segunda-feira, 28 de março de 2011

Um Político em Construção, Outro em Reconstrução

DEPOIS dos fazedores de factos políticos, era inevitável que aparecessem os fazedores de líderes políticos. Ainda as eleições vêm longe e já a comunicação social, com o apoio dos especialistas e comentadores do costume, e mais umas quantas piruetas e manobrismos de se tirar o chapéu, vai dando como certo (logo condicionando a opinião pública) que Passos Coelho, será fatalmente o futuro primeiro-ministro de Portugal, quer chova ou faça sol.

Entretanto, o demissionário José Sócrates, depois de ter regressado de Bruxelas da sua sessão de queixumes e vitimização, e ter ganho as eleições internas no PS, com uma percentagem albanesa de 93,3%, enche o peito e prepara-se para a fase de reconstrução da sua credibilidade. Está em pulgas para voltar a dispor de tempo de antena para contestar as cogitações proto-governativas do senhor Coelho, mergulhando de cabeça no seu ambiente predilecto, para vociferar, exibir-se, brandir sucessos imaginários, acusar todos, desculpar-se com os outros e mentir ao desbarato com a maior das naturalidades. Razão terá tido alguém, quando afirmou que Sócrates está com pancada, e que devia ser internado, ou pelo menos, sugiro eu, fazer alguns tratamentos, porque não.

A verdade é que durante a campanha eleitoral que se aproxima, a esquerda vai ter que recorrer a muita imaginação para contornar e furtar-se à invisibilidade que esta fixação da comunicação social portuguesa vai adoptar, concentrada e polarizada à volta desta parelha Dupont & Dupont, um deles o político em construção, dizendo que “não há nada como um PEC bem temperado e guisado”, ao passo que o outro, em trabalhos de reconstrução, responderá de cenho carregado: “… e direi mais, não há nada como um PEC bem condimentado e refogado…”.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Degradante

OS LÍDERES presentes na cimeira da União Europeia beijocaram, apaparicaram e lastimaram o primeiro-ministro demissionário José Sócrates, ao mesmo tempo que louvaram a sua coragem indómita, na defesa do PEC IV e da sustentabilidade do Euro, e ele ia fazendo queixinhas, a chorar-se e a questionar-se "como foi possível fazerem isto ao país", sabendo que quem provocou a situação foi ele próprio, porque perdeu o controlo da situação. Devia ter alguma vergonha na cara (coisa pouco provável), não só pelo que fez e o que disse, mas também por ter aceite que a “patroa” Merkel tenha ameaçado o Governo, bem como a oposição, de que devem tornar claro, publicamente (registem bem!), que medidas propõem implementar, para que os mesmos objectivos do PEC chumbado, sejam atingidos, embora de forma diferente. Como se Portugal não passasse de uma região ou de um protectorado, sem soberania, apenas um “pau mandado”... Com esta União Europeia - porque já sabemos o que a casa gasta - já não exijo muito, apenas que os seus membros e as suas instâncias, com ou sem Sócrates a fazer de “ponto”, deviam manter uma respeitável distância, em relação às decisões emanadas dos Órgãos de Soberania portugueses.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A ILUSÃO DE QUE ISTO VAI LÁ COM ELEIÇÕES...
(ou de que há alternativas no quadro do Sistema)

Felizmente acho que não estou muito sozinho, e que até há cada vez mais por aí quem já assuma que, no quadro deste Sistema, não há maneira de dar a volta a isto. O compromisso que na Europa esteve na base do Estado Social está morto e enterrado, e Ensino Público, Serviço Nacional de Saúde, Pensões, Prestações Sociais e Direitos Sindicais, há muito que teriam sido definitivamente enviados para o caixote do lixo não fora a resistência popular e das organizações dos trabalhadores (nomeadamente dos sindicatos e partidos que ainda merecem a designação de esquerda).

Os tempos são deste Capitalismo neoliberal assente na exploração da mão de obra barata e sem direitos e na especulação financeira, parasita do Estado, globalizado e sem réstia de controlo democrático que, desde meados dos anos setenta como resposta à Crise 73 (é de facto uma chatice mas ainda ninguém inventou um Capitalismo assim tipo sem Crises), nos trouxe a grande velocidade, e maior desgraça, à situação que estamos com ela.


A Crise de 2008 poderia, como aconteceu por vezes no passado, ter sido um ponto de viragem na procura de um novo modelo para a sobrevivência do big C, mas sem adversário que o pudesse contestar, ou que pelo menos fosse necessário aplacar, a solução foi mais do mesmo, toca a canibalizar o que ainda resta por aí, apertar a tarraxa ao pessoal, e nem vale a pena estar a pensar onde isto tudo nos vai levar... de qualquer modo a longo prazo estamos todos mortos.

É certo que até posso ter alguma simpatia pelas boas almas que defendem fazer PECs menos piores, ou que ainda pensam que a tarefa da social democracia (socialismo) pode ser algo de diferente do seu destino histórico de side kick do Capitalismo e, como muitos outros também vou por aí participando em cenas que no fundo são como o Melhoral (não fazem bem nem mal), mas em boa verdade o que acho mesmo é que quanto mais tarde encararmos de frente a realidade, pior.


E uma questão chave desta realidade é que a classe operária tradicional, para além dos efeitos da inevitável evolução da sociedade, foi em boa parte exportada para as chinas de baixos salários e menores direitos, e por cá, por Portugal e Europa, é uma sombra do que foi, já sem condições de, como o fez em diversas circunstâncias e lugares no século passado, liderar o necessário processo de transformação social e política.

Contudo, ao menos pelas nossas bandas, ainda é quem reúne melhores condições, assim as queira potenciar, para ser o esteio dum bloco alargado de trabalhadores assalariados (operárias têxteis do vale do Ave, trabalhadores da indústria automóvel, precários de call centers, bolseiros do sistema cientifico, operadoras de caixa e repositores de supermercados, professores, boa parte das ex-profissões liberais, etc. etc.) objectivamente interessados em pôr um ponto final a este descalabro neoliberal sem presente nem futuro.

O que nesta altura faz falta, além de animar a malta, é, ao contrário do que aconteceu nas presidenciais, olhar para as eleições que aí vêm como mais uma oportunidade de chamar à luta todos os que, com maior ou menor consciência disso, têm como interesse vital a construção dum projecto de transformação que ponha a economia ao serviço das pessoas (e não da competição e do lucro) e exija que a democracia não seja, como agora, apenas um conjunto de práticas formais, sem conteúdo nem alcance prático na condução dos destinos colectivos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

ABAIXO O PEC E MAIS QUEM O APOIAR
Eu sei que o Euro 2012 é só para o ano, mas hoje temos um motivo ainda melhor para acenar a bandeira.


Apre, Custou mas Foi-se!

ANTECIPADAMENTE sabedor do veredicto que iria recair sobre o seu famigerado PEC IV, José Sócrates, primeiro-ministro, 15 minutos depois de entrar na Assembleia da República, abandonou os trabalhos, manifestando assim o mais profundo e insolente desprezo por aquele Órgão de Soberania da República. Do primeiro ao último dia, continuou igual a si próprio, isto é, grosseiro e aviltante. Felizmente saiu, para não mais voltar (por agora). Apesar de algumas entorses, a democracia continua a a funcionar, a ter vitalidade e a ter soluções.

Si non è vero, è bene trovato...
Chavez diz que o capitalismo pode ter acabado com a vida em Marte.


terça-feira, 22 de março de 2011

ESTE SÓ APITA PARA PENALTY DEPOIS DO JOGO ACABAR.


Antes do KO a Sócrates, PSD explica aos "mercados" que não está contra os PECs... apenas os quer bem desenhados e menos limitados.


Depois duma semana a esbracejar contra a "falta de maneiras" do PS na apresentação do PEC IV, o PSD resolve dar cheque mate a Sócrates, mas antes, num comunicado em Inglês para sossegar os "mercados", "esclarece que o partido continua comprometido com as metas de redução do défice (3% em 2012 e 2% em 2013)" mas que “não pode apoiar” as novas medidas anunciadas pelo Governo para lá chegar, devido à sua “provável aplicação limitada e ineficaz”, por isso defende "um programa bem desenhado de consolidação orçamental e de reformas económicas”, certamente de acordo com o "risco" da proposta de Constituição apresentada o ano passado.

domingo, 20 de março de 2011

Poder pelo Poder

HÁ UMA doutrina que diz que o difícil não é conquistar o poder, mas sim saber conservá-lo. Depois de nos empenharmos em conservá-lo, há uma grande diferença entre ter o poder pelo poder, e usar o poder para governar. Para conservar o poder pelo poder, o comediante José Sócrates, ao tentar convencer-nos que é um iluminado, um predestinado, que me lembre, é a única pessoa que conheço que não olha a meios, para dizer o maior número possível de mentiras, por cada metro cúbico de ar que respira. Não sabe ou esqueceu-se, que se pode enganar uma pessoa todo o tempo, algumas por algum tempo, mas não se consegue enganar todas por todo o tempo.

ACORDA, VEM VER A LUA
Esta noite a apenas 356 mil quilómetros



"Hoje à noite teremos uma Lua cheia muito especial, não apenas por ser a maior dos últimos 18 anos, mas também porque neste século só haverá 20 super-luas cheias semelhantes a esta. É uma oportunidade única para passarmos a noite em branco."

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar

As asas da noite que surge
E corre no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na no espaço profundo
Querida, és linda e meiga
Sentir teu calor e sonhar

Heitor Vila-lobos / Dora Vasconcelos



sábado, 19 de março de 2011

Ideias com Esperança

No romance O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS diz-se que “nove meses é o tempo que se leva a morrer, tantos quantos os que andámos na barriga das nossas mães". Façamos de conta que não se passaram nove meses, nem os 14 anos de idade que tem o texto abaixo transcrito, e que o autor ainda está vivo e a dizer coisas.

«(…) Perguntaram-me pela democracia, e eu respondi-lhes que a democracia, tal como a estamos vivendo, é uma mentirosa falácia, que não se pode falar de democracia quando sabemos que os governos, resultando de actos eleitorais democráticos, logo se tornam em meros mandatários do único poder real real e efectivo, que é o das corporações económicas e financeiras transnacionais. Também me perguntaram pelo comunismo, e eu respondi-lhes que o socialismo não se pode construir nem contra os cidadãos nem sem os cidadãos, e que por isto não ter sido entendido é que a esquerda é hoje um campo de ruínas onde, apesar de tudo, uns quantos ainda teimam em buscar e colar fragmentos das velhas ideias com a esperança de poderem criar algo novo… “Irão consegui-lo?”, perguntaram-me, e eu respondi: “Sim, um dia, mas eu já cá não estarei para ver…”»

Excerto do registo de 2 de Agosto de 1997 de José Saramago in Cadernos de Lanzarote – Diário V

Meu comentário: Foi inaugurada a 18 de Março de 2011 a “Casa” de José Saramago, em Tias, Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha, e por muito que me esforçasse, lamentavelmente, não vi uma única referência ao acontecimento nas nossas televisões. Com isto, confirma-se que nove meses é o tempo que se leva a esquecer quem morreu.

HOJE HÁ MANIF

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sócrates Filósofo

«Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, passaria a ser honesto, apenas por desonestidade

Sócrates (filósofo grego – 469 - 399 a.C)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Já reparou que dizer Ultramar, sem nada fazer para recuperar para Portugal as ex-colónias, não tem nada de patriótico?


Referir as antigas colónias por Ultramar, como faz Cavaco, é partir do principio que eram territórios que faziam parte integrante da nação portuguesa, e se eram parte de Portugal continuam a ser ("a pátria é una e indivisível", "a pátria não se vende"), estando agora ilegitimamente ocupados por forças estrangeiras.

Portanto, os que se referem às ex-colónias como Ultramar, para serem coerentes, deviam lutar por todos os meios ao seu alcance para refazer as "antigas fronteiras", incluindo pegar numa canhota e ir para as picadas combater os "turras".

Se acham que é Ultramar e nada fazem para corrigir esse "crime de lesa-pátria", isso só revela a sua falta de patriotismo ou de coragem, ou as duas coisas.

terça-feira, 15 de março de 2011

A Música do Pantomineiro

O PANTOMINEIRO tem uma característica que o distingue à légua do vulgar mentiroso ou da pessoa com falhas de memória: fala, fala, fala, e nunca se lembra do que disse há uma hora, e muito menos do que disse há um dia, há uma semana, há um mês ou há um ano atrás. Reconheço que entrevistar um pantomineiro é uma tarefa difícil, porque o pantomineiro, sendo um farsante, quando é entrevistado, faz questão de evitar que lhe façam perguntas, não deixa que os jornalistas o questionem, porque ele não quer responder, mas apenas fazer teatro e falar, falar e falar, em círculos e em elipses, dizendo inanidades, sem chegar a lado nenhum. O pantomineiro, o que ele quer é queimar tempo, ficar em roda livre, fingir e falar, falar, falar, sem gaguejar, despejando sentenças, dizendo disparates e barbaridades até à exaustão.Dar tempo de antena ao pantomineiro é pura perda de tempo, um desperdício, quando o país passa tantas dificuldades, por obra e graça das crueldades do pantomineiro. Dar tempo de antena ao pantomineiro é publicidade enganosa, no pior sentido. Dar tempo de antena ao pantomineiro faz mal à saúde.Dar tempo de antena ao pantomineiro é um atentado à inteligência.

segunda-feira, 14 de março de 2011

NOS 128 ANOS DA MORTE DE MARX
Marxismo-leninismo ou marxismo e leninismo? Parece um pormenor de ortografia mas é de facto uma diferença do caraças


No dia em que passam 128 anos da morte de Karl Marx, pela minha parte continuo a recusar as sínteses, sebentas, cartilhas, e catecismos, e a ficar-me com a obra do homem que estudou o mundo para o mudarmos.

Como diz um dos participantes nesta discussão à volta da Manif da Geração à Rasca: Viva Marx pá! E também, digo eu, Viva Lenine pá!

ENGENHARIA Orçamental ou CONTABILIDADE Criativa

Recorte dos apontadores de 1ª. página do semanário EXPRESSO de 5 e 12 de Março, respectivamente. Clicar nas imagens para aumentar.


Há quem lhe chame engenharia orçamental, outros que é mais um exemplo de contabilidade criativa. Seja uma coisa ou outra, os efeitos irão reflectir-se sobre os mesmos de sempre.

sábado, 12 de março de 2011

A LUTA CONTINUA, VEM O POVO PARA A RUA.


ADENDA em 13/3 - Comentários a este post no Facebook

Carlos Luz
Momento especial este, em que novas caras vieram à luta ampliando as vozes de protesto contra as políticas anti sociais que algures os mandantes europeus definem e os nossos governantes aplicam sem escrúpulos dando de barato a soberania nacional.

Evaristo Rui Brito Fonseca
Apesar de tudo, para um leigo como eu, causa-me uma certa estranheza os apoios implícitos de Cavaco, PSD, Portas, CDS, a própria Igreja, assim como outras personalidades da direita (bem à direita). Causa-me estranheza maior, o apoio desde a primeira hora de todos os canais televisivos e restante imprensa, quando nunca se tinha visto tamanho comprometimente com outras, muitas manifestações promovidas pela CGTP. Para tudo há uma explicação, e eu gostava que os apoiantes mais esclarecidos do que eu me ajudassem...

J Eduardo Brissos
Acho que o que aqui temos é a afirmação (irrupção) politica dum "grupo social em ascensão" reivindicando o seu lugar no "concerto socio/politico da nação".
Apesar das manobras de que fala o Evaristo, do que hoje lá vi, do povo que desfilou, e não dos organizadores que não conheço, parece-me que o seu aliado preferencial é a esquerda.
Vejamos agora como a esquerda vai lidar com a situação:
Falar em "ampliação" no sentido de reforço do que existe é curto, pode na melhor das hipóteses atrair alguns dos mais radicalizados.
Ou irá a esquerda "aproveitar o balanço" para se reinventar para o sec XXI? Um processo do mesmo tipo, mas necessariamente muito diferente, do que teve lugar na década que antecedeu o 25 de Abril?

Carlos Luz
Da vida recolhemos a experiência de que a tomada de consciência das coisas que estão para além das necessidades imediatas de cada um não tem um significado massivo e, nem tão pouco das expressões voluntariosas e imediatistas resultaram transformações sociais significativas, mas de processos análogos alguns ganharam outro tipo de consciência do seu papel na sociedade.
Claro que é curtíssimo a ampliação do reforço do que existe, mas já não é mau se tivermos em conta que muitos dos presentes eram jovens e outros menos jovens não costumam estar presentes na luta.
Claro que havia um pouco de tudo na manif, não era anárquica, apesar dos anarquistas (?) estarem presentes, e era perceptível um tipo de organização experiente, vi muitos comunista e sindicalistas, mas também folcloristas profissionais e muita confusão de ideias que nalguns casos roçava o reaccionarismo.
Sendo um momento importante de luta e partilhando da ideia de que é necessário fazer uma análise deste processo e retirar daí conclusões, não me parece que seja a revolução em marcha.


ADENDA CONTINUA NOS COMENTÁRIOS A ESTE POST


A Verdade do PEC IV

NA ÓPTICA do Governo, os portugueses só servem para pagar os custos da crise, reduzir o défice do Orçamento do Estado e encher os cofres dos agiotas do costume, não para serem informados sobre o que lhes vai acontecer. Desta vez, para além dos partidos e dos parceiros sociais, até o recém-empossado Presidente da República não foi informado da existência de um tal PEC IV, antes da sua apresentação em Bruxelas, o que deixa a “cooperação institucional” prometida pelo insolente primeiro-ministro, reduzida a uma brincadeira de muito mau gosto. Uma pergunta fica no ar: acto de soberba ou provocação? Os próximos desenvolvimentos dirão qual o objectivo da afronta. Entretanto, Sócrates e os seus compinchas (para não lhes chamar outra coisa) continuam a fazer tudo para que os portugueses fiquem reduzidos ao osso. Pelo caminho vão queimando tudo em que tocam. Confrontados com o novo pacotão de austeridade do PEC IV, os incontornáveis mercados, insensíveis a tanta generosidade, apressaram-se a subir as taxas de juro até aos 8 por cento.
Caso o Governo não consiga arranjar coragem suficiente para apresentar uma moção de confiança no parlamento, está na altura de ser apresentada nova moção de censura, que permita ao povo voltar às urnas, para corrigir esta deriva.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O que é feito dos professores de marxismo-leninismo da antiga RDA?


Phil Collins, não confundir com o das cantigas, um artista e cineasta inglês inicia o seu projecto Marxism Today com um episódio dedicado a tentar saber o que terá acontecido aos milhares (a disciplina era obrigatória) de professores de marxismo-leninismo da RDA.

Baseado em entrevistas a alguns desses professores, o documentário chega à conclusão de que, apesar de as suas vidas terem levado grandes voltas, na generalidade continuam fiéis às antigas convicções, independentemente daquilo que hoje fazem: uma das entrevistadas é agora assistente social, outra trabalha numa agência matrimonial, e outra ainda é hoje uma empresária que se diz decidida a “to get rich”.

Numa das entrevistas do filme, Petra Mgoga-Zecay, uma das antigas professoras de marxismo-leninismo, recorda ter visto, pouco após a queda do muro, na celebrada Karl Marx Platz no centro de Berlim, o então chanceler da RFA Hemut Kohl a distribuir aos berlinenses de leste garrafas de Coca-Cola e bananas: "Nunca mais consegui comer bananas, e claro também não bebo CocaCola", confessa Petra.


Nota: Ver aqui vídeo com entrevista a Phil Collins incluindo excertos de "Marxism Today" e "Use! Value! Exchange!".

O Discurso do Presidente

NA TOMADA de posse do seu segundo mandato, Cavaco Silva disse aquilo que já devia ter dito há mais tempo, quando o caldo começou a azedar, para que não chegássemos onde agora estamos. Ontem, esqueceu-se de que passaram cinco anos sobre a sua “cooperação estratégica” com os governos do engenheiro incompleto, o que o coloca na situação de co-responsável com a situação de emergência económica, financeira e social a que chegámos. Disse que há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos, não gaguejou, mas esqueceu-se que todos aqueles sacrifícios foram ratificados com a sua assinatura. Puxou pelos galões e fez um discurso violento, desancando no governo, criticando a política dos compadrios e dos boys, do uso e abuso do espectáculo mediático e das realidades virtuais, sem que durante os últimos cinco anos tivesse questionado tais práticas, quando o regabofe andava (e ainda anda) à rédea solta. Sócrates e o "seu" PS amuaram, indignaram-se, e acabaram a agarrar-se ao "pau para toda a obra" da crise internacional. Já perceberam que não há almoços grátis, e que a partir de agora é sempre para baixo, até baterem no fundo.
Entretanto, passando por cima de Passos Coelho, Cavaco deu orientações para uma futura política económica e traçou as linhas mestras de um futuro governo de direita. À direita não restava outra coisa senão bater palmas efusivamente, pois sabem que o PS tem os dias contados, e não está longe de se concretizar, finalmente, a “santíssima trindade” imaginada por Francisco Sá Carneiro em 1980: um Presidente, um Governo e uma Maioria.
Finalmente, e sem gaguejar, Cavaco pediu para que os portugueses despertassem da letargia e que os jovens fizessem ouvir a sua voz. Apelou à indignação e ao sobressalto cívico. Só faltou pedir, como quem não quer a coisa, claro está, para trazerem o pão, o queijo e o vinho, e também o PSD e o CDS-PP para formarem governo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O SORRISO CÍNICO DE SÓCRATES
Cenas da Geração à Rasca.


Enquanto os jagunços (a fazer "segurança" num evento do PS provavelmente pagos com o dinheiro dos contribuintes, era bom que os alegados jornalistas tirassem isso a limpo) expulsavam ao empurrão e pontapé os jovens da Geração à Rasca, e a boysada abancada à mesa do jantar, e do Orçamento, gritava histericamente PS PS, o amigo de Ben Ali e Moubarak assistia à cena impávido e sereno com um sorriso cínico de gozo.

No final já com os jovens no meio da rua, para as câmaras de TV, juntando insulto à injuria, Sócrates "convida" os jovens para ficarem, para jantar.


segunda-feira, 7 de março de 2011

"Catroga prepara programa arrojado para o PSD"
(e desta vez não vão ser apanhados de calças na mão)


Diz o Expresso de 5/3 (sem link) que "Catroga prepara programa arrojado para o PSD" e, ao que a Essência conseguiu apurar, para evitar aquelas cenas lamentáveis, iniciadas com a apresentação da "Constituição do PSD", em que num dia apresentam com estrondo uma proposta e nos dias seguintes, andam todos como baratas tontas à procura da melhor maneira de dar o dito por não dito, desta vez além do Grupo de Trabalho que vai elaborar o programa, foi criado um outro Grupo que, em paralelo, vai criar um guião com dicas para, nos dias seguintes ao anúncio do tal programa arrojado, duma forma perfeitamente organizada, permitir aos caciques do PSD apresentarem uma, ou várias, versões alternativas de todos aqueles aspectos do programa que não caírem no goto do pessoal.

sábado, 5 de março de 2011

MPLA: Apoio popular e iniciativa política.


Ao intervir na cerimónia, o primeiro-secretário provincial do MPLA em Luanda, Bento Bento, disse que o povo de Luanda saiu a rua marchando pela continuidade da paz, do espírito da reconciliação nacional e dizer que quer a paz e o desenvolvimento.

"Luanda saiu para demonstrar que esta paz duramente conquistada tem como arquitecto o Presidente da República, José Eduardo dos Santos", referiu o político, para quem "democracia sim, violência não".

Pediu as pessoas que pretendem causar confusões em Angola para esperarem pelas próximas eleições e concorrerem de forma democrática, sem recursos a confusões e outras acções tentatórias.

"O povo angolano está cansado de sofrer e o MPLA vai continuar a trabalhar para a implementação dos seus programas", frisou o político, reiterando que os angolanos não pretendem deixar que ataquem o arquitecto da sua paz.

"Só o orgulho por um passado marítimo explica compra dos submarinos"
(se procurarem bem acho que encontram outras razões mais prosaicas)


O embaixador dos USA acha que "Só o orgulho por um passado marítimo explica compra dos submarinos", mas a mim está-me a parecer que se procurarem bem talvez encontrem outras razões mais prosaicas.

Recortes e Rascunhos (2)

AFINAL, não lhe valeu de nada “ter andado por aí”, este tempo todo…

NOTA – A imagem é do apontador da 1ª. página do semanário SOL de 4 de Março de 2011

Kadhafi já meteu cunha ao amigo Sócrates para os Magalhães não fazerem parte da lista de sanções.


sexta-feira, 4 de março de 2011

"FILM SOCIALISME", DE GODARD
Sábado na Culturgest, em Abril na Cinemateca.


Para já, e como diria o Lauro, let's look at the trailer. Na Cinemateca FILM SOCIALISME está incluído no Ciclo ELOGIO A GODARD que se inicia hoje com DEUX DE LA VAGUE.

"O que é feito de Godard? Podia ser – ou é – a pergunta subjacente a este Ciclo. Não no seu sentido mais imediato porque, embora ele já não “apareça” tanto como “apareceu” noutras épocas em que possuía um apelo mediático de pedir meças a uma “pop star”, e já não faça filmes ao ritmo com que no passado os fez, quem quer saber “o que é feito de Godard” também sabe como há-de fazer para o saber. Mas noutro sentido: o que é que, nos nossos tão dispersos e acelerados dias, se faz de Godard e se faz com Godard? Há poucas décadas atrás era claro que o mundo precisava do ci nema e que o cinema precisava de Godard. Hoje, quando deixou de ser evidente que o cinema seja uma necessidade para o mundo, o passo para o si logismo é mais problemático – como se viu, muito recentemente, na forma violenta como o seu último filme (FILM SOCIALISME), foi enxotado pela imprensa generalista internacional e praticamente apenas defendido pelos nichos da “crítica especializada”. A linguagem da “cultura de massas”, sufocante e agressiva, não tem absolutamente nada a ver com o cinema que Godard pratica e representa. Pior (ou consoante a perspectiva, melhor), é exactamente dessa incompatibilidade que os filmes de Godard falam. Agora e há muitos anos.

Também por isto, a estreia em Portugal de FILM SOCIALISME (que veremos, na Cinemateca, em Abril) era uma oportunidade irresistível para voltarmos, com alguma profundidade e extensão, ao cinema de Godard. A Cinemateca já lhe dedicou duas retrospectivas, a primeira em 1985, e a segunda catorze anos depois, numa espécie de actualização (1985-99) – para além se tratar de uma presença regular, se não mesmo mensal, na nossa programação. Agora, a propósito de FILM SOCIALISME, não nos concentrámos em ne nhum período especial da obra de Godard, antes resolvemos propor uma viagem, variada no tempo e nas épocas, por momentos capitais dessa obra, juntando títulos lendários e muito vistos (À BOUT DE SOUFFLE ou PIERROT LE FOU) a outros de muito mais intermitente visibilidade como alguns filmes dos anos 70 (LE GAI SAVOIR ou COMMENT ÇA VA, que na Cinemateca não são vistos desde o Ciclo de 1985) e décadas posteriores (ALLEMAGNE NEUF ZÉRO ou trabalhos em vídeo como LES ENFANTS JOUENT À LA RUSSIE, que por aqui não passam desde o Ciclo de 1999). Abrimos, da me lhor maneira, com um “bónus” que nos foi proposto pela distribuidora portuguesa de FILM SOCIALISME, a Midas Filmes: a ante-estreia de DEUX DE LA VAGUE, documentário sobre Godard e Truffaut realizado por Emmanuel Laurent e escrito por Antoine de Baecque. A seguir, mergulhamos nas ondas de uma obra que se confunde, como provavelmente mais nenhuma, com o cinema e com o mundo dos últimos cinquenta anos – como Godard disse, “une seule histoire”."

quinta-feira, 3 de março de 2011

Recortes e Rascunhos

«O meu país tem oito séculos de história, o meu país não é subserviente com ninguém, só é subserviente com o seu povo e com aquilo que o povo tem a dizer (...) não acompanho o sentimento de alguma imprensa em Portugal, não tenho um sentimento nem provinciano, nem um sentimento de inferioridade relativamente a nenhum país, todos os meus colegas são tratados por mim como iguais, e é também essa a forma como me tratam.»
.
Excerto das declarações de José Sócrates, na conferência de imprensa conjunta com Angela Merkel, e após a reunião que ambos tiveram em Berlim, a propósito da preparação do próximo Conselho Europeu, e não da dívida soberana portuguesa e das actuais dificuldades de financiamento (isto diz ele, quem é que acredita?).

quarta-feira, 2 de março de 2011

Gloriosa CARRIS

NÃO leve a sério os conselhos que dizem que para sermos cidadãos conscientes e exemplares, devemos optar pelo transporte público, em vez do transporte privado, em benefício da mobilidade, da preservação do ambiente e da redução do tráfego de veículos particulares nas cidades. A gloriosa Carris, em vez de alargar os serviços para fazer cumprir aquele objectivo, levando a sério a sua função de serviço público, de comum acordo com a Câmara Municipal de Lisboa, decidiu extinguir algumas carreiras que servem a população, já a partir do próximo sábado, nomeadamente as carreiras 39, 92, 204, 752 e 780, estando a ser analisada a extinção das carreiras 745, 768 e 702 e a redução do percurso das carreiras 12, 727 e 768 ao fim-de-semana. Curiosamente, e talvez porque o factor surpresa é uma das característica da quadra carnavalesca, a iniciativa, embora veiculada por alguns órgãos da comunicação social, não consta do site da Carris. Isto para já não falar de quem adquiriu o Passe a contar com estes serviços, e agora vai-se ver privado deles, provávelmente sem direito a reembolso.