise da dívida na União Europeia, os grandes bancos, para salvar a própria pele, "estão a empurrar-se uns aos outros para baixo do proverbial autocarro" - canibalização pela elite de banqueiros no seu melhor. Seguem-se os bancos espanhóis, portugueses e irlandeses."


Adenda: Ver hoje no Público notícia, com uma única referência à palavra reestruturação, em que o BCE diz que seria uma catástrofe, mas com muitos reescalonar, curto prazo, voluntário e privados: Zona euro quer reescalonar dívida grega de curto prazo.